História Apelo. - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Visualizações 3
Palavras 453
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo Único.


Apelo

 

Tenho uma máscara, queria não ter, mas eu tenho. Ela é minha pele, minha casca, minha proteção, sem ela sou uma ferida aberta, fico frágil, vulnerável, e acabo sangrando. A proporção das coisas mudou, eu cresci e os problemas também. Minha máscara já não é tão eficiente como antes, está apertada, dói, sufoca, e eu preciso tira – lá. Nesse momento, me escondo. Ninguém pode me ver, se virem vão saber. E ninguém pode descobrir, sem minha máscara é impossível, sou podre. As pessoas não rirão das minhas piadas, não falarão comigo, e eu vou desmoronar.

Durante a manhã ainda estou viva, de tarde começo a chorar, então chega à noite, quando finalmente me rendo e morro. No dia seguinte é a mesma coisa. De novo, de novo e de novo.  Isso me corrói, destrói, e cansa. Mas ainda estou aqui dentro, habitando este corpo pequeno, magrelo, desengonçado, e triste, levando-o aqui e acolá. Presa no mundo, na rotina, e dentro de mim mesma. Condenada. Ás vezes sinto vontade de por um fim nisso, porém, não consigo, não sei como, e tremo de medo.

Há momentos em que eu me sinto cheia, transbordando, sei que tem alguma coisa, mas não sei o que é. Então decido procurar, vasculhar, e tentar entender. Aí eu entendo. E entender é a pior parte, pois só aí eu tenho noção do que está acontecendo. Embora tente arduamente encontrar palavras para descrever o que sinto — ou o que não sinto, nunca as encontro. Tudo que sei é que me envolve, me puxa, me enrola, me molda, e me domina.

Então sempre acabo chegando à mesma deprimente conclusão: Isso é apenas o vazio.

Este é como um muro, que me separa e afasta do restante. Fez com que eu deixasse de amar meus pais, passasse a recusar sair com minhas amigas. Mesmo querendo convencer minha mente de que isso não importa, meu coração dói, e eu me lembro como é patético. Não costumo pensar no futuro, pois não acho que existirei nele. Queria saber o que se passa na cabeça das pessoas ao me verem arrastando meu corpo por aí, tenho certeza de que elas não são capazes de enxergar nada além do que vêem, mas isso não muda o fato de que não há absolutamente nada para ser visto. A partir daí não existe mais nada.

Tem um buraco dentro de mim, é fundo, escuro e apertado, entrei dentro dele sem sequer perceber. Apesar de tudo, não fico incomodada nem chateada por isso. Afinal, é tudo que tenho, no fim do dia eu rastejo até ele, e de repente estou em queda livre, dando um mergulho profundo em minha própria consciência.

Isso está me matando.

E vai matar.

 



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