História Apenas Alguém - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Got7
Personagens Jackson, Mark, Yugyeom
Exibições 41
Palavras 1.404
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Primeira Consulta


O loiro olhava ao redor, olhava o papel de parede escuro, o chão acarpetado, olhava para seu guarda-roupa e, finalmente, olhava para a janela. Suas mãos tremiam e ele começava a ficar desesperado, o sol estava nascendo, o dia estava chegando e ele teria que sair de casa. As pequenas rupturas em sua janela deixavam a luz solar entrar e iluminar o quarto.

Tentou levantar-se, mas uma súbita fraqueza atingiu-lhe e ele caiu no chão. Sua cabeça doía, seus olhos estavam inchados e seus braços, uma linda arte avermelhada e suicida. Mesmo com dor, levantou-se novamente e fechou a cortina, impedindo a entrada da luminosidade. Correu até o banheiro da sua suíte, fechando a porta e trancando-a. Olhou-se o espelho, odiando a visão que tinha de si mesmo, dos braços e pernas gordas, dos olhos inchados e cabelo enorme.

Pegou o kit que mantinha sempre ali, desinfectando as feridas e cobrindo-as com gaze e ataduras. Voltou para o quarto, sentando-se no canto, admirando o teto de seu quarto. O teto branco, límpido e sem vida. Sem vida, uma característica que ele queria tanto ter. Covarde demais, ou sortudo demais, nunca conseguiu adquiri-la.

-O que você está fazendo aí, no escuro? -A progenitora pergunta, ligando a luz do quarto alheio e olhando no olhos de seu filho, vendo seu pequeno menino se assustar e resmungar algo incompreensível para ela. Não importava quanto tempo passava ou o quanto o menino parecesse com seu pai, ela achava-o cada vez mais bonito e precioso. Cada vez mais, uma criatura perfeita e ela sabia de os defeitos que ele tinha, mas não ligava. -Você não tem medo do escuro?

-Não. -Respondeu, escondendo seus braços e sorrindo fraco. Odiaria-se se ela descobrisse sobre sua automutilação, se qualquer um descobrisse, no entanto, principalmente ela, que o criou com tanto amor e carinho, que fez o seu melhor.

“Talvez esse seja o problema” completou em pensamento. Ele não tinha mesmo medo do escuro ou da morte, ele tinha medo de viver, de abrir os olhos e perceber que ainda é ele mesmo. Ele tem medo de si mesmo, medo do que pode fazer consigo mesmo.

-Está na hora de ir para escola. -Ela diz sorrindo, mas para no momento que vê os olhos do adolescente arregalar e sua boca abrir e fechar várias vezes. Ela ficou confusa, esperando por alguma frase do filho, o que não ocorreu. -Está tudo bem? -Perguntou.

-Sim, só…  Estou ansioso. -Mentiu em partes, ele estava sim muito ansioso, mas não para ir à escola.

-Hoje é aquele passeio que vocês vão a um hospital psiquiátrico, não é? -Perguntou, pensando que finalmente tinha entendido as atitudes de seu descendente. Ela sorriu quando ele concordou, saiu do quarto e começou a cantarolar uma música, a preferida dela. Quando o menino era apenas um bebê, ao invés de canções de ninar, sua mãe cantava Wading até que ele dormisse.

O menino tinha um apego à música, pegou gosto por ela assim como sua mãe fez há muito tempo atrás. A mulher achava-o parecido com o pai, mas o loiro era totalmente a mãe. Bom, ele lembrava sua mãe nos gostos e manias, os quais ele odiava. Roer a unha, coçar os olhos constantemente e estalar os dedos, este último -diziam seus professores- prejudicaria seu futuro.

Uma grande ironia, ele não ligava para o futuro. Ele achava que não tinha um.

A cada passo que dava sentia sua respiração ficar mais pesada e ofegante. A cada passo ele estava mais perto da escola onde estudava e, agora, faltava apenas atravessar a rua. Viu seus colegas de classe divididos em grupos e ele era o único faltando. Xingou-se mentalmente, odiava chamar atenção. Atenção era o que mais recebia das pessoas de sua classe, porém ele não a queria.

O aluno já passou várias horas, várias noites, tentando entender o motivo de ser o centro das atenções. Ele era normal, um pouco introvertido demais, não incomodava ninguém. E, no final, não tinha uma resposta para todas as suas perguntas. Talvez ele fosse o escolhido porque ele era ele.

Nem ele gostava de si mesmo, porque outro alguém iria?

Atravessou a rua, foi até o professor e pediu desculpas, foi repreendido, mas num tom amigável que demonstrava que estava tudo bem. Faltava vinte minutos para saírem, porém, alegou o professor, ele poderia ser deixado para trás. Novamente, ele não se importava, mas forçou-se a sorrir e desculpar-se novamente.

-Olha só quem chegou! -Assustou-se com a voz muito próxima a si, virou-se e viu YugYeom sorri de lado. Ele aproximou-se, passou o braços por seus ombros e sorriu novamente. -Você vai sentar-se ao meu lado, não vai? -Perguntou, o loiro podia sentir os olhares voltados  para eles e não conseguiu negar. -Que ótimo! -Exclamou, soltando-se dele e indo para seu grupo;

Respirou fundo, olhando para o carro que passava na rua, em alta velocidade. “Seria uma boa” pensou, mas ele não iria jogar-se na frente do veículo. Se fosse para morrer, ele queria ir sem incomodar ninguém.

Ao entrar no ônibus, deixou YugYeom escolher o assento dos dois, os dois últimos, obviamente. Sentou-se na janela, observando as folhas das árvores começaram a cair. Impressionava-se com as árvores, elas estavam sempre mudando, sempre florindo ou secando. Ele sentia mesmo era inveja, na verdade, pois elas conseguem mudar.

Não ficou surpreso ao escutar a primeira ofensa sair dos lábios de YugYeom. Ele estava esperando por isso, apenas abaixou a cabeça e ficou escutando ele e seus amigos ofenderem-o enquanto algumas meninas riam. Houve uma época que loiro ousava olhar nos olhos alheios enquanto era humilhado, hoje em dia ele não o faz mais. Piora a situação.

Quarenta e cinco minutos de viagens e insultos, quarenta e cinco minutos a menos no dia do loiro. E  mais quinze de  uma mini-palestra que um psiquiatra qualquer dava aos alunos. Falando sobre o hospital, a história deles e sobre algum dos casos que ele acompanha. Deu instruções, ninguém poderia se afastar muito do grupo, não irritar os pacientes e não mexer nas coisas sem permissão.

 

Eu fui o último a entrar no hospital, ficando com dor na cabeça pelo excesso de branco. Olhei ao redor, vendo um hospital normal, enfermeiras indo de um lado para outro, pacientes sentados, esperando pela sua vez e um clima tenso no ar. Gravou cada detalhe que viu na cabeça, aquele ali era o seu lugar, ele sabia disso.

-Não se afaste muito de mim, inútil! -Gritou YugYeom quando o professor e o médico estavam muito longe para ouvi-los. Burburios e risadas espalharam-se pelo ambiente quando ele se aproximou do grupo, ele engoliu em seco e ficou olhando para o assoalho do lugar. -Você não revida, você adora isso! -Falou agarrando o braço alheio e apertando, o loiro arregalou os olhos, sentindo-os encherem de lágrimas e as feridas em seus braço abrirem-se novamente.

-O que está acontecendo aqui? -O professor os interrompe e o silêncio se torna mortal e insuportável.

-Eu estava falando para ele não se afastar muito de nós. -Sorriu falso, o professor aceitou essa desculpa e eles voltaram para tour pelo lugar. O  loiro continuava parado,  olhando para o nada a sua frente, segurando seus gritos de dor. Os machucados já nem importavam mais, a carne nem doía, não tanto quanto seu coração.

Ele balançou a cabeça negativamente, afastando os pensamentos e voltou a acompanhar o grupo. Passaram por diversas salas até chegarem num enorme jardim, o vento frio fazia as  pessoas encolherem-se em seus casacos.

-Aqui vocês poderão ficar livres, podem conversar com qualquer paciente e mexer no que quiserem. -O psiquiatra falou, todos exclamaram coisas alegres e foram se afastando. -Não se esqueçam de  pegar uma  prancheta com um papel e fazerem um desenho ou comentário sobre o local. -Falou e depois despediu-se e foi embora,

O adolescente olhou ao redor e viu um banco de madeira envernizada, estava longe de todos, bem longe. Andou devagar e sentou-se ali, segurou a prancheta e não soube o que fazer. Não tinha como tecer um comentário, pois não prestou realmente atenção em nada. Só resta-lhe desenhar, mesmo que não fosse bom nisso.

“Não sou bom em nada aliás.” pensou.

Começou com simples riscos que não levariam a nada, riscos que tomaram rumos do nada. As curvas desenhadas à caneta preta mostravam a dor de um coração despedaçado, mostravam desespero e medo.

Curvas que mostravam ao mundo como Mark Yi-En Tuan se sentia.



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