História Apenas Ela - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Personagens Originais
Tags Laura Prepon, Taylor Schilling
Exibições 497
Palavras 4.960
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi meninas, acabei postando o capítulo anterior sem nenhuma nota. Falha minha, gosto de falar com vocês. E gosto mais ainda de ler as opiniões.
A semana foi cansativa, com trabalho demais, mas enfim consegui escrever a continuação da fic. Ficou um capítulo tãooo grande que achei melhor dividir em três.
Segue a segunda parte. Eu poderia demorar mais pra postar, mas vi a ansiedade nos comentários. E vocês são tão fofas que decidi dar um presentinho de dia das crianças, mesmo que atrasado.

Capítulo 15 - Ciúme


Taylor estava conversando com Chloe e como a porta do quarto estivesse entreaberta, percebeu que havia alguém no corredor.

- Laura? - chamou.

Silêncio. Sabia que seria difícil, mas precisava confrontar Laura. Ainda não conseguia acreditar na história que Chloe contara. Quando a garota ligou pra ela, com uma preocupação acima do normal e disse que fora vê-la no dia anterior, mas que Prepon não deixara nem ao mesmo ela entrar no apartamento, Taylor achou que havia algum engano ali. Por isso aceitou prontamente quando Chloe perguntou se podia ir visitá-la.

- Laura, você pode vir aqui, por favor? – insistiu.

A morena finalmente entrou no quarto, mas seu olhar estava focado em Chloe, deitada na cama e recostada em Taylor. Schilling logo constatou que teria problemas, pois a loirinha mais nova fez questão de cumprimentar Laura com uma certa dose de cinismo:

- Oi Laura, como vai? Acho que você esqueceu de avisar que estive aqui ontem. Aliás, do jeito que falou pensei até que a Taylor tava com alguma doença contagiosa.

Notando o olhar de fúria de Prepon, Schilling tratou de assumir a situação.

- Laura, porque você não me disse que Chloe esteve aqui?- tentou ser firme, mas sem pressionar demais.

- Não lembrei Taylor – Laura finalmente olhou pra loira – Tinha coisas muito mais importantes pra me preocupar.

- Imagino. – Chloe riu de forma debochada.

- Não, com certeza você não imagina. Suas preocupações são outras. Tipo vir correndo fazer queixa pra Taylor porque foi contrariada.

- Antes apenas fazer queixa, como você tá dizendo, do que tentar controlar a vida da Taylor e de quem chega perto dela. Não é de hoje que percebo que sempre que você tá com ela tenta monopolizar a atenção só pra si. Isso é carência porque agora tá sem namorado ou esse é seu estilo mesmo, a estrela que acha que tem que brilhar mais que os outros?

- Se enxerga garota. Você nunca me enganou com essa pose de menininha inocente. No fundo é uma oferecida, vive correndo atrás da Taylor.- Laura estava realmente irritada.

- Taylor, você vai deixar ela falar desse jeito? – Chloe enfim levantou-se e ao sentar na cama cobrava uma posição da loira.

- Vocês duas querem me enlouquecer. – só então Schilling encontrou espaço entre o bate-boca delas – Minha conversa com Laura vai ser a sós, Chloe.

Por mais que Laura estivesse errada não tinha nenhuma intenção de expô-la na frente da outra.

- Ok, baby. Podemos voltar ao que estávamos fazendo então? – olhou de forma desinteressada para Laura: - Você pode nos dar licença?

- Quem vai nos dar licença é você. Tá na hora de ir embora. Já fez a sua visita, agora pode tomar o rumo de casa.

Taylor estava tentando, mas Laura não facilitava. Ela não podia deixar que Prepon continuasse naquele caminho.

- Ei, Laura, pega leve aí. Essa casa ainda é minha e você não pode ir mandando ninguém embora assim não. Tô tentando ser compreensiva, mas você tá começando a passar dos limites.

- Eu sei muito bem que essa casa é sua Taylor, que estou aqui de hóspede. Mas ela vai ter que ir embora, o que você menos precisa nesse momento é dessa confusão toda. Você não pode ficar nervosa. – Laura nem sabia porque dizia aquilo, ela mesma não estava mais conseguindo se controlar.

- Você é quem me deixa nervosa, Laura. Estava tudo tranquilo até você chegar.

No mesmo momento em que disse aquilo, Schilling se arrependeu. Mas já era tarde e não ia recuar, senão Laura acabaria lhe dando mais ordens.

As duas encararam-se de forma fria, sustentando o olhar uma da outra sem praticamente piscar. Ironicamente, quem interrompeu aquele duelo de olhares, foi Chloe:

- Deixa, Taylor. Eu vou embora. Acho que já saquei o que tá rolando aqui. Não vou ficar no meio desse tiroteio de vocês, porque certamente quem vai sair machucada sou eu. – vendo que a loira fazia menção de levantar, ela completou: - Não precisa me levar até a porta, eu sei o caminho. Se cuida, depois te ligo.

Antes de sair, Chloe fez questão de dar um selinho em Schilling. Aquilo pareceu acender o ódio de Prepon, nem bem a garota saiu do quarto, ela perdeu a compostura:

- Essa menina é muito abusada. Qualquer dia, eu mesma faço questão de lhe dar umas boas palmadas, já que parece que ninguém fez isso até hoje.

- Nem pense em tocar num único fio de cabelo da Chloe. Tá doida, Laura? Você não tinha o direito de impedir que ela entrasse aqui ontem. Se gosta dela ou não, isso é um problema seu. Mas ela veio me ver, você deveria ter me chamado, e não praticamente ter expulsado ela daqui. Não vou permitir que distrate meus amigos dessa forma – ela teve o cuidado de incluir a garota na categoria  “amigos” – Você tem que parar de querer controlar quem pode ou não se aproximar de mim. Isso não é decisão sua. A Chloe pode vir aqui quando ela quiser e vai permanecer pelo tempo que eu julgar necessário. Estamos acertadas?

- Chloe, Chloe, Chloe... vai ficar repetindo essa merda de nome até que horas? Quer que eu vá atrás dela e a chame de volta? - Laura começou a andar de um lado pro outro no quarto, visivelmente nervosa – Se era pra ficar se lamentando não devia ter deixado que ela fosse embora.

Taylor se deu conta que aquela discussão não as levaria a lugar nenhum. Sabendo que seu nível de estresse estava altíssimo naquele momento, começou a se preocupar com a possibilidade de ter um troço. Era o que faltava, ela voltar a desmaiar. Isso a deixaria numa posição vulnerável em relação à Laura e ela se odiaria por isso. Rapidamente foi até seu closet , colocou um tênis e saiu do quarto deixando Prepon para trás. Laura a alcançou quando já estava em frente à porta com as chaves na mão.

- Taylor, onde você vai? Não pode sair assim.

- Ah, não posso? Pois é justamente isso que vou fazer – a loira nem se deu ao trabalho de virar pra trás ao dizer isso – E nem pense em vir atrás de mim Laura. Eu preciso de um tempo ou vamos acabar nos matando aqui dentro.

    

Depois de meia hora caminhando pelas ruas próximas a seu prédio, pois não queria correr o risco de passar mal e estar longe de casa, Schilling entrou em um café. Sabia que era uma bebida proibida na situação em que se encontrava, mas era tudo que precisava naquele momento. Talvez o café fosse até menos prejudicial do que toda aquela confusão a seu redor. Buscou uma mesa afastada no canto, mas de onde podia ver todo o movimento lá fora.

Após um tempo, foi se acalmando e passou a ver as coisas com mais clareza. Era óbvio que aquele havia sido mais um dos ataques de ciúme de Laura. Porém, se achara aquilo engraçadinho no início, porque demonstrava que Prepon sentia algo especial por ela, agora a coisa estava ficando mais complicada. Desconfiava que a morena não conseguia admitir o que sentia nem para si mesma, por isso perdia a razão daquele jeito.

No entanto, uma coisa que Chloe dissera e que Natasha já tinha considerado antes, era que o comportamento de Laura podia ser motivado unicamente por carência, pela decepção com Dylan. De certa forma aquilo podia ter feito com que ela se afastasse um pouco dos homens em geral e se aproximasse mais de Taylor, porém de forma alguma significava que ela permitiria que dessem um próximo passo.

Schilling não sabia o que fazer, pra onde ir. Pensou em procurar Natasha ou Uzo para desabafar, mas tinha que parar de correr pra elas sempre que algo dava errado com Laura. Devia passar a agir com mais autonomia. Lembrou-se que Prepon deveria estar bastante preocupada, já que fez questão de sair sem levar o celular para poder pensar em paz. Olhou as horas. Dez da noite. Estava na hora de voltar pra casa.

Não sabia o que a esperava e quando pensou na possibilidade de Laura não estar lá quando voltasse, a inquietação tomou conta de seu corpo. Apressou o passo e subiu de escada mesmo, não queria esperar o elevador. Ao entrar no apartamento, viu um lanche servido no balcão da cozinha e teve certeza que a morena havia ido embora. Correu até o quarto de hóspedes. A porta estava fechada, mas por baixo dela dava para ver a luz acesa. Também conseguia escutar o barulho da televisão. Ela ainda estava ali, a loira constatou aliviada.

Taylor enfim relaxou e se deu conta de que estava morrendo de fome. Voltou para a cozinha e devorou o sanduíche com o chá em poucos minutos. Prepon era mesmo maravilhosa na arte da culinária, fazia tudo ficar delicioso.

Schilling foi tomar um banho rápido enquanto decidia se procuraria Laura ou esperaria que ela viesse. Saiu do banheiro e sentou na cama para secar os cabelos. Fazia tudo lentamente como que para adiar a inevitável ida até o quarto de hóspedes. Ligou a televisão e acabou parando no Discovery, pois ficou interessada em um documentário sobre o Alasca.

Não demorou muito e Laura apareceu na porta, também parecia ter acabado de sair do banho.

- Como você está? Sentiu alguma coisa? - a preocupação com a saúde da loira sempre estava presente.

- Estou bem Laura, pode ficar tranquila. E obrigada pelo sanduíche. Estava uma delícia, como sempre. – resolveu entrar em um assunto neutro. Temia que a guerra de palavras entre elas recomeçasse.

Laura parecia nervosa, esfregava as mãos no short que usava e tinha o olhar baixo. Enfim, soltou a bomba:

- Eu tô indo embora. Sei que disse ia ficar até amanhã, mas logicamente isso não será saudável pra você. Só estava esperando que voltasse. – Ela enfim conseguiu encarar Taylor: - Vou ligar para alguém vir te fazer companhia. Prefere Uzo, Yael, Danie? Jenji ia acabar nos dando uma bronca, então descartei. Tem a Tasho também, mas confesso que tenho medo de te deixar aos cuidados daquela maluca.

Schilling ficou olhando-a ali de pé, parada, e não soube o que dizer. O que Laura fizera não foi certo, de modo nenhum aprovaria que ela decidisse quem entrava ou saía de sua casa. Mas também não estava preparada para vê-la indo embora. Sugerira isso em algumas ocasiões desde quinta-feira a fim de que Laura se sentisse à vontade para ir pra casa na hora que quisesse. No entanto, em nenhum momento quis realmente que ela se fosse. Precisava agir rápido. Sentou-se mais para o meio da cama e deixou um lugar vago ao seu lado. Batendo no colchão, chamou-a:

- Vem aqui, por favor.

- Taylor, já arrumei minhas coisas. Não quero continuar a brigar contigo, odeio quando isso acontece.

- Vou pedir de novo. Pode sentar aqui ao meu lado por favor, senhorita Laura Prepon? – a loira tentava parecer segura, mas no fundo morria de medo de ser rejeitada.

Laura foi até ela, sentou-se e ficou esperando a próxima instrução com uma expressão confusa.

- Encoste-se, não paga nada não.

Prepon enfim sorriu e recostou-se na cabeceira acolchoada da cama. Taylor imitou a posição da morena e começou a falar, como quem estivesse dando uma palestra:

- Você acredita que a Rússia vendeu todo o território do Alasca para os Estados Unidos por apenas sete milhões de dólares? E que ele é o estado americano com o maior número de parques nacionais? Nunca havia pensado nisso antes, mas acho que preciso conhecer o Alasca.

- Você bateu a cabeça na rua, Schilling? Ou andou fumando alguma coisa que não devia? – Laura olhava-a como se fosse um extraterrestre.

- Se assistisse mais ao Discovery, não ia achar estranho o que tô falando. – ela apontou a televisão como se isso esclarecesse tudo.

- Doida – Laura falou rindo.

Taylor aproximou-se um pouco mais da morena e deitou a cabeça em seu ombro. Na mesma hora sentiu que os ombros e o braço de Laura ficaram rígidos, mas como ela não disse nada, a loira continuou ali. O som da tv preenchia o quarto e as duas pareciam concentradas no documentário. Quando percebeu que Prepon já tinha relaxado mais, Taylor ousou dizer:

- Eu não quero que você vá embora hoje. Também não quero que a gente passe a noite discutindo.

Laura continuou muda. Schilling deixou que mais alguns minutos se passassem antes de perguntar:

- Porque você fica tão brava quando algumas pessoas se aproximam de mim? Você vira outra pessoa, Lau.

- Você sabe a resposta, Tay.

- Mas quero ouvir de você. – a loira falou de forma carinhosa.

- Eu sinto ciúme de você. – Laura parecia envergonhada – Sei que é ridículo e irracional, fico me sentindo uma idiota por não conseguir controlar isso. Mas quando vejo alguma mulher se aproximando de você com outras intenções, sinto vontade de esganá-las. Era isso que queria ouvir? Pode rir da minha cara, agora.

Taylor realmente tinha vontade de rir, mas não por deboche e sim porque se sentia estranhamente feliz. Apesar de ter feito a pergunta de forma direta, jamais achou que Laura a responderia sinceramente. A loira deu um beijo no rosto de Prepon e sem pedir qualquer autorização, escorregou o corpo pelo colchão e deitou a cabeça sobre suas pernas.

Sabia que Prepon precisara de muita coragem para fazer aquela confissão, então se achou no dever de dar uma declaração à altura:

- Você não precisa ter ciúme de mim, Lau. O lugar que você já ocupa na minha vida não pode ser preenchido por mais ninguém. – daria tudo pra ver o rosto de Laura naquele momento, mas estava tão confortável deitada no colo dela que nem pensou em se mexer.

Quando sentiu as mãos da morena pousar em seus cabelos e lentamente começar a acariciá-los, Taylor duvidou que algum dia tivesse se sentido tão bem quanto naquele instante. Nenhuma palavra foi dita e nem precisava, bastava a elas ficarem assim, próximas e em paz.

Taylor acabou pegando no sono e duas horas depois quando acordou, levou um tempo para entender o que se passava. Laura não estava mais sentada e sim deitada na cama, a cabeça de Schilling estava sobre sua barriga e seus braços envolviam as pernas da morena. Não tinha a mínima ideia de como acabaram naquela posição. Ergueu seu corpo com cuidado e ficou pensando o que faria. Como sentia um pouco de frio, foi até o armário pegar um edredon.

Por mais que não quisesse, sabia que deveria acordar Laura. Chegou perto e sacudiu-a com delicadeza. Não estava preparada para a visão daqueles olhos verdes tão perto no momento em que foram abertos. Sentiu que sua respiração ficou suspensa por alguns segundos.

- Oi, parece que caímos no sono. – Taylor enfim falou, sorrindo.

Laura retribuiu o sorriso.

- Tá na hora de ir pra sua cama. A temperatura esfriou um pouco, se quiser pego um edredon pra você.

- Chega aqui mais perto. – Laura fez um gesto como se quisesse falar algo no ouvido de Schilling. Quando conseguiu o queria, fez o pedido com a voz ainda mais grave do que de costume: - Posso dormir aqui?

A loira levou um tempo para processar aquela pergunta. Ela tinha entendido direito? Laura pedira para dormir ali com ela? Será que ela era sonâmbula e falava dormindo?

- Tem certeza, Lau?

- Sim. Você tem razão, esfriou um pouco. – ela esfregou os braços como quem sente frio - E acho que aqui é mais quentinho que o meu quarto.

- É, meu quarto é mais aquecido mesmo. – Taylor resolveu entrar na brincadeira. – Arruma a cama aí então que vou pegar algo para você se cobrir também.

Schilling não se responsabilizaria se além da cama dividissem a mesma coberta, por isso tratou de voltar ao closet. Ao retornar ao quarto, quase derrubou o que tinha em mãos; Laura tirava os shorts e aparentemente pretendia dormir de calcinha. Puta que pariu, aquela mulher não tinha pena de fazer isso com ela? Como conseguiria somente “dormir’’ a seu lado?

As duas finalmente se ajeitaram na cama de frente uma para a outra, mas trataram de manter uma distância segura.

- Boa noite, Tay. Desculpa por hoje. Vou tentar me controlar mais daqui pra frente. – Laura parecia sincera ao dizer isso.

- Está tudo bem, Lau. Eu também não fui muito legal ao dizer algumas coisas desnecessárias. Então, estamos quites. Durma bem.

Passaram um tempo se olhando e quando Taylor percebeu que o olhar da outra descia em direção à sua boca, sentiu uma vontade enorme de beijá-la. Mas tinha jurado a si mesma que se houvesse a remota possibilidade de que um beijo entre elas se repetisse, ele teria de partir de Prepon. Não suportaria que ela mais uma vez a acusasse de estar confundindo as coisas. Foi esse pensamento que lhe deu forças para fechar os olhos e tentar dormir.

        

Schilling acordou e antes mesmo de abrir os olhos sentiu um perfume diferente ao seu redor. Segundos depois percebeu do que se tratava: Laura estava deitada de costas para ela e embora seus corpos praticamente não se tocassem, o rosto de Taylor estava enterrado nos cabelos da morena. Daria tudo pra acordar com aquele cheiro todos os dias, foi seu primeiro pensamento consciente.

Sentou-se na cama e ficou desfrutando do belo quadro, Laura tinha uma expressão tão serena. Era um milagre poder apreciar o rosto dela daquela forma natural, sem o ar intimidador, sem as indecisões constantes, sem as máscaras que sabia que ela usava em alguns momentos. Sua pele era tão branca e macia, que Taylor sentiu vontade de mordê-la para saber o gosto que tinha. Divertiu-se com aquelas maluquices que passavam por sua mente e achou melhor sair dali antes que fizesse besteira.

Primeiro foi ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes, depois trocou de roupa colocando um vestidinho leve e enfim foi para a cozinha. Naquele domingo era ela quem prepararia o café da manhã. Sabia que não chegaria aos pés de Laura, mas faria o seu melhor.

A mesa já estava praticamente arrumada quando Laura apareceu:                

- Bom dia, porque não me acordou?

- Oi, bela adormecida. Você tava tão linda dormindo, que eu achei melhor deixar você descansar mais um pouco.

Na mesma hora em que disse isso, a loira tentou perceber alguma reação adversa da morena. Para sua sorte, ela não veio.

- O que você preparou? Tô com fome. – Laura olhava tudo que estava sobre a mesa. – Ei, tem coisas aqui que você não pode comer.

- Mas você pode, então deixa de ser estraga prazer. Olha, o suco não ficou tão bom quanto o seu. E as torradas passaram um pouco do ponto. Mas tenta não se importar com isso.

Laura deu uma daquelas gargalhadas que Taylor amava. Ela parecia ter levantado de bom humor, o que era ótimo. Sentaram à mesa e a morena fazia elogios claramente exagerados a tudo que provava. Taylor fingia não se importar, mas estava adorando aquilo.

Em um determinado momento o celular de Prepon vibrou sobre a mesa e ela pareceu interessada e contente com algo que leu ali. O sorriso presente em seu rosto a denunciou. Schilling esperou que a amiga fizesse algum comentário que desse uma dica do que havia na mensagem, mas para sua frustação, ela deixou o aparelho de lado e seguiu com o assunto anterior. A loira ficou incomodada, mas tentou se convencer que era apenas curiosidade boba de sua parte.

Quando terminaram a refeição, Laura foi arrumar a cozinha e Taylor acomodou-se no sofá. A loira acabou pegando seu próprio celular para responder algumas mensagens acumuladas. Preferira não contar nada à sua família sobre seu estado, então a preocupação com sua saúde vinha das meninas do cast, de seu agente, de Jenji e de alguns amigos do teatro. Também havia uma mensagem de Chloe perguntando se tinha ficado tudo bem depois que ela havia ido embora no dia anterior. Schilling estava concentrada em respondê-la e nem reparou direito quando Laura sentou ao seu lado.

- Ocupei muito espaço na sua cama? Sei que sou um pouco grande e você tá acostumada a dormir sozinha.

Dividida entre o celular e a conversa iniciada por Prepon, ela acabou soltando a primeira coisa que veio à sua mente, sem pensar muito:

- Uou, então esse não é um assunto proibido? Quanta evolução tivemos, hein? Você nem fugiu quando acordou – ao ouvir aquilo sair de sua boca, percebeu a grande besteira que havia feito.

Laura na mesma hora fechou a cara e começou a erguer-se do sofá. Porém, sem nem saber como conseguiu aquela proeza, Taylor foi mais rápida e prendeu-a entre seus braços e suas pernas, evitando que ela se levantasse.

- O que é isso, Taylor? Me solta, anda. – a morena parecia realmente irada.

- Não vou deixar você sair daqui chateada comigo – para demonstrar que não estava brincando, a loirinha começou a encher o rosto de Laura de beijos. No nariz, nas bochechas, na testa, no queixo.

- Você tá doida? Para com isso - Laura arregalou os olhos assustada com aquela Taylor enlouquecida. Mas não conseguiu ficar séria por muito tempo e acabou caindo na risada. – Tay, sossega.

- Então fala que não tá brava.

- Não estou.

Schilling enfim soltou-a, mas não totalmente. Deitou-se com a cabeça apoiada no braço do sofá e trouxe Laura com ela, acomodando-a junto a si. Sabia que estava se arriscando com aquela proximidade toda, mas era o que tinha vontade de fazer naquele momento: deitar abraçada à morena.

Prepon não ofereceu mais resistência e esticou-se também, a cabeça encaixada entre o pescoço e ombro da loira.

- Tem horas que eu acho que você não bate bem, Schilling. Que ataque foi esse? – Laura falou com o rosto parcialmente coberto pelo corpo de Taylor.

- Melhor me fazer de louca do que deixar que você levantasse e depois ter muito mais trabalho pra te fazer falar comigo de novo.

- Idiota.

A loira mal podia acreditar que tinha Laura em seus braços daquela forma. Percebeu que talvez essa fosse a primeira vez que estavam naquela perspectiva. Nas raras vezes em que tiveram um contato mais carinhoso, era Laura que a acolhia. Schilling sempre estava na posição mais vulnerável. Querendo aproveitar ao máximo aquele momento, não sabendo quanto tempo Laura iria se permitir ficar tão entregue, passou a acariciar os cabelos da morena.

Para sua surpresa, Prepon continuou ali, quieta, calada.

- Dormiu? – Taylor enfim perguntou.

- Não.

- Mas tá com sono? Tá tão quietinha.

- Não, só estou pensando.

Ao dizer isso, Laura a abraçou mais forte e Taylor ficou completamente sem ação. Fechou os olhos e começou a se questionar se não estava sonhando. Tinha medo de acordar e descobrir que estava deitada sozinha em sua cama, como sempre.

- Vamos almoçar fora hoje? – Laura sugeriu.

- Claro. Mas o que houve? Já enjoou de cozinhar pra mim? – Taylor sempre tentava deixar o clima leve.

- Ainda não. Mas assim você pode sair um pouco.

- Ok. Você escolhe.

Depois de alguns segundo, Taylor ouviu:

- Quer que eu levante? Estou te apertando? – a morena se remexeu um pouco no sofá.

- Não, Lau. Fica quietinha aqui. – ao dizer isso, deu um beijo na cabeça de Laura.

Taylor se deu conta que por mais que já tivessem dançado coladas, se beijado e até mesmo dormido juntas na noite anterior, aquele exato momento era o de maior intimidade que elas já tiveram. E nenhuma das duas parecia querer interrompê-lo. Por mais que tentasse não se iludir, Schilling começou a ter esperanças de que algo ainda poderia acontecer entre elas.

- Eu sei que você vai rir, mas quero te fazer uma pergunta. – Prepon interrompeu o silêncio.

- Prometo tentar me controlar – mas ao falar isso a loira já tinha um sorriso nos lábios.

- Ontem a Chloe pediu para eu sair do quarto para que vocês continuassem o que tinham parado. O que vocês estavam fazendo?

Taylor não conseguia ver o rosto de Laura, porém tinha certeza que suas bochechas estavam vermelhas de vergonha ao fazer aquela pergunta. Embora fosse realmente engraçada, a loira respondeu seriamente:

- Nada demais, Lau. Estávamos só conversando. Ela falou aquilo pra te provocar. E pelo visto, conseguiu.

- Humpf – a morena resmungou.

- Já que tá permitido esse tipo de pergunta, também vou fazer a minha. – ela fez uma pausa de suspense. – Você sente falta do Dylan?

Laura não respondeu imediatamente. Taylor achou que ela preferiu ficar calada porque a resposta era sim.

- Não. E é muito estranho isso, porque realmente achei que estava apaixonada por ele. Mas a partir do momento em que tudo terminou, eu nem consigo lembrar direito do que tivemos. Eu devia estou louca quando pensei que um dia casaria com ele.

Schilling achou que se tivesse de morrer naquele momento, com certeza morreria feliz.

- Temos que levantar, já estamos aqui por tempo demais. Não fizemos nada até agora. – Laura resmungou.

- Hum... então levanta. – Taylor não queria, mas já estava tão feliz com o que tiveram que não ia abusar da sorte.

Em vez de sair do sofá, Laura se aconchegou ainda mais ao corpo de Taylor.

- Não consigo. – ela falou com voz chorosa.

- Por que você não pode ser sempre fofa desse jeito, Laura Prepon?

- E que graça isso teria?

- Você é convencida, mas é verdade, sua chata.

Uma hora o encanto teria de ser quebrado e isso aconteceu quando o celular de Laura começou a tocar.

- Ah, não vai atender não. – Taylor fez manha.

- Preciso atender Tay, deve ser a Jodi. Ela chega amanhã. – enfim a morena saiu do sofá.

Taylor sentiu o vazio ao seu lado e acabou se sentando. Não tinha mais graça ficar ali.

- Oi. Sim, confirmado. Mas que horas? – Laura respondia a alguém do outro lado da linha.

Percebendo que Laura combinava algo, Schilling resolveu prestar atenção no que estava sendo dito. Não parecia ser Jodi.

- Consigo sim. Você acha que dá conta de tudo? Posso te passar uma lista.

Nesse instante Prepon percebeu que a loira a olhava. Taylor não pôde acreditar quando a morena lhe deu uma careta de brincadeira e em seguida se encaminhou para a janela da sala, ficando de costas como se quisesse privacidade para continuar a conversa.

Taylor ficou tão irritada que foi direto para o quarto. Com certeza Prepon já estava marcando algo para mais tarde, quando estivesse livre de sua função. E devia ser com um homem, ou ela não ficaria cheia de segredos. Ela que fosse embora logo, então. Schilling decidiu que não sairia pra porcaria de almoço nenhum. Todos esses pensamentos surgiam enquanto ela andava pelo quarto arrumando coisas que já estavam no lugar, mas ela precisava se manter em movimento para não surtar de vez. Era mesmo uma idiota completa em ficar se contentando com pequenas migalhas vindas de Laura. Aquela mulher gostava de homem, quando é que entenderia isso?

- O que houve? – Laura entrou no quarto como se nada tivesse acontecido.

Taylor nem se deu ao trabalho de responder.

- Vamos nos arrumar? Vou tomar um banho. – a morena pareceu não perceber o humor de Schilling.

- Não quero mais ir pra lugar nenhum não, Laura.

- Ei, Tay. Vamos sair pra almoçar sim. Já tínhamos combinado.

- Perdi a vontade. Você pode ir embora, assim tem mais tempo pra se preparar pro seu compromisso. – Taylor continuava andando de um lado para o outro.

- Você tá falando sério? – Laura começou a segui-la. – Quer parar e olhar pra mim, por favor?

- Volta lá pra sua ligação e me deixa quieta. – Taylor sabia que estava fazendo um papel ridículo, mas estava muito irritada.

Para sua surpresa, Laura a abraçou pelas costas e a loira ficou presa entre seus braços.

- Quer parar de andar, sua rebelde? – ela parecia se divertir com a situação, o que deixava Schilling mais brava ainda.

- Sai Laura, não quero brincadeira agora. – Taylor fazia força pra se livrar do aperto, mas era inútil.

- Parece que mais alguém aqui foi mordida pelo bichinho do ciúme, não é mesmo?

Schilling ficou tão indignada ao ouvir isso, que fez um movimento brusco e acabou perdendo o equilíbrio. Sua sorte foi que caiu de costas na cama, porém na queda trouxe Laura junto. A morena ficou de frente, com o corpo por cima do dela.

Os rostos estavam próximos demais e Schilling notou que havia algo diferente ali. A expressão de Laura ficou séria e os olhos verdes pareciam pegar fogo. Taylor tentou dizer algo, mas nenhuma palavra saía. Também não conseguia se mexer. Fechou os olhos por covardia, por medo do que viria a seguir.

Segundos depois os lábios de Laura colaram-se nos seus. Taylor sentiu a respiração acelerar quando a morena foi aprofundando o beijo, explorando seus lábios com mais intensidade até conseguir capturar sua língua. A loira não conseguiu mais se conter e correspondeu a urgência que Prepon parecia ter naquele momento. Schilling envolveu-a com os braços, trazendo-a para mais perto de si. Naquele momento elas pareciam se fundir em um único ser. Diferente da primeira vez, agora era Laura quem controlava o ritmo do beijo. Quando prendeu o lábio inferior de Taylor com os dentes, mordendo-os levemente, a loira sentiu seu corpo todo tremer. Ela precisava daquela mulher mais do que de qualquer outra coisa na vida.

Enfim pararam para tomar ar e quando Schilling abriu os olhos, já preparada para ouvir os infelizes comentários que sabia que viriam, viu o sorriso mais lindo do mundo.

- Que feitiço foi esse que você jogou em mim, Taylor Jane Schilling?


Notas Finais


Como eu disse lá em cima, tive que dividir o capítulo em três partes. Quem sabe a última apareça aqui esse fim de semana ainda?


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