História Apenas Ela - Capítulo 27


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Personagens Originais
Tags Laura Prepon, Taylor Schilling
Exibições 411
Palavras 6.662
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 27 - Novo casal


Laura estava em seu carro a caminho da casa de Uzo e era impossível evitar que os pensamentos estivessem voltados para uma determinada loira que ultimamente andava lhe roubando todo o juízo que possuía. Depois de quase doze horas longe de Taylor, ela começava a questionar se a noite anterior havia acontecido de verdade, mesmo depois de trocarem algumas mensagens no decorrer do dia. Caso alguém lhe tivesse dito em alguma ocasião que ela pediria uma mulher em namoro, com certeza acharia aquilo uma brincadeira de mau gosto. E, no entanto, lá estava ela namorando uma mulher.

O fato é que não era uma mulher qualquer. Esse era o ponto chave. Era Taylor Jane Schilling. E quando pensava nela, sabia que tornarem-se namoradas era a coisa mais certa que fizera. A amizade delas se fortalecera enormemente depois que sua vida se tornara um pequeno caos ao voltar de Paris e Taylor a ajudara a recolocar tudo no lugar. Mas como essa amizade se transformou em atração física e logo em seguida nessa paixão louca que sentia, ela não conseguia encontrar resposta. A loira, em um espaço de poucos meses, assumira uma importância tão grande em sua vida que não havia explicação racional para isso.

Ela não conseguiria mais ficar naquele jogo de gato e rato entre as duas. Isso a deixaria maluca de vez. Sendo assim, ou ficavam juntas de verdade ou se afastavam definitivamente. E como tinha consciência que não teria forças para enfrentar a segunda opção, tornou-se inevitável se render completamente aos sentimentos que nutria por Taylor.

Sua felicidade só não era completa porque ainda estava apreensiva em como sua família e seus amigos reagiriam. Imaginava que a maioria deles acabaria apoiando-as assim que vissem o quanto se gostavam. Alguns certamente achariam estranho, mas com o tempo se acostumariam. Mas havia um outro lado que também a assustava: a reação do público e da mídia. Obviamente quando todos tomassem conhecimento, isso atrairia uma atenção ainda maior para elas e para a série. E Laura odiava ser o centro das atenções por algo que não fosse relacionado ao seu trabalho. Bem, tentaria não sofrer por antecipação e cuidaria disso somente quando chegasse a hora, como Schilling sugerira.

Tocou a campainha e pela algazarra que ouviu quando Uzo abriu a porta, imaginou que a maioria das meninas havia chegado.

- Oi, Laura. Que bom que conseguiu vir. – a amiga lhe recepcionou com um abraço apertado.

- Oi, Uzo. Não perderia essa noite por nada. Já estão todas aí?

- Taytay ainda não chegou.

- É, essa eu sei. Me mandou uma mensagem agora há pouco dizendo que se enrolou, mas logo estaria aqui - Laura revirou os olhos ao dizer isso.

- Aquela ali se não tiver alguém por perto, sempre se atrasa.

Laura não conseguiu conter um sorriso ao lembrar como a loirinha se atrapalhava toda em alguns momentos.

Assim que Prepon entrou na sala cumprimentou as meninas presentes: Natasha, Yael, Diane, Jackie, Dannie, Samira, Lea, Laverne, Dascha e Selenis. Era impressionante como uma reuniãozinha informal virava logo uma festa quando aquela mulherada se encontrava. Isso porque nem todas puderam ir. Ainda faltava Kate, Taryn, Jessica...

A casa de Aduba possuía uma ampla área externa, mas como o clima lá fora estava frio, então elas optaram por ficar dentro da residência mesmo. Os grupos se dividiam entre a cozinha, a sala de estar e o jardim de inverno. Laura preferiu se juntar a Natasha, Dascha e Laverne que estavam no sofá da sala. Elas falavam de alguma matéria que havia saído numa importante revista sobre Orange.

Prepon bem que tentou, mas não conseguiu se concentrar por muito tempo no assunto. Começava a se incomodar com a demora de Taylor. Sentia falta da loira e considerava se devia mandar nova mensagem a fim de saber se ela já estava a caminho. Na dúvida, decidiu esperar um pouco mais.

- O que acha Laura? – era Laverne que perguntava sua opinião sobre algo que ela não tinha a menor ideia do que era.

- Desculpa, estava com a cabeça longe e me distraí – ela admitiu para as amigas.

- Sem problemas, percebi que você está meio aérea mesmo – Laverne era sempre um exemplo de educação e gentileza e pareceu não se importar nem um pouco com a atitude alheia de Prepon.

- Dormi pouco essa noite e passei por uma sessão de fotos cansativa hoje – Laura não pôde deixar de perceber o olhar curioso de Lyonne ao ouvir essa declaração. Levantando-se, completou: – Acho melhor ver se a Uzo precisa de ajuda na cozinha. Assim me movimento um pouco e espanto o cansaço.

A amiga não precisava de ajuda. Selenis e Yael já estavam por ali também, mas ela resolveu ficar e se integrar a elas. Com isso, acabou se desligando um pouco do atraso de Schilling.

Porém, após voltarem para a sala trazendo os comes e bebes, não participou de nenhum dos vários assuntos paralelos que estavam rolando. Sua mente mais uma vez vagava pelos acontecimentos da noite anterior e começou a imaginar como ela e Taylor deveriam agir na frente das meninas. Será que conseguiriam disfarçar? Ela achava que sim, mas isso significaria que não poderia ficar muito perto da loira e muito menos tocá-la.

- Acordaaa ruiva – agora era Natasha quem chamava sua atenção e só então ela se deu conta que Selenis estava parada à sua frente lhe oferecendo uma cerveja.

- Obrigada – ela pegou a garrafa um pouco sem jeito.

- Tem certeza que quer cerveja mesmo? Acho que você tá precisando de algo mais forte pra te acordar – Selenis parecia se divertir com seu jeito encabulado.

- Por enquanto não – a morena respondeu sorrindo.

Aproveitando que havia um lugar vago ao lado de Laura, Natasha rapidamente sentou-se ali.

- Que merda tá acontecendo contigo? Tá com a cabeça no mundo da lua desde que chegou – ela disparou mal havia se acomodado.

- Nada demais. Só cansaço mesmo.

- Tá bom que eu acredito. Cadê Tayloface? Vai dizer que brigaram novamente? Se foi isso, desisto de vocês de vez.

- Nós não brigamos – Laura tentou disfarçar um sorrisinho de canto.

- Humpf... por essa sua cara de idiota só em ouvir o nome dela, não devem ter brigado mesmo. O que foi então? A noite foi tão boa que te deixou avoada desse jeito?

A risadinha de Laura demonstrou pra Natasha que tinha acertado em cheio.

- Vocês são loucas, eu hein – Lyonne resmungou.

Prepon acabou ficando com pena da amiga ao seu lado. Ela estava sempre tão preocupada com as duas, que ficassem bem, que se entendessem. Teriam uma dívida de gratidão eterna com aquela mulher depois de tudo que acontecera em Los Angeles. Muito provavelmente se não fosse por ela, até agora Taylor e Laura não teriam se acertado ainda.

- Porque tá me olhando desse jeito, ruiva? Tem alguma coisa errada contigo. Fala logo, pelo amor de Deus.

Ainda insegura, mas achando que Schilling não se importaria se ela adiantasse o assunto, a morena olhou em volta para se certificar de que não havia ninguém prestando atenção na conversa delas. Quando teve certeza que ninguém ouviria, aproximou-se mais de Lyonne e disse com voz tímida:

- Eu pedi ela em namoro ontem... e ela aceitou – Prepon sentia seu rosto ficando vermelho ao fazer aquela confissão.

- Puta que pariu!!! Não acredito!!! Vocês estão namorando?

Na mesma hora Laura se arrependeu de ter aberto a boca, mas agora era tarde demais. Os gritos de Natasha se sobressaíram a qualquer outro som na sala. Instantaneamente todas as conversas cessaram e com um rápido olhar ao redor, a morena notou que todas tinham voltado a atenção para elas.

Passou a fuzilar Natasha com os olhos, mas essa parecia não dar a mínima. Ela estava realmente feliz com a novidade. Depois de alguns segundos de silêncio, as vozes voltaram. Mas o objetivo era metralhar Laura com perguntas:

- Você está namorando?- Samira parecia surpresa.

- Ei, quando iria contar a novidade pra gente? – essa era Jackie.

- Oh, Laura. Você e Dylan voltaram? – Laverne estava totalmente por fora.

- Claro que não. Aquele ali já está morto e enterrado – Lyonne se atreveu a responder por Laura.

- Por isso está tão esquisita assim hoje? Namoro novo na área. – Selenis parecia ser uma boa observadora.

Prepon não conseguiu responder nada. Apenas piscava sem parar, tonta com aquele interrogatório repentino. Assim que conseguisse ficar a sós com Natasha, a mataria. Dessa vez ela não ia escapar.

- Quando vamos conhecê-lo? - Uzo perguntou com um sorriso enigmático nos lábios. Ela claramente já entendera de quem se tratava.

De repente, Laura se deu conta de que não tinha o que temer no meio daquelas mulheres que se tornaram sua segunda família. Se havia alguém que provavelmente não ficaria chocado e sim contente com a notícia, seriam aquelas mulheres. Algumas delas eram homossexuais assumidas, outras interpretavam lésbicas na série, uma delas era transsexual. Ali não havia lugar para preconceito e julgamentos.

- É Laura... – Diane trouxe-a de volta de seus pensamentos - Quando irá nos apresentá-lo para saber se aprovamos o moço?

- Hoje à noite – ela respondeu com um sorriso cúmplice para Uzo e olhando para o lado, divertiu-se com a cara de espanto de Natasha. Ela só não esclareceu que “ele” na verdade era “ela”.

- Sério? Ele vem hoje? – Samira parecia bastante surpresa ainda.

- Sim – Prepon resolveu ser econômica com as palavras.

Um minuto depois as garotas retomaram suas conversas anteriores. Ainda estavam curiosas em conhecer o tal namorado de Laura, mas não tinham opção a não ser aguardá-lo.

- É impressionante como você consegue me surpreender sempre, Laura Prepon. Até que enfim vocês acabaram com aquele chove não molha. Eu não estava aguentando mais.

- Imagina eu então Tasho. A Tay tava me deixando completamente pirada. Eu precisava fazer alguma coisa.

- Ela deve tá tão feliz. – Lyonne sabia o quanto Taylor era apaixonada por Laura.

- Eu também estou – Prepon fez questão de frisar.

Naquele instante a campainha tocou e a morena se deu conta de que precisava preparar Schilling para o que aconteceria. Laura esperava que ela não ficasse brava por ter atropelado um pouco as coisas. Levantando-se do sofá, ela disse para a dona da casa:

- Pode deixar que eu abro a porta. Deve ser a Taylor.

Foi só quando já estava com a mão na maçaneta que Prepon percebeu que Natasha viera atrás dela. Sacudindo a cabeça sem querer acreditar naquilo, abriu a porta e quando avistou aquele par de olhos azuis e o sorriso mais lindo do mundo bem à sua frente, por um instante esqueceu-se de tudo que se passava a seu redor.

- Oi. – Laura disse retribuindo o sorriso.

- Oi, me atrasei demais né? Aconteceu um pequeno acidente lá em casa – vendo o olhar de preocupação de Prepon, Taylor esclareceu: - Derrubei uma travessa de macarrão que estava na geladeira. Foi molho e vidro pra todo lado da cozinha.

- Cacete, Tay. Você não tem jeito.

Assim que Schilling passou para o hall de entrada e Laura fechou a porta, Lyonne a puxou para um abraço apertado.

- Adorei a novidade, Tayloface. Estou mega feliz.

- Segura a onda, Natasha. – Laura avisou.

Taylor olhava de uma para a outra tentando entender o que se passava enquanto se dirigia para a sala de estar onde estavam todas as outras.

- Acho que acabei falando demais Tay, desculpa. Tasho já tá sabendo e...

- Até que enfim senhorita Taylor Schilling. Sempre pontual não é mesmo? – era Dannie que provocava a loira.

Ainda confusa, Taylor deu um oi geral para todas enquanto Laura notava o olhar de curiosidade de Lyonne para o pulso das duas.  A morena havia colocado a pulseira que ganhara naquela manhã e Schilling também decidiu usar a sua.

- Mas que merda é essa? Vocês já estão até usando uma espécie de pulseira de compromisso ou seja lá o que isso significa? – mais uma vez o grito de Natasha chamou a atenção de todas para o trio que estava em pé na entrada da sala.

- Você sabia que discrição não era o forte dela né? Contou assim mesmo, agora teremos que aguentar – Taylor tentou dar uma bronca em forma de sussurro em Laura.

- A culpa não é minha, é dela. Olha o escândalo que ela faz. – Laura fechou os olhos se preparando para a nova chuva de perguntas que sabia que viria.

- Eu saquei que tinha algo estranho nessa história. Sua namorada então é a Taylor? Que demais, Laura. – Samira pareceu a primeira a se dar conta do que estava acontecendo. – Já estava desconfiada de vocês duas há tempos.

 - Ei garotas, isso é verdade? Samira tinha comentado comigo, mas eu fiquei em dúvida se realmente estava rolando algo entre vocês – Dascha parecia empolgada.

- É claro que é verdade. Vocês acham que aquela química toda em cena é só porque são ótimas atrizes? – Lea não demonstrava surpresa.

Laura e Taylor olhavam cada uma das meninas sem saber o que responder. Mas Natasha mais uma vez tomou conta da situação, pôs-se no meio das duas e foi conduzindo-as até o centro da sala:

 - Pois é galera, agora é oficial. Apresento a vocês o mais novo casal do pedaço: Ruiva e Tayloface.

Uma mistura de gritos, assovios e aplausos preencheu o ambiente deixando Prepon e Schilling cada vez mais encabuladas. Elas não sabiam o que fazer ou falar. Algumas das meninas, mesmo contentes com a novidade, ainda pareciam espantadas:

- Só eu não desconfiava de nada? – Jackie achava que era a única que não tomara conhecimento do envolvimento das duas atrizes.

- Eu também não desconfiava. Laura sempre foi tão discreta – Laverne ressaltou.

- Discreta? Você tá de brincadeira né? Nunca reparou nos olhares dela quando alguém se aproximava da Tay? Ela queria matar a mulher... ou a própria Taylor, não sei bem. – Dannie gargalhava ao dizer aquilo.

- Ok, é verdade garotas. Eu e Taylor estamos namorando. E eu estou muito feliz por finalmente poder dividir isso com vocês. São as primeiras a saber e só peço que sejam um pouco mais discretas do que a Natasha. Pelo menos até que nossas famílias saibam. – Laura sorriu e olhou para Schilling como que perguntando se ela desejava dizer algo para complementar.

- Bem, é isso. Eu tô morrendo de vergonha... mas feliz demais. – O sorrisinho tímido dela deixou todas ainda mais encantadas – Vocês são muito especiais para a gente.

Como se aquilo fosse uma deixa, elas foram envolvidas por beijos e abraços que vinham de todos os lados. As atrizes fizeram questão de cumprimentá-las. Embora envergonhada, as duas adoraram receber todo aquele amor para si. Eram realmente sortudas por poderem compartilhar aquele momento com as amigas.

- Ei, suas loucas. Podem deixar elas em paz um pouquinho agora? Vamos fingir que somos pessoas normais – Uzo colocava uma música para tocar a fim de tentar que retomassem a normalidade. Após as meninas irem voltando para seus lugares, foi a vez dela abraçar Laura e Taylor:

-Ooh, estou tão feliz por vocês minhas queridas. Depois de ver as duas juntas em Los Angeles tive certeza que foram feitas uma para a outra. Ainda bem que se acertaram de vez – Aduba era sempre tão carinhosa – Agora venham comer e beber algo.

Pela próxima hora Prepon não conseguiu ficar a sós com Schilling. Natasha grudou nela a maior parte do tempo, com certeza querendo saber de todos os detalhes sobre o pedido. A morena por sua vez, ficou perto de Samira, Lea e Selenis que pareciam ser as mais contidas com a notícia e, entendendo que ela precisava de espaço, falavam de qualquer assunto que não fosse o namoro recém anunciado.

Em determinado momento, Prepon acompanhou Uzo até a cozinha para pegar mais bebidas.

- E aí? Mais à vontade agora? – Aduba perguntou.

- Acho que sim. Depois daquela confusão inicial, parece que todas sossegaram – Laura gargalhou – É bom saber que podemos ficar confortáveis na frente de vocês. Isso é muito importante, principalmente pra Tay. Ela ficava bastante incomodada com os meus medos.

- E eles sumiram?

- Não totalmente. Mas eu disse pra ela, e isso é a mais completa verdade, que eu prefiro encarar qualquer reação das pessoas a ter de ficar longe dela.

- Você tá apaixonada, Laura.

- Sim, estou – a morena passou as mãos pelo cabelo ao confirmar o diagnóstico da amiga.

Como se soubesse que era o tema da conversa, Taylor apareceu na cozinha. Uzo tratou de recolher o que fora buscar, deu um beijo no rosto da loira e saiu para deixá-las a sós.

Schilling foi até Laura e sem nada dizer tomou seus lábios em um beijo ardente e demorado. Quando enfim se afastaram, Prepon perguntou:

- Tudo bem? – ela se referia à situação inesperada que se formara sem que tivesse tempo de alertar Taylor.

- Agora sim. Passei o dia todo longe de você e nem um beijo ganhei quando cheguei.

- Ah bebê, desculpa. Por acaso a Lyonne deixou? Eu fiquei tão tonta com a bagunça que ela armou que não sabia nem o que fazer.

- Porque contou pra ela antes de eu chegar? Era melhor termos preparado o terreno antes.

- Ela percebeu que tinha algo diferente comigo e eu não consegui segurar mais – a morena deu de ombros. - Quando ela ouviu que estávamos namorando, berrou tanto que todo mundo ouviu e trataram logo de dizer que queriam conhecer meu novo namorado.

- Namorado? – Schilling lhe lançou um olhar mortal de braços cruzados.

- É, sua boba. – Laura a puxou para mais perto para desfazer aquela expressão brava que a loira assumira - Elas obviamente associaram que eu estava namorando um homem.

- E pra você? Tá tudo bem?

- Acho que sim. Mas na hora pensei que minhas bochechas iriam explodir de tanto que ardiam – Prepon riu ao lembrar o que sentiu.

- Natasha é louca, mas é do bem. No fim das contas ela acabou adiantando as coisas para gente. – Schilling pareceu ter alguma ideia mirabolante: - O que acha de contratarmos ela para ser nossa porta voz a cada vez que precisarmos contar aos outros que estamos namorando? Podemos levá-la a uma reunião com sua família, a uma coletiva de imprensa...

- Deus me livre! – Laura caiu na gargalhada ao pensar naquela possibilidade - Já tivemos o suficiente por hoje. Daqui pra frente vamos fazer do nosso jeito.

- Como foram as fotos? – Schilling mudou de assunto.

- Acho que ficaram boas, mas dei um pouco de trabalho pra equipe – a morena confessou.

- Por quê?

- Eu não conseguia me concentrar Tay. Ficava pensando o tempo todo em tudo que conversamos ontem, na nossa noite. Sem contar que em qualquer oportunidade que eu tinha, corria pra pegar o celular pra ver se havia chegado alguma nova mensagem sua.

- Lauraa... que feio! – apesar de repreendê-la Schilling parecia ter adorado ouvir aquilo.

- Merda, Tay. É sério. Você tem noção de como é ridículo ficar agindo como se eu fosse uma droga de uma adolescente?

- Ah, Lau... isso é fofo. – Taylor deu uma mordida de leve no queixo da morena - Eu também passei o dia assim. Porque você acha que a travessa voou da minha mão?

Prepon voltou a rir ao imaginar o estrago que a loira deveria ter feito na própria cozinha. Nesse momento, Jackie entrou no recinto e quando as viu ficou totalmente sem graça.

- Desculpa... – ela falou e já ia saindo.

- Jackie, por favor. Você não interrompeu nada. Laura só estava rindo de mais uma de minhas trapalhadas. – Taylor tratou de explicar para evitar que a outra saísse dali.

- Vim apenas buscar mais alguns copos e já estou de saída.

- Nós também vamos voltar para a sala – Laura ajudou a carregar algumas taças e as três deixaram a cozinha.

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Taylor encontrava-se no jardim de inverno conversando com Laverne, Danielle e Yael. Sentia-se tão leve naquele momento e pensava que poucas vezes na vida experimentara aquela sensação. Em vinte e quatro horas sua vida mudara consideravelmente e para melhor, por isso volta e meia questionava-se se era real.

Se a Laura que conhecia até então a fizera se apaixonar tão irremediavelmente, aquela nova versão que aparecera desde a semana anterior a deixava ainda mais extasiada. Ela se mostrava tão carinhosa, amorosa e cuidadosa que Schilling tinha certeza que qualquer problema que tivera no passado ou que viesse a ter no futuro, seria fácil de enfrentar se a morena estivesse ao seu lado.

Embora tenha ficado bastante surpresa com a recepção que se formara ao chegar, ela não ficou brava nem com Prepon nem com Natasha. Estava feliz em finalmente poder contar a todas e mais feliz ainda por ver que Laura estava conseguindo se soltar e ficar com ela na frente de outras pessoas. Tinha consciência do quanto era difícil para a morena e, ainda assim, ela estava rompendo aquelas amarras para que pudessem mergulhar em uma relação de verdade. Schilling não sabia o que esperar, tanto quanto Laura, mas o que viesse ela encararia.

De onde estava sentada Taylor conseguia ver Laura na sala de estar conversando com Natasha. Era inevitável que seus olhares se cruzassem por várias vezes e Schilling notou que Prepon estava um tanto inquieta. Já imaginando o que poderia ser, assim que a morena a olhou novamente, Taylor chamou-a. Laura falou algo para Lyonne, foi até a entrada do jardim de inverno e parou, encostada no batente das portas duplas envidraçadas.

- Me chamou? – a morena perguntou meio sem jeito por interromper a conversa que se desenrolava.

- Vem pra cá – Schilling estava sentada em uma poltrona larga e confortável e cedeu espaço a seu lado.

- Junte-se a nós, Laura – Laverne encorajou-a a ficar.

Como se fosse somente isso que precisasse ouvir, Prepon acomodou-se ao lado de Taylor. Logo as duas já estavam abraçadas e a conversa reiniciou. As outras três mulheres estavam claramente satisfeitas em vê-las assim juntinhas, dava pra perceber pelos sorrisinhos e olhares que lançavam para as duas. Porém preferiram não comentar nada, sabendo que assim elas ficariam mais à vontade.

Acariciando os fartos cabelos negros, Schilling perguntou em determinado momento:

- Tá cansada? Quer ir embora?

- Ainda não. Você vai dormir lá em casa, né? – Prepon perguntou com voz dengosa.

- Vou pensar no seu caso – a loira brincou.

- Podemos passar o domingo juntas. Almoçar fora, à tarde assistir um filme, à noite uma pizza. Que tal? – Laura passou a distribuir beijos pelo pescoço de Taylor.

- Ok, já me convenceu. Mas preciso passar em casa antes para pegar algumas coisas.

- Ah...começou a melação? Tava demorando. – Lyonne chegou para atormentá-las. Virando-se para Laverne, Lea e Dannie ela resmungou: – Vocês não tem ideia de como essas duas são grudentas quando estão assim de amorzinho.

- Deixa elas, Natasha. Tô achando o máximo vê-las assim - Laverne defendeu-as.

- Puxa-saco – dando de ombros, Lyonne foi sentar na cadeira vaga ao lado do casal.

- Não esquenta Laverne, ela a ama gente. Mas gosta de perturbar sempre – Laura mostrou a língua para Natasha.

O restante da noite transcorreu nesse clima tranquilo e descontraído. A cada minuto que passava Laura e Taylor ficavam mais soltas. E com o auxílio do efeito das bebidas, no fim da noite até já se beijavam na frente das meninas.

Após uma longa sessão de despedidas, elas enfim foram embora junto com as demais. Passaram primeiro na casa de Taylor para que ela pegasse algumas peças de roupas e outros objetos pessoais. Como teriam gravação juntas na segunda logo pela manhã, decidiram que era mais prático que a loira passasse a noite de domingo lá também.

Ao chegarem ao apartamento de Laura encontravam-se tão exaustas que só tiveram forças para um banho rápido. Quando desabaram na cama, descobriram que adormecer abraçadas e trocando carinhos algumas vezes podia ser tão prazeroso quanto uma bela noite de sexo.

 

No domingo, elas permitiram-se o luxo de acordar tarde e só levantaram da cama praticamente na hora de sair para almoçar. Escolheram um restaurante perto do Central Park já que pretendiam dar uma caminhada depois. Evitaram alguns toques íntimos para não chamar mais atenção do que o normal, mesmo assim Taylor notou que Laura parecia relaxada. Não tinha a atitude tensa de outras ocasiões.

Mais tarde, de volta ao apartamento, assistiram juntas um título de suspense conforme Laura sugerira. Para Schilling o dia não poderia estar mais perfeito, e a perfeição estava justamente na simplicidade dos momentos que compartilhavam. Como por exemplo, quando Prepon resolveu fazer ela mesma a pizza mais saudável dentro do possível para ser o jantar das duas e Taylor quis ajudar. O resultado foi um saco de farinha furado, um dedo levemente queimado e Laura expulsando-a de sua cozinha e decretando que ela estava proibida de pisar ali novamente.

Entediada, a loira decidiu ligar para a avó e contar a novidade. Assim que fosse possível pretendia levar Laura para conhecê-la e já intuía que elas se dariam muito bem. Após alguns minutos procurando o aparelho, sem sucesso, ela voltou até a cozinha:

- Amor, você viu meu celular? Não sei onde coloquei.

Chamar Laura de amor saíra de forma tão espontânea e impensada que ela só se deu conta que tinha dito algo significativo quando a morena parou o que estava fazendo e fixou-lhe o olhar, mas sem nada dizer.

- Laura? O que foi? – Taylor ainda não entendia o que estava havendo.

- Vem até aqui – Laura pediu.

Schilling obedeceu, desconfiada.

- Eu ouvi bem? Você me chamou de amor? - Prepon a questionou.

- Oh, chamei? Desculpa, Lau... – a loira estava morrendo de vergonha – Nem me dei conta, simplesmente saiu. Não vai mais acontecer, eu juro.

- Como assim não vai mais acontecer? – Laura abriu o sorriso mais lindo do mundo. – Eu adorei, sua boba.

- Merda, Laura. Que susto. Achei que tinha ficado brava.

Rindo, a morena a puxou para um beijo apaixonado. Logo o beijo foi ficando mais quente e Laura a encostou no balcão da pia, pressionando seu corpo no dela e já colocando a mão por baixo da camiseta de Schilling. Tateando em busca de apoio para não tombar para trás, a loira esbarrou em uma xícara que se espatifou no chão. Rapidamente a morena recuou, olhando o estrago feito:

- Ah não Tay. Você é muito desastrada. Eu falei pra ficar fora da minha cozinha, anda... sai.

- Sua louca, você que me chamou.

Logo as duas já estavam caindo na gargalhada.

 

No dia seguinte, após terminarem as gravações elas resolveram conversar com Jenji antes que os rumores chegassem através de outras pessoas. Como imaginavam, a produtora já desconfiava do envolvimento entre elas, principalmente depois da cena que presenciou no hospital na época em que Taylor adoeceu. A reação foi a mesma das garotas: Jenji as parabenizou por enfim se acertarem e disse que estava muito feliz por elas. Teve o cuidado de consultá-las sobre como pretendiam conduzir o assunto ali dentro do estúdio. Elas esclareceram que era tudo muito recente e por enquanto não pretendiam tornar o relacionamento público, embora grande parte do elenco já tivesse ciência do que estava acontecendo. Imaginavam que logo o resto do cast e a equipe acabariam ouvindo algo pelos corredores, mas elas pretendiam manter uma postura o mais profissional possível enquanto estivessem trabalhando. Não queriam misturar as coisas. Jenji pareceu aprovar essa decisão.

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Na quarta-feira à tarde, Laura já havia encerrado suas cenas daquela semana e estava a caminho do aeroporto para buscar Jodi. Sentia falta do ritmo acelerado da temporada anterior, quando passava grande parte de seus dias dentro do set com as meninas. Ainda mais agora que queria ficar o máximo de tempo possível na companhia da namorada. Elas combinaram que enquanto as gravações não fossem finalizadas cada uma dormiria em sua própria casa durante a semana. Embora a agenda de Laura estivesse bem tranquila, Taylor estava em um período de trabalho intenso e ambas concordaram que seria melhor assim. 

Como o voo da amiga estava atrasado, Prepon aproveitou o tempo livre para ligar para a mãe. A princípio havia pensado em convidar Marjorie pra vir visitá-la e só então contar a novidade. Mas depois, Laura achou que nem sempre surpresas eram bem-vindas e como sabia que o assunto era delicado, optou por ir preparando a mãe antecipadamente para o tal encontro com a nora. Sua ideia era que mamãe Prepon fosse se acostumando aos poucos com aquela estória. Porém, após encerrar a ligação, Laura desconfiava de que ela já estava mais do que acostumada. Na verdade, se isso não fosse tão louco, a morena podia jurar que a mãe parecia até empolgada com tudo aquilo. Ficou acertado que em breve, Marjorie viria passar um fim de semana com elas.

Minutos depois, Jodi ligou dizendo que já havia desembarcado e Laura foi ao seu encontro no saguão do aeroporto. A morena esperava desfazer o clima estranho que havia se instalado entre elas desde o dia em sua casa. Elas se falaram por telefone algumas vezes depois disso, mas o assunto sempre girava em torno de questões profissionais ou da residência de Prepon. Jodi em nenhum momento perguntou sobre Taylor e Laura ficava sem jeito de mencioná-la também. No entanto, estava decidida a conversar com ela e contar tudo de uma vez. A amiga ficaria em Nova York até o início da semana seguinte e teria que se acostumar com a presença da loira em seu apartamento.

- Olá, estranha – Laura fez questão de dar um abraço apertado nela assim que a viu.

- Ei, garota. Como você está?

- Bem e você? Voo longo?

- Pois é... o tempo em Los Angeles estava fechado e demoramos a ter autorização pra decolar.

- Deve estar morta de cansaço. Vamos para casa?

- Oh, sim... por favor. Tudo que preciso agora é de um banho quentinho e uma cama macia.

A conversa no carro pulava de um a outro tema sem que se detivessem mais do que poucos minutos em cada assunto. Claramente estavam desconfortáveis uma com a outra. Prepon resolveu que assim que chegassem em casa ela não adiaria mais a conversa que precisavam ter.

Quando Jodi terminou o banho e se juntou à Laura, que assistia TV na sala, sua expressão demonstrava que tinha consciência de que precisavam esclarecer algumas coisas. Foi Prepon quem começou:

- Jodi, acho que devemos continuar a conversa daquele dia não é?

- Laura, apesar de sua amiga e assessora, não tenho o direito de me meter em sua vida pessoal. Então esqueça o que te disse.

- Sabe que não é assim, você é minha melhor amiga... que as outras não me ouçam -  a morena completou – Sua opinião é importante e entendo sua reação ao saber de mim e Taylor. Eu mesma passei por tantas crises até aceitar o que sentia, por não querer admitir que pudesse estar envolvida por outra mulher.

- Isso é estranho pra caralho, Prepon. Você sempre gostou de homem. Até onde sei, nunca teve uma relação homossexual antes. O que deu em você? Curiosidade despertada pela série?

- Também pensei que fosse isso no princípio – Laura deu de ombros – Mas não tem nada a ver com Alex e Piper, Jodi. Tem a ver com Laura e Taylor.

- Ok, já entendi. Você se sentiu atraída por ela, resolveu experimentar... acontece. Principalmente nesse meio tão liberal de vocês. Mas você disse que havia terminado, não foi?

Prepon não conseguiu responder. Por que era tão difícil se abrir com sua amiga de anos, que sabia praticamente tudo de sua vida?

- Espero que isso não interfira no trabalho de vocês, Laura. Jenji as mataria e o pessoal da Netflix então, nem se fala...

- Nós estamos namorando.

- O que? – Jodi obviamente precisava que aquela declaração fosse repetida para se certificar de que realmente ouvira direito.

- Eu e Taylor estamos namorando. Eu a pedi em namoro na sexta passada.

Como que impulsionada por uma força invisível, Jodi levantou do sofá bruscamente e começou a andar de um lado pro outro com as mãos na cabeça.

- Mas que porra é essa, Laura? Você só pode estar de sacanagem comigo. Você enlouqueceu? Namorar uma mulher?

Mais uma vez, Laura optou pelo silêncio até que a mulher à sua frente tivesse tempo de processar a informação. A coisa toda estava sendo mais difícil do que ela imaginara.

- Sua mãe sabe disso? Seus irmãos sabem disso?

- Minha mãe, sim. Meus irmãos não. Mas em breve apresentarei Taylor a eles.

- Puta que pariu. Não é possível.

Prepon enfim resolveu tomar conta da situação.

- Jodi, vamos com calma. Sei que está surpresa, que não esperava que a essa altura da vida eu mudasse de time, como as pessoas gostam de dizer... mas aconteceu e não é o fim do mundo.

A amiga a olhava sem nada dizer.

- Não se trata só de uma atração sexual. É mais que isso, eu tô apaixonada pela Taylor. Aquela mulher virou minha vida de cabeça pra baixo e sabe o que é mais doido nisso tudo? Eu tô feliz... ela me faz feliz, Jodi. E eu queria muito que você entendesse isso. Terasa comentou que você estava com ciúme, com medo de perder seu posto...

- A Terasa é tão desequilibrada quanto você. Não tem nada a ver com isso... mas acho que deveria ter sido avisada antes. – Jodi parecia querer mudar o foco do problema – Como eu disse, o que você faz da sua vida privada é problema seu. Mas nesse caso, isso obviamente vai causar uma revolução também na sua vida profissional. E é aí que eu entro... as pessoas vão me procurar, vão querer que vocês falem algo.

- Eu sei Jodi. Mas por enquanto eu e Taylor vamos manter essa informação só entre nossas famílias e amigos mais próximos – Prepon não aguentava mais repetir aquilo – Não precisa desse desespero todo. Podemos conversar com calma sobre o que falar e quando falar.

- Ok – foi a única coisa que Jodi se limitou a dizer.

O silêncio tomou conta da sala, até que a amiga voltasse a falar:

- Vou dormir, tô cansada, com sono....

- Você não vai comer nada? Vou preparar o jantar para gente.

- Não precisa, eu comi no avião e ainda tô meio enjoada.

Assim que ela saiu da sala, Laura soltou a respiração que vinha segurando. Ela ainda estava tonta com toda aquela reação explosiva. Procurando algum consolo, ligou para Terasa a fim de desabafar. Essa mostrou-se bastante empolgada com a notícia e tentou convencer Prepon que logo Jodi também se acostumaria com a novidade.

        

No dia seguinte, Jodi pediu desculpas à Laura. Admitiu que seu comportamento fora exagerado e que independente de qualquer coisa, apoiaria Prepon em todas as decisões que ela tomasse na vida. Aos poucos, a normalidade foi voltando entre elas e a morena sentiu-se aliviada. Apesar disso, ambas evitavam falar de Taylor.

Na sexta, Laura havia combinado de ir a um bar com Schilling e Natasha, então chamou Jodi para acompanhá-las. Ela, no entanto, disse que já tinha outros planos para aquela noite. Também conhecia outras pessoas em Nova York e tinha marcado de assistir a um musical na Broadway com alguns amigos. Laura desconfiava se aquilo era verdade ou se Jodi arrumara o compromisso de última hora.

De qualquer forma no sábado Schilling viria para seu apartamento, onde ficaria pelo resto do fim de semana, e Laura esperava que as duas se dessem bem. Isso era muito importante para ela.

Taylor não desconfiava dos sentimentos de Jodi sobre seu relacionamento com Laura, e esta não conseguiu contar nem sobre o pequeno desentendimento em Los Angeles, muito menos do grande desentendimento ali em Nova York. Se por um lado queria preparar a namorada para qualquer comentário mais ríspido da parte de Jodi, por outro bastava olhar para aqueles olhos azuis tão puros que não encontrava coragem de lhe apresentar qualquer tipo de preocupação que fosse.

Quando Jodi aceitou sair para almoçar com elas no sábado, Laura achou que estava se preocupando demais com tudo aquilo. Era só uma questão de tempo de adaptação. Deixou que as duas conversassem à vontade no restaurante e preferiu apenas observá-las. Respondia somente quando alguma pergunta lhe era dirigida diretamente. Aos poucos notou que a amiga estava mais formal do que seu normal. Em nenhum momento destratou ou ignorou Taylor, mas Laura a conhecia o suficiente para saber que ela estava muito mais analisando sua namorada do que tendo um bate papo despretensioso.

 

À noite, com as três no apartamento, o inevitável aconteceu. Jodi estava na cozinha ajudando Laura a preparar algo para o jantar. Taylor havia tirado um cochilo depois que chegaram da rua, então a amiga não havia presenciado nenhuma intimidade entre elas ainda. Laura só se deu conta disso, quando a loirinha acordou e veio procurá-la ainda descabelada e com aquela carinha de sono que lhe derrubava completamente.

- Amor, você já está cozinhando de novo? A gente não combinou que ia pedir comida japonesa hoje? – após dizer isso, Schilling pendurou-se no pescoço de Prepon e mordeu de leve seu lábio inferior, sem se importar com a presença de Jodi no ambiente.

- É sério isso? – a voz da mulher ali perto interrompeu a pequena bolha de intimidade na qual elas estavam envolvidas – Laura, vou dar uma volta.

Sem que ninguém dissesse mais nada, Jodi pegou o celular em cima do balcão e saiu batendo a porta, nem mesmo levou sua bolsa junto.

Sob o olhar espantado de Taylor, Laura enfim teve de conversar com ela e explicar tudo o que estava acontecendo. Tentou não reproduzir todas as palavras de Jodi para não magoar Schilling, mas admitiu que a amiga não tinha recebido bem a notícia do namoro delas.

Quando foram dormir, Jodi ainda não havia chegado. Preocupada, Laura mandou mensagem a fim de saber se estava tudo bem. Recebera como resposta que era para não se incomodar, que ela estava bem sim e que tinha ido para a casa de um amigo ali perto mesmo.

        

Laura acordou ao sentir um movimento brusco na cama. Quando abriu os olhos, Taylor estava sentada a seu lado, olhando-a enquanto segurava um papel nas mãos.

- Bom dia mocinha – Prepon jogou-lhe um beijo – Madrugou hoje?

Sem nada dizer, Schilling lhe estendeu o papel que tinha nas mãos. Levantando um pouco para ficar numa posição melhor, a morena enfim pegou o papel para ler o que estava escrito:

Laura, decidi voltar para Los Angeles mais cedo. Desculpa pelo meu comportamento ontem, mas preciso de um tempo para me acostumar com tudo isso. Não quero atrapalhar a privacidade de vocês. Transmita minhas desculpas a sua namorada também. Assim que der, te ligo.

   J.

Laura fechou os olhos não acreditando naquilo, quando os abriu novamente viu que Taylor estava chorando. Embora tentasse conter as lágrimas, ela não tinha sucesso nisso. Vê-la com os olhos vermelhos partiu seu coração e o que ela falou, tratou de despedaça-lo ainda mais:

- Desculpa, Lau. Fiz algo errado, não fiz? Eu queria tanto que seus amigos gostassem de mim. Eu sei o quanto eles são importantes para você...

- Ei, bebê. Você não tem culpa de nada. Vem cá, para de chorar – Laura a trouxe para seus braços.

- Desculpa... – era a única coisa que a loira conseguia repetir.

- Para, Tay. Por favor, entenda que você não tem culpa de nada.

Embora tentasse acalmar a loirinha em seus braços, pela primeira vez Laura teve real noção do que teriam de enfrentar dali pra frente. Até então elas tinha recebido tantas felicitações e amor por parte das pessoas, que acabara esquecendo de que o namoro das duas também provocaria reações daquele tipo em pessoas que eram muito importantes para elas. Laura lutava bravamente contra as próprias lágrimas. Não deixaria que Taylor percebesse o quanto ela também estava assustada. 


Notas Finais


Olá meninas...
Enfim voltei e com muita saudade da estória, da Laura, da Taylor, da Tasho, de vocês.
Foram praticamente duas semanas sem escrever direito, vamos ver se consigo retomar a fic.
Espero que ainda tenha sobrado alguém aí do outro lado lendo...


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