História Apenas Ela - Capítulo 28


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Personagens Originais
Tags Laura Prepon, Taylor Schilling
Exibições 345
Palavras 4.701
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu falei que estava com saudade. A crise de abstinência bateu tão forte que já tem capítulo novo na área.

Capítulo 28 - Interferência... de novo?


Alguns dias depois o assunto Jodi tinha sido deixado de lado, pelo menos temporariamente, embora continuasse não resolvido. A amiga de Laura ainda não havia entrado em contato, embora tivesse prometido no bilhete que havia deixado. Taylor, vendo o quanto isso deixava a morena magoada, decidiu não demonstrar mais sua própria insegurança em relação àquela questão e passou a incentivar que Prepon procurasse Jodi num futuro próximo se não houvesse notícias vindas do outro lado.

Schilling sabia o quanto a amizade das duas era importante e o quanto esse afastamento incomodava Laura, por isso estava disposta ela mesma a procurar Jodi caso fosse preciso. Daria um tempo e se aquela situação não se resolvesse, tomaria a iniciativa.

Levando o clima ruim embora, uma novidade trouxe de volta o ânimo de Laura: sua mãe e duas de suas irmãs viriam passar o fim de semana com ela a fim de conhecerem Taylor. Ao saber disso a loirinha entrou em pânico. Não estava preparada para uma nova rejeição, por outro lado não poderia se recusar a ser apresentada a elas. Prepon estava tão feliz que ela não teve coragem de falar sobre seus medos. Porém a morena com certeza já a conhecia o suficiente para saber o que se passava em sua cabeça e dedicou-se pelo restante da semana a tranquilizá-la. Explicou que sua mãe já estava mais do que ciente do envolvimento das duas e não havia demonstrado nenhuma oposição. Quanto aos irmãos, Prepon fez questão de ligar para um por um e também convidá-los para vir à Nova York. Jocelyn e Stephanie viriam, Danielle e Brad não podiam, mas prometeram que assim que fosse possível,  conheceriam a cunhada.

Taylor tentou arrancar de Laura a reação que cada um deles tivera, mas a morena foi genérica, dizendo que alguns ficaram bastante surpresos e outros tentaram mostrar naturalidade com a situação. Ela só não quis nomear quem tinha dito o que. Segundo ela, isso era para que Schilling não criasse alguma resistência antes de conhecê-los pessoalmente.

A família de Prepon chegou sexta à noite e foi uma dificuldade para Taylor fazê-la aceitar que só apareceria lá no dia seguinte a fim de que mãe e filhas pudessem curtir um tempo a sós. A morena fez de tudo para demovê-la dessa ideia e ameaçou até mesmo pedir que a própria Marjorie ligasse para Schilling para convencê-la, mas Taylor foi firme e decretou que Laura tivesse paciência para esperar até o dia seguinte.

O grande dia enfim chegou e ao tocar a campainha, Taylor sentiu um tremor percorrer todo o corpo. Teve de fazer um grande esforço para se controlar e não ser tomada por um ataque de pânico. Porém, ao entrar, foi tão bem acolhida que em poucos minutos já se sentia mais calma.

O sábado transcorreu sem nenhum problema e ela logo se convenceu de que todo aquele temor que a acometeu era de certa forma exagerado. Ela e Laura haviam combinado de, pelo menos no início, não haver demonstrações explícitas de carinho entre elas para não criar nenhuma situação constrangedora como a que ocorrera na presença de Jodi. Comportavam-se como duas amigas e perceberam que foi a melhor escolha que fizeram, porque o clima ficou leve e a conversa fácil.

Marjorie tratava-a de forma tão carinhosa que em um determinado momento Schilling teve de se refugiar no banheiro para chorar quietinha, emocionada ao lembrar de como era sua própria relação com a mãe, tão diferente daquela. Jocelyn também era bastante amável e mostrava-se o tempo todo interessada em saber mais e mais da vida de Taylor. Apesar das inúmeras perguntas que ela fazia, a loira não se sentia incomodada, pois notava que a curiosidade da cunhada tinha apenas o intuito de conhecê-la melhor.  Stephanie foi a única que ficou um pouco mais retraída, falava pouco e observava muito e embora tentasse disfarçar, Taylor percebeu que ela não estava totalmente confortável com a situação.

À noite todas saíram para jantar e na volta, mais uma vez, Taylor teve trabalho para convencer Laura que dormiria em sua própria casa. E dessa vez a namorada teve a ajuda de Marjorie que depois de alguns drinques estava cada vez mais solta e repetia a todo instante que queria passar o máximo de tempo possível com a nora pois teria de voltar para casa no dia seguinte. Schilling só conseguiu vencer mais essa batalha porque prometeu estar lá cedo no dia seguinte e tomar café da manhã com elas.

O domingo foi ainda melhor do que o sábado. As cinco mulheres tagarelavam sem parar e até mesmo Stephanie estava mais sociável e já conseguia conversar com Taylor de forma natural. Depois do almoço, elas se acomodaram na sala para assistir algo na televisão e Schilling achou que o coração sairia pela boca quando Laura resolveu deitar no mesmo sofá em que ela e Marjorie estavam sentadas, a cabeça apoiada nas pernas da loira e os pés sobre o colo da mãe. Provavelmente notando que o corpo de Taylor estava bastante tenso, Prepon segurou sua mão e entrelaçou os dedos de ambas como que tentando lhe dizer que estava tudo bem e que podia relaxar. E ela tinha razão porque depois de um certo tempo, Schilling sentia-se tão à vontade que passou a acariciar os cabelos de Laura sem nem mesmo perceber o gesto que fazia.

 

Quando enfim chegou a hora de Marjorie, Stephanie e Jocelyn voltarem para casa, Taylor já desenvolvera um carinho especial pela família de Laura. Ela até se pegou um pouco ansiosa para conhecer os dois membros restantes: Brad e Danielle. As despedidas foram cheias de palavras doces, principalmente por parte de mamãe Prepon e a loira jurou que logo as visitaria em Jersey.

Nem bem fechou a porta, Laura surpreendeu Schiling pegando-a em um abraço apertado que levantou a loirinha do chão.

- Ei, o que é isso? – Taylor tentou perguntar entre risadas.

- Estou feliz pelo fim de semana maravilhoso que tivemos.

- Eu também amei, Lau. Sua mãe é ainda melhor do que você diz e suas irmãs também foram ótimas.

- Stephanie resistiu um pouco mais, mas hoje acabou admitindo que estava encantada com você e entendia minha escolha.

- Sério? – Schilling ficou em dúvida se a morena estava brincando.

- Serissimo. Ela sempre foi a mais reservada de nós cinco. Mas depois que gosta de alguém, é a mais amorosa também.

De volta ao sofá, Laura não perdeu tempo e trouxe Taylor para seu colo enchendo-a de beijos e carinhos.

- Tenho que confessar que a única parte boa em elas finalmente terem ido embora foi que eu não aguentava mais ter que ficar resistindo a você. Estava prestes a te agarrar e te beijar na frente delas mesmo.

- Laura – Schilling deu um tapinha no braço da namorada - Você tem que aprender a se controlar melhor. Quando você deitou no meu colo, eu quase enlouqueci e já imaginei as três protestando na mesma hora.

- Boba...você se preocupa demais.

- Ah, olha quem fala! Agora eu sou a insegura? Quem é que vivia dando ataque só em pensar que alguém pudesse desconfiar que tava rolando algo entre a gente?

- Mas isso foi antes - Prepon beijava o pescoço de Taylor enquanto falava.

- Antes de que?

- De eu descobrir que estava apaixonada por você.

- Você é terrível quando quer me desarmar, Laura Prepon.

Antes que as duas continuassem as trocas de declarações o celular da morena tocou e, achando que alguém pudesse ter esquecido algo, ela levantou-se para atender. Olhando o visor, Prepon virou-se para Taylor com uma expressão de espanto e disse apenas:

- Jodi.

Taylor teve de se esforçar para conter um sorrisinho de satisfação ao constatar que seu plano tivera efeito tão rápido. Foi difícil, mas em um momento de distração de Laura ela tomara coragem e abordara Jocelyn pedindo o número de telefone de Jodi. Disse apenas que queria fazer uma surpresa para Prepon e a cunhada lhe passou o número sem grandes questionamentos. Ainda em dúvida se estava fazendo a coisa certa, mas resolvendo arriscar, Schilling enviara uma mensagem à amiga da namorada dizendo que se sentia triste em saber que era a razão do desentendimento entre as duas e que Laura sentia sua falta. Pediu que Jodi não se afastasse tanto e que independente do que decidisse não contasse a Prepon sobre esse seu pedido, pois só estava tentando consertar um pouco as coisas.

Quando Laura atendeu a ligação e retornou ao sofá, Schilling fez menção de levantar para lhe dar mais privacidade, mas a morena a segurou pelo braço mostrando que era para ela ficar.

- Olá, estranha – Prepon tentou parecer descontraída, porém Taylor sabia o quanto ela estava apreensiva.

Passou-se um longo momento em que só a mulher do outro lado da linha falava. A loira realmente não queria participar daquela conversa, mesmo que indiretamente, e enfim conseguiu se levantar com a desculpa de que precisava ir ao banheiro.

Ao voltar de lá Schilling dirigiu-se para a cozinha e estava procurando, sem sucesso, alguma besteira para comer quando Laura materializou-se na sua frente com um sorriso nos lábios e lhe estendeu o celular:

- Ela quer falar com você.

Taylor achou aquilo muito estranho, mas pelo menos Laura parecia bem. Diferente dela, Prepon não fez cerimônia e continuou parada ali como se quisesse acompanhar o que seria dito.

- Oi – a loira falou de forma vacilante depois de pegar o aparelho.

- Oi Taylor. Tudo bem?

- Não sei. Você que vai me dizer – ainda era difícil para ela manter a voz firme.

- Acho que está melhorando sim. Primeiro queria agradecer a mensagem que me enviou. Há dias estou pensando em ligar para Laura, mas confesso que estava com medo de qual seria a reação dela. Suas palavras me encorajaram. E fique tranquila que eu não falei nada com ela, conforme me pediu.

- Ah sim... que bom.

- Taylor, eu realmente preciso pedir desculpa pela forma como agi. Ela me contou como você se sentiu culpada achando que tinha feito algo errado. E de forma alguma você deve pensar que foi o problema. Eu sempre te achei uma pessoa maravilhosa, mesmo com os raros encontros que tivemos. O problema está comigo... é que... – ela parou de falar.

- Pode falar Jodi -  Schilling a encorajou a prosseguir.

- É muito estranho pra mim ver Laura namorando uma mulher, tenho que admitir isso. É novo e nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Mas mais do que isso, eu também tenho a sensação de que estou perdendo minha amiga. E isso não é de hoje. Eu tô muito orgulhosa do trabalho que Laura vem fazendo em Orange. Acho que estou entre suas fãs mais ardorosas. Só que pra isso, ela praticamente se mudou para Nova York e eu sinto muito a falta dela.

Taylor começou a entender o lado de Jodi e colocando-se no lugar dela, avaliava se também não se sentiria da mesma forma.

- Sei que vai achar ridículo o que vou falar, mas já morria de ciúme desse monte de amigas novas que ela arranjou aí. É claro que um lado meu fica feliz em ver que ela foi tão bem acolhida por todas, mas tem o outro lado que sente falta da Laura de antes. E entre todas as meninas, você era a que me despertava mais ciúme pela forma como ela se referia a você. Sempre dizendo o quanto você era especial.

Nesse momento, Schilling pousou os olhos em sua morena que ainda estava parada a sua frente, claramente bastante ansiosa em saber o que era dito. A loira lhe lançou uma piscadinha como que para garantir que estava tudo bem. Para mostrar à Jodi que estava prestando atenção a tudo que era dito, ela falou:

- Eu não imaginava isso.

- Eu sei que não. Como disse era um problema meu, que nunca abri nem para Laura. Acho que somente Terasa percebeu, embora eu tenha tentado disfarçar. O fato Taylor, é que se eu já sentia ciúme antes, imagine quando soube que a relação de vocês tinha ultrapassado os limites da amizade e virado até mesmo um namoro? Eu não segurei a onda, admito.

- Eu entendo você Jodi. Entendo de verdade.

- É bom saber disso. Nem tudo que estou falando com você, falei com Laura. Pode parecer estranho, mas não quero que ela me trate de forma diferente só pra me agradar. Prefiro que as coisas voltem ao normal naturalmente. E quanto a você, peço que me dê uma nova chance e prometo não surtar novamente quando ver você beijando minha amiga.- depois de uma pausa ela até mesmo riu antes de dizer: - Terasa disse que eu tô parecendo uma velha do século passado.

Taylor soltou uma gargalhada ao ouvir a última frase de Jodi.

- Laura terá de vir a Los Angeles em breve e pedi que ela a trouxesse. Espero de verdade que venha, Taylor. Vou precisar desligar agora, mas antes quero mais uma vez lhe pedir desculpas por tudo.

- Oh Jodi, não precisa se desculpar. Está tudo bem. Assim que der conversamos melhor, ok?

- Com certeza. Bye, Taylor.

- Bye bye, Jodi.

Encerrando a ligação, Taylor devolveu o celular para a dona e foi andando em direção ao quarto.

- Ei, não vai falar nada? Quero saber tudo que ela te disse.

- Nada demais, amor. Provavelmente a mesma coisa que ela falou com você.

- Taylor Jane, não brinca comigo. Ela falou por dez minutos comigo e com você ficou horas. Não tem como ela ter dito as mesmas coisas para nós duas.

- Deixa de ser exagerada – entrando no quarto, a loira foi tirando a blusa – Preciso de um banho. Me acompanha?

- Taylor, odeio quando faz isso. Fala comigo.

- E eu não estou falando?

- O que Jodi disse?

- Pediu desculpas pela forma como se comportou, eu já te respondi isso –Schilling foi caminhando para o banheiro.

- Não vou tomar droga de banho nenhum com você, sua traidora – Laura saiu do quarto bufando e batendo a porta.

Taylor ficou rindo. Sabia que aquele ataque duraria pouco tempo, bastava as duas irem deitar e tudo se resolveria. Mas não estava mesmo disposta a repretir todas as palavras de Jodi, seria como um pequeno segredo entre elas. No fundo o que ambas queriam era ver a felicidade de Laura.

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Como nem só de amor e sexo vivem os relacionamentos, duas semanas depois, quando estavam prestes a completar um mês de relacionamento, tiveram sua primeira briga como namoradas. E estrearam de forma triunfal.

Era início da semana e por estarem com as cenas adiantadas, foram liberadas mais cedo naquele dia. Laura foi para o apartamento de Taylor e combinaram com Yael e Natasha de jantarem juntas mais tarde. Prepon se encarregaria de preparar a refeição.

A certa altura, a loira pareceu lembrar-se de algo:

- Lau, esqueci de falar antes. Na quinta é aniversário do Zack, aquele amigo que conheci assim que pus os pés em Nova York. Lembra que já te falei dele?

- Sim, lembro.

- Pois é, aquele ali adora uma comemoração e mesmo nossas vidas tendo se tornado uma loucura, faço questão de comparecer a todos os aniversários dele. Você vai comigo né?

- Quando? – Laura passou a prestar mais atenção ao que ela dizia.

- Quinta. Vai ser no Fifth.

- Oh, Tay. Quinta não posso. Tenho a gravação daquela entrevista, esqueceu? Com Laverne e Natasha.

- Ah não... tinha esquecido mesmo. Tem ideia que horas vai terminar? – Schilling ficou levemente desapontada.

- Você sabe como são essas coisas. Só tem horário para começar. Disseram que seria algo rápido, mas nunca dá pra ter certeza.

- Poxa, queria que me acompanhasse.

De repente um clique em sua mente fez com que Prepon despertasse para algo mais importante naquele convite.

- Tay, esse amigo não é daquele seu grupo do teatro?

- Sim.

Laura passou a mão pelos cabelos, gesto típico de quando alguma coisa começava a lhe incomodar.

- O mesmo grupo que aquela outra frequenta?

- Lauraa... – Schilling teve o mesmo clique e já imaginou onde Prepon queria chegar.

- Nem vem com “Lauraaa” - a morena a imitou -  Responde o que eu perguntei.

- É um grupo grande de amigos, Prepon.

- Não foi entre eles que conheceu “ela”, Taylor?

- Sim, foi lá que vi Chloe pela primeira vez – mal pronunciou o nome proibido e Schilling se arrependeu ao ver a expressão fechada que tomou conta do rosto da outra.

- Você não vai nesse aniversário sem mim.

- Como é que é? – Taylor mal podia acreditar no que ouvia, mas sabia que a morena não estava brincando.

- Você não vai ficar sozinha com ela. Se eu não posso ir, você não vai.

- Eu não vou ficar sozinha com ela. Terão no mínimo, mais umas vinte pessoas ali. E eu nem mesmo sei se ela vai, Laura. Não falo com ela desde a época daquela confusão. Então a presença dela não me importa.

- Mas importa a mim e você sabe muito bem por que – o tom de voz de Prepon já começava a ficar alterado.

- Não tem motivo nenhum pra isso – Taylor tentava ser paciente, porém não cederia – Não é você quem decide onde eu posso ou não posso ir, Laura. Aliás, nenhuma de nós duas pode decidir isso. Precisamos confiar uma na outra.

- Eu confio em você. Mas nela não.

- Só pode estar brincando. Tá ouvindo o que você tá dizendo? Se confia em mim, então não tem problema nenhum. Para algo acontecer depende da vontade de duas pessoas.

- Então isso quer dizer que no dia da boate você também teve vontade de beijá-la? Porque não foi isso que você me disse antes, mas é o que está querendo insinuar agora – a morena ficava cada vez mais brava com tudo aquilo.

- Laura, pelo amor de Deus. Nós não vamos voltar a esse maldito dia.

- Taylor, você não vai. Eu não quero – pela primeira vez a voz dela demonstrou a insegurança que sentia.

- Amor, não podemos começar uma relação desse jeito. Com uma proibindo a outra de fazer qualquer coisa que seja.

- Vai comigo pra entrevista. Você me espera e depois vamos juntas pro aniversário do seu amigo – Prepon pediu como se fosse a única alternativa possível.

- Você mesma disse que não sabe que horas vai acabar. Além disso, todos achariam estranho. A entrevista é com vocês, não comigo e de repente Taylor Schilling aparece para te acompanhar... Tem alguma dúvida dos boatos que serão criados a partir daí?

Sabendo que a loira tinha razão, mas ainda não querendo dar o braço a torcer, Laura fez nova tentativa:

- Eles não precisam te ver. Você pode me esperar em outro lugar.

- Laura, você tá pirando – Taylor começava a perder a paciência – Tá sugerindo que eu fique te esperando no carro, escondida? Ou será que devo ficar em casa olhando para o teto até você tá liberada? Isso se você terminar a gravação a tempo de aparecermos na festa.

- Então não vamos.

- Eu vou, Laura Prepon. Coloca isso na sua cabeça. É ridículo você querer me impedir de ir ao aniversário de um amigo por um ciúme idiota.

- Ciúme idiota? – Laura estava indignada.

- Idiota sim. Eu estou com você. Estamos juntas. Nem Chloe e nem ninguém vai mudar isso.

- Para de repetir o nome dessa garota – o grito que Prepon deu preencheu todo o ambiente.

- Não grita comigo – Taylor também elevou a voz.

- Desculpa, mas eu perco o controle quando se trata desse assunto, Tay.

- Vamos fazer o seguinte: eu vou e fico te esperando. Assim que você terminar seu compromisso, vai para lá me encontrar. Pode levar a Natasha junto.

Como se o destino quisesse dar uma trégua na guerra fria que se instalara no apartamento de uma hora pra outra, o interfone tocou. Natasha e Yael haviam acabado de chegar. Laura respirou fundo e decidiu deixar o problema de lado temporariamente. As amigas haviam ido até ali para aproveitarem uma noite tranquila e de paz. Não seria justo envolvê-las no problema que surgira e com o qual elas não tinham nada a ver.

Prepon fez o possível para que o clima voltasse à normalidade e aparentemente conseguiu, pois as meninas não comentaram nada. Natasha, como sempre, foi o centro das atenções e fazia elas rirem o tempo todo. A morena, entretanto, não pode deixar de notar os olhares desconfiados que Taylor lhe lançava vez ou outra como se temesse que a questão pudesse voltar à tona.

No fim da noite Laura achou melhor ir para casa e usou como pretexto o fato de querer dar carona a Yael, que morava bem próximo a ela. A morena achou mais seguro que ela e Taylor dessem uma pausa naquela noite para não correrem o risco de retomarem a discussão de onde pararam. A loira pareceu ser da mesma opinião, já que não fez nenhuma oposição à decisão de Prepon de ir embora.

 

No decorrer da semana, elas tentaram voltar ao assunto por duas vezes, mas em ambas as ocasiões o clima ficou imediatamente tenso e nenhuma das duas pareceu querer abrir mão de suas convicções.

 

Finalmente a tal quinta-feira chegou. Pela manhã, Laura encontrou Taylor no set e perguntou apenas se ela havia mudado de ideia. Recebendo uma resposta negativa da loira, Prepon preferiu não falar mais nada durante o dia inteiro.

Sabia que estava se comportando de forma controladora e de certa forma infantil, mas simplesmente não conseguia evitar. Ela ficava louca só em imaginar Chloe ao lado de Taylor novamente. Não havia mentido ao dizer que perdoava Schilling pela cena que havia presenciado. Entendera o lado da loira, mas esquecer o que tinha visto por enquanto era impossível. Seu lado racional ficava tentando convencê-la de que não havia o menor risco de aquilo voltasse a acontecer, mas seu coração doía ao saber que a loira preferira ir à festa independente do que sentia.

No camarim, aguardando que a entrevista começasse, Laura não conseguia prestar atenção a nada que Natasha e Laverne conversavam e isso logicamente despertou a curiosidade das duas. No princípio ela tentou se esquivar, mas depois achou que talvez fosse melhor desabafar ou acabaria surtando e se abriu com as meninas.

Natasha entendeu melhor a situação, pois acompanhava de perto cada passo da relação do casal. Ela compreendia o que tanto afligia Laura e, fato raro, mais ouviu do que falou. Já Laverne, sempre mais sensível, tentou passar-lhe segurança e tranquilidade:

- Laura, você não deve se importar com ninguém além de Taylor. É dela que você gosta e se confia em sua namorada, não deve deixar que essas coisas interfira na relação de vocês.

- Eu sei disso, Laverne. Ou melhor, minha cabeça sabe disso. Mas desde que me apaixonei por Taylor não é ela mais que comanda minha vida.

 As duas mulheres à sua frente mal conseguiram disfarçar uma risadinha. Era raro ver Prepon se expor tanto. Só a loirinha mesmo para conseguir aquela façanha.

- Mas minha querida, vocês são duas mulheres lindas e maravilhosas. Sempre haverá pessoas interessadas em você e nela. Até mesmo pela profissão que exercem. Serão sempre o objeto de desejo das pessoas e terão que arrumar uma forma de lidar com isso.

- Você quer dizer, eu terei de arrumar uma forma. Porque a Tay não tá nem aí. Ela não sente o menor ciúme de mim.

- Duvido – Natasha enfim abriu a boca.

- Se sente, ela consegue disfarçar muito bem porque nunca demonstra.

Após mais alguns minutos de conversa, a morena começou a se sentir melhor. Estava convencida de que seu foco deveria ser somente Schilling, por isso enfim se decidiu e chamou Natasha para acompanhá-la até o Fifth mais tarde.

Prepon estava com o ânimo tão renovado que conseguiu curtir todos os minutos da entrevista e realmente se divertiu ao lado das amigas de elenco ao responder as perguntas. Talvez o clima tão descontraído tenha ajudado tanto que a gravação foi encerrada antes mesmo do previsto. Nem tudo estava perdido no fim das contas.

Depois de passarem novamente no camarim para pegar suas coisas e se despedirem de Laverne, Natasha e Laura pegaram o elevador até a garagem. Consultando o celular para verificar se havia algum sinal de Taylor, Prepon ficou um pouco decepcionada ao constatar que não havia nada. Mas procurou ser otimista e entendeu que provavelmente a namorada não queria atrapalhá-la em um momento de trabalho.

- Será que ela ainda está lá? – Lyonne levantou a questão antes de entrar em seu carro. O de Laura estava logo ali ao lado.

- Acredito que sim. Você sabe que festas com atores nunca acabam cedo.

- É verdade. Mas não custa nada checar né?

- Você mente mal para caralho, Tasho.  Mas ok, entendi. Tá querendo que eu avise que estou indo para evitar alguma surpresa indesejada.

- Claro que não, Prepon.

- Você tem razão. É melhor eu ligar.

Antes de entrar no veículo, a morena ligou para o número de Taylor. Depois de ouvir o quinto toque sem que a loira atendesse, Laura revirou os olhos. Schilling era sempre tão distraída com o celular. Nunca ficava atenta e Prepon já chamara sua atenção várias vezes por conta disso.

Já esperando que a chamada caísse em caixa postal, Laura estava prestes a desligar quando enfim ouviu uma voz:

- Alô – alguém ria do outro lado.

Prepon congelou na mesma hora. Estava ficando louca ou aquela era a voz DELA? O que aquela vaca estava fazendo com o telefone de sua namorada? Procurando não enlouquecer antes da hora, Laura manteve a voz firme:

- Boa noite, poderia passar o telefone para Taylor?

- Ei, Laura? Sou eu, Chloe, não reconheceu minha voz? Tudo bem com você?

A morena não conseguia acreditar na audácia da garota. Notando que havia algo errado, Natasha já se encontrava ao seu lado procurando entender exatamente o que estava acontecendo.

- Eu vou repetir porque acho que não me ouviu. Poderia entregar o telefone à Taylor?

- Brava como sempre. Você não vai mesmo com a minha cara né? – uma nova risadinha do outro lado da linha.

Laura fechou os olhos com força e começou a contar até dez. Não iria se descontrolar, não iria se descontrolar.... repetia como um mantra.

- Taytay... – Chloe berrava do outro lado da linha – Ei, garotaaaa. Ligação para você. Sua dona quer falar contigo e acho que tá bem brava porque eu atendi.

- Dona? Não sabia que Taylor tinha uma. Quem é sua dona Schilling? – uma voz masculina que parecia de alguém bastante bêbado pode ser ouvida claramente.

- Chloeeee... – essa era a voz de Schilling – O que tá fazendo com meu celular? Eu falei para se comportar.

Laura não precisava ouvir mais nada. Nem esperou que a loira lhe respondesse, encerrou a ligação já com os olhos cheios d’água. Mas não eram lágrimas de tristeza e sim de raiva. Muita raiva.

- O que houve Laura?

- Vou pra casa.

- Ruiva, qual é? Foi a Chloe? O que ela fez dessa vez?

- Eu preciso ir pra casa Natasha, só isso.

O telefone em sua mão começou a tocar. Taylor.

- Laura Prepon, vai buscar sua namorada agora antes que aquela vadiazinha apronte novamente. Você ia até lá e não vou deixar que mude de ideia, seja lá o que for que tenha ouvido nesse celular.

- Não, Natasha. Eu não vou lá. E a Taylor não é nenhuma mocinha inocente que precisa ser resgatada das garras de ninguém. Ela é bem grandinha para saber o que faz... Como ela mesma disse, duas pessoas não fazem nada sem que uma delas não queira. Então que continue se divertindo seja lá onde for e com quem for. Eu preciso da minha casa, só isso.

- Eu vou com você.

- Por favor, Tasho. Eu preciso ficar sozinha. Por favor.

Sem dizer mais nada, Laura entrou em seu veículo e saiu rapidamente da garagem caindo no agitado trânsito da noite nova iorquina.


Notas Finais


Chloe ressurgindo das profundezas do inferno.
É, Taylor... deu ruim para você.


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