História Apenas Ela - Capítulo 29


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Personagens Originais
Tags Laura Prepon, Taylor Schilling
Exibições 369
Palavras 4.749
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 29 - Promessas


Ao chegar ao bar onde seria comemorado o aniversário de Zack, Taylor não estava nem um pouco animada. Não conseguia pensar em outra coisa que não fosse Laura e no que faria para resolver o clima péssimo que se formara entre as duas desde que batera o pé em relação a sua presença ali.

Para ela, muito mais importante do que ir à festa era fazer Prepon entender que não poderia haver proibições daquele tipo entre elas. Se tinha uma coisa que a deixava louca no comportamento de Laura, era quando esta se mostrava tão autoritária e mandona. Taylor não admitia se submeter às vontades dela se isso vinha sob a forma de ordens e gritos. A loira não conseguia manter o equilíbrio nessas horas e acabavam entrando em uma briga desnecessária que talvez pudesse ser resolvida com uma boa conversa. Provavelmente, se fosse investigar sua própria reação em alguma terapia, isso se devia a questões de relacionamento com seus pais na infância.

De qualquer forma, o fato é que apesar de Schilling ter feito com que sua vontade prevalecesse, não estava nem um pouco satisfeita. Pensou em enviar uma mensagem à namorada dizendo que sentia sua falta, mas imaginando que ela já devia estar com Natasha e Laverne preparando-se para a tal entrevista, achou melhor ligar só mais tarde. Se Laura realmente não viesse, embora ainda tivesse esperança que isso pudesse acontecer, ela pretendia não demorar-se muito ali e iria encontrá-la depois. Sabia que a morena estaria bastante irritada com ela, mas daria um jeito de consertar as coisas.

Taylor, mesmo à distância, já conseguia avistar o grupo de amigos. Caminhando em direção ao aniversariante foi interrompida por uma presença inesperada:

- Taaaaylor. Que bom que veio! Você sumiu garota. É tão bom rever você – Chloe havia interceptado seu caminho e envolvia a loira em um abraço apertado sem a menor cerimônia.

Pega completamente de surpresa, Schilling demorou a ter alguma reação:

- Ei, Chloe... calma. Também não é para tanto.

- Desculpa, te assustei? – a menina ria – Você não retornou minhas últimas ligações... anda muito ocupada ou tá só me evitando mesmo?

- Nós já conversamos Chloe e eu te disse que seria melhor nos afastarmos por um tempo.

- Mas eu entendi que isso não impediria que continuássemos sendo amigas. Ou nem isso podemos ser mais?

Mas que merda, porque Laura sempre tinha razão? Lá estava Chloe plantada na sua frente, sem que ela nem ao menos tivesse conseguido chegar até a mesa. Se seu estado anterior era de um leve desânimo, agora sua vontade era de ir embora daquele lugar imediatamente. Porque não ouviu sua namorada e esperou para irem juntas àquela maldita festa?

Deixando a garota sem resposta para a pergunta que fizera, ela falou simplesmente:

- Vou cumprimentar Zack.

Taylor conhecia grande parte das pessoas presentes e logo estava à vontade. Procurou manter uma distância segura de Chloe e no início conseguiu. A garota falava com todos, ia pra pista de dança, voltava, era sempre tão espontânea. Espontânea até demais, a loira pensou.

Schilling optara por não beber nada alcoólico pra não correr o risco de fazer nenhuma besteira, mesmo sem querer. Os convidados, entretanto, não precisavam compartilhar dessa abstinência e já havia alguns bastante animados. Depois de quase uma hora em que estava ali, foi abordada novamente por Chloe. A menina aproximou-se para falar sobre um assunto qualquer, aparentemente sem nenhuma outra intenção oculta e logo em seguida se afastou. Porém, na segunda vez em que fez isso, Taylor notou que com a desculpa da música alta ela ficava perto demais, praticamente falando em seu ouvido.

- Chloe, não precisa chegar tão perto. Comporte-se!

- Ai Taylor, você tá tão chata e cheia de frescura.

- É, tô chata mesmo... vai se divertir então, vai – a loira foi dispensando-a.

Chloe se afastou, não sem antes lhe lançar um olhar irônico.

O problema aconteceu quando Schilling levantou-se e foi para o outro lado da mesa tirar fotos com Zack e os outros meninos. Ela havia se tornada a nova celebridade do grupo pelo sucesso alcançado com a série e todos, mais por implicância do que por qualquer outra coisa, diziam querer uma foto ao lado dela antes que se tornasse uma estrela inalcançável. Estava se divertindo tanto ao lado deles que não ouviu seu telefone tocar e muito menos viu Chloe tomar a iniciativa de atendê-lo. Só tomou consciência do que estava acontecendo quando ouviu a garota gritando a fim de lhe chamar a atenção:

- Taytay... Ei, garotaaaa. Ligação para você. Sua dona quer falar contigo e acho que tá bem brava porque eu atendi.

- Chloeeee... O que tá fazendo com meu celular? Eu falei para se comportar – enquanto percorria os poucos metros que as separavam, ela rezava para que aquilo fosse apenas uma brincadeira de mau gosto da garota. Não era Laura ao telefone, não podia ser. Ela estava trabalhando naquele momento.

- Por que atendeu meu celular, Chloe?

- Só quis te fazer um favor, sua mal agradecida. O telefone tava aqui apitando e você nem aí.

- Laura? Laura? – Taylor chamou sem resposta alguma do outro lado – O que ela falou?

- Mandou eu passar o telefone para você. Tentei cumprimentá-la achando que ela não tinha reconhecido minha voz, mas ela foi mais grossa ainda. Vocês ainda tem algum rolo?

Schilling nem se deu o trabalho de responder. Procurando uma área mais reservada e menos barulhenta, ela ligou insistentemente para o número de Laura. Logicamente a morena não lhe atendeu. Lembrando-se que Natasha podia estar com ela, ligou para a amiga.

- Que merda você fez, Tayloface?

- Tasho, graças a Deus. Ela tá aí com você?

- Estava, mas não consegui segurá-la mais. Acabou de pegar o carro e foi embora.

- Como assim? Vocês não estão no estúdio?

- Já acabamos aqui e estávamos indo te encontrar. Convenci a ruiva a te ligar antes pra evitar que chegássemos de surpresa. Porque aquela vaca atendeu seu celular, Taylor? – Natasha parecia inconformada do outro lado da linha – O que você tem nessa droga de cabeça, garota?

- Ela tava vindo? – Schilling sentiu um aperto no peito – Eu não fiz nada, juro. Estava tirando fotos com os meninos, deixei o celular na mesa. Chloe deve ter visto o nome de Laura no visor e atendeu.

- Você é uma idiota, isso que você é.

- Para Tasho... não faz eu me sentir pior do que já estou.

- Problema é seu. Dessa vez tô totalmente do lado dela. Laura passou a noite aflita com a discussão de vocês. Se abriu comigo e com a Laverne, contou como se sentia... eu nem consegui falar nada. Mas você conhece Laverne, ela com aquelas palavras bonitas amolece qualquer um. Convenceu a ruiva de que não devia se preocupar à toa, que devia ir te ver... E você me apronta essa? Puta que pariu. Até eu tô com raiva de você.

- Pra onde ela foi? – depois de ouvir as palavras de Lyonne, tudo que Taylor precisava era saber onde Laura estava.

- Acho que foi pra casa... sei lá. Ela disse que queria ficar sozinha. Não sei se é boa ideia ir atrás dela agora não, você sabe como ela fica transtornada...

- Pois é isso o que eu vou fazer. Se ela quiser gritar comigo, me bater, ela que faça... mas eu vou atrás dela sim.

- Boa sorte então.

- Obrigada, Tasho. Depois nos falamos.

Se até Natasha estava tão séria daquele jeito, era porque ela estava realmente encrencada.

Taylor voltou até a mesa, pegou sua bolsa e dirigindo-se às pessoas mais próximas disse que tinha uma emergência e precisava ir embora. Ao que parecia, todos já estavam tão altos que nem tinham se dado conta do que realmente acontecera no meio daquela gritaria toda e não deram muita importância ao fato dela estar indo, nem mesmo o aniversariante.

Tremendo de nervoso, a loira desceu as escadas do bar o mais rápido que conseguiu em cima daqueles saltos. Ao sair pela porta do estabelecimento e chegar à calçada tratou de procurar um táxi. Ainda bem que não viera de carro.

- Você tá indo embora? Não acredito.

- Mas que inferno!! O que você tá fazendo atrás de mim, Chloe? Já não acha que causou problema o suficiente? – Schilling perdeu toda a paciência que tivera durante a noite.

- Qual é Taylor? Agora eu sou a culpada? Você vai mesmo atrás dela?

- Não interessa aonde eu vou. Só preciso de um táxi. Se não vai me ajudar a achar um, volte de onde veio.

- Não percebe o jeito que ela te deixa? Você tá desesperada igual aquele dia na boate. Que poder essa mulher tem sobre você?

- Chloe, é melhor você não se meter nisso. Volta lá pra cima, pelo amor de Deus.

- Você era tão mais leve antes, quando estávamos juntas...era mais sorridente, mais alegre.  Nós nos divertíamos de verdade... e agora...

- Não fala sobre o que você não sabe, garota – Chloe estava conseguindo tirá-la do sério e Taylor voltou sua atenção para ela. Precisava encerrar aquele assunto de uma vez por todas.

- Ela vive dizendo por aí que é hetero, Taylor. Acorda... Vai ficar se humilhando por uma mulher que nem assume o que vocês têm?

Pronto, aquilo foi a gota d’água:

- Nós estamos namorando. Ela é minha namorada, ouviu bem? Então sai daqui e me deixa em paz. – Schilling estava perdendo a razão, mas agora não tinha mais volta.

- Namorando? – a expressão da garota era de total choque – Você sempre disse que não queria isso, que não estava em busca de um relacionamento sério com ninguém.

- Acontece que ela não é ninguém. É a mulher que eu escolhi para ficar do meu lado. Na verdade, ela me escolheu. E enquanto ela me quiser, é com ela que vou ficar. Só com ela, preciso ser mais clara? – a garota pedira por aquilo.

Taylor percebeu que a menina estava prestes a chorar, mas não conseguia sentir a mínima pena. Pelas palavras de Chloe, ela não era tão inocente como costumava aparentar. Tinha certeza que ela atendera o telefone de propósito, se aproveitando da oportunidade que aparecera para provocar Laura. E agora, pensando melhor, a loira acreditava que no dia da boate ela lhe beijara unicamente no intuito de entrar em uma disputa com a morena.

- Ela não gosta de você, Taylor. Ela gosta é do poder que exerce sobre você. Porque ela não tá aqui te acompanhando? – Chloe estava fora de si e gritava no meio da rua - Basta ela te ligar e você sai correndo que nem um cachorrinho? Aquela mulher é uma filha da puta que transformou você nessa completa idiota. Ela é uma manipuladora... uma egoísta.

- Cala a bocaaaaa – Taylor se descontrolou completamente e agarrou Chloe pelo braço com força – Cala essa boca, Chloe. Não ouse falar dela assim. Aliás, não ouse mais falar comigo. Esqueça que eu existo.

- Senhorita, senhorita... - um segurança do bar aproximava-se, receoso – Não estava querendo um táxi? Consegui um. Não acha melhor aproveitá-lo antes que outro passageiro embarque?

 Voltando a si, Taylor notou que havia duas ou três pessoas paradas assistindo a cena. Dando-se conta de que as coisas estavam ficando cada vez piores, agradeceu ao segurança e entrou imediatamente no carro.

Passou todo o caminho até a casa de Laura tentando falar com ela. A essa altura o celular estava desligado, mas a loira continuava tentando para manter a mente ocupada e não pirar de vez. Prepon teria de ouvi-la. Schilling tentava se convencer que se a morena a perdoara mesmo depois de tê-la visto beijando Chloe, ainda podia ter esperanças. Afinal dessa vez ela não tinha feito realmente nada.

Entretanto, no fundo ela sabia que mais importante do que fizera, era o que Laura achava que ela tinha feito. A namorada não estava presente e pelo que ouvira no telefone, Taylor sabia que ela devia estar imaginando as piores cenas possíveis.

Chegando enfim ao prédio de Laura, Schilling subiu os andares com o coração prestes a sair pela boca. Ela tinha de lhe ouvir. Tocou a campainha insistentemente e nada, nem sinal. A loira teve então de recorrer a algo que ainda não havia precisado usar, mas agora lhe seria muito útil: a chave do apartamento da namorada. Duas semanas antes elas tinham feito cópias de seus respectivos chaveiros e trocado entre si. Acharam que assim seria mais prático, caso precisassem entrar sem que a outra estivesse presente. Principalmente no caso de Laura, que viajava frequentemente à Los Angeles.

Respirando fundo e se preparando para a bronca certa que viria, ela girou a chave na fechadura e empurrou. A porta, porém, só cedeu um pouco porque também estava presa por uma corrente na parte superior.

- Mas que merda!

Laura era tão esperta que logo imaginou que ela pudesse fazer isso e trancara a porta por dentro também. Pelo menos isso significava que ela estava realmente em casa.

- Laura, abre... preciso falar com você.

Pela fresta, Taylor percebeu que havia luzes acesas dentro do apartamento, mas o silêncio era total.

- Eu não vou sair daqui até você abrir. É melhor deixar que eu entre porque não vou desistir.

Taylor começou a bater na porta e a falar mais alto:

- Lauraaaa, eu sei que está aí. Abre a droga dessa porta e vamos conversar como duas pessoas normais.

Silêncio.

- Lauraaaa – Taylor agora gritava e socava a porta com força, o barulho ecoando por todo o corredor. Ela não dava a mínima se alguém iria aparecer, estava decidida.

Segundos depois que começou a gritar, ouviu passos e respirou aliviada. O alívio passou no instante em que a porta foi aberta e ela viu a expressão de Prepon.

- Que escândalo é esse?  - a voz era de ódio puro.

Aproveitando-se da oportunidade, Taylor escorregou para dentro do apartamento.

- Taylor, você não pode ir entrando assim. Sai agora. Essa é minha casa e eu não quero você aqui – o tom de voz aumentava.

- Agora é você quem está fazendo escândalo. É melhor fechar a porta antes que os vizinhos venham ver o que está acontecendo.

- Eu não estou de gracinha. Você vai embora nem que eu tenha que te tirar daqui à força.

Sabendo que a morena seria capaz disso, Taylor adentrou ainda mais no apartamento e foi para a sala. De lá, ouviu o estrondo da porta sendo batida com força mais do que exagerada. Assim que a morena apareceu em sua área de visão novamente, ela tentou começar a se explicar:

- Lau, sei que tá brava. Mas juro que não fiz nada. Meu celular tava em cima da mesa...

- Eu não quero ouvir merda de explicação nenhuma – a voz era totalmente fria de novo – Você fez tanta questão de ir para aquela porra de festa e tá fazendo que aqui? Volta para lá...

- Você tava indo me ver... – pela primeira vez naquela noite sentiu as lágrimas querendo aparecer.

- Estava... porque sou burra, idiota. Eu sempre soube que era isso que ia acontecer, aquela filha da puta estaria lá e você acabaria cedendo... – Laura respirou fundo – Ainda bem que a Natasha fez com que eu te ligasse. Parece que até mesmo ela já te conhece o suficiente. Pelo menos não tive o desprazer de ver a ceninha de vocês ao vivo novamente.

- Você estava certa, era isso que queria ouvir? Estava certa. Eu não devia ter ido sozinha. Não porque eu “acabaria cedendo” como você disse, mas porque com certeza alguma coisa acabaria acontecendo e você ia pensar isso.

- Eu disse que não quero te ouvir. Vai embora, por favor – Prepon caminhava em sua direção e com medo de que ela realmente a pegasse e jogasse pra fora do apartamento, Taylor foi se esquivando.

- Ela fez de propósito, Lau. Ela atendeu porque viu seu nome na tela. Eu estava tirando fotos com Zack, ela pegou o telefone e falou aquilo pra te provocar.

- A culpa é sua – Prepon voltou a gritar – Você bate palmas pra tudo que ela faz. É sempre assim. O que você tá fazendo comigo se ela é sua protegida? A intocável e inocente Chloe? Vai embora Taylor, eu não quero mais olhar pra sua cara.

Nessa hora, a loira não conseguiu mais segurar as lágrimas. Elas vieram com força total e ela desabou no sofá com a cabeça entre as mãos.

- Não adianta chorar agora. Vai atrás dela que ainda dá tempo de salvar sua noite – ao dizer isso, a morena saiu da sala e foi para o quarto deixando a loira chorando sozinha.

Mesmo com medo, Taylor sabia que a culpa daquilo tudo era exclusivamente dela, então teria sim de insistir com Laura. Foi até o quarto e quando entrou no ambiente e a viu sentada numa poltrona que havia no canto, olhando para o teto com um semblante tão derrotado quanto o seu, ela ficou ainda mais arrasada.

- Eu não aguento mais ficar me desculpando. Mas é só isso que eu posso fazer. Me desculpa por não ter te ouvido, por não ter dado importância ao que falou – esperou por algum movimento da outra parte e como este não veio, continuou: - Não podemos deixar que uma menina abale desse jeito o que temos, Lau. Você é a única pessoa com quem quero estar, não é possível que não perceba o quanto gosto de você. Vai deixar ela estragar isso?

- Não sou eu que deixo nada. É você que nunca corta, nunca dá um ponto final nessa história. Fica aí repetindo que gosta de mim, mas sempre que tem de escolher entre nós duas, é ela que você escolhe.

- Você tá louca? Eu nunca escolhi a Chloe. Pelo contrário, é sempre atrás de você que venho – ela não podia acreditar que as duas lhe acusavam exatamente da mesma coisa – Quando expulsou ela do meu apartamento, eu e você não tínhamos absolutamente nada e foi do lado de quem que eu fiquei? Do seu lado, mesmo não concordando com o que tinha feito.

Tomando coragem, Schilling aproximou-se mais e sentou na cama, de frente para Laura. Com cuidado, colocou as mãos nos  joelhos dela e falou com a voz mais mansa que conseguiu:

- Sei que fui egoísta e só pensei nas minhas vontades. Mas você me enlouquece quando fica autoritária demais. Eu simplesmente não aguento os gritos e as ordens que você dá... quando fica com ciúme você quer mandar em mim e não é assim que funciona.

Ao ouvir aquilo, a irritação de Laura voltou com força total:

- E aí você sai correndo pra reclamar com ela? Por isso ela disse que eu sou sua dona?

- Claro que não, isso é coisa da cabeça daquela maluca.

- Que se dane, Taylor. É melhor a gente acabar esse droga de namoro de uma vez. Nunca daria certo mesmo. – levantando-se abruptamente, Prepon foi para o outro lado do quarto em busca de sua bolsa e do celular – Já que você não quer ir embora, saio eu então. Preciso distrair minha cabeça ou vou surtar aqui nesse lugar fechado. Fecha a porta direito quando for embora.

Vendo que a morena estava realmente falando sério, Taylor teve de ser rápida para conseguir interceptar Laura antes que ela deixasse o quarto. Realmente com medo de que a namorada pudesse sair e fazer alguma besteira, a loira a pegou desprevenida e prendeu-a na parede ao lado da porta. Foi bolsa para um lado, telefone para o outro, mas o importante é que usando-se de uma força que nem mesmo ela sabia que tinha, Schilling conseguiu contê-la.

- Me solta, sua maluca. Você tá me machucando. Me solta.

- Você não vai à merda de lugar nenhum.

- Então vai você... eu já pedi para sair e você não me ouve.

Taylor enfim deu-se por vencida.

- Ok Laura Prepon, desisto. É o que você quer? Então vou te deixar sozinha – a loira saiu batendo a porta atrás de si.

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Assim que a porta se fechou, Laura foi até o banheiro e desabou em um choro que vinha tentando conter desde que chegara em seu apartamento. Estava tão confusa com aquilo tudo. Queria acreditar em Taylor, mas saber que era motivo de piada entre os amigos dela e pelo visto com sua permissão, era demais. De que adiantava ela largar tudo e vir atrás depois que o problema acontecia, exatamente como da outra vez? Pedira tanto para que a loira não fosse sem ela... ou melhor, exigira, isso tinha que admitir. Talvez a única razão de Schilling naquela confusão toda era dizer que Laura às vezes ficava autoritária demais.

Após não ter mais lágrimas para derramar, Prepon lavou o rosto e resolveu preparar algo para comer. Sentia uma sede e uma fome absurda, pois acabara não comendo nada durante a noite. Ao sair do quarto foi envolvida pela escuridão total. A doida apagara todas as luzes ao ir embora. A morena preparou um lanche rápido composto de um sanduíche e um suco de laranja e foi só quando terminou e passava novamente pela sala que notou a figura loira sentada encolhida em um canto de um dos sofás. Vê-la ali daquele jeito deixou Laura sem saber o que fazer. Ia passar direto, mas não conseguiu:

- O que tá fazendo aí? Você não disse que ia embora?

- Pelo visto não consegui, não está vendo? Tô aqui ainda mesmo depois de ter sido enxotada desse apartamento.

Merda... mil vezes merda! Ela fazia aquilo de propósito e Prepon alternava entre a irritação e a incredulidade.

- Você lembra o que nos prometemos no dia em que me pediu em namoro? – Taylor falou em voz baixa.

- O que? – a morena não sabia se havia entendido direito.

- Prometemos que teríamos paciência e seríamos compreensivas uma com a outra. Que não desistiríamos diante do primeiro problema. Você pediu que eu não te largasse quando cometesse seu primeiro erro. Eu prometi isso a você, e você também me prometeu, Lau. E não pretendo quebrar essa promessa. Não vou embora enquanto não nos acertarmos, leve o tempo que levar.

Claro que se lembrava daquelas promessas. Sentindo o coração fraquejar, Laura voltou para o quarto sem nada dizer, trocou de roupa e se enfiou embaixo das cobertas. Não se renderia tão facilmente, a loirinha estava jogando sujo. Fazia as merdas e depois usava suas palavras contra ela mesma? Era o que faltava.

Minutos depois, Prepon ouviu o movimento de alguém entrando no quarto. Fechou os olhos. Quem sabe convencida de que ela havia dormido, Taylor finalmente a deixasse em paz.

Só podia mesmo ser ingenuidade da parte dela, achar que Schilling desistiria facilmente. A loira foi até o closet, pegou alguma coisa e instantes depois teve a cara de pau de vir se deitar na cama ao lado dela. Uma coisa tinha de admitir, sua namorada era corajosa.

- Fique tranquila que eu não vou tocar em você. Mas por favor, me deixe dormir aqui contigo, Lau. Não me manda embora de novo.

Puta que pariu. Como ela resistiria daquele jeito? Era melhor ficar calada. Que as duas dormissem então e no dia seguinte veria como ficariam as coisas.

Com certeza achando que sua tortura ainda não era suficiente, Taylor quase a matou com a próxima declaração, minutos depois:

- Laura, põe uma coisa na sua cabeça... não importa o que aconteça, não importa o que os outros falem ou façam... é você que eu amo. Eu te amo, Laura Prepon. Te amo como nunca amei outra pessoa em toda a minha vida.

Prepon achou que ia ter um ataque do coração. Ele batia de forma tão acelerada em seu peito e havia ainda a forte pulsação dentro de sua cabeça. Ela estava tendo um ataque, só podia ser isso. Taylor disse que lhe amava? Assim, do nada? Ela não soube precisar quanto tempo ficou parada, o corpo estático, somente a mente trabalhando alucinadamente. A loira também não fez nenhum movimento e nem falou mais nada.

Por fim, ela fez a única coisa que tinha vontade de fazer: virou-se de frente para Taylor e mesmo na escuridão do quarto conseguiu visualizar os olhinhos azuis mais lindos do mundo.

- Eu também te amo, Tay. Muito, muito, muito... não faz mais isso, por favor.

E juntando-se aos olhinhos azuis mais lindos do mundo surgiu o sorriso mais lindo do mundo.

 

Exaustas após o sexo louco que tinham acabado de fazer, as duas estavam deitadas abraçadas tentando se recuperar. Nem elas mesmas conseguiriam descrever se o que haviam feito era amor ou uma trepada selvagem. No meio de tantos eu te amos, repetidos dezenas de vezes, sobraram tapas estalados na bunda de Taylor e alguns arranhões nos braços e nas costas de Laura. Isso sem contar os puxões de cabelo e as mordidas. Mas aí havia os carinhos e os sussurros apaixonados em seguida. É, definitivamente a coisa toda fora bem louca, exatamente como elas eram.

Com a cabeça de Laura deitada em seu peito enquanto acariciava suas costas, Taylor foi a primeira falar:

- Quer ouvir tudo o que aconteceu?

- Fala... – Por mais medo que tivesse, Prepon precisava saber. Acreditaria no que a loira lhe dissesse.

Schilling contou absolutamente tudo que aconteceu desde que chegou na festa. Não escondeu nada. Sentia o corpo da morena ficar tenso a cada vez que ela citava o nome de Chloe e cada uma das coisas que ela fizera. Mas quando passou a narrar a briga das duas já do lado de fora do bar e tudo que a garota dissera, Laura não se segurou mais:

 - Aquela filha da puta falou isso de mim? – Taylor teve de usar de sua força para conseguir que ela continuasse em seu braços.

- Ei, calminha aí... não vai se exaltar de novo.

- Não vai se exaltar é o cacete. Eu estou te avisando, Taylor, quando essa vaca cruzar o meu caminho eu vou acabar com ela. Isso se eu não for atrás antes.

- Para... – agora Schilling conseguia achar graça daquela braveza toda.

- Não ri não... porque eu tô falando sério. Eu vou matar ela com requintes de crueldade. E você vai ter que escolher: ou vai no enterro dela ou vai me visitar na cadeia porque as duas coisas você não vai poder ter.

- Deixa de ser boba. Não ouviu o que eu disse? Eu respondi todas as merdas que ela falou... e acho até que passei do ponto. Provavelmente deixei ela marcada.

Taylor narrou a parte em que ficara tão fora de si que agarrara a menina pelo braço.

- Jura? Jura que você fez isso, amor? Até que enfim tomou alguma atitude.

Laura enchia o rosto de Taylor de beijos. Nem parecia que uma hora atrás elas estavam no meio de uma briga infernal.

- Eu daria tudo pra ter visto a cena. Essas coisas você não faz na minha frente.

Lembrando-se de algo, a loira mostrou um sorriso amarelo.

- Acho que corre o risco de você acabar vendo em algum site amanhã. Algumas pessoas pararam pra assistir a gritaria e não sei se alguém fotografou ou filmou...

- Puta que pariu, Tay! Imagina só se isso vaza.

- Tomara que não, eu morreria de vergonha.

As duas continuaram rindo e conversando até que do nada Laura levantou à procura de algo.

- O que você tá fazendo? Volta pra cá... – a loirinha já estava choramingando.

De volta à cama com o objeto de sua procura em mãos e um sorriso diabólico nos lábios, Taylor não acreditou quando viu o que Laura estava fazendo. A morena tirou uma foto das duas, mas no enquadramento que fizera só aparecia sua boca e parte do seio de Schilling, com o mamilo exposto inclusive. Após se certificar várias vezes até ter certeza de que não poderiam ser identificadas, Prepon enviou a foto sob o olhar envergonhado da loira.

A resposta não demorou a chegar:

Vocês são duas putas. E loucas pra caralho. Mas eu amo vocês mesmo assim. E nunca mais me mandem fotos desse tipo ou não respondo por mim. Me deu um tesão danado e estou falando sério.

- Para de provocar a Tasho, Lau... depois ela vem pra cima de mim também, mesmo que eu não tenha feito nada.

Laura jogou-se em cima dela. Estava pronta para outra rodada.

 



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