História Apenas fique - Capítulo 35


Escrita por: ~

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Categorias Orphan Black
Personagens Alison Hendrix, Cosima Niehaus, Dr. Aldous Leekie, Dra. Delphine Cormier, Elizabeth "Beth" Childs, Felix "Fee" Dawkins, Helena, Krystal Goderitch, Paul Dierden, Rachel Duncan, Siobhan Sadler "Sra. S"
Tags Aluna, Cophine, Cosima, Cosima Niehaus, Delphine, Delphine Cormier, Orange, Professora, Romance, Shay, Yuri
Visualizações 329
Palavras 2.133
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Hentai, Josei, Orange, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi pessoal, esse capítulo está um pouco diferente, vai se rum POV todinho da Delphine, ta um pouquinho curto, mas espero que gostem =)

Capítulo 35 - O verbo mais lindo


 

Delphine

Escolher.

Optar, decidir, adotar, eleger.

 

Todos os dias, em todos os minutos, a cada respiração temos uma escolha para fazer, mesmo inconsciente de nossos atos, escolhemos. Mesmo quando estamos na dúvida, mesmo pensando que o outro escolheu por nós. As escolhas movem a nossa vida, nos fazem viver o que vivemos para ser quem somos. Se nossas escolhas forem ruins, seremos escravos delas (pelo menos por um tempo, até podermos escolher novamente). Se as escolhas forem boas ganhamos a alforria para aproveitar o doce deleite da vida.

 

Partir ou ficar

Pegar ou Largar

Sorrir ou lamentar

Verdade ou mentira

Direita ou esquerda

Medo ou destemor

 

Pensar sobre as escolhas da vida me fez viajar anos atrás, no fatídico dia em que minha Charlotte foi sequestrada e Katja morreu. Por meses tentei voltar naquele dia buscando memórias, não para saber o que aconteceu, para mim as duas mulheres da minha vida estavam mortas, mas para tentar lembrar os pequenos detalhes de como elas estavam, o vestido rendado de Charlotte, suas mãozinhas agarradas ao fio do balão que a pequena tanto insistiu para que eu comprasse, sua pequena e delicada boca me pedindo para ir no pula-pula juntamente com os olhos suplicantes, eu não queria deixá-la longe de mim, algo me dizia que eu não deveria, mas Katja a mandou para longe, disse que eu podia deixar a menina se divertir, a felicidade que ela ficou de ouvir aquele sim me deixou dividida, me entregou seu gigante balão para que eu o segurasse até a sua volta, isso nunca aconteceu. Essa foi a segunda pior escolha daquele dia, a primeira foi se render a insistência de Katja para ir até aquela apresentação, dizia que precisávamos sair e Charlotte amaria ver os fogos de artifício, a criança precisava ver as mães felizes e nisso eu tive que concordar com Katja, que tomou minha atenção o tempo inteiro, como se realmente quisesse me conquistar de volta.

O mundo parou de girar quando ouvi seus gritos, soltei o balão que rapidamente se perdeu no céu, Charlotte chamava por suas mães enquanto um homem a arrastava para longe de nós, em uma tentativa desesperada de pegar nossa criança de volta nos pusemos a correr e gritar, mas fomos impedidas por mais homens, embora o grupo fosse grande, eu não me importava, cada passo que eu dava em direção a Charlotte era uma ameaça que faziam a mim, Katja gritava para que levassem ela no lugar da nossa pequena, olhei ao redor e notei que as pessoas estavam fugindo, mães e pais correndo com suas crianças para longe, algumas pessoas se jogando no chão, tentava entender onde tudo tinha começado e o que estava acontecendo, Alguém precisava nos ajudar. Talvez aquela tenha sido última escolha errada daquela noite, continuei correndo e quando dei por mim Katja estava em minha frente, levando um tiro por mim, caindo por cima do meu corpo, perdendo sangue e morrendo. Eu pensava que não conseguiria sem ela, a abracei forte pedindo para que ela aguentasse firme, mas ela já estava morta. A pancada na minha cabeça não me matou, mas quando acordei várias horas depois e me informaram que Katja estava morta e estavam procurando o corpo de Charlotte no mar, eu quis desesperadamente estar morta.


 

Partir ou ficar

Morrer ou viver

Se render ou lutar

 

Antes de Cosima, pensar naquele maldito dia fazia a minha garganta se fechar, a culpa tomava conta de mim de todas as formas, buscar prazer em outros corpos era só uma das válvulas de escape para que eu sobrevivesse, mas depois de Cosima, pensar naquele dia me faz acreditar que resignação existe, que eu estou aqui por um motivo e que não foi atoa que Cosima entrou em minha vida. Eu precisava dela.

O vento gelado fazia as folhas das árvores balançarem rapidamente e eu batucava o volante do carro ainda indecisa, minha dúvida não era com quem eu queria estar e sim se eu deveria. Peguei o celular para conferir mais uma vez se eu estava no endereço correto, aproveitei e li a mensagem que Cosima me mandou no dia anterior. Olhe para o céu. Talvez agora fosse o momento ideal para respondê-la e assim descobrir se Cosima ainda estava acordada. Suspirei fundo me lembrando da ligação que recebi de Charlotte minutos depois da mensagem de Cosima, um singelo sorriso escapou dos meus lábios ao perceber que logo eu conseguiria juntar os dois amores da minha vida. Para isso eu precisava trazer Cosima de volta.

Ainda dentro do carro olhei para o outro lado da rua mais uma vez, a singela casinha onde possivelmente Cosima estaria ainda tinha luzes acesas e um pouco de movimentação, não estava tão tarde assim para uma visita. Desci do carro encostando nele logo em seguida, respirei fundo como se aquela tarefa de caminhar até aquela casa e tocar a campainha fosse difícil demais.  Eu sabia que não era essa a tarefa realmente difícil, eu precisava ver Cosima, mas eu ansiava por vê-la bem. Estava sendo egoísta sem me importar se a minha visita faria algum mal, mas essa era a minha escolha, eu precisava ver Cosima, algo me dizia que ela também precisava de mim. Talvez fosse meu próprio ego conversando comigo, me convencendo de que era ali que eu deveria estar. Se tem alguma coisa que aprendi com o dia em que Charlotte foi tirada de mim é que eu devo ouvir meus instintos.

Levei um susto ao perceber a porta da frente se abrindo e pessoas conversando alto, entrei novamente no carro para não ser vista, meu coração acelerado como se eu estivesse fazendo algo errado, fiquei observando atenta e logo percebi que as pessoas eram Sarah e Felix, Cosima não estava junto. Saíram falando alto e discutindo sobre onde iriam, entraram no carro que estava estacionado bem a frente do meu e partiram me deixando com as mãos trêmulas, na hora eu não soube o porquê, depois percebi que era ansiedade demais para vê-la e Sarah, por mais que  tivesse a personalidade muito diferente de Cosima, fisicamente era idêntica.

Desci do carro, dessa vez decidida, dei passos largos até a pequena cerca da casa, abri o portão e entrei, toquei a campainha esperando que fosse ela a abrir, mas não foi. A mulher que era quase da minha altura já estava vestida com roupa de dormir, seus longos cabelos negros estavam soltos e assim que ela me viu, seus lábios se curvaram em um sorriso curioso enquanto ela me analisou dos pés a cabeça, me fazendo engolir em seco. Era Siobhan. Definitivamente era alguém que eu precisava impressionar.

-    Olá - disse com um sorriso no rosto quebrando o silêncio.

-    Olá… Delphine.

Me surpreendi por ela saber quem eu era, não sabia se aquilo era algo bom ou ruim, ela me odiaria por eu ser prima de Adele? Ela acharia que talvez eu só estivesse brincando com Cosima?

-    Você deve ser Siobhan, muito prazer - estendi a mão para Siobhan e recebi seu aperto firme - eu preciso falar com Cosima, é urgente.

-    Urgente? É melhor voltar amanhã, Cosima já está dormindo, além do mais ela não estava se sentindo muito bem, não acho que essa visita será boa agora…

-    Mas…

-    Você pode voltar amanhã, eu aviso que você veio.

Antes que eu pudesse responder, para meu total constrangimento, a porta foi batida em minha cara, ouvi o barulho do trinco e pestanejei.

-    Maldita!

O resmungo saiu sem eu querer, logo me vi dando leves tapas em minha boca torcendo para que a mulher não tivesse ouvido, seu eu quisesse conquistá-la aquilo não seria um bom começo.

Respirei fundo pensando no que eu poderia fazer, definitivamente não voltaria para casa sem falar com Cosima, talvez fosse uma boa ideia procurar um hotel e aparecer pela manhã. Como ela estaria?

Siobhan disse que Cosima não estava muito bem e isso fez a minha preocupação piorar, eu sabia que tinha algo errado, descaradamente comecei a andar pelo quintal, procurando algum vestígio de ver Cosima pela casa, a escuridão estava a meu favor, embora seria muito vergonhoso ser pêga rondando a casa. Quando cheguei nos fundos ouvi o som de uma música e ao erguer meu olhar percebi a janela aberta, encostei na árvore próxima a mim e fechei os olhos tentando ouvir algo além da música, estava quase certa de que Cosima estava ali e eu parecia uma adolescente morrendo de ansiedade para vê-la.

Não demorou muito para que eu percebesse que não sabia o que estava fazendo ali, Cosima não apareceria na janela e me convidaria para entrar, derrotada decidi voltar para o carro e procurar um hotel. Era a coisa certa a fazer.

Quando passava do portão senti o celular em meu bolso vibrar e nem preciso descrever quão acelerado meu coração ficou ao ler a mensagem “Quero você, preciso desesperadamente de você”.

-    Oh, Cosima, eu preciso desesperadamente de você.

Disse em um murmuro, abrindo novamente o pequeno portão, com um cuidado imenso para não fazer barulho, andei rápido e logo cheguei naquela janela, decidida, tirei meus sapatos e comecei a escalar a árvore sem me preocupar muito com os perigos que aquela aventura poderia me trazer e surpresa por aquela tarefa ser muito mais fácil do que parecia, consegui chegar em um ponto onde poderia em um pulo alcançar a janela. Novamente tive que escolher.

Descer ou pular.

Eu poderia facilmente cair e aquilo sim seria vergonhoso.

Mas Cosima estava bem ali, tão perto, que só mais alguns metros eu poderia alcançá-la e abraçá-la. Decidi pular, consegui alguns ralados no braço com o atrito, mas com sucesso alcancei a janela, enquanto segurava firme com as duas mãos, tentava colocar uma das minhas pernas para dentro, assim que consegui ficou mais fácil e rapidamente entrei no quarto.

Um abajur iluminava o ambiente, a cama estava vazia, então comecei a vasculhar o quarto com o olhar, temendo ter errado de cômodo. Cosima estava próximo a porta, provavelmente assustada com a minha entrada no local, por um minuto me senti culpada, dei dois passos para a frente para que Cosima pudesse ver que era eu, assisti sua expressão mudar quando me reconheceu, o medo em seus olhos se transformou em alívio, ela estava em minha frente, mais magra do que quando a deixei em seu quarto sete dias antes, seus olhos estavam fundos indicando que ela não estava dormindo bem, mas senti um alívio ao notar que aqueles olhos me diziam que me queriam ali.

-    Delphine?

Um sussurro escapou de sua voz e eu caminhei em sua direção a tomando em meus braços, seu corpo estava trêmulo, quente e suado, seus braços envolveram a minha cintura e a apartaram.

-    Beth disse para eu seguir meus instintos, cá estou eu.

Houve uma pausa entre uma música e outra e pude ouvir com clareza seus soluços, Cosima chorava muito antes da minha chegada e eu agradecia em silêncio por ser seu conforto.

-    Tudo bem, Cos, estou aqui.

-    Delphine, me… me desculpe…

-    Shiuu - passei a mão em seus cabelos e dei um beijo em sua testa - você não precisa se desculpar, eu é que tenho que me desculpar por ter invadido o seu quarto.

-    Não, estou feliz, obrigada por estar aqui - Cosima falou com a cabeça afundada em meu pescoço e eu a abracei mais forte.

-    Por que chora? - Cosima negou com a cabeça, estava tentando controlar o choro - você sabe que pode chorar o quanto quiser, não sabe? - ela sorriu e confirmou com a cabeça.

-    Por que pulou a janela?

Cosima se afastou um pouco para olhar em meus olhos, eu a encarei e sorri, ela era linda e eu estava morrendo de saudades.

-    Conheci Siobhan - respondi e ela me mostrou aquele sorriso, que mesmo em meio às lágrimas era lindo, logo em seguida revirou os olhos.

-    Eu sei que você me pediu um tempo, me desculpe por estar aqui - falei baixo, bem perto de seu ouvido, enquanto ainda abraçada com Cosima balançava seu corpo de um lado para o outro como se aquilo pudesse deixá-la mais calma - mas… por favor, não me mande embora…

-    Não me deixe te mandar embora - ela tocou meu rosto e me beijou, quando seu lábios se afastaram dos meus, percebi o leve tremor em sua boca, Cosima queria chorar - eu tive uma lembrança ou um sonho, eu estava apavorada antes de você chegar e agora você está aqui, não sinto mais medo.

-    Você quer que eu fique? - Perguntei feliz por já saber a resposta.

-    Sim… - ela me respondeu suspirando - eu só preciso de você agora.

Que verbo lindo este o de escolher.

 


Notas Finais


Oi gente, sei que prometi hot para esse cap, mas achei que ele deveria parar aí, então renovo minha promessa para o próximo ahah.

Espero muito postá-lo logo, estou ficando sem tempo, inspiração e ânimo para escrever, mas prometo tentar voltar o mais rápido que puder. Logo também deixo um trecho do próximo cap aqui.

Obrigada por acompanharem até aqui <3
Vocês são demais!
Edit
Próximo cap:
- Bagagem?
- Sim… é disso que estamos falando Cos, de bagagens, todos nós carregamos bagagens e em um relacionamento é preciso que um aceite as bagagens do outro, eu não estou apenas namorando com você, meu amor, eu devo aceitá-la, devo aceitar sua família, seu passado, eu amo você e carregaria qualquer peso junto contigo, podemos juntas, com o tempo descartar as coisas que não prestam e deixar nossas bagagens mais leves - suspirou.
- Você é tão madura.
- Você é tão linda, por dentro e por fora.


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