História Apenas Fique Comigo (Romance Gay) - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ficção Adolescente, Homossexualidade, Romance Gay
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Palavras 5.743
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Hoy! Tudo bom?!

Demorei, né? Foi mal! Mas sabe, né? A escola!!

Capítulo 7 - 6. Apaixonado


Você me faz cantar ooohhh la, la, la,
Você faz uma garota dizer oh, oh
Estou apaixonada, amor.

— Echosmith, Bright.




— Pode me dizer o que aconteceu? — A enfermeira perguntou enquanto, com uma pinça, removia os cacos de vidro no peito de Matthew.

— Acidente na aula de química — Foi Tiberius quem respondeu. Quando o professor viu Matthew com a camisa manchada de sangue, e os braços escorrendo o mesmo liquido, sua reação foi ajudar Nicolas no mesmo instante a leva-lo à enfermaria. Matthew o gradecera bastante por isso.

A enfermeira apenas assentiu e continuou a remover os últimos cacos cravados no peito de Matthew, que serrava os punhos por causa da dor. Felizmente, foram poucos os cacos que perfuraram seus braços, e nenhum deles acertou sua veia. E ao ver seus braços e a camisa com sangue, se perguntava o que havia feito de errado para ter causado aquela "explosão" com a garrafa de vidro. Matthew não conseguia se lembrar de ter colocado na garrafa algo que pudesse causar aquilo. Estava seguindo as orientações perfeitamente bem. E sempre checava com bastante atenção quando Cameron lhe passava o material. Então o que havia causado aquilo? Era o que Matthew mais queria saber.

Matthew olhou para a mulher, e notou que ela parecia preocupada. Viu que ela usava roupas que todas as enfermeiras usavam; Uma camisa azul por cima de outra de mangas compridas brancas e calça comprida, também azul. Tinha olhos castanhos. Pele morena. Cabelos escuros trançados. Uma moça bastante atraente nos olhos de Matthew — E não apenas nos olhos dele, com nos de Tiberius também. O mesmo não parava de observa-la, como se estivesse vendo uma bela escultura.

— Esse foi o último — A enfermeira disse após retirar o ultimo caco que se encontrava acima do peito, abaixo da garganta. E após sentir sua pele livre dos pequenos cacos, sentiu-se mais aliviado. — Vou ter que cortar sua camisa — Prosseguiu ela. — Duvido que consiga levantar os braços — Matthew assentiu e a enfermeira se levantou e se afastou, indo até um dos armários no fim da sala.

— Talvez eu não devesse ter chacoalhado aquilo com muita força — Nicolas ficou mais calmo quando após ouvir Matthew falar pela primeira vez desde o acidente. Ele riu.

— É incrível que até sangrando você não perde a piada — Nicolas disse enquanto se sentava na cama ao lado de Matthew. — Dói? — Ele perguntou enquanto olhava para o antebraço de Matthew.

— Ainda não — Matthew respondeu enquanto observava a enfermeira voltar com uma bacia retangular transparente em suas mãos.

— Ela tem mãos de anjo, tenho certeza que não irá doer — Falou Tiberius, a observando, encanto.

Matthew e Nicolas trocaram olhares singelos, e em seguida deram de ombro, voltando sua atenção para a enfermeira que pousara a bacia retangular na mesa ao lado da cama e removera a tampa, tirando uma tesoura da mesma e virando-se de frente para Matthew. Matthew sentiu um arrepio correr por todo o seu corpo quando a ponta da tesoura tocou seu abdômen, estava gelada. Após cortar a frente da camisa, a enfermeira cortou as mangas, e em seguida removeu a camisa, a jogando na lata de lixo também ao lado da cama.

— Não prometo que não doerá — A enfermeira disse enquanto melava o pedaço de algodão em sua mão com soro fisiológico. — Vamos lavar esses cortes.

— Pode segurar a minha mão se quiser — Nicolas estendeu sua mão esquerda para Matthew enquanto sorria sarcasticamente.

E Nicolas se arrependera de tal ato, pois Matthew apertou a mão dele com bastante força após a enfermeira encostar o algodão no primeiro corte. Nicolas lutou para não soltar um urro de dor, e quando Matthew finalmente diminuiu o aperto, Nicolas puxou sua mão e disse enquanto massageava a mão esquerda com a direita:

— Cara, quem é você? O Hulk?

— Foi mal, é que isso ar... — Apertou a colcha da cama com bastante força após a enfermeira encostar o algodão em outro corte. — Arde...

— Deveria ter pensado melhor antes de brincar de explodir coisas — Nicolas retrucou, e Matthew lançou um olhar severo à ele, que apenas sorriu enquanto dava a sua atenção à Tiberius. — Obrigado pela ajuda — Disse Nicolas à ele.

— Sem problemas — Tiberius disse em um tom gentil. — Apenas tome mais cuidado nas aulas de química, Pequeno Matthew — Disse enquanto olhava para Matthew, que estava com uma enorme vontade de socar a cara da enfermeira. Onde estão as mãos de anjo? Se perguntou.

— Vou aderir — Matthew disse, sentindo-se mais aliviado após a enfermeira limpar todos os cortes em seu peito, que haviam parado de sangrar, porém, ainda ardiam.

— Agora só falta os braços — A enfermeira disse enquanto melava outro algodão com o soro fisiológico, e em seguida limpou o braço e antebraço de Matthew, que, para o seu alivio, doeu bem menos.

E quando aqui terminou, Matthew estava com vários curativos espalhados em seus braços e peito.

— Espero que tenha uma camisa reserva — A enfermeira disse enquanto tampava a bacia transparente e começava a caminhar em direção ao armário no fim da sala. Tiberius a seguiu.

Matthew iria dizer algo a respeito, mas Alexis e Marcelle apareceram na porta e dissera, juntas:

— Uau — Matthew não sabia dizer se o "uau" havia sido para os curativos, ou para o seu físico. — Preciso registrar esse momento — Marcelle prosseguiu, enquanto tirava o celular no bolso e tirava uma foto. Alexis fez o mesmo.

Nicolas olhou para Matthew, levantou as mãos em sinal de rendição e deu de ombros enquanto o lançava um olhar de "Eu já disse que ela não é a minha irmã?"

— Como está se sentindo? — Alexis perguntou enquanto se aproximava de Matthew.

— Um balão com vários remendos... — Matthew respondeu enquanto olhava para os curativos em seus braços.

— Eu quero voar com esse balão — Marcelle disse enquanto se sentava em uma daquelas cadeira de escritório que estavam pelos cantos da sala.

Alexis sorriu e fez um sinal de negação para a amiga, que sorriu acenou com uma das mãos.

— Preciso da minha mochila — Matthew disse após lembrar-se de seu moletom. Era o que tinha.

— Está aqui — Matthew perdeu o folego quando Thomas apareceu na entrada da sala com sua a sua mochila em mãos. Pode notar o as pupilas do loiro se dilatarem quando o viu. Sem camisa ou curativos? Perguntou-se. — Nossa... — Sem camisa! — Isso deve ter doido bastante — Curativos...

Um silencio se formou enquanto Thomas caminhava em direção a Matthew, le entregando a mochila, fazendo-o agradecer. E Nicolas, sentindo o vazio do silencio, disse:

— Não, Sophie tem mãos de anjo — Seu tom foi neutro, como sempre.

E Matthew percebeu que Nicolas usava esse tom sempre que estava perto de outras pessoas, menos quando estavam a sós. Isso pareceu uma honra para Matthew.

Thomas sorriu para o irmão, achando graça. E em seguida perguntou para Matthew:

— Está tudo bem? — Seu tom foi gentio, e Matthew sorriu.

— Nãos estou correndo risco de vida, então... É, eu estou bem — Respondeu enquanto puxava o zíper da mochila para abri-la.

Thomas riu, e em seguida andou até a irmã, pondo-se ao lado dela. Matthew alcançou seu moletom dentro da mochila e o puxou, vestindo-o logo em seguida. Com dificuldade, é claro. Seus braços doíam ao fazer quaisquer movimentos. E Matthew tinha certeza que levaria bastante tempo para voltar ao normal.

— Como continuou a aula depois que eu saí? — Matthew perguntou para descontrair.

— Bem... Maioria dos alunos ficaram com medo de suas garrafas explodirem — Alexis respondeu enquanto se sentava em uma mesa atrás dela.

— Sem contar que Srta. Rosales pareceu nem se importa com nada — Acrescentou Marcelle, enquanto girava divertidamente em sua cadeira.

— Isso não é verdade — Protestou Thomas, e todos o olharam surpresos. — Eu ouvi muito bem ela lamentar pela sua garrafa química.

Todos riram. E Matthew acabara por descobrir que rir não era uma boa nesse momento, seu peito doeu.

— Já que está tudo bem com Matthew — Começou Alexis. — Vamos falar sobre o trabalho de Biologia — Marcelle se aproximou com sua cadeira. — Vocês dois já marcaram onde irão fazer o trabalho? — Matthew quis jogar sua mochila em Alexis assim que percebeu que o interesse ao trabalho era apenas entre Ele e Thomas.

— Ah, não sei — Thomas olhou para Matthew e perguntou: — Na sua casa? — Perguntou em meio a seu sorriso de sempre.

— Ah... — Matthew olhou de canto para Nicolas, que parecia curtir o momento, e em seguida para Marcelle, que parecia saber exatamente bem o rumo que a conversa da amiga iria levar. — Pode ser — Foi o que conseguiu dizer após receber o olhar de Alexis que dizia: Negue, e eu acabarei com sua vida.

— Ótimo — Disse Alexis, parecendo satisfeita. — Agora...

— Matthew! — Alexis foi interrompida por Jamie, que adentrou rapidamente a sala e andou até Matthew. — Como você está? — Perguntou enquanto vasculhava qualquer coisa fora do normal no corpo de Matthew.

Claro, alguém da escola tinha que avisar seu pai sobre o ocorrido, e faze-lo sair de seu local de trabalho e vir às pressas para ter certeza de que estava tudo bem. Matthew odiava preocupar seu pai.

— Estou bem — Matthew disse. — Não precisa se preocupar — Levantou uma das mangas de seu moletom, mostrando ao pai os curativos.

— Está bem — Disse Jamie, parecendo relutante. Em seguida se virou para os outros que apenas observavam o momento pai e filho. — Olá garotada — Ele os cumprimentou.

— Olá — Todos disseram enquanto sorriam para Jamie.

— Mas alguém se machucou? — Jamie perguntou, recebendo nãos como resposta. — Ótimo — Sorriu. — Agora vamos — Disse a Matthew. — Já esta tarde.

— Que horar posso ir a sua casa? — Thomas perguntou a Matthew. — Para fazermos o trabalho?

— Vão fazer trabalho juntos? — Jamie perguntou a Thomas, que assentiu enquanto sorria. Jamie olhou de canto para Matthew enquanto sorria, e nesse mesmo momento, Matthew soube que seu pai atacaria. — Pode ir agora se quiser — Matthew quis saltar em seu pai e o estapear até a pele do mesmo descolar-se de sua face. — Seja nosso convidado — Nicolas lutou para segurar a vontade que estava de rir da cara de Matthew.

— Ah... Eu não quero incomodar — Disse Thomas timidamente.

Quer sim — Alexis murmurou com uma das mãos na boca.

— Não se preocupe — Jamie sorriu para Thomas. — Os filhos do meu amigo são todos bem-vindos na minha casa — Thomas sorriu e assentiu.

— Está bem então — Ele disse.

Matthew, naquele momento, só tinha certezas de três coisas: (1) Seu pai e Alexis trabalhavam juntos na empresa FVM – Ferre a Vida de Matthew. (2) Estava morrendo de fome. (3) Passaria a tarde fingindo fazer o trabalho e ficaria observando Thomas até ele perguntar: Está tudo bem?

◊◊◊

— Lexs, acabei — Marcelle disse enquanto virava-se de frente para Alexis, que parecia bastante focada em sua parte do trabalho.

— Só um minuto — Alexis disse enquanto batia seus dedos no teclado de seu notebook. — Pronto, acabei — Ela sorriu e girou em sua cadeira. — Esse foi o trabalho mais fácil de toda a minha vida.

— Você teve sorte de sortia esse tema — Marcelle disse enquanto se aconchegava em sua cadeira. Alexis sorriu maliciosamente para ela. Marcelle pareceu entender tudo. — Não me diga que...

— Dizer o que? — Perguntou Alexis. — Que Bruce colocou o papel sorteado no fim do pote? — Levantou-se de sua cadeira e se jogou em sua cama. — E que o papel era diferente dos outros? E que isso ajudou na identificação?

— Sua trapaceira! — Marcelle disse enquanto ria e se atirava ao lado da amiga na cama.

— Hey! — Protestou Alexis. — Ele que quis me ajudar — Sentou-se em sua cama.

— Esse lance de vocês dois — Começou Marcelle, também sentando-se na cama —, é sério?

Alexis olhou para a amiga e deixou um leve sorriso se formar em seus lábios.

— Hoje ele me disse que gosta bastante de mim — O sorriso se alargou.

— Você fica muito boba quando fala dele — Marcelle disse enquanto ria da cara da amiga, que atirou um travesseiro na mesma.

— Eu gosto dele — Alexis disse enquanto cruzava as pernas e agarra seus pés com as mãos. — Muito — Alexis olhou nos olhos de Marcelle, e disse: — Mas mudando de assunto. Como acha que que Thomas está?

— Bem... Ele está com Matthew, deve estar ótimo — Marcelle respondeu dando de ombros. — Ah... — Ela tirou o celular do bolso. — Tenho que ir — Disse já se levantando. — Vou sair com o Park essa noite.

— E ele vai te levar aonde? No parque?

— Pelo amor a nossa amizade, eu vou fingir que você nunca fez essa péssima piada — Marcelle disse enquanto recolhia sua mochila do chão e andava em direção a porta. — Até amanhã.

— Tchau! — Alexis disse, e em seguida Marcelle passou pela porta e a fechou.

Alexis levantou-se de sua cama e andou até a mesa onde seu notebook estava. Sentou-se na cadeira e começou a fazer melhorias em seu trabalho. Agradecera eternamente por Bruce ter feito o que fez. E Bruce pareceu adivinhar que Alexis estava a pensar nele, pois o mesmo mandou uma mensagem:

Olá. Topa sair essa noite?

Alexis logo se alegrou, e respondeu:

Claro! Para onde vai me levar?

Bruce respondeu de imediato:

É surpresa. Te pego as sete.

Alexis apenas negou com a cabeça enquanto sorria. Em seguida salvou o arquivo de seu trabalho e o fechou. Restando apenas a área de trabalho com uma foto sua e de Thomas. E ao ver o irmão, naquela foto, sorrindo como nunca. Sentiu que deveria mais do que nunca contar a verdade sobre Cameron para Thomas. Se sentia uma pessoa horrível por esconder isso do irmão. Cameron não merecia tê-lo. Mas sabia que fazendo isso, iria partir o coração de Thomas em mil. E ainda iria fazer com que ele nunca mais quisesse olhar em sua cara por esconder algo tão sério. Por isso, Alexis queria que Thomas se apaixonasse por Matthew, para que assim, seu coração não se partisse por causa de Cameron. Ele não merecia isso.

Alexis suspirou, e em seguida fechou o notebook.

◊◊◊

Já era quase cinco da tarde. Matthew e Thomas estavam sentados em frente ao balcão da cozinha com livros e o notebook de Matthew em cima. Havia uma música ambiente que os dois decidiram pôr para que o silencio não tomasse conta do local enquanto faziam o trabalho, que já estava quase na metade.

— Acho que fizemos muito por hoje — Disse Matthew, afastando o notebook. Agradecera bastante por Thomas o deixar digitar o trabalho, era a única coisa que o impedia de mover muito os seus braços.

— Quantas páginas tem o trabalho? — Perguntou Thomas, pousando o livro de biologia que estava lendo em cima do balcão.

— Até agora temos trinta pagi...

— Espera, tinta páginas? — Havia dúvida no tom de Thomas. — É sério? — Perguntou.

— Sim, é sério — Matthew disse enquanto se divertia com a cara surpresa e engraçada de Thomas.

— É melhor pararmos por hoje — Ele disse enquanto fechava o livro. — Nesse ritmo terminaremos hoje mesmo.

Ué. Não quer terminar o trabalho mais cedo e ter a semana toda livre? — Matthew perguntou enquanto se virava de frente para Thomas, que fez o mesmo.

— Não — Ele respondeu, e Matthew ficou curioso para saber o motivo. — Eu meio que não faço nada o dia todo. Então ficar aqui com você, e fazer o trabalho, é divertido para mim.

Matthew lutou para não deixar um sorriso escapar, mas foi impossível. Mas algo o deixou curioso, então perguntou:

— Mas, e Cameron? — Thomas pareceu confuso com a pergunta. — Digo, vocês não saem nesse tempo em que você fica "solitário" em casa?

Thomas soltou o ar, e molhou os lábios antes de dizer:

— Ultimamente, Cameron tem dado mais atenção ao seu treino de basquete — Seu tom foi tedioso. — Isso me leva a vê-lo apenas na escola.

Algo no tom de Thomas fez Matthew sentir vontade de ir até a casa de Cameron e o jogar da própria janela de seu quarto.

— Então, nesse momento, ele está treinado em vez de fazer o trabalho? — Matthew perguntou, parecendo curioso.

Thomas negou.

— Não — Ele disse. — Tenho certeza que neste momento ele está focado no trabalho.

~~~

— Kevin! Dá para acertar pelo menos uma cesta?! — Cameron perguntou parecendo irritado com o amigo, que apenas fez um sinal obsceno com a mão.

~~~

— É, ele deve estar fazendo seu trabalho — Thomas confirmou isso. E Matthew apenas fez concordar.

— Então você já vai? — Matthew perguntou. E estava pronto para pegar uma corda para amarrar Thomas caso ele disse que sim.

— Bom... Papai disse que me pegaria as sete — Olhou a hora em seu celular. — Então vou ter que espera-lo até as oito — Matthew riu, mas parou quando notou que Thomas estava falando sério.

— Isso quer dizer que seu pai trabalha bastante e vai se atrasar? — Disse Matthew, mas Thomas negou.

— Na verdade — Começou ele. — Eu e o Senhor Prefeito, nós não temos aquela relação de pai e filho — Suspirou. — Então ele atrasar uma hora a mais é o jeito que ele acha que vai me chatear.

O tom de Thomas doeu em Matthew.

— Não que eu nunca tenha tentado conversar com ele com um filho geralmente faz com seu pai — Prosseguiu Thomas. — Mas papai acha que eu não deveria ter sido adotado.

Matthew logo percebeu que deveria fazer uma lista de pessoas que deveria amarrar em sacos e jogar em lagos.

— Por isso estou no time de natação — Thomas acrescentou, e Matthew pareceu confuso. — Como papai era do time de natação quando jovem, eu decidi entrar para ver se ele sentia orgulho de mim.

"Morro se não consegui, pois isso é muito importante" se encaixa perfeitamente bem, Matthew repetiu as palavras à si mesmo que Alexis dissera quando estavam na arquibancada em volta da piscina.

— Você é uma pessoa incrível — Disse Matthew, meio que no automático. — Se seu pai não se orgulha de você, isso o faz dele um idiota — Um singelo sorriso se formou nos lábios de Thomas. — Eu me orgulharia...

— Obrigado — Thomas agradeceu, olhando nos olhos de Matthew. E Matthew fez o mesmo. E queria parar, mas não conseguia. Aqueles olhos azuis gelo eram tão intensos para ele. E sem falar na beleza de seu rosto. Queria tanto toca-lo. Mas como fazer isso sem que faça ele dizer: O que pensa que está fazendo? Mas Matthew não pode se controlar, e sem perceber, já estava com sua mão no rosto do loiro. E quando pensou em retira-la, Thomas pôs uma de suas mãos por cima da dele e a massageou.

O coração de Matthew pareceu parar por um estante, quando percebeu que Thomas estava se aproximando. E Matthew fechou os olhos enquanto também se aproximava. Mas — Como todo livro que eu, autor, escrevo — alguém tocou a campainha da casa, fazendo aquele quase beijo não acontecer.

— Eu atendo — Disse Matthew enquanto se levantava rapidamente de sua cadeira e andava da cozinha até a porta da sala de estar. E quando abriu a porta, sentiu vontade de arremessar Dot em frente a um carro, de preferência, em movimento.

— Cartinha para você — Ela disse com aquele tom tímido de sempre. Matthew precisava ter uma conversa com o carteiro.

Matthew pegou a carta da mão de Dot e viu que se tratava de outra carta do hospital. E isso o fez lembrar-se que não havia comentado nada a respeito disso com o pai. Agora estava ficando preocupado.

— O que aconteceu com seus braços? — Dot perguntou, fazendo Matthew voltar sua atenção a ela.

— Ah, acidente na aula de química — Matthew respondeu, olhando os próprios braços.

Dot assentiu.

— Até mais — Ela disse enquanto se afastava de Matthew. — Nos vemos por aí.

— Ok — Matthew disse e em seguida fechou a porta.

Andou até a cozinha e viu Thomas de costas mexendo em seu celular. Já podia sentir as batidas de seu coração acelerarem. E em seus pensamentos, apenas vagava a imagem de Thomas massageando sua mão.

Se aproximou mais de Thomas e toucou em seu ombro, dizendo:

— Quer dar uma volta?

Thomas olhou para ele e sorriu.

— Claro.

◊◊◊

Matthew e Thomas decidiram que seria uma boa ideia irem até o parque. E com as mãos enfiadas nos bolsos do moletom, Matthew caminhava ao lado de Thomas pelo chão gramado. Thomas vez ou outra ria das crianças que tropeçavam e caia de cara no chão. E quando uma dessas crianças, que estava carregando uma casquinha de sorvete nas mãos, tropeçou em uma pedra e caiu, lambuzando todo o rosto com o sorvete, Matthew e Thomas não fizeram questão de serem discretos e riram o mais alto possível enquanto a criança chorava por seu sorvete.

Após a crise de risos, Thomas perguntou a Matthew como era na sua antiga cidade. E Matthew detalhou sobre como era a antiga escol. Os lugares que mais gostava de ir. A sua amizade com Mindy, e como sentia falta dela. Mas o que mais divertiu Thomas, foi as aventuras de Matthew ao lado de Mindy na pizzaria.

Thomas riu bastante quando Matthew contou que ele e a amiga uma vez haviam ficado encarregados de cuidar da pizzaria, e que os dois haviam começado uma guerra de massa e trigo. O que levou a sala ficar imunda e com alguns (muitos) pratos quebrados.

— E qual foi a reação de seu chefe? — Thomas perguntou enquanto ria.

— No começo, ele ficou surpreso e irritado — Matthew respondeu, olhando nos olhos de Thomas, que brilhavam como nunca. — Mas depois ficou feliz em nos fazer ficar até mais tarde limpando toda a bagunça que havíamos feito.

— Você sente falta de ? — Thomas perguntou enquanto desabotoava sua flanela, de modo que ficou como uma capa por causa do vento que soprava contra o mesmo.

Matthew suspirou e respondeu:

— Em partes, sim.

— Porque "em partes"? — O tom de Thomas foi curioso.

E Matthew contou sobre sua Mãe e Robert. E o quão difícil era a vontade controlar-se para não cometer nenhum crime. E que ser expulso de casa pela própria mãe havia sido bastante chateador.

— Eu não sou a favor da violência, mas nesse caso, eu teria amarrado Robert em um saco de lixo e o jogado em lago com uma bigorna em cima — Disse Thomas, fazendo Matthew rir.

E com isso, Matthew ficou de frente para Thomas, o olhando nos olhos. E isso fez Matthew lembrar-se de quando estavam em sua casa. Quando automaticamente pôs sua mão no rosto macio de Thomas, que massageara sua mão e em seguida se aproximara. E Matthew quis avançar nele em um beijo. Mas não o fez. No lugar disso, disse:

— Já está ficando tarde, melhor voltarmos.

Thomas assentiu enquanto sorria.

— É, vamos.

◊◊◊

Agora, Matthew e Thomas, estavam sentados nos degraus da calçada de sua casa. Estavam conversando sobre o trabalho de biologia. Trocando ideias de como poderia ser a capa. Mas Matthew não prestava muito atenção no que Thomas falava. Estava mesmo é focado no belo rosto do garoto. Nos olhos azuis. No belo sorriso dele. No jeito bobo que ele tinha. Nas suas ideias atrapalhadas. No seu riso marcante.

— Matthew? — Matthew saiu de seus devaneios ao ouvir Thomas o chamar, e pelo que pareceu, aquela não foi a primeira vez.

— Ah! Sim — Matthew recuperou a postura e o olhou nos olhos. — O que disse?

— Perguntei se vai conseguir fazer o teste para o time amanhã — Thomas respondeu enquanto nos olhos de Matthew, e o mesmo notou que ele parecia hipnotizado.

— Não — O tom de Matthew foi fraco e baixo. — Não consigo movimentar meus braços e meu peito dói.

Thomas pareceu ficar chateado por ele.

— É uma pena — Ele disse. — Eu iria adorar vê-lo jogar.

Matthew sorriu para ele.

— Porque não foi hoje nos ver hoje na quadra? — Perguntou a ele, o que levou a também querer saber: — E por que que você estava tão "não Thomas" hoje, na escola?

— O que seria "não Thomas"? — Thomas perguntou, parecia entretido.

— Ah — Matthew pensou em um jeito de explicar. — É que você passa a maior parte do seu tempo sorrindo, sempre animado. E parece estar empolgado o tempo todo — Thomas riu. — E te ver quieto, calado e sem parecer empolgado, me faz pensar que você não está bem.

Thomas sorriu, e Matthew notou que as bochechas do loiro haviam ficado vermelho.

— É que eu estava pensando em uma coisa que eu vi ontem à noite — O tom de Thomas foi neutro. Ele observava as estrelas enquanto dizia: — Quer dizer, eu não sei se o que vi foi o que eu vi — Um nó se formou no cérebro de Matthew.

— E o que você viu? — Matthew perguntou, ainda confuso. — Ou que você achou que viu? — Matthew suspeitava ser um ET.

Thomas suspirou, e respondeu:

— Vi papai conversando com uma mulher — Matthew arqueou as sobrancelhas, parecendo confuso. — Eles estavam a sós em seu carro — Matthew mordeu os lábios enquanto seu semblante se tornava surpreso. — E quando ele me viu, ele praticamente abriu a porta do passageiro e empurrou a mulher para o lado de fora, que saiu correndo com se tivesse um palhaço a perseguindo.

Palhaço? — Foi a primeira coisa que veio na cabeça de Matthew.

— É, eles me assustam — Thomas disse, e Matthew deu de ombros. — Mas voltando ao meu pai — Prosseguiu. — Quando a mulher fugiu, ele demorou bastante para sair do carro. E quando saiu, eu entrei em casa. E desde então ele vem agindo estranho comigo.

Matthew ficou confuso.

— Estranho, como?

— Imagine alguém correndo sozinho em uma maratona e ao mesmo tempo alguém invade a pista com um carro e começa a te perseguir mais não te atropela.

Nada podia descrever o que estava se passando na cabeça de Matthew.

— Espera, isso não faz sentido... — Disse Thomas enquanto olhava nos olhos de Matthew, que apenas concordou sem saber o que dizer. — Mas o que você acha que isso possa ser? — Perguntou.

— De repente eles estavam apenas conversando — Começou Matthew, tentando não se enrolar em suas palavras. — E alguém ligou para essa tal mulher e disse "seu filho está pegando fogo" e ela correu como se estivesse fugindo de um palhaço.

— Sério? — Thomas pareceu acreditar.

— Não — Matthew riu da cara de Thomas, que como resposta, socou o ombro de Matthew. — Desculpa — Disse enquanto se recuperava e sentia uma imensa dor em seu peito. — Não deveria estar fazendo brincadeiras com isso.

— Então isso quer dizer que...

Matthew assentiu com a cabeça.

— Bem, não sei dizer — Ele disse. — Talvez devesse conversar com... esquece.

Thomas assentiu.

— Talvez eu devesse deixar isso de lado —Ele disse, olhando para os próprios pés calçados. — Ou não — Matthew pode sentir o quão confuso Thomas estava, e isso fez com que ele levantasse seu braço, dolorosamente, e pousasse sua mão no ombro dele.

— Não acho que deva se preocupar com isso — Disse ao loiro, que olhou em seus olhos. — Ou converse com Alexis. Ela parece sempre saber a coisa certa a se fazer.

Thomas sorriu.

— É uma boa ideia — Ele disse.

Matthew sorriu e em seguida tirou a mão do ombro de Thomas, o que o fez soltar um gemido de dor.

— Dói muito? — Thomas perguntou, e Matthew assentiu. — Posso ver? — Perguntou, e mais uma vez Matthew assentiu, e abriu o zíper do moletom, tirando-o logo em seguida com um pouco de dificuldade, restando apenas a camisa preta que usava por baixo. — Nossa — Thomas tocou a pele de Matthew, o que o fez se arrepiar. — São muitos cortes — Seus dedos rastejaram pelo braço de Matthew, que estava amando o momento. Matthew assentiu. — E você é tão forte — Thomas parecia hipnotizado, e Matthew apenas conseguiu enxergar os lábios de Thomas, que pareciam o chamar. E ele se aproximou, mas Kira resolveu sair de dentro da casa, pela sua pequena porta, e saltar em de Matthew, que urrou de dor quando a raposa pôs as patas em seu peito.

— Vai com calma! Vai com calma! — Ele disse enquanto tentava faze-la parar de pressionar seu peito. — Isso, quietinha — Passou as mãos nos pelos das costas da de Kira, que deitou em seu colo enquanto respirava ofegante com a língua para fora.

Matthew olhou para Thomas e não soube dizer se ele estava assustado ou chocado.

— É... É uma raposa? — Thomas perguntou, e piscava os olhos duas vezes a cada dois segundos.

— Ah! Sim — Matthew sorriu para Thomas. — Essa é a Kira — A raposa se levantou e avançou em Thomas, lambendo-o o rosto e fazendo o loiro rir enquanto acariciava-a. — Ela gostou de você — Disse a Thomas.

— Por que não disse que tinha uma raposa? — Thomas perguntou enquanto confortava Kira em seu colo.

— Ah, você não perguntou — Matthew respondeu, fazendo Thomas revirar os olhos enquanto sorria. — Papai achou ela em lixeira — Aquilo partiu o coração de Thomas, percebeu Matthew. — Ela não estava machucada, mas estava desnutrida — Matthew se aproximou de Thomas, pondo uma de suas mãos nos pelos avermelhados e macios da raposa.

— Ela é tão linda — Thomas disse, e a raposa pareceu gostar do elogio, pois a mesma regougou baixinho, fazendo os dois rirem.

— Também tenho um gato — Matthew disse, o os olhos de Thomas brilharam ao ouvir isso. — Se chama Bane.

— Eu amo gatos! — Thomas disse, seu tom empolgado.

— Bane passa a maior parte do dia no sótão — Matthew disse a Thomas. — Ele apareceu aqui em casa no mesmo dia em que cheguei. Eu dormi, e quando acordei, quer dizer, ele me acordou. Eu quase tive um ataque cardíaco. — Thomas riu. — Sem contar que ele só vive com um olhar psicopata.

Thomas estava preste a dizer algo, quando um carro parou em frente à casa de Matthew e buzinou.

— É seu pai? — Matthew perguntou quando viu um homem usando roupas sociais sair de dentro do carro.

— É — Respondeu Thomas, seu tom neutro. — E ele está vindo para cá.

Thomas e Matthew aguardaram calados o prefeito se aproximas. Estava com as mãos nos bolsos da calça, preta. Viu olhos negros como carvão. Seus cabelos eram negros. Sua pele era branca. Seu semblante era sério.

— Boa noite garotos — O pai de Thomas disse, seu tom foi gentio e sério.

— Boa noite Sr. Prefeito — Matthew o comprimento.

— Me chame apenas Adam — Disse enquanto sorria. Matthew assentiu.

Thomas pôs Kira ao seu lado e se levantou, dizendo:

— Vou pegar minha mochila – E andou até a porta. Kira a seguiu.

— Você é Matthew? Não é mesmo? — Matthew assentiu enquanto mostrava um pequeno sorriso. — Seu pai me falou de você. É um prazer conhecê-lo — Estendeu a mão.

— O mesmo — Matthew disse, seu tom gentio.

— Seu pai está? — Adam perguntou.

Matthew negou.

— Ainda está na delegacia — Ele respondeu.

— Vejo que seu braço está bastante machucado — Reparou Adam. — Como se machucou? — Ele perguntou.

Matthew olhou para os braços e respondeu:

— Acidente na aula de química — Adam assentiu.

Thomas abriu a porta e saiu. Olhou para o pai, e disse:

— Vamos?

Adam assentiu em um fraco sorriso, no qual fez Matthew se sentir desconfortável por Thomas.

— Diga a seu pai que mandei um abraço — Adam disse a Matthew, que assentiu.

— Irei dizer — Ele disse.

— Até amanhã, Matthew — Thomas disse após descer os degraus da calçada. — Ainda quero conhecer Bane — Sorriu.

Matthew devolveu o sorriso.

— Prometo apresenta-lo amanhã — Ele disse.

Thomas assentiu e em seguida caminhou ao lado de Adam até o carro. E no caminho, Matthew pode ouvir Adam perguntar:

— Quem é Bane? E aquilo era uma raposa?

O que Thomas respondeu, Matthew não conseguiu ouvir. Os observou entrar no carro e em seguida partirem. Com certeza, essa havia sido a conversa mais desconfortante que Matthew já havia tido com alguém. Adam parecia o tipo de cara que tem bastantes segredos, isso Matthew tinha certeza.

O Som da pequena porta se abrindo ecoou duas vezes no ouvido de Matthew, e quando olhou para trás, viu Bane se aproximando com seu famoso semblante sério.

— Agora que resolve aparecer? — Matthew disse ao gato, que pôs uma das patas em um dos curativos no braço direito dele, acariciando o local. — É, eu me machuquei na aula de química — Bane miou. — Thomas? — O gato o olhou, e seus olhos amarelados diziam: Eu não disse nada disso, seu retardado. — Eu quase o beijei... — O gato miou novamente. E Matthew olhou para o céu estrelado. — E ele quase me beijou... — O gato miou mais uma vez, mas dessa vez, pereceu entediado. — E eu estou tão apaixonado.


Notas Finais


PS: Faça parte da empresa: SVM – Salve a Vida de Matthew, e vamos acabar com a FVM.

PSS: Alexis e suas piadas... A praça é nossa tá precisando de novos "comediantes".

PSSS: Thomas já quer um pedaço da Mattconda... (Quem não quer?)

PSSSS: Matthew acha que é algum doutor Doolittle...

PSSSSS: Bane deve ser o ser mais normal que vive na casa de Matthew.


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