História Apenas um sonho - Capítulo 63


Escrita por: ~

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Categorias Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)
Personagens Alice Kingsley, Chapeleiro Maluco, Coelho Branco, Dormidonga (Mallymkun), Gato de Cheshire (Gato Risonho), Lebre de Março, Rainha Branca, Tweedle-Dee, Tweedle-Dum, Valete de Copas
Tags Alice, Amor, Drama, Época, Mistério, Morte, País Das Maravilhas, Romance, Wonderland
Exibições 49
Palavras 5.486
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


...

Capítulo 63 - Por que um sonho não é uma realidade.


Abri a porta de minha prisão particular, ou como o Coelho Branco insistia em afirmar: ''Meus aposentos reais.''  

Tarrant vinha um pouco atrás, distraía-se com as linhas de costura que se misturaram com o seu terno sem que percebesse. Lhe dei um sorriso fraco um pouco antes de entrar e o meu sorriso foi o bastante para mantê-lo paralisado por um Tempo. - Venha. - Sussurrei calmamente para o Chapeleiro que obedeceu após sair do seu transe de pensamentos. 

Assim que entrou, não escondera sua surpresa ao deparar-se com o Rei. Cumprimentei o meu marido que só tirou os olhos da carta que escrevia quando ouviu o sotaque escocês do Ruivo, também o exaltando.  

Eles se olharam em silêncio, no entanto, senti que haviam muita coisa para dizer. - Fique ai. - Pedi ao Chapeleiro da Corte enquanto pegava um vestido e me dirigia ao banheiro.  

Tranquei a porta e por um longo tempo, mantive-me recostada na madeira para ouvir se trocariam qualquer atrito.  

Nada.  

Sorri levemente. Parece que o meu marido melhorava a cada dia.  

Me troquei com agilidade, me acostumava com os vestidos apesar de detestar tê-los que vesti-los; Saí do banheiro um pouco corada, devo admitir.  

Os dois homens me admiravam, cada um do seu modo.  

Meu marido me olhava de cima a baixo, mordia os seus lábios como se me desejasse por inteira ali, enquanto Tarrant escondia o seu sorriso e desviava o seu olhar para não ter o mesmo desejo que Stayne.  

Afinal, ele sempre se esforçava para ser o mais profissional possível.  

Levantei a barra do vestido para me aproximar do Chapeleiro. - Mal consigo respirar. - Comentei sem muito fôlego.  

Stayne cruzou seus braços, agora a carta que escrevia não tinha tanta importância.  

Tarrant retirava sua fita métrica, sempre em seu bolso, e a envolveu por minha cintura após se agachar. - Hum... - Fiquei em silêncio com a careta que fez. Seus dedos manchados procuravam a medida certa. - T-tenho certeza que engordou. - Disse ao levantar o seu rosto. 

-É mesmo? - Questionei desconfiada. - Não me lembro de ter comido tanto... - Tarrant se levantou, ele me ouvia com paciência. - Talvez só estejam apertados.  

Ele pegava cuidadosamente a minha mão e me conduzia até o espelho que me permitia ver todo o meu corpo. Pelo reflexo, direcionei rapidamente o meu olhar a Stayne que ainda nos assistia. - Veja, Rainha... - O Chapeleiro tentava demonstrar que estava certo, suas mãos passavam ao redor de minha cintura. - Me disse que mal conseguia respirar. - Me reparava. - Sempre fiz seus vestidos do mesmo tamanho, aliás... - Hesitou. - Seus seios também aumentaram. 

-Não quero que engorde, Alice. - Avisava Stayne, com rispidez.  

Eu não poderia estar mais constrangida. Lhe dei um sorriso enquanto o Chapeleiro se afastava. - E você! - Stayne não pouparia insultos ao súdito. - Pare de reparar no corpo dela e faça o seu trabalho!  

Abaixei a cabeça com a estupidez do Rei. - Ora Soberano, reparar faz parte de meu trabalho! - Retrucava o Ruivo, deixando-o sem argumentos.  

-Pois... P-pois repare só nos vestidos no qual não teve competência para costurar!  

Fechei os olhos. - Por favor, parem. - Respirei fundo e o silêncio imutável nos permitiu ouvir o típico som... 

De um tecido sendo rasgado.  

Tarrant rapidamente procurou de onde vinha e não demorou para encontrar: Em minha cintura, quase perto da barriga. - Uh... - Fazia uma nova careta, não estava tão lúcido. - Alice... - Minhas bochechas queimavam de vergonha. - Você rasgou o vestido? - Agachou admirado, observava o rasgo que atravessou as duas camadas reforçadas da costura. - São os tecidos mais nobres de Marmoreal... - Comentava, permanecendo surpreso.  

-D-desculpe.  

Ele sorriu para mim após se levantar. - Está mesmo gordinha! - Tocava a ponta de meu nariz, rindo em seguida. - Não se preocupe, vou consertar. - Apressadamente, voltou-se ao rasgo que fiz e infiltrou seus dedos por dentro do vestido.  

Começou a rasgar para facilitar a descostura. No entanto, me olhou confuso quando me viu afastar-me.  

Não achei que poderia ficar mais constrangida. - Estou sem espartilho. - Os dois se entreolharam com a minha revelação enquanto eu segurava o vestido em meu corpo que já não tinha mais firmeza em minha pele. 

Stayne levantou suas sobrancelhas e suspirou cansado. - Vou até a cozinha e voltarei daqui a pouco. - Anunciava, lançando um olhar ameaçador ao Chapeleiro. - Faça apenas o seu trabalho. E Alice... - Me olhava. - Coloque um espartilho.  

Assenti cabisbaixa.  

Ficamos em silêncio até que a porta se fechou. - Os outros também estão apertados. - Murmurei para quebrar o gelo.  

Tarrant retirou sua cartola, assentindo. - Sim, traga-me os três.  

-M-mas... - Hesitei. O homem me olhou. - Eles estão apertados... - Suspirei, temendo descosturar outra parte da vestimenta. - Estão apertados em outros lugares...  

-Uhn, h-hu... - Prendia sua risada, ou mesmo o sorriso. - Prefere vesti-los ou me dizer onde te apertam? - Seu profissionalismo não poupavam a certa malicia no questionamento. 

Ainda abraçava o meu vestido. - Eu não sei. - Mexi os ombros. - Me diga você.  

Tarrant balançava sua cabeça. - Das duas formas eu teria que ver ou adivinhar. - Dessa vez sorriu.  

Com certeza o vinho que tomou lhe dava mais atrevimento. - Pois faça o seu trabalho, Chapeleiro. 

Entrei para o banheiro e troquei de roupa, avistando um espartilho pendurado próximo a porta. Estava semi-nua quando me observei no espelho. Alisei sutilmente a minha barriga, tinha certeza que não havia engordado. 

Ou só não conseguia enxergar.  

Peguei o espartilho e como uma boa esposa, deveria obedecer e respeitar meu marido, mesmo que esse respeito me rendesse a dor de ter minhas costelas pressionadas.  

Encontrei os novos vestidos que o Chapeleiro me fez.  

Peguei um deles, encarando o quanto salientava o meu traseiro que certamente também havia crescido. Sorri levemente e não pude resistir em aproximar o meu olho do buraco da maçaneta. Hightopp me aguardava sentado sobre o colchão quando percebi que isso não era o certo a fazer. 

Apesar de particularmente, gostar do seu olhar de admiração para mim quando eu experimentava os seus vestidos.  

Eu devia respeito ao Rei.  

Saí do banheiro com um roupão bem largo amarrado ao meu corpo, carregava os três vestidos quando Tarrant se levantou ao me ver. - Este foi o que rasgou. - Lhe entreguei o primeiro vestido que experimentei. Ele observava o rasgo (tão admirado quanto antes) quando retomei. - Decidi que não vou colocar os outros. - Tarrant me olhou, assentindo. - Você entende... Ilosovic é muito ciumento.  

-E-eu entendo. - Sorriu melancolicamente. 

Afastei os seus cabelos do pescoço e me aproximei do seu ouvido. Sussurrava, lhe contando exatamente em que lugares me apertavam os vestidos que fez.  

Eu achei que esta seria a melhor solução, mas notei que o deixei muito mais nervoso do que deixaria se simplesmente os experimentasse. 

 - E-e-eu... - Engasgava, dividindo seu olhar para o vestido e meu corpo. Com certeza não estava acostumado a imaginar. - d-diria q-que nessa-s circustânc-ias... V-você ficaria m-muito b-bem usa-ndo ele! 

Desviamos nossos olhares e por sorte, Stayne não tardou a voltar. - Que bom que terminou de experimentar os vestidos! - Exclamava quando os viu na mão do Chapeleiro. - Minha querida, eu lhe trouxe um chá... - Dizia, segurando uma xícara.  

-Obrigada, Stayne. - Murmurei. - Mas... Esse cheiro é terrível! - Ele me fez segurar a xícara quente, seu olho saltava. 

-Experimente. - Dizia, aguardando minha degustação com ansiedade.  

Observei a bebida, era espumante. O cheiro forte de ervas era o que mais me enjoava. - D-desculpe... - Tentei devolver. - Eu não quero.  

Tarrant sempre fora muito adepto aos chás. - Fique. - Entreguei ao Chapeleiro que antes de levar aos lábios também estranhou a bebida. 

-Isso não é chá. - Afirmou com convicção. - É a poção que Enid preparou. 

O Rei pegava a xícara impaciente de suas mãos. - Beba isso logo, Alice! - Entregava-me novamente. 

Cerrei os meus olhos. - Me diga para que serve. 

Stayne arfou, Tarrant nos assistia sem ter muita reação. - Só estou sendo um bom marido e lhe oferecendo uma xícara de chá! 

-Está me obrigando a beber e exijo que me explique!  

-A-Alice... - O Chapeleiro me chamava, meio nervoso. - E-eu vou para o meu quarto.  

Cruzei os braços, aguardava a resposta de meu marido e nem pude lhe dar atenção. - Tudo bem... Eu disse que quero um herdeiro, e você me dará. - Dizia Ilosovic. – Sendo assim, beba. 

Olhei para os dois homens presentes ali e pude ver nas esmeraldas reluzentes a tristeza que Tarrant sentia. Afinal, eu lhe contei tudo: Contei que Stayne teve a maldade de tirar a vida de nosso filho e agora... Exigia um.  

A raiva me subiu a cabeça, resultando um descontrole emocional por minha parte. - POIS NÃO BEBEREI COISA ALGUMA!  

Nos olhávamos furiosos. – Minha esposa... – Balançava a cabeça sutilmente. – Você não está no direito de escolher. – Apertava o meu pulso, guiando minha mão a porcelana que queimava meus dedos.  

Joguei a xicara no chão, queimando parte de seu braço e molhando o piso.  

Mais uma vez, a violência e crueldade do meu esposo me surpreendia. Ele não mediu suas forças ao estapear o meu rosto. Perdi o equilíbrio, segurando-me no móvel de madeira. Estava tonta e desacreditada do que acabara de acontecer quando Tarrant me protegeu de uma nova punição ao usar seu corpo como “escudo”.  

“Você está descontrolado!” – Pude ouvir seu sotaque.  

Levei minha mão ao rosto quando ouvi a resposta de Stayne. “Seu maldito, saia daqui!” – Apesar da ordem, Tarrant passou a me segurar quando notou o meu estado físico. 

Sentia-me tonta, desnorteada. 

-Tire as mãos dela! – Stayne ganhou forças para afastá-lo de mim.  

Ele puxou meus pulsos, abri os meus olhos devagar quando uma outra testemunha surgiu.  

Era uma criada desavisada que abriu a porta, espantando-se com a marca vermelha em meu rosto. – Perdoe-me. – Pedia. – Está tudo bem?  

-Chame os soldados! O Rei a agrediu! – Tarrant exclamou e Stayne recebeu um olhar de negação da criada.  

Ele me soltava. Voltei a me apoiar na escrivaninha. Meu rosto latejava. – Ele está mentindo, Celina. Alice só está indisposta. – Stayne sorriu, virando-se para mim. – Não é verdade, minha esposa? 

Estava mais preocupada com minha saúde do que em manter a aparência de um casamento perfeito.  

Assenti, fracamente. – Está vendo! Esse louco precisa de tratamento!  

-Por favor...-Murmurei para a criada, ainda entre a porta. – Chame uma enfermeira...  

-Agora mesmo, Majestade. – Pude ouvi-la dizer.  

Stayne apenas aguardava a saída de Celina.  

Meu coração disparava e meu estômago borbulhava como aquela bebida enjoativa.  

– Pensa que uma enfermeira vai livrá-la de um bom tapa?!  

-Não vê que ela está passando mal?!  - Tarrant insistia em se aproximar.  

Stayne voltou a si, ou ao menos fingiu ao ver meus lábios trêmulos e a palidez de meu rosto.  

-Tudo isso podia ser evitado se me obedecesse! – Alisou sua nuca. - V-vou... Bom... Eu vou dar uma volta para me acalmar. - Afirmava o Rei, sem admitir que estava errado de forma alguma. 

Não o respondi.  

Ele se foi, e admito que já me sentia melhor só por sua ausência.  

Abri os meus olhos quando reconheci seu corpo ligando-se ao meu, encontrava abrigo no abraço de Tarrant. - Venha... - Apertava a minha cintura quando me ergueu, levando-me até o colchão.  

Sorri de leve, mas o meu sorriso não lhe tirava a sua preocupação. - O que está sentindo?  

- F-foi só um mal estar passageiro... - Ele segurava minhas mãos geladas. - Fiquei nervosa quando ele me agrediu, só isso. 

Hightopp negou. - Estava fraca, pálida... - Tocou-me, me causando arrepios no pescoço. - U-uma outra agressão e desmaiaria... Stayne era um ex combatente do exército de Copas... Ele tem uma força descomunal.  

Tentava distrair-me com uma lembrança real que tive certa vez. – Eu sei disso... Uma vez sonhei que ele me batia e você ficava furioso. – Pausei. – No sonho, você chegou a ir em Salazem com um facão para matá-lo. – Ri levemente.  

Mas Tarrant se manteve calado, acho que dessa vez tinha facilidade em imaginar o meu sonho.  

Virou-se para mim. – Eu deveria ter feito algo, Alice... – Murmurava, seus olhos guardavam o pranto que logo soltaria. – Todas as vezes... Me senti impotente. 

Ele tocou o meu rosto, minha pele ainda ardia com o tapa mas seus dedos eram sensíveis. Seus lábios tocaram minha bochecha queimada, eu aceitava o seu carinho em silêncio quando nos afastamos ao sermos interrompidos.  

-Rainha. - Curvou-se a enfermeira. Ela se aproximou para segurar o meu pulso. - Só de vê-la já posso afirmar que sua pressão caiu consideravelmente.  

Tarrant se levantava para nos deixar quando Nivens McTwisp apareceu.  

[...] 

''Você quer parar de se mexer?!'' - Resmungava meu marido, do outro lado do colchão.  

Me sentei, segurando as cobertas. Meu estômago revirava e o coração continuava acelerado, como antes. - Eu ainda estou nervosa. - O respondi. - Sinceramente, não merecia aquela agressão.  

Ele deu de ombros, sem se  importar.  

Passava a noite em claro. Não precisei tomar a poção para me enjoar com o cheiro.  

Alisei a minha barriga, era como se algo estivesse dentro de mim. Ansioso para sair.  

Me levantei as pressas com esse pensamento, segurei os meus cabelos rapidamente ao me abaixar no vaso enquanto o meu organismo expulsava tudo o que comi. 

[...] 

-Não consegui pregar os olhos. - Reclamava com o doutor que escutava as batidas irregulares do meu coração.  

Era amanhecer, estávamos em meu quarto. - Foi a pior noite, doutor. - O Coelho assentia calado quando retirou seu estetoscópio e o fez descansar sobre os ombros.  

Sua expressão era um misto de seriedade e preocupação. Torci os meus lábios, imaginando que o meu sistema nervoso estava abalado com o aborrecimento. - O que mais está sentindo?  

-Fora o enjoo... E-estou com tontura, minha cabeça dá voltas e mais vol-- 

-Está grávida, Majestade.  

Calei-me, sem poder descrever o que senti ao escutar aquelas palavras.  

Minhas sobrancelhas nunca ficaram tão juntas;  

Não estava triste, nem tampouco sentia-me satisfeita com a notícia. Ter um filho do Stayne era algo indiferente para mim. - ... 

-Você me ouviu, Soberana?  

Eu o olhei. Séria. - Ouvi. E... Não quero que conte nada ao meu marido.  

-Seu desejo é uma ordem. - Afirmava o Coelho. - Mas creio que não esconderá por muito tempo. Afinal, em poucas semanas fará dois meses.  

-Dois meses?! - Me espantava. - Nos casamos... há poucos dias.  

-Soberana... - O Coelho balançou sua cabeça. - Eu entendo que tenham consumado seu casamento antes da cerimônia.  

Forcei um sorriso. - É claro. Agora mesmo que eu insisto que ele não saiba. - Afundei meu pescoço no travesseiro.   

-Você está na fase mais chata da gestação, talvez... Se enjoará com tudo a partir de agora... Q-quero que beba muita água e sucos naturais, tente não se estressar também. 

Me ajeitei. - Acha que o que houve ontem pode ter afetado meu bebê?  

O Coelho estranhou a minha preocupação tão repentina.  

Afinal, antes eu estava tão indiferente com o ser que carregava. - É possível. - Respondeu após pensar. - Faça as pazes com o Rei. Eu não sei se sabe, mas os bebês são capazes de ouvir a voz dos pais. Por esse motivo deve estar tão agitado.  

Toquei em meu ventre, um tanto abobalhada. - Ele escuta?  - Sorri.  

[...] 

Hesitei um pouco. Mas pensar que não tive sinais de Stayne durante toda a manhã me trouxe mais confiança para me aproximar de seu quarto. Tarrant trabalhava em novos chapéus quando sentiu a minha presença e virou-se em direção a porta. - Rainha? - Estava surpreso. - O que faz aqui?  - Largou o que segurava para se aproximar.  

-Oi, Tarrant. - Sorri.  

Ele retribuiu. - Oi. - Me olhava. - Vejo que está melhor.  

-Tomei uns calmantes... - Sussurrei, observando os chapéus que criava. - São lindos.  

Hightopp adorava ser elogiado. - O-Obrigado! E-eu precisava me distrair com alguma coisa, aliás... Eu iria mesmo alargar seus vestidos! 

-Não se apresse. - Pedi. - Não vim aqui por isso. - Respondi com calma. - Na verdade, queria escutar a sua voz.  

O Chapeleiro ficou sem palavras. - E-e-eu t-tamb-bém... - Enrolava a língua, como eu gostava dessa mania. - T-também q-queri-a ouvir s-sua voz. S-sempre q-quero. - Riu um pouco.  

Nos olhávamos. - S-soube que o médico foi ao seu quarto hoje. O que ele te disse?  

-O-oh... - Me atrapalhei. Os seus olhos tão insanos não me permitiam mentir. No entanto, evitei encará-los. - Disse que... Era só um mal estar... R-resultado da briga que tivemos ontem... E-eu preciso me acostumar afinal. - Dei de ombros. 

-N-não se acostume, Alice. - Tarrant pegou minha mão. - Ele está tirando sua liberdade. -Alisou meus cabelos, me trazendo para mais perto sem que eu percebesse. - M-mas você não está sozinha.  

Senti uma pequena  pontada interior. - O-obrigada. - Me afastei, admito que assustada com o rebuliço de nosso bebê. - E-eu tenho que ir agora. - Tremia. 

E é claro que Hightopp notou. - Sempre tem algo a me esconder. - Seu tom era de mágoa.  

-... 

-S-sabe o que eu queria fazer agora, Majestade?  

Engoli em seco. - N-não... - Sorri.  

Ele mexia em seus chapéus, todos espalhados sobre a mesa de costura. - F-f-fugir com você! E ir para bem longe desse castelo! - Me olhou, mais calmo. - Assim, ao invés de me esconder as coisas... - Dizia. - Nós dois nos esconderíamos do Mundo!  

Ele pensara que era a melhor ideia.  

Ele era louco.  

-Eu sou a Rainha, Tarrant. - Ele abaixou sua cabeça. -  E eu me casei, e-eu não posso simplesmente... Ir embora com você.  

-V-ocê é muitaz. - Retrucou. - Você pode fazer o que quiser.  

Apenas sorri. 

[...] 

-Eu ainda não sei o que ela faz aqui! - Resmungava com o meu marido, era um pouco mais de nove horas da noite. - Ela já não fez o trabalho dela?!  A-aquela... Poção... Chá... Horrível! - Revirei meus olhos. - Só de pensar já fico enjoada.  

Stayne trocava sua vestimenta. - Deixe a Bruxa... Ela não tem família! - Me olhou. - Por que se sente tão incomodada? 

Cruzei os braços. - Ela é uma meretriz. 

O Rei escondia seu sorriso malicioso. - Não podemos nos esquecer desse detalhe... - Sussurrava.  

Ignorei o seu comentário, às vezes tinha a certeza que ele me dizia certas coisas apenas para provocar. - Não seria capaz de me trair, não é mesmo?  

-Lhe faço a mesma pergunta, minha esposa. 

-Eu não me deitei com ninguém depois que nos casamos. - Pausei. - Sendo sincera, até pensei mas não o fiz. 

-E eu jamais pensei em lhe trair! - Retirava sua coroa, guardando-a cuidadosamente. 

-Verdade?  

-C-claro... Claro! E nunca, jamais pensaria! - Assegurou ele. 

A firmeza de suas palavras me convenceram. Sorri. 

E pela primeira vez, quem sabe, senti uma certa vontade de me deitar com ele.  

A seda de minha roupa foi deslizando devagar. Seu olho mantinha-se hipnotizado na mulher a sua frente até que minhas vestimentas aterrissaram em meus pés. Ele ainda me olhava, inspecionava  de cima  a baixo quando soltei os meus cabelos, libertando os cachos que batiam abaixo dos seios. - O que está fazendo? - Ele indagou ríspido. - Pensa que faremos alguma coisa?  

Me calei. - Você está terrível, Alice. - Ele se levantava, ainda me examinando. - Está gorda, quase perdendo as curvas.  

-Está exagerando. - Avisei. - Engordei na barriga, e pouco.  

-Não sinto desejo por você assim.  

-M-m-mas... - Puxei a seda de meus pés rapidamente, pensando em um bom argumento para retrucar. - Se prometeu me amar... 

-Por favor! - Bravejava. - Convença-me de uma forma menos ridícula. 

Suspirei, eu não suplicaria para deitar-me com alguém que eu não amava.  

Recoloquei a minha roupa e me infiltrei por baixo das cobertas, meu marido pegava a maior parte do colchão (como sempre fazia) quando lembrei que ao menos Stayne me deu sua palavra que nunca se deitaria com ninguém.  

Nunca. 

Jamais. 

Isso me dava um certo consolo, devo admitir. 

Faltavam só alguns passos para que ele finalmente me amasse.  

[...] 

-Bom dia, meu amor. - Eu o acordei com um beijo no rosto. Stayne abria o seu olho quando se deparou com uma bandeja com o seu café. - Trouxe para você.  

Sorrimos. - Está prestando para alguma coisa, Alice. 

Respirei fundo e engoli o seu insulto. - Obrigada, Stayne. - Sentei-me ao seu lado no colchão, fazia lhe o favor de passar geleia em seu pão quando um leve refluxo me surgiu.  

Mas pude disfarçar. - Aqui. - Eu lhe entreguei a torrada com geleia lilás.  

Talvez na hora seu coração duro percebeu o agrado que eu fazia.  

E de certa forma, tentou retribuir.  

Ele aproximava a torrada com a geleia aos meus lábios, me afastei sutilmente mas meu marido não percebeu. - É para você. - Respondi fracamente enquanto podia sentir o suco de morango retornar.  

-Experimente. - Pediu sorrindo.  

Forcei o sorriso. - Está sendo gentil. - Afastei sua mão. - M-mas eu não quero. 

-Você é mesmo complicada. - Resmungou. - Imagino que não queira por que colocou algo na geleia!  

Me indignei. - Nem me passou pela cabeça! - Começávamos a distribuir gritos.  

-Uma vingança pela agressão, não é mesmo?! - Levantava, jogando o café que lhe preparei no chão. – Pois esqueça! Não sou tolo como você! 

O cheiro forte de café, misturado com a geleia me levou direto para o banheiro.  

Limpei os meus lábios, olhava de canto para meu esposo enquanto retomava o fôlego; Pensei que ao menos, ele viria me acudir mas tudo o que fez foi anunciar que tomaria café com os Súditos naquela manhã. 

[...] 

O Jardim de Marmoreal era raramente frequentado por mim. Diferente de Mirana, eu não tinha o costume de observar a dança das árvores quando ventava, ou até mesmo conversar com as flores. No entanto, eu desejava distrair-me mais do que nunca.  

Alisava as pétalas das Rosas Brancas. As mesmas foram se abrindo e exalando um cheiro que, por sorte, me era agradável. Apoiei minhas mãos no joelho ao observar a flor mais cheia e metida entre todas. Olhei para os lados, só para ter certeza que eu estava sozinha. E aproximei meu ventre das pétalas macias. Era a vez das rosas me acarinharem.  

Fechei os olhos. Parece que o vento me ajudava a receber as sensações mais deliciosas que poderia ter. - Você parece gostar. - Murmurei alisando o meu ventre. 

Foi quando certas risadas chamaram a minha atenção.  

Vinham ao longe, do conjunto de mesas no jardim.  

Fui até lá, sendo atraída pelas risadas malucas.  

Era o Chapeleiro e Mallynkum: E eu não me juntei a eles pois há tempos a Ratinha não tinha a companhia de seu melhor amigo. Ambos pareciam se divertir juntos. Tarrant escondia seu rosto com as mãos e quando as afastava, expressava caretas exóticas que fazia Dormidonga rolar.  

Dentro de mim, o pequeno ser quase não desenvolvido se mexia como se quisesse correr até eles. Acho que no fundo, eu quem era a fonte daquela vontade. Era como se meu bebê reproduzisse meus sentimentos.  

As risadas não paravam, e me fizeram rir também. - Você vai amar o seu pai... - Sussurrava gentilmente. 

Por um momento tive a visão dos dois, juntos. Eu sorria para o nada ao imaginar o quanto Tarrant seria amoroso.  

Observei o portão do Castelo: Estava aberto, e me chamava para que eu deixasse a prisão que me foi destinada e admirasse meu País das Maravilhas.  

Foi o que fiz.  

Caminhei até o portão, ninguém notava a saída da Rainha e isso era um alívio para mim.  

A grama era tão macia que me fez desejar tirar os calçados dos pés. No entanto, prossegui, alimentando a curiosidade que crescia para que eu explorasse tudo de novo.  

As árvores coloridas, os animais excêntricos que voavam ao céu. E as flores no chão que me cumprimentavam educadamente. Tinha certeza que a curiosidade seria uma das características que o meu filho herdaria. 

Seria esperto, louco, falante e curioso.  

E é claro, teria o melhor tratamento do Mundo.  

“ Seria da realeza. “ – Meus pensamentos foram interrompidos de repente quando um vulto escurecido passou pelas matas do bosque.  

Assustada, procurei pela sombra temendo ser algum invasor que me seguia. No entanto, nada encontrei. Cheguei a imaginar que fosse o danado do Cheshire quando minhas suspeitas quase se cumpriram ao ouvir uma voz.  

“Tenho a sensação de ser observada.” – Dizia a voz feminina e um tanto sensual.  

Segui seu timbre baixo, e fiquei mais estupefata quando encontrei algumas peças de roupas espalhadas pela grama.  

Segui como se fossem pistas ao paradeiro da mulher e não tardei a encontrá-la. 

Parece que sua intenção era banhar-se no lago de águas doces de Wonderland.  

Estava de costas, me dificultando a visão do seu rosto.  

Seu corpo ostentava uma cor morena clara, seus cabelos eram negros e escorridos.  

Me escondi no tronco mais grosso que encontrei e percebi mais um novo detalhe.  

Ela não estava sozinha.  

“Venha logo, sua Bruxa abusada. Ou terei que pegá-la a força. “ – Ouve-se uma sádica risada após aquela voz rancorosa que de longe, eu reconheceria.  

“Até que não seria uma má ideia. “ – Ela jogava os seus cabelos longos e alisava o corpo esbelto, como um de seus feitiços. 

Stayne a puxou para um beijo avassalador e cheio de luxúria. Ela retribuía com vontade, como se o seu corpo dependesse totalmente disso.  

Presenciei meu marido reerguê-la e levá-la ao lago.  

“ A tanto tempo não tenho você, Enid. “ – Ele tomou posse do rosto da Meretriz.  

Ela cerrou os olhos. - “Me prometeu joias e ouro por isso.”  

“Não me lembre desse detalhe.” – Ordenou enquanto alisavam um ao outro.  

[...] 

-Tudo bem, Majestade? – Perguntava o Coelho Branco, sempre intrometido.  

Assenti enquanto comia minhas folhas.  

Era noite, e eu era a última a jantar. – Por que não quis partilhar do banquete com o Rei?  

-...- Observava o meu prato, quase vazio.  

Stayne mentiu.  

E ingenuamente, acreditei. 

Ele disse que jamais me trairia e... Por fim, traiu.  

Ele disse que me faria feliz e toda a noite discutimos.  

Ele disse que me entregaria sua lágrima.  

Disse que era a resposta certa.  

Era tudo mentira. 

Acordei de meu transe com uma nova pergunta de Nivens, mas nem pude prestar a atenção.  

Eu tinha uma solução perfeita para o destino que, mais uma vez, não pude traçar corretamente. – McTwisp? – Levantei-me. – Eu ficarei com as chaves do castelo esta noite. E quero que vá para o seu quarto imediatamente, lhe asseguro que estou bem.  

Ele me olhou desconfiado mas não tinha muito o que contestar.  

Me entregou o molho de chaves, não imaginei que era tão pesado.  

E se foi.  

Usei uma das chaves para abrir a sala de poções.  

Encontrei o frasco que me livraria de todo o meu sofrimento.  

Bati na porta do segundo andar, aguardei um pouco até ser atendida, no entanto, meus olhos carregavam as lágrimas que eu jamais derramaria. A porta foi se abrindo devagar, como se escondesse um segredo. 

E lá estava ele: O louco, acordando de seus sonhos tão raros no qual ousei em interromper.  

Não permiti que exclamasse o meu nome, ou que até mesmo dissesse qualquer outra palavra. Eu agarrei a sua nuca, permanecendo nas pontas dos pés sem me importar o quanto era incômodo para mim. Deitei a minha cabeça em seu ombro quando senti suas mãos me envolvendo, nossos corpos se juntavam como imãs quando ele passou a beijar os meus cabelos, com certeza imaginando com esse abraço tão forte e sentimental que ficaríamos juntos e passaríamos a noite a cometer loucuras.  

Mas essa nunca fora minha intenção. 

Me afastei, mesmo sentindo que não era o que ele queria.  

Lembrei-me de nossa última despedida. Quando Hightopp citou suas palavras de adeus, na língua nativa de Wonderland. - Boas Lonjuras, Tarrant.  

Seu sorriso se desfez de imediato e mais uma vez, o impedi de sua reação. - Eu não posso mais... Ficar em seu Mundo.  

Nossos olhos emundados de lágrimas pediam o contrário. - Stayne... Me enganou. Ele não é a resposta certa também.  

O Chapeleiro pegou a minha mão, fechando a porta do seu quarto e parando no corredor. - Não vou suportar que me deixe de novo. É sempre uma tortura...  

-V-você vai ter que suportar pois... Eu não pertenço ao seu Mundo e eu falhei com todos vocês.  

-Por favor, Alice. - Tocava em meu rosto. - Passamos tanto tempo separados. É como se eu morresse e renascesse, t-te esperando.  

-... - Limpei as lágrimas de suas bochechas.  

E percebi então que não poderia decepcioná-lo por não cumprir a minha missão e ainda, ir embora, deixando-o na esperança de que eu voltaria um dia. 

Afinal, ele era tão louco e teimoso que estenderia aquela despedida desgastante.  

Apertei a poção entre meus dedos e decidi. - Fugiremos juntos. - Eu o puxei. - E iremos até os confins de Wonderland.  

[...] 

Ele segurava a minha mão para que eu subisse em um dos Cavalos Reais.  

Eu o abracei assim que ele montou. Deitei a minha cabeça em suas costas e fechei os meus olhos quando ouvi a primeira chicotada.  

A poção mantinha-se muito bem presa em minhas mãos quando imaginei que deveria deixá-la em um lugar mais seguro. Afinal, não queria correr o risco de quebrá-la com algum incidente.  

Ajeitei o meu corpo entre o seu, me aproximando um pouco mais. Disfarçadamente, coloquei minhas mãos no bolso de seu terno azulado, como se o abraçasse e joguei ali a poção muito bem fechada. 

Eu temia o amanhecer, pois logo todos os soldados do Mundo Subterrâneo estariam a minha procura.  

Tarrant corria com o cavalo e eu já não reconhecia o lugar que estávamos. Havia muitas árvores e com certeza era a região mais fria do Pais das Maravilhas. Sorte do Chapeleiro, que usava uma roupa de tecidos quentes.  

Tudo parecia estar saindo de acordo com os meus planos. Ao menos, uma primeira vez, eu faria certo.  

Por fim, avistei a primeira caverna. Mas Hightopp não pararia seu cavalo se eu não pedisse. - Viajamos muito. - Avisei, ele puxou o chicote e parou. -Vamos ficar nessa caverna.  

Ele desceu de seu cavalo e me segurou, erguendo-me pela cintura e exibindo certa expressão de esforço com os meus poucos quilos a mais.  

Esperei até que amarasse o cavalo no tronco mais próximo.  

-Estamos bem longe de Marmoreal! - Tarrant me agarrava loucamente após entrarmos na caverna úmida. Retribui o seu abraço, na certeza que seria um dos últimos.  

Sentei-me em suas coxas, ele alisava os meus braços. - Estou com frio. - Murmurei, sorrindo levemente.  

Não tardou para que o Chapeleiro retirasse seu terno. Passando-o por meus ombros. - Obrigada. - Sussurrei com nossos rostos próximos.  

-O que mais posso fazer para você, Alice?  

Alisei os seus cabelos. Hesitava em pedir, mas era necessário. - Talvez precisaríamos de uma fogueira para espantar os mosquitos. 

-Buscarei as lenhas! - Exclamou sorrindo.  

Sorri também, enquanto tinha o desprazer de me soltar de seu corpo quente e aconchegante. - Espere. - Segurei o seu braço quando o vi levantar animadamente. 

Estava tão feliz por que finalmente ficaríamos juntos. - Você vai embora sem me dar um beijo?  

-Oh, querida... Eu volto logo.  

Segurei sua nuca. - Me dê um beijo. Um único beijo.  

Seus polegares pousaram em meu rosto e nossos lábios se tocaram sutilmente. Era um beijo doce que infelizmente, não demorou tanto quanto eu gostaria. - Está mesmo com frio. - Ele afirmou ao tocar em minha pele. - Eu já volto, sim? 

Assenti sorrindo. - Tome cuidado.  

Encostei minha cabeça nas rochas que formavam a parede do lugar. Eu o assistia se afastar, até o perder entre as árvores altas e a mata silenciosa. 

Ele também era ingênuo por acreditar em mim. Mas essa fora a única forma que encontrei para que nossa despedida não fosse tão deprimente.  

Em seu terno quente, mais precisamente... No bolso. Eu encontrei o que eu realmente necessitava.  

A mesma poção que a Rainha Mirana me entregou para que eu voltasse pra casa, eu reconheceria aquele tom de cor em qualquer lugar. Abri a tampinha do frasco, por sorte não havia cheiro algum. - Me perdoe... - Sussurrei com lágrimas. - Espero de verdade que um dia possa me esquecer, Tarrant.  

Levei aos lábios ao mesmo tempo em que tentei refletir quem teria a resposta certa.  

~*~ 

O canto dos pássaros me despertava. A cama macia de tecido suave me fazia indagar onde eu estava, afinal.  

-Alice? - A voz feminina me fez abrir os olhos devagar. Ajeitava-me no colchão quando minha visão deixou de ser turva. - Você acordou! - Margareth sorria euforicamente.


Notas Finais


FIM!
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''Tá de brincadeira, né?''
CLARO QUE ESTOU!
Espero que esse final me renda comentários! Vejo vocês no próximo capítulo!

E ai, tudo foi um sonho?


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