História Apenas um sonho - Capítulo 64


Escrita por: ~

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Categorias Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)
Personagens Alice Kingsley, Chapeleiro Maluco, Coelho Branco, Dormidonga (Mallymkun), Gato de Cheshire (Gato Risonho), Lebre de Março, Rainha Branca, Tweedle-Dee, Tweedle-Dum, Valete de Copas
Tags Alice, Amor, Drama, Época, Mistério, Morte, País Das Maravilhas, Romance, Wonderland
Exibições 46
Palavras 4.786
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Sobre as notas finais do capítulo anterior: Não levem a sério, era apenas uma brincadeira!

Capítulo 64 - Pois tudo o que quero é te esquecer


Fanfic / Fanfiction Apenas um sonho - Capítulo 64 - Pois tudo o que quero é te esquecer

Meu coração acelerou. Eu não era capaz de dizer palavra alguma. 

Apenas sentia... 

Sentia meus sonhos sumindo e virando apenas lembranças que seriam apagadas um dia. 

-Lembra de mim? - Indagou Margareth, acarinhando o meu braço e sussurrando lentamente. Me sentia como aquela Alice, de sete anos. - Sou eu, sua irmã mais velha. Margareth Kingsley. 

Assenti, assimilando tudo em minha volta. - É normal que se sinta assim... Em choque. - Ouvia-se a voz de minha irmã. Meus olhos teimavam em procurar alguma pista, qualquer que seja... 

Que me desse a certeza que o Pais das Maravilhas era real.  

-Por que não se levanta? - Margareth era tão incomoda quando estava preocupada comigo. 

No entanto, aceitei a sua ajuda e pus meus pés descalços no chão. Tudo em minha volta estava intacto, exatamente como eu deixei. - Vamos tomar um café... - Guiava-me pelo corredor estreito, no qual as cores claras me trouxeram certa saudade de Marmoreal.  

Embora minha casa fosse muito menor do que o Grande Castelo de Mirana. 

Meu coração continuava agitado, e ele era como um despertador para o pequeno ser que eu carregava. Sorri fracamente ao sentir um leve rebuliço em meu ventre.  

Wonderland era mesmo um mistério.  

Mas o maior mistério que envolvia esse mágico lugar era a certeza de ser real.  

Parei na cozinha junto com Margareth. O jogo de porcelana que ganhei em meu casamento permanecia no mesmo lugar que deixei. - Sente-se. - Ela arrastava uma cadeira e assim o fiz.  

Eu tinha tantas perguntas, porém, esperava com paciência para que minha mente as organizasse.  

Reparava o modo como Margareth ajeitava a mesa. Seus dedos estavam trêmulos e o seu sorriso não sumia de forma alguma dos lábios.  

Passei a desconfiar... Afinal, não compreendia toda a sua euforia com o meu despertar. - Onde está Hamish?  

Ela me olhou de imediato com o som da minha voz. - Ele está viajando a trabalho, mas deve estar voltar logo. - Suspirou. - Não posso acreditar que você está aqui, minha irmã. - Me entregava o chá com torradas... 

''Torradas com gergelim que foram mergulhadas na manteiga quente...'' 

-Não, obrigada. - Recusei a comida enquanto pegava o chá. Margareth estranhou já que as torradas com gergelim eram minhas favoritas. - Estou grávida e enjoo com tudo.  

Ela derrubara o bule com tamanho a susto. Sorri. - É... Eu sei... - Observei a xícara em minhas mãos. - Pode parecer estranho mas... 

-Alice... Você adormeceu por onze meses. - Me cortou.  

Me levantei, ambas muito assustadas. - O-onz-e? M-m-mese-s?  

-Após sua noite de núpcias, Hamish a encontrou caída em um buraco... - Explicava. - Uma toca de coelhos, minha irmã. - Pausou. - Tivemos sorte, ele só a encontrou por que parte de sua roupa prendeu na raiz da árvore. - Sentou-se. - Chamamos um médico que te examinou. Se tratava de um traumatismo craniano. Ele disse que você ficaria em um sono profundo e que poderia durar alguns dias... M-mas... - Balançou a cabeça. - Mesmo com o tratamento, você não acordava, Alice. Seu sono era tão profundo, era como se não lhe permitisse que voltasse... - Suspiramos. - Enfim, é impossível que esteja grávida após tanto tempo. D-deve estar um pouco confusa, eu compreendo. 

-Margareth, acredite em mim. - Pedi. - Eu sei que não faz sentido... Mas durante este tempo, e-eu não estava aqui e também não estava sonhando. Tudo o que vivi foi real. - Me aproximei da loira que ainda demonstrava sua incredulidade quando sussurrei. - Eu vi o papai... 

-Alice, não seja louca! - Repreendia-me. - Sente-se, deve estar faminta. 

Obedeci com a expressão fechada como uma mocinha de sete anos. - E-eu estava em Wonderland. - Era minha resposta final, que rendia-me um olhar de certa credulidade de minha irmã. Eu a conhecia, apesar dos onze meses fora... - Sabe de alguma coisa. - Acusei. - Sabe sobre Wonderland! 

-Sei que você e papai falavam muito desse lugar... - Mastigava seu cereal. 

-E onde está a mamãe? 

Me olhou. - Chegará a tarde. - Permanecia desconfiada. - Alice, você está bem? Admito que... Não esperava que acordasse... Para todos você... - Suspirou. - Você não voltaria. 

-Eu apenas voltei por que não tive muiteza para cumprir com a minha missão.  

-Muiteza? – Estranhou. - E-eu vou chamar o médico. 

Se levantava quando segurei o seu pulso. - Por favor, Margareth. Não quero passar a manhã sendo examinada... Ou... sendo considerada louca. E-eu estou bem. – Decidi que não mencionaria mais sobre Wonderland. Margareth jamais entenderia.  

De repente, um silêncio tão incomodo se fez presente e se juntou para o café da manhã.  

O cheiro de chá me abria o apetite... Assim como o seu pai, meu bebê gostava e aceitava qualquer bebida quente e saborosa. 

-Tenho uma pergunta para fazer. – Minha irmã quebrara o silêncio, assenti. – Tudo o que disse sobre... O Mundo dos seus Sonhos... isso... – Me olhava, de novo aquele olhar de preocupação. – Não tem a ver com a morte do papai, não é? Digo... faz tantos anos, Alice... você superou. 

Sorri. – Meu pai sempre estará vivo dentro de mim.  

Pela primeira vez, Margareth conseguia compreender minhas palavras.  

Admito que o silêncio insistente me fazia lembrar da bagunça do Castelo de Marmoreal. Um silêncio como este era raro em meu palácio, sempre rodeado de soldados e súditos.  

- Margareth. – Chamei-a. – Acabo de me recordar... das histórias que me contava, lembra? 

Ela pensou um pouco. – É claro que sim! Você nunca gostou! – rimos em sintonia. – Comprei muitos livros para você expandir a imaginação perdida depois que ele se foi.  

-Eu... – Hesitei, temendo não conseguir o que eu gostaria. – Queria revê-los. 

[...] 

-Aqui! – Exclamou a irmã mais velha ao finalmente encontrar a caixa de papelão, muito bem lacrada.  

Estávamos no sótão, no entanto, o cheiro de mofo e a poeira acumulada não me faria desistir.  

-Obrigada. – Sorri para Margareth enquanto abria a caixa com certo esforço.  

Encaramos juntas as pilhas de livro um tanto empoeirado. Admito que gostava do cheiro da papelada envelhecendo. – Poderia me deixar só?  

Margareth assentiu. – Qualquer coisa, é só me chamar.  

Ela subia as escadas quase apodrecidas quando peguei o primeiro livro. Precisei passar os dedos entre a capa dura para ler seu titulo.  

Era uma das histórias mais repetidas... Sobre o Castelo de Vidro.  

Admito que era entediante.  

O deixei de lado ao pegar um livro ainda mais grosso. Cerrei meus olhos para enxergar melhor: Não era um livro de contos, de história ou até mesmo de poesias.  

Se tratava do diário de Margareth.  

Eu me lembrava das vezes que ela o escondia quando eu chegava em seu quarto.  

Era como o seu segredo. E sempre o escrevia quando estava aborrecida, ou indignada.  

Eu até o deixaria de lado como fiz com o outro... 

Se não fosse a minha curiosidade cochichando ao pé do meu ouvido para que eu desse a esse diário...Uma atenção especial. 

Pensei em ler a primeira página. Mas como eu conhecia a minha Margareth, não haveria nada de interessante nas primeiras linhas.  

Fui folheando talvez rapidamente até que parei em uma das paginas mais amareladas na qual caberia um certo esforço para mim ler as letras falhadas com tinteiro.  

“Em uma tarde de sexta feira, aos meus dezenove anos... desfrutava de uma aula de violino com meu professor, Sir Edward Lear. 

Ele chegava quase aos trinta e era o meu professor particular desde os meus cinco anos.  

Eu admito que sabia tudo sobre violino, mas para ele, eu me mostrava uma de suas piores alunas apenas para que nossas aulas nunca chegassem ao fim.  

Eu o amava profundamente e decidi que lhe contaria tudo naquela sexta.  

Alice recuperava seu bom senso...  

Estava com onze anos.  

E caçava lagartas em nosso jardim, junto com duas amigas igualmente levadas.  

As três me davam nos nervos. Minha irmã fazia questão de berrar eufórica toda a vez que encontrava uma lagarta maior do que a anterior.  

Pela quinta vez, debrucei-me na janela da sala e gritei para que brincassem do outro lado do jardim.  

Ela me olhava com deboche, e nunca obedecia.  

-“É bom saber que sua irmã se recupera da perda do pai.” – Sua voz madura me fez suspirar em pensamentos. 

Essa era a melhor parte de nossa aula, quando Edward desistia de conversar sobre violinos.  

-“Verdade.” – Me virei para admirá-lo. – “Mas eu espero que minha mãe encontre logo um noivo arranjado para Alice, exatamente como fez comigo. Logo fará doze anos... “ 

-“Me perdoe, Margareth. Mas eu não concordo com casamentos armados. “  

Aproximei-me de sua pele cor de bronze. – “Para Alice que não se importa com essas coisas, seria indiferente. “ – O belo homem voltava a ajeitar as cordas finas de seu instrumento favorito quando retomei. – “Mas preciso concordar, Edward. É terrível para mim, me comprometer-me com um homem que não amo.”  

Consegui chamar a sua atenção.  

Sorri para ele, esperando ser retribuída.  

-“Margareth...”- Ouvi o seu suspiro, pesado.  

Meu coração disparou, era como eu imaginava: Ele me tomaria em seus braços.  

-“Você deve estar muito confusa... “- Abri os olhos com suas palavras.  

Lear nem mesmo olhava para mim.  

Ele ajeitava seu violino cuidadosamente para guardá-lo. –“Eu sou seu professor. E sei que aprenderá a amar seu noivo. “ 

Naquele momento, só desejava estar morta.  

Ele se foi quando aleguei não estar muito bem. Aquela sexta que em meus planos, seria maravilhosa se transformava em mais um dia tedioso, confinada em meu quarto desejando que o futuro que me espera nunca chegasse.  

Tudo o que tenho agora são essas folhas vazias, que torciam para que a vida de alguém mais interessante fossem escritas nelas.  

O silêncio de minha casa se estendia por um longo tempo, o que me fazia refletir onde minha danada irmã havia se metido.  

Minha mãe, eu sei que desfrutava da reunião do livro com suas amigas, na sala de visitas.  

Decidi deixar a companhia de meu diário para pegar um copo de água fresca.  

Passava pelos corredores de casa quando observei que o motivo do silêncio era justamente Alice: Ela dormia em seu quarto.  

Molhava minha garganta quando ouvi o som de palmas vindo do portão.  

Certamente era mais uma das amigas de minha mãe, por sua vez muito atrasada.  

Era o que eu imaginava quando atravessei o belo jardim para atender.  

Nosso portão era branco, aberto e feito por grades finas que me facilitavam a visão.  

Não se tratava de mulher alguma.  

Era um jovem despenteado.  

Abri meu portão. Havia um pequeno espaço entre seus dentes ao sorrir.  

“O que deseja?” – Me lembro de ter perguntado.  

Ele retirou a cartola para me cumprimentar, enquanto isso, me perguntei de onde havia visto aquele chapéu.  

“Me chamo Tarrant. “ – Parecia um tanto ansioso. – “Não sou de Londres e... Procuro por Alice!”  

Eu sei que já havia o visto em algum lugar.  

O examinei da cabeça aos pés, suas roupas coloridas e sem formalidade me fez comentar. “Por acaso é algum tipo de palhaço ou até mesmo bobo da corte?”- Precisava rir naquele dia infeliz.  

Ele se mostrou um pouco ofendido, mas para ele... Só um detalhe importava. – “É aqui que mora a Alice?” 

“Sim, ela é minha irmã. “ – Revirei os olhos. – “Quantos anos tens?”  

O rapaz um tanto estranho riu. “Tenho dezenove! E procuro sua irmã!”  

“Ora... disso eu sei, repetiu tantas vezes. Não me interesso por você. “ - Cruzei os braços. – “ Que tipo de relacionamento vocês tem?”  

Ele parou de sorrir e voltou ao seu nervosismo. Puxava sua gravata colorida. “R-relacionamento? Bom...Ela... vai em minha ... c-casa... as vezes!” – Exclamava.  

Finalmente lhe dei espaço para que entrasse.  

“Por favor... há umas mesas no jardim, sente-se. “ – Gesticulei.  

-“Obrigado! “ – Apertou a cartola em seus dedos. – “ Você tem chá?”  

Cerrei os olhos. Me perguntando se todos os homens que usavam saias eram tão abusados. “Eu vou preparar. “ - Sorri.  

Ele era a chance de tornar o meu dia mais divertido.  

Esperei que se sentasse a mesa perto do chafariz. Ele parecia animado e completamente ansioso para ver minha irmã mais nova.  

Ao longe eu o observei. Ajeitava sua gravata colorida e recolocava seu chapéu, afofando seus caracóis acobreados que caiam até o ombro.  

Ele tinha uma beleza exótica que pouco me encantava. 

Mas para sua noiva, Alice, até que minha mãe fizera uma boa escolha.  

Eles combinavam.  

E certamente ele gostava dela... Talvez não a amasse, mas seu sentimento era muito maior do que a minha relação com o homem prestes a ser meu marido.  

Chegando a esse parágrafo de meu diário, decidi que iria testá-lo.  

Eu queria saber se ele seria mesmo um bom noivo para a minha irmã.  

Fui a cozinha para preparar o chá. Peguei algumas folhas amargas de goiabeira, era o pior chá no qual tive o desgosto de tomar. E sei que ele também não gostaria. 

Ele olhava para os lados no jardim. Mais ansioso do que antes.  

Até me ver com um bule e uma xicara. E mesmo ao longe, o jovem se levantou.  

“Obrigado.” – Era educado quando queria.  

O olhei antes de servir seu chá e gritei apavoradamente.  “Há um rato saindo de seu bolso!” – Apontei para o paletó marrom quando o bule escapou das minhas mãos com o susto. 

Ouvi seu apelo para que eu me acalmasse, e brincou dizendo que era uma fêmea, como eu.  

“Eu não sou como um rato!” – Por pouco não perdi as estribeiras.  

Ele prendeu sua risada. “Não quis ofendê-la. “ – Olhou para os lados. “ Onde está Alice?”  

Arfei. “Pois ela não está em casa. “ – Toda sua alegria se foi. “ Não lhe contei?!” 

“Ora... “- Indignou-se por um segundo. -“E quando volta?”  

Lembrei o quanto o sono de minha irmã era longo e profundo e rapidamente o respondi. “Logo. Vai esperá-la?” Ele assentiu de imediato. “ Pois vou lhe trazer um novo chá.” – Evitei observar a rata que se escondia em seu bolso.  

Alice amaria ter aquele roedor como amigo pessoal.  

Eu não compreendia o quanto tinham em comum.  

Ele já não me olhava mais quando estava quase chegando a varanda de casa e avistei a nossa grana verde e bem tratada.  

Agachei-me lenta e disfarçadamente e arranquei um bom pedaço do mato bem aparado.  

Ele me seria muito útil.  

A essa altura de minha escrita, era quase seis horas. Eu me encontrava na cozinha, perto da janela... Tomava um chá de pêssego enquanto observava o escocês.  

Ele continuava no mesmo lugar, as vezes virava-se para olhar o portão na esperança de ver Alice passando pelo mesmo.  

Eu sei que poderia estar exagerando, e por um momento torci para que Alice despertasse.  

Ele estava a mais de quatro horas aqui.  

Me levantei. Decidida a ir até o jardim lhe fazer companhia.  

“Como se chama mesmo?”  

Ele levantou o seu rosto.  

“Tarrant. “ – Ele chegou a mencionar seu sobrenome, mas era complicado demais para que eu me lembrasse.  

Encarei sua xícara de “chá”.  

Apesar de ser água com pedaços de mato, ele havia tomado quase tudo.  

Sentia-me mal com a recepção. “Desculpe-me... Não achei que beberia.” 

Ele sorriu, um tanto desanimado. - “Não tem problema. “ 

Sentei-me em seguida. Tarrant parecia faminto mas antes de lhe oferecer biscoitos, cismei em perguntar. “Gosta mesmo da minha irmã?”  

Seus olhos brilharam. “Ela é uma boa menina. “  

Assenti. Ao menos alguém tinha a sorte de ser amada. “Fico feliz em saber que vocês estão noivos. “  

Suas sobrancelhas ruivas se ergueram, ele expressou uma careta que quase me fez perder a etiqueta e cair na gargalhada. “Eu lamento pelo engano” – Balancei as minhas mãos para o rapaz.  

Nos levantamos juntos. Ele ria de nervoso. “E onde Alice está? Ela ainda não voltou... É uma criança, não pode estar sozinha por ai.”  

Eu jamais poderia admitir que o fiz esperar. “ 

Afastei as páginas envelhecidas.  

E pensei nas tantas vezes que Tarrant me esperou.  

Suspirei, me questionando se minha atitude de voltar tinha sido a escolha certa a fazer. 

Só desejava naquele momento, ser como o Absolem e voar livremente por ai... Queria voltar a Terra Mágica de Wonderland e descobrir como Tarrant estava. Assim como em Londres, no Sub Mundo também havia amanhecido.  

Abracei o diário de minha irmã e por um minuto, me vi encolhida naquele vasto porão.  

Assim como antes, ainda era possível ouvir as vozes dos cômodos de cima.  

Eu reconhecia aquele tom de voz esnobe que conversava com a minha irmã em qualquer lugar.  

Hamish Ascot havia acabado de regressar de sua viagem.  

## 

Vasculhava todos os cantos daquela terra úmida. O amanhecer não me trouxe a esperança que eu carregava ontem a noite.  

Na verdade, até a poucas horas atrás eu tinha a certeza que seria o Chapeleiro mais feliz de Wonderland.  

Juntei minhas mãos em volta aos lábios para que o meu grito não saísse tão espalhado em meio as árvores.  

Meu grito chamava o seu nome em desespero, às vezes, mas não raramente... Eu soluçava ao chamá-la pois tinha certeza que não me ouviria.  

Rodeava a caverna por várias vezes seguidas, até traçar novos caminhos esperando encontrá-la.  

O nosso cavalo adormecia, mesmo em pé. Eu bocejava cansado mas não desistiria de minhas buscas.  

-Alice! – As lágrimas em meus olhos me dificultavam a visão, até mais do que o tom escurecido da noite. -Alice! 

 Me rendi aos meus pensamentos, e ajoelhando-me a lama, passei a chorar ao ponto de balançar meus ombros em desespero.  

-Tarrant?  

Demorei para virar. Nem de longe aquela voz maliciosa se parecia com o tom doce e ingênuo da loira.  

-A quanto tempo a procura? – Sussurrou com suavidade.  

Só então eu me virei, levantava-me com exaustão.  

 -Isso é o que mais me desespera. – Limpei minhas lagrimas ao falar com a Bruxa. – Para mim não há mais tic, nem tac. – Puxei o meu relógio de bolso. 

Os ponteiros me desprezavam. – Os soldados a procuram desde o amanhecer. – Devagar, se aproximou, tocando o meu rosto. – Marmoreal está um caos, o Rei está desesperado pois Alice simplesmente sumiu sem lhe dar a permissão de posse.  

Suspirei, estava tão cansado. Procurava por Alice desde a noite passada.  

-Sabe de alguma coisa, Chapeleiro?  

Abaixei a cabeça e neguei com sutileza, ela estranhou a minha resposta e me lançou certo olhar de desconfiança. – Você me parece faminto. - Afirmou a mulher. – Por que não volta ao Castelo? Poderá comer e descansar. – Propôs. 

-... – Lentamente, abri o meu punho esquerdo. Seus olhos se direcionaram ao pequeno vidro que passei a segurar.  

Ao fundo, ainda restava poucas gotas de poção que não fora bebida.  

Enid pegou de minha mão e observou muito atentamente. Ela sabia do que se tratava, pior ainda era o seu olhar de piedade para mim. 

No fundo, eu também tinha certeza do que era essa poção. – Alice voltou ao Mundo dela.  

Fechei os olhos. Minhas lágrimas ensopavam meus cílios brancos. -Ela nunca pensa em mim! – Desabei. -Ela não sabe o que é gostar de alguém pois tem uma pedra no lugar do coração!  

-Oh, com certeza ela não sabe... Tarrant.  

Olhei para a Bruxa e voltei a fechar a cara. – Mas eu posso dizer o que há em seu coração. – Segurou firmemente a minha mão, sua unha pontuda traçava uma rota até o meu peito, onde Enid sorriu. – Há sangue bombeando paixão e correndo por suas veias... Você tem amor demais dentro de si. – Pausou. – Amor demais pode ser perigoso para os loucos. – Me soltou, preocupada. – A ama bem mais do que antes. O que houve?  

- O Rei me ordenou... – Suspirei. -Que eu tomasse a poção do amor, apenas para me torturar. P-para que eu sofresse mais pela Rainha! 

-Sch... Eu tenho a solução. – Tirou do bolso de sua manta uma nova poção, perfeita para o uso.  

Possuía uma mistura de cores que a deixava marrom-amarelada. 

-Tomando isso... – Olhamos pensativo para o frasco. – Gota a gota... – Sorriu. – Seu amor pela Rainha será absorvido, por completo.  

Me sentia tentado a usar. -Fique com você. – Sussurrou por fim. – Tome quando desejar e tiver a certeza do que quer, pois a poção é muito poderosa.  

Me fez guardá-la no bolso mais seguro de minha roupa. – Vamos voltar para o Castelo. – Pediu a morena. 

E não pude negar.  

[...] 

Este era seu quarto, pequeno e bagunçado, o cheiro de incenso me enjoava, mas por um momento fiquei admirado pela linda bola de cristal arroxeada com detalhes de ouro que cobriam a sua mesa.  

-Me desculpe pela bagunça! – Ela amassava alguns vestidos que estavam espalhados no chão, os jogando num canto qualquer. – O Rei me deu este quarto provisório! – Sorria. – Estou muito contente por morar em Marmoreal, nem que seja só por uns dias.  

Me notou, e percebeu que eu observava seu relógio de parede.  

-Os ponteiros me desprezam. – murmurei com aflição. 

-É muito bonito saber que você parou o seu tempo por ela. – sorriu como uma moça que admirava o romantismo.  

Assenti com tristeza. -Sente-se, por favor. – Puxou-me até o seu colchão. 

Cedi, até que ela se sentou ao meu lado. Mais precisamente, ao fundo do colchão, quase tocando as costas na parede.  

Meus pensamentos só se resumiam em uma pessoa.  

O abandono de Alice me trazia uma mágoa forte, e meu amor pela Herdeira do Trono me pedia que eu expulsasse todos os meus sentimentos negativos. – Alice... – Retirei minha cartola e amassei os meus cachos, controlava o meu pranto com rigidez até fechar os meus punhos. Enid alisava as minhas costas como forma de consolo. -Cheguei a imaginar que ficaríamos... Juntos. E-eu... fiz tudo por ela.  

-Ela não reconheceu o seu esforço.  

Era difícil, mas eu precisava concordar.  

-Será... – Sorri ingenuamente. – Que ela está pensando em mim?  

Suas mãos macias ainda me acarinhavam. – Oh, é muito difícil dizer... – Eu me virei para encará-la. – É melhor não se iludir.  

Me recordei de nossos últimos momentos. E principalmente, do beijo que Kingsley me pediu um pouco antes de sair em busca das lenhas. -Se eu soubesse... Nosso último toque seria muito mais do que um simples beijo.  

-Não se culpe pela decisão dela. – Consolava-me. – Você está tão tenso. – Observou. – É melhor tirar esse peso de seu ombro.  

Puxava o meu terno, até que por fim revelou minha blusa social, era rosa, no entanto, estava manchada com suor.  

A Bruxa me abraçava por trás, suas mãos tocavam a minha barriga quando deitou sua cabeça em minhas costas.  

De repente, a maior mágoa que eu sentia se fez presente: Não era por que Alice me enganou e me fez acreditar que fugiríamos juntos, muito menos por que me tirou o “tic tac” do relógio.  

Era algo que minha insanidade jamais esqueceria. -E-ela p-pa-rtiu s-sem me d-dizer qu-e me a-amava! – Solucei, desmoronando em lágrimas.  

-Não chores mais! – Pediu a feiticeira ao unir mais os nossos corpos. Ela distribuía beijos em minhas costas, tocando o meu tórax e alisando minha barriga até chegar em meus botões, que foram habilidosamente desabotoados.  

Suas mãos macias queimavam a minha pele com o calor do seu corpo. No entanto, nenhum apelo e nada que fizesse mudaria a direção dos meus pensamentos.  

-Entenda de uma vez por todas que não merece sofrer por um amor não retribuído.  

Estive calado por um tempo. Ouvi o seu suspiro e os seus beijos recomeçaram assim que ela encontrou uma maneira de tirar a minha blusa. Seus lábios tocavam devagar as minhas costas.  

Meus olhos tristes encontravam abrigo nos ponteiros parados de meu relógio de bolso. 

Ela desfazia o nó da minha gravata e passava a beijar o meu pescoço.  

O efeito de seus beijos tardou a vir. Eu não sentia vontade alguma de retribuir quando suas mãos apelaram e desceram até pousarem dentro de minha calça.  

Me levantei espantado e antes que pudesse repreender: Olhei para a mulher ajoelhada em seu colchão. Seus olhos refletiam a indignação que passou a sentir. – Ela não te ama, Tarrant. – Balançou a cabeça, ajeitando-se na cama e puxando o meu braço para que eu chegasse mais perto. – Ela nunca te amou e essa é a verdade. – Trincou os seus dentes. – Aceite.  

-...- Delicadamente, a feiticeira observou o meu rosto e limpou as lágrimas que voltei a derramar.  

-Estava certo em tudo o que disse. – Retomou. – A única certeza que ela tem, é que você é só um louco.  

-N-não diga isso... D-doi m-muito.  

Ela pousou seu dedo em meus lábios. – Diferente dela, eu assumo quem sou. – Segurou minha nuca. - E reconheço suas qualidades, reconheço o quanto você ama intensamente... Sei até que eu não o mereço, Tarrant Hightopp mas... Diferente dela, ao menos tento fazer por merecer.  

Não sabia o que retrucar. Havia feito as pazes com minha insanidade e voltei a loucura.  

A mulher afastou os meus cabelos que chegavam até a altura dos ombros.  

Beijava o meu rosto, subindo e descendo por minhas bochechas.  

Eu mantinha o meu silêncio, a ouvindo dizer entre os beijos: - Ela casou com seu inimigo, ela renegou o seu amor e foi embora sem dizer que te amava...  

Meu nariz esbarrou na ponta do seu. -Está pensativo? – Indagou, tocando meus lábios com os seus. -Se não quisesse ficar comigo, já teria passado por aquela porta. – Sussurrou devagar.  

Eu não pensava em ficar com ela.  

Apenas questionava as coisas que me disse.  

E me matava por dentro saber que tinha razão.  

-Estou com raiva! – Gritei, apertando o seu rosto com força. – Estou com muita raiva dela! 

A feiticeira se assustou no inicio, mas depois voltou a sorrir. – te prometo... – Tocava o meu rosto com a ponta dos dedos. – Que o seu dia vai melhorar.  

Puxei sua cintura e ela aproveitou para explorar o meu corpo com suas mãos.  

Não perdeu seu tempo e tratou de me beijar. A raiva facilitou para que eu retribuísse.  

Subi no colchão. Sua língua tocava no céu da minha boca e nossos cabelos passaram a se misturar com a brisa do vento que entrava pela janela. O castelo estava um caos, e ninguém sentiria falta de um chapeleiro e uma feiticeira do palácio.  

-Isso machuca... – Murmurou a mulher, puxando os dedais de meus dedos e os colocando sobre seus botões que iam dos seios até metade de sua barriga.  

Os botões na frente do vestido de uma mulher era uma das coisas mais vulgares que poderia existir, no entanto, o único detalhe que me incomodava de verdade era saber que aquela mulher não era Alice.  

Ela terminara de se livrar dos meus dedais e eu  parei para admirar seu belo corpo seminu, precisava admitir.  

- A forma como me alisa... – Parava de me unhar para dizer, suspirando. – É tão carinhoso. – Estava calado enquanto ela voltava a fazer o que mais gostava: Beijar o meu corpo, tocando seus lábios no tórax e descendo até a minha barriga. Parei de sentir sua pele e apoiei minhas mãos sobre a parede, como se a empurrasse.  

Pensava nas vezes em que Alice e eu fazíamos amor. Tudo era mais intenso. 

Ouve-se o som do meu zíper se abrindo. Não pude evitar o meu suspiro.  

-Por favor. -Tive controle de seu rosto. Dentro de mim me batia um desespero incomum: Estava prestes a deitar-me com outra mulher mas Alice não saia de meus pensamentos. – Eu quero muito você. -Meu sotaque transpareceu. 

-Eu prefiro que demore. – Beijou o meu pescoço.  

-S-sim sim... M-mas eu a quero agora. – Puxei suas coxas e rolamos sobre o colchão, aquele movimento fora tão rápido que pude ver o certo sorriso de orgulho da mulher.  

Eu a beijei, era uma atitude desesperada para que eu esquecesse o que tanto me afligia Seus lábios tinham um gosto doce, parecidos com os de Kingsley.  

E assim, a beijei diversas vezes e de muitas maneiras. Meus movimentos não eram como as vezes que me deitava com Alice. Para mim, o que fazíamos debaixo do lençol só me rendia certo prazer... prazer que passaria.  

-P-por favor... – A mulher gemeu, mas tinha algo a dizer. – S-seja mais carinhoso.  

Parei ao ouvir o seu apelo.  

Sai de seu corpo e me sentei, curvado e pensativo sobre o colchão.  

-Não pare... – Murmurou Enid, puxando a coberta para esconder o seu corpo. -Eu sei que não sou como ela...  

Me puxou, voltei a me deitar sobre si, embora me apoiasse com as mãos para não existir contato.  

O que era mais que uma tortura para a feiticeira que alisou o meu rosto e abriu suas pernas, enroscando as mesmas nas minhas.  

Eu consegui abraçá-la, alisando sua barriga e cintura. Enid voltou a suspirar, dessa vez satisfeita.  

Tocava os seus cabelos, beijava os seus lábios e lhe dizia o quanto era bonita.  

Arranhava as minhas costas, até o ponto de quase me fazer sangrar. Seus pequenos pés roçavam em minha perna e seu corpo se mexia junto ao meu.  

Ela me beijava devagar, sorria e suspirava.  

 


Notas Finais


EITA, será que a Alice vai voltar para Wonderland?
E sobre o que Tarrant fez... virá consequências? Vocês o perdoam por esse pequeno erro? HUASHUSUHA
Quem leu, não se esqueça de comentar! A opinião de vocês é muito valiosa!


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