História Apenas Uma Entre Tantas Outras Vidas - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Tags Drama, Drogas, Naruto, Romance, Suícidio
Exibições 23
Palavras 1.647
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Espero que gostem.

Capítulo 1 - Cheiro Doce Dançando Pelo Ar


            Pela fresta da janela, um incômodo filete de luz passava e dava de encontro com os olhos do ser humano desfalecido na cama.  — A abertura fora deixada exatamente para esse desígnio: Incomodar. Apenas assim, apelando para métodos nada ortodoxos de irritamento matinal, o loiro conseguia acordar. Não adiantava despertador, seu sono era pesadíssimo e quando eventualmente não fazia sol de manhã, sua mãe apelava para a velha tática da mão gelada nas costas.

            Levantou da cama e como metodicamente repetia, começou sua rotina: Foi ao banheiro e se olhou no espelho por alguns segundos para depois se livrar da ereção matinal com uma mijada rápida. Despiu-se e entrou no box do chuveiro. Guerreiro como era, ligou o utensílio e se colocou em baixo sem se importar com os primeiros filetes gelados. — Tinha uma estranha mania de desafiar a si mesmo com coisas como: “Se eu não resistir a esses segundos gelados, não vou viajar para o espaço no futuro...”. E assim recebeu as gotas geladas enquanto se contorcia e pulava tentando, em vão, amenizar o frio agudo que aos poucos era substituído pela gostosa água quente.

            — Uh! Vai ser difícil, mas não eliminei minhas chances...

            Cessou o matutino banho de gato, que tradicionalmente tomava de manhã e saiu do banheiro, tremendo com o contato externo ao do cômodo de banho. Pôs seu uniforme escolar e desceu pra cozinha. Sua mãe já havia gritado algumas vezes por ele, sinal de que estava se atrasando.

            — Bom dia, mãe.

            — Bom dia. Se apressa, menino. – Acelerou, com sua voz ligeiramente rouca devido aos gritos.

            O loiro terminou o café rapidamente, e pulou da cadeira, já preparado pra sair. Agarrou a bolsa e caminhou devagar até a saída.

— Heey! – A mulher chamou com o indicador e o loiro se aproximou. Ela segurou o queixo e deu um estalado beijo na bochecha do filho que, pondo em prática sua pose de aborrecente, limpou o lugar com uma cara de desagrado.

A mulher apenas riu pelas narinas com a encenação, ele não enganava ninguém. — Sabia que ele não saía quando ela estava em outro cômodo, justamente para oferecer a oportunidade de receber o beijo, fazia questão de levantar e sair apenas quando ela estava por perto. — Fingir desgosto fazia parte do pacote. Mas a verdade é que ele saía incompleto se não recebesse o espalhafatoso afago na bochecha.

 

 

Ao chegar à escola passou seu cartão de identificação na catraca e seguiu sua caminhada. Observou os corredores já com movimento tranquilo, com exceção da região dos elevadores. — Ali havia sempre uma grande fila para tomar o transporte, mesmo muitos tendo como destino o 2º andar da torre, nunca entendeu aquilo.

Subiu ligeiro até o terceiro andar e confirmou o que já imaginava: todas as salas do corredor já estavam em aula. — Mesmo o prédio não sendo longe de casa, sempre atrasava um pouco. Gostava de observar a vizinhança, as folhas do outono que involuntariamente ornamentavam as pacatas ruas e que ao serem convidadas a dançar pelo vento, embelezavam ainda mais a paisagem. Havia se acostumado a gostar mesmo dos gatos levados correndo pelos quintais; além de analisar o design das majestosas casas arcaicas que, quando crianças, assombravam sua fértil imaginação. — Bateu na porta, pediu licença e entrou tranquilo na sala, todos já estavam acostumados com seu atraso, um acontecimento mesmo seria vê-lo chegando cedo.

            — Bom dia a todos. Desculpem o atraso...

            — Você diz isso todo dia. – Comentou um com desprezo.

            — E você ainda se importa, por quê? – Retrucou sem esperar uma tréplica e caminhou pra sua carteira enquanto alguns riam abafado do outro aluno que matutava, tarde demais, uma resposta à altura.

            — Eu não me importo! – Disse o professor quebrando o clima tenso e fazendo a sala inteira rir.

            A verdade é que não só para trazer o clima leve de volta pra sala, mas também para contornar a personalidade difícil do loiro, o professor sempre intervinha. O homem, experiente e observador, notava nas ações cotidianas do Uzumaki uma visão singular que era confirmada em suas atividades criativas que destoavam muito das demais criações de senso comum. Imaginava que vem conduzido e estimulado, o jovem poderia vir a se tornar relevante em alguma área das ciências humanas.

 

            O professor bateu a palma das mãos chamando a atenção dos alunos e começou sua aula. — Leu um exemplo de texto literário aos alunos e pediu para que fizessem um de sua autoria nos mesmos padrões do texto lido. Com analogias, colocações implícitas e o item que o professor reiterava ser de fundamental importância: Um sentido real para a existência da composição.

O texto usado como base pelo professor tratava-se de “Um apólogo” de Machado de Assis.

 

            O sinal tocou e os alunos deixaram a sala colocando suas atividades sobre a mesa do professor, com exceção do loiro que passou direto para a saída, ignorando o olhar questionador do professor Hatake.

            — Uzumaki!

            — Sim? – Respondeu virando ao professor.

            — Onde está sua atividade?

            — Não fiz. – Disse num tom óbvio. E o professor ergueu as sobrancelhas, fazendo soar mais óbvio ainda que disso já sabia e não havia sido esse o sentido da pergunta. — ...Porque não achei nada de relevante pra falar. Não que falte assunto, é só que eu não tenho nada pra falar hoje.

            — Tá bom. Pode ir... – Disse após um suspiro desapontado, estava particularmente curioso para ver como o Uzumaki se sairia.

            Saiu, enfim da sala. — Não entendia o motivo, mas notava que o professor tinha uma atenção especial para com ele e isso o preocupava, afinal, já não bastavam os problemas comuns, ainda iam chama-lo de protegido, mimado ou coisas do gênero.

            — Já tava dando pro professor? – Disse uma voz rente à porta, por um instante, assustando o loiro.

            — Cala a boca... – Retrucou num suspiro extenuado. Sabia que os comentários seguiriam daquilo pra pior, quando o Uchiha engatava demorava a se cansar, o jeito era ignorar. Lembrou-se na hora que o Uchiha tinha sido o primeiro a frisar a atenção especial do professor sobre o loiro, embora tenha levantado a hipótese de um interesse sexual como motivo.

— Protege esse teu cu, Naruto. – Disse sem se importar com quem passava perto, afinal, tinha popularidade suficiente pra contornar qualquer atitude suspeita...

Tocou o punho ao do amigo e cruzou o corredor até os elevadores, se segurando pra não rir e dar mais combustível ao Uchiha. Apertou o botão e esperou — Não costumava usar, mas o amigo insistia em descer no transporte para se olhar no espelho e ajeitar os cabelos cumpridos.

 

            Os dois tinham uma amizade de longa data que cultivavam mesmo após o destino ter tido a audácia de separa-los de turma depois de tanto tempo juntos. — Circulavam boatos de que o professor Ibiki havia apelado para separa-los por conta da desatenção dos dois quando juntos. Os pneus do carro do sensei apareceram misteriosamente rasgados pouco tempo depois.

Embora dentro de sala os dois realmente atrapalhassem a fluidez da aula, fora dela, tinham uma sintonia que mantinham até os dias atuais. Sasuke tentava ajudar o amigo pouco comunicativo a arrumar uma parceira compatível enquanto o loiro, embora totalmente inexperiente no quesito, passava dicas teóricas de como se portar num relacionamento.

            — Merda... – O Uzumaki colocou a mão nos bolsos e lembrou que estava sem grana. Resolveu ir ao armário buscar alguma, sempre deixava algo por lá para o caso de alguma emergência. — Esqueci meu dinheiro, vai descendo que eu já te encontro.

            — Para de frescura. Eu pago e depois você me dá! – Disse alheio à ambiguidade, enquanto o elevador parava no andar.

            — Não, obrigado. Pode ir na frente e guarda um lugar pra eu sentar.

            — Que seja então. – Disse e seguiu viajem no elevador enquanto o loiro voltava aos corredores, pra região dos armários.

Quase não abria o compartimento, costumava levar tudo que precisava dentro de sua mochila surrada: um caderno e um lápis 6B. O resto pedia emprestado quando realmente necessitava. Acho o dinheiro em meio à bagunça e começou a contar as notas surradas, nem lembrava mais quanto tinha ali.

 

            Como se os sentidos de aranha nele tivessem despertado, décimos de segundo antes de acontecer, notou que algo o atingiria, só não teve a agilidade do herói de Stan Lee para evitar a pancada. — Sentiu o forte golpe no rosto, ao lado do olho fazendo com que perdesse totalmente os sentidos do lado direito da face. — Ao cair nos armários, finalmente chamou a atenção dos poucos transeuntes, que passaram a comentar satiricamente o porquê do esquisitão ter caído, enquanto o agressor saía a caminhar como se nada tivesse feito.

            Ao que parecia, a resposta que o idiota havia pensado fora essa.

            Levantou com dificuldades e notou que não conseguia abrir o olho, a dor não era tão forte, mas nunca era fácil receber um soco na cara.

            — Tudo bem ai? – Ouviu passos se aproximando rapidamente.

Aquele tom doce, diferente, sincero... Ele nunca ouvira aquela tonalidade antes, embora não conversasse com todos da escola sabia que ela não era dali, afinal foi perguntar franca sobre seu bem-estar.

            — Não se preocupe. – Disse com uma voz serena. Não conseguia abrir os olhos. Embora o soco tivesse sido do lado direito os dois olhos se mantinham fechados, como se estivessem em modo de defesa.

            — Que cara covarde, te pegou pelas costas! – Dizia com ira na voz. A garota viu de longe o brutamonte se aproximando do loiro antes de agredi-lo covardemente.

            — De frente não seria muito diferente... – Comentou e a garota sorriu pelas narinas.

            Ela pegou o caderno do loiro que estava no chão e entregou em suas mãos antes de indagar novamente se estava mesmo tudo bem com o loiro, que ratificou e sorriu para tranquiliza-la.

            — Se cuida. – Disse e saiu devagar. O loiro ouviu os passos dela irem se distanciando, sem ter ao menos tido a chance de ver o rosto dela. Sabia, entretanto, que tão cedo não esqueceria aquela voz muito menos aquele cheiro doce dançando pelo ar.


Notas Finais


Comente se gostou e o que achou dos personagens até aqui, me estimula a escrever.
Até a próxima.


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