História Apenas Uma Noite - Dramione - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Hermione Granger
Tags Draco, Draco Malfoy, Harry Potter, Hermione, Hermione Granger
Visualizações 701
Palavras 7.677
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, mores!
Voltei bem mais cedo do que esperava haha.
Então, vamos começar a entrar em uma nova fase da história, e eu realmente espero que gostem dela. E aí, vamos tratar de sentimentos? VAMOS LÁ!
Aproveitem a leitura!

Capítulo 5 - É Complicado


 

DRACO

 

 Emoções não estavam incluídas naquele acordo, e eu tinha um bom motivo para me resguardar delas. Amor era um sentimento perigoso demais, capaz de ferir e arruinar uma pessoa, fazê-la desejar a morte, levá-la ao completo desespero. Eu não queria passar por tudo outra vez, e foi por isso que nunca tentei me relacionar com mais nenhuma mulher sem que envolvesse dinheiro. E isso tinha funcionado, ainda que parcialmente. Claro que tinham aquelas garotas que forçavam um sentimento inexistente, ou que eram tão superficiais que eu sequer encontrava uma segunda vez, mas achar novas era fácil, então não me importei.
     E então veio Hermione, e minha resistência sofreu um abalo significativo. Ela era doce, espontânea, e tinha uma inocência que me instigava. Nossas conversas não eram forçadas ou vazias, e o sexo era tão bom que eu não conseguia me manter longe dela. Era perfeita para o que eu pretendia: um relacionamento sexual, e talvez uma boa amizade. Nosso primeiro encontro me deixou tão entusiasmado que no dia seguinte eu já tinha todas as suas informações na minha mão, endereço, nomes dos pais, notas escolares, multas de trânsito (ou falta delas), e até o nome do gato. Foi um alívio saber que ela concordava com nosso novo acordo, e que seria só minha, todas as horas do dia.
     Com o tempo, percebi que o sexo não era mais a figura principal da nossa relação. Sim, ele era incrível e cada dia mais viciante, mas Hermione conseguia me prender usando apenas palavras. Conversar com ela me relaxava, contar sobre meu dia me acalmava, e saber que ela estava bem me causava um bem estar absurdo. Sua risada foi a primeira coisa que me encantou. Ela tinha aquele tipo de riso que soava como sinos ao vento, e nunca era cansativo de se escutar. Me peguei empenhado em fazê-la gargalhar, me esforçando para ser o motivo da sua risada. Até que percebi que não conseguia ficar longe dela. Só conseguia me concentrar no trabalho depois das nossas conversas de bom dia, e só dormia depois das mensagens de boa noite. Queria vê-la o tempo todo, mesmo quando sabia que era impossível.
 E então veio o casamento da amiga dela, e com ele veio a descoberta de que eu sentia ciúmes. Foi de modo resignado que acompanhei toda a cerimônia, observando aquele cara ruivo se agarrando a Hermione na menor oportunidade que surgisse, deixando-a claramente desconfortável com a situação. Meu estômago se agitava todas as vezes que eles se tocavam, e se acalmava quando eu percebia ela me olhando do altar. Com ainda mais resignação, notei que me satisfazia saber que ela não queria a ele, e sim a mim. Eu era o homem que ela desejava, era eu quem a tocava e a deixava excitada, isso era melhor do que qualquer antiga relação mal-acabada que houvesse entre o ruivo e ela.
      Em seguida veio nossa visita a Oz, e as descobertas de Hermione sobre ela mesma. Tentei - com muito esforço - sufocar o ciúmes para que ela tivesse liberdade de se encontrar, de saber coisas sobre si mesma que nunca imaginara antes. E então veio o medo ao notar que eu não queria dividi-la com mais ninguém, nem se eu estivesse envolvido no ato. Algo dentro de mim gritava que ela era apenas minha, e era intolerável deixar que outros vissem a sua expressão de prazer. Era algo que eu adorava, e não queria compartilhar. Não queria dividir nem um centímetro dela com outra pessoa. Mesmo assim, me forcei a não enlouquecer quando ela beijou a dançarina. Antes, com qualquer outra mulher, isso me excitaria. Agora, com Hermione, só me fazia querer tirá-la daquele lugar, antes que ela resolvesse transar com a garota. Isso eu não suportaria.
     Em seguida veio o pânico ao compreender que não era mais "apenas sexo". Hermione estava aos poucos marcando seu lugar na minha vida, me deixando tão dependente dela que me aturdia. E não era só sexo da parte dela, também, o que me deixou ainda mais ansioso. Não queria magoá-la com a minha incapacidade de amar uma mulher, essa habilidade tinha sido tirada de mim havia anos. Eu sentia que não era uma escolha própria, eu simplesmente havia perdido o dom de sentir aquela emoção. Mas se eu pudesse amar, amaria Hermione. E quando aceitei esse fato, que eu sentia por ela o máximo de afeto que eu poderia experimentar, eu soube que já desconfiava, tanto que vinha ensaiando maneiras de convencê-la a morar comigo a dias. E foi um choque quando ela aceitou mais depressa do que eu planejava.
     E agora, quase uma semana após sua mudança, eu começava a me culpar por enganá-la. Meu medo de machucar Hermione era tão grande que já cogitava contar a ela meu passado, não apenas para ser sincero com ela, mas para explicar os meus motivos, e talvez evitar que ela fosse embora. Eu sabia que no momento em que ela visse o quanto eu era complicado e cheio de bagagens, ela correria para o mais longe de mim que pudesse. Mas eu não queria que isso acontecesse. A última semana tinha sido uma das melhores dos últimos anos. Sua presença constante me alegrava, sua voz me cumprimentando todos os dias após o trabalho era a única coisa que fazia o dia ter valido a pena. Eu estava finalmente feliz, e não estava disposto a perder tudo. No entanto, Hermione se mostrava cada dia mais envolvida emocionalmente, coisa que eu gostava, mesmo com as minhas deficiências. E eu me importava com ela o bastante para querer ser sincero. Foi por isso que tomei aquela decisão, sabendo que talvez ela nos levasse ao final do acordo.
     Era tarde de sexta quando eu estava me remoendo no escritório, me convencendo do certo e sendo seduzido pelo errado. O trabalho sobre a mesa era um caso impossível, e até mesmo Pansy, minha secretária, já havia aceitado isso. Ela parou de me importunar quando percebeu que eu não estava presente de verdade naquele escritório, apenas o corpo estava lá, a mente tinha ficado na cama com Hermione.
     Virei a cadeira para as janelas panorâmicas que me mostravam de cima toda a cidade. Algo em estar olhando na direção de onde ficava a minha casa me dava a sensação de estar perto de Hermione. Estava particularmente atormentado, querendo tanto vê-la que chegava a ser um incômodo físico instalado no coração. Passei a mão  no peito, sobre o terno caro que não valia de nada para abrandar meu desconforto. Pensei em ligar para ela, mas isso não me parecia o bastante. Poderia fazer uma chamada de vídeo, mas ainda não era o que eu queria. Precisava tocá-la, saber que ela ainda estava lá por mim. Que ela ainda sentia algo por mim, mesmo que eu não pudesse amá-la.
     Virei de volta para a mesa de madeira escura, cheia de papéis e equipamentos de trabalho. O celular estava logo na minha frente, e antes que eu pudesse pensar a respeito, já estava ligando para Theo.
     — Sr. Malfoy. — Cumprimentou ele, como era o habitual. Theo era um tipo de faz tudo na minha empresa, um dos melhores funcionários que eu poderia ter.
    — Vá até a minha casa e traga Hermione. — Ordenei em um fôlego só, antes que me arrependesse. Theo hesitou, como se estivesse surpreso demais para responder. Eu o entendia. Desde que eu assumira o lugar do meu pai, depois da sua morte, nunca tinha levado mulher alguma naquele escritório. Era um lugar só meu, e eu gostava assim. Mas Hermione também era minha, então era apropriado que fosse a primeira.
    — Imediatamente, Senhor. — Respondeu ele. — Vou avisar ao Morris que ele ficará responsável pela sua segurança até que eu volte.
    — Perfeito. — Concordei, finalmente relaxando na cadeira. — E Theo, avise a recepcionista para me chamar no momento em que Hermione pisar nesse prédio. Eu vou recepcioná-la.
    — Pode deixar, Sr. Malfoy. Mais alguma coisa?
    — Só me traga ela o mais rápido que puder.
    — Farei o que me pediu.
    Encerrei a ligação, suspirando. Chegara a hora que eu temia desde que havia percebido que algo me ligava àquela mulher. Mas talvez eu pudesse começar com calma, mostrando primeiro o meu exterior, que era aquela empresa que eu comandava. O interior, que realmente importava, seria mais difícil de entender. Os minutos que duravam o trajeto da minha casa até a empresa nunca me pareceram tão longos. Minha impaciência só aumentava, me obrigando a andar de um lado para o outro, jogando aquela maldita bola anti stress na parede e vendo-a voltar quicando até mim. Quando achei que não  suportaria mais, o telefone tocou, e quase me joguei sobre a mesa para alcançá-lo.
    — Ela chegou? — Perguntei, afoito. Pansy hesitou do outro lado, pigarreando até voltar a falar.
    — A Srta. Hermione Granger está no… — Desliguei antes mesmo que ela terminasse. Saí da sala, agradecendo a Pansy sobre o ombro, que me olhava como se eu fosse um louco. Desci pelo elevador, impaciente, até o térreo. O saguão de entrada era amplo, todo feito de mármore branco, até mesmo o balcão de recepção. Lilá Brown, recepcionista, me olhava com curiosidade enquanto eu andava até as portas giratórias, ignorando os olhares atravessados dos meus funcionários.
     E então, lá estava ela. Vestida com um vestido de verão azul escuro, que descia suavemente até o meio das coxas macias. O sapato alto preto fazia com que as pernas parecessem infinitas, e me instigavam a tocá-las até onde pudesse. Os cachos estavam presos em uma trança lateral, e assim que me viu, Hermione abriu um sorriso doce. Caminhei até ela, até passar um braço ao  redor de sua cintura e beijar sua testa. O cheiro do perfume suave acalmou meu coração atormentado.
     — Você me chamou? — Perguntou ela, afastando-se para me olhar até o cenho franzir. — Parece…
     — Preocupado? — Completei, e ela concordou. — Não é nada demais.
     — Mas porque me chamou?
    — Só queria te mostrar meu lugar. — Não era uma mentira, mas também não era toda a verdade. — E mais tarde, talvez eu te leve a um lugar.
    — Preciso me trocar? — Questionou, insegura. Sorri de lado, mal acreditando em como Hermione não podia notar sua beleza.
   — É impossível ficar mais perfeita que isso, docinho. — Respondi, oferecendo o braço para que ela segurasse. A cor rosada nas suas bochechas foi um pagamento mais do que justo. Ela me acompanhou através da recepção, parecendo tímida para os olhares que recebíamos.   — Ignore-os. Eles nunca me viram trazer mulheres aqui.
   — Então eu sou a primeira? — Hermione parecia satisfeita com isso.
   — Mais uma novidade para nós.
   Levei-a até o elevador, apertando o botão da cobertura.
   — Não vai me dizer para que servem tantos andares? —  Ela perguntou, curiosa.
    — Meu pai costumava dizer que nós produzimos dinheiro, mas para isso comandamos pessoas. — Olhei de esguelha, vendo seus olhos grandes e surpresos na minha direção. — Para trabalhar com pessoas, precisamos de espaço.
   — Produzem dinheiro? Não é a toa que são a realeza no mercado do petróleo.
   — Então pesquisou sobre nós? — Por alguma razão, saber disso me alegrou. Hermione corou, desviando os olhos.
   — O nome Malfoy’s Inc. chama bastante atenção, me senti no dever de saber ao menos do que se tratava.
    — Ou só estava curiosa sobre mim.
   — Não pode ficar ofendido, já que sabia até o nome do meu gato antes mesmo de o ver.
   A risada escapou dos meus lábios, como acontecia constantemente ao redor dela.
   — Você tem um ponto nisso. — Concordei. — Mas eu não ficaria ofendido, de qualquer forma.
   As portas do elevador se abriram, revelando o hall do meu escritório. Ali naquele andar só havia minha sala e o salão de entrada, onde Pansy ficava na sua mesa. Quando nos viu, ela pareceu petrificada de choque, olhando para Hermione e eu como se fôssemos deuses egípcios caminhando sobre a terra. Ao conseguir se recuperar, Pansy levantou, colocando um sorriso falso no rosto.
   — Bem vinda, Srta. Granger. — Cumprimentou.
   — Hermione, essa é Pansy Parkinson, minha assistente. — Hermione cumprimentou com um aceno, completamente enrubescida com o olhar avaliativo de Pansy. Franzi o cenho, incomodado. — Parkinson, cancele tudo para o resto do dia e da noite. E não quero ser incomodado sob nenhuma circunstância.
   — Claro, Sr. Malfoy. — Assentiu ela, parecendo contrariada.
   Abri a porta do meu escritório para Hermione, e  depois de entrarmos voltei a fechar, apertando o botão do controle remoto no bolso para trancar a porta. Ela olhava ao redor, fascinada, retendo toda informação que conseguia, como a garota inteligente e curiosa que eu sabia que ela era. Passou a mão sobre a mesa de madeira rústica, contornando distraidamente os sofás e poltronas claros até a mesa redonda de vidro de frente para as janelas. Continuei parado, assistindo-a explorar, me sentindo como um predador analisando.
   — Tem tantos livros… — Sussurrou ela, encantada, olhando minhas estantes cheias de livros de todos os assuntos e tamanhos.
  — Eu gosto de ler.
  — Eu também.  — Sorriu, me olhando com olhos brilhantes.
  — Só alguém que adora livros se graduaria em Literatura. —  Falei. Hermione estreitou os olhos, me acusando.
   — Eu não vou mais perguntar como sabe disso. —  Disse, voltando até a mesa e se apoiando nela, cruzando os braços. Seu olhar me provocava, a sobrancelha perfeitamente delineada estava arqueada em uma expressão divertida.  — Capaz de você saber mais coisas sobre mim do que eu mesma.
   — E agora você sabe bastante sobre mim, também. Acho que estamos quites. — Declarei, mas não era verdade. Seria em alguns instantes, mas ainda não era. Meu estômago pesou ao  perceber a importância do que eu revelaria. Ainda não queria falar, estava com medo de voltar a viver daquela forma de antes; sempre a procura de alguém que me fizesse…  Sentir algo. Com alguns passos me aproximei de Hermione, até estar alguns centímetros de distância e ela erguer a cabeça para me olhar.
   — Por que me trouxe aqui? — Perguntou ela, em um sussurro. — De verdade, Draco. Por que parecia tão angustiado quando cheguei? Eu não gosto de vê-lo assim…
   — Eu sei. — Sussurrei, dando mais um passo até me elevar sobre ela, ter seu corpo tão colado ao meu que era quase como se tivesse nos fundindo. Coloquei a mão sobre sua bochecha quente, acariciando levemente com o polegar. — E gosto disso. Você se preocupando comigo, vivendo comigo, me fazendo viver… — Me calei antes que entregasse tudo. — Mas não se preocupe com nada, agora. Só quero aproveitar um pouco mais de você, tudo bem?
  — E o que você quer fazer? — Hermione sussurrou, inclinando o rosto para a minha mão como se nem notasse isso. Parei, analisando minhas próprias sensações perto dela. Depois de anos tentando sentir, eu finalmente tinha esperanças. Ainda não queria amar, e talvez nunca pudesse, mas querê-la tão intensamente era maravilhoso. E eu a queria, tanto que pensava em tê-la vinte quatro horas por dia.
   — O que você quer fazer, docinho? — Perguntei, olhando-a sorrir e parecer pensar no assunto. Foi observando-a ali, com as janelas como plano de fundo, que eu percebi o que eu queria. — Tenho uma ideia. — Anunciei, segurando sua mão e levando-a até a parede de vidro. Hermione me olhou, confusa, enquanto eu a segurava pela cintura. — Tem medo de altura?
  — Não. Mas... — Antes que ela perguntasse, porém, a virei de costas e coloquei suas duas mãos contra a superfície de vidro. Toda cidade se estendia à nossa frente, movimentada, cinzenta, parecendo infinita dali. Hermione olhava aquela imagem com admiração. Eu gostava disso nela, a forma como nunca escondia o quanto sentia.
  — O que acha de sexo no escritório, querida? — Sussurrei no seu ouvido, e ela riu.
   — Não é clichê demais?
   — Podemos nos esforçar para deixar menos clichê, o que acha?
  — Eu não... — Ela suspirou ao sentir meus lábios no seu pescoço, seu gosto me fazendo endurecer mais rápido do que qualquer outra pessoa faria. — E se nos pegarem?
  — A porta está trancada.
  — E se nos virem pela janela?
  Dei uma risada, segurando a barra do vestido dela e levantando-o lentamente até sua cintura.
  — Acha que eu compartilharia essa imagem maravilhosa com mais alguém? — Perguntei, separando suas pernas. — Não se preocupe, ninguém vai nos ver.
  Ela suspirou, fechando os olhos e sorrindo como se esperasse por mais. A imagem refletida da sua inocência misturada a sensualidade natural que emanava de Hermione me desnorteou. Foi quando percebi que aquela garota estava sob a minha pele, e era tão excitante quanto perigoso deixá-la se aprofundar.
  Me abaixei, meu rosto ficando na altura da sua bunda, vestida em uma calcinha rosa que mal tinha tecido. Beijei suavemente de um lado, meus dentes arranhando a pele macia para então repetir do outro lado. Hermione arfou ao sentir a mordida leve, as pernas tensionando. Tirei a calcinha por suas pernas, acariciando cada centímetro até livrá-la de seus pés. Guardei-a no bolso, e então voltei a levantar.
   — Já está pronta, não está? — Sussurrei no seu ouvido, vendo a pele dos braços dela arrepiada. Escorreguei minha mão pelo seu quadril, contornando-o até tocar entre suas pernas, onde estava úmido e quente, exatamente como eu queria. Meu sorriso satisfeito refletiu no vidro, e Hermione me olhava de olhos arregalados. — Sua bocetinha quer ser tocada, querida?
  — Sim... — Ela sussurrou a resposta, me olhando fixamente pelas janelas. Meus dedos se aprofundaram no calor mais perfeito de toda a maldita Terra, provocando-a com delicadeza, pressionando seu sexo quando o sentia pulsar.
  — Você quer que eu te foda, não quer, docinho?
  — Droga, quero. — Lamentou, arfando, o rosto corado.
  — E eu sempre faço o que você quer. — Murmurei, fazendo-a curvar as costas e empinar os quadris. — Então segure-se, querida.
  Rapidamente abri o cinto e a calça, descendo-a apenas o suficiente para que eu pudesse reclamar o que era meu. Hermione gemeu quando me sentiu encaixar, e com um impulso rápido eu estava dentro dela. A sensação de aperto me paralisou por um momento, e lutei para não acabar com aquilo antes da hora. Queria vê-la se desfazer, perder o controle, chamar o meu nome antes de gozar. Era sempre o meu objetivo, deixá-la completamente feliz e satisfeita. Meu coração rugia nos meus ouvidos, batendo rapidamente contra minhas costelas, mas tudo que importava era a imagem que eu via no reflexo. Uma Hermione perdida, extasiada, sorrindo com os olhos fechados. Recuei devagar, de forma tão lenta que a vi se remexer, impaciente. Hermione tentou vir contra mim, mas a segurei pela cintura, impedindo-a. Eu adorava a forma como ela choramingava, tentando de todas as formas se aliviar.
  — Mais rápido, Draco. — Pediu ela, tentando novamente recuar. Me inclinei sobre ela, beijando seu ombro.
  — Calma, querida. Eu vou te fazer gozar, prometo.
  Observei-a arfar, abrindo os olhos para me ver novamente. Arremeti contra ela outra vez, e não parei. Com a mão livre ergui a minha camisa e segurei entre os dentes para que eu pudesse ver onde nossos corpos se uniam. Hermione movia também, vindo na minha direção cada vez mais forte, o barulho dos nossos quadris se chocando ecoava na sala. Hermione chamou meu nome, pedindo para que eu parasse, e então para que eu fosse mais rápido. Vê-la perder o controle era maravilhoso, me fazia sentir invencível. Uma e outra vez nossos olhos se encontravam no reflexo, e a intensidade parecia aumentar quase insuportavelmente. Eu queria marcá-la, até que todas as vezes que eu a olhasse, visse que era irremediavelmente minha. Queria possuir cada centímetro do seu corpo, mas também da sua mente. Queria ser o alvo dos seus pensamentos todos os minutos do dia, assim como ela era o meu. Queria amá-la como ela merecia, e me assustei com isso. Mas não havia tempo para medo, não naquela hora.
   Senti suas pernas tremerem, e a segurei mais forte. Hermione lamentava baixinho agora, dizendo coisas impossíveis de entender. E o meu controle estava se esvaindo junto com o dela, tão perto do limite, até que a senti gozar. Ergui seu corpo, virando-a na minha direção e a levantando no meu colo. Imediatamente ela envolveu minha cintura com as pernas, e me encaixei novamente no paraíso encontrado entre suas pernas deliciosas. Nossos lábios se chocaram, minha língua encontrando a dela e me tirando o resto de equilíbrio que ainda havia. Caminhei até a minha mesa, afastando com a mão os papéis e objetos, sem nem olhar, até que a superfície estivesse livre no meio. Coloquei Hermione sobre ela, fazendo-a deitar.
  — Abra os olhos, Hermione. Ainda não terminamos. — Murmurei, ofegando. Ela me olhou, tão suplicante que um ruído escapou do meu peito, como um rosnado de apreciação. Segurei sua cintura, sorrindo para a expressão de êxtase no seu rosto, e estoquei fundo, forte, até me perder dentro dela. E mesmo depois disso eu ainda não estava satisfeito. Ela gozava primeiro e também por último, mas agora na minha língua.
  Me inclinei até meu rosto chegar no sexo vermelho e inchado de Hermione, e não fui delicado ao usar meus lábios sobre ele. O gosto era ainda melhor do que eu me lembrava, minha língua rodeava, procurando onde eu sabia que ela adorava sentí-la. Hermione segurou meu cabelo, puxando-o, ditando com os movimentos dos quadris o que ela queria. Nada era melhor do que vê-la tomar as rédeas, mostrar para mim que ela também sabia comandar. E quando os primeiros tremores vieram, não ousei parar, continuei beijando, lambendo, vendo-a apertar os olhos e se desfazer na minha boca, até estar tão ofegante quanto eu pretendia. Quando acabou, me ergui sobre Hermione até apoiar os cotovelos dos seus dois lados, olhando atento suas expressões se abrandarem aos poucos e a respiração voltar ao normal. Então ela abriu os olhos, sorrindo, e passou a mão pelo meu cabelo, tirando-o da testa.
  — Você sempre sabe quando deve continuar, e o momento exato de parar. — Sussurrou, exausta. — E também como me deixar ainda mais perdida.
  — Gosto de você perdida. Adoro saber que não pode achar o caminho para longe.
  — Eu gosto de você. — Disse, um vinco se aprofundando entre as sobrancelhas. — Isso não te incomoda?
  — Porque me incomodaria? — Deslizei o indicador sobre o vinco, tentando desfazê-lo. — Saber que gosta de mim me faz um previlegiado, Hermione.
  Ela finalmente voltou a sorrir, suspirando baixinho.
  — Isso é bom. Porque sinceramente eu duvido que eu possa voltar atrás, agora.

 

HERMIONE



  Depois de voltar a me arrumar e de Draco finalmente concordar em devolver a minha calcinha, saímos do escritório. Meu rosto corou ao ver Parkinson nos olhando, e percebi que certamente ela tinha escutado algo. Draco, no entanto, tinha a mesma expressão tranquila no rosto, como se nada pudesse atingí-lo. Ele se despediu da assistente e passou um braço sobre meus ombros, beijando delicadamente minha têmpora enquanto esperávamos o elevador.
  Em minutos já estávamos no estacionamento subterrâneo do prédio, entrando na Lamborghini de Draco. Saímos da propriedade rapidamente, e logo alcançamos a rodovia em direção a saída da cidade. Franzi o cenho, confusa. Não sabia o que ele queria me mostrar, e sua expressão estava vazia, sem denunciar felicidade ou apreensão. Eu não gostava de não saber o que ele pensava.
  — Onde estamos indo? — Perguntei, abaixando o volume da música. Draco me olhou de esguelha.
  — Quero mostrar algo a você, mas antes preciso falar algumas coisas, ok?
  Acenei, sentindo o receio começar a me dominar. Fosse lá o que ele diria, sabia que era sério.
  — Eu preciso que você entenda que eu não sei se estou preparado para dizer tudo. — Começou ele, olhando fixamente para a estrada. — Há coisas que eu nunca falei, e talvez estejam tão presas que eu nunca consiga dizê-las a alguém. Entretanto, não quero esconder nada de você. Sinto como se algo estivesse evoluindo entre nós, e segredos podem impedir que isso aconteça. Não quero mentir e com isso magoá-la, Hermione.
  — Apenas fale o que conseguir, por favor. — Sussurrei, preocupada com a forma hesitante com que ele falava. Como se cada palavra exigisse uma força absurda dele, como se machucasse dizê-las. Draco concordou, e então voltou a falar.
  — Eu assumi a Malfoy's Inc. quando tinha dezenove anos. Foi logo após dois acontecimentos mudarem minha vida, e eu mudei drasticamente por conta deles. Um foi a morte do meu pai. Me fez amadurecer rápido, assumir um cargo que talvez eu ainda não estivesse realmente preparado. Não me entenda mal, eu amo a minha empresa, minha vida se resume a fazê-la crescer. Mas com dezenove anos... Eu não pensava exatamente assim. — Ele engoliu em seco. — E o segundo acontecimento foi a perda da minha esposa.
  O ar ficou preso na minha garganta, e meu coração vacilou. Não conseguia falar, mover, sequer pedir para que ele repetisse. Só podia ouvir, incrédula, enquanto Draco continuava.
  — Me casei com dezoito anos, Hermione. Eu sei que é loucura fazer isso, mas eu não me importei, na época, ela era... — Um ruído como um engasgo soou, como se Draco não pudesse falar sobre a mulher. Ele respirou fundo, pigarreando. — Ela morreu poucos meses antes do meu pai. Eu estava completamente desnorteado com a perda da minha esposa quando tive que assumir a empresa. Me desliguei completamente da família, desde então. Há coisas que eu prefiro não fazer. Você me perguntou o motivo de eu pagar por sexo, lembra? — Acenei, incapaz de falar. — Bom, esse é o motivo. Depois dela, nunca mais me aproximei tanto de outra mulher, não sentimentalmente. Evitei todos os tipos de relacionamento que não envolvessem sexo e dinheiro. Não quis conhecer uma pessoa ao ponto de me apegar a ela. Foi a forma que arrumei para me proteger. E então veio você, e eu não sei mais o que estou fazendo. — Ele sorriu de forma dura, me olhando rápidamente. — Não quero repetir tudo, não quero voltar a sentir aquilo outra vez, mas também não quero me afastar de você. Me sinto tão ligado a você que me assusta. Eu deveria fugir, sei que é a melhor opção, mas a ideia de deixar você ir me incomoda. Não quero que vá, entende?
  — Draco... — Sussurrei, mas antes que eu falasse algo ele tocou meu queixo, erguendo meu rosto para vê-lo. Ele sorria tristemente, de uma forma que eu nunca tinha visto antes.
  — Não fale nada ainda, ok? Quero que saiba tudo que eu puder te contar, e só então você me diz o que pretende. Se quiser ir, eu não vou te segurar. Era o que eu te aconselharia a fazer, se não fosse tão egoísta.
  — Você não é egoísta.
  — Acredite, sua opinião sobre mim pode mudar antes do fim do dia. — Disse ele, voltando sua atenção para o caminho.
  Abaixei a cabeça, olhando fixamente para as minhas mãos, enquanto girava o anel no meu dedo. Havia um nó estranho na minha garganta, um tipo de incômodo que eu odiava. Meu estômago pesava, minha mente viajava, elaborando teorias que só me deixavam ainda mais ansiosa. Draco tinha me surpreendido de uma forma que eu não sabia sequer classificar. Eu gostava do fato dele ter sido honesto, de se abrir comigo na medida do possível. Me sentia mais próxima a ele em um nível que não era apenas físico, e tinha esperanças de que isso fosse uma indicação de que ele também poderia gostar de mim. Mas sua história me mostrava um lado dele que eu tinha medo. Draco tinha bagagens pesadas, experiências fortes que o marcaram talvez para sempre. Agora eu entendia sua escolha por sexo em troca de dinheiro, tudo isso era medo de perder mais alguém. E se ele estivesse ferido demais para uma nova tentativa? E se aquilo só me magoasse? E se eu fosse inexperiente demais para me colocar naquela relação? Ele estava me dando uma escolha, eu podia ir embora se quisesse.
  O problema era que eu não queria ir. Mesmo sabendo que era arriscado, queria tentar curar um pouco do seu medo. Draco tinha sido o primeiro homem a me desafiar, me fazer conhecer mais sobre mim. Eu adorava passar as noites com ele, não apenas pelo sexo, mas por gostar da sua presença. Já tinha aceitado que gostava de Draco como mais do que um parceiro ou amigo, estava me apaixonando. Talvez não houvesse mais volta para mim, mas e se tivesse? Eu queria partir? E se nossa relação - fosse lá o que ela se tornasse - estivesse fadada ao fracasso?
  As perguntas se avolumaram na minha cabeça. E se eu fosse embora? Me arrependeria? Como eu tinha me permitido estar tão envolvida com Draco Malfoy?
   “Não quero repetir tudo, não quero voltar a sentir aquilo outra vez”. Como eu poderia ficar com alguém que não queria se apaixonar? Mas então vinha a frase seguinte, a que me abalava: “mas também não quero me afastar de você”; talvez fosse tão tarde para ele quanto era para mim.
  Levantei a cabeça, e na nossa frente se erguia portões de ferro forjado tão altos quanto os muros que rodeavam a propriedade. No topo dele tinha dragões esculpidos, ladeando um M que só poderia ser do sobrenome de Draco. Ele tirou um tipo de controle remoto do bolso, apertando um dos botões, e então o portão abriu, e passamos. Sebes contornavam os jardins de ambos os lados do caminho pelo qual continuamos até a mansão. Tudo era tão verde e cinza que me lembrava castelos medievais, principalmente por causa da construção a nossa frente. A casa - não, casa não era um nome apropriado - era imensa, com pináculos gigantescos que pareciam perfurar as nuvens, com dezenas de janelas, pilastras segurando um toldo de gesso sobre a varanda. As paredes eram de pedras cinzentas, haviam fontes nos dois lados do jardim. Só percebi que estava boquiaberta quando um ruído surpreso escapou por ela, e então rapidamente voltei a fechá-la. Paramos na frente das portas de entrada, e Draco desceu do carro, contornando-o e me ajudando a sair. Minha capacidade de sorrir parecia ter sumido, e meu coração tentava a todo custo sair pela boca. Draco segurou a minha mão, olhando para mim com atenção.
  — Quero que saiba que nosso tempo juntos foi o melhor que eu posso me lembrar em muitos anos. — Murmurou, sorrindo de lado e acariciando meu rosto com o polegar. Respirei fundo, contendo a vontade de me jogar sobre ele e nunca o deixar ir. Eu tinha que saber onde estava me colocando, antes de decidir qualquer coisa. Antes que eu respondesse, no entanto, ele me levou até a porta e abriu, dando espaço para que eu entrasse primeiro. — Compramos essa casa anos antes do meu pai morrer. — Draco murmurava ao meu lado. — Minha mãe não queria ficar na cidade depois que ele se foi, então achamos melhor que ficasse aqui, onde era seguro e tinha espaço para os dois.
  — É uma casa maravilhosa. — E não era mentira. O saguão de entrada era incrível, com um círculo desenhado no centro do piso de mármore; dentro do círculo havia o mesmo tipo de brasão que vi no portão, dragões ladeando o M. Pilastras de gesso seguravam um teto abobadado que iluminava o ambiente. Draco me levou através do saguão, até passarmos para o que parecia ser uma sala de jantar; com uma lareira enorme encimada por um espelho com moldura dourada. A mesa de madeira rústica era tão longa que tinha espaço para mais de cinquenta pessoas fácilmente. Entramos em um portal de gesso com desenhos esculpidos, até uma sala de estar ampla de paredes cinzentas. No meio dela pendia um lustre dourado com cristais delicados, sob ele havia sofás, poltronas e mesas, todas no mesmo estilo Luis XV. E lá, sentada em uma poltrona azul e dourada, estava uma mulher loira de aparência nobre, vestida em um vestido verde escuro e jóias adornando o pescoço e orelhas. De repente eu me senti mal vestida, apenas de olhar aquela mulher.
  — Mãe. — Draco chamou, me deixando ao lado de um dos sofás e indo até a mulher, que levantou, com um sorriso receptivo para o filho. Eles se abraçaram por um momento, mas tudo era tão formal que parecia ensaiado. O lugar era lindo, mas também tinha um ar frio, como se nunca tivesse conhecido dias ensolarados e amor familiar.
  — Meu filho, achei que só nos veríamos na quarta-feira, como o habitual. — Disse a mulher, beijando levemente o rosto de Draco. Então ela olhou para mim, paralisada no meu canto, incapaz de falar algo que não me embaraçasse. — Trouxe uma amiga, querido?
  — Sim, trouxe Hermione. — Disse Draco, erguendo uma mão na minha direção. Caminhei até ele, segurando sua mão e tomando uma respiração de coragem. — Hermione, essa é Narcisa Malfoy, minha mãe.
  — Sra. Malfoy,  é um prazer conhecê-la. — Murmurei, estendendo a mão para ela. Seu toque foi frio, mas firme; e o sorriso era mais gelado ainda.
  — Você é uma graça, querida. Também é um prazer conhecê-la, e uma surpresa, acima de tudo. — Seu rosto virou para o filho, como se esperasse uma explicação. Mas se era isso que queria, Narcisa se decepcionou.
  — Onde ele está? — Draco perguntou, olhando para as escadas de corrimão dourado que subiam.
  — Estudando, querido. Você não avisou sua visita, ele tem horários rígidos.
  — Mande chamá-lo. — Insistiu Draco. — Quero apresentá-lo a Hermione.
   A mulher parecia ainda mais pasma do que antes. Seja lá quem Draco queria me apresentar, era uma situação inédita, pelo que eu via. Meu coração se rebelava no peito, e minhas pernas tremiam de tão nervosa.  Narcisa apertou um botão sobre a mesa de canto, e logo ouvimos passos vindo de outra entrada ao sul. Uma mulher baixa e robusta entrou na sala, com seu uniforme de empregada perfeitamente passado. Ela sorriu ao ver Draco, mas logo recuperou a compostura.
  — Chame o garoto, Johana. — Disse, ríspida, então a mulher acenou e desapareceu pelas escadas. Draco olhou para mim, o cenho franzido.
  — Quer sentar? Ou beber algo? Pode ser que precise de uma coisa ou outra.
  — Eu estou bem, obrigada. — Sussurrei, mentindo descaradamente.
  — Draco não me falou que estava se relacionando com alguém. — Disse Narcisa, desdenhosa. — Ou você é uma das amigas que ele paga?
  — Mãe! — Draco grunhiu, e meu estômago despencou sobre meus pés. Não sabia o que falar, tudo aquilo era tão novo para mim que eu só queria sair correndo. No entanto, eu não podia fingir ser outra pessoa. Era Hermione Granger, e tinha orgulho de ser eu mesma.
  — Não se preocupe, senhora, não cobro caro demais. — Murmurei, colocando meu melhor sorriso no rosto. — Mas mesmo que cobrasse, Draco pode pagar, imagino.
   Narcisa parecia prestes a desmaiar, ou então me chutar dali; e Draco me olhava com incredulidade óbvia. Mas se eu tinha aprendido algo naqueles dias, era a nunca deixar ninguém me humilhar.
   — Você vai apresentar a sua prostituta a… — Começou a mulher, indignada, quando Draco a interrompeu.
   — Ela não é minha prostituta. — Disse ele. — Trate-a com respeito.
  — Não vou tratar com respeito uma mulher que se vende!
   — A senhora já trabalhou alguma vez na vida? — Ergui uma sobrancelha, e Narcisa corou, erguendo o queixo em desafio. Mesmo assim, algo havia se libertado dentro de mim, e eu não conseguia mais prendê-lo. — Não quero me indispor com a senhora, mas exijo a mesma cortesia com que a tratei. É uma questão de educação, Sra. Malfoy.
   — Isso só pode ser um pesadelo… — Draco sussurrou, com uma risada dura. Passos ecoaram nas escadas no momento em que pensei que levaria um tapa de Narcisa. Ela deu um passo para trás, olhando para Draco como se esperasse que ele me jogasse porta afora. Ele não fez isso, embora.
  — Papai? — Uma vozinha suave nos tirou daquele clima pesado, e vi um menino descendo as escadas junto da empregada.
  No momento que o vi, soube quem ele era. Seus cabelos loiros caíam sobre a testa, mesmo que ele passasse as mãos para tirá-los de lá. Os olhos eram lindos, cinza-claros, observando Draco com um brilho de excitação misturado à receio. As bochechas tinham uma cor adorável e rosada, e ele vestia calça cáqui e camisa azul, que combinava perfeitamente com o tom claro de sua pele. O menino se aproximou de nós, ignorando Narcisa, toda sua atenção voltada a Draco.
  — Scorpius. — Respondeu ele, formal demais. — Essa é Hermione, ela é minha amiga. — Draco olhou para mim, apreensivo. — Scorpius é meu filho.
  Os olhos do menino vieram na minha direção, enquanto ele me avaliava. Minha garganta parecia inchada, meus olhos queimavam com uma vontade de chorar absurda. Aquele garotinho era tão lindo quanto o pai, e parecia tão assustado quanto Draco aparentou ao me contar sobre sua ex-esposa. Ele estendeu a mãozinha, erguendo o queixo igual ao pai.
  — Prazer, sou Scorpius Malfoy e vou fazer sete anos.
   Um riso trêmulo escapou dos meus lábios, e segurei a mão dele, balançando-a.
   — Você é muito educado, Scorpius. — Murmurei. — E muito bonito também.
   Suas bochechas ficaram ainda mais coradas, e ele desviou os olhos, como se não estivesse habituado a elogios. Draco e a mãe trocavam olhares que deixavam claro que estavam discutindo em silêncio. Ele pigarreou, me olhando por um momento.
   — Pode ficar com Scorpius por um momento? Preciso conversar com...
   — Vá. — Concordei, ainda segurando a mãozinha do garoto. — Scorpius e eu vamos nos entender, certo?
   — Vou distraí-la, papai. — O menino falou como se quisesse provar para o pai que era capaz de fazer algo. Aquilo fez meu coração apertar, mas Draco apenas acenou e saiu da sala junto com Narcisa.
   Scorpius me olhava com curiosidade, os grandes olhos cinzas me analisando.
   — Você quer sentar? — Perguntou, apontando para o sofá. Concordei, sorrindo, e ele me levou até o sofá, sentando ao meu lado. — Você é amiga do papai? Ele nunca trouxe amigos aqui para me ver.
   — Ele não vem te ver? — Franzi o cenho, preocupada com o garotinho de olhos amedrontados.
  — Sim, ele vem todas as quartas. — Scorpius acenou com veemência. — Papai sempre me trás doces da Katie.
   — E você, costuma ir ver Katie?
   — Não, eu não saio da casa da vovó. — Ele suspirou, abaixando a cabeça, mexendo os dedinhos com impaciência. — Papai diz que não tem tempo para ficar comigo.
   — Que pena, querido. — Acariciei seus cabelos claros e macios, meu coração apertando ainda mais. — Você gostaria de passar mais tempo com seu pai?
   — Ele não pode. Tem uma empresa para cuidar, é o que vovó Narcisa diz. — Ele suspirou novamente. — Queria que minha mãe não tivesse morrido para eu nascer, assim ela ficaria comigo.
   Apertei minhas mãos para que ele não as visse tremer. O que tinham feito àquele garoto? O que ele tinha vivido em tão pouco tempo para ter aquele semblante triste?
   — Vamos fazer um acordo, você e eu, ok? — Forcei um sorriso. — Você tem uma caneta por aí?
   Scorpius saltou do sofá, correndo até a mesa de centro e trazendo uma caneta e post-its. Peguei de sua mão e rapidamente escrevi em um dos papéis, entregando para ele.
   — Quando você estiver muito sozinho ou com muita saudades do seu pai, vai pegar esse papel e ligar para esse número, ok?
   — Não, eu não posso ligar para ele. — O garoto arregalou os olhos, apreensivo. — Vou atrapalhá-lo.
   — É o meu número. — Esclareci, colocando para trás a mecha que teimava em cair sobre seus olhos. — Se me ligar, podemos conversar o quanto tempo quiser, até que não se sinta mais sozinho, entende? — Ele sorriu, mostrando uma brechinha adorável entre os dentes inferiores, os olhos brilhando de excitação. — Vamos ser amigos, agora.
    — Então eu posso ligar quando quiser?
   — Sempre que quiser.
   — E o papai não vai ficar chateado?
   — Claro que não, querido.
   Ele parecia feliz com aquele simples gesto de atenção, mostrando como estava ansioso por isso. Prometi a mim mesma que tinha uma nova meta; aproximaria aquele menino do pai, e faria os dois se entenderem como família. Eu precisava ver aqueles dois felizes, era minha nova missão. E eu não sossegaria até conseguir cumprí-la.
   Scorpius falava sem parar, mas eu gostava. Era adorável sua animação em me contar todos os detalhes dos seus dias, seus horários rígidos de estudos e leituras, e sua vida solitária na mansão. Em pouco tempo eu já sabia sua cor preferida, comida predileta, as viagens que ele e Narcisa já tinham feito juntos. Ele também fazia perguntas sobre mim, sobre meus pais - e lamentou quando falei que minha mãe tinha morrido -, sobre minha vida, e prometeu que um dia conheceria Bichento. Meu medo se dissipava ao falar com ele, assim como a angústia. Scorpius era uma criança maravilhosa, e Draco perdia o crescimento do filho por... O quê? Medo? Eu não tinha ideia, mas descobriria.
   Alguns minutos se passaram até Narcisa e Draco voltarem para sala, com expressões nada felizes. Scorpius levantou em um salto, com uma educação óbvia. Draco veio na nossa direção, e estendeu a mão para mim, me levantando.
  — Vamos embora. — Disse, franzindo o cenho. O rostinho de Scorpius desabou ao ouvir aquilo.
   — Não vai ficar para o jantar? Mas você sempre fica para jantar comigo.
   — Quarta-feira eu volto, Scorpius. Hoje eu apenas queria apresentá-lo a Hermione. — Pela primeira vez ele realmente olhou para o filho, e um rastro de emoção atravessou seu rosto. Ele estendeu a mão, bagunçando o cabelo claro de Scorpius. — Comporte-se, tudo bem?
   — Sempre, papai. — Respondeu prontamente o garoto, satisfeito. Me abaixei na frente dele, beijando seu rosto e o deixando surpreso com isso.
    — Eu adorei conhecê-lo, Scorpius. — Murmurei, abraçando-o delicadamente e sussurrando no seu ouvido: — Pode ligar para mim, ok?
   — Ok. — Ele sussurrou de volta, compartilhando nosso segredo.
   Nos despedimos de Narcisa - que ainda me olhava como se quisesse me  bater - e acenamos para o garotinho, e então saímos da mansão e da propriedade. Novamente minha boca parecia colada. Eu queria falar sobre o que tinha acontecido, mas não sabia como. Era tanta novidade, coisas que eram importantes demais, tensas e pesadas demais. Draco tinha todo um passado, mulher e filho, família complicada, e eu não sabia o que pensar. Só tinha uma certeza circulando minha mente: Scorpius precisava de um pai.
   — Desculpe sobre minha mãe. — Seu tom suave tinha voltado, mas ainda podia notar a ansiedade na forma que seus dedos apertavam a direção. Olhei para ele, para seu perfil orgulhoso, o lábio inferior sutilmente projetado e cheio. A certeza me acertou como um tapa, eu estava sim apaixonada por Draco. Percebi isso quando a ideia de fazer parte da sua vida me deu medo, mas a possibilidade de me afastar me apavorou ainda mais. O que eu faria, agora?
   — Não se preocupe com isso, eu sei me defender. — Respondi, mas não soava tão confiante quanto queria. Ele me olhou rapidamente de esguelha.
   — Não precisaria se defender, se minha mãe não fosse tão rude.
   — Não estou chateada, Draco.
   E eu realmente não estava. A implicância de Narcisa foi o fato menos importante daquele dia. Draco respirou fundo.
   — Se quiser que eu a leve até a sua casa, eu farei.
   — Para a minha casa?
   — Levo suas coisas ainda hoje, se possível. — Ele completou, mas eu estava atordoada demais para entender. Ele queria que eu fosse embora? Como podia me mostrar tanto de si mesmo e depois me dar as costas?
   — Você quer que eu vá embora? — Minha pergunta soou magoada, e era o que eu sentia. Draco arregalou os olhos, como se estivesse surpreso com a minha suposição.
   — Se eu quero? É claro que não, Hermione. — Disse, confuso. — Mas eu entendo se quiser ir. Não vou te julgar, talvez eu faria o mesmo se estivesse no seu lugar. Você é livre, pode fazer e ser o que quiser, é jovem, linda; e se prender a alguém como eu é um erro enorme. Tenho traumas, família, filho - que, aliás, mal vejo -, um passado que não é tema de uma conversa divertida. Você querer continuar ao meu lado, sabendo que talvez eu nunca dê a você o que merece, é um engano de proporções épicas. Mas eu não quero que você vá, porque me sinto angustiado quando está longe. — Seus olhos fitavam o caminho, mas as palavras saíam de sua boca como uma torrente. — É confuso, eu estou confuso. Me sinto um filho da puta egoísta, mas meu desejo é que fique comigo. Então eu me mostrei a você, agora. Esse sou eu. E se quiser ficar, tenha a consciência de que pode ser o maior erro da sua vida, mas que eu vou fazer o impossível para honrar a confiança que está me dando. Eu vou ser quem você precisar, o que você quiser, e dar a você o máximo que puder de mim.
    — Isso é tão...
    — Eu sei, é fodido. — Ele riu, seco, e então me olhou. Só então notei que tínhamos parado no acostamento. — Mas eu gosto de você, Hermione. E posso até ser fodido para sentimentos, mas tenho certeza que quero ficar com você. É o máximo que eu posso te dar, até agora.
   Até agora. Não me parecia um 'nunca', talvez a gente... Dei uma risada sussurrada, balançando a cabeça. A quem eu tentava enganar, afinal? Mesmo que fosse um nunca, eu ainda lutaria. Porque a ideia de ir embora e deixar aquele homem, que mesmo com seus traumas estava tentando por mim, me causava uma dor quase física.
   — Eu não vou embora. — Murmurei, decidida. Draco me encarou como se eu estivesse louca, e talvez essa fosse a realidade, eu não me importava. Peguei sua mão sobre a direção e a segurei forte. — Não quero ir. Se isso for um erro, tudo bem, eu aceito. Não vai ser o primeiro erro da minha vida, de qualquer forma. — Sorri, olhando para ele. — Está pronto para isso? Acho que agora estamos oficialmente tentando construir uma relação, Sr. Malfoy.
   Ele riu, me puxando para que eu sentasse no seu colo, com os pés sobre o banco ao lado, e então me abraçou forte, colocando o rosto na curva do meu pescoço e inspirando profundamente. Me agarrei a ele, querendo mostrar que eu estava ali. Eu não o deixaria, ele estava seguro, agora.
   — Oficialmente em uma relação. — Repetiu Draco, rindo. — Posso me acostumar a isso, se você também se acostumar com algumas alterações no nosso acordo.
   — É, acho que podemos começar por aí. — Dei uma risada, beijando seu rosto e então seus lábios. Não havia mais desespero ou ansiedade, agora que eu tinha me decidido. Só restou uma certeza absoluta de que eu faria aquele homem feliz, ou daria a minha vida tentando. E eu tinha uma vaga ideia de como começar a fazer isso.


Notas Finais


SCORPIUS CHEGOU PRA FICAR!
Espero que gostem desse novo rumo, e vou tentar cumprir minha promessa de nunca acabar no suspense, mesmo que tenha uma queda por isso hahaha.
Quem quiser entrar no grupo Dramione, deixa o contato por MP!
Muito obrigada pelos comentários super incentivadores, fiquei muito feliz por eles!
Sejam bem vindos, leitores novos! Espero que curtam!
Obrigada a minha beta fantástica por me ajudar nisso, tiamu, more!
Até a próxima! E vou tentar não demorar!
Beijão!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...