História Aqueles Olhos - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Tags Kibahina, Naruhina, Sasuhina
Exibições 45
Palavras 3.694
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Um novo capítulo quentinho para vcs ..

Capítulo 4 - Quarto Capítulo


Fanfic / Fanfiction Aqueles Olhos - Capítulo 4 - Quarto Capítulo

A porta da frente fechou-se sem ruído na casa, pouco depois das oito horas da manhã, no dia seguinte à festa.  Hiashi Hyuuga subiu as escadas em silêncio e parou por um segundo em frente ao quarto de Hinata, sabendo que provavelmente ela já estaria acordada. Quando olhou para dentro do quarto, porém, viu que ela não se mexia. Os olhos estavam fechados e ela deitada por cima dos lençóis, o que era raro; mas ele achou aquilo um bom sinal. Em vez de se esconder junto aos pés da cama, estava deitada à vontade. Era mais do que provável que aquilo significasse que a mãe não a incomodara na noite anterior. Com certeza Yono estava cansada demais depois que ele saiu e, de qualquer maneira, tinha bebido demais para perder tempo com a menina. Ao menos daquela vez a criança não tinha sido punida pelos pecados do pai. Bem, pelo menos foi o que ele pensou, enquanto atravessava o corredor em direção ao próprio quarto. Yono ainda dormia com o vestido de noite e o colar de diamantes. Os brincos estavam soltos na cama, e ela dormia em sono tão profundo que não se mexeu quando ele se deitou ao seu lado. Hiashi a conhecia bem demais para saber que, ao acordar, ela pouco falaria sobre sua saída impetuosa. Raramente falava. Ela o trataria com frieza e distância por um ou dois dias, mas, uma vez terminada a briga, esta jamais era mencionada outra vez. Yono simplesmente a usava contra ele, sem palavras. Assim como Hiashi tinha previsto, Yono acordou às dez, virando-se preguiçosamente na cama, e, quando se viu desperta por completo, olhou para ele, nem um pouco surpresa ao vê-lo ali ao seu lado. Hiashi ainda estava adormecido, tentando recuperar a noite de sono que tinha perdido.
Yono Lembrava-se perfeitamente de tudo o que se passara na noite anterior, especialmente do que tinha acontecido depois da partida de Hiashi, mas não havia nada de extraordinário naquilo, nada que merecesse comentários. Ela nada tinha para dizer ao marido. Hinata ainda estava no quarto quando Yono desceu para preparar o café da manhã. A empregada tinha ficado para ajudar o pessoal do serviço de bufê com a limpeza, na noite anterior, e hoje estava de folga, pois era domingo. Ela era uma mulher calada e discreta, que trabalhava havia anos para eles. Não gostava de Yo no, mas a tratava com civilidade, e Yono gostava dela porque não se metia onde não era chamada. Embora consigo mesma desaprovasse a maneira pela qual Yono disciplinava a menina, ela nunca interferia. Yono, sentou-se à mesa do café da manhã e pegou o jornal. Estava lendo e tomando chá numa xícara de porcelana de Limoges quando Hiashi finalmente chegou e perguntou pela filha. — Onde está Hinata? Ainda na cama? — Foi uma noite longa para ela — disse Yono, com frieza, sem tirar os olhos do jornal. — Será que devo acordá-la? — Yono não disse nada, dando de ombros como resposta. Ele serviu-se de um pouco de café, pegou algumas correspondências, e leu por uma meia hora antes de comentar novamente sobre a ausência da menina. — Acha que ela está doente? — Parecia preocupado. Embora devesse imaginar, não lhe passava pela cabeça o que havia se passado durante a noite. Não percebia que a mulher sempre descontava na criança o fato de ele sair de casa altas horas da madrugada depois de uma discussão. Deveria ter desconfiado de imediato, mas, como sempre, não queria saber de fato. Eram quase onze horas quando foi procurá-la no segundo andar. Encontrou-a trocando a roupa de cama, movendo-se cuidadosamente, como alguém que estivesse com muita dor, mas, ainda assim, ele parecia não ver o que tinha ocorrido. — Você está bem, querida? Os olhos da menina encheram- se com as lágrimas não derramadas enquanto fazia que sim com a cabeça. Estivera pensando em Hanabi, a boneca, e sentia-se como se alguém tivesse morrido na noite passada. E tinha mesmo. Não apenas a boneca, mas ela também. Tinha sido a pior surra dada pela mãe. E extinguira qualquer sombra de esperança que ainda pudesse ter de sobreviver naquela casa. Não tinha mais expectativas nesse sentido. Sabia que era só uma questão de tempo antes que a mãe a destruísse por completo. Não tinha mais ilusões, nem sonhos, absolutamente nada, apenas a dor inacreditável nas costelas e a lembrança da boneca sendo arremessada contra a parede, exatamente como ela sabia que a mãe gostaria de fazer com ela, mas ainda não tinha ousado. — Posso ajudar? — Ele se ofereceu para, colocar a coberta de volta sobre a cama, mas a menina sacudiu a cabeça. Sabia muito bem o que diria a mãe se os encontrasse assim. Iria acusá-la de ficar choramingando para o pai, de manipulá-lo ou de tentar colocá-lo contra ela. — Você não quer descer para tomar o café da manhã? — A verdade era que não queria ver a mãe. Não tinha mais fome, talvez jamais viesse a ter. Não se importava se nunca mais comesse e, cada vez que respirava, era como se um fogo a atravessasse e alguém girasse uma faca no meio das suas costelas. Não podia imaginar-se descendo as escadas ou sentando-se perto da mãe à mesa do café, quanto mais comendo. — Está tudo bem, papai. Não estou com fome. — Os olhos estavam imensos e mais tristes que de costume. Ele disse a si mesmo que provavelmente ela estava muito cansada. Recusava-se a ver a dificuldade com que andava, o local onde os cabelos ainda estavam grudados pelo sangue, o lábio que apresentava mais do que uma ligeira inchação. Ele inventava histórias da carochinha para justificar tudo aquilo e as contava a si mesmo, como vinha fazendo desde o início. — Vamos lá. Eu faço umas panquecas para você. — Como se tivesse que compensá-la por alguma coisa. como se soubesse de tudo, coisa que ele negaria de pés juntos. Se permitisse a si mesmo pensar em tudo o que Yono fizera com ela, iria se sentir culpado demais.

Entrou no quarto com passos lentos e viu que Hinata vestia um suéter por cima do vestido. Aquele era geralmente o sinal de que os bracinhos finos haviam sido machucados demais para serem expostos. Era um sinal que sempre reconhecia, mas jamais admitia. Mesmo aos sete anos, Hinata sabia que precisava cobrir-se para não ofendê-los, principalmente a mãe, com os sinais visíveis da sua "maldade". O pai não perguntou se ela estava com frio ou por que usava o agasalho. Às vezes, na praia, usava um suéter, uma camisa de mangas compridas ou um xale, pela mesma razão. E ninguém dizia nada, simplesmente deixavam-na agir assim. Era um voto silencioso, um acordo tácito entre eles. — Onde está Hanabi? — perguntou ele, correndo os olhos pelo quarto e dando-se conta de que a boneca não se encontrava ali. Ela estava sempre à mão no quarto de Hinata, mas dessa vez não a viu. — Ela foi embora — disse a menina, olhando para o chão, tentando não chorar novamente e pensando no barulho da cabeça da boneca sendo batida de encontro à parede e destruída pela mãe. Sabia que jamais se esqueceria daquele som, que nunca perdoaria a mãe por aquela visão. Hanabi tinha sido o seu bebê. — O que isso quer dizer? — perguntou, inocentemente, e, então, recuando quase de imediato, decidiu-se por não levar o assunto adiante. — Desça e coma alguma coisa, querida. Ainda temos uma hora antes de ir para a igreja. Dá tempo de sobra para tomar o café da manhã — disse, alegremente, e, em seguida, desceu às pressas, aliviado por se livrar da intensidade daqueles olhos, das profundezas daquela angústia. Sabia agora que alguma coisa tinha acontecido durante sua ausência, mas não queria perguntar nem saber os detalhes. Hoje não era diferente de qualquer outro dia. Ele nunca queria ver o que se passava, se não fosse obrigado a vê-lo. E, ainda assim, nada fazia a respeito. Hinata arrastou-se pelas escadas sem fazer barulho, descendo um degrau de cada vez, ofegante, agarrando-se ao corrimão. O tornozelo doía, e também os braços, a cabeça, e parecia que, não apenas duas, mas todas as costelas estavam quebradas. Sentia-se enjoada por causa da dor no momento em que se sentou em silêncio à mesa do café. Tinha colocado os lençóis no saco de roupas sujas, depois de lavar algumas partes do corpo com todo cuidado, e trocado a roupa de cama, e pensou que talvez a mãe não descobrisse o "acidente" da noite anterior. Ela esperava que não, com todas as suas forças. — Você está atrasada — disse a mãe, sem levantar os olhos do jornal. — Desculpe, mamãe — sussurrou Hinata. Falar doía de maneira absurda, mas sabia o que aconteceria caso não respondesse. — Se estiver com fome, sirva-se de um copo de leite e faça uma torrada. A menina hesitou, sem querer levantar-se novamente, mas, sem dizer palavra, o pai foi preparar o café para ela. Tão logo a mãe se deu conta do fato, olhou para ele com irritação. — Está sempre mimando esta menina. Por que é que você faz isso? — Olhava-o incisivamente, aborrecida com acontecimentos que nada tinham a ver com a preparação do café da manhã da filha. Mas, na verdade, Yono odiava quando ele fazia qualquer coisa pela menina ou lhe dedicava algum gesto de gentileza. — Hoje é domingo. — Como se aquilo respondesse à pergunta. — Você quer outra xícara de café? — Não, obrigada — respondeu Yono, bruscamente. — Tenho que me arrumar para a igreja daqui a pouco. E você também. — Olhou com raiva para Hinata. Mas só pensar em mudar de roupa novamente, em tirar o suéter e as roupas de novo, quase fez a menina chorar. — Quero que ponha o vestido rosa com bordado de casinha de abelha e o suéter que faz conjunto com ele. — As instruções eram claras, como seria o castigo caso não as seguisse. — Fique no seu quarto até estarmos prontos para sair. E não vá se emporcalhar, como sempre, nesse meio tempo. Hinata balançou a cabeça e deixou a mesa em silêncio uns instantes mais tarde, sem o café da manhã. Ela sabia que hoje levaria mais tempo do que de costume para obedecer às ordens da mãe. O pai assistia a tudo sem dizer uma só palavra. Havia uma cumplicidade de silêncio entre eles. Hinata tornou a subir as escadas lentamente, com mais dificuldade do que quando desceu, mas enfim conseguiu chegar ao quarto e procurou, no closet, o vestido que a mãe a mandara usar. Encontrou-o com facilidade, mas vesti-lo foi outra história. Levou praticamente uma hora inteira para tirar as roupas e entrar no vestido, enquanto estremecia de agonia e enxugava as lágrimas que escorriam em abundância. O suéter foi o último golpe numa manhã já deplorável. Mas Hinata estava pronta, à espera, quando o pai veio lhe dizer que era hora de ir, e o seguiu pelas escadas, com os sapatinhos de verniz preto e meias brancas, o vestido rosa e o suéter que fazia conjunto com ele. Como sempre, parecia um anjinho. — Meu Deus, você penteou os cabelos com garfo e faca? perguntou a mãe com raiva, no momento em que a viu. Não conseguira levantar os braços para pentear os cabelos naquela manhã e, ingenuamente, esperou que a mãe não fosse perceber. — Esqueci — foi a única coisa que lhe ocorreu responder; pelo menos a mãe não poderia dizer que estava mentindo. E pelo menos não fingiu que tinha penteado. — Volte já lá em cima, penteie os cabelos, e ponha a fita rosa de cetim. — Os olhos de Hinata encheram-se de lágrimas com a ordem e, pelo menos dessa vez, o pai veio em seu auxilio. Tirou um pente do bolso do paletó e, em vez de lhe entregar, passou-o ele mesmo nos cabelos sedosos. Em menos de um minuto ela estava apresentável. O sangue nos cabelos havia secado àquela altura e ele fingiu não vê-lo. — Ela não precisa da fita. — Foi tudo o que disse à mulher, enquanto Hinata o olhava, agradecida. Com o terno escuro, a camisa branca e a gravata vermelha e azul, estava mais elegante do que nunca. A mãe vestia um tailleur de lã cinza, com uma pele em torno do pescoço, um chapéu preto pequeno e gracioso com véu, e luvas de pelica brancas, que, como sempre, pareciam imaculadas. Usava lindos sapatos de camurça pretos e levava uma bolsa de mão também preta de couro de crocodilo. Parecia uma modelo de revista, Hinata sabia, embora, como de costume, parecesse tão zangada. Mas daquela vez Yono decidiu não discutir com Hiashi por causa da fita. Simplesmente não valia a pena. Estavam quase atrasados para a igreja, mas conseguiram chegar em cima da hora, de táxi, e sentaram-se em um dos bancos, com Hinata no meio. A menina soube imediatamente o que aquilo significava. Todas as vezes que não gostava do modo como a filha se comportava, ou se ela se movia um milímetro que fosse no banco, a mãe apertava-lhe a perna ou o braço até deixar ali uma marca, ou a beliscava por baixo do vestido. Hinata sentou-se o mais imóvel que pôde, mal se mexendo nesse dia, e respirando com dificuldade, devido à dor que sentia nas costelas. Passou a maior parte da missa atordoada, em agonia. A mãe manteve os olhos fechados por quase todo o tempo, parecendo rezar em absoluta concentração. Vez ou outra, abria-os para olhar Hinata. Mas hoje, felizmente, todas as vezes que o fez, Hinata estava sentada quieta, prendendo a respiração para que as costelas não doessem ainda mais. Depois, ela seguiu-os, deixando a igreja, diante da qual se juntaram às pessoas que conheciam e conversaram com os amigos. Muita gente comentou sobre a beleza de Hinata, mas a mãe ignorava tanto os elogios quanto a menina. E todas as vezes em que era apresentada a algum novo conhecido ou encontrava alguém que já conhecia, Hinata tinha de apertar a mão da pessoa e fazer uma mesura. Não era uma façanha pequena, haja vista os danos da noite anterior, mas, sabendo que não tinha escolha, ela a cumpria. — Que criança perfeita! — comentou alguém com Hiashi, que concordou, enquanto Yono pareceu não ouvir o que disseram. Perfeição era exatamente o que esperava dela. E Hinata fazia o máximo para corresponder, embora hoje não estivesse sendo nada fácil. Parecia que horas haviam se passado antes de eles se afastarem da igreja e se dirigirem ao restaurante para almoçar. Havia música e elegantes bandejas de prata com pequenos sanduíches. O pai pediu para ela um chocolate quente, que chegou acompanhado de um pote inteiro de creme chantilly. Os olhos de Hinata arregalaram-se, deliciados, mas Yono pegou o pote e o colocou do outro lado da mesa. — Você não precisa disso, Hinata. Não é bom para a saúde. Não há no mundo coisa mais feia do que criança gorda. — Ela não corria o menor perigo de engordar, como os três sabiam. Parecia mais uma das crianças famintas da Hungria de que tanto ouvia falar quando não terminava o jantar. Entretanto, não pôde provar o chantilly, e ela sabia melhor do que ninguém que era porque não merecia. Tinha feito a mãe perder o controle na noite anterior. Em sua cabeça não havia dúvidas de que os danos da noite passada eram provavelmente culpa sua, por menos que entendesse o motivo. Ficaram no restaurante até a tardinha, cumprimentando os amigos e observando os estranhos. Era um lugar divertido para se ir almoçar, e, em circunstâncias normais, Hinata teria se divertido, mas hoje não pôde. Sentia muita dor e ficou aliviada quando por fim se prepararam para ir para casa. O pai tinha ido buscar um táxi, e Hinata ficou um pouco para trás, andando com lentidão e observando a mãe, que atravessava o saguão com elegância. As cabeças voltavam-se para ela quando passava, como sempre acontecia, e Hinata olhava para ela com espanto e ódio mudo. Se era tão bonita, por que não podia ser também bondosa? Era um daqueles mistérios para os quais Hinata sabia não haver resposta. E quando saía do restaurante, pensando a respeito, tropeçou num breve instante e, acidentalmente, pisou de leve na parte da frente do sapato de camurça preto da mãe. Hinata estremeceu por dentro ao fazê-lo, mas a reação da mãe foi ainda mais rápida. Ela parou abruptamente onde estava, olhou para Hinata com desprezo e apontou para o sapato, ultrajada. — Limpe — disse, rosnando num tom abafado que parecia a voz do demônio, ao menos para Hinata. A mãe apontava para o sapato com tal arrogância, que deixaria chocado qualquer um que a ouvisse, mas, como era de costume, ninguém parecia notar. — Desculpe, mamãe — Seus olhos eram lagoas profundas de tristeza e desolação.

— Dê um jeito nisso — disse a mãe, com rispidez, mas Hinata não tinha nada com que limpar a camurça preta, à exceção dos dedos, e começou a esfregá-los freneticamente a fim de eliminar a mancha ofensiva de poeira. Pensou em usar o vestido, mas isso faria a mãe ficar ainda mais irada... ou o suéter... Tinha de haver algo, mas não havia. Não tinha um único lenço à disposição, ou mesmo um pedaço de pano. Então Hinata fez o melhor que pôde com os dedinhos ágeis. Num exame mais apurado, parecia que a mancha sumira, mas Yono recusou-se a acreditar quando Hinata disse isso. Ela fez com que a menina esfregasse repetidamente o sapato, ajoelhada na calçada, diante do hotel.
 — Nunca mais faça isso. Está me entendendo? — disse rispidamente para Hinata, enquanto a menina agradecia em oração silenciosa por ter conseguido remover a mancha. Se não tivesse conseguido, com certeza haveria outra surra. Ou talvez ainda houvesse. Faltava ainda muito para o dia acabar. Tomaram um táxi de volta para casa, e a dor intensa de Hinata piorava a cada momento. Ela estava branca como uma folha de papel, e as mãozinhas tremiam no momento em que as cruzou em silêncio, esperando que a mãe não as visse até chegar em casa. No entanto, por alguma razão, Yono estava bem-humorada, para variar, e, embora não fosse gentil com a filha, considerando-se a cena da noite anterior, tratava o marido com surpreendente civilidade. Não pediu desculpas por nada. Nunca o fazia. Para ela, não precisava fazer isso. Em sua cabeça, a briga da noite passada tinha sido culpa exclusiva dele e nada por que ela precisasse desculpar-se ou justificar-se. Mandou Hinata para o quarto assim que puseram os pés dentro de casa. Detestava encontrá-la andando pela casa sem nenhuma razão aparente. Preferia-a confinada a um espaço pequeno, sentada numa cadeira em seu quarto, mantendo-se longe de problemas. E era exatamente isso o que a menina pretendia fazer. Não queria provocá-la ainda mais. Então, foi para o quarto e lá ficou. Não tinha nada para fazer, mas também sentia tanta dor que, de qualquer maneira, não poderia ter feito coisa alguma, caso tivessem lhe pedido. Sentada no quarto, entretanto, não podia deixar de pensar em Hanabi, a boneca que fora destruída na noite anterior. Sentia profundamente a sua falta. Hanabi tinha sido sua única amiga, sua confidente, sua alma gêmea. Agora, não tinha ninguém. Ainda pensava nela quando ouviu risos no corredor, do lado de fora do quarto, e ficou surpresa ao se dar conta de que estava ouvindo as vozes dos pais. A mãe raramente ria de alguma coisa, mas nesse instante em que Hinata a ouviu, parecia quase a risada de uma menina. As vozes acabaram desaparecendo, e Hinata ouviu a porta do quarto deles bater com força. Ela não tinha ideia do que faziam lá dentro e se perguntou se não estariam brigando. Mas não parecia que fosse isso. Pareciam felizes, rindo. Durante muito tempo, Hinata ficou ali sentada, esperando. Uma hora teriam que voltar, pelo menos para lhe dar comida. Mas quando a tarde chegou ao fim, ainda não tinham aparecido, e ela sabia que não havia nada que pudesse fazer. Não podia bater à porta deles ou chamá-los. Nem mesmo podia pedir que lhe explicassem por que a estavam ignorando ou por que a tinham deixado à sua própria mercê, esquecendo-se de lhe dar o jantar. Acabaram não indo vê-la naquela noite. Tinham estabelecido uma espécie de paz temporária e a estavam consumando alegremente na privacidade do quarto. Yono o perdoara pela noite anterior, o que era raro, e Hiashi ficou tão surpreso com isso, e ela estava linda de tal maneira naquele dia, que se sentiu atraído por ela. Isso, somado ao fato de que bebera bastante durante o almoço no restaurante, ajudou a enternecê-lo para uma mulher que em geral detestava. Por algum motivo, ambos estavam extraordinariamente bem-humorados. Mas nem uma pequena parte desses sentimentos afetuosos recém-descobertos estendia-se à filha. Hiashi sabia que essa paz era temporária, assim como Yono, mas de qualquer maneira era agradável, independente da duração que tivesse. E a mulher decidiu não desperdiçar nem um minuto do tempo que desfrutavam na cama dando-se ao trabalho de ir alimentar a filha. Hinata sabia que podia ir lá embaixo. Ainda havia sobras da noite passada, mas não fazia ideia do que podia lhe acontecer se tocasse na comida. Era melhor ficar ali no quarto e esperar. Não podiam demorar tanto assim. Afinal, estavam apenas conversando com a porta fechada. Mas quando viu dar sete horas, oito, por fim nove, e ainda dez, ficou claro que haviam se esquecido dela. Foi então para a cama, agradecida por nada particularmente desagradável ter-lhe acontecido no dia que terminava. No entanto, ainda poderia acontecer, como na noite anterior, caso o pai irritasse a mãe, ou a abandonasse, saindo sozinho, como fazia com frequência, independente de ela merecer ou não. Tudo era possível, e Hinata teria de pagar o preço por todas as fraquezas e falhas dele. Dessa vez, porém, nada aconteceu. Ele não foi a lugar algum, os pombinhos permaneceram no quarto, e Hinata finalmente dormiu, sem jantar.



Notas Finais


Uau, vcs não imaginam com foi difícil postar esse capítulo, mas dei o meu melhor ...
Muito obrigada a quem está acompanhando a fic. Bio,Bjo


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