História Are You? - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, D.O
Tags ?2concursoexofanfics?, Baeksoo, Dtehospital, Soobaek
Exibições 74
Palavras 3.469
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy, Shonen-Ai, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Aqui estou finalmente com a fanfic para o concurso ahsuahsuahsaush que nervouser
Eu não acho que ela tenha algum sentido, maaaaas tomara que entendam as referências (por mais que eu ache mais complexo do que qualquer mv do bts) enfim, a fanfic fala sobre suas doenças implícitas, eu deixo nas notas finais caso alguém não tenha decifrado meu código <33

E obrigada à diva Sisi @Nasuke que betou esta bela OS, mil bjões pra ela pq sou biased <333

Boa leitura <3

Capítulo 1 - Das sete vezes que eu te encontrei...


Kyungsoo costumava ficar no jardim do hospital sempre que podia. Nos intervalos de cada turno, ele gostava de olhar o movimento, ver como as pessoas eram. Era divertido.

Quando não estava observando as pessoas, ele sempre estava com seu esfregão a postos, limpando qualquer marca que aqueles porcos deixavam no piso branco da sala de espera. Era cansativo, mas ele já havia se acostumado.

Ele não fazia questão de ser simpático; na verdade, era interessante resmungar e ver todas aquelas pessoas com os olhos cheios de culpa. Era interessante para ele vê-las terem medo. Ele gostava, achava divertido.

O que não era divertido era limpar o chão diversas vezes e sempre ter alguém para sujá-lo de novo, sem dó nem piedade de suas costas. Era um rapaz saudável, no auge da sua juventude e já teria problemas sérios nas costas. Tudo culpa daqueles imundos.

Sempre que terminava seu trabalho, ele colocava o material no canto da sala, para que o Zelador chefe pudesse colocá-los na sala dos zeladores no fim do turno. Ele estava ansioso para isso. Queria terminar logo para que pudesse observar as pessoas da entrada do prédio. Queria ver como eram suas expressões.

Ele só não esperava que fosse ter que limpar tudo aquilo outra vez.

– Meu deus! Me desculpa, moço – ouviu a voz macia do rapaz verbalizar após um guincho. Observou, sem demonstrar qualquer expressão, a água suja se espalhar por todos os lados. Suas têmporas já queriam saltar para fora de sua cabeça.

Sem falar nada, ele só começou a limpar mais uma vez, até que o senhor Kim chegou, pegando o esfregão de seus dedos.

– Tudo bem, Kyungsoo, eu tomo conta disso agora – o senhorsinho sorriu. Já era um homem velho, mas ainda muito forte e disposto; fazia seu trabalho como ninguém jamais faria. Era um ótimo zelador.

Enquanto isso, o jovem arruaceiro esperava o veredito, olhando de um zelador para o outro com certa impaciência e medo no olhar.

– Ele fez isso, Sr. Kim – Kyungsoo murmurou para que apenas o velho ouvisse, o que não funcionou muito bom.

– Sim, eu sei, meu jovem. Ele está com pressa, todos aqui estão – falou calmamente, virando-se para o rapaz de cabelos vermelhos. – Pode ir, meu jovem. Tome mais cuidado.

Kyungsoo observou o bagunceiro sumir de sua visão, correndo pelos corredores e indo para a área da maternidade. Bufou, observando a água suja ser rapidamente contida pelo seu superior.

Mesmo sentindo uma pontada de culpa, ele resolveu fazer o que tanto queria - ir ao jardim e observar as pessoas em sua volta.

Ele não sabia, mas aquele foi o primeiro encontro.

 

 xXx

 

Aquele era um dia estranhamente frio. Kyungsoo não pode sair para o jardim naquele dia, e nem conseguiria se o tivessem deixado. Estava frio demais para qualquer pessoa, funcionário ou paciente, sair do prédio hospitalar.

Ele havia acabado de sair do necrotério, junto do zelador Kim, após levarem o velho senhor Byun que havia falecido na noite anterior, devido a uma parada cardíaca. Era um senhor divertido, havia saído do coma há poucas semanas e era visitado constantemente por um senhor carrancudo. Os dois eram muito próximos.

Ele não costumava falar muito com os pacientes. Geralmente ele podia entrar nos quartos para apanhar alguns medicamentos ou trocar bandejas, fazendo com que algumas idosas puxassem assunto. Kyungsoo nunca havia se sentido confortável conversando, mas aquelas senhorinhas faziam tudo ser mais fácil.

– Soo, você pode levar essas bolsas de soro glicosado para o quarto 17? – o velho zelador pediu ao jovem com um sorriso. ‘Soo’, ele gostava daquele apelido. Sorriu apenas por escutá-lo. Sr. Kim era alguém que ele prezava muito.

Assentiu, pegando o carrinho e levando-o até a ala dos quartos, vagarosamente. Aquele podia ser um defeito em Kyungsoo, ele não fazia nada com pressa.

O quarto 17 estava sendo ocupado por um jovem de cabelos vermelhos. Seus olhos estavam grudados no velho ventilador de teto que fazia um barulho irritante, girando devagar, quase parando de funcionar. Não fez barulho ao abrir a porta e o rapaz também não pareceu ouvi-lo. A enfermeira Ji estava lá, furando o braço do pobre garoto, que parecia estar alheio a tudo e todos.

– Será que minha veia pode inchar e explodir? – o rapaz de cabelos vermelhos falou, ainda sem olhar para outro lugar a não ser o ventilador de teto enferrujado.

– Com duas bolsas de soro? Acho que não. – ela riu, ainda mantendo o semblante ameno. – Se alimente melhor e então não precisará disso no futuro – com um sorriso, seu olhar passou do garoto com as veias violadas para o outro, com as veias intactas, porém com olhos atentos.

– Mas que pena... – o garoto resmungou ainda mais alto, e então Kyungsoo se viu sendo encarado pelos dois. O rapaz o olhava sem expressão, enquanto a doce enfermeira caminhava até ele.

– Obrigada, Kyungsoo. Pode levar duas até o quarto 20? – disse com um sorriso terno. Kyungsoo apenas assentiu, em silêncio, voltando a olhar ao dono dos cabelos vermelhos. Ele parecia ainda mais entediado.

Apesar de estar sendo um tanto egoísta, Kyungsoo quase confrontou o rapaz. Tinha certeza de que ele era aquele arruaceiro que bagunçou toda a sala de espera. Mas seria meio injusto, já que as veias do pobre coitado explodiriam a qualquer momento. Com um sorrisinho no rosto, ele foi até o quarto 20, onde a senhora Sung estaria esperando alguém para dissertar sobre seus gatos.

Aquele foi o segundo encontro.

 

xXx

 

Kyungsoo não fazia questão de se lembrar das pessoas. Ele também não sabia porque havia se lembrado tão bem do garoto bagunceiro; talvez por ter se sentido mal pelo zelador Kim, ou talvez apenas por ter limpado algo tão bem e ele ter destruído tudo. Mas toda vez que Kyungsoo o olhava, sentia o peito queimar e a cabeça doer. Era ruim, então ele fazia de tudo para ignorar qualquer um que tivesse cabelos vermelhos.

– Vocês colocam essas coisas nas minhas veias como se fosse adiantar alguma coisa. – aquela voz. Kyungsoo reconheceu muito bem, por mais que ela soasse mais áspera. No entanto, ele não quis virar para observar ou prestar mais atenção. Era curioso, porém esperto. Se seu peito queimava palha na fogueira só de ver o cidadão, ele não seria burro a ponto de procurar sentir dor.

– Kyungsoo! Pode vir aqui um segundo? – ouviu a voz da enfermeira Ji e se virou no ato. Temendo pela própria vida, aproximou-se dela, e consequentemente do rapaz de cabelos de fogo. – Por acaso viu a doutora Park? Tenho que ver se o doutor Oh agendou alguma sessões para esse rapaz.

– Doutora Park? – o rapaz franziu o cenho. – Pra quê?

– Acho que você está precisando de ajuda – a enfermeira falou e Kyungsoo sentiu um arrepio no fundo da espinha. – Soo, fiquei aqui, sim? Eu irei falar com o doutor Oh.

Kyungsoo assentiu, mesmo sentindo tremeliques nos dedos dos pés.

– Quem é doutora Park? – o rapaz insistiu, com o olhar caindo sobre o zelador. Seus olhos exibiam tanto fogo quanto seus cabelos.

– Ela é... Psicóloga – respondeu com os olhos acesos grudados nos fios vermelhos e ressecados do rapaz.

– Ela disse que eu tenho problema mental? – indignado, ele tentou sair do leito, mas ao ver a agulha presa no braço direito, desistiu.

Após algum tempo olhando para o nada, Kyungsoo resolveu prestar atenção no rapaz. Ele parecia inquieto demais, e então os olhares se cruzaram por dois segundos. Um nome apareceu em sua mente. Kyungsoo não soube o porquê, mas sabia que aquele garoto se chamava Baekhyun.

– Bom, acabei de falar com o doutor Oh. Suas sessões com a doutora Park começam amanhã. – a enfermeira Ji retornou ao leito carregando uma folha presa a uma prancheta. – Agora, só precisa de mais uma dose de soro e poderá ir pra casa.

– Minhas veias poderiam explodir com tanto remédio que vocês colocam. – insistiu. Kyungsoo voltou a ser apenas um observador. O garoto falava como um velho. – Não seria melhor colocar um cateter? – ele sorriu travesso, e mesmo que a enfermeira tivesse esboçado um sorrisinho mínimo, ela logo revirou os olhos.

– Não fale bobagens, a última coisa que queremos é ter que colocar um cateter em você. – ela parecia falar sério. – Preste atenção, isso pode se tornar algo pior se você não se cuidar. E é por isso que vai ter sessões com a doutora Park.

Kyungsoo estava pronto para virar as costas e ir embora quando a enfermeira pôs a mão em seu ombro.

– Obrigada por ter tomado conta desse teimoso, Kyungsoo. – sorriu, enquanto ele apenas curvou-se, apressando o passo para sair de lá.

Seu coração bateu rapidamente. Sua cabeça doía, era como se ele tivesse acabado de sair de uma volta na montanha russa mais radical do mundo.

Aquele foi, sem dúvidas, o terceiro encontro.

 

xXx

 

Kyungsoo havia passado um bom tempo observando as pessoas. Aquele dia estava um pouco mais quente e alguns pacientes estavam no jardim aproveitando a luz do sol. Ele viu a ambulância chegar e uma mulher com a barriga enorme andar desajeitada até a entrada. Viu uma senhora sair sorrindo com um laço na cabeça. Viu dois senhores conversando sobre futebol e viu um rapaz alto brincar com uma bola colorida, sozinho.

Respirou fundo, verificando mentalmente se já estaria a hora de entrar e ajudar o zelador Kim, e foi isso que ele fez. Chutou a bola colorida do rapaz alto que veio em sua direção e caminhou até o prédio principal, passando tranquilamente pelos leitos externos, até ouvir certos “psiu” que julgou serem para ele.

Olhando em volta, ele descobriu que seria melhor não ter dado atenção.

– Ei... Você pode me ajudar? – o rapaz de cabelos vermelhos, possivelmente chamado Baekhyun, o chamava exageradamente com a mão esquerda, enquanto a outra ainda estava presa à agulha que levava o soro às suas veias. – Eu acho que não era pra isso ter acontecido...

Kyungsoo se aproximou. A bolsa de soro estava vazia e havia sangue até um terço do caninho preso à veia do rapaz. Ele pareceu desesperado, e tudo só piorou quando Kyungsoo soltou o ar pelas narinas, tentando não rir tão alto assim.

– Você, por acaso, apertou o tubo? – perguntou apenas para ganhar um tempo tentando decifrar o que eram aquelas reviravoltas no seu estômago.

O garoto assentiu, preocupado com seu sangue que estava saindo de seu corpo levianamente. Kyungsoo só riu mais um pouco, se dando conta de que aquilo parecia familiar.

Qualquer pensamento foi espantado de sua cabeça quando o rosto do rapaz exibia pânico, e ele resolver tomar alguma atitude.

Precisou correr um pouco, o que não fazia parte de seu dia a dia, até encontrar um enfermeiro para que ele pudesse ajudar o pobre coitado. Quando seu ombro se chocou com o da enfermeira Ji, ele precisou puxar o ar no mínimo três vezes para finalmente poder verbalizar algo inteligível.

– O garoto... – puxou o ar para ganhar tempo. Talvez soasse maluco, mas arriscaria. – Baekhyun... Ele... O soro acabou, ele está um pouco com pressa – disse e a enfermeira não pareceu confusa. Então o nome do rapaz era mesmo Baekhyun...

– Ah, claro. Obrigada por avisar, Kyungsoo, eu estou indo – ela lançou mais um de seus sorrisos doces para ele e partiu em direção aos leitos externos.

Kyungsoo não pensou em voltar e receber um ‘obrigado’. Ele simplesmente decidiu voltar ao jardim e observar o movimento.

Quando viu o rapaz de cabelos vermelhos sair, um tanto apressado, seu peito voltou a doer. Era uma espécie de dor boa. Doía, mas não era incômodo.

Aquele foi o quarto encontro.

 

xXx

 

Kyungsoo estava limpando a sala de espera quando Baekhyun apareceu no dia seguinte.

Mesmo que quisesse bufar ou passar o esfregão ‘sem querer’ na frente dele para ele cair ‘acidentalmente,’ ele não o fez. O calor em seu peito se tornava cada vez maior e incompreensivelmente mais suportável.

Mas Baekhyun não foi até a recepção quando chegou. Ele não procurou qualquer enfermeira ou médico. Ele foi diretamente até Kyungsoo, seu coração quase saiu junto com as pequenas gotas de suor frio que escorria pela sua testa.

– Kyungsoo, a tal doutora Park está aqui? – tossiu um pouco. Sua voz estava absurdamente seca, semelhante à voz de um fumante.

– Está... Em horário de almoço, acho. – lembrava-se do horário de almoço ser aquele, então era provável que todos os médicos estivesses comendo.

O rapaz tossiu um pouco mais alto.

– Eu... Eu vou ter que esperar? – ele olhou em volta. Sem esperar qualquer resposta, sentou-se em uma das cadeiras disponíveis na sala de espera. E tossiu.

Kyungsoo tentou não prestar atenção no intruso. Geralmente não havia tantas pessoas naquele horário justamente por ser horário de almoço. Algumas vezes sim, pois ninguém previa a hora de um ataque fulminante, ou uma febre delirante. Kyungsoo se sentia incomodado apenas por ser aquele rapaz de cabelos de fogo que deixava seu peito em chamas.

A tosse do rapaz ficou cada vez mais frequente e, quando Kyungsoo guardou o esfregão no lugar de costume, viu Baekhyun de relance, com as mãos cobrindo a boca para abafar mais um acesso de tosse interminável.

E logo suas mãos estavam vermelhas.

Kyungsoo congelou. O rapaz andava até ele, o sangue escorria de sua boca como saliva.

– Acho que vou ter que adiar a consulta – disse com dificuldade, e logo em seguida curvou-se, sujando seus sapatos de sangue.

Aquele foi o quinto encontro.

 

xXx

 

Naquela noite, Kyungsoo não conseguira dormir.

Acontecia com mais frequência do que ele desejaria, então ele fez como sempre e resolveu ir até o jardim. Não havia muitas pessoas por lá; era calmo, ele podia pensar com facilidade. Às vezes sua cabeça girava e ele não sabia dizer onde estava. Sua mente criava memórias que ele não se lembrava de ter vivido. Era exaustivo. Ficar em silêncio era como se afundar em um abismo de pensamentos confusos.

Ao chegar ao jardim, percebeu que alguém havia tido a mesma ideia que a sua. O garoto de cabelos de fogo estava lá, parecendo cada vez menor. Seus braços estavam ossudos, seu queixo estava mais fino. Kyungsoo não conseguia ver um resquício de vida nele, e ao mesmo tempo não conseguia tirar os olhos.

– Oh, Kyungsoo – ele falou num fio de voz nasal. – Eles vão cortar minha garganta... Literalmente.

Kyungsoo piscou algumas vezes para poder entender o que se passava pela cabeça daquele garoto. Ele parecia mal, parecia doente. Por que não agia como tal?

– Finalmente vão por um cateter em mim, olha que coisa – ele riu da própria desgraça. Kyungsoo semicerrou os olhos. Nem o vento gelado era capaz de acalmar o ardor em seu peito.

– O que você tem? – ele não gostava de perguntar aquilo. Era ridículo. Ele era só um zelador, por que alguém iria querer conversar sobre enfermidades com ele?

– Fome...

– Podemos ir ao refeitório, a comida não é tão boa, mas...

– Eu morreria se comesse alguma coisa – fez um bico pensativo, erguendo a cabeça para olhar as poucas estrelas que apareciam entre as nuvens escuras. Kyungsoo não conseguia fazer o mesmo.

– Por que diz isso? – foi calmo. Não queria afrontá-lo, sua curiosidade era grande demais para uma pessoa só, e o zelador sabia disso.

– Eu vi em algum lugar que, se você fizer um pedido às onze e onze, ele se realiza. – Kyungsoo recuou com a mudança brusca de assunto. Aquilo o fez desviar o olhar dos cabelos sem vida do garoto e voltar sua atenção para os pontinhos iluminados que enfeitavam o céu.

– E você fez? – tornou a olhar para Baekhyun, que também olhava para ele. Sentiu uma vertigem percorrer todo seu corpo, então ele sorriu antes de falar qualquer coisa.

– Ah, eu faço um todos os dias. – as estrelas não pareciam um atrativo tão grande quando eles estavam olhando cada um para os olhos do outro. Estavam perdidos. Kyungsoo lembrou de um tempo onde ele caminhava com um rapaz alegre, muito parecido com Baekhyun, ambos de mãos dadas e sentindo o ar marinho batendo no rosto. Um lembrança que ele não lembrava de ter vivido. Seria um sonho?

– E o que você pediu hoje? – estava curioso. Talvez todas aquelas lembranças confusas estivessem o deixando com sono. Tudo ficava nebuloso quando aquele rapaz se aproximava.

– Eu só posso te falar quando se realizar. – murmurou, quebrando finalmente o contato visual e voltando a admirar as estrelas. As nuvens escuras haviam tapado a visão dos pontinhos brilhantes. Os dois pareciam sem lugar para por os olhos, então voltaram a se olhar. – E você, Kyungsoo?

– Eu o quê?

– O que você tem? – Baekhyun perguntou. O zelador não sabia o que responder. Ele não tinha nada!

– Nada... Que eu me lembre. – falou, com um misto de incerteza e medo. Sua cabeça não trabalhava como ele queria. Ele queria lembrar o que havia feito dele um zelador daquele hospital, mas não conseguia associar nada. Era tudo branco em sua memória.

– Eu não teria certeza disso. – o garoto de cabelos queimados levantou-se, olhando de relance para as nuvens pesadas que cobriam as estrelas, sorrindo calmamente para o zelador e indo em direção ao prédio.

– O que quer dizer com isso? – estava confuso. O que aquele garoto sabia sobre ele? Haviam conversado pouquíssimas vezes e em nenhuma ele lembrava de ter dito seu nome, apesar de estar sempre estampado no crachá do uniforme. Ainda sim, como Baekhyun saberia de qualquer coisa sobre ele?

E como ele sabia que o nome do garoto era Baekhyun?

Aquele foi o sexto encontro.

 

xXx

 

Kyungsoo estava novamente observando o movimento das pessoas no jardim. Todas vestiam o uniforme branco do hospital. Era engraçado vê-las andando de um lado para o outro, às vezes sem saber o que fazer. Ele também não sabia o que fazer. O zelador Kim não havia dado as caras por ali e ele também não havia visto Baekhyun, mesmo indo várias vezes até o quarto 11, onde ele estava antes de anunciarem a cirurgia.

Cirurgia.

Baekhyun faria uma cirurgia no esôfago naquele dia. E de repente o que ele havia falado sobre cortarem sua garganta fazia sentido.

Mas mesmo assim, ele não conseguia entender porque ele havia perguntado seu problema. O que ele tinha. Ele poderia saber de algo? Se sim, como poderia?

Quando levantou do banquinho que costumava ficar sempre que ia ao jardim, ele pensou onde o zelador Kim poderia estar. Talvez no necrotério, ajudando a levar falecidos, ou na farmácia, ajudando com as caixas. Seria cansativo procurar por todo o hospital, então ele resolveu sentar em uma das cadeiras da sala de espera.

Quando acordou, já era tarde. Ele se xingou mentalmente por não ter ido procurar o zelador Kim; se sentia irresponsável. Levantou-se em um pulo, mesmo sentindo-se um pouco tonto. Tratou de caminhar rapidamente, até que um vulto vermelho dentro de um dos quartos chamou sua atenção.

Ele abriu a porta, mesmo sabendo que não deveria fazer aquilo, e viu o garoto imóvel, com os olhos fixos no ventilador de teto, sem prestar atenção nele.

Quando Baekhyun se deu conta, Kyungsoo já estava ao seu lado. Então, com a mão ossuda, ele apontou para o relógio branco, logo movendo sua boca em uma frase sem som que o zelador entendeu de imediato.

O relógio marcava 11:11.

“Faça um pedido”.

Aquele foi o sétimo...

 

xXx

 

Kyungsoo acordou exaltado. Seu coração batia mais rápido do que lhe era permitido e sua testa escorria um suor frio. Seus dedos estavam trêmulos; mesmo estando verão, ele se sentia com frio. Levantou de sua cama com dificuldade. Há muito suas pernas não o obedeciam, parecia que elas já não suportavam o peso da idade.

– Finalmente acordou, senhor Kyungsoo. – ele viu a enfermeira Ji falar sorrir ternamente para ele, enquanto preenchia uma ficha em seu quarto.

– Eu tive um sonho esquisito. – tossiu brevemente, fazendo a mulher parar o que estava fazendo para ver se ele estava bem.

– Um sonho? E como era esse sonho? – ela perguntou, logo que fez o homem sentar-se de novo.

– Eu não me lembro. – ele olhou ao redor, vendo o quanto as paredes eram brancas. – Era tudo branco, como esse quarto. E vermelho também.

– Oh, sim. – ela deu um sorriso pequeno. Talvez não queria que aquele pobre senhor se decepcionasse mais ainda.

– Que horas são? Eu posso sair? – ele falou, levantando-se teimosamente. E, sem esperar resposta, calçou os chinelos macios e saiu andando vagarosamente pelos corredores largos e brancos daquele hospital, indo em direção ao jardim.

– São onze e... – a mulher falou, ainda entretida aos papéis, mas o velho Kyungsoo já tinha saído do quarto. Ela então suspirou, terminou suas anotações e saindo, sabendo que aquele velho senhor cumpriria sua rotina rigorosamente, como sempre fazia questão.

Kyungsoo costumava ficar no jardim do hospital sempre que podia. Sentir a brisa de verão batendo nos cabelos brancos e ver o movimento das pessoas era o que fazia para passar o tempo naquele lugar sem vida. Ele gostava de ver as pessoas. Era divertido.


Notas Finais


Não sei se fez sentido pra alguém, mas pra mim fez ahsuahsauhsauhs

A doença que o Baekhyun tem é bulimia nervosa, que desenvolveu uma esofagite e logo depois um câncer de esôfago (o que explica a tal cirurgia).
Já Kyungsoo tem mal de Alzheimer.
É isso, qualquer dúvida eu tô disponível <3
https://twitter.com/papelcelofanee


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