História Are you my clarity? - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Homossexual, Lesbicas, Romance
Visualizações 645
Palavras 2.532
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Orange, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oee, parece que acertaram o desafio no último capítulo, né? hahahaha Mas não vou dizer quem foi, embora eu ache que esteja óbvio até demais... Cês são muito sem graça, não dá nem pra fazer um suspense na história. Mas tá aí, vamo que vamo! Mais um!

Capítulo 24 - Inocência


Quando voltei a mim novamente, senti que minha cabeça estava apoiada em algo macio. Abri os olhos devagar e dei de cara com um par de olhos verdes assustados me encarando.

-- Graças a Deus! – Alison exclamou.

Pisquei algumas vezes tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Eu estava deitada no chão da sala, mas minha cabeça estava no colo de minha irmã, que estava sentada ao meu lado. Quando relembrei o que tinha me feito cair ali, meu coração quase sai do peito.

-- Alison! – eu quase gritei, ficando de pé novamente em um pulo. Senti minha cabeça girar outra vez. Que porra é essa? – Quem deixou isso aqui na porta?

-- Ei, calma – ela levantou também, ficou me olhando espantada, confusa. – Não sei. Só tocaram a campainha e quando eu abri a porta, tinha esse envelope no carpete. O que é isso, Sara? Alguma ameaça?

Não respondi. Passei as duas mãos pelos cabelos, nervosa, e comecei a andar de um lado para o outro. Namorada. Sabiam da Renata. Não era possível que fosse um blefe. Ou seria? Mas é muita coincidência. Ai, meu Deus, eu tinha acabado de sair da casa dela. Me seguiram? Sabiam onde ela morava?

-- Quanto tempo tem que deixaram isso aqui? – minha voz saía engasgada. Eu sentia meu corpo fraco como se fosse desmaiar de novo.

-- Foi hoje mais cedo. Sei lá, tem umas duas horas. Vai me explicar o que tá acontecendo?

-- Não posso – agora minha voz era quase de choro. O desespero estava batendo como nunca antes. – Não posso, Ali, desculpa...

Saí correndo escada acima para que ela não visse que eu estava prestes a desabar em lágrimas. Bati a porta do meu quarto e imediatamente peguei o celular e liguei pra Renata.

-- Já tá com saudade? – a voz dela do outro lado da linha. Dei um sorrisinho, aliviada. Ela estava bem.

-- Como não sentir? – tentei demonstrar naturalidade, mas acho que falhei miseravelmente.

-- Tá tudo bem? – ela percebeu. – Que voz é essa?

-- Nada, deve ser a ligação ruim. Só liguei pra ouvir sua voz. Como tá as coisas por aí? E sua mãe, falou alguma coisa? – queria disfarçar só pra saber se estava tudo bem mesmo.

-- Tá tudo ótimo – ela agora parecia sorrir. – Não disse que ela te adorou? Depois que você saiu, ela veio se derreter em elogios. Disse que você é muito simpática e educada. E linda! Mas isso você já tá cansada de saber.

-- É sempre bom ouvir mais – forcei uma risadinha. – Diga a ela que vou aparecer mais vezes para almoçar aí. Muito melhor do que a comida aqui em casa.

-- Ela vai ficar se achando com isso. Assim você vai conquistar o coração da sogrinha de vez.

Sogrinha. Senti um aperto no peito. Sabiam da mãe dela também? Me espionaram? Até que ponto isso tinha ido?

-- Preciso desligar agora, Rê. A gente se fala depois, tá bom? Promete que me avisa se acontecer alguma coisa? Liga, manda mensagem, sinal de fumaça, pombo correio... Qualquer coisa.

-- Sara, o que foi? Por que você tá assim? Foi alguma coisa que eu fiz?

-- Não, linda, não foi nada. Só me promete.

-- Tá, prometo. Mas você tá me assustando.

-- Não é pra ficar assustada, fica calma. Tô indo agora. Mais tarde a gente se fala.

-- Tudo bem, então. Fica bem, meu amor! Tô preocupada.

Fiquei em silêncio na linha por alguns segundos. Acho que meu cérebro não processou direito a informação. Ela me chamou de “meu amor”?

-- Sara...? – ela chamou, já que eu não disse mais nada. Dessa vez seu tom demonstrava que ela estava sem graça. Ela não podia ver, mas abri um sorrisão de orelha a orelha por ter ouvido aquilo.

-- Oi, meu amor – fiz questão de dizer o mesmo pra ela. – Não fica preocupada, tá tudo bem. De verdade.

-- Certo, eu acredito então – ela “sorriu” de novo. Odiava ter que mentir assim, mas era necessário. O que eu diria? A situação era louca, complicada, tensa. – A gente se fala depois. Beijo!

Encerrei a ligação e fiquei com o celular na mão, ali, parada no meio do quarto. Minhas mãos tremiam levemente. O quarto parecia muito pequeno, quente, abafado. Eu me sentia mal, quase claustrofóbica. Uma crise de ansiedade tomou conta de mim, eu queria gritar com todo o ar dos meus pulmões. O que fazer quando tudo parece dar errado?

-- Por que? – eu sussurrei para o ar, para o vazio. – Por que eu não consigo ter um minuto de paz? O que eu fiz pra merecer isso?

Permiti que algumas lágrimas escorressem do meu rosto. Com dificuldade, peguei o celular outra vez e disquei um número. Coloquei o aparelho no ouvido, esperei chamar e a pessoa atender.

-- Oi... – falei, uma voz acanhada. – Tá ocupada? Preciso falar com você.

Renata’s POV

Depois de falar com a Sara no telefone senti uma sensação ruim. Sei lá, como se alguma coisa pudesse dar errado, como se algo de ruim fosse acontecer. Estremeci e balancei a cabeça, tentando afastar esses pensamentos da mente. Loucura minha. Era só que o jeito que ela tinha falado comigo me deixou assustada. Era quase como se houvesse medo no tom de voz dela quando me perguntou se eu estava bem. Por que não estaria? Ela tinha acabado de sair da minha casa. Tínhamos acabado de nos ver, eu estava em seus braços há pouco mais de uma hora. Bem era algo que eu definitivamente não estava. Era além disso. Eu estava nas nuvens! Deixei escapar um “meu amor” sem querer, no meio da ligação. Foi tão espontâneo que nem percebi na hora. Eu chamava o Eric assim quase o tempo inteiro quando namorávamos. Mas era algo quase mecânico, era só força do hábito. Mas com ela foi diferente. Senti um sabor diferente em chamá-la assim. Era verdadeiro, era intenso... E ela me chamou de “amor” de volta! Eu tô muito besta. Essa garota me tem muito na mão. E eu estava adorando isso.

Senti meu celular vibrar no bolso do short. Peguei-o já sorrindo, achando que era ela outra vez. Nunca me senti tão melosa esperando uma pessoa falar comigo como esperava por ela. Por mim passaríamos o dia inteiro nos falando. Mas não era seu nome que estava na tela.

Gabriela: “Será que a senhora pode me explicar o que porra foi que aconteceu??? Você e o Eric terminaram, é isso mesmo?!”

Revirei os olhos. Então a notícia já tinha se espalhado? O Eric não perdia tempo mesmo. Com certeza deveria estar se fazendo de vítima.

Renata: “Terminamos sim, Gabi. Ontem à noite. Melhor coisa que fiz nos últimos tempos!”

Gabriela: “O quê? Como assim, amiga? A crise de vocês era tão séria assim? Achei que ia passar... O que foi que aconteceu?”

Renata: “O Eric tava agindo feito um babaca, Gabi, eu não aguentava mais. Era crise de ciúme, era pirraça com a própria irmã... Acredita que até hoje os pais dele acham que foi a Sara que bateu o carro no seu aniversário?”

Eu tinha contado à ela sobre essa história, só porque precisava desabafar com alguém. Minha amiga ficou chocada, mas ela era eternamente “team Eric” e acreditava que ele tinha feito aquilo na hora da raiva, que logo ia desmentir. Mas não foi bem assim que aconteceu.

Gabriela: “Não, não acredito! Meu Deus, como assim? Muita babaquice dele mesmo. Mas isso não é motivo pra terminar, né, Rê? Ele sempre foi assim, meio rebelde, isso não é novidade pra você. Tem mais coisa rolando aí, não tem?”

Fiquei com o celular na mão, sem saber o que responder. Eu não iria de jeito nenhum contar à Gabi sobre eu e a Sara. Pelo menos não por enquanto. Eu tinha acabado de terminar meu namoro, as coisas entre nós pareciam que estavam começando a se ajeitar agora. Ficamos juntas tranquilamente, sem nada entre nós para atrapalhar, pela primeira vez. Era dar muita sorte ao azar espalhar nosso relacionamento por aí. E se isso chegasse aos ouvidos do Eric... Não, é melhor nem pensar. E a Sara me mataria.

Renata: “Tem... Tem todo o desgaste das brigas, acho que eu já não tava mais gostando dele do mesmo jeito. Acontece, né? Era o melhor a se fazer.”

Gabriela: “Se você diz... E como você tá com tudo isso?”

Renata: “Ótima. Tranquila, com a consciência limpa. Aliás, como foi que você soube que eu e ele terminamos?”

Gabriela: “Longa história. O Cássio me ligou, dizendo que o Eric tinha ido bater na porta dele bêbado, 5 horas da manhã. Não falava nada com nada, só sabia dizer que você tinha acabado com ele, que te amava e que ia bater na sua porta também. Sorte sua que o Cássio o impediu, senão ele estaria aí te azucrinando uma hora dessas.”

Só de imaginar o Eric batendo na minha casa enquanto eu e a Sara dormíamos juntas no quarto eu já sentia vontade de rir. Mas não era de graça, era de nervoso. Não acabaria bem essa situação.

Renata: “Ainda bem, mesmo. O Eric bêbado é a pessoa mais chata e insistente que já conheci na vida. Isso não ia dar certo.”

Gabriela: “E como vão ficar as coisas agora? Ele ainda vai andar com a galera, não é? Vocês vão se ver todos os dias no colégio ainda...”

Renata: “Ai, Gabi, sério que você vai ficar tocando nesse assunto agora? Esquece isso. O futuro pertence a Deus, as coisas depois se ajeitam. Mas eu e ele não vamos voltar. Nunca mais.”

Gabriela: “Nunca te vi tão decidida. Tem cachorro nesse mato, eu ainda vou descobrir qual a raça. Não foi só desgaste não. Tá gostando de outro cara, Renata Ferraz? Pode me contar logo!”

Pergunta fatal. Recebi esse tiro mas não respondi. Desculpa, Gabi, por esse vácuo, mas não sabia o que dizer. Se eu continuasse mentindo, ela continuaria insistindo até descobrir, e a situação ia ficar chata. A melhor solução é deixar no ar por enquanto. Ou não?

Saí do meu quarto, onde estava, e fui pra sala. Encontrei minha mãe deitada no sofá, a TV ligada, mas ela não prestava atenção. Estava entretida com uma revista de palavras cruzadas nas mãos.

-- Oi, filha – ela sorriu quanto me viu. Se endireitou no sofá, ficando sentada, e fez um gesto para que eu sentasse ao seu lado. Obedeci.

-- Oi, dona Sandra – eu gostava de chamá-la assim, só para provocá-la. Ela detestava, preferia que chamasse de mãe. Sorri.

-- Tá tudo com você? – ela perguntou. De novo isso? Segunda pessoa que me faz essa pergunta aleatoriamente. Já estou começando a achar que algo de ruim realmente vai acontecer e o universo está tentando me alertar.

-- Tá tudo ótimo, mãe. Por que a pergunta?

-- Você disse que tinha terminado com o Eric... O que aconteceu? Quando eu encontrei vocês aqui na porta, vocês estavam brigando? Era isso?

É horrível quando você termina um namoro de longa data, as pessoas ficam sabendo e você tem de dar a mesma explicação dez mil vezes durante um tempão, até elas assimilarem que vocês não estão mais juntos. Primeira vez que isso me acontecia e eu já estava odiando. E olha que só duas pessoas vieram me perguntar isso.

-- Era, mãe – suspirei e respondi, sem ânimo. – Nós brigamos sim. Mas não foi só por causa disso. Foi um acúmulo de brigas, um desgaste de muitas coisas...

-- Essas coisas acontecem em qualquer relacionamento, Rê. Vocês precisam conversar, entender o que está se passando. Tenho certeza que ele gosta de você e você dele.

-- Não, mãe, eu não sinto mais nada pelo Eric. Faz algum tempo que eu já não sinto. Era só uma questão de tempo... Na verdade, eu estava praticamente só esperando uma desculpa para terminarmos. Não estou arrependida nem estou sofrendo.

Eu e minha mãe eram próximas o suficiente para ter esse tipo de diálogo. Eu me abria com ela quando tinha algum problema, e ela fazia o mesmo. Éramos mãe e filha unidas. Ela e o Gui não tinham essa mesma sintonia, e por isso às vezes ela se sentia mal. Sentia como se fosse uma péssima mãe, embora tentasse de tudo para se aproximar dele. Mas o problema com o meu irmão era muito mais complexo.

-- Entendi... Mas não esqueça jamais que ele é um ótimo garoto. Vocês estiveram juntos desde sempre, como amigos, e como namorados eram muito inseparáveis. Ainda é recente, você precisa de tempo pra pensar, pra sentir falta dele, saber o que quer... É normal.

-- É, talvez você esteja certa – eu concordei só pra encerrar aquela conversa, mas na minha cabeça eu não acreditava em nada. Era difícil para minha mãe conceber esse término, ela tinha o Eric como um filho. O exemplo de genro perfeito. Um dia também pensei assim, mas aí uma certa loira apareceu e deu uma reviravolta em tudo que eu já tinha feito na vida.

-- Pense bem nisso – ela me deu um beijo carinhoso na testa. – Você poderia conversar com a irmã dele, a Sara, sobre isso. Talvez ela faça um intermédio entre vocês, ajude a se entenderem.

Péssima ideia, mãe. Já estou pegando minha suposta cunhada. Pensei isso mas não disse, lógico.

-- Não vou meter a Sara nessa história, mãe, ela já tem problemas demais... Além do mais, ela e o Eric não têm uma relação muito boa. Ele implica muito com ela.

-- Ela acabou de aparecer na vida deles, né? É difícil aceitar essas coisas de primeira. É questão de tempo eles se resolverem.

Difícil discutir esse assunto com minha mãe, ela leva muito para o emocional. Contar a ela sobre a Sara está fora de cogitação. Não sei nem se contaria, se um belo dia, eu e ela começássemos a namorar ou algo do tipo. Sorri por dentro imaginando isso. Mas não sabia como minha mãe reagiria. Ela nunca demonstrou ser preconceituosa ou algo do tipo, mas nunca se sabe. Mães são imprevisíveis. As pessoas são imprevisíveis nesse assunto.

-- Tô com a cabeça cheia, mãe, não quero ficar discutindo isso agora – não falei em um tom rude, falei tranquilamente. Era verdade. Queria encerrar esse assunto, queria voltar no tempo pra quando eu acordei nos braços da Sara hoje mais cedo.

-- Tudo bem, não vou te encher mais. Você já é grandinha pra se decidir na vida.

Sorri pra ela e a abracei forte. Não sei como você reagiria se soubesse a verdade, mãe, mas eu te amo. Muito. Não quero que se decepcione comigo.

Saí da sala e a deixei lá, concentrada de novo nas palavras-cruzadas, e voltei pro quarto. Me joguei na cama, me sentia exausta. Tinha dormido bastante, mas mesmo assim estava cansada da noite anterior. Dei um sorriso quando lembrei que tinha valido a pena. Enterrei o rosto no travesseiro e senti o cheiro imediatamente. Cheiro dela. Ainda estava ali. Aspirei bastante, por um bom tempo, e tentei sentir sua presença de novo ali. Estaria ela pensando em mim do mesmo jeito agora? O que estaria fazendo? Mergulhei nessas viagens antes de adormecer ali, envolta naqueles lençóis saudosos.

 


Notas Finais


Recebi ameaças de morte e sequestro pela demora nas postagens. Devo me preocupar? hahahah juro que não é culpa minha! Tenham paciência comigo <3


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