História Are you saving me? - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Panic! At The Disco
Personagens Brendon Urie, Ryan Ross, Spencer Smith
Tags Brendon Urie, Panic At The Disco, Ryan Ross, Ryden
Exibições 63
Palavras 5.316
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi :3
Estou postando fanfics freneticamente POIS É
Espero que gostem dessa
Terão dois caps apenas, porém ambos são grandinhos

(se eu peguei um trecho de uma musica sobre a sarah e botei como título de fic ryden? exatamentchy)

Capítulo 1 - Um


Eu bati a porta e corri. Subi as escadas correndo até chegar na cobertura do meu prédio. Eu sentia uma certa adrenalina, meu coração batia rápido, lágrimas escorriam pelo meu rosto sem que eu notasse. Eu parei ofegante quando vi uma silhueta de alguém perto do limite. Eu andei silenciosamente em direção, tentando me acalmar. Limpei meu rosto e funguei. Cheguei mais perto e percebi ser outro garoto, sentado no chão. 

Eu respirei fundo. Ele ainda não havia me notado, mas se levantou. Deu um passo para frente e eu fiz o mesmo impulsivamente, ficando pouco atrás de onde ele estava. 

- Ei. - Falei. 

Ele olhou para trás assustado.  

- Puta que pariu. - Disse e colocou uma mão no peito. - Porra você me assustou, Brendon. 

Ele voltou a sentar no chão. Eu daria risada se não tivesse um pouco irritado e chateado. Eu não sabia como ele sabia meu nome. Sentei ao lado dele, mas não tão perto. 

- Desculpe. - Falei. 

Ele parecia esconder seu rosto, olhava para baixo e respirava rápido. Deduzi que fosse pelo susto que eu tinha dado nele. Eu o olhava, mas ele não se atrevia a encontrar meu rosto com seu olhar.

- Como você sabe meu nome? - Perguntei, vendo que ele ficaria em silêncio. 

- Todo mundo sabe o seu nome. 

- Como assim? 

- Você é popular. 

- Popular? 

Ele finalmente me olhou. Deu um riso aparentemente sarcástico e tirou um pouco de cabelo do olho. 

- Você nunca me viu, não é? 

- Hm, acho que não. 

- Isso é porque você é popular. Nós estudamos na mesma escola e moramos no mesmo prédio, e você nunca me viu. 

- São muitas pessoas. Tanto na escola como aqui no prédio. 

Ele mexeu a cabeça negativamente, encarando a paisagem na nossa frente. A lua estava cheia e as luzes dos prédios deixavam a vista mais bonita, apesar de eu gostar mais de ver o céu, as estrelas.  

Eu analisei seu rosto direito pela primeira vez desde que o encontrei. Eu estava calmo agora e ele também parecia estar. Uma das luzes da cobertura do prédio iluminava parte do seu rosto e pude ver seus olhos castanhos. Ele tinha traços delicados e sua franja caía um pouco no olho, mas não o suficiente para tampá-lo. 

- E qual seu nome? - Perguntei, quebrando o silêncio e desviando o olhar de seu rosto. 

- Ryan Ross. 

- Então, Ryan, o que você ouviu dizer sobre mim? 

- Que você é meio metido e egocêntrico. 

Ryan me olhou e forçou um sorriso de lado. Eu o olhei brevemente e voltei a olhar para frente. Eu podia não conhecer aquele garoto, mas isso não havia sido legal e embora eu não quisesse admitir, eu me sentia ainda pior por ter escutado aquilo. 

- Eu podia julgar que era verdade, já que você quis saber o que ouvi sobre você. - Falou. - Mas são só rumores. 

Eu olhei para baixo e senti o olhar dele em meu rosto. Então ele desviou e eu me levantei. Não queria voltar para casa, mas certamente não queria mais falar com ele. Virei as costas e não olhei para trás, descendo as escadas lentamente, de forma completamente oposta a como eu as subi. 

- Ei.  

Olhei para trás e vi Ryan no topo da escada me olhando. 

- Que foi? - Perguntei. 

- Você não quer, hm... Conversar? Eu não tenho o que fazer e não quero voltar para casa. 

Eu pensei. Eu também não queria voltar para casa, mas já tinha uma má impressão daquele garoto. E aparentemente ele também já tinha de mim. Por mais tempo provavelmente. Mas julgar as pessoas é simplesmente o que todo mundo faz. 

Foi com esse pensamento que eu terminei sentado de volta onde estava antes, ao lado de Ryan. 

- Você provavelmente nunca me viu porque estou um ano na sua frente, tenho um único amigo e não saio da sala o dia inteiro. - Ele disse. 

- Então como você sabe quem eu sou? 

- Eu entrei no banheiro uma vez e você estava beijando um garoto. Ele disse o seu nome e eu já sabia como seu rosto era porque eu havia te visto outras vezes pela escola. 

Eu olhei para baixo envergonhado. Não estava esperando essa resposta. Eu não tinha ideia de que garoto ele estava falando. Talvez eu já tivesse levado para o banheiro comigo todos os garotos gays, bissexuais ou confusos daquela escola. 

Mas Ryan falou com tanta naturalidade, sem mesmo olhar para mim, como se não fosse nada demais, então tentei não fazer com que fosse.  

- Acho que não tenho a melhor das reputações, então. 

- Eles falam sobre todos naquela escola. Por isso eu não falo com ninguém. 

- Esperto da sua parte, talvez. Você já sabe que sou metido, egocêntrico e gay. Precisa me contar três podres seus para ficarmos quites. 

Ryan riu e me olhou. 

- Eu nunca disse que acreditava nos rumores. 

- O fato de eu ser gay não é rumor. 

- E também não é um podre. 

Eu fiquei quieto, pois não podia argumentar com isso. Sorri de lado e ele voltou a olhar para frente. 

- E eu tenho bem mais que três podres, mas acho que essa não é a melhor forma de você me conhecer. - Ele quebrou o silêncio. 

- E qual é, então? 

- Eu também não sei. 

- Pense assim: se você fosse um cara sociável que conhecesse muitas pessoas, existiria algum rumor sobre você. Qual seria? 

Ryan juntou as sobrancelhas. 

- Talvez eu seja gay também. 

Eu o olhei e ele riu. 

- E você é? 

Aproximei o rosto. 

- Não sei. E não me olhe assim, Urie, eu sei o que você faz com os caras que você beija. 

- Mais rumores?  

Eu sorri e ele afastou o rosto, olhando para frente. 

- Não. Eu apenas vejo que você só faz todos eles se apaixonarem por você, e então parte o coração deles. 

Eu ri. Eu não sabia como ele sabia aquilo, mas eu não podia negar que era verdade. E eu nunca havia feito nada disso propositalmente, eu apenas não queria nada sério com nenhum deles. 

- Para sua informação, eu só ia fazer isso pelo seu próprio bem. 

- Convencido, você. 

- Ei, não foi isso que eu quis dizer. - Falei e Ryan me olhou com um sorriso bobo. - Foi para o bem do seu próprio autoconhecimento. Você disse que não sabia se era gay, eu ia te beijar para fazer você descobrir. 

Ryan riu. 

- Ah sim, muito obrigado. Você é realmente muito atencioso, mas não seria a primeira vez que eu beijaria um garoto. 

- Isso quer dizer que você é gay? 

- Isso quer dizer que eu não ligo. 

- Você é desse tipo, então? 

- Que tipo? 

- Que não se rotula. 

- Isso não seria um rótulo? 

Não respondi. Ficamos um tempo só olhando para frente. Tinha sido bom encontrá-lo, porque eu já não estava mais tão nervoso como estava quando cheguei ali algum tempo atrás. Jogar-me daquele prédio não parecia mais uma boa ideia. Mas talvez eu estivesse apenas nervoso e mudasse de ideia o segundo que eu olhasse para baixo. Talvez eu desse um passo para frente, mas respirasse fundo e desse outro passo para trás. 

- Amanhã na escola você pode ser menos estranho e sair da sala um pouco. Posso te apresentar os meus amigos. 

- Estou bem como estou. E o que vão dizer de mim se eu começar a andar com você? 

- Provavelmente dirão que estamos nos beijando no banheiro, o que seria uma pena ser mentira. 

- Você vai precisar de bem mais que isso para me convencer, Brendon. 

- Por quê? 

- Porque não quero ser só mais um na sua lista. Realmente não estou interessado. Mas boa tentativa. 

- Só quero que você saiba que é você que está perdendo, eu beijo super bem. 

Ryan riu e me olhou. Eu sorria e ele revirou os olhos. 

- Se é assim que você convence as pessoas a ficarem com você, não sei como você conseguiu ficar com tanta gente. 

- Não foram tantos assim. Se você considerar quantos caras realmente existem. 

Ryan riu novamente e percebi que eu adorava isso. Enquanto eu o tivesse fazendo rir, o diria tolices a noite inteira. A sensação era boa, principalmente porque eu sabia que ele pularia. Ele estava prestes a pular quando eu cheguei. E eu não quis dizer nada ou deixar transparecer, mas eu achava incrível termos nos encontrado nesse momento. Ele me impediu e eu o impedi. E ele não fazia ideia disso. 

Ele não deveria estar pensando que eu salvei a vida dele e eu nem queria que ele pensasse isso. Mas podia ter sido diferente. E eu não sabia porquê estava sentado com Ryan na cobertura de nosso prédio, o falando coisas idiotas, tentando o convencer de me dar um beijo, quando pouco tempo atrás nós dois pensávamos em suicídio. E eu não sabia o que era isso, mas não devia ser coincidência. Não podia ser. 

Ryan estava sério novamente. Ele olhava a lua fixamente e seus olhos tinham um certo brilho. 

- Ryan. - Chamei sua atenção e ele me olhou. - Seus olhos são bonitos. 

- Pare. 

- Estou falando sério agora! Você não quer me beijar, tudo bem, eu entendo, azar o seu. - Eu disse e Ryan revirou os olhos. - Mas isso não é algo que eu digo pra todo mundo, ok? É verdade. 

- Só vou acreditar em você porque faz bem pro meu ego. 

Eu sorri. Ele ergueu os lábios em um sorriso tímido e desviou o olhar de mim. 

- Mas ainda não vou beijar você. - Ele completou. 

- O que eu ainda acho uma pena. 

Eu deitei no chão, passando um braço por trás da minha cabeça para apoiá-la. Ryan olhou para trás. 

- Vem ver as estrelas. - Eu disse. 

Ryan deitou ao meu lado. 

- Então agora você está dando uma de romântico? - Ele perguntou. Nós dois olhávamos o céu. 

- Olha, se você não consegue parar de pensar em me beijar, me diga que a gente resolve isso. 

- Claro, pode deixar. 

- Pra falar a verdade, eu estava só te testando, eu nem queria beijar você. Eu inclusive tenho um namorado. 

- É mesmo? E como ele chama? 

- Ele chama Ryan Ross, e se ele me visse aqui com você ficaria morrendo de ciúmes. Ele tem ciúmes dos caras que beijei no banheiro da escola. Ele me chamaria de metido e egocêntrico. 

Ryan ria abertamente agora, pela primeira vez desde que nos conhecemos, e eu sorri apenas por estar causando isso. 

- Eu diria que você está obcecado por mim. Você vai até ter pesadelos comigo. A primeira vez que um garoto se recusou a beijar Brendon Urie. Deve estar sendo horrível para você. 

- Você não sabe nada sobre mim. Já tomei muitos foras na vida, ok? 

- Hm, então tá. 

- Não se sinta especial. Nem todo mundo quer ficar comigo. Nós estávamos brincando, mas na verdade eu não sou assim como você pensa. 

- Como você sabe o que eu penso? Eu não ligo se você beijou vários caras no banheiro da escola. Se eu fosse você provavelmente faria o mesmo. 

- Você pode fazer o mesmo. 

Ryan riu. Olhei-o sério. Ele me olhou também. 

- Qualquer um teria sorte em ficar com você. - Eu disse. - E eu não digo isso para todos os caras. 

Ryan não riu, não revirou os olhos e não disse nada. Talvez ele tenha percebido que eu falava sério. E eu ainda o olhava sério.  

- Você nem me conhece. 

- E daí? Quero acreditar que minha primeira impressão é verídica. E eu não sou cego. Olhe pra você. 

Ryan sorriu de lado e olhou para cima de novo. Percebi seu rosto ficar levemente avermelhado. Eu não estava brincando com ele mais. Não queria que ele mudasse de ideia e quisesse ficar comigo. Só achei que talvez ele precisasse ouvir algo legal. E sua beleza parecia estonteante aos meus olhos. Queria que ele pelo menos tivesse alguma ideia disso. 

- Por que você estava chorando? - Ele perguntou e eu fiquei confuso. 

- Hm? 

- Quando você chegou aqui.

- Ah, eu... Foi só uma briga com meus pais. Sabe como é... 

- É, mais ou menos. 

- Você não mora com seus pais? 

- Moro com meu pai. Mas a gente quase não briga porque... Bem, ele quase nunca está em casa. 

- Ah. 

Não soube como respondê-lo. De repente senti que ele era uma pessoa muito sozinha. Eu não sabia se isso era bom ou ruim, mas eu quis fazer parte da vida dele. Eu me senti bem por estar ali com ele. Eu queria que ele conversasse comigo para sempre. 

- O que houve? - Ele perguntou. - Se você não se importar dizer. 

- Minha casa virou um inferno desde que a diretora ligou para os meus pais para dizer que eu fui flagrado no banheiro com outro menino. - Eu ri. - Eu sei que isso só reforça o que você e provavelmente o resto da escola pensam sobre mim, mas... Enfim, eu não tenho desculpas. 

- Você não precisa se justificar. Não sou sua mãe. 

Ele sorriu e me olhou. 

- O pior é que... Meus pais não ficaram bravos porque estavam me chupando no banheiro da escola, eles ficaram bravos porque era um garoto. O problema é o que eu sou e não o que eu fiz. E agora eles vivem a vida para me lembrar que eu sou uma pessoa horrível, errada, que precisa ser curada.  

Respirei fundo e tentei não pensar tanto naquilo para não dizer mais do que eu já tinha dito. Eu havia acabado de conhecer aquele garoto e talvez não fosse a melhor ideia contá-lo os meus problemas como se ele fosse meu psicólogo. Ryan suspirou. 

- Eu sinto muito. 

- Agora além de três podres, você me deve um problema familiar.  

Ryan riu. 

- Também tenho muito desses se você quer saber. Mas não vamos falar sobre isso. 

Eu ergui meu corpo e apoiei minhas mãos no chão para ver melhor o horizonte. O sol estava começando a nascer. Isso significava que eu não dormiria mais nada. Voltei a deitar no chão. 

- Acho que a gente precisa ir. - Falei, não acreditando como o tempo tinha passado tão rápido e eu havia ficado ali com ele a noite inteira. 

Ryan sentou no chão e se espreguiçou. 

- Qual o número do seu apartamento? - Perguntou. 

- Cinco e o seu?  

- Dez. Eu vou me arrumar e te encontro lá, se você quiser andar comigo até a escola. 

- Tudo bem. - Sorri. - Isso significa que você está ficando a fim de me beijar? 

Ryan levantou do chão e revirou os olhos pelo que pareceu ser a vigésima vez desde que o conheci. 

- Até já, Brendon. - Falou e saiu. 

Levantei e fui embora pouco depois, com um sorriso bobo no rosto que eu não sabia de onde vinha. Não o encontrei mais nas escadas. 

Eu tomei um banho rápido e comi qualquer coisa. Quando saí, Ryan estava parado no corredor. Nós descemos juntos e logo estávamos na rua, andando até a escola. Ryan bocejou. 

- Estou começando a me arrepender de não ter dormido. - Ele disse. 

- Quer dizer que você preferia ter dormido do que ficado comigo?  

Ryan me olhou rapidamente e eu sorri. 

- Você é sempre carente assim? 

- Não. - Dei de ombros. 

Não, eu não era assim com todo mundo. E podia ser pelo fato de ele ter me rejeitado, mas eu estava cada vez mais a fim de ficar com ele. Não seria eu se eu não tivesse brincando com ele o tempo todo e dizendo coisas idiotas. Era meu jeito e a forma que eu tinha encontrado de mantê-lo por perto. 

Nós chegamos na escola e nos despedimos no que cada um foi para um lado. Não vi mais Ryan naquele dia. 
 

Eu estava morrendo de frio, mas estava determinado a esperar Ryan para andarmos juntos como no dia anterior. Ele poderia não ir pra escola hoje ou ele poderia já ter ido, mas eu estava contando com as poucas chances que eu tinha, parado na frente de nosso prédio, esfregando as mãos uma na outra para esquentá-las.  

Ryan saiu pelo portão e me viu. Estranhou e andou até mim. 

- O que você está fazendo aí? - Perguntou. 

- Congelando. 

- Você tava me esperando? 

- Talvez. - Eu disse e comecei a andar. Ryan fez o mesmo. 

- Você podia ter me avisado, eu me atrasei um pouco hoje. 

- Não tem problema. 

Ryan me olhava fixamente. Eu o olhei de volta e ele desviou, olhando para seus pés. Sorri de lado e continuamos andando em silêncio. Lembrei que eu tinha algo para ele. Coloquei a mão no meu bolso e procurei o chocolate. Peguei-o e o ofereci a Ryan. 

Ele olhou minha mão e olhou meu rosto. Parecia não saber o que fazer.  

- Você não gosta? - Perguntei. 

Ele ainda me olhava, então pegou o chocolate da minha mão. 

- Não, eu... Gosto sim. 

Eu sorri e continuei andando normalmente, mas ele ainda olhava para mim sério. Olhei-o de volta e ergui uma sobrancelha. 

- Você não está fazendo tudo isso por causa de um maldito beijo, não é? Porque se for isso, a gente já resolve agora e... 

- Ei. - O interrompi. - Claro que não. Minha mãe comprou uma caixa de chocolate e eu te dei um, só isso. Não estou querendo nada em troca. 

- Mas você ficou me esperando. 

- Porque eu queria te ver. 

Ele ainda parecia confuso. Voltou a olhar para baixo e andamos até a escola em silêncio. Quando chegamos, ele só me disse "até mais" e foi para sua sala.  

Talvez eu tenha dado motivos para ele pensar que eu só queria ficar com ele e depois desaparecer, e eu de fato quis ficar com ele desde quando começamos a conversar. Mas eu nunca tinha pensando em sumir da vida dele. E talvez ele não tivesse tão inseguro se não fossem os estúpidos rumores que ele ouviu sobre mim.  

Desde que o vi pela primeira vez eu o tinha achado diferente e ele poderia nunca me dar uma chance, mas eu ainda assim o queria por perto. Não sabia explicar, eu apenas queria ele por perto. E ele era diferente, eu não precisava de muito tempo para notar isso. 
 

Durante aquela semana toda, Ryan e eu fomos juntos para a escola. Nós conversávamos bastante quando estávamos a sós, mas eu nunca o encontrava quando estávamos dentro da escola. Ele realmente devia ficar o dia todo na sala de aula, como ele me disse. 

Eu saí da aula na sexta-feira e vi Ryan no pátio, andando com um outro garoto. Eu andei um pouco atrás pois estava com de receio de me intrometer no meio deles. Eles saíram na rua e cada um foi para um lado. Segui Ryan, afinal aquele também era o caminho para a minha casa. Eu ouvi alguém me chamar, mas ignorei. Talvez ele estivesse certo e eu fosse popular, pois não conseguia sair no pátio e andar muito tempo sem alguém chamar meu nome. 

- Ryan. - Chamei-o e ele olhou para trás. Parou quando notou que eu andava rápido para alcançá-lo. - Oi. - Falei e sorri de lado quando cheguei do seu lado. 

Ele abriu a boca para dizer algo, mas alguém chamou meu nome novamente. Era a mesma voz de antes. Olhei para trás e um garoto vinha até mim. Eu não lembrava o nome dele, mas eu sabia que a gente já tinha ficado em algum momento. Eu queria morrer e nem tinha escutado ainda o que ele tinha pra dizer. 

- Você tá me evitando? - Perguntou. 

- Hm?  

- Eu tentei falar com você ontem, você não me escutou, e eu chamei você agora e você fingiu que não ouviu. Fez isso a semana inteira. - Ele desviou o olhar de mim para Ryan, que parecia querer desaparecer, e o mediu de um jeito que me deu certa raiva. - Tá me ignorando para ficar com ele?

A forma como ele se referiu a Ryan me deu mais raiva ainda, e Ryan apenas virou as costas e saiu andando. Eu quis chamá-lo, mas achei que seria melhor ver o que aquele sujeito queria e já resolver de uma vez. 

- O que você quer? - Perguntei. 

- Como assim o que eu quero? Semana passada você disse que a gente ia se encontrar e até agora você só me ignorou. 

- Não vai rolar. E você não tem direito de falar desse jeito com meus amigos. A gente não é nada, a gente não tem nada, então pare de me procurar. 

Eu virei as costas e corri, mas não encontrei Ryan. Pensei que ele deveria ter mudado o caminho, então andei até a minha casa calmamente.  
 

Mais tarde eu fui até a porta de Ryan e toquei a campainha. Ele demorou, mas finalmente abriu a porta e me olhou com cara de sono. Seu cabelo também denunciava que ele estava dormindo, metade espetado para cima de forma desajeitada e a outra metade caía em seu rosto. Sua camiseta justa deixava seu tronco bastante visível e notei como ele era magro. E lindo. Voltei a encarar seu rosto antes que ficasse muito óbvio que eu estava fixado em seu corpo, e sorri. 

- Sim? - Ele falou. 

- Desculpe, não queria te acordar. Achei rude da sua parte correr de mim daquele jeito, mas saiba que eu te perdoei. - Eu sorri de lado e Ryan continuou sério. 

- Ok. - Disse e começou a fechar a porta na minha cara. 

- Ei. - Eu me intrometi no meio dela e o impedi de fechar, então ele abriu novamente. - O que foi? 

- Nada. Só acho melhor que você não seja visto com alguém como eu. Talvez você devesse parar de falar comigo. 

- Ry, eu não fiz nada. Eu nem me lembrava quem era aquele garoto e ele só estava com ciúme porque eu o ignorei para ficar com você. 

- Parece que estou com bastante sorte. - Falou ironicamente. 

Suspirei. 

- Por que você tá falando assim comigo? 

- Porque parece que estou tendo uma oportunidade única na minha vida de andar com gente popular, de ficar com Brendon Urie, e isso era pra ser uma grande coisa, mas eu não pertenço a esse grupo, ok? E o que acontece quando veem a gente juntos? Eles percebem exatamente isso, que eu não deveria estar ali. E você age como se eu devesse estar com orgulho, mas não, eu estou bem do jeito que estou. 

- Ryan, tudo que eu te disse eu estava brincando com você. Você estava rindo e era só por isso que eu estava agindo daquele jeito. É por isso que as pessoas gostam de mim, porque eu faço elas darem risada. Mas você sabe quantos amigos eu tenho, quem está de fato do meu lado quando eu preciso? Ninguém. Garotos me procuram simplesmente porque sou o único naquela escola que não tem vergonha de ser assim. Não escondo de ninguém que eu sou gay, e é por isso que eu fico com caras aqui e ali. Mas eu nunca gostei de nenhum deles e se eu tivesse precisando de ajuda eu não poderia contar com nenhum deles. Então eu conheci você e parecia que você queria conversar comigo só porque a gente tem o que dizer, porque a gente tem algumas coisas em comum, porque a gente estava se dando bem. Você não quis nada de mim e eu preferiria ficar perto de você do que de qualquer outra pessoa. Eu não acho que seja sorte sua estar perto de mim e eu tenho certeza que a amizade que você tem com aquele garoto da sua sala, eu não tenho e nunca tive com ninguém. Então está aí algo que as pessoas não falam sobre mim pela escola até chegar em seu ouvido. Eu sou sozinho para caralho. E eu gostei de você porque você é diferente. - Suspirei. - Desculpe te incomodar. 

Virei as costas e fui embora. Não sabia porque eu tinha dito tantas coisas e nem de onde elas tinham saído, mas eu estava sendo honesto com alguém provavelmente pela primeira vez na vida. 

Subi até o terraço e sentei no chão. Um vento gelado acertava o meu rosto mas eu não ligava. O sol estava se pondo e eu não podia pedir uma vista melhor. Ou talvez pudesse, se eu olhasse para o lado e visse um par de olhos castanhos, olhando para frente, com uma mecha de cabelo caída no rosto, covinhas no nariz e lábios finos. 

E então ele apareceu e sentou ao meu lado. Ele tinha trocado de roupa e ajeitado o cabelo. Não estava mais com a cara amassada de sono. Eu sabia que ele pensaria em me procurar ali, mas eu não tinha mais para onde ir. Não suportava ficar na minha casa. 

- Sabe, eu achei rude da sua parte você virar as costas pra mim daquele jeito, mas saiba que eu te perdoei. - Ryan disse, imitando o que eu tinha falado antes para ele, e sorriu de lado quando o olhei. Eu sorri também e ele voltou a ficar sério. - Eu tirei conclusões precipitadas de você. Desculpe. Eu gosto de ficar com você e... 

- Tudo bem, você não precisa se explicar. 

- Ok. Só quero que você saiba que eu gosto do seu jeito e eu não acho que tenha nada de errado com você ou com a forma que você vive sua vida. 

Eu sorri porque foi bom ouvir aquilo. Eu estava sempre pensando que Ryan me julgava um garoto fútil e não fazia questão de estar comigo. Mas ele estava ali, e ele era lindo, e eu estava com frio mas eu não queria estar em outro lugar.  

Nós ficamos em silêncio vendo o sol se pôr até que já estava completamente escuro. 

- Você não quer ir pra minha casa? Tá meio frio aqui. - Ryan disse e eu assenti. 

Nós andamos até a casa de Ryan e entramos. Parecia que não tinha ninguém por ali. Eu o segui até seu quarto e ele sentou na cama. Sentei na cadeira do computador e comecei a olhar seus CDs. Ele me observava enquanto eu passava os olhos pelos títulos e me identificava muito com o tipo de música que ele gostava. 

- Eu gosto dos seus CDs. Vou colocar uma música pra gente. - Falei. 

- Ok. 

Eu procurava alguma coisa enquanto Ryan descalçava os pés e cruzava as pernas em cima da cama. Encontrei Pablo Honey, do Radiohead, e coloquei aparelho de som de Ryan. Pulei para a música que eu queria, Creep, e andei até a cama de Ryan. Estiquei a mão para ele e ele me olhou confuso. 

- O que? - Falou. 

- Vem. 

- Sem chance. 

- Ryan, apenas me dê a sua mão. 

Ele segurou minha mão e eu o puxei. A música tocava e cheguei mais perto dele, passando meus braços em volta de seu pescoço. Nossos corpos grudaram e ele estava diferente agora, eu sabia que ele não diria nada porque ele me olhava nos olhos profundamente, de um jeito que ninguém nunca tinha olhado para mim antes. Ele segurou em meus quadris e eu nem precisei convencê-lo ou conduzi-lo, nós simplesmente começamos a nos mover lentamente para frente e para trás, passos curtos e sincronizados como se já tivéssemos treinado aquilo antes. 

Eu sentia seu cheiro e nunca estivemos tão próximos. Sua respiração acertava meu rosto e me despertava um desejo enorme. Ele me segurava timidamente, mas com certa firmeza. Não deixava de olhar em meus olhos nem por um segundo, e eu correspondia. Sua expressão era sempre séria, e eu também correspondia.  

Aquele momento era tudo pra mim. Nunca tinha conhecido ninguém como Ryan. Que fizesse meu coração bater rápido daquele jeito só porque estávamos tão perto um do outro. Que me olhasse nos olhos como se eu fosse especial. Que estivesse ali comigo em uma sexta-feira à noite, quando ele podia estar fazendo qualquer outra coisa, simplesmente porque ele queria estar comigo. 

Ele respirou fundo. Olhou meus lábios e olhou meus olhos novamente. Eu queria ele, queria mais do que tudo. Encostou sua testa na minha e nossos lábios se separavam por milímetros.  

- Você meio que quer me beijar agora, não? - Eu disse e Ryan afastou o rosto do meu. 

- Meu Deus, eu te odeio. - Ele falou e eu ri. 

Ele se afastou de mim e sentou na cama de novo. 

- Ei, desculpe, volte aqui.  

- Você estragou o momento. 

Eu ainda sorria diante da sua cara de irritado e sentei do lado dele. 

- Vamos. - Eu cutuquei Ryan e ele riu. 

- Você é inacreditável. 

- O momento vai voltar, ok? Eu deixo você escolher uma música. 

- Eu não quero mais. Vamos comer alguma coisa. 

 

Ryan e eu estávamos sentados na mesa comendo. 

- Ei, vamos sair amanhã. - Eu disse. 

- Para onde? 

- Sei lá, vamos ver um filme. 

- Ver um filme? 

- É, vamos sair em um encontro como as pessoas normalmente fazem. Estou te chamando para sair comigo. 

Ryan ergueu a sobrancelha. 

- Você não precisa fazer isso. 

- Eu sei que não. Mas eu quero. E aí? 

- Hm, então tá. Pode ser. 

Eu estiquei as pernas no colo de Ryan quando voltamos para seu quarto. Eu sentei encostado na cabeceira de sua cama e ele sentou de lado, encostado na parede.  

- Seu pai tá trabalhando? - Perguntei. 

- Não mais. Ele sai do trabalho de tarde, mas quase nunca volta para casa. Muitas vezes ele nem passa a noite aqui. 

- Você se importa se eu perguntar o porquê? 

- Meu pai é alcoólatra. Eu prefiro assim, que ele fique fora do que aqui. 

- E você faz tudo por aqui então? Sua comida e etc. 

- Sim. 

Ryan não olhava para mim, mas para baixo. Eu olhava em seu rosto o tempo todo e eu queria que ele soubesse como eu o admirava. 

- Ryan. - Chamei e ele me olhou. - Por que você ia fazer aquilo? Por que você ia pular? 

Ele juntou suas sobrancelhas e desviou o olhar de novo. Eu não sabia se estava cedo demais para perguntar isso, mas eu queria tanto saber e queria tanto ajudá-lo.  

- Eu... - Ele respirou fundo e encostou a cabeça na parede. - Não preciso te explicar, preciso? 

Ele virou a cabeça e olhou pra mim. Talvez ele não precisasse mesmo. Eu segurei a mão dele e a puxei mais perto, apoiando em meu colo.  

- E você? - Ele perguntou. 

- O que? 

- Por que ia fazer aquilo? 

Eu não achei que ele soubesse que eu estava lá aquele dia com a mesma intenção que ele. Suspirei. 

- Foi momentâneo, você sabe... Meus pais me falaram coisas e eu... Estava irritado.  

Ryan assentiu e parecia não saber o que dizer. Achei melhor eu voltar para casa pois já estava ficando tarde e eu não estava podendo abusar muito da minha liberdade, já que meus pais não estavam nem um pouco contentes com meu comportamento recente. 

Eu disse que iria para casa e Ryan me acompanhou até a porta. Eu o disse tchau de longe e sorri. Ele apenas sorriu de volta e eu voltei para casa. 


Notas Finais


Deixem review gente por favor <3
Fico triste se n deixa
só dizendo

bjssssssss

P.s. Preciso dizer que apesar de eu mesma ter inventado esse Brendon, eu meio que adoro ele <3


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