História Are You (Un)Happy? - Imagine Jungkook - Capítulo 26


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Cho Seung Yeon, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Drama, Imagine, Jungkook, Luizinho, Romance
Exibições 430
Palavras 3.795
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


YO, YO, GENTEEEEEEEEEEEEEEM!

Gente, já estamos em qual capítulo? 24? 25? 26? E AGORAAAAAAAAAAA?

Cês vão me matar se eu disser que a fic já está na reta final? ;u;

Novamente, muito obrigada pelos comentários anteriores! Todos eles serão lidos e respondidos, ok? Mesmo com uma série de leitoras em depressão. Me desculpem. ;-------------;

Aproveitem!

Capítulo 26 - Last Words


[Jungkook On]

— Eu não sei como falar com ela...

A mãe de S/N andou de um lado para o outro na sala de espera do hospital, apreensiva. O corpo de Sun-Hee noona já havia sido liberado; o hospital havia conseguido contatar os pais dela na noite de sua morte, e no dia seguinte eles já estavam na cidade. O velório aconteceria de manhã, mas nós não havíamos dormido nada na noite anterior, e nem nos preparado.

O dilema era: como contar para S/N que sua melhor amiga estava morta?

— Eu não vou ter coragem. Não vou conseguir. — A mãe de S/N continuou. Manager Sejin-hyung suspirou.

— Meninos, eu liguei para o PD e pedi para que a vã viesse buscá-los para vocês se prepararem para o velório de Sun-Hee. Podem ir, descansem um pouco, comam alguma coisa, tomem um bom banho e nos encontrem de novo aqui. Iremos todos juntos.

— Mas... E a noona? — Apontei para a mãe de S/N. Ela parecia desesperada e confusa.

— Eu a ajudo, não se preocupem. — Sejin-hyung sorriu gentilmente. — Vão. Eles já devem estar esperando.

— Eu posso falar com a S/N antes? — Cocei a nuca, um pouco envergonhado. Uma coisa que havia esquecido de mencionar; S/N havia saido da UTI e ido finalmente para um quarto. Sua melhora rápida assustou até os médicos. Sejin-hyung assentiu, junto com a mãe de S/N.

— Claro, querido. Pode ir. — Ela disse, sorrindo. Devolvi o sorriso, me distanciando devagar. Ainda não lembrava muito bem a localização do novo quarto dela, já que sua melhora havia sido repentina. Por sorte, consegui achá-lo sem maiores problemas.

S/N estava bem melhor; sua pele estava mais corada, seus olhos brilhavam e seu sorriso parecia iluminá-la cada vez mais. Ela estava sem a touca de pano do hospital, revelando seu cabelo curtíssimo, raspado apenas de um lado num estilo sidecut. Sorri. Até que aquele corte havia ficado bom. Eu estava ainda mais apaixonado por ela; Ela estava parecendo o G-Dragon na época do Fantastic Baby.

— K-Kookie! — Ela assustou-se ao me ver e colocou a touca rapidamente. Não pude deixar de rir. — O que está fazendo aqui tão cedo? Você não foi dormir?

Neguei com a cabeça. S/N me repreendeu apenas com o olhar e eu me retraí.

— Na verdade, vou dar uma passada no dormitório agora. Vim me despedir. — Me expliquei, me aproximando, e dei um beijo em sua testa. S/N sorriu, satisfeita.

— Aproveite e tome um banho. E escove os dentes. — Ela brincou. Fiz um bico.

— Você tá de brincadeira!

— Você sabe que eu te amo. — S/N riu. — Nossa, estamos parecendo o Yoongi e a Sun-Hee desse jeito. Por falar nisso, eu tenho que vê-la logo, nossa! Do jeito que ela é, deve estar fazendo o maior drama como se eu estivesse à beira da morte ou coisa parecida.

Meu sorriso foi sumindo gradativamente. S/N não fazia ideia do que havia acontecido.

— Meu Deus, ela vai me zoar muito por causa do meu cabelo. — Ela passou a mão por cima da touca. — Não quero nem imaginar.

Suspirei. S/N franziu as sobrancelhas ao olhar para mim.

— Você está bem, Kookie?

— Ahm? — Acordei do meu devaneio. — Ah... Ah, sim. Eu estou atrasado. Tenho que ir, até mais.

Beijei a testa dela novamente. Ela segurou minha mão e apertou-a levemente, como uma forma de retribuição. Agora era torcer para que a noona, mãe de S/N, conseguisse tratar desse assunto com toda a delicadeza possível. E que S/N não tivesse uma recaída.

[…]

 

Assim que chegamos em casa, Yoongi-hyung passou direto pela sala e foi para seu quarto, e ali se trancou. Namjoon-hyung ainda tentou fazê-lo abrir a porta, mas nenhum barulho saiu do quarto. Nós ouviamos o bater de teclas do computador, o que serviu para que pelo menos soubéssemos que ele estava vivo. Nós também não o pertubamos muito; era de se entender o porquê dele querer estar sozinho. Nem de longe o meu caso fora como o dele, mas eu também não curtia muito ficar com os outros naqueles momentos.

— Bom, é melhor o Jungkook ir primeiro, já que ele sempre demora uma década no banheiro. — Jin-hyung foi distribuindo toalhas para cada um de nós. Pessoas da staff e da maquiagem separavam nossas roupas e o que seria necessário. Disseram que haveria um Bangtan Bomb naquele dia, mas eu duvidava que eles fossem filmar no velório. Seria desrespeitoso. Se bem que a imprensa com certeza estaria lá; Sun-Hee não era totalmente anônima.

"Morre, aos 21 anos, Park Sun-Hee, uma das atrizes do dorama Sound of Silence.

Na tarde de ontem, Park Sun-Hee, 21, uma das atrizes escaladas para o dorama Sound of Silence, não resistiu aos ferimentos causados por um acidente no set de gravação da novela. Ela e mais nove atores se machucaram numa explosão mal-calculada em uma das cenas de ação. A menina terminou sua faculdade de teatro aos vinte e desde então tem feito trabalhos nos teatros locais, Sound of Silence foi seu primeiro trabalho profissional na televisão."

Suspirei. Pelo menos vinte manchetes desse tipo  estavam escrito na maioria dos blogs da internet, com certeza agora todos já sabiam.

Como havia previsto Jin-hyung, eu demorei mais tempo do que pretendia no banho. Isso se dá devido a minha sensibilidade; eu era um garoto muito sensível, e gostava muito de andar bem perfumado. Se eu pudesse, faria um perfume de sabonete, já que era o meu cheiro preferido.

Assim que saí do banheiro, V-hyung entrou no meu lugar. Obviamente, o tempo que eu demorei no banheiro foi o suficiente para outras seis pessoas tomarem banho mais tarde. Fui para meu quarto, vesti o terno que a staff havia separado especialmente para mim e penteei meu cabelo para o lado, mesmo com ele ainda molhado. Uma das maquiadoras ainda pediu para secá-lo, mas eu recusei.

— Bom, Yoongi-hyung não vai para o velório conosco. — Namjoon-hyung chegou na sala, enquanto todos ajudavam uns aos outros a colocar as gravatas.

— Ele não se sente bem? — V-hyung perguntou, passando a mão no cabelo. Namjoon-hyung suspirou.

— Ele não está bem...

— Desde a morte da Sun-Hee, Yoongi tem estado... Emocionalmente instável. — Jin-hyung também suspirou. — Estou preocupado com ele...

— Ele nem ao menos quer abrir a porta para falar comigo. Nunca me senti tão inútil. — Namjoon-hyung mordeu o lábio inferior. Nunca nenhum de nós havia se sentido tão inútil quanto estavámos naquele momento.

— O Manager-hyung disse quando ia voltar para casa pra poder trocar de roupa? — Indaguei, curioso.

— Assim que nós chegarmos ao velório. — Namjoon-hyung assentiu. — A mãe de S/N foi trocar de roupa em casa e está nos esperando para nos encontrarmos no hospital.

— Me pergunto se ela conseguiu falar com a S/N sobre a Sun-Hee noona... — Comentei, baixinho. Foi então que, com o canto o olho, percebi um indivíduo de cabelo vermelho sozinho no canto, ajeitando sua gravata no reflexo da televisão, com os olhos fundos e inchados. Como ele estava um pouco mais afastado dos outros, nenhum de nós havia notado-o ali. Jimin-hyung. — Hyung?

O chamei, fazendo-o assustar-se levemente. Pensei seriamente sobre o que Jin-hyung havia dito. Eu quase havia perdido S/N, e por pouco não a tenho de volta por ódio. A morte é algo que nós nunca estamos esperando, e se por um acaso ela tivesse alcançado S/N também... Eu nem sei o que faria. Acho que é aquele caso de só dar valor quando perder.

Jimin-hyung só queria me ajudar. Ainda sim, eu não conseguia perdoá-lo totalmente. Foram os piores cinco meses de toda a minha vida, e Jimin-hyung havia assistido meu definhar sem dizer uma palavra sequer quando a isso.

Ele não virou-se para falar comigo. Deduzi que ele estivesse com um pouco de raiva de mim também. Jimin-hyung é muito sensível; e o fato de eu ter gritado com ele talvez tenha o deixado chateado.

— Bom, vamos. — Jin-hyung disse, ajeitando sua gravata. Namjoon-hyung ficou olhando em direção à porta do quarto do Yoongi-hyung, sem sair do lugar. — O que foi, Namjoon?

— Eu não queria deixar o hyung sozinho. — Ele respondeu, suspirando.

— É, nem eu... — Hoseok-hyung finalmente se pronunciou, com a voz rouca de tanto chorar no dia anterior.

— Yoongi tem a cabeça forte. Ele vai ficar bem. — Jin-hyung tentou nos tranquilizar. Ainda sim, sua voz saía insegura.

Acabamos pedindo para a staff dar uma olhada nele de vez em quando, só pra verificar se ele estava bem, se estava com fome, se estava vivo, etc. Era triste ver o Yoongi-hyung, aquele que sempre agiu como o hyung mais velho, cuidando de nós e nos aconselhando - do jeito dele, é claro -, tão frágil quanto uma criança.

Entramos na vã em fila única, acho que todos nós estávamos nos sentindo como robôs. No caminho para o hospital, nem um pio sequer. Olhei de relance para Jimin-hyung; ele estava olhando para as próprias mãos, sentado ao fundo da vã. Suspirei.

Meu coração quase saltou pela boca quando chegamos ao hospital; alguns médicos corriam de um lado para o outro, e qualquer correria me deixava apreensivo. Jin-hyung estava indo na direção da recepção quando a mãe de S/N surgiu, um tanto desesperada, e nos puxou pelo braço. Ao chegar no corredor do quarto de S/N, gelei.

"Não! Não, por favor, não! I-Isso... Isso não é verdade... não... Não!"

A voz de S/N. Ah, não.

Eu mesmo tratei de ir correndo até o quarto; S/N estava sendo apoiada por um dos médicos, em prantos, chorando tão forte a ponto de quase passar mal. A respiração estava descompassada e os batimentos cardíacos estavam acelerados. Uma enfermeira estava colocando algum remédio para ela em sua veia.

— Ela... Ela surtou... — A mãe de S/N disse, com a voz embargada. — No início, quando eu contei sobre Sun-Hee... Ela ficou parada, estática, mas então...

Meu primeiro instinto foi ir até S/N e abraçá-la o quanto pudesse. O médico que a estava segurando deu espaço para mim, e devagarinho eu comecei a acariciar o cabelo dela. S/N não parecia ter notado minha presença ali.

— Ei... Ei, meu amor, sou eu... O Jungkook. — Comecei a murmurar no ouvido dela, baixinho, gentilmente. — Eu tô aqui, calma... Calma, está tudo bem...

S/N colocou a mão no meu braço e o apertou, como se realmente quisesse comprovar que era eu quem estava ali.

— Diz que é mentira...— Ela sussurrou, com a voz falha. — Por favor, Kookie... Por favor... Diz que é mentira... Por favor...

Respirei fundo, ainda a acariciando.

— Eu sinto muito, S/N...

— Ah, meu Deus... — Os soluços dela voltaram. Meu coração se apertou. — Meu Deus...

O coração dela já estava mais desacelerado por causa do remédio, e ela estava praticamente jogada em meus braços. A deixei chorando no meu ombro o tempo que ela precisava, até pelo menos os soluços cessarem.

— E... E o Yoongi...?

Parei.

— Yoongi-hyung... Ele, bom... Não está muito bem. — Suspirei. — Nenhum de nós está...

— Ele deve estar arrasado... — Ela continuou, respirando fundo para tentar se controlar. Então, pela primeira vez, ela olhou para mim. Seus olhos estavam inchados e vermelhos, sem brilho algum.

Devagar, fui enxugando as lágrimas dela. Antes, eu era o motivo de algumas delas, e agora eu poderia enxugá-las.

— Você está de terno. — S/N me olhou da cabeça aos pés.

— É... — Dei de ombros, agora segurando a mão dela. — Bom... O velório da noona vai ser daqui a pouco.

S/N arregalou os olhos.

— Mas os pais dela estavam em Ulsan...

— O hospital conseguiu contatá-los ontem mesmo. — Expliquei. S/N piscou algumas vezes.

— Bom, então eu devo me preparar...

Arqueei as sobrancelhas.

— O que?

— Eu vou nesse velório. — Ela já retirava o lençol de cima de si mesma, colocando com dificuldade as pernas para o lado de fora da cama. A impedi de se levantar.

— C-Claro que não! Você ainda não está em condições!

— Ah, eu vou sim. — S/N bufou. — Você não tem o direito de me impedir de fazer isso.

— Mas, mas... Noona! — Chamei a mãe de S/N, batendo o pé.

— S/N, você ainda não pode sair assim. — Ela disse. S/N bufou novamente.

— Ela era minha melhor amiga, mãe... Eu TENHO que ir.

— Não, você não precisa ir. Não dá! — Protestei.

— Se eu não for no velório, eu vou no enterro. — S/N cruzou os braços. A mãe dela e eu nos entreolhamos. — E é bom que vocês venham me buscar. Eu exijo isso.

[…]

 

Como eu havia previsto, a imprensa em peso estava no local do velório, um teatro local aonde Sun-Hee noona fez sua primeira apresentação. Quando chegamos, muitos de nós ainda fomos parados para tentar dar entrevistas, mas conseguimos passar reto. Não foi aberto ao público, mas muitas fãs do Bangtan estavam na frente do teatro carregando cartazes do tipo "Stay Strong, Yoongi!" e "R.I.P Our Princess."

Os pais de Sun-Hee noona estavam inconsoláveis. Eles não saíram do lado do caixão da filha nem um segundo sequer, mesmo quando fomos falar com eles. Ji-Yong, mãe de Sun-Hee noona, lamentou Yoongi-hyung não ter vindo, mas não o culpou. Disse o mesmo sobre S/N.

— Você vai buscá-la? — A mãe de S/N chegou ao meu ouvido e sussurrou. Abaixei o olhar.

— Não me sinto confortável em tirá-la do hospital tão cedo... Quero dizer, ela teve uma melhora considerável e tudo, mas... Ainda não dá.

— Eu sei como se sente. — Ela suspirou. — Mas de um certo ponto, S/N tem razão. Sun-Hee era sua melhor amiga. Ela tem o direito de vir. Se o hospital liberar...

Olhei em meu relógio de pulso.

— Quanto falta para o velório acabar?

— Acho que meia-hora. — A mãe de S/N deu de ombros. — Você já vai?

— Acho que não tenho escolha. — Suspirei. — Já volto.

Rapidamente, comecei a desviar das pessoas que ali estavam e fui para fora do teatro, aonde a vã ainda estava. Pedi para o motorista abri a porta e me surpreendi quando, ao entrar na vã, me deparei com Jimin-hyung ainda sentado no canto. Ele ergueu o olhar quando entrei mas não disse nada, e voltou a olhar para as próprias mãos.

— O que está fazendo aqui, hyung? — Perguntei, mesmo sabendo que haveria chances dele não me responder.

— Não tive coragem de entrar lá. — Jimin-hyung ainda não olhou para mim.

Suspirei.

— Desculpa, hyung.

Jimin-hyung ergueu o olhar para mim, finalmente. Como eu estava sentado no banco da frente, tive que me virar para poder falar com ele.

— O-... O que?

— Desculpa. — Repeti. — Eu não queria ter gritado com você.

Os olhos de Jimin-hyung ficaram marejados. Continuei.

— Eu... Estava estressado. Eu passei cinco meses pensando que a garota que eu amava havia mentido pra mim, e... Ainda teve o acidente... Foi muita informação num dia só. — Respirei fundo. — Eu estava com raiva por você ter mentido. Você teve sorte, nunca precisou passar por esse tipo de coisa, e isso me fez pensar que não te dava o direito de brincar de Deus comigo. Mas depois de um tempo me acalmando... Eu percebi que você tinha feito aquilo por que estava com medo. De me perder. Igual quando eu dei um soco no Seungyeon-hyung por causa da S/N.

Os soluços já subiam a garganta de Jimin-hyung, que mordeu o lábio inferior.

— Não quero ficar brigado com você, Jungkookie...

— Nem eu, hyung. — Respirei fundo novamente. Estiquei o mindinho. — Não gosto de brigar com você.

— Podemos... Podemos ser amigos de novo? — Ele olhou para minha mão e, meio relutante, entrelaçou seu mindinho no meu. Dei um sorrisinho.

— Somos mais que amigos. Você é meu irmão mais velho. Eu amo você. — Agora foi a vez de Jimin-hyung rir e enxugar os olhos.

— E aonde você vai?

— Buscar a S/N. — Suspirei. Jimin-hyung ergueu as sobrancelhas. — Ela exigiu participar do enterro da noona.

— Eu meio que entendo ela. — Ele passou a mão pelo cabelo. — Bom, eu vou junto com você, então.

Infelizmente, para mim, o hospital havia autorizado a saída temporária de S/N para participar do enterro, com a condição de que ela fosse conduzida na ambulância e que o veículo ficasse lá até o fim. Pelo menos ela estava com as medidas necessárias: uma máscara branca cobrindo o rosto, a touca de pano do hospital, soro conectado à veia e um lençol cobrindo-a. Ela também estava de cadeira de rodas; ainda não conseguia andar direito por causa da cirurgia na coluna.

— Você tem certeza que quer ir? — Perguntei, levando-a até ambulância, acompanhado de médicos.

— Já decidi isso, Jungkook. Vamos. — Ela respondeu, sem ânimo. Nem imaginava o quão difícil estava sendo para ela comparecer ao funeral da melhor amiga.

Ao chegarmos na ambulância, a peguei delicadamente no colo enquanto Jimin-hyung pegava a cadeira de rodas. Devagar, entrei no veiculo e esperei que Jimin-hyung montasse a cadeira de rodas novamente, para que S/N pudesse se sentar. Isso sem esquecer daquele gancho estranho que segura o soro. Eu nunca soube o nome daquele troço.

O caminho inteiro foi percorrido em silêncio. Nenhum de nós proferiu uma palavra. De vez em quando, eu pegava S/N com o olhar distante, vazio, como se tudo aquilo fosse um sonho.

Mas infelizmente não era.

Nós não paramos no teatro aonde seria o local do velório, mas sim passamos direto para o cemitério aonde o sepultamento seria feito. S/N estava ansiosa; quando chegamos ao local, ela segurou minha mão. Eu fui o responsável por empurrar sua cadeira de rodas até o local do enterro, enquanto os outros membros levaram o caixão até a sepultura.

— S/N, não sabíamos que você viria. — Jin-hyung deu um sorriso gentil. — Como está se sentindo?

— Bom... Estou na medida do possível. — S/N deu um sorriso triste.

O caminho todo, S/N foi de cabeça baixa. Alguns parentes cantavam músicas religiosas e os membros do Bangtan cantavam junto ao levar o caixão. Os atores que também se machucaram no acidente - e os que não se machucaram - também estavam lá com leves escoriações, assim como alguns médicos também foram conosco para garantir que S/N não passasse mal. Foi então que ouvi alguns soluços vindos dela; ela estava chorando.

— Shhh... Vai ficar tudo bem... — Me abaixei próximo ao ouvido dela e sussurrei, antes de depositar um beijo em sua bochecha. — Calma, tá? Vai ficar tudo bem...

S/N assentiu, mesmo ainda chorando. Eu nem sabia o que fazer ou dizer naquela situação.

O enterro continuou, como sempre, naquele clima triste de despedida. Estávamos apenas nós, os parentes e os amigos ao redor da sepultura; e Park Sun-Hee se fora.

 

[Yoongi On]

Já era a décima batida na porta do meu quarto. Suspirei alto, só para mostrar que estava vivo.

Estava trancado sozinho desde que havia chegado do hospital, mas para mim não havia demorado tanto. Quando dei por mim, já eram quase 19h.

A correria havia sido tanta nos outros dias anteriores que eu nem havia lembrado de colocar o celular para carregar. Quando a bateria finalmente alcançou seus 100%, meu coração quase parou ao desbloquear a tela.

"Você tem uma mensagem em seu correio de voz deixada por: Sun-Hee ♡. Para ouvi-la, pressione *."

Parei.

Mesmo tendo visto que a mensagem havia sido deixada às 06:30 da manhã, antes de irmos ao hospital, meu primeiro pensamento foi que ela havia acordado. Relutante, atendi.

"Sun-Hee ♡ - Ontem, 6h30

..."

Nada. Eu não ouvia nada.

Provavelmente havia sido engano. Ela deveria ter batido com o celular em algum lugar e me ligado sem querer, e esse pensamento me deixou com raiva. Eu queria ouvir sua voz.

Mas então, ela veio uma última vez para mim.

"Sun-Hee ♡ - Ontem, 6h30

Ah, oppa! Parece que eu estava te ligando por engano sem querer. Qual é o som do meu bolso, hein? Haha! Bom, de qualquer forma, eu já planejava te ligar. Eu sei que é cedo e que provavelmente você ainda está dormindo - afinal, qual é a hora do dia que você não está dormindo? -, mas eu queria realmente falar com você. Hoje é minha primeira cena de ação na novela e eu estou super ansiosa! Mas eu também estou com medo. E agora? Haha!

Bom, hoje nós estaremos gravando cedo, então é bem provável que eu volte para casa cedo. Sabe o que isso quer dizer, não é? ♡♡

Estou ansiosa para te ver, tartaruguinha-oppa. Saranghae!

Bip."

Foi quando a realidade me atingiu como num baque.

Meus olhos se encheram de lágrimas automaticamente. Era Sun-Hee, estava morta, não tinha volta, mas eu me recusava a aceitar isso. Não era verdade. Não podia ser verdade.

Eu fui tomado pela raiva. A primeira coisa que fiz foi arremessar o monitor do computador na parede, como se ele tivesse culpa de algo. A partir dalí foram meu celular, abajur, decorações, cadernos, jarros... Eu estava com vontade de quebrar tudo. Joguei tudo de cima da minha mesa no chão, inclusive quase a própria mesa.

Batidas incessantes vinham da porta. Aonde estavam os meninos? Eu estava sozinho. Eles também haviam ido embora? Eu não podia permitir que eles também tivessem ido embora.

Foi então que parei ao chegar no espelho do quarto; meus olhos estavam fundos, vermelhos. Aquele não era eu. Eu estava com medo de quem quer que seja aquele, mas não era eu. Não podia ser eu. Assustado, joguei uma cadeira no espelho.

Fiquei tentado a pegar um dos cacos de vidro para mim mesmo quando ouvi a voz de Namjoon perguntando o que estava acontecendo. Meu coração acelerou, mas meu corpo não me respondia. Eu estava com raiva. Por que Sun-Hee havia ido? Por que ela não havia me dito adeus?

A porta se abriu num estrondo quando joguei algum outro móvel na parede. Alguém havia arrombado-a.

O primeiro a tentar me segurar foi Jungkook-ssi, incrivelmente. Ele praticava esportes e era bem mais forte do que eu, mas eu estava possuído, era a única explicação "lógica". Dei uma joelhada na barriga dele assim que ele me abraçou, tentando me fazer parar, fazendo-o cair no chão se contorcendo de dor. Desesperado, Jimin-ssi foi até ele.

Eu não queria fazer aquilo. Não queria machucá-lo. Jungkook estava chorando, era culpa minha.

O que estava acontecendo comigo?

Namjoon foi quem me segurou novamente e conseguiu me parar. Eu também não estava mais com forças para fazer nada, muito menos para relutar. Eu pensei que estivesse morrendo. Eu queria estar morrendo.

Observei o caos que estava meu quarto. O caos que tinha dentro de mim. O caos que finalmente libertou as lágrimas que estavam presas há tanto tempo dentro se mim.

— Não estou pronto pra isso... — Sussurrei, com a voz falha, soluçando devido ao choro forte. Minha visão ficou embaçada e minhas pernas falharam, me fazendo cair de joelhos no chão frio. Namjoon ainda tentou me segurar pelos braços. — Não estou pronto pra isso...

 — Hyung... — Namjoon me chamou, a voz dele estava distante. Eu não queria fazê-los chorar novamente. Não queria deixá-los tristes. Um por um, todos eles vieram me abraçar forte, mas eu não queria aquilo. Mesmo sem forças para lutar, eu me recusava. E aquela foi a última lembrança que eu tive, antes de apagar totalmente. 


Notas Finais


Brasil, junta aqui agora:

Vocês conhecem o Kpop Amino? Ele é uma rede social para fãs de todo tido de grupo e/ou idol, é de graça e tem versão totalmente em português!

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Saranghae!


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