História Arena - Interativa - Capítulo 2


Escrita por: ~ e ~Tauricious

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Palavras 6.611
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Hentai, Magia, Romance e Novela, Survival, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


EAEEEEEEEE, GALERIOUS! Sejam todos bem vindos a Arena, um lugar onde tripas vão voar e piedade não se encontrará, olha que poético kkkkqjforjokk.
Anyway, quem vos fala é o Tauricious, vulgo T, me chamem da forma que quiserem, vale de tudo, até se quiserem me chamar de lixo eu atendo (o que eu já faço na vida real). Mil desculpas pela demora, tivemos problemas técnicos mas agora voltando com carga total, tô muito animado em poder escrever com essa diva ( Coca: Mentira ) que é a Coca_Yne, uma grandessissima amiga minha. Espero que gostem do capítulo e até mais, boas leituras, meus amores!

Yeah, assim como Mister T disse: mals pela demora e pelos 6k de palavras. Os outros personagens que não apareceram, aparecerão no próximo pra não ficar tumultuado, enfim, temos 24 fichas lindenhas <3


Boa leitura, amores <3

Capítulo 2 - O Desafio


Fanfic / Fanfiction Arena - Interativa - Capítulo 2 - O Desafio

SALA DE TREINAMENTO – GRUPO FEMININO

Naquela rua esquecida por Deus, haviam duas fileiras de postes onde suas lâmpadas tremeluziam, transformando-se em apenas pontos alaranjados no breu da noite; ainda entre meio a densa poeira que embaçava a visão das cinco garotas. O cheiro de terra molhada logo invadiu suas narinas e a garganta ardeu, engolindo o seco. Qualquer passo dado poderia levá-las a morte certa, – até mesmo seria inevitável encontrar empecilhos pelo caminho que viesse a colaborar.

 

— Sarah? — Lauren se ajoelhou, – a fuligem deixando rastros de lágrimas em seus olhos. — Sarah?

A albina tateou o chão com impaciência, deparando-se com a mão gélida da amiga. Não se conteve em arregalar os olhos: tão azuis quanto o céu de veraneio, esperando pelo pior. Para desvanecer os pensamentos perturbadores que lhe invadia, afastou uma mecha de seus cabelos brancos, prendeu a respiração e colou sua orelha por sobre o peito dela.

Por Deus a morena respirava e não se demorou a encará-la, fazendo uma carranca mal-humorada, empurrando-a para trás.

— O que pensa que ‘tá fazendo? — Rosnou, levando a mão na testa.

— Você a encontrou! — Aura comemorou, correndo ao encontro das duas e estendendo a mão. — Como se sente?

Sarah deu uma olhadela irritadiça e aceitou a ajuda, esboçando um sorriso rebelde e desdenhoso:

— Pior que levar uma pedrada na testa, é receber ajuda de duas albinas que se parecem fantasmas! — Ironizou, batendo as mãos contra as calças, desfazendo-se da sujeira.

 

Ironicamente Lauren e Aura, ambas, eram donas de peles extremamente brancas e cabeleiras que caíam em suas costas como se fossem pedaços de algodão. Aura, diferentemente de Lauren, tinha seus olhos que variavam do azul para o lilás e eram tão lindos e hipnotizantes, que até mesmo os mais fortes não resistiam a inocência que emanavam. Diferenciavam também o tamanho, já que Lau era pouca coisa maior que a outra.

 

— Sorte que estávamos por perto — lembrou-a, Lauren. — De onde veio aquilo?

— Tenho certeza que se eu tivesse visto, teria me protegido — respondeu rudemente, colorindo a ponta do dedo indicador, após tocar no corte em sua testa.

— Não seja grossa, — repreendeu-a, Aura —, além disso, temos que procurar as outras. Acham que estão por perto?

— Nem tão longe — Sarah apontou para as outras duas que emergiam da escuridão.

Bruna apropinquou-se com uma expressão de graça, saltitando ao redor da líder. Não se aguentando, soltou uma gargalhada esganiçada, além de exagerada, apontando para o novo corte da companheira de quarto.

— Você é muito burra, cara! Como conseguiu isso? — Brincou, sem se importar com a carranca lhe redirecionada.

Indiferente, Sarah se virou para as outras, séria e decidida:

— Alice ainda não voltou?

— Ela deve estar procurando a saída. Não acho que demorará — respondeu Dulce, atenta a qualquer ruído.

A garota de aproximadamente 160 cm, era vigiada por um vulto luminoso, no qual pairava a alguns centímetros do chão. Era a única coisa, – além das lâmpadas falhadas –, que alumbrava todo o redor, mostrando pouco do que vinha pela frente. Dona de belos olhos azuis-claros e lustrosos, cabelos acastanhados e escuros, tinha-os destacado em sua pele branca e delicada, fazendo conjunto com seu corpo esbelto, no qual era perfeitamente escondido pelo uniforme preto e colado que tanto odiava.

— Então deveríamos seguir — Sarah virou nos calcanhares, pronta para partir.

— Só não vá se ferir de novo, gata! — Bruna piscou, tomando sua frente.

— Eu não sei o que houve com você hoje — Dulce sorriu, acompanhando-a —, mas que você ‘tá cheia das gracinhas… sem dúvidas!

— Só estou feliz, okay?! Vamos terminar essa missão de merda antes dos garotos. Eles nos desafiaram, lembram? — Andou de costas para encarar a todas e notou Sarah disfarçando um olhar de quem aprontava. — Fomos obrigadas a entrar nessa porcaria. Não quero ficar presa nesse labirinto por muito tempo, ‘tô ficando entediada. Sem falar que…

— Cuidado! — Aura apontou para a frente, grudando-a em seu braço.

O som ensurdecedor de algo se partindo chegou até os ouvidos das garotas, ganhando a forma de um trincado que se perdia de vista e que, misteriosamente, parou ao se aproximar dos pés de Aura, Dulce e Bruna.

— O que é isso? — Bruna se agachou para averiguar e se desequilibrou.

O tremor atirou as cinco para o chão, chacoalhando-as de um lado para o outro, enquanto que raios e trovões começaram a cortar e rugir nos céus. Um ruído fino e insuportável veio ao longe, tornando-se gutural a ponto de fazer com que aquela cicatriz no solo se transformasse numa grande fenda. Quando se abriu, construções foram engolidas, dizimadas ao atingir o fim do pedaço do purgatório, onde lava cuspia bolhas de fogo e um calor infernal avançava em ar quente. Abalos sísmicos jogaram para dentro tudo o que vinha pela frente, sem intenção de poupar o que quer que encontrasse. Sem intenção de poupá-las.

— Corram! — Sarah empurrou Lauren, completamente estática, movendo seus dedos e não sentindo o subir do seu dom. — Merda! Justo agora?

— Aura! — Dulce gritou, apontando para um outdoor de ferro que estampava um dos grandes prédios daquela rua. — Pegue aquilo. Podemos usar pra nos defendermos.

Ela continuava a correr, ofegante e sempre disposta a se certificar de que aquele buraco negro estivesse bem longe de seus pés. Ouvindo a ideia de Dulce, Aura ergueu a mão direita e trancou o punho, decidida a alcançar a placa e trazê-la para si. Exasperada, lutou mais um pouco e apenas a moveu alguns centímetros, percebendo-a bem presa e longe do seu poder de manipulação.

— Eu não mais forças! Essas malditas tornozeleiras já me sugaram e aquele mar de insetos colaborou pra eu ficar fraca. Não conseguirei sozinha — gritou em resposta, olhando para Sarah.

Um pouco mais atrás, Bruna corria quase sem ar, avermelhada, graças ao esforço físico. Derrapou devido a um tremor e foi impossibilitada de continuar assim que a árvore lhe cortou o caminho, impedindo-a de passar.

Bruna não era superpoderosa como as outras. Ela não sabia voar. Não conseguia mover objetos com a mente, criar coisas ou diluir coisas. Ela só sabia se esconder… E zoar, isso sem pensar duas vezes!

— De que vale camuflagem agora? — Indagou sarcástica para si mesma, fechando os olhos, preparada para mergulhar no poço de fogo que se aproximava.

— ‘tá pensando em nadar sozinha, amiga?! — Lauren atravessou o tronco grosso, puxando-a para si.

— Não mais! — Disse risonha, passando para o outro lado.

— Você está bem? — Perguntou Sarah assim que as duas se salvaram, empurrando-as para que voltassem a correr. — Temos que fazer algo, estou bloqueada.

— Claro! Você sempre está! — Dulce esbravejou.

 

A verdade era que, mais cedo, quando “aceitaram” a missão de resgatar aquele objeto misterioso agora em sua bolsa, Sarah as colocaram em perigo. Sua forma impulsiva de sempre estar certa e saber o que é o melhor para todos, fizeram-nas se perder. E se perderam bem quando ela foi bloqueada. E agora de novo. E tinha certeza que numa situação pior voltaria a se bloquear.

Além disso, Sarah era sua amiga. Mas não admitiria mais que a escalassem líder. Ela não tinha nem jeito pra ser uma. Principalmente por colocar todas em perigo. Ser uma ótima lutadora na Arena era uma coisa, agora em conjunto? Ela sempre seria a pior.

— Desculpas, o.k.? — Pediu ela. — Vamos dar um jeito.

As garotas assentiram, mas sabiam que ficar em fuga não resolveria. Sabiam que precisavam fazer algo, mas, sem o poder ascendido de Sarah, a limitação das tornozeleiras e a fraqueza de Aura, o que planejariam para sobreviver e sair da rota daquela fenda?

Dulce parou bruscamente e apontou para a silhueta que gritava e gesticulava do outro lado de uma avenida desértica. Não havia nada além de residências luxuosas e carros esportivos, sem falar do verde que decorava aos arredores.

— Aqui! Aqui! — Elas sorriram ao ter certeza de que era Alice. — A saída é por aqui!

— Já estava na hora! — Bruna berrou animada.

Alice estava vermelha e cansada, sua respiração saía forçada, enquanto que chumaços dos seus cabelos, desgrenhados e colados em sua testa, deixavam evidente que ela dedicou até o seu penúltimo suspiro para que as tirassem de lá. Ela, tão mentalmente bagunçada, parecia feliz em rever a única pessoa que tanto pensou em reencontrar e sair dali imediatamente.

 

O pequeno grupo fez um desvio rápido e encontrou Alice do outro lado. Não demorou para que percebessem que há algum tempo a fissura deixara de segui-las.

— Vocês estão bem? — Alice quis saber, encontrando-as.

— Estamos todas bem — disse Lauren, parando com as mãos apoiadas nos joelhos, obrigando-se a recuperar o ar que perdeu. — E parece que aquele buraco parou. Finalmente!

— Dulce encontrou o “objeto precioso”. Está na bolsa. Temos que sair daqui logo — contou Aura, nem tão diferente das outras.

— É por aqui, mas tem muitos inimigos no caminho — alertou Alice, olhando-as atentamente. — Eu consegui passar por eles, mas têm trepadeiras e já sabem como é… Até eu mesma fui atingida — mostrou alguns cortes em torno do braço e pernas.

— Vamos conseguir — Aura a confortou. — Estamos bem perto…

Obviamente a sorte das garotas não duraria muito tempo, pois, antes que Bruna conseguisse mover um pé para segui-las, caiu por ter uma mão segurando-lhe o tornozelo. Ela se virou rapidamente, olhos arregalados, encontrando o corpo pútrido que se levantava aos poucos. Mantendo-se de pé, o par de orbes vazias e leitosas miraram em sua direção, abrindo a boca pronto para mordê-la.

— Ah, puta que pariu! Por quê tem que ser eu?! — Ela berrou, acertando-o com um chute e arrastando-se para trás. — Maldito Dorian, desgraçado! Eu vou acabar com você!

— Fique longe disso, você sabe que são piores que o Leonard! — Dulce a puxou. — Tem dedo dos garotos, não tem?

— É certeza — Sarah voltou a estender a mão e nada. — Âmbar e as outras também devem estar no meio disso. Não posso ajudar agora, temos que correr.

As garotas suspiraram e encheram o peito de coragem para, então, voltarem ao caminho.

 

A cada esquina que elas passavam, um novo empecilho se descobria: Zumbis. Tempestades. Ventos cortantes. Dunas. Areias movediças. Escuro. Morcegos carnívoras. Aranhas gigantes. Trepadeiras espinhosas, – essas que deram um trabalho terrível para contornar. E, por fim, a saída, infelizmente bloqueada por um grande portão de aço.

— Não acho que vamos conseguir abrir a tempo — Alice apontou para as grandes fechaduras que trancavam a liberdade do grupo. — Eu tentei, juro. Não mexeu um centímetro! A não ser que Sarah e Aura juntem os poderes.

— Com a nossa líder bloqueada? — Bruna ironizou. — Não acho que ela consiga!

— Você é um amor quando quer incentivar a gente! — Sarah revidou, fazendo uma careta. — Nós todas vamos conseguir — insistiu Aura, estendendo as mãos. — Nessas coisas, nós sempre conseguimos.

— Isso se eles não nos alcançarmos — Lauren apontou para a virada de um campo, onde todos os inimigos que cruzaram pelo caminho, aproximavam-se para uma nova batalha.

— Você tem que fazer isso logo — Bruna avisou a líder. — Vocês duas. Se virem! Nós vamos segurá-los um pouquinho.

— Boa sorte! — Dulce acompanhou a amiga, seguida de Lauren.

Sarah se virou e estendeu a mão, imitando Aura, mas Alice a impediu:

— Você se lembra de quando treinamos contra o Edgar e o Lucius e seu poder não veio? — Sorriu, dando-lhe as costas e sumindo num piscar de olhos.

— Oh, sua maluca! — Gargalhou desajeitada. — Como me esquecer?

— Esquecer de quê? — Aura a encarou, confusa.

— Só vamos abrir essa porcaria e sair, certo?

Aura sentiu seu corpo queimar e sorriu docemente, voltando a sua pose anterior:

— É! Nós vamos!

 

 

Dulce, Bruna, Lauren e Alice correram de encontro aos inimigos e se prepararam para a luta. Não seria algo vantajoso já que o número de oponentes era bastante abusivo, mas fariam o que precisassem para atrasá-los até que os portões se abrissem.

— Eu vou ficar com essas trepadeiras idiotas — Alice sorriu divertida, estralando os dedos das mãos.

Ela dominava a Supervelocidade e poderes mais lentos viria a falhar contra aquelas plantas que pareciam se multiplicar sempre que cortadas. Para Alice, eliminá-las não passaria de uma diversão que adoraria participar.

— Posso ficar com os Morcegos — Dulce as olhou, indiferente. — Tanto faz.

— Eu quero esses malditos zumbis! — Bruna sequer falou e já correu para o amontoado de corpos que vinham lestamente, em busca de suas presas.

— Como ela pode ficar tão animada em lutar com zumbis?! — Lauren se perguntou.

— Não faço ideia, mas você ficará com as aranhas! O último a terminar é mulher do padre! — Alice sumiu diante aos olhos delas, deixando-as sem jeito.

— É… — Dulce tossiu. — Que seja!

O quarteto não era ruim. Eram ótimas lutadoras, pois, desde a infância foram treinadas para combate. Sendo assim, lutas corpo a corpo era normalmente utilizada em conjunto com seus dons. Principalmente na Arena, – lugar este que abrigava a passagem para a liberdade daquele mundo.

 

 

Alice era completamente rápida, ágil. Sua velocidade era impressionante e a forma com que usava um pedaço de vidro qualquer para fatiar a planta poderia ser aplaudida de pé, – caso tivessem uma plateia. Ela desviava das investidas com maestria, mas o que doía eram os espinhos que, vez ou outra, atingiam-lhe o corpo, deixando aquelas malditas cicatrizes que sempre ganhava ao desafiar inimigos daquele tipo.

“Kate, vadia! Isso vai te custar muito caro!” Pensou consigo, saindo a tempo de um golpe. “É uma revanche do último treino?” Sorriu. “Se for, eu vou acabar com você loguinho!”

Enquanto isso, Dulce se concentrava na sua batalha contra os Morcegos carnívoras, no qual mergulhavam no ar, a fim de analisá-la e depois se alimentarem. Eram mamíferos grandes, quase atingindo 130 centímetros, com asas largas e esqueléticas. Suas faces semelhantes a ratos e fileiras de presas pontiagudas, assustaria qualquer um… Bem, se Dulce não soubesse de onde vinha…

Olhando para as suas duas mãos, o mesmo vulto luminoso que a seguia, tocou-lhe, mergulhando-a num mar de tranquilidade e silêncio. Das palmas, a imagem de dois olhos egípcios se desenharam, queimando-lhe a pele. Não era uma sensação ruim. Estava mais que acostumada em sentir o fogo frio lhe invadir, roubando sua própria alma.

Dulce ergueu a mão esquerda e uma luz radiante inundou seu espaço, onde centenas de espíritos sobrevoaram, atacando aqueles seres sanguinários, como uma batalha angelical. Armaduras, espadas e sangue, acabou por marcar seu redor, tirando-lhe um fio fino de rubro do nariz. Era hora de trazê-los de volta, não antes do seu grande final.

A garota suspirou fundo e viu um, dois, três, quatro, dez, Morcegos despencarem dos céus e serem invadidos pelos espíritos que libertou. Obviamente, se ganhassem o controle sobre aqueles corpos, mesmo que sendo bons, surgiria um empecilho a mais. Sendo assim, Dulce juntou as duas mãos, fundindo os dois olhos e formou uma concha. Selou a abertura entre os polegares com seus lábios e aspirou e inspirou o ar.

— Suspiro — disse ela, fechando os olhos e fazendo sua evocação de forma silenciosa.

O rastro do sangue que fugia de suas narinas engrossou, deixando-a zonza. Ao terminar, tudo o que viu foram centenas de pequenas luzes explodindo no ar, dando-lhe a certeza que, pelo menos, a sua parte teria feito.

Do outro lado, utilizando-se de uma barra de alumínio, Lauren emergia e submergia, transpassando o chão e os corpos felpudos das tarântulas gigantes. Seu sorriso vitorioso largueava cada vez que atingia a perna de uma e a derrubava, fincando sua arma improvisada na cabeça de seu alvo. No mesmo momento, Bruna acabou se cercando e trazendo mais inimigos para o lado de Lauren, no qual agora teria que lidar com as aranhas e os zumbis.

— Você está me atrapalhando! — Lauren berrou, tornando Bruna intangível ao segurá-la e defendê-la de um ataque zumbi.

— Só estou tornando isso mais emocionante! — Pilheriou, saltando para o lado e acertando a face do morto com um chute alto. — Não é legal? Ter mais inimigos pra encarar?

— Muito legal! Vá para o seu lado, Bruna!

Lauren, desviou a amiga novamente e repeliu derrubando mais uma aranha ao estraçalhar suas longas e grossas pernas. Pega por trás, as mãos podres do morto a sufocou, quase a deixando sem ar.

— Você é intangível e mesmo assim é pega?! — Bruna parou para encará-la, achando graça. — Qual é, Lau?

— Uma força aqui? — Gemeu, sem saber o que pensar.

— Claro! Claro! E no fim a heroína sou eu!

A morena o socou e depois rodopiou, atirando-o para longe. Não hesitou em lançar um sorriso vitorioso para a amiga que, massageando o pescoço, tudo o que conseguiu dizer foi que Dulce estava no chão.

Ao lado de Lauren, Bruna correu até a garota inconsciente e gritou pela ajuda de Alice. Essa, mais que depressa surgiu.

— Temos que levá-la pra… — Alice diria, caso não fosse interrompida pela bolsa de couro aberta sob os seus pés.

Cuidadosamente, ela desfez parte do embrulho que escondia o objeto valioso.

— Um livro de Matemática?! — Gemeu, descrente de que via aquilo.

— Esse é o objeto valioso? — Dulce mostrou-se revoltada, apertando os punhos.

 

Ainda no portão, Sarah e Aura se esforçavam para que seus poderes fluíssem, movendo os punhos em direção a grande e grossa barra de ferro. Não se surpreenderam com a proximidade das amigas, sendo três iradas e uma desmaiada. A líder não desistiu, ainda tentando ajudar Aura, com aquela expressão de que “porra! Eu fui descoberta!”

— Me diga que você não sabia que fomos coagidas a recuperar um livro de Matemática… — Bruna levou a mão na cintura, os olhos vermelhos de ira.

— Temos que abrir esse portão, senão não vamos sair — Sarah respondeu, fugindo.

— Você entendeu o que ela disse! — Lauren intimou. — Agora fale logo! Dulce desmaiou e a culpa é sua.

— Eu só não me lembrava aonde tinha guardado ele, o.k.? O professor havia me chamado atenção na aula, e eu tive que inventar algo pra encontrá-lo. Reformular o meu quarto foi essencial! — Disse, sem vergonha.

— Você contou que os garotos tinham desafiado a gente — Aura parou para fitá-la. — Você nos enganou. Não esperava que essa missão toda era para recuperar o seu livro de Matemática!

— Não enganei, necessariamente… — Deu de ombros. — Só desafiei os garotos supondo que pra cumprir com o acordo, vocês teriam que aceitar. Eles não quiseram perder e desafiaram vocês. Foi algo justo. Fomos desafiadas a encontrar o meu livro!

— Você é uma vadia, maluca! — Alice o atirou contra Sarah. — Vê se guarda ele direito agora!

Sarah sorriu em resposta a ela e as outras negaram com a cabeça.

— Quando for fazer alguma idiotice dessas, só avisa a gente — Bruna resmungou, cruzando os braços.

— É, não nos importaríamos de vasculhar seu dormitório… Não precisava ter acabado com a Dulce desmaiada — repreendeu-a Aura.

— Em todo o caso, encerre a sessão. Só você pode fazer isso — Lauren bufou.

— Certo — Sarah deu um passo para trás e olhou para cima, onde um pontinho de luz vermelha vibrava. — Encerrar sessão.

Como que de repente, todo o cenário se desfez em milhares de pixeis, contornando uma sala circular, ladrilhada de metal, onde hologramas fugiam de várias câmeras estrategicamente espalhadas. Seus corpos estavam suspensos por hastes metálicas muito similares a braços de robôs, alimentadas por uma máquina de Inteligencia Artificial e grande, no qual servia de apoio para que locomovessem com mais facilidade.

Depositadas no chão de piso branco espelhado, elas se livraram do capacete neural e entreolharam-se, encontrando um painel de vidro onde algumas garotas observavam-nas. Assim que a porta se abriu, Richard passou por ela acompanhado de alguns garotos.

— Você perdeu, maninha! — Piscou ele, acompanhando os outros para a sua vez na sala de treinamento…

 

SALA DE TREINAMENTO – GRUPO MASCULINO

O golpe certeiro de direita dado por Richard, jogou o zumbi com força para o mesmo lado, atirando-o encima dos outros de forma escandalosa; honraria sua posição como líder acertando o máximo possível de mortos.

O ar frenético da batalha contra os seres putrefatos espalhava os fios de Alef por toda a sua testa, enquanto que os cabelos esbranquiçados seguiam sua cabeça num giro de 360°, feito para rasgar as barrigas de todos os mortos-vivos ao seu redor. Seu rosto permanecia inexpressivo, pois não gostava de brigar. Entretanto, não encontrava outra opção.

Em suas mãos, unhas grandes e afiadas como as de um lobo cresceram e se regeneraram sempre que eram quebradas. Para a sua sorte, seu dom permitia utilizar um grau bastante avançado do Mimetismo Animal, mas, ainda assim, sabia que necessitava de muito treinamento para alcançar seu auge.

Ao piscar algumas vezes, Rich acabou por notar o tremor leve que abala o solo, em especial a região abaixo dos seus pés. A areia começa a submergir, formando uma grande rachadura, cortanto o chão em duas partes. Como se não bastasse, a lava fervente derretia o caminho, seguindo em linha reta. Sem pensar, Richard propulsionou seu corpo para trás em um mortal, parando exatamente atrás de Alef, no qual se distanciava de alguns zumbis.

Com ambos centralizados, o círculo que os separava daqueles condenados diminuía cada vez mais por consequência do caminhar lento deles.

Rich achou graça:

— E então? O que acha, Mister Albino? — Um riso sapeca cruzou seus lábios.

Alef não era alguém que agia com efeito de impulsos momentâneos, entretanto, a fala do acastanhado, junto com aquele sorriso, convenceu-o de algo: se, de fato, estavam num treinamento, por quê não ousar um pouco?

Seus olhos tomaram uma tonalidade ofensivamente negra quando suas garras retornaram aos seus dedos. O berro soltado pelo mesmo pôde, facilmente, ser confundido com um urso – confirmado meio que imediatamente após surgir como opção para ataque. O irmão gêmeo de Sarah tomou uma posição ofensiva. Não deixaria ninguém encostar em si ou em seu parceiro.

Quando estava prestes a acertá-lo com um chute alto, Rich escutou algo. Com a testa franzida, varreu toda a área ao seu redor com os olhos, notando o brilho do farol do ônibus de segundo andar, aproximar-se rapidamente. Arregalou os olhos quando, em um instante, quase se chocaram. Rich confessava que achou que morreria, mas, ao dar por si, percebeu estar dentro do próprio veículo.

— Mas o quê…?

— Escuta, vocês não têm nada melhor 'pra fazer do que ficar lutando contra mortos-vivos? — o pequeno Leon falou.

O suro escorreu em poucas quantidades pela sua testa. Havia teletransportado Alef e Richard para dentro do ônibus quando viu que Agust jogou tudo em suas mãos e foi possuído pela adrenalina. Às vezes acreditava que ele era louco.

— Boa, guri! — Rich suspirou, entreolhado com Alef, sem entender bulhunfas.

 

Enquanto isso, Darwin corria. Seus cabelos escuros eram amassados contra seus olhos a medida que suas pernas se moviam berrando a necessidade de sobreviver. O livro que descansava em seus braços era perseguido por várias aranhas feitas de papel; verdadeiros origamis. Ao passo que se decidia para onde ir, começou a levitar misteriosamente, assim como os origamis mais próximos de si.

O grito que saiu de sua boca foi reprimido por um impacto no estômago. Sempre teve um extremo medo de altura, quase se aproximando de uma fobia. No momento que perdeu as forças dos braços por milissegundos, o livro saiu de suas mãos. Não sabia como o pegaria se ele caísse no chão, visto que não sabia como descer, mas, uma surpresa aconteceu: o livro também levitou

— Muito legal, o seu poder! — começou a debochar — Agora que me mostrou como funciona e a raiva que ele dá, pode me descer!

Hiroshi estava ali, com uma mão levantada, controlado a gravidade dentro de uma bolha que o mesmo fez.

— Obrigado pelo elogio, acho que precisa de uma ajuda pra anular esse seu medinho!

Soltou a bolha, desfazendo-a e já remontando-a em outro lugar estratégico, tudo para salvar Darwin com o livro; pois, com uma bolha grande levitando todos os origamis, o garoto poderia passar correndo e ficar ao seu lado, onde ambos poderiam se ajudar até conseguir achar o resto do grupo.

De volta ao caminho, Darwin se juntou a Hiroshi. O clima daquele deserto estava de matar e a sudorese quase os atrapalhavam de prosseguir.

— Nunca me dei bem com altura. Você não sabe como é maravilhoso estar no chão! Mesmo que quente… — Darwin brincou com o amigo, ganhando um sorrisinho.

Sem demora, os dois chegaram a uma ponte que ligava os dois lados de uma imensa fenda no relevo. Eles avançaram correndo até chegar do outro lado, porém, os origamis gigantes os seguiram, estando todos subindo na ponte de uma mesma vez. Hiroshi olhou para trás preocupado, estava levemente manco de uma perna por conta de um corte da briga passada, então não sabia se conseguiria continuar rápido o suficiente para não acontecer o que estava óbvio que ia.

A velha ponte não aguentou por muito tempo calada; o barulho de vigas de metal se movendo tomou conta de todo o eco florescente, terminando num ruído agonizante. De fato, após alguns segundos, a mesma quebrou, jogando tudo que estava em cima dela no precipício. O mais velho dos dois (por nove meses) agradeceu ao Darwin pelo movimento rápido para curar sua perna. O garoto teve pouquíssimo tempo para fechar os olhos e se concentrar para sarar a ferida sem todo aquele processo que normalmente fazia. Tecnicamente precisava estar em sua sanidade, psicologicamente falando, para fazer a cura completa, – ainda mais de algo que ele não poderia tocar. O lado bom era que o ferimento não era tão grave. Felizmente evoluía pouco a pouco com suas habilidades.

— Temos que achar os outros — Darwin exasperou, um tanto quanto irritadiço pelo atraso.

Hiroshi consentiu com um balançar de cabeça e voltou a andar, esperando algo que indicaria sinais da existência do pequeno grupo que se separou.

 

 

De volta ao típico ônibus duplo de Londres, os quatro garotos seguiam para uma zona em que, segundo Agust, havia tido uma grande circulação de zumbis e origamis estranhos, então, teoricamente, havia alguém lá.

— Olha essa área, ‘tá toda fodida — a voz entediada de Agust ecoou.

— Cara, não sei o que aconteceu aqui, mas foi feio — Richard e Alef se entreolharam, sabendo que uma hora aquele ônibus pararia por algo.

E realmente foi.

Quando um tremor possuiu todo o solo, um grande rochedo se elevou embaixo da parte frontal do grande transporte. O ônibus virou para cima, em vertical, atirando todos para a traseira.

— ‘Tá todo mundo bem?

— Digo por mim, sim — a voz de Agust novamente aparece.

— Sim — Leon e Alef fazem um uníssono.

— Leon, pode nos teletransportar daqui? — Rich sugeriu, massageando o ombro, tomando seu tom e imagem de líder.

O tão jovem guerreiro olhou para suas mãos, não sabendo como poderia fazer para poder mover todos ao mesmo tempo para fora, afinal, apenas podia teleportar de duas a três pessoas, não um ônibus todos e seus amigos que sabe-se-lá aonde estavam.

O pequeno franze a testa e faz bico. Seu pensamento viajou longe, analisando todas as hipóteses possíveis de como fugir ou algo do tipo, entretanto, nenhuma visão de fuga.

— Não sei se dará certo.

Os outros três reviraram os olhos, principalmente Agust, que ainda bufava entediado.

— Pode usar sua mão direita?

Nessa hora, Leon retirou a luva que teve sua trava desbloqueada e pressionou o banco do ônibus que estava deitado encima. A força que fez ficou estampada em sua face avermelhada, teleportando assim, todos para longe.

— Isso é um avanço significativo! Vamos sair dessa! — Rich disse, ao encontrarem um lugar tranquilo, distante dos inimigos.

— Vamos ganhar das garotas agora! — Leon riu.

Suas risadas foram interrompidas quando o terremoto voltou a ocorrer, dessa vez, com estacas de gelo que cresciam das fissuras do chão, aparentemente tomadas por gases tóxicos.

— É fato! Quem for atingido, está morto! — Alef ironizou.

Agilmente os garotos conseguiram descer do ônibus, saltando para o chão e fugindo para desviar dos espinhos aleatórios que brotavam.

Alef rapidamente pulou para trás, já sentindo os efeitos do uso de seu poder: estava ficando sem energia. O cansaço enfraquecia seus braços e fragilizavam seus movimentos, sabia que não ia aguentar se esse treinamento demorasse mais do que já está demorando.

Em um reflexo adquirido e melhorado por causa da Arena, Agust abriu os seus olhos e fechou sua expressão.

Meio que dormindo, ele saltou da traseira do veículo e bisbilhotou ao redor. Pegara no sono por todo o trajeto e não acreditava que havia se metido numa situação como aquela. Acordaram-no e agora teriam o que merecia!

Um campo elétrico cresceu ao seu redor quando ergueu as mãos e fez movimentos circulares com seu corpo branquelo. Seus cabelos azul-claro sofreram leves movimentos de colisão quando a força da eletricidade alcançou todo o seu corpo. Com um grito para segurar seu poder, lançou com tudo o campo que fez contra os espinhos de gelo ao seu redor. Quebrando e espalhando fragmentos para todos os lados, sentia a magnitude do seu dom explodir tudo o que havia ao redor.

Leon teve sorte, pois, como acabou prestando atenção demais no que o mais velho estava fazendo, a atenção de seus “inimigos” foi tirada, fazendo a criança quase ser acertada por um que vinha em sua direção frontal.

— Boa, ô da Coreia! — Soltou Richard, com um sorriso, acima de tudo orgulhoso de sua equipe.

Não deu tempo do outro responder, que uma série de corpos podres e morbidamente mutilados surgiram subindo da areia seca. Todos ficaram com olhares arregalados; não sabiam de onde o Dorian conseguia tirar tanta frieza para criar aqueles seres do chão e fazê-los atacá-los sem o mínimo sentimento de nojo ou repulsa.

— Cara… dessa vez o Dorian se superou… — até Agust demonstrou extrema repulsa por toda aquela cena.

— Sim… — Leon não conseguia pensar mais em nada fora daquele cenário na sua cabeça, estava prestes a sentir suas forças sumirem quando Darwin apareceu atrás de si, junto com Hiroshi.

Ambos escutaram o som explosivo de Agust e, para conferir, foram atrás para ver se era finalmente a sua equipe. O livro permanecia abraçado por Darwin. Era óbvio que não o por nada, assim como era óbvio que o levariam de volta e esfregariam na cara das garotas que venceram mais uma missão.

Hiroshi virou para trás rapidamente, tirando sua visão daquilo e focando no zumbi que já apoiava a mão direita em seu ombro. Afastou-o com rapidez, fechando suas mãos em punho, unindo-as e girando seu corpo, atirando-as com força na bochecha do corpo em decomposição que andava.

Nesse momento, Rich começou a agir: Pisou na cabeça de um que ainda saía do solo, pegando impulso e girando todo o seu físico para a direita, onde ergueu a perna esquerda e atingiu outro ser daqueles.

Alef transformou suas unhas novamente, deixando a face de todos os seus inimigos com grandes rasgos fundos. Todos eles estavam com o foco na batalha, não perderiam aquela aposta, ainda mais com a chance de evoluírem com seus poderes e poderem finalmente sair de todo esse mundo de guerras.

Darwin já estava com alguns truques de batalha com seu poder: usava suas mãos para tocar qualquer parte do corpo de seu oponente, criando uma espécie de, como gostava de chamar, “degeneração”. Cada toque seu faz uma luz esverdeada escura preencher o local, e, se tiver força o suficiente, machucá-lo. As criaturas estavam em pedaços, então, com pouquíssimos toques, imobilizava-os, entretanto, suas forças se dizimavam aos poucos, já que a drenagem do seu dom exigia mais do que poderia dar. Ainda assim, a todo momento tentava verificar seu cinto.

 

Hiroshi fazia poucos monstros girarem em torno de si, manipulando a gravidade ao seu redor tentando ao máximo não encostar em seus parceiros. Aproveitando segundos de paz, fechou os olhos e forçou, estendendo as mãos para os lados e criando bolhas de uma gravidade poderosa bem atrás dos zumbis, que eram atraídos muito fortemente e iam para longe de homem. Com um suspiro, soltou um sorriso pequeno, estava se esforçando há muito tempo para criar mais de uma com aquele poder de atração por vez; finalmente os treinamentos surtiam o efeito desejado!

Leon se teletransportava de um lado para o outro sem parar, rindo da insistência dos mortos em persegui-lo e se movimentando de modo repetido numa mesma área. Parou de rir quando percebeu que já era hora de agir. Apareceu atrás de um, usando suas duas mãos para agarrar a artéria visível e puxar, soltando-a e se teleportando antes do sangue jorrar em seu corpo. Depois foi para trás de outro, mas dessa vez, deu um famoso golpe conhecido como “This Is Sparta” nas costas dele, que foi jogado para cima de outra daquelas aberrações. Como não se sentia desgastado com seu dom, sabia que podia usar sem problemas com aquelas criaturas rastejantes.

Agust, evitando fitar o líquido escarlate que descia das outras lutas, dava 100% de si na batalha. Ele, em todos os confrontos, conseguia ser bem ofensivo quando queria, mas, de fato, seu poder ainda não havia sido evocado. Parecia que algo o prendia nos ataques e limites.

Com as palmas das mãos altamente eletrificadas e formando correntes de energia em seus braços, o azulado tocou em diversas criaturas com uma certa raiva. Ainda não estava nem um pouco contente por terem o acordado, com certeza todos se encontravam surpresos em vê-lo assim, o tão sem expressão Agust estava finalmente demonstrando algum sentimento… bem, não que seja um sentimento legal!

Girando seus braços na diagonal, um campo elétrico surgiu, eletrocutando todos os monstros que apareceram para desafiá-lo. Sabia que tinha que ir com calma, afinal, produzir energia fazia muito mal ao seu corpo, mas infelizmente não tinha outra opção, toda que absorveu mais cedo havia simplesmente sumido! Nem tinha usando tanto assim…

Sentindo a falta de habilidades não humanas que o pudessem ajudar de alguma forma, Richard se viu no meio de grandes criaturas, talvez as maiores feitas por Dorian daquela horda. Elas tinham, pelo menos, dois metros de altura e nem fazia ideia do quanto pesavam. Ele se moveu para o lado quando uma tentou atacá-lo; grandes, no entanto lentas demais! Deu uma rasteira em uma, que caiu e deixou sua barriga ainda intacta exposta, a qual foi usada como apoio para ele fazer um pulo ginástico que envolvia giros: tudo para juntar suas pernas e cair no solo, dando uma voadora em outro grandão.

Ser o único ser humano sem poderes na Arena era muito complicado, pois tinha que focar todo o seu treinamento nas artes marciais, melhorando cada dia mais sua flexibilidade e agilidade. Era considerado um dos melhores lutadores na Arena, senão o melhor, mas não se honrava muito desse título. Não servia para absolutamente nada; somente adicionava mais desafios, afinal de contas, todos com que lutou queriam muito “lhe tirar o posto do melhor”.

Olhou para os lados vendo seus amigos, conseguiam se virar perfeitamente, não precisavam de ajuda.

— O.k.! Hora de focar nos meus golpes! — Sorriu com o pensamento, era bem cara da Sarah falar para ele fazer isso.

Com sua melhor pose ofensiva, correu na direção de um bem grande e levantou sua perna, inclinando-se na diagonal para acertar o seu pé em seu inimigo. Ao derrotar o grandalhão, ele partiu para outro zumbi. Pegou-o pela nuca, direcionando a cabeça para seu joelho e o surrou, soltando-o para que cambaleasse para trás. Estava mirando todo o seu foco em um que parecia ter mais noção da realidade, atacando com golpes normais de lutas humanas todos os que chegavam perto — incluindo seus próprios “amigos”.

O soco de direita dado por ele foi defendido pelo braço esquerdo de Richard; acontecendo a mesma coisa depois, mas, com lados invertidos. Ele investiu uma joelhada no estômago do grande zumbi, porém a criatura segurou seu joelho, parando-o no ar, a poucos centímetros de seu objetivo final. Rich aproveitou a brecha e deu dois socos rápidos no rosto inimigo e o finalizou com uma cotovelada, quebrando seu nariz.

Ao olhar para trás notou que seus companheiros já haviam acabado com todo o excesso de monstros, agora apenas sobrando alguns aleatórios, que não ofereciam risco a ninguém de tão fracos.

— O que fazemos agora? — Leon se pronunciou.

— Vamos fazer o seguinte: você — Alef apontou na direção de Leon — utiliza seu poder para teletransportar e colocar o ônibus na posição em que deveria estar. Você — foi a vez de Agust — vê se o ônibus está com o motor devidamente preparado e circuitos carregados.

Agust não gostava nada desse tom. Não gosta de ser obrigado a fazer algo.

— Eu e o Darwin vamos checar se o ônibus está com as coisas no lugar. Principalmente o segundo andar — adiantou-se Hiroshi, já sabendo que alguém precisava ver se tudo estava o.k..

Agust ainda fitava Alef com olhares enraivecidos, entretanto, deixaria passar essa. Ele queria sair daquele lugar o mais rápido possível, não precisavam mais ficar.

O líder da equipe olhou de soslaio para Agust. Tinha receio das atitudes que ele tomava, pois não queria ninguém do seu time machucado, principalmente se os culpados fossem os próprios integrantes. Eles subiram no veículo, tendo a percepção de que estava fácil demais por ser um treinamento sério. Mesmo assim, sua ordem foi seguir em frente.

 

 

Não muito distante do seu foco: atravessar o grande portão de aço e alcançar sua vitória, depararam-se com horrorosos guardas mortos, que deslocavam entre meio a lava a fim de atrasá-lo e, se bobeassem, destruí-los.

— Ótimo. Como vamos passar por isso?

A ausência de respostas se fundiu ao chiado inimigo.

— Ah, ótimo — Agust revirou os olhos.

— Temos que manter a calma, pessoal. Nós podemos fazer isso; tive uma ideia, mas é bem arriscada.

Os homens viraram sua atenção para Rich que estava com uma feição séria. Era mesmo algo arriscado. Primeiro olhou para Alef, depois para o Darwin e assim foi seguindo até já ter olhado todos. Precisaria da união de todos os poderes, caso contrário, estariam ferrados e perdidos.

— Eis o que pensei d'a gente fazer…

 

Alef encarou os outros cinco. Não gostava tanto da ideia, mas tinha que admitir, era o único jeito plausível de sair daquele lugar sem perder ou enfrentar tudo aquilo a frente. Quando fechou os olhos mentalizou todos os animais grandes e rápidos que já viu, porém, não tinha energia o suficiente para algo tão exorbitante que eram as quais os seus pensamentos estavam indo primeiro. Então, foi aí que teve um estalo, sabia perfeitamente em quê iria se transformar!

No que era um garoto albino, de pele branca como papel, apareceu um lobo grande, completamente branco e com suas íris vermelhas. Pelas patas já dava para perceber sua velocidade. Não perdendo tempo, os cinco subiram em seu transporte: Leon mais próximo do pescoço do lobo Alef, Darwin logo em seguida, Hiroshi em quarto, Agust em quinto e Rich em sexto, mais próximo da cauda.

O lobo começou a correr. Sua velocidade era surpreendente, porém, o rio de lava se alargava cada vez mais. Leon suspirou fundo e abaixou sua mão direita, tocando no lobo, este no qual era envolto de uma bolha de gravidade e um campo de eletricidade para que nenhum inimigo conseguisse tocá-los. Assim que Leon os levou para perto dos mortos, as patas de Alef ferveram diante do chão de gelo, mas rapidamente foram curadas por Darwin. Richard se preocupava com o que faria, quando alcançassem o portão. Alef aguentava fortemente, mesmo sentindo toda aquelas queimaduras lhe arderem a pele, mas faria de tudo para suportar.

Ao se aproximarem, Richard grita para Alef ir com tudo e Hiroshi reforçar ainda mais o ponto de gravidade. O lobo albino dá um rugido e dobra a sua velocidade.

— Estou cansado — Alef admite num murmúrio quase que incompreensível, mas se satisfaz ao passar pelos portões e atirar todos ao chão, voltando em sua forma humana.

O campo gravitacional de Hiroshi foi quebrado ao se desequilibrar e, por consequência de sua queda brusca, até mesmo os apoios mecânicos cedem, não suportando. As cintas metálicas que os prendiam e as ligas que os envolviam no capacete neural se soltaram, fazendo-os baquear contra o chão espelhado da sala. Quando alcançaram o solo, a inconsciência os tomou.


Notas Finais


Bem, vamos as etapas:
1 - Nem todos os personagens apareceram aqui, porque ficaria maior. Não acho que todo mundo tem disponibilidade pra ler um capítulo de 15k palavras, então tivemos que reduzir. E MUITO. Mas prometemos que os que não apareceram, aparecerão no próximo, certo? Certo.
2 - Esse é apenas um capítulo introdutório. Ou seja, ele é mais como um prólogo.
3 - Eu sei que vida de edição é foda e eu tentei me aventurar nessa vida fodida, portanto, fiz uns banners só pra ilustrar os personagens e dar um pouquinho de spoiler praqueles que não stalkearam as fichas. O photoshopador profissa aqui é o T, por isso os banners ficaram ó: uma b aushuashuas Mas espero que esteja legível e que gostem ^^
O link para os banners é esse aqui óhttps://spiritfanfics.com/jornais/-a--g-10224934
Lá vcs poderão ver os Gladiadores e as duplas da Arena.
Dito isso, espero que tenham gostado do capítulo, se virem algum erro ou algo que ficou chato, ou o personagem não ficou igual ao que pensaram, só gritar que tamo junto. Até o próximo galerous o/
Coca e T agradece :)


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