História Arena Selvagem - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Arena Selvagem, Cowboy, Gbt, Guilherme, Iara
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Palavras 1.972
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá, boa leitura.

Capítulo 7 - Capítulo 7


O mal-entendido foi resolvido, quando voltamos para a fazenda naquela noite papai procurou entender o que havia acontecido, a denúncia na delegacia fez com que todos procurassem a segunda e verdadeira versão da história. Guilherme ganhou um pedido de desculpas e os sinceros agradecimentos de toda a família depois disso, em meu interior guardei todos os sentimentos que isso implicava em mim mesma, a vontade desesperada de dizer a todos o que estava acontecendo entre ele e eu, entretanto, decidimos manter um segredo momentâneo, afinal, estávamos saindo e isso era tudo.

Meus dois últimos dias na fazenda passaram mais rápido do que eu havia imaginado, cada segundo do meu dia era preenchido pela sensação de estar próxima a ele, e foi exatamente o que fiz. Aproveitei cada instante que me restava passando ao lado dele e foi inevitável que minhas irmãs descobrissem nosso pequeno segredinho, Clara surtou e Alanna demonstrou sua felicidade da maneira mais reservada possível, dando seus cumprimentos ao meu relacionamento. No entanto, não estávamos tendo nenhum tipo de relacionamento, estávamos conversando... e beijando, beijando muito.

–– Sempre me perguntei qual seria o verdadeiro segredo de Antony Black... –– sussurro e solto uma risadinha quando Guilherme se vira, surpreso –– Recuso-me a acreditar que ele seja um assassino sonâmbulo.

Seus olhos azuis ganham um brilho especial.

–– Leu meus livros, senhorita Albuquerque? Estou lisonjeado.

Cruzo os braços de encontro ao peito e encosto-me na porteira ao meu lado, Guilherme permanece do outro lado do amontoado de madeira que nos separa, mas agora um pouco mais próximo que a alguns minutos quando eu o estava observando.

–– Devo admitir que depois de Guerra Mortal, Psicose é o meu preferido, mas também tem Vírus HgSU. Sério que você combinou mercúrio, enxofre e urânio para criar aquela coisa? Estou chocada.

–– Questão número 1: Antony Black é um clone. Questão número 2: Boa observação sobre Vírus MercúrioEnxofreUrânio.

Como foi que ele conseguiu dizer tudo isso de uma vez sem engasgar?

–– Privilégios de conhecer um escritor...

Ele apoia uma das botas na porteira e as duas mãos na cerca, no instante seguinte está diante de mim com um sorriso presunçoso brincando em seus lábios.

–– E no entanto, se alguma informação vazar serei obrigado a processa-la. 

Ergo o queixo para encara-lo nos olhos.

–– É uma pena que como advogado você não poderá se autodefender.

Guilherme gargalha e passa um de seus braços em torno da minha cintura, puxando-me para ele com força.

–– Não sou eu quem precisa de defesa, Princesa.

Uma das coisas que aprendi a gostar em Guilherme acima de qualquer outra é sua barba, não é exagerada ao ponto de esconder seu maxilar forte e bem desenhado, mas o suficiente para emoldurar seu rosto de traços duros, o bastante para ser considerado arrogante, e fazer cosquinha em minha pele toda vez que ele se aproxima o bastante. Como agora. Seus lábios roçam os meus sensualmente de um lado para o outro, uma de suas mãos me mantêm presa a ele e a outra sobe e desce por minhas costas, causando uma sensação deliciosa e viciante. Poderia passar o resto da minha vida assim que não reclamaria.

 

–– Não tem planos para próximos livros?

Puxo assunto quando percebo que estamos andando a tempo de mais de mãos dados sem dizer nada, o familiar momento constrangedor nos atinge novamente, ele tem sido nosso amigo mais íntimo nos últimos dias quando passamos de amigos para algo mais.

–– Talvez...

Sorrio e paro de andar, estamos bem perto da cada dele agora, parece que andamos mais do que planejávamos.

–– Vai ficar guardando segredos agora?

Cruzo os braços e finjo irritação, Guilherme dá de ombros.

–– Talvez...

–– O nome disso é TPI!

–– TPI? –– arqueia as sobrancelhas, claramente em dúvida.

–– Tensão pré-inspiração.

Gargalha. Só agora percebo como adoro sua gargalhada, rouca e nasalada, puramente masculina e sensual.

–– Prefiro chamar de: tempo para inspecionar.

É a minha vez de ficar em dúvida.

–– Inspecionar o que?

–– Você –– sou pega de surpresa quando sua mão aperta ainda mais a minha e seu corpo fica parado diante do meu, imóvel, com seus olhos atenciosamente analisando cada pequena reação minha –– Cada centímetro seu.

Balanço a cabeça confusa e sua outra mão apanha a minha no ar.

–– Estou apaixonado por você.

O pequeno aquário de vidro que eu mantinha ao meu redor acaba de ser estraçalhado, consigo ouvir o som dos cacos caindo no chão e se tornando ainda menores.

–– E tensão pré-inspiração não é um problema quando estou perto de você, muito pelo contrário, me sinto muito inspirado ao seu lado. Meu problema é tempo para inspecionar, toda vez que está por perto minhas mãos formigam para toca-la, meus lábios coçam para beija-la. Minha cabeça se torna uma página em branco que aos poucos é preenchida por palavras que só me remetem a você, cada segundo do meu dia é vivido com a sensação única de poder vê-la nos fins de tarde e a tortura de guardar tudo isso comigo está me matando.

Respiro pela primeira vez desde que ele começou a falar, o ar saindo com uma calma torturante.

–– O que está esperando? –– as palavras saltam com cuidado da minha boca –– Agora você tem todo o tempo do mundo para inspecionar.

Mal consigo captar seu sorriso, minha boca é devorada pela sua e meus olhos se fecham instantaneamente.

 

Não sei exatamente em que momento deixamos de ser duas pessoas do lado de fora sem ligar para ninguém, mas agora somos praticamente uma única pessoa dentro da casa dele sem ligar para ninguém. Tudo na minha cabeça parece ter sido jogado para escanteio e o que restou foi apenas a necessidade extrema de sentir cada toque, beijo, sensação e paixão que seus atos provocam em mim.

Tento eliminar o pensamento recorrente de que essa é minha última noite aqui, que amanhã, quando o sol mal tiver nascido, estarei partindo de volta para São Paulo e que provavelmente não voltarei a ver Guilherme, sendo ele o peão que trabalha na fazenda do meu pai ou o escritor famoso. Não fará a menor diferença em nenhuma das hipóteses.

–– Você pode me chamar de Cowboy de agora em diante, não vou reclamar...

Não consigo evitar o sorriso. Mas não vai haver um de agora em diante.

–– O problema é seu, porque não gosto nenhum pouco de Princesinha.

Guilherme gargalha e deixa um beijo estalado em meus lábios antes de levantar do sofá.

–– Pensando bem, Sereia é mais a sua cara.

Arqueio uma sobrancelha.

–– Que clichê, Cowboy!

–– Por seu nome ser Iara? Você me chama de Cowboy porque sou um peão!

–– Não. Chamo você de Cowboy por causa das camisas xadrez, das calças jeans desbotadas, das botas típicas de filmes do Texas, do chapéu que sempre tampa seus olhos, que são maravilhosos por sinal, e principalmente por causa do seu estilo de ator perdido em uma cena de romance, quando claramente deveria estar montando garanhões ou desbravando touros bravos.

–– Depravando jov...

–– Não complete essa frase horrenda. 

Lanço um olhar ameaçador em sua direção.

–– Está insinuando que minha vida é uma Arena Selvagem?

–– Arena Selvagem –– estalo os dedos, animada –– Esse é o nome. Se fossem criar um filme sobre você, esse teria de ser o nome. Definitivamente.

Levanto do sofá.

–– Mas nesse momento temos de terminar a TPI.

–– Tensão Pré-Inspiração?

Balanço a cabeça negativamente.

–– Acho que posso viver com isso –– diz antes de me puxar para cima, cobrindo minha boca com a sua.

–– Quero viver com isso.

Sorrio contra seus lábios e puxo a camisa azul xadrez de dentro de sua calça, suas mãos manuseiam meus quadris com habilidade pelos corredores até minhas costas baterem contra a porta. Rimos juntos sem separar as bocas quando com uma calma invejável ele consegue destrancar e abrir o pedaço de madeira, entramos um atrás do outro sem nos soltar nem por um segundo.

Termino de abrir os botões de sua camisa e jogo-a longe, fico impressionada demais com seu físico para notar a falta do vestido no meu corpo. A tatuagem preta em suas costelas realça sua pele bronzeada, letras cursivas deslizando com precisão em seu corpo musculoso que me deixam sem ar.

–– A escrita é para o escritor, o mesmo que a melodia é para o músico. Em Dinamarquês –– meus olhos brilham com a informação, entro em êxtase.

–– Não pode desistir dos seus sonhos, Guilherme –– as palavras pulam para fora da minha boca.

–– Não vou. Não mais, Iara.

Circulo seu pescoço com meus braços e tomo sua boca na minha, talvez essa viagem até aqui tivesse um propósito a mais, encontra-lo foi o propósito.

Deito na cama com Guilherme por cima de mim, suas mãos inspecionando minunciosamente cada centímetro meu, sua boca explorando com habilidade e necessidade a minha, sua barba fazendo cocegas em meu rosto e no meu pescoço. Toda essa sensação me fez pensar que estou flutuando, flutuando em um mar de nuvens leves e macias, perdendo-me completamente na ânsia e no desejo que me consomem nesse instante. Existe alguma coisa que se iguale a esse sentimento? Se existe, nunca o senti.

As mãos dele agarram meu corpo com tanta força que com toda a certeza deixarão marcas evidentes, elas apertam, puxam e deslizam por minha pele em chamas, enquanto sua boca me enlouquece ao encontrar meu pescoço, beijando, mordendo e chupando o local sensível. Instintivamente deixo minhas unhas marcarem seus ombros fortes, suas costas definidas e seu abdómen enlouquecedor, parando pouco depois de chegar ao seu V e ser impedida de prosseguir pelo tecido grosso da calça.

–– Era você... –– suspiro, quase sem fôlego –– Era por você que eu estava esperando...

Seus olhos azuis encontram os meus poucos segundos antes de suas mãos viajarem mais para baixo, para o interior de minhas coxas, arrastando seus dedos pela região enquanto sua boca se entretém em meu colo já parcialmente a mostra. O mar de sensações me faz fechar os olhos absorvendo ainda mais suas carícias, seus toques e seus beijos enlouquecedores. Cada parte de mim anseia por ele de forma vital, lacerante, como uma viciada por sua atenção.

–– Preciso de você... –– sussurro ao abrir os olhos e busco os seus, minhas mãos param em seus ombros e as suas em meus quadris –– E preciso agora.

Ele não hesitou. Todo seu autocontrole esvaiu-se de seu corpo nesse instante e suas mãos passaram a ser mais sedentas, sua boca mais agressiva e seu corpo mais... bruto. Nossas roupas desapareceram sem dificuldade alguma, na realidade não fui capaz de notar quando necessariamente elas deixaram de ser uma barreira real. Estamos aqui, ele, eu e a nossa estranha hipnose um pelo outro, captados por uma paixão maior do que somos capazes explicar. Ele me invade, bruto, selvagem e livre de uma única vez, fazendo-me agarrar-me a ele de forma desesperada.

E nesse momento, criamos nossa própria Arena Selvagem envolvidos pelo precioso tempo para inspecionar.

 

O sol ainda nem nasceu e deixar essa poltrona vai ser mais difícil do que imaginei. Mantenho meus olhos presos à Guilherme ainda dormindo sob os lençóis desarrumados, não posso ver sua tatuagem, mas cada detalhe de sua pele está impregnado em minha mente, em meu próprio corpo como uma marca eterna. Uma espécie de castigo por fazer o que fiz, aproveitar-me de sua paixão por mim para usá-lo e depois desaparecer completamente de sua vida. Sou um monstro. Sou um monstro apaixonado e que não pode conviver com isso. Preciso ir. Não tenho forças para ir.

–– Desculpe-me?

Sussurro ao encarar suas costas uma última vez, o que estou fazendo comigo? O que estou fazendo com ele? Vai ser melhor assim!

Sem despedidas, sem dor, sem sofrimento, sem sentimentalismo barato ao envolver a dor da despedida. Espera-lo acordar é o mesmo que dar a esperança de que algo possa dar certo, não pode. Temos vidas diferentes, ele não quer ser notado, eu preciso disso. Deixo o quarto antes que meu corpo fosse incapaz de continuar me obedecendo.

–– Adeus, Cowboy! 


Notas Finais




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