História Armário dos Rótulos - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Kookv, Taekook, Vkook
Exibições 59
Palavras 1.669
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Flag Deep¹- é uma jogada do futebol americano onde o jogador, nesse caso o Jeongguk, tem que ser rápido, rápido demais.

Boa leitura~

Capítulo 2 - A euforia de ter um nariz sangrando


Descemos a escada correndo e, quando saímos para o campo atrás do alojamento, vi um monte de rapazes espalhados pelo gramado, arremessando uma bola de futebol americano.

— Olha só — disse Jung, correndo na direção deles. — Com quem esse cara se parece?

— Com a sua mãe? — perguntou um garoto.

Então os outros olharam para mim e vi um monte de sorrisinhos.

— Achei que já tivéssemos nos livrado do Byun.

— Para onde ele foi? Para a Universidade de Belas Artes? — Quem falou isso foi um garoto de voz grossa e rosto ostentando algumas espinhas.

— Isso.

— Qual é o seu nome?

Os comentários e as perguntas chegavam tão rápido que eu não tive tempo de notar nada além do fato de estar diante de uns doze garotos. Eles pareciam formar uma grande massa, uma enorme bolha de testosterona.

— Eu sou Tae.

— Ah, você é o garoto novo do segundo ano, né? De onde você é? – perguntou um rapaz de cabelos louros e camiseta de skatista.

— Sim, sou eu. De Daegu.

— É, eu tinha escutado falar de um aluno novo no segundo ano — comentou um cara vestindo uma camisa virada do avesso, o que eu achei muito estranho. — Vai jogar?

— Claro — respondi.

As apresentações se restringiram ao mínimo. Não era bem o momento. O Garoto das poucas espinhas estendeu a mão para mim.

— Namjoon — disse.

Então respondi: — Tae.

E parou por aí.

— Ei! Daegu! – chamou Hoseok. — Você é rápido?

— Sou.

Tirando o pingue-pongue, essa devia ser minha melhor habilidade nos esportes. Jogo futebol mais ou menos bem, e meus amigos em Daegu não curtiam muito futebol americano. De repente o pessoal da Yonsei poderia gostar mais.

Eles escolheram as equipes. Eu fiquei com Jung Hoseok, o garoto com a camisa do avesso — cujo nome era Yoongi, como acabei descobrindo —, um caladão chamado Sehun — que usava uma camiseta com os dizeres “eu quero chegar lá” — e Jeongguk, um cara da minha altura, mais ou menos, que tinha o cabelo escuro de um modo meio anormal, pele clara e bochechas vermelhas — aposto que ele estava naquele sol escaldante há tempos — e coxas que pareciam hidrantes.

— Podem começar com a bola, já que vão ser massacrados mesmo — avisou Jung enquanto nos posicionávamos para o pontapé inicial.

Eu não conhecia assim tão bem as regras do futebol americano, ou de esporte nenhum, então decidi que minha estratégia seria esperar e observar.

Hoseok deu o kickoff, chutando a bola muito alto e longe na direção do outro time, que estava de frente para nós. Então corremos uns ao encontro dos outros, o sol ainda mais forte em cima de nós, o ar denso.

Acabou sendo bem divertido. Os garotos do outro time tentavam nos bloquear enquanto corríamos na direção do que tinha pegado a bola. Um levantou o braço na frente do corpo e eu tentei desviar. Ele me acertou no peito uma vez, o que quase me deixou sem fôlego. Então olhei em volta e vi o Jung batendo com as duas mãos no cara com a bola, e a jogada acabou.

Enquanto os jogadores do outro time se reuniam, Hoseok nos disse o que fazer. Eu deveria cobrir Namjoon. Ele foi até a linha, me viu e deu um sorriso forçado. Era mais alto, mas não tinha as pernas mais musculosas que as minhas e usava uma corrente estranha no pescoço. Concluí que, se jogassem a bola para ele, eu deveria pegá-lo antes que ele passasse por mim.

Um garoto de cabeça raspada estacou no meio, com dois caras de cada lado, nos encarando.

— Vai! — gritou ele.

Namjoon deu passos largos como os de um cavalo, e eu cambaleei para trás, encarando-o. Arregalou os olhos e passou correndo por mim, então me virei e também corri o mais rápido que pude. Ouvi Hoseok gritando e de algum modo entendi que tinha que olhar para cima.

Ali estava a bola, voando na nossa direção. Namjoon se virou e começou a se ajeitar para pegá-la.

Eu estava bem ao lado dele e pulei uma fração de segundo antes. Eu costumava jogar vôlei. Sei saltar alto e sei cortar. Usei os punhos e atirei a bola no chão.

— Isso! — berrou Jung, correndo na minha direção como um louco. — Esse é o Byun! Ninguém traz essa porcaria para o meu campo!

Yoongi estava vindo também, e os dois davam a entender que eu tinha feito algo incrível. O sangue pulsava nas minhas veias e eu sentia os cabelos da nuca arrepiados.

— Era o que Baekhyun dizia — explicou Hoseok, batendo sua mão na minha.

Imitei a voz de Byun Baekhyun como Jung tinha feito e gritei: — Ninguém traz essa porcaria para o meu campo!

Hoseok olhou para o Yoongi e eles bateram os punhos fechados.

— Ele fala igual ao cara! — disse o garoto de camisa azul royal.

Apontei para Namjoon, que corria de volta para junto do seu time.

—  Hã-hã — murmurei, balançando o dedo para eles.

Ele me ignorou e se juntou ao time dele. Hoseok e Yoongi se abraçaram, agitados.

— Agora, sim, um original de Daegu. Ninguém pode apontar o dedo para o Baek! Vamos ter que chamá-lo de Baek Dois!

Tive momentos de grande prazer na minha vida. Não consegui me lembrar de nenhum como aquele. Isso me surpreendeu. Nunca pensei que fosse o tipo de garoto que se misturaria com os atletas, mas ali estava eu, todo orgulhoso por ter recebido um apelido.

Eu, um atleta? Pensei nisso, saboreei a ideia. Ela me fez sorrir e depois rir um pouco. A euforia tomou conta de mim. Era essa a sensação em meu peito. Euforia. Nunca tinha experimentado isso antes.

Ainda eufórico, olhei para Jeongguk e Sehun a tempo de vê-los revirando os olhos um para o outro. Parei de sorrir, constrangido. Por que aquilo? O que eu tinha feito para eles? Só queria me divertir. Eles me fizeram lembrar as PDP em Daegu — as Pessoas de Preto, que usavam sobretudo, se isolavam e julgavam todo mundo. Quem diabos eles eram para me julgar?

Apesar disso, o jogo foi divertido. Na verdade, fiquei um pouco aliviado quando eles pararam de me chamar de Baek Dois depois que me mostrei menos apto a pegar os passes. Hoseok me passou a bola duas vezes seguidas. Na primeira, ela escorregou e, na segunda, me acertou no peito e quicou para longe. Achei que tinha chegado perto, ainda mais na segunda tentativa, mas isso pareceu não contar, e o apelido foi esquecido. Ótimo. Não queria mais um rótulo para me definir.

— Vamos lá — disse Jung quando nos juntamos para o último ataque, com o placar apertado. — Daegu, faça um buttonhook de dez passos. Yoongi, vá direto pela esquerda. Sehun, para fora e para dentro. Jeongguk, você vai ter que disparar. Flag deep¹, ok?

Das outras vezes que nos reunimos, ele tinha indicado as rotas com o dedo, mas de repente começou a falar os nomes das jogadas. Eu não sabia o que fazer, então, depois que gritamos “Tempo!”, cutuquei o ombro esquerdo de Jeongguk, o Idiota.

— Hã... o que é um buttonhook?

Ele olhou para mim achando graça. Então ergueu a palma da mão e desenhou a jogada: uma corrida rápida — uns dez passos, calculei —  e uma girada.

— Obrigado — falei, com um sorriso forçado. — Fico te devendo uma.

Ele meneou a cabeça e passou para o outro lado de Hoseok. Eu me alinhei à esquerda, de frente para Namjoon, e, quando Hoseok disse “Já!”, corri dez passos e me virei.

A bola estava no meu rosto. Atingiu meu nariz bem na hora em que eu ergui as mãos para agarrá-la. Tarde demais. A dor me fez perder o fôlego. Depois de bater no meu nariz, a bola ricocheteou para a minha mão esquerda e eu a ajeitei, afastando os braços do corpo.

Ali estava ela, nos meus dedos. Eu a equilibrei até conseguir aninhá-la, então fechei as minhas mãos ao redor dela, deixei os braços junto ao corpo e comecei a correr.

— Ele agarrou com uma das mãos! — ouvi Hoseok gritar.

Então saí correndo para o limite do campo do outro time.

Assim que peguei velocidade, eu soube que Namjoon não conseguiria me pegar.

Touchdown! — berrou Jung Hoseok.

Atirei a bola no chão, como via os jogadores fazerem na TV. Então inventei uma dancinha, porque você tem que dançar quando atinge o limite do campo. Todo mundo sabe disso. Levantando e abaixando os ombros, me balancei de um lado para outro.

— O cara tem estilo! — elogiou Jung, aproximando-se para dar um tapinha nas minhas costas.

Quando me virei para responder, senti o sangue.

— Que merda! — exclamou Hoseok, e os outros garotos do time correram até nós.

— Parece sério — disse Sehun.

— Estou bem — falei.

Não estava tão bem assim, mas não queria parar de comemorar, mesmo que fosse por uma emergência médica.

Jeongguk pegou no meu ombro.

— A gente devia levar você para a enfermaria. Pode ter quebrado.

— Que nada – falei, me afastando. — Meu nariz sangra só de alguém olhar torto para ele. Estou bem.

Ele me fitou nos olhos. Os dele eram de um castanho escuro translúcido. Jeongguk parecia ser um cara legal. Eu não queria desviar o olhar. Percebi que não ser o garoto gay ali me dava mais abertura. Jamais poderia fazer contato visual com os atletas em Daegu. Era um acordo: eles me aceitavam no time e eu não os assustava com contatos visuais. Ali não havia acordo nenhum. Jeongguk piscou, eu pisquei de volta e, quando aquilo começou a parecer íntimo demais, desviei o olhar.

O touchdown marcou a nossa vitória. Terminei a última série de arremessos com sangue escorrendo do nariz e, quando o jogo acabou, Sehun se aproximou e me entregou umas folhas de papel toalha.

— Obrigado.

— Sem problema — disse ele, sem inflexão, e então se afastou com Jeongguk, todo superior, me deixando com Hoseok e Yoongi.

Voltamos para o alojamento juntos, e eles perguntaram se eu gostaria de encontrá-los mais tarde para jantar.

— Claro — respondi.

Então voltei para o quarto com o nariz sangrando e um sentimento de euforia que era completamente novo para mim.

 



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