História Armário dos Rótulos - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Kookv, Taekook, Vkook
Exibições 35
Palavras 1.675
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - O lado ruim não é tão ruim assim, é?


Uau!, pensei, subindo as escadas de dois em dois degraus e com o papel toalha pressionado no nariz. Minha aventura na Yonsei havia começado duas horas antes, e eu já tinha a personalidade completamente nova que fantasiara. Tae, o atleta.

Para ser sincero, era tão fantástico que chegava a assustar.

Nenhum problema pode destruir esse novo plano, pensei, então praguejei contra mim mesmo, porque qualquer pessoa que já tenha assistido a pelo menos um filme de Hollywood sabe que pensamentos como esse levam a... bem, problemas sérios.

Problema sério número um.

A porta do meu quarto estava aberta, então dei uma espiada lá dentro. Um garoto baixinho, de camiseta preta desfazia as malas que tinham sido largadas no meio do caminho. Deitado ali no meio do caos — caixas de cereais, latas de refrigerante —, encontrava-se um garoto magro de cabelo avermelhado.

Ele estava de costas para mim, com as mãos atrás da cabeça, na posição de quem faz abdominais. Apertei o papel toalha no nariz e dei uma olhada. Ainda sangrava muito.

— Então vamos lá — disse o garoto de cabelo rubro. — Digamos que tivesse uma gangue de crianças de 6 anos vagando pelas ruas e elas atacassem você. Quantas você conseguiria derrubar?

Fiquei parado na soleira da porta, ainda despercebido. Apesar do desastre que era o meio do quarto, fiquei contente de ver que eles estavam arrumando tudo. Na cama do baixinho, havia uma pilha muito alta só de camisetas pretas. Ele abriu uma gaveta na cômoda perto de sua cama e começou a guardar as roupas.

— Elas têm armas? — perguntou.

— Não, só sabem lutar — respondeu o cabelo colorido.

— Então, acho que quatro. Duas delas poderiam agarrar minhas pernas, mas eu ainda teria os braços. Cada uma poderia pegar um membro, mas aí ninguém conseguiria atacar meu corpo. Talvez eu ficasse bem incapacitado, mas sobreviveria.

— É, provavelmente quatro. Gosto de pensar que daria conta de quatro também. Se fossem cinco, eu teria problemas.

— E se elas estivessem armadas? — perguntou o garoto mais baixinho.

Cruzei os braços e me encostei no batente da porta, que rangeu com o meu peso. Os dois se viraram para mim.

— Por que essas crianças fariam parte de uma gangue? — perguntei, o sangue escorrendo do meu nariz.

O de cabelo avermelhado me avaliou.

­— Problemas de criação — respondeu. — Os pais delas são viciados em metanfetamina, e elas não têm para onde ir à noite, então vagam pelas ruas procurando encrenca.

O moreno de bochechas voluptuosas entrou na conversa.

— Tem também a pressão social. Os irmãos mais velhos delas são membros das gangues de 8 e 9 anos.

Assenti, dobrando o papel toalha para colocar um pedaço limpo debaixo das narinas.

— É, é difícil lidar com a pressão social. Elas querem machucar mesmo ou estão só tentando aparecer?

— Principalmente tentando aparecer — disse o do cabelo vermelho, quase tão vermelho quanto o sangue que escorria de mim. — É como um ritual de iniciação. Se esses caras estudassem fora daqui, seriam do tipo sobreviventes sempre preparados para catástrofes, que usam roupas camufladas, se encontram em clubes de tiro e assistem a programas sobre pescadores que morreram catando caranguejos e coisas assim.

Por isso o pôster do carro explodindo, percebi.

— Queria saber o que um garoto de 6 anos precisa fazer para se tornar o líder de uma gangue — refleti. — Roubar uma loja de conveniência feita de Lego?

O baixinho estreitou os olhos para mim e retrucou:

— Não seja ingênuo. É uma questão de força. Sobrevivência do mais apto. O mais durão se torna o líder. Como em O senhor das moscas.

— Sim, em O senhor das moscas há uma briga que termina em morte por causa disso ­— disse o ruivo enquanto se sentava de frente para mim e esfregava a bochecha.

— Isso mesmo — falei.

E então ficamos em silêncio.

— Você é o Tae? — perguntou o baixinho depois de um tempo.

— Sou.

— Eu sou o Jimin. E esse aqui é o Doojoon.

— E aí? ­— cumprimentei, entrando e sentando na minha cama. — Você tem um rádio cheio de botões.

— É um rádio da polícia. Conhecimento é poder — afirmou Jimin. ­— Seu nariz está sangrando e sua calça está suja.

— Foi o futebol — expliquei.

Jimin e Doojoon trocaram olhares.

— Que ótimo — disse meu colega de quarto, de um jeito que significava nada ótimo.

Olhei ao redor.

— Imagino que você não esteja estudando para cuidar de uma casa.

— Não muito. Você é do tipo certinho?

— Que nada — respondi, mas percebi que, na verdade, eu era, porque só de olhar aquela bagunça fiquei com uma vontade incontrolável de comprar um aspirador de pó. Ou de contratar um mordomo. — São muitas camisetas... pretas.

— Obrigado — disse o moreno.

— Ele compra roupa na loja dos garçons — comentou Doojoon.

— Nossa, muito engraçado — respondeu Jimin. – E você compra na loja “jamais serei contratado como auxiliar de garçom por causa da minha ficha criminal”.

— Essa foi boa — disse o ruivo.

— Então, o que preciso saber sobre a Yonsei? — perguntei.

Doojoon e Jimin trocaram olhares de novo.

— Corra para além dos rochedos! ­— exclamou o do cabelo colorido.

— Não pode ser tão ruim. E posso garantir que acabei de chegar de além dos rochedos. Sou de Daegu.

— Bem, então acho que depende do seu tipo — disse o Park.

O antigo Tae teria deixado passar essa. Mas senti que deveria chamar a atenção dele sobre aquilo.

— Por que preciso ser de um tipo específico?

Ele me avaliou de alto a baixo, de um jeito muito óbvio.

— Bem, você não precisa ser, mas é.

Peguei outra folha de papel toalha do rolo na minha mesa e a pressionei contra o nariz.

— Ok, então qual é o meu tipo?

Cruzei os braços e estufei um pouco o peito.

— Acho que atleta — respondeu Jimin.

— E isso é... ruim?

Jimin deu de ombros.

— Ruim é uma traça entrar pelo seu ouvido e se alojar no seu cérebro. Ser um atleta é só...  Não sei. Uma coisa.

— Parece que é uma coisa ruim.

— Bem, não é como uma traça se infiltrar no seu cérebro, mas, sim, é meio ruim.

— Meu Deus, Jimin! — exclamou o outro rapaz.

— Ué, ele perguntou!

Talvez tenha sido a adrenalina do futebol e o nariz sangrando. Talvez tenha sido apenas a ironia de eu ter sido rotulado de algo comum e meu colega de quarto, aparentemente, fracassado estar me causando problemas.

— E pelo que vejo vocês são do tipo que gosta de explosão de carros e rádios de polícia — falei. — Fazem parte de uma milícia?

— Sim — disse ele. — Você é um gênio. Sou de uma milícia. É melhor você dormir com um olho aberto.

— Idiota — murmurei.

— Conservador — respondeu ele.

Eu? Conservador? Imaginei a cabeça Liberal da minha mãe explodindo. Meu rosto começou a ficar vermelho e Jimin se virou para mim. Não havia expressão, mas vi sua sobrancelha estremecer. Medo? Ele estava com medo de mim? Nunca tinham tido medo de mim, pelo menos não fisicamente. Parecia que eu tinha entrado em outra dimensão. Doojoon se levantou e ficou entre nós, o que quase me fez rir, porque era tipo: O quê? Vocês vão sair na mão?

— Sou só eu ou as coisas estão meio tensas por aqui? — perguntou. — Ok, rapazes, vamos fazer o seguinte. — Ele foi até o bochechudozinho e pôs a mão no ombro do amigo. — Pare de ficar na defensiva. Ele não fez nada para merecer isso.

Jimin sacudiu o ombro para afastá-lo, mas acabou cedendo e assentiu com a cabeça.

Então Doojoon se aproximou de mim. Era extremamente magro, quase alto e o cabelo colorido tinha alguns reflexos mais iluminados em tom alaranjado. Se estivéssemos em Daegu, ele definitivamente seria gay. Mas, afinal, quem era eu para rotulá-lo pela aparência?

— Agora você. Você vai retirar seu comentário sobre a milícia e nunca mais vai dizer nada negativo sobre esse pôster incrível, que por acaso é do programa mais legal da história da televisão.

— Planeta Sobrevivência? Nunca ouvi falar.

— Podemos ajudá-lo com isso — disse Doojoon, apertando meu ombro.

Senti meu rosto enrubescer. Meu cérebro estava sendo ridiculamente preconceituoso dizendo “Sim, possivelmente gay, e não fazia nem um pouco o meu tipo”.

Respirei fundo antes de responder:

— Talvez eu veja. Gosto de conhecer coisas novas.

Olhei para o outro garoto. Ele tinha parado de arrumar as roupas e estava olhando pela janela. Parecia triste. Pensei no que eu dissera, chamando-o de idiota. Não fazia parte dos meus planos me desentender com o meu novo colega de quarto na nossa primeira conversa.

— Ei, eu não deveria ter chamado você de idiota. Não deveria ter dito nada disso. Não foi minha intenção. Tenho síndrome de Tourette.

Ele me fitou e revirou os olhos.

— Se você tem síndrome de Tourette, teve a intenção. Só não tem capacidade de filtrar seus pensamentos.

Tive que rir.

— Qual é, cara? Está ficando difícil retirar o “idiota” — falei. Ele ficou boquiaberto, então me aproximei e dei um soquinho no ombro dele. — É brincadeira. Meu Deus, que cara sensível.

Ele pareceu refletir por um momento. E então deu de ombros.

— Tudo bem. Tanto faz. Vamos começar de novo?

Sorri.

— Claro.

Ele franziu a testa, tampou o rosto com as mãos e, em seguida, as retirou, mostrando um sorriso.

— Oi, você deve ser o Tae, meu novo colega de quarto atleta.

Demos um aperto de mãos.

— E você deve ser Park Jimin, meu novo colega de quarto bagunceiro.

— Prazer.

­— Não estou com a menor vontade de limpar essa bagunça. E, a propósito, belo pôster. Adoro esse programa.

— Vamos jogar alguma coisa — propôs ele.

— Agora está muito melhor — comentou Doojoon.

Jimin voltou a arrumar as roupas e eu me deitei na cama, um refúgio do estado de calamidade que era o resto do quarto. Fiquei me perguntando se iríamos nos dar bem como colegas. O lado bom é que os dois eram meio divertidos. O lado ruim... Bem, para que pensar nisso, né?

— Merda, a lâmpada queimou — disse Park, apertando o interruptor da luminária de sua mesa.

O ruivo apoiou a cabeça nas mãos e fingiu chorar de leve.

— Ah, lâmpada. Nem tivemos tempo de conhecer você direito.

Ah, sim. O lado ruim.

 



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