História Arrows - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Originais Yaoi Romance
Exibições 49
Palavras 3.097
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá
enquanto eu escrevia ontem eu jurei que tinha explicado uma coisa na história,mas descobri que é só num capítulo muito mais avançado,então achei melhor mandar pra vocês já agora,porque pode vir a ser importante em breve.
Vocês já devem ter reparado que a Key,mestre das ninjas,vive de vestidos bonitinhos e etc. Só que a cor deles tem um significado,e é:
•Vermelho significa perigo iminente,verde expectativa de algo,amarelo atenção e marrom dúvida,dourado ou prateado quer dizer que ela conseguiu algo que queria,preto que algo vai morrer e as outras cores não têm significado aparente.
só isso. prestem atenção. boa leitura e
meet Eve

Capítulo 18 - Capítulo 18



Quarta-feira.
Tenho certeza de que sou um náufrago.
Acordo e está tudo escuro. Estou enjoado e molhado da cabeça aos pés. Olho em volta,com a certeza de que estou em um bote salva-vidas no meio do mar.
Mas então Key abre a porta do banheiro,com um vestido marrom e dourado e o cabelo preso.
-Cadê o Ethan?-Pergunto,caindo da cama. Me levanto logo depois e saio apressado,procurando coisas como meu celular e minhas calças-Eu tenho que...
-Ei-Key me segura. Ela pega uma escova de cabelo e joga no interruptor. E acende a luz.
-Como conseguiu mirar tão certinho? E no escuro?-Pergunto,estreitando os olhos.
-Eu sou a mestre das ninjas-Ela levanta as mãos em sinal de poder.
-Cadê o Ethan? Eu preciso pedir des...
-O que você fez?-Key pergunta,e dessa vez ela é quem estreita os olhos de forma acusadora para mim.
-Eu...-Começo a dizer,mas aí percebo que estava sonhando. Tive mais um pesadelo.
Olho para Key. Ela ainda está com as sobrancelhas levantadas,esperando eu terminar a frase.
Balanço os ombros e pisco algumas vezes-Eu vou tomar banho.
-Vai querer ir para a casa da Rhode?-Ela pergunta,se virando e indo fuçar nas próprias coisas.
-O que vai ter lá?-Pergunto,pegando uma toalha.
-Todo mundo vai estar lá,como sempre.
-Tudo bem. Você me espera?
-Não-Key pega o celular e vai para porta-Já estou indo. Toma seu banho e depois toma seu rumo.
-Vaca-Grito quando ela já saiu.
-Também te amo,irmão.
Reviro os olhos e vou tomar banho.

><

Quando já saí de casa e estou no fim da rua da casa da Rhode,de onde já posso ver as luzes acesas,vejo uma figura sair pela janela da cozinha.
Aperto os olhos,tentando enxergar melhor. Depois de pular,o vulto sai correndo,as mãos cobrindo o rosto,e eu o perco de vista. Começo a correr,atravessando a rua e tentando ver para onde foi.
Perto da porta da casa da Rhode,vejo a pessoa,já bem longe,e a sigo. Estou a uns vinte metros,e enxergo a saia rodada e o cabelo que bate bem no meio das costas,como o de Leona.
-Eveline?-Pergunto,tentando enxergar melhor,seguindo-a com rapidez.
Ela para de correr ao chegar em um conjunto de rampas. Há várias pessoas andando de skate,patins e bicicleta ali,rindo e gritando. Eve vai para um ponto mais afastado,uma rampa média,e fica quase embaixo de uma árvore. Ela se recosta nas barras de proteção,e enquanto me aproximo,vejo seus ombros tremerem levemente.
Subo pela escada que ela usou,me escondendo,e observando um rapaz se aproximar dela. Daqui,posso ouvir a conversa.
-Moça? Meu nome é Austin. Você precisa de alguma ajuda? O que aconteceu?-O cara vai dizendo,a voz baixa e gentil.
-Eu sou uma idiota-Ela diz com a voz abafada,provavelmente escondendo o rosto. Me abaixo um pouco mais nos degraus para ter certeza de que nenhum dos dois vai me ver. Abro passagem para un cara com um skate descer,e volto a ouvir.
-Eu não acho que você seja idiota,e gostaria de te ajudar-Austin diz de forma cada vez mais doce.
-Obrigada pela preocupação-Eve diz,soluçando-,mas você não pode me ajudar. Só o tempo pode fazer isso.
-Posso te dar meu número? Se o tempo não ajudar,eu gostaria de tentar-Ele insiste.
-Pode me dar seu número,sim-Eve diz de forma mais firme-Obrigada.
Depois de um tempo em silêncio,ela agradece a ele mais uma vez e posso vê-lo descer a pista com o skate e ir sentar do outro lado.
Espero até Eve estar soluçando menos,porque acredito que se ela quiser falar algo,iria preferir estar mais calma,e então subo a escada. Me encosto na barra ao lado dela,juntando as mãos na frente do corpo,e espero ela me pedir para ir embora. Ela não o faz,então resolvo tentar algo.
-Rapaz cavalheiro-Digo,sem saber o que mais dizer. Me lembro do que Key me disse uma vez sobre isso. "Cavalheirismo é mais uma forma dos machistas fingirem que são legais. Se a pessoa é gentil,então ela é gentil com todo mundo. Agora,quando um cara é cavalheiro,significa que ele é gentil e prestativo para mulheres,apenas para mulheres. Como se precisássemos de um cuidado especial por sermos delicadas e frágeis".
Eve solta uma leve risada,sem humor-Vai seduzí-lo e fazer ele te beijar também?
Meu corpo inteiro endurece-Eu nunca quis que ele me beijasse,nunca quis que ele te traísse,e nunca quis ser o motivo para você estar tão triste.
-Eu sei-Eve suspira-Me desculpe por te culpar injustamente.
Ela diz isso de forma monótona,mas sei que não disse só por dizer. Parece estar mesmo tentando esquecer e não me punir.
-Jack te contou a história toda?-Pergunto.
-Se está preocupado em estar na minha lista negra,não se preocupe Sun,porque ele tomou toda a culpa e me disse que foi ele quem te beijou,e mesmo sentindo você tentar se afastar,continuou te segurando. Eu sei o que aconteceu.
Fico sem graça,e meu estômago é tomado pela dor maldita de sempre. Culpa,borbulhando como ácido.
-Eu sei quem ele é,e sei o que aconteceu-Eve diz,e dessa vez parece muito mais sincera-Eu não estou com raiva de você,acredite. Só estou magoada.
Ficamos os dois olhando para frente por alguns minutos,eu encarando Austin,Austin encarando Eve e Eve encarando o nada.
-Eu estou com raiva dele-Digo,desviando o olhar para meus pés-Por ter sido tão baixo. E raiva de mim por não ter percebido.
-Não tinha como você saber-Ela olha para mim,balançando a cabeça-Você não é vidente.
-Que me tornasse então,aprendesse telepatia-Reviro os olhos-Mesmo que estudasse por cem anos,sou lento demais para aprender algo difícil como telepatia ou vidência.
Eve ri um pouco,enxuga as bochechas,e então encara os garotos fazendo manobras na rampa ao lado ao invés do horizonte vazio. Está escuro o suficiente para eu me sentir desconfortável,mas a lua ilumina os corpos,e Eve me traz confiança mesmo quando vejo o choro rolar por seu rosto.
-Podemos aproveitar essa pequena divagação e mudar de assunto?-Ela pede.
-Por favor-Gesticulo para que ela diga algo que mude o rumo da conversa.
-Sabe-Ela se inclina na minha direção,ainda sorrindo através das lágrimas silenciosas-Lembra daquele dia em que fomos para sua casa,e depois pra casa da Selene com a Vale e a Key junto?
-Lembro.
-Você me perguntou se tinha um motivo especial para eu não ir ao banheiro de sapatos,e o Jack interrompeu.
-Aham-Digo,me virando um pouco mais para ela.
-Tem um motivo especial-Eve se inclina novamente.
-E qual é?-Pergunto.
-Eu tenho um trauma-Ela se vira na minha direção e já me preparo pra um tiro. Toda vez que alguém resolve falar sobre o próprio passado,descubro coisas obscuras demais. Não sei se vou conseguir saber sobre todos eles.
Com a ponta dos dedos Eve tateia a testa,levanta a franja cortada rente aos olhos e revela o motivo de ter esse corte de cabelo.
Ela tem uma cicatriz claramente antiga antiga,já da cor de sua pele,que atravessa toda a testa. É torta,e foi muito profunda. Daria pra ver de longe.
Aproximo minha mão com cuidado,e toco levemente o meio da cicatriz. Eve estremece um pouco,mas abre um pequeno sorriso. Um sorriso triste.
-Quando eu era criança,tinha o costume de pegar sapatos de salto da minha mãe emprestados e brincar de ser adulta-Ela solta a franja no rosto e a penteia com as unhas curtas e roídas-Um dia choveu muito,e a janela do banheiro da minha casa estava aberta. A água entrou,e o chão ficou todo molhado.
Eve coça o canto do olho,claramente uma desculpa para que novas lágrimas não caiam. Continuo com minha atenção nela,e somente nela.
-Eu estava com um sapato de salto,e entrei correndo no banheiro-Ela olha para cima,para a lua,e prende a respiração. Como me ensinou,o truque para conter lágrimas indesejadas. Eve expira devagar,e volta a olhar para mim-Escorreguei e bati a cabeça no chão. O piso rachou e além da pancada,cortou minha testa. Tive uma hemorragia. Quase não sobrevivi. Quase  fiquei com seqüelas.
Meu coração aperta ao ouvir isso. Lembro do dia em que Alyssa escorregou no banheiro e trincou o pulso. Quase infartei com a possibilidade de perder minha irmã... E imagino o que a família de Eve passou.
-Também tenho trauma...uma fobia,digamos assim-Ela rola os olhos-De chuva... E de bêbados.
Fico em silêncio,olhando-a fixamente. Ela está se abrindo,então o melhor que posso fazer é mostrar que estou aberto para recebê-la. Não posso mudar o passado,ou apagá-lo,ou dizer algo para melhorar. O que posso fazer é deixar que Eve descarregue o próprio fardo nas minhas costas,e eu o segure enquanto essa conversa durar. Depois,ela terá que continuar convivendo com ele. Só posso oferecer a ela meu talento como ouvinte. Ofereço um momento de paz. Um empréstimo. Um descanso.
Tudo temporário. Mas é suficiente.
-Tenho medo de chuva por causa do banheiro ensopado,eu escorreguei...-Eve morde o lábio inferior-E de bêbados... Alguns dias depois desse acidente,quando eu estava descansando em casa tarde da noite com muitos pontos na testa,meu pai chegou bêbado. Ele veio gritando e cambaleando,com uma garrafa de bebida na mão,ele estava em um estado deplorável. Minha mãe veio correndo,assustada,segurando uma chaleira que tinha acabado de sair do fogo. Meu pai começou a berrar,dizendo que eu quase morri e a culpa era da minha mãe por permitir que eu brincasse com os sapatos... Uma babaquice,mas ele estava só tentando encontrar uma desculpa para descarregar a raiva em alguém que ele acreditava ser culpado. Mas não tinha nada a ver.
Aceno com a cabeça,para mostrar que estou escutando. Eve suspira e continua.
-O que aconteceu comigo foi coisa do Efeito Borboleta. Uma simples ação,algo sem importância como uma brincadeira e um escorregão,desencadeou uma série de outros acontecimentos. Um desses acontecimentos foi o meu pai empurrar minha mãe contra a parede e começar a enforcá-la. Eu assisti tudo,mas não tinha forças para levantar,não podia. Minha mãe,quase sem ar,só teve uma alternativa: golpeou o pescoço dele com a chaleira fervente.
-Por isso aquela marca-Murmuro,me lembrando do dia em que fui na casa da Eve e a marca que o pai dela tinha. Como ácido na pele...há muito tempo atrás.
-Eles se divorciaram-Eve termina-Eu vivo pulando de uma casa para a outra,correndo entre um labirinto do passado.
-É,Efeito Borboleta total-Concordo.
Eve suspira-Por isso tiro meus sapatos ao ir no banheiro. Por isso tenho medo de chuvas e de bêbados. Todos se resumem ao episódio em que uma brincadeira acabou mal.
Fico em silêncio,absorvendo,deixando-a absorver também. Depois de alguns minutos,Eve pega de volta o fardo e o coloca nas costas. De volta para o lugar que sempre vai estar.
-Eu me lembro do dia em que a gente brincou de 7 Minutos no Paraíso na casa da Rhode,e como você ficou hesitante em beber,e com medo de que os outros bebessem demais-Digo baixinho.
Eve assente-Odeio falar sobre essas coisas. Odeio falar sobre como me sinto em relação às coisas.
Desvio o olhar,e ficamos em silêncio por alguns minutos. Sinto como se tivesse aberto Eve e tirado dela algo privado. Tenho que me lembrar continuamente que foi ela quem se abriu para mim. Queria amaldiçoar Rhode,mas nem sei como. Talvez,afinal,seja bom. Talvez Eve destrave agora que me contou.
-Ninguém sabe disso-Eve sussurra,sem me olhar. Avalio o rosto dela com cuidado,escolhendo bem cada palavra e cada movimento.
-Nem vão ficar sabendo. Eu prometo.
-Isso tudo,essa história,é pra você nunca esquecer que,em primeiro lugar,somos humanos e iguais. Todos estamos travando uma batalha no nosso interior que ninguém mais conhece,como a Rhode e a bulimia,e a Selene com o irmão dela,ou o Jack e a ansiedade. Portanto,lembre-se disso e seja gentil. Sempre.
Faço que sim com a cabeça,os olhos bem abertos.
-A segunda-Ela continua-É que pode parecer que por sermos todos ricos,somos perfeitos,ou temos a vida perfeita. O dinheiro nos proporcionou diversos privilégios,sim,mas não é só por isso que temos tudo. Continuamos a sentir medo,dor e tristeza,e podemos ter motivos para querer acabar com a própria vida também. Dinheiro não é tudo,nem nessas situações. O que ele faz é deixar mais fácil de lidar com os problemas,seja na ida a um psicólogo,ou uma viagem para um descanso. E apesar de ajudar,o meu dinheiro nunca eliminou meus problemas,e nem o seu vai.
Penso em como isso é verdade e se aplica a mim. Mesmo com todo o dinheiro,todas as consultas psiquiátricas e todos os remédios,continuo sendo o que sempre fui. Tudo continua igual.
-E a terceira-Eve continua-A última. Costumamos pensar que as melhores pessoas tem cicatrizes grandes,porque nesse mundo quem dissemina a bondade acaba machucado. Mas as piores pessoas também costumam ter cicatrizes grandes,as piores. E elas são o resultado de quando essas pessoas ruins receberam o que merecem. Quero que se lembre dessas três coisas,Sun. Elas são importantes.
-Eu vou me lembrar-Digo,com a mente trabalhando rápido. Tenho que arranjar um jeito de levá-la de volta para a casa da Rhode.
-Você quer que eu volte para a casa dela,não quer?-Eve pergunta,e meu corpo volta a congelar.
-Você é telepata?-Pergunto,assustado.
-Eu também sou lenta demais para aprender isso,Sun-Eve sorri um pouco.
-Eve,devíamos ir pra lá.
-Eu não quero vê-lo,Sun-Ela explica.
-Eu preciso ir,mas não quero te deixar sozinha-Seguro sua mão entre as minhas e aperto.
-Eu vou para o outro lado,conhecer o rapaz cavalheiro-Eve se desencosta da barra-Antes que... Bom,você sabe.
Ela ri de forma forçada,e eu suspiro. Isso é uma clara desculpa para não ter que ir. Sinto que não devo deixar ela aqui.
-Obrigado por dizer tudo isso,Eve-Solto sua mão e a coloco em seu rosto,pegando algumas lágrimas com a palma.
-Obrigada você,por me escutar-Eve sorri,um dos sorrisos mais tristes que vou ter o prazer de colecionar.
Dou um beijo rápido em sua testa e a assisto ir até onde Austin está sentado. Me certifico de que eles estão bem e que ela vai ficar bem. É uma garota forte,mais do que deveria ser. Ela foi forçada a isso.
Caminho para a casa de Rhode em silêncio,as mãos no bolso e as palavras de Eve ressoando na minha mente enquanto meus passos ecoam pela noite silenciosa.
Ou não tão silenciosa assim.
Ouço um barulho numa rua próxima. É uma rua mal iluminada e o som parece com um choro.
Arriscado? Sim. Mas não tenho nada a perder.
Entro na rua. Há uma garota,suja e enrolada em um cobertor,andando na minha frente. Seus ombros tremem e ela soluça.
Após alguns passos,os joelhos dela falham e ela cai no chão. O choro se intensifica.
-Ei,ei-Vou até ela,tocando seu ombro-O que aconteceu?
Suas mãos cobrem o rosto-Eu estou com fome.
-Ah-Franzo as sobrancelhas-Olha,eu posso ajudar.
Algo nessa situação não faz sentido. Ela é uma adolescente bonita apesar da sujeira,e ver moradores de rua não é comum,não nessa cidade. Os que existem não são garotas com cobertores andando por ruas de um bairro de classe média.
-Moça?-Chamo,já desconfiado.
A garota tira as mãos do rosto e olha para mim. Ou olharia,se tivesse olhos.
Ou um rosto.
Meu coração aperta e meu estômago afunda. Eu recuo violentamente,tirando minha mão do ombro da garota. Ela se levanta,soltando um grito estridente e alto,me assustando ainda mais.
Não corro,apesar de minhas pernas quererem. Ela me alcançaria,e aí seria pior. Fecho os olhos e conto até dez devagar,repetindo que não é real.
Ao abrir,ela sumiu.
Eu odeio ter que tomar os remédios. Tremores,falta de ar,sonolência e sensação de fraude são as coisas que mais me perseguem quando estou com eles no organismo. Mas,quando tenho uma crise assim,nenhum desses sintomas chega perto do terror. A cada passo que dou,posso acabar dando de cara com um demônio de filme de terror criado pela minha própria mente. Nada se compara à isso.
Quando retomo minha caminhada apressada,meu coração bate tão rápido que só ouço ele,e não mais as vozes que cortam a "noite silenciosa". Silêncio não significa paz.
Meu sangue corre pelas minhas veias,pulsa em meus ouvidos e tudo que ouço é isso. Não mais passos invisíveis. Apenas o som de mim mesmo.
Quando abro a porta da casa da Rhode,percebo que a melhor coisa que fiz foi ter deixado Eve lá.
Key,Vale,Selene,Rhode,Ethan e Andy estão sentados em uma roda bonitinha no chão. No meio dela,Jack e Matthew estão se beijando de um jeito íntimo demais para ser feito na frente de outras pessoas.
-Jack?-Pergunto em um sussurro enquanto entro. Todos,menos os dois,param e olham para mim-Jack? Jack! Ei,Jack!-Aumento a voz gradativamente,até começar a gritar.
Jack para de beijar Matthew e se vira para mim com um olhar aborrecido e surpreso ao mesmo tempo.
Olho em volta. Estão todos agindo normalmente,observando os dois,e já não sei quem é pior nessa sala.
-Você não viram que a Eve saiu?-Pergunto gritando-Ela estava chorando.
-Ela me pediu para explicar-Key levanta a mão-Ela quis sair sem ninguém...
-Ela saiu porque não aguenta ficar perto de mim-Jack diz de forma arrogante,a mesma arrogância que vi exposta em sua expressão no dia em que o conheci.
-E você deixou?-Pergunto,me aproximando mais dele-E agora está beijando ele?-Olho para Matthew. Sua expressão está vazia,e isso me causa cada vez mais raiva-Achei que tinha dito que ela era uma garota diferente,Jack. Não foi o que você disse? Naquele carro,disse que ela era uma garota diferente.
-E ela é uma garota diferente-Ele confirma-Eu é que não sou um cara diferente,Sun. E eu não ligo.
Se eu não atingi-lo de alguma forma,ele vai ficar por isso mesmo  e continuar achando que pode fazer o que quiser com quem quiser. Mas não é assim que funciona.
Lanço um olhar significativo para Ethan,e quase morro de alívio quando o vejo levantar. Só sua postura já diz que ele entendeu.
-Jack,a única coisa que te mata mais do que saber que eu não pertenço a você...-Começo a dizer,e Ethan se posiciona atrás de mim e agarra minha cintura de uma forma tão possessiva que chego a pensar que passou de atuação. Tomara que ele não pense que eu realmente pertença a ele. Ninguém é de ninguém.
-...É saber que pertence a outra pessoa-Ethan termina minha fala. Depois,ele me roda com as mãos e me beija.
Quase me esqueço do motivo de estarmos fazendo isso. Quando olho para trás,pego o último segundo da expressão fervente de raiva de Jack. Logo depois ele sai,mas ainda sinto a pressão de seu olhar cheio de ódio sobre nós.
Então percebo que troquei "eu" por "nós",e quase sempre o nós quer dizer eu e o Ethan. Poderia listar quantas vezes deixei de me pronunciar para estender a bandeira ao lado dele.
Estou deixando de ser eu. A parte de mim que Ethan deu está ficando cada vez maior. Essa é a minha melhor parte.
E também percebo que a pressão do olhar de ódio na verdade não vem dele,mas de todos os outros da roda,especialmente Rhode,Selene e até Vale,que nos encaram como se o fim do mundo começasse por nós.
Ou pior. Como se o fim do mundo fosse por nossa causa.


Notas Finais


adoro esse capítulo. Obrigada a todos os comentários e favoritos. Até quarta ^~^ ❤❤


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...