História Arrows - Capítulo 32


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Originais Yaoi Romance
Exibições 26
Palavras 3.197
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


olaá,desculpem a demora.
amo esse capítulo de paixão,principalmente por causa de uma personagem nova que aparece. e também por motivos de
Valentina is back
boa leitura ^~^

Capítulo 32 - Capítulo 32



Quinta-feira.
Vale reapareceu.
Depois de eu descobrir que estou instalado no primeiro andar do hospital porque desconfiam que eu possa tentar me suicidar se ficar nos superiores,decido que vou contar a todos sobre minha doença. Não é como se eu pudesse evitar,e não é como se eles fossem o tipo de amigos que se afastam ao descobrir que há um problema com alguém. Estão mais para o tipo de amigos que ajuda a todo custo.
Horas antes do momento marcado para contarmos,Vale surge. Ela está sozinha,somente uma enfermeira a acompanha. Eu e minha mãe permitimos a entrada,e ela pára aos pés da minha cama.
-Oi,Sun,como você está?-Sua voz me fez uma falta terrível,e eu sorrio.
-Melhor agora que você chegou-Ela sorri de volta,e eu lanço um olhar para Eve-Você estava ligando para a Eve a cada vinte minutos,foi o que me contaram.
-Ela contou em detalhes o que aconteceu e como você estava,mas eu precisava te ver ao vivo-Ela toca meu pé coberto.
-E aí,vai explicar o que aconteceu naquele dia?-Rhode pergunta,sem a menor sutilidade. Jack pisa em seu pé,mas ela só dá de ombros.
-Claro-Vale abaixa o olhar por um instante,e depois volta a encarar a todos nós-Eu estou devendo um pedido de desculpas a vocês,e peço agora. Me perdoem pelo que fiz,e por eu ter sumido.
-Você está bem?-Selene pergunta,claramente mais preocupada que o resto de nós.
-Não-Vale responde,seu olhar se tornando relutante-Nem estava naquele dia. Eu havia brigado com a minha mãe e não pensei no que disse. Depois,percebi como tudo era mentira.
-Não era mentira-Jack diz,cruzando os braços. Olhamos surpresos para ele,que dá de ombros-O que você disse foi verdade,era aquilo o que cada um secretamente pensava do outro. Só que você disse do jeito errado. No final,ainda temos que aceitar aquilo,porque era verdade.
-Mas não daquele jeito,não-Vale balança a cabeça-Eu ainda estou brigada com a minha mãe,e tem muitas coisas acontecendo. Eu não queria afetar vocês com isso,e foi realmente melhor eu ter me afastado.
-Mas Vale,nós podemos te ajudar-Selene franze as sobrancelhas,levantando e estendendo a mão a ela.
-Não,vocês não podem-Vale junta os braços na frente do corpo,se abraçando. Ela recua alguns passos conforme Selene se aproxima-A ajuda que eu preciso é financeira,e não sou amiga de vocês para que paguem minhas coisas. Minha mãe insiste que é demais querer isso,porque somos pobres,mas é meu sonho e eu passei na prova,e ela me diz pra desistir e eu quero tentar,mas sem depender da ajuda de ninguém. Não quero ser bancada,quero conseguir por conta própria,por causa do meu esforço.
-Como assim?-Rhode olha em volta-O que está acontecendo?
Eve levanta a mão,chamando nossa atenção-Vale quer fazer medicina,mas mesmo tendo ganho quarenta por cento da bolsa da faculdade,é caro demais pra família dela.
-Tenho minha irmã,e minha mãe é solteira-Vale continua a recuar-Mas eu quero. E não podia dizer a vocês,ou tentariam me ajudar de todo jeito. A ajuda que não quero. Posso trabalhar,não quero viver de caridade.
-Valentina,você jamais conseguiria trabalhar e estudar medicina ao mesmo tempo-Selene segura o braço dela antes que ela saia-Escuta minha proposta.
-Eu...-Vale começa,mas Selene a interrompe e continua.
-Minha mãe tem trinta e sete. Ela engravidou de mim aos dezenove e me teve aos vinte. Ela só se casou com meu pai quando terminou a faculdade de medicina,e meu pai já era rico mas minha mãe não era. E ela,assim como você,não quis que o marido pagasse os estudos dela.
-Isso é verdade-Ouço uma voz da porta. A Sra. Beaumont aparece,entrando no quarto e parando ao lado de Vale e Selene. Sua presença é sentida de forma brutal. Ela impõe respeito até no modo como caminha. Agora,ela sorri levemente,o que é um grande contraste-Eu também não podia pagar a faculdade,mas nunca iria desistir. Fiz um acordo com uma amiga no qual eu trabalharia para ela,e ela pagaria minha faculdade. Eu morava com ela,mas você ainda pode morar com sua família,se quiser.
-Não é caridade-Selene completa,e pelo jeito que ela fala,parece que o plano já foi montado e aceito-Ária e Mágui tem um acordo desse comigo. Elas moram em casa e realmente trabalham para mim. Vocês as vêem lá por causa das férias,mas durante o período de aula elas fazem faculdade,trabalham para mim e tem folgas no final de semana,para estudar. Em vez de ser assim,você pode fazer um acordo direto com minha mãe.
-Você trabalha aqui,comigo,me ajudando-Sra. Beaumont coloca as mãos na cintura-Eu te ensino o que precisa saber,e em vez de receber dinheiro,eu pago sua faculdade. No final,quando se formar,pode trabalhar aqui ou ir para outro lugar. Pode fazer o que quiser. É um acordo e você não ganha nada de graça.
-Vocês fariam isso?-Vale pergunta,os olhos se enchendo de lágrimas-Mas eu receberia muito mais,tanto o conhecimento de já trabalhar em um hospital quanto a faculdade.
-Minha mãe pega pesado,você trabalharia o suficiente-Selene ri,e então sorri-Pra isso servem os amigos,Vale.
-Ai meu Deus-Vale cobre o rosto com as mãos,e logo depois se joga em cima de Selene e sua mãe,abraçando-as-Obrigada,obrigada,prometo nunca decepcionar vocês.
-Sei que não vai-Selene diz,e a abraça de volta.
O olhar de Vale exprime mais do que felicidade. Ela parece prestes a explodir. E é nessas horas,que descobrimos como tudo isso vale a pena. Por mais que hajam brigas,mentiras,discussões com muitas lágrimas e provocações,ter uma amizade forte assim muda você de um jeito que nada mais pode. Esse tipo de amizade te torna mais forte.
Ficamos conversando com Vale,vendo ela e Selene acertarem as últimas partes do acordo. Chega a ser engraçado o modo como fico feliz vendo o sonho de alguém se realizar,e quase esqueço que tenho que fazer uma coisa importante.
Quase.
-Eu tenho que contar à minha mãe-Vale se levanta-Eu passo aqui mais tarde.
-Vale,pode esperar um pouco?-Peço quando ela começa a se despedir-Eu preciso contar uma coisa a vocês.
-O que foi?-Selene pergunta,se sentando ao meu lado.
Nesse momento,minha mãe,Key e o Dr. Burnier entram,acompanhados da mãe de Selene,que havia saído alguns momentos antes.
Não preciso dizer mais nada. Com a ajuda do Dr. Burnier,minha mãe explica absolutamente tudo. A alegria do momento da Vale passa rapidamente,como se nem tivesse acontecido. De repente,o ar parece mais pesado.
Cada parte do meu passado,dos meus remédios,minhas crises e meus problemas,tudo é jogado em cima da mesa. Key fica ao meu lado,segurando minha mão como se para me manter dentro da realidade.
Só que eu não vou entrar em um mundo inexistente,não mais. Com a ajuda do Dr. Burnier,contornei meu psiquiatra e voltei a tomar meus remédios,só que agora sem os remédios de depressão e ansiedade. Apenas dois antipsicóticos e um para o fígado. Qualquer alteração e terei que passar por consultas psiquiátricas mais frequentemente do que as que combinamos. Terei que andar na linha,ou posso acabar me ferrando de volta. Tive tanta sorte que me surpreende.
-Espera-Ouço Jack dizer,o que me tira das lembranças-Esquizofrenia?
-É em um nível muito baixo,totalmente controlável-Dr. Burnier explica,me olhando de vez em quando.
Esse cara é realmente meu amigo. Se fosse quinze anos mais novo,teria minha idade e poderíamos ter uma relação de parceria bem forte,como a que tenho com Vale. Ele me ajudou a convencer o psiquiatra e conversa comigo como se eu fosse uma pessoa,não um paciente qualquer ou um louco. Seguindo minha linha de lembranças,isso nunca aconteceu antes,com nenhum médico. Eu sempre fui tratado mais como a criatura que precisava ser controlada e estudada. Não tinha opinião diante dos médicos.
Minha mãe volta a explicar,e quando acaba,sinto que estou mais próximo de cada um nessa sala. Segredos te protegem como uma caixinha,mas é uma caixa cheia de pregos tanto por dentro,quanto por fora. Tinha potencial de machucar tanto a mim quanto quem tentava se aproximar.
Selene é a primeira a sair. Ela sorri pra mim,beija minha testa,e então deixa o quarto. Ela sabia sobre tudo. Menos o nome.
Esquizofrenia é forte demais. Ninguém quer isso pra si,ou alguém próximo que seja assim. E eu entendo.
Rhode,Eve,Vale e Key saem depois,Key praticamente arrastada. Minha mãe e Jack saem ao mesmo tempo,e sei o carinho que ela tem por ele. Porque ela conversou com Elounora,e elas se entendem. Elas tem isso em comum. Filhos loucos. Filhos que gostam de outros rapazes. Filhas estranhas. Mães praticamente solteiras.
Ethan também sai,o que me surpreende. Só que eu fui o primeiro a sair quando soube sobre o problema de Selene. Faz sentido. Eles estão indo processar o que foi contado,e eu preciso processar o fato de que eles sabem. As coisas precisam voltar ao lugar.
Mas eu não vou ficar deitado aqui.
Assim que sou deixado sozinho,apenas com a enfermeira,me levanto e coloco uma calça da mala que minha mãe trouxe.
-O que vai fazer,garoto?
-Quero dar uma volta-Tiro a maldita roupa do hospital e coloco uma camiseta-Eu juro que não vou longe.
-Se alguém descobrir,você vai ter problemas-Ela avisa,chechando minha temperatura.
-Quinze minutos e eu volto-Junto as mãos,implorando-Por favor,Rose,por favorzinho...
-Tudo bem,mas só quinze minutos. E não saia do prédio.
Abraço ela com força e saio sorrateiramente,me esgueirando pelos corredores. Vou até o fim dos corredores dos quartos,escondendo o rosto.
Chego na porta que leva à recepção. Abro e me abaixo,bem do lado do começo do balcão.
Hoje é um dia movimentado,mas só lá dentro. Aqui,na entrada,está tudo meio vazio. Já começou a anoitecer,e tudo parece confortável.
No balcão da recepção,há somente uma moça. Ela mexe no celular e fala no telefone ao mesmo tempo. Ela tem um cabelo ruivo alaranjado,com mechas loiras nas pontas e um lado raspado. Ela usa uniforme,mas vejo daqui sua calça jeans preta com os joelhos rasgados e o coturno surrado. Não sei como exatamente ela conseguiu trabalhar aqui com essa aparência. Suas mãos têm tatuagens de flores,e quando ela se vira um pouco,vejo um piercing no septo e no canto do lábio inferior. Ela usa uma maquiagem leve,mas o batom é um vinho quase preto. Me surpreende cada vez mais. 
Qual será a impressão dos ricos que vêm aqui,vendo que a recepcionista é assim? Me parece contraditório.
Ela deixou a portinha do balcão meio aberta. Eu entro sem que ela perceba e me sento numa cadeira de rodinhas,ao lado da dela.
A garota se vira para mim num pulo só,assustada. Leio o crachá. Loretta Svoulen. Não deve ter mais que dezenove anos.
-O que está fazendo aqui?-Ela olha minha pulseira de paciente,e então olha em volta-Você fugiu?
-Saí com permissão da enfermeira-Rodo a cadeira,batendo o pé no chão para dar impulso-Queria conversar com alguém. Você é a recepcionista do período noturno? Estranho não me conhecer.
-Do período da madrugada,você quis dizer-Ela revira os olhos,relaxando na cadeira e se virando de frente para mim-Eu entro às dez e saio às seis.
-Por isso não sabe das fofocas-Continuo a rodar,indo cada vez mais rápido-Todo mundo conhece o paciente do quarto 54.
-Espera,você é o amiguinho da Selene que está internado?-Loretta sorri maliciosamente-Ouvi a recepcionista da manhã falar sobre você e os caras gostosos que te perseguem. É Sun,né?
Arregalo os olhos e paro de rodar,olhando para ela com surpresa e animação. Era exatamente de alguém assim que eu precisava. Sem vergonha. Aparentemente, ela já esqueceu que eu não deveria estar aqui.
-São só dois caras-Estreito os olhos-E eles não me perseguem. 
Loretta dá de ombros-Dois? Queria mais que isso? Pelo que ouvi,só esses valiam por quinze. E aí,por que está internado?
Ela olha em volta e tira um caderno e um lápis de uma das separações debaixo do balcão,abre e começa a desenhar algo,colocando os pés na ponta cadeira e apoiando o caderno nos joelhos.
-Fui atropelado por um caminhão-Conto,vendo Loretta levantar as sobrancelhas,surpresa,mas sem desviar a atenção do caderno-Eu queria ficar num andar mais alto,tipo o terceiro,mas eles acham que posso pular da janela e tentar me matar.
-Você é suicida?-Ela pergunta baixinho.
-Não,mas já tive alguns problemas psiquiátricos.
Loretta estreita os olhos e apaga algo com a outra ponta do lápis-Tipo,você é psicopata?
-Não,mas tomo anti-psicóticos-Digo com facilidade,e não sei como exatamente uma desconhecida me deixou confortável o suficiente para falar tão tranquilamente sobre o meu maior problema. Ela continua com a mesma expressão.
-Anti-psicóticos...pra manter os psicóticos longe?
Solto uma risada-Exatamente. Muitas pessoas confundem achando que tomo porque sou o psicótico. Acertou de primeira.
Loretta sorri,a pele do lábio com o piercing se esticando de um jeito agoniante.
-Ninguém se incomodou com o fato de você ser toda...sei lá,tatuada e furada?-Pergunto com cautela. Ela pode se sentir ofendida.
A expressão no rosto da garota diz que não. Ela dá de ombros-Sou uma ótima recepcionista,eles não se incomodam. Ou talvez um pouco. Só ligam para o fato de que ninguém mais queria meu turno,só eu. Gosto de ser uma morcega.
-Um dos caras que me persegue é assim,deveria bater um papo com ele-Rodo um pouco a cadeira-O outro anda obcecado por mim. Ele terminou comigo porque queria voltar à vida de vadio,mas aí se arrependeu e quando foi falar comigo,ops,eu estava inconsciente porque tinha sido atropelado por um caminhão. Agora ele está tentando se redimir.
-Ele deveria te pagar com favores sexuais-Loretta fala com naturalidade.
-Seria legal,mas quem fazia esses favores a Ethan era eu-Tento rodar para o outro lado,começando a me sentir tonto,mas Loretta para a cadeira com o pé. Ela me olha em choque.
-Ethan? O loirinho?
-Exatamente-Franzo as sobrancelhas,preocupado. Talvez ele tenha tentado ficar com ela também. Nunca se sabe.
-Um dos caras que te persegue é o Ethan?-Quando eu confirmo,a expressão dela fica ainda mais chocada-Ai meu Deus,eu ouvi as histórias desse cara. Ele é o rei das festas,o rei das vadias,o rei de tudo. Como fez ele correr atrás de você desse jeito?
-Coloquei minha boca num lugar que...
Loretta começa a rir e me dá um soco fraco no braço-Idiota. Tava falando sério. Ele dormiu com você,né?
-Não-Digo com simplicidade.
-Espera aí-Loretta coloca a mão na testa,bagunçando a franja ruiva-Você está dizendo que não dormiu com Ethan,mas conseguiu fazer ele ficar tão fissurado em você que passa dias e dias aqui e não é mais o rei? Por sua causa? Sem vocês nem terem transado?
-Exatamente-Sorrio um pouco. Desbanquei um rei sem muito esforço. Mas de que adianta se caí junto com ele?
-E você não vai voltar com ele?-Loretta continua perplexa.
-Não! Ele me machucou de verdade. Não vou voltar correndo só porque ele largou as piranhas dele pra ficar comigo,não fez mais que a obrigação.
-Ai,Deus-Ela continua com a mão na testa,mas volta a desenhar-Olha,essa é uma noite ótima pra chover abelha nesse teu cú doce. Cuidado,porque por aqui eu sou conhecida como o Formigão.
Gargalho alto,voltando a rodar com a cadeira. Olho no relógio. Tenho que voltar.
-Então,Loretta,a conversa foi ótima mas prometi voltar pro quarto-Me levanto-Talvez passe aqui mais tarde,ou algum outro dia de madrugada.
-Tudo bem-Loretta arranca a folha do caderno,dobra e me estende-É pra você. Fiz em dez minutos,pode estar com falhas.
Agradeço e me despeço. No caminho para o quarto,abro o papel.
Paraliso ali mesmo,no meio do corredor. Loretta desenhou meu rosto perfeitamente. Estou com uma expressão eufórica e surpresa,meio sorrindo. Não faria algo assim nem em três dias,que dirá em dez minutos.
Dobro o papel e aperto contra o peito. Me sinto mais descontraído,sem a ansiedade de estar com os outros.
Isso é porque,às vezes,você precisa de um desconhecido aleatório que te ajude a esquecer que seus problemas são seus. Por um instante,a responsabilidade pode ser do mundo todo,não só sua.

><

Depois de voltar para o quarto,troco de roupa e deito novamente,fingindo que nunca saí. Quando Ethan, Selene, Key, Rhode,Eve e minha mãe aparecem,eu e Rose ficamos nos entreolhando,sorrindo. Ela se tornou uma grande aliada nesse lugar.
Os loucos ficam por um tempo,mas saem quando vou tomar banho. Menos Key e Eve,e claro,Ethan. Quando volto,descubro que o Dr. Burnier está lá,sentado conversando de forma descontraída com os três.
No final,só fica o Dr. Burnier,pronto para me examinar,e Ethan. Esse não saiu da cadeira ao lado da minha cama em nenhum momento,e se recusa a sair agora.
-Por que não toma uma água,dá uma volta? Eu vou examiná-lo e depois você pode voltar-Dr. Burnier diz a ele,mas Ethan nega com a cabeça.
-Eu não vou sair,posso me afastar para que você o examine,mas não vou sair.
-Ethan,por favor-Minha voz sai cansada-É só por uns minutos,depois você pode voltar a me vigiar como um cão de guarda.
-Eu não quero-Ele murmura.
-Por favor-Peço de novo,franzindo as sobrancelhas. Dessa vez,Ethan concorda,meio relutante.
-Vou para casa,e depois volto. Vinte minutos-Ele beija minha testa antes de sair,só porque estou com preguiça demais para afastá-lo. Qualquer demonstração de afeto dele me causa um pouco de repulsa,e eu o empurro para longe 99% do tempo em que ele está aqui. No outro 1%,estou dormindo,e ele pode segurar minha mão sem eu saber.
Enquanto afere minha pressão,Dr.  Burnier solta um risinho-Ele realmente quer se redimir,não quer?
-Eu não quero nem olhar para ele-Reviro os olhos,não me surpreendendo do Dr. Burnier saber da história toda. Com a Rhode,a Eve e a Selene passando tanto tempo por aqui fofocando,era impossível ele não saber da novela mexicana que me acompanha.
-Olha,não sou ninguém pra dizer nada,mas ele realmente se arrepende-Dr. Burnier anota meus dados na ficha-Ethan convenceu uma das enfermeiras a deixá-lo usar o banheiro dos funcionarios com chuveiro,ele é amigo antigo da Selene,eu o conheço de vista. Ele passa mais tempo aqui do que você imagina. Dorme na cadeira ao seu lado e vai pra casa de vez em quando. Se não está aqui,convence alguém a ficar te vigiando o tempo todo. Ele fica até você o expulsar,e então fica e encolhido no corredor enquanto você dorme,esperando você dormir e poder voltar pra perto. Nem sua mãe faz isso,então acho que ele realmente quer que você o perdoe.
-Mas eu não posso-Encaro meus pés,triste-É demais pra mim.
Dr. Burnier começa a guardar suas coisas-Faz um esforcinho.
Ele para e me olha,me analisando. Então,solta a maleta com as coisas ali mesmo e se apoia na cama.
-Muita pouca coisa lhe foi dada desde que chegou aqui. Algumas visitas. Um acordo com seu psiquiatra-Ele estreita os olhos e cruza os braços-Você precisa de alguma coisa? Tem algum pedido?
-Eu gostaria de dormir-Abraço meu corpo com mãos geladas-Mas dormir mesmo. Apagão geral.
Dr. Burnier tira uma cartela de comprimidos do bolso e me dá um,pega um copo d'água no filtro e me entrega.
-Ninguém sabe que tenho isso-Ele sussurra-Mas você é um paciente especial. Gosto do seu jeito de encarar as coisas. E você não é como esses garotos brancos ricos que dizem que não querem ser atendidos por mim. Você me lembra meu filho,da sua idade. Ele está numa faculdade muito longe de casa,e dificilmente encontro garotos bons como ele.
-Obrigado,Dr Burnier-Digo depois de tomar o remédio-De verdade,obrigado por tudo o que tem feito por mim e pela minha mãe.
Ele sorri e bagunça meu cabelo-De nada,garoto. E me chame de Edgar. É meu nome,sabe.
-Tudo bem-Sorrio,deitando-É estranho um médico aleatório que me atendeu ser mais meu pai que meu pai de verdade-Começo a me sentir sonolento-Nossa,como isso é rápido.
-Se quiser ficar acordado,me chame-Ele começa a se afastar. Vejo as coisas meio embaçadas.
-Obrigado-Digo. Ou acho que digo.
Depois que ele sai,conto seis carneirinhos antes de apagar.
 


Notas Finais


Lore e Dr. Burnier são as melhores pessoas dessa fic,admitam.
Digam o que acharam,se estão gostando,se acham que o Sun perdoa o Ethan...
obrigada por acompanharem,até o próximo ❤


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