História As Cartas do Professor Davie - Uma Vida em Berlim - Capítulo 10


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Categorias David Bowie
Personagens David Bowie, Personagens Originais
Tags Berlim, David Bowie, David Jones, Drama, Drogas, Londres, Opressão, Violencia
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Palavras 1.374
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência, Visual Novel
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Cap. 6


Fanfic / Fanfiction As Cartas do Professor Davie - Uma Vida em Berlim - Capítulo 10 - Cap. 6

6.

Ziggy e eu entramos no apartamento. Davie estava sentado no sofá, junto dos outros, e jogavam uma partida de “pife”.

 - ah, achei que não viriam; - Davie riu. – está gostando daqui, Pietra?

 - bastante... e você?

 - ah, já estou acostumado; - ele riu. – Iggy, tem algum quarto vago?

 - por enquanto não... você dorme com a gente, mas a menina...

 - bem... – Ziggy corou. – tem a minha cama, tem duas...

 - você se importa de dormir no quarto do Ziggy? – Iggy me olhou, eu corei.

 - não... tudo bem... se não for incomodar...

 - não precisa ficar assim, Pietra; - Mick riu. – aqui todo mundo é família.

      Eu corei, e Ziggy me guiou até seu quarto.

 

 

      Eu ainda estava meio mal por estar ali. Ziggy insistiu que eu deitasse em sua cama enquanto ele deitava no colchão mais baixo que ficava ao lado dela:

 - tem certeza que quer que eu durma aqui? – eu o olhei, ele ajeitava a cama.

 - claro, Pietra; - ele sorriu. – eu estou acostumado com isso, pode ficar calma.

 - ah... você vai dormir?

 - vou dar uma saída, tenho que ir comprar um disco... quer ir comigo?

 - eu posso?

 - claro que sim; - ele riu. – só coloca um casaco, lá fora está frio.

 

 

      Berlim, à noite, era linda. Estávamos sentados na laje do prédio, e a lua iluminava a cidade cinzenta. De vez em quando, uma sirene apitava, e um tiro ou outro vinha de perto do muro. Eu me assustava com cada tiro, mas Ziggy sabia que estava tudo bem:

 - é lindo aqui... – eu olhei a lua, meus pés pendiam na beira do prédio.

 - é sim... eu venho aqui, quando preciso ficar sozinho.

 - eu de vez em quando preciso ficar sozinha, também...

 - a gente podia ficar sozinhos juntos, não?

 - é... – nossas mãos se tocaram, se encolheram mas se juntaram. – Ziggy...

 - Pietra...

      Ele corou, olhando-me, e vi seu cabelos balançando com o vento, seus fios ruivos que desciam pela testa e seus olhos coloridos. Nossos rostos se aproximaram, nossos lábios estavam a menos de um centímetro, até que a sirene tocou e uma luz começou a girar num farol numa das guaridas:

 - é-é melhor a gente voltar para casa... – eu me afastei, corei mais ainda.

 - é-é, acho q-que sim...

      Ele estava vermelho, quase da cor dos cabelos, nos levantamos e demos as mãos. Dei-lhe um beijo na bochecha, ele sorriu e deu um em mim, sorrindo:

 - é melhor a gente ir, ninguém sabe que a gente saiu.

      Descemos as escadas, sem fazer quase nenhum ruído, e logo vimos a porta do apartamento fechada:

 - ué, saíram todos? – ele tentou abrir a porta, falhou. – puxa, estamos sozinhos...

 - pois é; - eu corei. – o que a gente faz agora?

 - a gente podia procurar eles... pode ser?

 - pode, claro... não estou muito à fim de ficar sozinha.

 - nem eu... de vez em quando eu surto, já tentaram me internar... mas aí o Dave e o Iggy fugiram para cá. Agora eu vivo aqui.

      Descíamos as escadas do prédio, e eu fiquei um pouco mais tranquila já que ele sabia o que era tentar ser internado à força:

 - eu já fui internada... fugi porque queriam me internar de novo. Parece que ninguém entende a gente...

 - é bem assim que eu me sinto; - ele sorriu. – eles não entendem... eu não sei como, mas eu não me sinto bem com muita gente... mas também não gosto de ficar sozinho.

 - eu sei como é isso. Mas como você fica com todas aquelas pessoas na casa?

 - eu só falo com o Mick, de vez em quando com o Trevor ou o Woody. Eu não gosto de muita gente junta...

 - é, imagina estar numa escola com mais de mil alunos...

 - ah, nem me fala, é horrível só de pensar; - ele riu. – eles devem estar no Hell, a gente vai lá, pega a chave e volta.

 - eu já ouvi falar do Hell... como é lá?

 - é um lugar meio pesado, mas é legal. Tem umas fotos do Dave quando era novo, ele era bem estranho.

 - estranho? Como?

 - ele já foi ruivo, moreno, cabelo cacheado, liso... era um camaleão.

 - nossa... eu só conheço ele loiro.

 - ah, ele já foi tudo... teve até uma vez que enlouqueceu e pintou de verde, mas dois dias depois ele tirou.

 - ele é bem maluco... – eu vi a enorme placa escrito “Hell”. – nossa, é bem... diferente, de Londres.

 - não precisa se preocupar, eu conheço todo mundo ali. Só fica perto de mim, eu não consigo entrar aí sozinho.

      Eu segurei sua mão, ele sorriu e abriu a porta, entrando. Tinham alguns caras de jaqueta de couro, outros com umas roupas mais comuns, calça jeans e camisa, umas mulheres de calça jeans e coletes, e, claro, Davie e seus amigos, sentados numa mesa e jogando bilhar.

 - ah, as crianças apareceram; - Iggy riu e beijou Mick Jagger. Ziggy apertou minha mão, o lugar tinha barulho demais. – achei que não viriam...

 - a-a c-chave... – Ziggy estava com a mão trêmula, eu apertei mais a dele, tentando acalmá-lo. – r-rápido...

 - calma, filho; - Iggy riu. – senta aqui, vamos beber um pouco...

 - m-me dá a c-chave... – Ziggy gaguejava, eu olhei para Davie que cutucou Iggy, pegando a chave e jogando para mim.

 - tira ele daqui, Pietra; - Davie estava sério. – eu vou com eles, Iggy, volto logo.

      Saímos do Hell. Ziggy estava branco, trêmulo, e eu comecei a acalmá-lo aos poucos, ajeitando seu cabelos. Ele começou a ficar calmo, e logo Davie apareceu:

 - como ele tá? – ele olhou-o.

 - tá meio assustado... calma, Ziggy...

 - ele vai ficar bem, saímos rápido. Consegue levar ele até em casa?

 - consigo, claro... – eu o abracei, ele começou a se acalmar.

      Davie voltou para o “Hell”. Eu levei Ziggy até o apartamento, e logo o sentei na cama onde eu dormia, sem me importar:

 - tá melhor? – eu o olhei, peguei em suas mãos.

 - tô... – ele se acalmou. – desculpa, eu não posso ficar em lugares com muito barulho...

 - tudo bem, Ziggy... dorme um pouco, vai ficar melhor. – ele tentou sair, eu o segurei pelos braços e o deitei na cama. – dorme aí, eu durmo no chão.

 - mas...

 - dorme aí; - eu disse, sorrindo. – está assustado, calma... eu sei como é, já passei por muita coisa assim.

 

 

      Acordei sozinha. Logo arrumei minha cama, a de Ziggy já estava arrumada, e fui tomar um banho. Quando voltei, vestindo um moletom e uma calça jeans, os cabelos presos num nó, vi Ziggy sem camisa, tomando café ainda de pijamas:

 - Ziggy? – eu o chamei, ele corou. – que foi?

 - nada, é que... desculpa pelo “pití” ontem, eu...

 - tudo bem, eu também não consigo ficar com muita gente. Mas já me acostumei.

 - ah... você ia à escola?

 - ia, o Davie era meu professor... porque?

 - eu fui à escola, umas vezes... depois que vim para cá, nunca mais.

 - não é muito legal, não te deixam fazer nada. Só gostava por causa das aulas do Davie.

 - ah... e vocês, tem alguma coisa...?

 - não, nunca; - eu ri. – ele é velho demais... e você, tem namorado, namorada...?

 - não, acho que sou o único solteiro, aqui.

 - ah... achei que tinha namorada.

 - eu? Porque?

 - sei lá, é um cara bonito, legal... deveria ter.

 - bem, ninguém quer um cara que não consegue nem ir numa discoteca. Sabe como é, hoje em dia é apenas... Rock’n’Roll.

 - ah, é; - eu me sentei e peguei um pão, sorri. – e toca alguma coisa?

 - toco violão e canto, de vez em quando, mas nada muito bom. E você?

 - não saio do chuveiro. – ele riu, uma risada gostosa. – é sério, porque riu?

 - o Mick está zoando você...

      Olhei para trás e Mick estava fazendo “chifres” em mim. Eu ri, e logo ele sentou-se à mesa, junto da gente:

 - o Dave e o Iggy vão tocar no Hell, agora de manhã. Querem ir?

 - acho que sim... – Ziggy me olhou, eu concordei. – tá, avisa que a gente vai.

 



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