História As Cartas do Professor Davie - Uma Vida em Berlim - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias David Bowie
Personagens David Bowie, Personagens Originais
Tags Berlim, David Bowie, David Jones, Drama, Drogas, Londres, Opressão, Violencia
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Palavras 1.383
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência, Visual Novel
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa leitura <3

Capítulo 2 - As cartas


Fanfic / Fanfiction As Cartas do Professor Davie - Uma Vida em Berlim - Capítulo 2 - As cartas

CAPITULO DOIS

 

Eu me sentia mal por ter pego as folhas do professor, mas sabia que eu não ia conseguir dormir sem saber o que era aquilo.

      Mas não consegui ler.

      Fiquei meio pensativa e guardei as folhas numa parte escondida da minha pasta, me arrumando e descendo para o andar de baixo, onde Kelly me esperava:

 - desculpe a demora; - eu disse, apressada. – acho que vamos nos atrasar...

 - tudo bem, é aquela aula chata do David...

 - não é chata, o Davie é um ótimo professor!

 - ah, você e suas loucuras... esquece, vamos logo ou vamos perder o ônibus.

 

 

      A aula estava como sempre: os alunos todos dormindo, menos eu, e Davie explicando a matéria no quadro. Ele, como que cansado, largou o caderno sobre sua mesa e se sentou, meio triste:

 - está tudo bem, professor David?

 - estou cansado de me matar escrevendo nesse quadro e ninguém além de você estudar... diga a verdade, minha aula é ruim?

 - eu gosto, mas dizem que sou estranha. Eles é que não gostam de estudar.

 - hm... pega aqui o meu caderno, copia direto dele... ninguém vai copiar, mesmo.

      Ele me entregou seu caderno. Sua letra era bonita, bem redondinha, e ele era bastante organizado. Sua mesa, então, era uma perfeição só, sem nenhum risquinho. Mas eu ainda estava preocupada com ele, não sabia quem era a mulher e as crianças do túmulo. Mas também não tive coragem de perguntar nada sobre isso. copiei o mais rápido que pude e devolvi o caderno, devolvendo o meu para que ele desse “visto”,

 - as suas notas estão ótimas, Pietra; - ele suspirou. – se quiser, pode dormir, não vai mudar nada no seu boletim.

 - eu gosto da sua aula, não quero dormir. Quarta-feira é o meu dia favorito.

 - pelo menos alguém gosta... aqui está o seu caderno, parabéns. Os professores só falam bem de você, nunca ouvi uma reclamação do seu nome.

 - obrigada... eu me esforço para isso.

 - é, continue assim, está conseguindo.

      Ouvimos o sinal do fim das aulas. Ele se levantou, pegando seus materiais, e antes que eu saísse da sala ele me chamou, com a voz séria de sempre:

 - sim, professor? – eu o olhei.

 - você mora onde?

 - perto do cemitério, do lado dele.

 - moro duas quadras de lá. Quer uma carona?

 - se não for incomodar...

 

 

      Davie me deixou na porta de casa, e ainda fez a gentileza de carregar minha mochila até o portão:

 - obrigada, professor...

 - me chame só de Davie, não precisa dessa formalidade. Até amanhã, Pietra.

 - até amanhã.

      Eu entrei no portão, vendo ele seguir de carro e sumir na rua. Entrei em casa, encontrando Kelly sentada no sofá, preocupada:

 - ah, Pietra! Finalmente! Onde você estava que não pegou o ônibus?

 - eu peguei carona com o Davie... desculpa, não quis te assustar.

 - ah, Pietra, de novo esse professor! Você é louca, só pode! ele é o professor mais chato da escola!

 - não é não! – eu a encarei. – ele é o único professor que fala comigo!

 - claro, você é estranha! Só fica sozinha, não fala com ninguém!

 - e ninguém fala comigo! Acha que eu gosto? Me deixa, kelly!

      Subi para meu quarto e tranquei a porta. tirei as folhas da minha mochila, preocupada, e comecei a olhar pela janela, de onde consegui ver o tumulo de minha, que ficava ao lado do da tal Pietra, sendo quebrado por um vândalo. Corri até lá e vi o vidro quebrado, cheio de cacos espalhados:

 - queria saber quem foi o merda que fez isso! – comecei a limpar com um pano, tirando os cacos de vidro. O tumulo de minha tia era ao lado do de Pietra, e comecei a limpar o dela primeiro. – poxa, tia, a senhora bem que podia me contar o que aconteceu! Queria bater no desgraçado que quebrou o vidro do tumulo da senhora!

 

 

 

      Quando terminei de limpar os dois túmulos, me sentei sobre o de minha tia, que o vidraceiro havia acabado de trocar o vidro. Me sentei, olhando-o, e coloquei o pequeno vasinho de flores que havia comprado. Violetas. Ela adorava.

      Eu também havia colocado um vasinho de flores no túmulo que Davie visitava, um vasinho de violetas azuladas, delicadas. Fiquei sentada no tumulo de minha tia, pensando como eu sentia falta dela e de sua companhia. Era aquilo que talvez me perseguisse. Ela era minha tia, e morreu diante de meus olhos, assassinada por uma bala perdida.

      Nem percebi o tempo passar. apenas vi professor Davie sentar-se no tumulo ao lado, vendo as flores e colocando o papel debaixo delas. Eu havia esquecido de recolocar os papéis, e estavam sobre o tumulo de tia Margarida.

 - Pietra? Você quem colocou essas flores aqui? – ele perguntou, com a voz de sempre.

 - foi, me desculpe... quebraram o vidro da minha tia, alguns cacos caíram aí e eu limpei... – coloquei as folhas de volta, envergonhada com meu ato. – me perdoe, eu tirei para limpar...

 - tudo bem, eu sei que ela não vai ler; - ele suspirou. – nem sei porque as deixo aqui, apenas deixo. pode jogar fora, se não se importar.

 - prof... Davie, porque isso?

 - ora... ela não vai ler... obrigado pelas flores... acho que já vou...

 - não ligue para mim, já vou embora... – começou a chover, de repente. – o senhor veio de carro?

 - vim, e tenho que ir. Leve as folhas, suma com elas, sim? – ele juntou a ultima à pilha e me entregou, meio triste. – até mais, Pietra.

 - até mais.

      Ele saiu andando. Corri para casa, entrando, e vi ele tentando dar partida no carro, que não ligava de modo algum. Chovia, e logo vi ele sair e abrir o capô.

 - algum problema, Davie? – eu estava com um guarda-chuva, fui até ele e coloquei-o de modo que protegesse nós dois.

 - a bateria morreu... merda, esqueci meu macaco... vou à pé, mesmo.

 - não, não precisa; - eu sorri. – tem um telefone em casa, vamos ali. Está chovendo demais.

 - não quero incomodar você, Pietra...

 - anda, professor, não é incomodo.

      Ele fechou o capô do carro e o trancou, e em seguida fomos para minha casa. Ele estava encharcado, a camisa colada ao corpo, e eu sorri, pegando uma toalha e entregando à ele:

 - me desculpe, Davie, mas não tenho nada para você aqui, só eu e a kelly moramos aqui.

 - mora sozinha?

 - sim; - eu fiz sinal para que ele se sentasse e sorri. – já volto, vou me secar.

 

 

      Voltei e encontrei ele sentado na cadeira e escorado na mesa, meio triste. olhava para o nada, como se estivesse pensando em algo importante, e eu o interrompi:

 - Davie... quer alguma coisa? Já ia tomar café...

 - não, não precisa... estou só pensando numas coisas... quem quebrou o vidro da sua tia?

 - sei lá, vi que era um rapaz. Não consegui ver o rosto.

 - já fizeram isso uma vez no tumulo da diana, eu mandei prenderem o moleque.

 - nossa... se eu soubesse, acho que faria o mesmo; - suspirei. – tem gente que não respeita a perda dos outros.

 - é... eu sei o que é isso...

 - eu perdi meus pais.

 - eu... ah, não vou te incomodar com meus problemas.

 - pode falar; - eu sorri e me sentei perto dele. – desabafar de vez em quando é bom.

 - bem... eu perdi minha irmã e meus sobrinhos.

 - meus pêsames... faz muito tempo?

 - dois meses... as folhas são um pedido de desculpas. Terminei hoje.

 - nossa... e, me perdoe por perguntar, mas como foi?

 - ah... eu não sei se consigo contar...

 - não precisa, me perdoe; - eu servi um café para ele. – eu sei como é, a gente demora para superar. Perdi meus pais em um naufrágio de navio.

 - pelo menos você não foi culpada...

      A chuva cessou. Ele tomou um pouco do café e levantou-se, meio triste:

 - me desculpe pelo incomodo, mas preciso ir; - ele suspirou. – até mais, Pietra.

 - até mais... se precisar falar com alguém, pode falar comigo. Ou estou na escola ou aqui.

 - obrigado... eu moro aqui perto, numa casinha azul. Se quiser falar comigo, pode ir lá.

 



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