História As Cartas do Professor Davie - Uma Vida em Berlim - Capítulo 5


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Categorias David Bowie
Personagens David Bowie, Personagens Originais
Tags Berlim, David Bowie, David Jones, Drama, Drogas, Londres, Opressão, Violencia
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Palavras 1.311
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência, Visual Novel
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Aqui começa a história no Ponto de Vista da Pietra.
Boa leitura meus Terráqueos e Terráqueas <3

Capítulo 5 - Pietra


Fanfic / Fanfiction As Cartas do Professor Davie - Uma Vida em Berlim - Capítulo 5 - Pietra

PIETRA

 

1.

Mal terminei de ler e coloquei meu casaco e calcei minhas botas de chuva. Ele ia se matar!

      Chovia forte, peguei meu guarda-chuva e saí correndo pela rua abaixo. A casa dele era uma azul claro, duas quadras da minha. Corri o mais rápido que pude, e logo cheguei à casa do Davie. Prendi meu guarda-chuva na grade do portão, entrando em seguida, e encontrei a porta aberta. Tirei minhas botas, correndo, e entrei. Ele estava jogado no sofá, meio consciente, e com os pulsos sangrando. Uma faca no chão:

 - Davie! – gritei, assustada, e corri até ele, o sentando no sofá. – Davie, deus do céu, o que você fez?

 - Pietra... – ele estava quase inconsciente. – o que está fazendo aqui...? como...?

 - isso não é hora, me diz onde tem alguma coisa para te ajudar...

 - me deixa morrer... eu mereço...

 - não! – fui até o telefone e liguei para a ambulância. Ele tentou pegar a faca, mas eu a chutei para longe, assustada. A ambulância deveria vir logo. – David, você percebe o que está fazendo?

 - estou tentando parar de sofrer... me deixa...

 - não deixo! – eu me sentei perto dele, ajeitei seu cabelo e o ajeitei no sofá. – isso vai ser pior, vai sofrer mais... não é a solução...

 - e o que você sabe sobre a vida, criança...?

 - sei que você não vai se sentir melhor assim!

      Ouvi a sirene da ambulância ao longe. Eu peguei em sua mão, com medo, e ele me encarou, sem entender:

 - porque está fazendo isso...?

 - porque você é a pessoa mais próxima de um amigo que tenho, e não quero que você morra... Davie, está cheirando à álcool... andou bebendo?

 - só duas Natashas e uma garrafa de Uísque...

 - deus do céu, David! Isso é horrível...

      Ele se contorceu no sofá, eu o abracei e toquei sua testa, acariciando seu rosto:

 - calma... você vai ficar bem, Davie... eu vou cuidar de você...

 - não se estresse comigo... eu não valho nada...

 - vale sim, claro que vale; - eu ouvi a ambulância parando. – onde está a sua carteira de identidade?

 - na mesa... pode pegar...

 - fica parado, eu já volto.

      Fui até a mesa e a peguei, enquanto os paramédicos entraram e o colocaram na maca. Minha identidade estava no bolso, e por ter dezesseis anos pude acompanha-lo.

 

 

      Davie teve de ficar no soro à noite toda. Eu fiquei do lado dele, esperando para leva-lo para minha casa. Uma pessoa naquelas condições não podia ficar sozinha, e os médicos me pediram para cuidar dele.

      Ele acordou aos poucos. Eu o olhei, desliguei o telefone e me aproximei, o olhando e ajeitando seu travesseiro:

 - como é que você está? – eu perguntei, o olhando.

 - melhor... obrigada... eu estava desesperado...

 - tudo bem, Davie, foi um susto... mas os médicos disseram que você tem que ficar uns dias com alguém. Se importa se eu te levar para a minha casa?

 - Pietra, eu não quero abusar da sua bondade... já salvou a minha vida...

 - eu vivo sozinha, cuidar de você vai ser bom... vamos lá, eu prometo que cuido de você...

      Ele sorriu, olhando-me, e apenas suspirou:

 - só se você não ficar sobrecarregada...

 - está bem, eu prometo; - eu sorri, pegando em sua mão. – quer alguma coisa?

 - não... que horas são?

 - são quatro da manhã. Pode dormir, só vamos sair às oito.

 - oito? E porque não dorme?

 - estou acostumada a passar três, quatro dias sem dormir. Isso para mim é brincadeira.

 

 

      Ele estava fraco, ainda. Eu o deixei no sofá enquanto fui buscar o remédio da pressão arterial:

 - precisa tomar cuidado; - eu disse, lhe entregando o comprimido. – você tem um histórico meio grande.

 - ah, as overdoses... eu era feliz nessa época. Minha irmã estava comigo...

      Davie ficou triste de repente. Eu o abracei, e logo ele começou a chorar:

 - é culpa minha... eu deveria estar no lugar dela, naquele túmulo... tudo por causa de uma bíblia...

 - quer contar o que aconteceu?

 - bem... a gente estava em casa, eu cheguei da escola à noite, e ela estava lendo a bíblia para as crianças... eu disse que não era certo, que elas mesmas deveriam escolher suas crenças, e ela começou a brigar... aí eu disse que aquilo era idiotice... que ela era um idiota... e a gente brigou... ela pegou as crianças e o carro... estava grávida... saiu dirigindo com o farol apagado... o freio pifou... o volante travou... e ela bateu... meus sobrinhos...

      Ele chorava desesperadamente. Eu o abracei, consolando-o, e dei um beijo em sua testa. Kelly entrou em casa, e ao ver, pensou em intervir. Eu fiz sinal para que permanecesse quieta, afinal ele já estava triste demais, e comecei a limpar suas lágrimas:

 - você não poderia saber... – eu sussurrei. – calma... foi um acidente...

 - mas eu poderia ter evitado...

 - não poderia, calma... ela deve estar bem...

 - será?

 - claro, ela deve estar com os seus sobrinhos... eles te amavam, calma... a sua vida não acabou por causa disso... Davie...

 - eu não tenho mais ninguém... a minha família me odeia... a minha namorada foi embora... eu não tenho ninguém...

 - você tem à mim... eu estou aqui... sou sua amiga...

 - é? – ele me olhou, o rosto vermelho. – de verdade?

 - de verdade... Davie, para de chorar, por favor...

 - me desculpa...

 - não precisa pedir desculpas, eu também chorei quando perdi meus pais; - eu sequei seu rosto, ele sorriu. – fica mais bonito quando sorri.

 - obrigada... ah, preciso ir para a escola amanhã...

 - não precisa, eu peguei um atestado. Pode ficar descansando, não vai conseguir escrever com os pulsos cortados.

 - não sinto minha mão direita...

 - vai melhorar com o tempo... quer alguma coisa?

 - quero voltar para casa... não posso ficar aqui...

 - pode sim, deixe de teimosia; - eu ri. – quer dar uma volta?

 - uma volta...? nunca andei por esse bairro...

 - é bonito, você vai gostar; - eu me levantei e peguei em sua mão. – vem, Davie, acho que você vai gostar de ver o bairro. A gente pode até passar na casa da minha avó e tomar café lá.

 

 

      Davie era uma companhia bem melhor quando estava feliz. ele era um homem de cinquenta, quase sessenta anos, cabelos loiros, olhos diferentes e um sorriso jovial. Tinha um passado meio “conturbado”, usou cocaína por boa parte da vida e bebia como nunca. Acho que por isso se culpa por tudo.

      Minha avó foi super gentil com ele. Comemos bolo, tomamos um pouco de refrigerante e voltamos para minha casa, não antes parando para buscar umas roupas na casa dele:

 - você pode entrar comigo? – ele me olhou. – se eu entrar sozinho, vou fazer merda...

 - eu entro. – fomos entrando, e logo notei que ele estremeceu quando passamos por uma bíblia. – que foi?

 - aquela maldita bíblia...

 - quer que eu tire ela dali?

 - se você puder sumir com ela, eu agradeço.

      Ele saiu da sala, e enquanto isso peguei a bíblia e a enfiei em meu bolso, escondendo-a. logo Davie voltou, com uma mochila marrom nas costas e uma caixa preta daquelas que a gente coloca coisas e esquece debaixo da cama:

 - pegou tudo o que queria? – eu o olhei.

 - peguei... ah, espera eu pegar uma coisinha?

 - claro... – mal falei e ele saiu correndo, voltando com uma boneca de pano e um carrinho em miniatura. – pegou tudo?

 - agora sim; - ele pegou uma fotografia na estante e suspirou. – pronto.

 - tá... vamos?

 - vamos... ah, isso é para você; - ele me ofereceu um bolinho de dinheiro, neguei. – pega, eu quero te agradecer...

 - não precisa, eu sei que salário de professor é uma coisa não muito boa. Mas obrigado pela intenção, Davie.

 



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