História As Cores de Urano - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Luke Hemmings, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Ficção Cientifica, Super Hero
Exibições 497
Palavras 5.947
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Magia, Mistério, Orange, Poesias, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Super Power, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Esse capítulo tem conteúdo sensível. Trigger Warning. Se você não conseguir ler esse tipo de coisa, já que se trata de abuso sexual, físico e até emocional, é só pular para o parágrafo que começa com a seguinte frase: "A estação estava silenciosa, todo mundo no auge de seus bons sonhos e pesadelos mas era inevitável para ela sentir-se sufocada naquele ambiente".
Obrigada pela compreensão, boa leitura e desculpa qualquer coisa.

Capítulo 15 - Puck


A cabine do motorista era um cubículo de pouquíssimos metros quadrados, escuro e inflamável, o estofado de couro era quente e úmido de mofo, apertado por outro banco acolchoado que fora enfiado ali, tornando o espaço totalmente incirculável, preenchido por dois bancos que formavam quase que uma cama de casal. O cheiro de gasolina era tão forte que queimava o nariz e o painel de controle inclinado do metrô transbordava de garrafas e mais garrafas de conhaque repletas de tal combustível. Cigarros também jaziam espalhados, assim como isqueiros, e facas, e fósforos.

Já sabia de cor tudo que havia naquele painel, cada botão, cade detalhe, até os arranhados no monitor havia decorado. Preferia focar os olhos nos arranhões e na poeira do que no reflexo do rosto dele, suado e contorcido de prazer enquanto grunhia seus ruídos porcos de baixo calão. Ela não precisava encará-lo para saber a cor de seus olhos agora. Castanho avermelhado. Como se por dentro estivesse em chamas.

O relógio do painel estava parado e a sensação que tinha era de que o tempo havia congelado, que aquilo não iria acabar nunca.

Ela costumava chorar quando ele a penetrava, mas agora não sentia nada. Absolutamente nada. Só o vai e vem de seu corpo que ele empurrava e os tapas na nádega adormecida que ele esmurrava. Ele aumentava as estocadas, grunhia feito um animal e se apoiava em seus ombros para ir mais profundamente. Ardia. Ela se sentia vazia. Suja. Ela se sentia terrível. Tudo ardia. E a cada vez que isso acontecia, menor ela se sentia.

Ele começou a tremer e ela fechou os olhos com força. Quando isso acontecia era porque estava chegando no fim, e tudo que ela precisava fazer era contrair, assim ele ejaculava mais rápido. A cada grunhido de aprovação, pior ela se sentia. Ela contraiu até que ele saísse de dentro dela, deixando o líquido quente escorrer por suas coxas.

-Você é tão boa, Lolita. -Ele murmurou, caindo por cima da garota que jazia inerte de bruços, com os pulsos amarrados pela corda de couro.- Você é tão boa pra mim.

Ela mordeu os lábios com força para não dizer nada, fechando os olhos para que as lágrimas não viessem, sentindo as costas arderem feito o inferno, aquela dor aguda tão forte que parecia-lhe fincar na alma. Rangeu os dentes para não grunhir de dor, sentindo os lábios secos do rapaz em seu ouvido, sua barba rala fazendo desconfortáveis cócegas em sua bochecha e seu bafo de aguardente lhe nauseava.

-Eu fiz um desenho bonito dessa vez. -Ele riu, deixando-se cair ao seu lado com um sorriso preguiçoso no rosto.- Uma flor. -Ele esticou o braço para pegar uma faca no painel e num movimento só, cortou a corda que prendia os pulsos de Lauren.

-Você é um artista. -Ela disse de má vontade, esfregando os pulsos doloridos um no outro, vendo-o sorrir ao seu lado enquanto acariciava seus cabelos.

-Eu sou. Eu sou incrível. -Ele gargalhou preguiçosamente, passando as mãos grossas pelo braço da garota deitada de bruço ao seu lado, encarando-a como se fosse uma verdadeira obra de arte. Seus olhos agora estavam um tanto quanto mais claros.- Eu te amo, Lo.

-Eu te odeio.

-Eu sei que você também me ama. -Ele acariciou seus cabelos e ela não disse nada, encarando-o de volta até ver seu sorriso tornar-se débil e as pálpebras começarem a pesar.

-Eu te odeio.

-Você me ama. Você é minha, tem que me amar. -Ele murmurou de olhos fechados, com uma expressão serena no rosto.- Você é tudo que eu tenho, você tem que me amar.

-Você não tem ninguém.

-Eu tenho você. -Ele disse num bocejo, sem abrir os olhos.- Eu vou te matar você fugir, você sabe disso. Você está bem comigo. Um dia a gente vai ter um filho. Anderson. Ele vai se chamar Andy que nem eu e vai ter os seus olhos verdes.

-Melhor que mais uma maldição de olhos castanhos.

-Ele vai ser doce como você, e como eu... Como eu era antes.

-Você não deveria nem ter a capacidade de procriar, você é um monstro e essa porra é genética. -Ela cuspiu as palavras com desprezo e entojo, mas tudo que ele fez foi sorrir com desdém, negando com a cabeça como se ela fosse uma criança tola.

-Monstros não nascem, Lolita... Monstros são criados.

Ela não disse mais nada, não teve forças para fazê-lo pois sabia que essa conversa de nada lhe acrescentaria, muito pelo contrário, só a faria pensar no quão insubversiva havia se tornado perante toda aquela situação. Mas ela era a mais fraca de todas e nessa vida, manda quem pode e obedece quem tem juízo.

Ela não disse mais nada, pois, sabia que ele não demoraria a pegar no sono. E não demorou. Lauren o observou por um tempo, as feições agora pacíficas, a boca entreaberta, ficou um bom tempo analisando seus traços tão bem desenhados, fortes, rígidos, ele era tão bonito. O verdadeiro lobo na pele do mais bonito dos cordeiros. Ela ficou vendo as pálpebras se fecharem de forma trêmula até não voltarem a se abrir e por longos minutos desejou que não se abrissem nunca mais, até que por fim caiu em si e negou com a cabeça.

-Não é culpa dele. Não é culpa dele. Não é culpa dele... -Ela sussurrou seguidas vezes como um verdadeiro mantra, nem sabia porque o fazia, apenas dizia.

Com um pesado resfolegar, a garota de olhos verdes ergueu-se para que pudesse sentar no banco de couro, sentindo o arder efervescente em suas costas, contorcendo as feições para que nenhum ruído se escapasse e acordasse o rapaz. Vestiu o blusão preto amassado, a roupa íntima e o short jeans puído que estava jogado no painel, sentindo-se, por dentro, mais vulnerável e exposta que um bebê recém-nascido.

Não era como se ela fosse conseguir dormir, com toda aquela dor, não conseguiria pegar no sono tão cedo, então, antes de sair da cabine fez a única coisa que poderia ajudar a vencer o resto da noite: pegou a garrafa de aguardente e deu um longo gole, sacudindo a cabeça e sentindo-se grata pela queimação no peito que o líquido proporcionava, dali há pouco estaria tão dormente que nenhuma dor a incomodaria.

A estação estava silenciosa, todo mundo no auge de seus bons sonhos e pesadelos mas era inevitável para ela sentir-se sufocada naquele ambiente. Esse silêncio, esse falso sossego, o fato de todo mundo descansar enquanto ela agonizava lhe trazia uma sensação de conivência coletiva, fazia com que todos os seus medos se expandissem na quietude e se transformassem em vácuo, impedindo-a de respirar.

Era sempre na calada da noite que ela odiava todo mundo, odiava cada pessoa que vivia ali embaixo, odiava até mesmo os amigos por não perceberem o que acontecia. Odiava Normani por saber e nada fazer, fazendo com se sentisse pior ainda, fazendo com que se sentisse, de alguma forma, culpada, pois por alguma razão, não era digna da defesa da negra, porque ela nunca nem mesmo cogitava a hipótese de levantar a voz contra o que acontecia. E ela sabia, não tem como ela não saber.

No fundo, ela sentia que todo mundo sabia e mesmo sabendo que não era isso que acontecia, a sensação era inevitável e só fazia com que ela se sentisse cada vez menor e impotente, com vontade de correr, de fugir dali, de pular as cercas que os confinavam naquela redoma gigante. Se existiam fronteiras era porque algo havia lá fora e era desse algo que ela precisava porque não aguentava mais viver daquele jeito, naquela falta de ar, naquela falta de vida.

Não avançou muito pelo túnel escuro até sentir algo áspero e úmido envolver-lhe um dos tornozelos, fazendo-a com que tremesse de susto. Era uma raiz.

-Você sempre foge no meio da noite? -A voz de Camila fez com que algo se assentasse em seu peito, como se, de repente, sentisse um pouco mais de segurança.

Não havia muita iluminação naquela parte, tudo que ela conseguia ver era a silhueta sombria da garota, alguns de seus traços e os olhos laranja-flamejantes na escuridão.

-O que é agora? Está me perseguindo? -Lauren resmungou num bufo, mordendo o lábio para disfarçar a apreensão da ciência de Camila sobre a situação ao mesmo tempo que sentia-se extremamente grata por sua presença.

-Na madrugada do dia da incursão eu não te encontrei, agora já sei o motivo.

-Não, você não sabe.

-Poderia então me agraciar com essa informação? -Camila murmurou num tom galante que fez com a incursora sorrisse no escuro, negando com a cabeça.

-Se você me soltasse, quem sabe. -Lauren balançou o tornozelo e o cenho da garota se franziu encarando a raiz no chão, negando com a cabeça e soltando-a imediatamente, como se nem mesmo lembrasse que a havia prendido.

Ficaram um bom tempo se encarando em silêncio e aos poucos os olhos da novata foram se tornando menos alaranjados e mais acastanhados, se apagando aos poucos até que Lauren não pudesse mais enxergá-los perfeitamente na escuridão pois já estavam em seu tom normal, em seu tom Camila, então Lauren a tomou pela mão sem nada dizer e seguiu andando pelos túneis.

-Você está com cheiro de gasolina. -Camila disse quebrando o silêncio da caminhada e Lauren sentiu o arrepio em sua nuca, mas nada respondeu, nem mesmo lhe voltou o olhar, continuou andando sem separar suas mãos.

Não demorou muito para que chegassem no elevado que Bronze outrora lhe ensinara o caminho. Um dos túneis mais estreitos de toda a construção que dava para uma plataforma enorme de trilhos à céu aberto que agora mostrava a imensidão estrelada que Lauren sentia a grande necessidade de ver, de sentir naquele momento.

Lauren sentou de um lado e Camila do outro, e foi só quando ficaram uma de frente para a outra que a incursora notou que os olhos da novata flamejavam na escuridão novamente.

-Você estava com o Andrew, não estava? -Agora, com o brilho das estrelas, podia enxergar melhor suas feições, o maxilar rígido e o cenho franzido. Lauren apenas assentiu.- Por quê?

-É complicado. -Lauren respondeu num suspiro pesado.

-Você não gosta dele. -Camila disse convicta, pendendo a cabeça para o lado e unindo as sobrancelhas logo em seguida.- Ou gosta?

-Não. -Ela suspirou novamente, tomando um gole da garrafa de aguardente e oferecendo-a para a garota que prontamente recusou.- Mas é complicado.

-Eu pensei que vocês aqui embaixo fossem livres com suas próprias vidas, com suas próprias escolhas, pelo menos nesse quesito.

-E somos, mas é complicado, é uma situação complicada. -Lauren respondeu com o cenho franzido, abraçando os joelhos enquanto encarava a garota que estava sentada de frente para si, toda largada, com os olhos mais flamejantes do que antes.

-Ele é tão... Babaca! Ele sempre bota a vontade dele acima da dos outros, a única pessoa que ele parece considerar aqui embaixo é a Normani e mesmo assim, mesmo se tratando dela, não parece confiável. Ele tem um troço com você, sempre por perto, querendo te manter, mas não como se fosse algo que ele muito prezasse com zelo e sim uma propriedade, algo dele que ele trata como bem entende. Lauren, você não é um objeto! Você não é dele! E se você não gosta dele, então não tem que ficar com ele, você não tem nenhuma obrigação para com ele, você não tem! Você é uma pessoa e você sente um monte de coisas, você pensa um monte de coisas e não é por causa de ninguém que essa sua voz tem que se calar, você tem que ficar com alguém que você gosta e se não gosta de ninguém, que fique sozinha, mas não se submeta a alguém que não lhe trata como merece e não por você ser você e sim por você ser uma pessoa.

-Eu sei o que você está dizendo, eu entendo e você está certa, absolutamente certa, é só que... -Lauren negou com a cabeça, encolhendo os ombros.- As vezes... As vezes isso é maior do que você, sabe? É algo que você realmente não tem como lutar contra.

-Você. Não. Gosta. Dele. -Camila gritou pausadamente e seus olhos flamejaram ainda mais intensamete, agora cada vez mais avermelhados, fazendo com Lauren se encolhesse mais ainda.- Ele não é bom pra você, ele não te trata como você merece e você... Você tem gente aqui embaixo que... Você tem gente que gosta de você. De verdade.

-Eu não posso ficar com quem eu gosto.

-Por quê? -Camila perguntou com as sobrancelhas unidas numa indignação dolorida.

-Porque ela não está aqui. -Lauren confessou com palavras pouco mais altas que um sussurro, mas para a novata, foram fortes o suficiente para lhe fazer ajeitar a postura e franzer o cenho, abrindo e fechando a boca algumas vezes antes de conseguir falar algo. Os olhos agora um tanto quanto mais apagados, mais castanhos.

-Ela não está aqui?

Lauren fechou os olhos com força no mesmo instante, como se tivesse instantaneamente se arrependido de suas palavras.

-Camila, isso é... Essa situação... Ela... Isso é muito complicado.

-Tudo pra você é complicado!

-Mas é! Eu não estou brincando, são coisas realmente complicadas e coisas desse tipo, isso... Cara, isso é difícil de botar pra fora.

-Pode ficar mais fácil. -Camila então pegou a garrafa de aguardente e estendeu para ela, arqueando uma de suas sobrancelhas.

-Camila...

-Eu estou tentando entender você, me aproximar de você, mas você é mais fechada do que uma porta à sete chaves. Eu quero te ajudar, mesmo que você não queira ajuda, porque eu me sinto ligada a você de alguma forma e eu só quero entender isso, entender você. É óbvio que você não precisa falar se realmente não quiser, mas eu queria ouvir, porque são seus sentimentos e você nunca põe pra fora.

-Você também nunca põe pra fora. Você nunca fala sobre você. -Lauren acusou e a garota fechou o semblante no mesmo instante.

-Você nunca me perguntou nada.

-Bom, eu estou perguntando agora. -Lauren deu ombros, bebendo mais uns goles seguidos da bebida forte.

-O que você quer saber? -Ela cruzou os braços e a incursora fez bico com desdém.

-O que você quer falar?

-Eu não sou muito de falar. -Camila disse num encolher de ombros e a incursora levantou uma das sobrancelhas, fazendo-a rir e revirar os olhos.- Ok, eu sei, eu falo pra caramba mas não é como se eu falasse sempre. -Lauren apertou os olhos dando a entender que não estava entendendo muito bem.- Eu sempre tenho muita coisa pra falar, mas antes de vir parar aqui na XXIX com vocês eu não tinha muito com quem falar, era mais uma porção de ideias e monólogos sempre na minha cabeça, então eu não sou muito de externalizar as coisas direito. Eu coloco pra fora, mas sempre num furacão, sempre demais.

-Eu gosto desses seus furacões. -Lauren confessou num dar de ombros e um meio sorriso, fazendo com que a garota levantasse os olhos castanhos timidamente em sua direção.- Você é engraçada. Eu gosto.

-Nós somos polos totalmente opostos, as vezes eu fico me pergutando como a gente pode funcionar tão bem mesmo assim. -A novata riu franzindo o nariz e Lauren deu ombros novamente, sorrindo também.- Enfim, não era como se eu tivesse muita gente pra falar, sabe? Eu tinha a minha irmã, a minha mãe... Alguns amigos que eram muito bem selecionados porque meu pai sempre foi muito super protetor comigo, muito paranoico com quem eu me relacionava, ele escolhia a dedo com quem eu podia ou não falar, de quem eu podia ou não ser amiga e não era muita gente. -Camila disse num sorriso triste, levantando os ombros.- Mas ele era bom nisso, porque eram bons amigos... Mas mesmo assim, eu sempre me senti um pouco vazia, era meio superficial porque as vezes eu sentia que eles só estavam ali porque tinham de estar.

-Isso é triste. -Lauren disse num sussurro e Camila assentiu.- O seu pai, ele...

-Sempre foi o meu melhor amigo. -A novata a interrompeu.- Ele sempre teve esse jeito carrasco para com os outros, sempre foi muito rígido em relação as pessoas perto de mim, mas comigo ele sempre foi um doce. A pessoa em que eu mais confiei em toda a minha vida, de verdade. Ele me ensinou tudo o que eu sei, ele sempre fez com que eu me sentisse amada e importante. Ele era ausente as vezes, trabalhava demais, mas sempre me recompensava, sempre fazia questão de estar ali de alguma forma, de me ouvir. Eu sou o que eu sou por causa dele, ele me construiu pra ser o que eu sou hoje, pelo menos de alguma forma. Meu pai sempre quis que eu fosse como ele e que eu alcançasse o que ele alcançou, ele é muito estudado, muito inteligente e foi por isso que eu tomei o gosto pela leitura muito cedo, ele lia tudo pra mim, me ensinava tudo e toda vez que eu não entendia um livro, ele me fazia reler e debatia comigo até que eu captasse o ponto.

-Parece um bom pai.

-Ele era. Sempre muito gentil e preocupado comigo e com a minha irmã, preocupado se estávamos recebendo a atenção que queríamos e merecíamos e era aí que essa questão dos amigos entrava, não podia ser qualquer um, ele sempre falava sobre esse padrão a manter. Apenas pessoas de confiança.

-Militares com militares, essa é a regra. -Lauren murmurou com um tanto de escárnio e a novata deu ombros.

-Eu tinha uns cinco ou seis amigos próximos mas sempre preferi o meu pai. Ele me contava histórias legais e dormia comigo no quintal, contando as estrelas, apontando as constelações, falando sobre os planetas e a origem do universo, do mundo, da nossa história como é hoje. Pra mim, ele sempre foi o cara mais inteligente do mundo. O que eu tinha com ele é como o que você tem com a Taylor.

-Eu nem tive a chance de conhecer seu pai, mas eu já gosto dele. -Lauren disse num sorriso.- Ele te contava histórias, te incentivava a estudar, ele sabia um monte de coisas... Eu queria poder ter tido isso com o meu pai. Não é como se ele não fosse um bom pai, ele era, sempre foi, mas a maior preocupação dele sempre foi em proteger a gente, esconder a gente...

-Meu pai nunca soube. -Camila confessou numa careta e a incursora uniu as sobrancelhas numa interrogação.- Sobre mim. Sobre as minhas... Habilidades.

-Como assim?

-Eu nunca... Eu nunca contei, nem pra ele, nem pra minha mãe, muito menos pra minha irmã. Eu tinha medo, eu... Eu não entendia o que eu era ou porque eu sabia fazer essas coisas, eu tinha medo de contar.

-Você nunca contou pra ninguém? -Lauren perguntou um tanto quanto espantada e a garota negou com a cabeça.- Ninguém sabia? Como que você guardou isso por tanto tempo e...

-Duas pessoas sabiam. Apenas duas. E souberam porque descobriram, não porque eu contei. Eu descobri das minhas habilidades quando eu era bem pequena, eu não sabia muito bem das coisas naquela época, nunca soube, na verdade, mas naquela época eu era muito mais ingênua e de repente, margaridas começaram a surgir na minha parede e quanto mais eu as admirava e as tocava, mais apareciam e cresciam e eu queria mostrar aquilo pro meu pai, eu tinha achado incrível, mas minha babá entrou no quarto e fechou a porta, ela ficou apavorada, ela... Ela me fez prometer que eu nunca contaria pra ninguém, nem pro meu pai, ela disse que era pro meu próprio bem, pelo bem da minha família, ninguém podia saber daquilo. Ela arrancou todas as flores da parede e eu comecei a chorar, todas as flores morreram e as raízes sumiram de volta pela parede enquanto eu chorava, eu nunca contei pra ninguém.

-Quem era a outra pessoa que sabia? -Lauren perguntou um tanto quanto curiosa.

-Meu namorado.

-Você tem um namorado? -A incursora perguntou numa risada nervosa, com os olhos arregalados sem muito acreditar.

-Eu tinha... É uma longa história.

-Você queria falar de sentimentos, não queria?

-Touché. -Camila riu arrastadamente, revirando os olhos.- Era por causa do meu pai... O namoro. -Lauren cerrou os olhos e a garota fez uma careta.- Não era como se eu não gostasse dele, porque eu gostava, mas o começo foi muito forçado, meu pai queria que eu namorasse com ele então eu namorei. -Ela deu ombros, ignorando a expressão de reprovação da incursora.- Mas não era difícil gostar dele. A gente tinha muita coisa em comum, gostávamos das mesmas coisas, ele era fofo e atencioso, sabe? Eu sempre me senti um pouco alienada as vezes por conta de toda a proteção que meu pai me submetia, mas ele tentava me explicar as coisas que eu não sabia, ele sempre me dava as notícias que meu pai não queria que eu soubesse, eu acho que nunca me senti entediada com ele porque smepre tínhamos assunto, sempre estávamos faznedo algo, estudando algo, aprendendo algo... Ele gostava muito de música, então sempre cantava pra mim e bom, era um verdadeiro príncipe.

-Mas... -Lauren murmurou arrastadamente para que a garota prosseguisse para o clímax.

Camila encolheu os ombros e suspirou.

-Eu nunca senti aquela coisa, sabe?

-Que coisa?

-A coisa, Lauren. A coisa que falam nos livros, o sentimento que faz suas mãos suarem, as borboletas na barriga... Eu nunca senti isso com ele.

-Você sentiu com outra pessoa?

-Sim. -Camila respondeu e de repente, seus olhos estavam mais claros enquanto ela sorria timidamente de canto, encarando a incursora com os ombros encolhidos.- Eu senti com outra pessoa e então tudo que eu tive com ele pareceu... Sei lá... Inútil, perda de tempo... Vazio. -Lauren assentiu.- Você já... Voce já sentiu isso? A coisa?

-Já. -Lauren respondeu num longo suspiro e só continuou depois de alguns minutos em silêncio.- Na verdade, eu senti a coisa muito cedo na minha vida. Eu era bem pequena e demorei pra saber o que significava. A coisa era forte, muito forte. -A incursora apertou o pingente do cordão e encarou o firmamento estrelado acima delas.- Mas quando eu juntei os pontos, tudo fez sentido... Tudo se encaixou.

-Quem era? -Camila perguntou num sussurro, admirando o perfil da garota agora tão imersa no céu.

-Eu tinha uma melhor amiga desde que eu era criancinha e... Eu acho que já falei dela, falei?

-A dos livros?

-Sim, o nome dela era Alycia. Eu a conheci no meu primeiro dia de aula, na primeira vez que fui pra escola em toda a minha vida... Eu não sei se você sabe como o sistema funciona quando não se é privilegiado, mas as escolas comuns são um verdadeiro tumulto, tão cheias que você mal consegue um lugar pra sentar no almoço, eles te alocam de acordo com o número da sua família e não com o seu campo, contando de onze em onze. Da família 1 até a 11 numa escola, da 12 até a 22 em outra e assim vai. Alycia é da 12 e eu sou da 24, então eu gosto de dizer que foi o destino que quis que a gente se conhecesse. Duas famílias militares deram baixa na matricula, então a família 23 e a minha família puderam entrar naquela escola.

-Por muito pouco vocês não se conhecem. -Camila disse com os olhos arregalados e Lauren assentiu com um sorriso triste.

-Ela é minha melhor amiga desde o primeiro dia, a gente simplesmente colou uma na outra e assim foi, crescemos juntas, fazíamos tudo juntas. Eu sempre me senti diferente sobre ela, mas eu nunca soube o que era aquilo... Ela tinha aqueles lindos olhos verdes e aquele sorriso que sempre se iluminava quando eu aparecia ou fazia alguma coisa pra ela, eu sempre fazia tudo pra ela sorrir pra mim... Ela era muito ruim na educação física e eu era a melhor de todas, então eu sempre deixava ela me ganhar pra todo mundo achar que ela era boa. Eu fazia tudo pra fazê-la sorrir, só porque eu gostava... Conforme eu fui crescendo, eu percebi que ela fazia a mesma coisa comigo, ela fazia as coisas para que eu sorrisse, ela fazia as coisas pra me vez feliz, ela era tão super protetora comigo e tudo o que importava era se eu estava bem.

-Então... Ela sentia a coisa por você também?

-Sentia. -Camila sorriu porque foi a primeira vez na noite que Lauren sorriu de verdade.- A gente se conhecia desde os quatro anos de idade, mas só fomos entender isso onze anos depois. Eu fui apaixonada por ela desde sempre, desde o primeiro dia, eu acho, mesmo sem saber o que o amor era naquela época. Ela sempre foi tudo pra mim.

-Vocês ficaram juntas?

-No meu aniversário de quinze anos. -Lauren sorriu de novo, mas dessa vez, Camila pôde ver um certo brilho em seu olhar pelas lágrimas que estavam se formando.- Minha casa tinha um sótão onde a gente guardava as coisas velhas e o telhado era bem frouxo num canto, então eu costumava puxar uma ou duas telhas pra ficar vendo o céu, eu sempre gostei de olhar as estrelas. Na noite de véspera do meu aniversário, Lysh estava lá comigo, ela sempre estava comigo... A gente tirou quatro telhas e ficamos deitadas no chão, conversando sobre um monte de coisa e quando deu meia-noite, ela me disse pra fazer um pedido e eu disse que não precisava pedir nada, porque tudo que eu queria era ela comigo e ela já estava bem do meu lado. -Uma lágrima solitária escorreu e Lauren a limpou discretamente, sorrindo para o céu.- Ela me beijou.

-O que aconteceu com vocês? -Camila perguntou de cenho franzido, sentindo toda a energia triste que aquilo trazia pra Lauren.

-O bombardeio. Desde que eu vim pra XXIX eu nunca mais a vi ou ouvi qualquer coisa sobre ela, eu nem sei como ela está, aonde está, se está viva ou sei lá. A madrugada do dia que bombardaram a minha casa foi a última vez que a vi. -Lauren apertou o pingente com força.- Ela sabia. Ela sabia do bombardeio.

-O que? Como assim ela sabia? Se ela sabia, por que...

-Eu não sei se ela tinha certeza, mas ela sabia, ela suspeitava. Foi o pai dela que denunciou a minha família, que expôs o Chris aos militares... Ela sabia disso, por isso que ela estava tão estranha naquela noite.

-O que aconteceu nessa noite, Lauren? -Camila perguntou com o cenho franzido em curiosidade.

-Eu costumava fugir de casa no meio da madrugada pra dormir com ela. Alycia nunca foi de dormir sozinha, ela se sentia melhor comigo, mais segura, ainda mais quando o pai dela tinha plantão e ela ficava por conta própria. Ele não estava em casa naquele dia, nem de tarde quando eu a acompanhei da escola até em casa, não estava de madrugada e de manhã quando eu acordei, ele também ainda não havia chegado. Quando amanheceu, ela pediu que eu ficasse, mas não como ela sempre pedia, ela implorou para que eu ficasse, ela chorou pedindo que eu não fosse, ela não queria que eu fosse pra casa de jeito nenhum, porque ela sabia. Ela sabia mas não podia me contar, porque não tinha certeza e não queria prejudicar o próprio pai, ela estava encurralada.

-Por que você não ficou?

-Alexa sempre me dava cobertura quando eu fugia de casa de madrugada, então a gente tinha esse acordo taciturno de que, por conta desse favor, eu teria de obedecê-la quando fosse preciso. Ela não exigia muito de mim, mas quando ela pedia, eu fazia e ela me pediu pra voltar pra casa, minha mãe ia fazer a gente limpar o quarto e não tinha como ela me encobertar naquela situação. Alycia implorou, mas eu não ia desobedecer a minha irmã, então, antes de eu ir embora, ela ainda estava chorando, ela estava sendo tão... Diferente, tão pegajosa, era como se... Era como se ela soubesse que não ia me ver de novo. Ela me deu isso. -A incursora segurou o pingente azul esbranquiçado, mostrando-a para a novata.- Era a honraria que fora dada ao seu pai e ele dera pra ela. Ela disse que queria que fosse meu, pra eu manter comigo como um pedaço dela, assim ela estaria comigo em todos os lugares, independente de para onde fôssemos ou se estivessemos juntas ou não. Ela me beijou como se o mundo estivesse acabando e hoje eu sei porquê... E antes de eu ir, ela me fez prometer que meu coração nunca seria de outra pessoa, porque ela ia me amar pra sempre e não suportaria a ideia de me perder para um outro alguém, mesmo num universo paralelo. Eu prometi e fui pra casa. O bombardeio foi duas horas depois.

-Como é que você continua amando essa garota? -Camila perguntou um tanto quanto indignada.- Ela deixou a sua família morrer! Ela deixou você morrer! Ela sabia!

-Ela não podia me contar!

-Por que não? Ela podia ter salvo você, ter salvo a sua família! Vocês poderiam ter fugido, se escondido, as coisas não precisavam ter acontecido do jeito que foram, ela podia ter evitado tudo isso! Ela podia ter salvo você, Lauren!

-Ela tentou me salvar, eu que não a escutei! Eu podia ter ficado naquela manhã...

-Não! E a sua família? Ela foi tão egoísta, ela quis te salvar porque você era importante pra ela, mas em nenhum momento ela pensou no que era importante pra você. Se você tivesse ficado... Já imaginou isso? Toda a sua família teria morrido e só ficaria você, sabendo que ela sabia. Ela teria salvo você, mas por ela, unica e exclusivamente por ela.

-Ela queria me salvar, ela queria salvar todo mundo, eu sei disso, mas ela não conseguiu colocar a própria família em risco, ela não ia arriscar o pai dela. Se ela contasse e a gente fugisse, o pai dela seria executado por falsa denúncia. -Lauren abaixou a cabeça e a garota negou com veemência, franzindo o cenho.

-Em todo o tempo que passou aqui embaixo, alguma vez você realmente parou pra colocar isso na balança? O pai dela de um lado, você, seus três irmãos e seus pais do outro. Qual pesa mais? Literalmente. Ela não podia abdicar seis pessoas em favor de uma, ainda mais seis pessoas que não fizeram nada de errado, que seriam bombardeadas simplesmente por serem o que são, isso não é justo, isso não faz o mínimo de sentido, essa garota não tem um pingo de senso de justiça! Ela não tem um pingo de sensibilidade, de humanidade! Ela é egoísta, Lauren!

-Você não pode julgá-la desse jeito, você nem a conhece! Ela era... Ela era jovem, imatura e estava com medo. Ela não sabia o que fazer, então apelou para o que achou que era certo na hora.

-Acontece que o erro dela acabou com a sua família. -Camila pontuou um tanto quanto estarrecida.- O que você faria se estivesse no lugar dela? Porque eu, sem duvida alguma, faria tudo para te salvar, faria tudo pra salvar a sua família, porque se eu digo que te amo, eu amo de verdade e quando a gente ama, Lauren, a gente faz tudo. Se eu arriscaria o meu pai? Sim, eu arriscaria meu pai, isso não é nem questionável, o que o pai dela fez não é justo, dando a vida de gente inocente, gente que não fez nada, porque seus irmãos não tem culpa de terem nascido assim, ninguém tem! Ela se colocou em primeiro sem pensar em você e no que era importante pra você, ela passou a vida dizendo que te amava, mas na hora de provar isso, falhou. Nem você ela conseguiu salvar! Fala pra mim, Lauren, o que você faria se estivesse no lugar dela? Me responde com sinceridade, fala pra mim.

Lauren não disse nada, apenas negou com a cabeça e abaixou o olhar, fazendo com que Camila soltasse um riso sem humor pelo nariz.

-Você contaria, não contaria? -A novata perguntou e tudo que Lauren fez foi assentir.- Eu conheço você, nem que seja só um pouquinho, mas eu conheço, eu sei quem você é. Você é leal, você é verdadeira, você age conforme os seus valores e preza mais do que tudo as pessoas que você ama, o seu único erro é dar os pedaços certos de você para as pessoas erradas.

-E como eu sei quem são as pessoas certas ou erradas? -Lauren perguntou com uma sugestão de sorriso debochado, revirando os olhos e se encolhendo no canto.

-Você já sabe, no fundo do seu coração você sempre sabe. -Camila deu ombros, arrastando-se pelo chão trilhado até estar ao lado da incursora.- As pessoas certas nunca vão te fazer sentir difícil de ser amada.

Lauren não respondeu nada, apenas encarou a novata por um longo tempo. Os olhos haviam voltado para a coloração normal, o castanho escuro maciço que lhe aspirava segurança, que a fazia sentir em casa, o castanho escuro que a incursora tanto gostava e confiava, porque naquele tom, Lauren sabia quem ela era.

Elas estavam perto. Perto demais.

Camila mordeu o lábio enquanto traçava as linhas da mandíbula de Lauren com a ponta do dedo indicador, olhando-a firmemente nos olhos como se a quisesse desvendar por inteiro. Elas não precisavam falar nada, seus olhos falavam por si só e os castanhos abraçavam todas as inseguranças que os verdes tinham dentro de si. Lauren encostou a testa na dela e suspirou, umedecendo os lábios:

-E se eu for?

-O que? -Camila perguntou saindo de um transe que nem percebera que havia entrado, piscando seguidas vezes antes de voltar a encarar a imensidão verde diante de si.

-Difícil de amar. -Lauren respondeu num fio de voz.

-Você não é. -Camila sorriu.- Amar você é a coisa mais fácil do mundo.

-Como você pode ter certeza disso?

-Eu só sei. -A novata deu ombros.

-Você faz isso ser tão fácil. -A incursora riu sem humor, negando com a cabeça.

-Isso o que?

-Sentir.

-Você sente coisas por mim? -Camila perguntou num sorriso sorrateiro e Lauren lhe deu um tapa no ombro, fazendo-a rir também.- Viu? Você sente tanta coisa, por tanta gente, sentimentos tão bonitos, não é difícil amar alguém assim.

-Você também não é lá tão difícil. -Lauren revirou os olhos de brincadeira e a garota riu, sentindo um frio na barriga quando a incursora fechou os olhos e deixou seus narizes se esbarrarem.

Então Lauren sacudiu-se por inteira num tremor e Camila quase deu um salto de susto, encarando-a de cima à baixo com os olhos arregalados.

-Você tá com frio? -Lauren assentiu com um sorriso de lado, como se estivesse extremamente envergonhada e a garota sorriu.- Eu posso esquentar as coisas...

-Não! -Lauren a repreendeu de imediato, segurando suas mãos, fazendo com que a novata franzissse o cenho em confusão.- Não faça fogo. Por favor.

-Por que não? -Camila questionou sem entender nada.

-Só não faz. -Lauren pediu com o olhar baixo e a novata assentiu.- Por favor.

-Eu não vou, se você não quiser eu não faço.

-A gente não precisa de fogo.

Lauren puxou um dos braços da novata, colocando-o sobre seus ombros, aconchegando-se mais nela e Camila a abraçou, pondo o outro braço em sua cintura, suspirando ao sentir o rosto da incursora afundar em seu ombro. Seria um longa noite, ela não sabia o motivo, mas seria e precisava de qualquer jeito fazer com que Lauren se sentisse segura.


Notas Finais


E aí, sauros? Como estamos? Foi um capítulo um tanto quanto pesado em diversos sentidos, difícil de escrever e eu imagino que vocês tenham deveras críticas e comentários a fazer sobre isso e eu estou aberta a todos eles, chegamos num ponto muito delicado da história, todo mundo agora situado sobre o que acontece e também sobre muito do que já aconteceu e eu quero muito saber o que estão achando disso tudo. Quero também me desculpar pela demora, esse capítulo foi realmente difícil porque eu não sabia como escrever porque eu, particularmente, tenho muitos problemas com esse assunto e escrever sobre, escrever uma cena, não é muito confortável, na verdade, é até um pouco desprezível, mas enfim, além disso minha escola está ocupada e eu estou tendo muito trabalho a fazer, eu realmente não quis escrever algo corrido que resultasse num capítulo inferior aos outros. Enfim, obrigada mesmo pela paciência e por continuarem acompanhando, até mais ;)


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