História As cores e os sons - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Tags Harry Potter, Romance, Teddy Lupin, Triangulo, Victorie Weasley
Exibições 18
Palavras 1.798
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Escolar, Ficção, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, gente.
Faz tempo que não atualizo a fic (faculdade, sacumé), mas não larguei ela de mão, não! To mandando um hoje e vou ver se mando outro amanhã;
Espero que estejam gostando ^^

Capítulo 7 - Quem comanda o seu destino? (Over the Rainbow)


POV Ashley

                Quando a porta da Sala Precisa se fechou, eu desabei.

                Não, não foi um desabar de chorar. Engolir o choro é um dos meus maiores talentos.

                Eu apenas me deixei escorregar para o chão, até deitar. Era gelado como o diabo, mas não me importei. Fechei os olhos, esperando cair no sono, com um lado do meu cérebro me alertando que eu não deveria dormir ali.

                Eu sabia o porquê de Teddy ter ido embora dali. Eu li em seus olhos. Ele nada disse, mas eu quase pude ouvir o nome dela ecoando em sua mente: Victoire.

                Eu o conhecia bem demais. Sabia que seu senso de justiça era maior que ele mesmo. Não era justo com ela estar ali comigo, olhando o céu do Texas. Não era justo com ela ir atrás de mim, quando provavelmente ela estava chateada.

                E não era justo com ela eu estar apaixonada por ele.

                Me senti um lixo por cobiçar o namorado dela. A pior das cobras. Porque era isso que eram as meninas que queriam o namorado da amiga. Victoire era minha amiga. Teddy era meu amigo. Eu não deveria ser mais do que isso.

                Inalei profundamente. Deixei os pensamentos fluírem para não focar apenas em um só. Infelizmente, as demais lembranças eram só de coisas que eu não poderia ter: uma família estável, uma carreira musical, um namorado desde a infância...

                Mamãe sempre me dizia que eu não poderia ter tudo o que eu queria na vida.  No entanto, raras foram as vezes que eu tive o que queria. Parecia-me que meu destino era sempre aceitar o que este me reservava.

                Sem perceber, cantarolei uma canção. Over the rainbow era a minha favorita na infância; assisti ao Mágico de Oz várias e várias vezes. Com os olhos fechados, senti uma lágrima escapar para os ouvidos...

                - And the dreams that you dare to dream really do come true...

                Não sei por quanto tempo fiquei deitada cantando, mas de algum modo, percebi que já estava ali tempo demais. Era hora de voltar para a realidade. Eu não poderia fugir mais. Levantei-me de um pulo, sacudindo a poeira das vestes.

                Se meu destino era aceitar qualquer coisa que viesse, então que assim fosse. Reclamar não adianta. Nunca adiantou.

                Muito menos chorar.

 

 

                As férias de Natal estavam se aproximando. Todos estavam ansiosos, exceto eu. Minhas opções de férias eram o rancho dos meus avós, o Arkansas ou Hogwarts.

                O rancho sempre foi minha opção, mas, esse ano, meus pais resolveram ter a "brilhante" ideia de me dividir, com o argumento:

                "Querida, todos os Natais você passa com seus avós no Texas. Eu e ele queremos pelo menos um tempinho com você."

                Revirei os olhos quando li a carta que mamãe mandou. Todo ano era a mesma coisa. Eu ia pro Arkansas, morria de tédio, geralmente comia duas ceias de Natal (porque meus pais recusavam-se a estar no mesmo ambiente), saía com Becky, Miles e Joe e passava o Ano Novo no Texas. Dava no mesmo.  

                É claro que eu sempre acabava voltando mais entediada do que nunca.

                Por isso, naquele ano, ia fazer do meu jeito.

                Enquanto todos que iam passar os feriados fora da escola assinavam seus nomes na Lista, subi de fininho para a Torre da Grifinória. Entre morrer de tédio com meus pais e morrer de tédio na escola, pelo menos na escola ninguém ia me encher o saco.

                Quando, porém, coloco o pé na escada, uma mão pousa sobre meu ombro.

                - Onde vai - perguntou Constance.

                - Ah, oi. Vou lá pra cima descansar um pouco.

                - Você já assinou a Lista?

                Droga, Constance.

                - Hum, não... eu não vou sair de Hogwarts esse ano.

                A corvina ergue uma sobrancelha.

                - Que história é essa? Você não suporta ficar aqui.

                - É, mas esse ano mamãe e papai querem que eu fique com eles. Não vou pro Texas. Não quero ter que morrer de tédio com eles e nem ter que olhar pra cara do Miles.

                - Entendi...

                - Você vai ficar aqui? - me encho de esperança.

                - Ah, não... minha família vai viajar pro Brasil. Eles detestam frio e no hemisfério sul é verão nessa época do ano.

                - Ok.

                Viro-me para subir novamente, Constance ao meu lado. Evito olhar em sua direção, mas sei que seus olhos estão em mim. Ela provavelmente percebeu que algo acontecera, mas foi sensata em não perguntar, sabendo que eu não estava afim de responder.

                - Sabe o que estão falando por aí? - diz ela, depois que chego ao retrato da Mulher Gorda.

                - Não, detesto fofoca.

                - Não é fofoca. Eu ouvi dizer que querem organizar um concerto musical aqui em Hogwarts.   

                Viro a cabeça letamente para encarar Constance, como um ventilador.

                - Como é?

                - Sim, e tem mais. Querem que você toque mais músicas trouxas.

                - Rá. Vão ficar querendo.

                Volto-me para o buraco do retrato, mas ela me detém.

                - Ash, você não percebe? As pessoas gostam de música. Você fez todo mundo perceber isso.

                - Constance...

                - E as pessoas também gostam da sua música! Todo mundo na Corvinal fala sobre isso, e não duvido nada que nas outras casas também.

                - Ser gostam de música, que vão ouvir um...

                Paro, de repente, as ideias fervilhando na mente.

                Talvez eu pudesse finalmente conciliar as coisas. Se eu conseguisse ao menos equipamento...

                - Constance, você me deu uma ideia fantástica.

                - Então você vai tocar no concerto?

                - Claro que não, não estou comendo merda. Não, minha ideia é muito melhor.

                Ela esperou que eu dissesse mas, naquele momento, Teddy e Victoire chegam.

                - Olá - cumprimenta Vic, plantando dois beijinhos nas bochechas de Contance e dois nas minhas.

                - E aí, Vic? - cumprimento também.

                Levanto o olhar para Teddy, firme. Não quero parecer fraca ou tímida. Perfuro seus olhos com os meus, e ele sustenta meu olhar.

                - Oi, Ash.

                Sorrio, e volto-me para Constance.

                - Bem, depois nos falamos. Boas férias, amiga.

                - Pra você também. Me escreva!

                Meneio com a cabeça, e entro na sala comunal, seguida pelos meus dois colegas, que se enroscam no sofá.

                - Ei, Ash - chamou Ted.

                - Eu?

                - Onde vai passar o feriado?

                - Aqui mesmo.

                Ted ergue a sobrancelha, como Constance o fez.

                - Porr quê? - perguntou Vic.

                - Não to muito afim de ser peteca de novo na mão dos meus pais.

                - Peteca?

                - É. Algo que é jogado pra lá e pra cá.

                - Vai ficarr aqui sozinhe?

                - Não tenho problemas com isso.

                - Venha com a gente, Ash! Nossa família irrá adorrar conhecer você.

                - É, Ash, falamos muito de você pra eles.

                Sinto as bochechas queimarem. Não sabia disso.           

                - Agradeço, amigos, mas... não assinei a lista. Não vou poder ir.

                Eles pareciam desapontados, mas entenderam. Eu até iria se tivesse assinado meu nome. Depois de tantos anos ouvindo sobre a família Potter-Weasley, era impossível não se sentir curiosa por eles.

                Dou boa noite para Ted e Ash, sem querer atrapalhar a pegação dos dois e vou para meu quarto. Todo mundo já havia arrumado os malões. Olho pela janela, esperando Flicky voltar do corujal. Mas aparentemente ele não voltaria tão cedo.

                Deito na cama, ainda pensando na ideia que eu tivera. Assim que Flicky chegasse, eu pediria ajuda à Becky para realizar o que eu estava planejando. É claro que não seria fácil, e que Flicky não conseguiria carregar tudo sozinho, mas pelo menos, algo mudara. Eu não mais ficaria esperando que meu destino pré-escrito se concretizasse. Eu mudaria meu próprio destino. Quando finalmente deitei a cabeça no travesseiro, me senti mais leve. Nada precisaria ser como antes.

 

                No dia seguinte, a saraivada de corujas na mesa do café refletiam a ansiedade de todos para ir embora. Como nenhum dos meus amigos ficaria lá, aproveitaria o tempo para estudar as instalações do castelo, possíveis lugares que poderiam abrigar uma caixa de som decente e procurar entrar nas salas comunais. Seria divertido.

                Constance se despediu de mim rapidamente. Percebi que ainda levava em seu olhar alguma coisa que eu não conseguia discernir. Me despeço de Ted e Ash, que insistem:

                - Venha conosco, Ash! - pediu Vic mais uma vez - Ninguém vai notar se você se esgueirarr.

                - Desculpem, eu realmente gostaria... mandem lembranças para a família, e digam que um dia adorarei conhecer a todos.

                Vic me dá mais dois beijinhos e sai, puxando Ted pela mão.

                - Vamos, Ted.

                - Espera, Vic, eu esqueci meu suéter da Sra. Wesley lá em cima!

                Ela arfou.

                - Não ouse chegarr na casa de vovó sem seu suéterr! Vá buscarr! Vou guardar seu lugarr no trem. Rápido!

                Ela corre para as portas, enquanto eu permaneço na mesa, terminando o café. Percebo, olhando de esguelha, que Ted não saiu do lugar.

                - Ué, não vai pegar o tal suéter?

                - Ash... me desculpe.

                Tá, por essa eu não esperava.

                - Pelo quê?       

                - Por ter te deixado sozinha lá na Sala Precisa. Eu estava...

                - Confuso?

                - É!

                - Bem, não precisa se desculpar. Eu sei que você não pode lutar contra seu destino.

                Ele franze a testa, não sabendo exatamente onde eu queria chegar. Mas eu dou de ombros, uma raiva que eu não sentira antes tomando conta de mim.

                - Diferente de você, eu sei muito bem o que quero pra minha vida. Não dependo de ninguém para tomar decisões, e principalmente, tomei as rédeas do meu destino. - me levanto, deixando a raiva sair em forma de uma voz leve, mas cruel - Eu não engano meu coração, Ted. Cansei de deixar as pessoas decidirem por mim.

                Ele abriu a boca pra falar, mas eu já estava no limite.

                - Corra pra ela, Ted, como você sempre faz e sempre fará. Como você pode ver, eu não sou uma manteiga derretida. Não vou chorar só porque você me deu um beijinho e depois volta pra ela como se nada acontecesse, como se não sentisse nada por mim, como se seus poderes não reproduzissem exatamente o tom dos meus olhos em você. Vá! Vá embora! Eu não preciso de quem não me prioriza e de quem não segue o próprio coração.

                Viro-me, sem esperar resposta dele e sem terminar meu café. Um lado do meu cérebro ri da saída dramática, como se eu estivesse numa novela mexicana qualquer. Mas outro lado, o lado bem maior e mais racional, me castiga. Eu não deveria ter dito nada daquilo. De onde viera tanta raiva? Mordo o lábio com força para não chorar e corro para as escadas. Ted ouvira as verdades que eu sempre quis dizer a ele. Mas a que custo?

                E uma voz em minha mente me tortura ao dizer "nossa amizade". 



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