História As cores e os sons - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Tags Harry Potter, Romance, Teddy Lupin, Triangulo, Victorie Weasley
Exibições 19
Palavras 2.174
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Escolar, Ficção, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa noite, gente!
Não tem jeito, viciei de novo nesses dois. Mais um capítulo agora (espero que esteja maiorzinho)
Boa leitura ^^

Capítulo 8 - Jantar gelado, cabeça quente


POV Ted

 

Eu ainda fiquei um bom tempo parado ali depois que ela me virou as costas. É claro que Ashley sabia como ser grossa, mas aquilo... Ela não levara em consideração o que eu estava passando, ou sentindo. Desde sempre, aliás.

Sem olhar para trás, saio em direção à Hogsmeade. Vic deveria estar preocupada me esperando. Apresso o passo, meus pés afundando sob a neve do começo de dezembro. Corro, na esperança de conseguir pegar o trem ainda em cima da hora.

Dito o feito. A maria-fumaça começara a se mover. De um salto, agarro um dos apoios e me esgueiro para dentro. Foi um alívio. Não queria me tranformar em ave pra ir seguindo um trem até Londres.

Não demoro muito para encontrar Victoire, enfiada dentro de um vagão que costumamos ficar, olhando pela janela.

Oi, meu bem. - cumprimento, sentando ao seu lado.

 

Ela vira para mim, e percebo que seus olhos estão vermelhos.

-Se despediu dirreito da Ash?

Droga, Victoire.

-Vic...

-Ah, clarro, você foi buscarr seu suéterr...

-Vic, para com isso. Eu não...

-NÃO FINJA, TEDÍ! - ela grita. Maravilha. Agora a escola inteira escutaria outra briga nossa. - SEI QUE FICOU PRRA TRRÁS PORR CAUSE DELA.

-Eu só quis... - deixei a voz morrer. Não poderia explicar que fui me desculpar por deixar Ash sozinha na Sala Precisa.

Victoire esperava minha resposta, os olhos fixos em mim. Eu a magoara. Magoara a Ashley. Eu era um bosta, mesmo.

-Eu não achei meu suéter – foi o que consegui dizer.

-Foi o que pensei.

-Vic, por favor...

-NÃO ME PEÇA PORR FAVORR, TEDÍ, EU SEI...

-Quer parar de gritar? - questiono, olhando pelo corredor pra ver se alguém estava ouvindo – Ninguém precisa saber da nossa vida pessoal.

-EU GRRITO O QUANTE EU QUISER, LUPIN. VOCÊ É UM MENTIRROSO.

-Victoire, por Merlim, para de berrar.

Ela, é claro, me ignorou, e recomeçou a gritaria histérica. Era sempre assim, em cada briga que tínhamos. Ela nunca dava espaço para um diálogo, fazia sempre um escândalo e depois me ignorava por dias até decidir que deveria voltar a falar comigo. Era insano, era irritante. Não dava mais pra relevar. Enquanto eu procurava não responder, ela continuou gritando comigo, e logo várias cabeças apareceram no vagão.

Levanto-me, os tímpanos doendo com os gritos estridentes dela e me dirijo a qualquer outro vagão que esteja vazio. Encontro um e me enfio nele. Eu sabia que Victoire se acalmaria depois dos escândalos. Eu só precisava de um pouco de paz e silêncio para arejar a mente.

Só para voltar a pensar nas palavras ásperas de Ashley.

Ela tinha razão. Eu não tomava decisões por mim mesmo. Sempre esperava os outros, sempre me abstinha.

Mas era isso o que eu queria? Ouvir gritos enquanto me calo?

Pelo menos era o que eu estava fazendo.

 

As festas de fim de ano na casa dos Weasley eram um estouro – literalmente. Quando se juntavam com os Potter, então, era um verdadeiro caos. Mas era um lugar que eu gostava de chamar de lar; os caldeirões fumegavam, cheirosos, enquanto coisas voavam por todo o lugar. Assim que passei pela soleira d'A Toca, fui recebido com um beijo estalado da Sra. Weasley.

-Ted, querido, entre, entre, está frio aí fora. Vic, minha netinha! - Victoire entra depois de mim, ainda evitando me olhar na cara. - Como você está bonita! Entrem, o jantar já está quase pronto. Sua avó está lá dentro, Ted. E seu padrinho vai chegar... - ela olha para o relógio na sala, com os ponteiros contendo os rostos de cada um. Meu padrinho e eu ganhamos um. - daqui a cinco minutos.

Como a sra. Weasley dissera, vovó Andrômeda estava na cozinha.

-Que saudades, meu querido – ela diz quando me vê. Com a varinha nas mãos, me envolve em seus braços.

Sim, aquela era minha definição perfeita de lar.

Enquanto estou ajudando a sra. Weasley a colocar a mesa, um estrépito do lado de fora me avisa da chegada dos Potter. Logo depois, a porta se escancara, trazendo um vento congelante e James, Alvo, Lily, Gina e Harry para dentro da casa, seguidos de Hugo, Rosa, Hermione e Ron.

Procuro cumprimentar a todos, desnorteado. James e Alvo passam por mim correndo – nos víamos demais em Hogwarts ultimamente. Gina me planta um beijo gelado na bochecha, e Harry me envolve num caloroso abraço.

-Como vai, Ted?

-Nada mau, padrinho.

Ele olha em meus olhos através de seus óculos redondos e sei que percebeu que eu não dissera a verdade.

-Está indo bem na escola?

-Estou, sim, relaxe...

Quando ele ia passar para a seguinte questão, mais um estrépito se ouve do lado de fora, e os pais de Victoire, Fleur e Bill, junto com sua irmã, Dominique.

Fleur, como sempre, me planta seus dois beijinhos na bochecha, e Bill me dá um aceno de cabeça. Porém, o olhar feio de Dominique me faz perceber que ela e Vic já tinham conversado.

Pressenti por um segundo que o clima ali não ficaria nada bom.

Cara, como eu queria estar errado.

 

O jantar de boas vindas reuniu a todos na mesa. Foi preciso amplificar a sala magicamente para caber a todos. As risadas e conversas me distraíram um pouco, mas o olhar ressentido de Vic me assombrava a toda hora. Por vezes, cochichava algo no ouvido da irmã e olhava feio para mim. Segurei o garfo com mais força do que deveria, enquanto sentia meus cabelos mudarem involuntariamente de cor.

-E então, Ted? - perguntou o Sr. Weasley, que estivera tentando animar George, sem sucesso – quando é que teremos a grande festança? Depois de Hogwarts, suponho?

Pisco, voltando a atenção para o que ele dissera.

-Perdão, sr. Weasley?

-Ora, o casamento! Você e minha neta nunca se desgrudam. - ele ri, piscando para Bill, o pai de Fleur, que não parece nem um pouco ansioso para uma festança.

-Eu... - arrisco um olhar para Vic, que está corada de vergonha. Talvez ela tenha voltado ao normal... - casamento...

Eu realmente soava um idiota. Não respondi como deveria, mas todos riram, indicando que era apenas uma piada. Ri também, para quebrar o gelo. O patriarca da família Weasley me saía com cada uma... talvez estivesse ficando lelé. Mas isso ele sempre foi, pelo que escuto.

-Ah, Caldeirão de amor – suspira a sra. Weasley – nossa música, Arthur.

Ela corre pela sala e aumenta o rádio.

Fleur revira discretamente os olhos, e Victoire faz o mesmo.

-Mas eram bons tempos – comentou Ron, do seu canto na mesa – essas músicas trazem boas lembranças.

 

De fato, eram ótimas de se ouvir. Todos pareciam mais amolecidos. Arrisquei um novo olhar para Vic, que, para minha surpresa, me sorriu.

Talvez nos reconciliaríamos naquela mesma noite.

Se não fosse por um incidente inoportuno.

Pois, enquanto escutávamos a rádio, houve uma rápida interferência de uma rádio trouxa. Acordes que eu me recordava bem ecoaram pela sala, trazendo lembranças de uma agradável tarde de outubro, de uma voz doce e jovial cantando “The Only Exception”, de dedos habilidosos tocando as cordas de um violão preto, de olhos grandes e bonitos encarando o nada enquanto tocava. Por um momento, A Toca sumiu, e me senti sentado sob o céu estrelado do Texas, deitado no colo de Ashley, ouvindo sua música reconfortante que também me parecia um lar...

O soluço de Vic me trouxe de volta à realidade.

Percebo que todos estão me encarando, e não entendo o porquê, até me ver refletido na janela da sala.

Ou, no caso, ver Ashley refletida ali.

Olho para minhas mãos, toco meu rosto – que não era o meu.

Eu havia sem querer me transformado em Ashley.

Desconcertado, volto à minha forma original, enquanto Vic sai da mesa em direção às escadas. Sem pestanejar, vou atrás dela, deixando toda a família perplexa.

-Vic, por favor, me escute!

Ela não pára de subir, e eu subo junto.

-Eu não estou conseguindo controlar meus poderes, não foi proposital, entenda.

-Não querro entenderr nada.

-Vic... - imploro, me sentindo péssimo.

Ela vira-se para mim, o rosto manchado de lágrimas, mas lívido.

-Tudo bem. Eu escuto. Me diga uma coisa, Tedí. Olhando em meus olhos.

Faço que sim com a cabeça, e ela empertiga-se.

-Você é capaz de nunca mais falar com Ashley por mim?

-Como?

-Isso mesmo; prrove que me ama esquecendo que ela existe e me deixando lançar um Obliviate em você, parra esquecerr que ela existe.

Eu não podia estar ouvindo aquilo. Com certeza, fora um engano.

-Vic, eu não sei se entendi... você quer apagar Ash da minha memória... com um feitiço?

-Exatamente.

Olho em seus olhos muito azuis, e percebo que ela não está brincando. Ela realmente quer apagar minha memória.

-Você percebe o que está dizendo? Se apagar minha mente, apagará todas as memórias que tenho, tudo! Até as poucas coisas que tenho dos meus pais, que afloraram à custo.

Ela deu de ombros.

-Se lembrrarrá de mim e da família aos poucos...

O tom desdenhoso dela me fez enxergá-la com outros olhos.

-Eu... eu vou fingir que você nunca me propôs isso. Que está confusa demais para decidir qualquer coisa... é.

-NÃO ESTOU CONFUSA – ela berra novamente – QUERRO QUE VOCÊ ESQUEÇA ESSA VACA AGORRA – e, sem avisar, ergue a varinha para mim.

Me abaixo, e consigo desviar do feitiço da memória que ela me lançara. Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Vic era histérica, mas nunca vi esse lado agressivo dela. Por ter sangue de veela, isso poderia influenciar, mas a forma desdenhosa com a qual ela tratou minhas lembranças não podiam ser ignoradas.

Naquele momento, meu padrinho e Fleur entram no corredor. A mãe de Vic corre para a filha e abaixa sua varinha à força. Harry nos observa, confuso ao extremo.

-O que está acontecendo aqui? Vocês dois querem me contar?

Vic me encara, furiosa. Inspira fundo, antes de dizer suavemente.

-Está tudo acabado.

Ela vira-se, e vai em direção ao seu quarto. Sua mãe vai atrás dela, deixando eu e meu padrinho a sós.

Harry abre a porta do quarto ao lado, e faz sinal para que eu entre. Lá embaixo, um silêncio sepulcral. Faço as contas e decido que entrar no quarto para conversar é melhor do que ter de encarar a todos na sala, inclusive o pai de Victoire.

Meu padrinho fecha a porta atrás de si e senta na cama ao meu lado.

-Muito bem. Pode começar.

Sempre fora fácil conversar com meu padrinho. Ele era o único que me compreendia; éramos tão parecidos, até na dor de ser um órfão. Começo do começo, explicando Ashley e minha estranha fascinação por ela, o ciúmes de Vic, minha confusão interna, até o momento em que ela ameaçara querer apagar minha memória só para que eu esquecesse de Ash. Quando terminei, Harry não pareceu muito surpreso.

-Sabe, Ted, Vic sempre foi muito possessiva com as coisas. - abro a boca para discordar, mas ele continua – você não via por estar apaixonado. Por isso não me surpreendo que a atitude dela tenha sido tão radical.

-Mas...

-E, bem, sobre a Ashley... não a conheço o suficiente para opinar sobre ela. Mas conheço você. Ted, me conte mais sobre essa sua amiga.

Surpreso com esse pedido, demoro um pouco para formular a resposta.

-Bem, ela é... inteligente, definitivamente. Uma das primeiras do nosso ano. E divertida, viciada em sarcasmo. Sorri pouco, mas quando o faz é... maravilhoso. Não se abre muito, sei apenas que seus pais gostavam mais de berrar entre si do que da própria filha e que seu ex namorado é um imbecil. Ela, no entanto, não se importa com nada disso. Ou talvez se importe, sabe? Só talvez não ache necessário se expor, talvez um resquício de sua infância conturbada. Ah, foi aí que ela começou a se apaixonar pela música. Ela toca muito bem, é surreal. Também canta feito um rouxinol... e os olhos dela, são grandes, sabe, padrinho? Grandes e bonitos, da cor do mel. Ela é tão... ela.

Percebi que falei demais, até mesmo para meu padrinho. Eu não sabia que pensava todas essas coisas até dizer para ele. Quando terminei, Harry sorriu.

-E qual é sua dúvida em relação a ela? Victoire?

-Bem... é.

Ele ficou em silêncio por um minuto, antes de dizer:

-Sabe, Gina não foi meu primeiro amor. Antes dela, fiquei caidinho por uma garota um ano mais velha, a Cho. Achei que não conseguiria gostar de alguém tanto como gostei dela, mas eu estava errado. Nem sempre, Ted, nosso primeiro amor será o único. Não se sinta preso por amarras do passado. Vá por mim. Aprendi na marra que tomar caminhos diferentes pode te machucar, mas nem sempre será ruim.

Ele sai do quarto, e me deixa ali com meus pensamentos. Tudo o que ele me dissera me der um novo ânimo. Levantei de um pulo quando, novamente, ele aparece na porta.

-Ouvi dizer que a noite está ótima para um voo de vassoura – e pisca pra mim, saindo definitivamente.

Juro, éramos tão parecidos que poderíamos ser irmãos.



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