História As cores e os sons - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Tags Harry Potter, Romance, Teddy Lupin, Triangulo, Victorie Weasley
Exibições 22
Palavras 2.446
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Escolar, Ficção, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Bom dia!
Finalmente consegui um capítulo de um tamanho digno! Finalmente cheguei ao rumo da história! Finalmente escrevi o que muitos estavam (pelo menos eu estava) esperando!
Vamo lá:

Capítulo 9 - Entre delírios e desejos


POV Ashley

                Era agora ou nunca. Os outros dois colegas de Casa que ficaram em Hogwarts já tinham ido dormir. Meu estômago se revirava um pouco enquanto eu tentava sem sucesso organizar um plano. Tudo o que eu tinha em mente era andar pelos corredores do castelo e encontrar bons lugares para instalar um equipamento de rádio. Já havia tirado fotos dos lugares em que, possivelmente, abrigariam caixas de som. Teriam de ser muitas, visto que o castelo era tão grande. Suspirei. Às vezes minhas ideias excedem a realidade.

                Dois dias haviam se passado desde que todos foram para casa. Obviamente, recebi toneladas de cartas de mamãe, de Becky e dos meus parentes do Texas. Todos estavam chateados, e me senti bastante culpada. No entanto, eu precisava daquele tempo sozinha. Escrevi de volta para todos, esperando que compreendessem.

                É claro que eu não estava exatamente me divertindo aqui, pensei, enquanto descia para a Sala Comunal. Não havia muita coisa pra fazer - se eu tivesse ido para o Texas, eu não teria tempo nem para respirar, organizando as coisas, fazendo as compras de Natal, ajudando a montar a árvore com minhas primas. E então teríamos uma ceia agradável, com todos ao redor da mesa e vovô contando suas histórias malucas de quando era jovem (como a do primeiro Natal dele sabendo da existência do mundo bruxo e de suas tentivas falhas de descobrir uma explicação científica com magia, que envolvia gnomos, suco de abóbora e poções que explodiram seu microscópio). Suspiro. Estar sozinha na escola não era tão bom quanto imaginei.

               

                Desde que o tal do Voldemort e seus seguidores se foram, não era mais perigoso andar pelo castelo à noite. Claro que havia regras, mas quem liga pra elas? Passo pelos lugares onde demarquei, como que para memorizar, e decido que o Salão Principal deveria ser analisado. Me dirijo para lá, a varinha acesa na mão, pisando na ponta dos pés.

                Uma sombra se movendo é captada pelo meu olho direito, e viro-me, pronta para o ataque. Vinha de um corredor ao lado do Salão. Corro para lá, só para encontrar dois garotos quintanistas (um lufano e um sonserino) agarrados num beijo apaixonado.

                Eles se sobressaltam com minha presença, mas passo reto. Não quero incomodar. Só me sinto estranha; fazia tempo que eu não beijava ninguém. A última vez fora com Ted. Balanço a cabeça, como que para esquecer daquilo. Quando as férias acabassem, talvez eu pudesse arranjar algum carinha descompromissado para dar uns pegas sem compromisso.

                O Salão Principal, como eu esperava, estava vazio. O encanto que produzia o céu noturno lá fora refletia um céu sem nuvens e cheio de estrelas, a lua branca iluminando cada canto do lugar. Podia até mesmo ouvir o vento, baixo, como que sussurrando...

                Meu nome?

                Uma sensação diferente toma conta de mim. Não era necessariamente ruim, mas me fazia tremer, e não era de frio.

                O céu do encantamento começa a girar, e me pergunto se eu havia comido alguma coisa estragada. Negativo. Talvez eu estivesse chapada... mas não me lembrava de ter bebido nada e eu não fumava os becks da Becky (trocadilho infeliz que ela inventara). E droga, fazia tanto tempo desde minha última transa que se eu estivesse grávida, a criança já ia nascer falando.

                As portas do Salão se fecham, muito embora eu não tenha deixado uma brecha muito grande. Procuro alguma saída alternativa e começo a cogitar quebrar uma das janelas quando tudo some e eu me vejo no centro de uma clareira, iluminada pelo sol morno da manhã. Eu só podia estar delirando, não tinha outra explicação. Mas Hogwarts tinha tantos mistérios que era impossível saber o que era ilusão e o que era a realidade.    

                Ouço um "farfalhar" (se é que aquelas folhas realmente existiam), e duas crianças passam correndo por mim. Uma tinha cabelos ruivos e a cara cheia de sardas, parecendo um daqueles Weasley primos da Vic. A outra, por sua vez, tinha cabelos escuros e parecia uma Barbie morena.

                Elas me puxaram pela mão, e eu não tive tempo de questionar nada. Comecei a realmente acreditar que tinha consumido LSD. Talvez quando você consome, não se lembre que consumiu...

                Elas nada falavam, o que era estranho para duas crianças. Me levaram até um muro de pedra ou qualquer coisa que estivesse sendo erguida. Duas mulheres e dois homens trabalhavam naquilo com suas varinhas. Os dois me levaram até eles. Diferente delas, os adultos não conseguiam me ver. Tentei pelo menos dar um "oi", mas fui completamente ignorada.

                - Esses dois não se desgrudam - falou a adulta loira para a adulta morena, que concordou. Um dos homens ali, porém, pareceu não gostar de ouvir aquilo.

                 O garoto e a garota agora começaram a correr pela construção de pedra. Eu não havia reparado nas roupas deles até aquele momento - pareciam um tipo de roupa medieval. Quis sentar e assistir. Se aquilo fosse resultado de alguma droga alucinógena, bem, que eu aproveitasse os efeitos até o fim.

                As crianças corriam e corriam em círculos, e fizeram isso por tanto tempo que até me deixaram tonta. Correram tanto que esticaram! Esfreguei os olhos, dei tapinhas na cara, mas foi isso que acontecera. Estavam crescidos. Eles ainda corriam pela construção, que já não era tão indistinta assim. Eu tentava me lembrar o que era quando ouvi eles conversando.   

                - Papai não gosta de você, Galdwin...

                - Eu sei que não, Raven,querida. Mas podemos... podemos fugir! O que acha?

                - Fugir para onde? Não temos como... e papai também não gosta do seu pai. Ouvi dizer que se desentenderam.

                - Bobagem! Aqueles dois vivem em pé de guerra.

                - Galdwin... e se descobrirem a gente? - a menina de cabelos escuros parece aflita. Me revirei no mesmo lugar - era como se estivesse ledo um livro prestes a descobrir algo importante.

                - Não é como se não soubessem - ele diz, roçando o nariz em seu pescoço.

                - Não digo de nós... digo da gente.

                - Ah... não vão, querida.

                - Sabe o que dizem de nós? Dizem que somos enviados do demônio.

                - E você acredita nas crenças idiotas deles?

                - Não, mas...

                - Então não precisa se preocupar. Nós somos herdeiros dos antigos.

                Ela, à contragosto, concorda com a cabeça. Os dois se sentam nas palhas (estamos num estábulo?) e começam a se pegar valendo. Droga. Até nas minhas alucinações, alguém tem que se pegar na minha frente.

                Evito olhar para a cena, e prefiro voltar a encarar a clareira - que já não é mais clareira. Avisto um cavalo se aproximar. É bonito, tem uma pelagem brilhante, marrom... Alguns outros se aproximam também, e me pergunto por que é que...

                Até que compreendo, tarde demais.

                Vários homens entram no estábulo - um deles carregando uma tocha. Tento avisá-los, mas eles não me vêem! Porque não podiam me ver mais?

                O caos é implantado. Os dois, que estavam nus, são surpreendidos. Um dos invasores agarra a garota pelo braço, e a leva para os fundos do estábulo. Não demoro para ouvir os gritos de pavor dela. O rapaz procura algo em suas vestes jogadas - possivelmente a varinha, mas recebe uma cacetada na cabeça. Alguém ateia fogo nas palhas, mais gritos, então um forte clarão verde. Três pessoas se aproximam, à pé, da confusão.  Uma garota, de uns 12 anos, entre eles, empunhando uma varinha junto com os demais.

                Àquela altura, eu já vira o que tinha de ver. Apertava a cabeça e fechava os olhos, querendo desesperadamente voltar à realidade. Queria gritar, mas eu não tinha voz - eu só ouvia os pedidos de socorro da Raven, os feitiços sendo berrados...  sinto uma pressão em minha mão, ouço meu nome ao longe. Alguém gritou, alto.

                E esse alguém era eu.

                Em minha cama, no dormitório.

                Olhei eu redor, para me certificar de que eu estava realmente lá. A cama parecia sólida o suficiente para que fosse real. Procurei manter a calma, respirar fundo. Aos poucos, fui aceitando que aquilo fora um sonho. Nada de Raven ou Galdwin, ou gritos, ou...

                Meus olhas focalizam-se, finalmente, em um par de olhos frente à mim, que não estavam ali antes.  Olhos familiares...

                E, subitamente, percebo de onde tinha vindo o aperto em minha mão e o grito pelo meu nome.

                Pois era Ted Lupin que estava ali parado, em frente à minha cama.

                - Que diabos faz aqui??

                - Desculpe, desculpe Ash! - pela pouca luz que vem da janela, percebo que ele está coberto de neve da cabeça aos pés, com uma capa de viagem encharcada. - cheguei não faz muito tempo. Juro que ia esperar pra falar com você de manhã, mas te ouvi gritar. Tive de correr até aqui.

                Percebo que ainda estou tremendo quando olho para minhas mãos. Ted voltara ou era mais uma alucinação causada pela minha alucinação em achar que eu tinha usado drogas?

                - Por quê voltou? - pergunto, ao mesmo tempo que formulo esse pensamento.

                - Porque... você estava certa.

                Pisco, procurando compreender. Ele se aproxima cada vez mais de mim. Quando ele abre a boca, vejo fumaça sair, e uma parte da minha mente toma nota do porquê estou tremendo daquele jeito. Sem olhar para trás, ele fecha a janela com um aceno de varinha... a janela pela qual ele possivelmente entrou.

                - O que quer dizer?

                - Quero dizer que eu quero seguir meu coração. Tomas as rédeas do meu destino. Admitir que é você. É por você que descontrolo meus poderes, é a cor dos seus olhos que meu corpo insiste em reproduzir, é a sua voz que eu desejo escutar, é a sua pele que eu desejo tocar...

                Enquanto ele fala isso, roça um dedo na linha do meu pescoço. Me arrepio, embora não soubesse se fosse pelo dedo frio ou pelo prazer que aquela sensação causava.

                - Me perdoe por não ter percebido isso antes.

                Eu nada falo. Continuo encarando seu rosto. Ele tira a capa molhada e a joga no chão. Tira também o sobretudo que usava por baixo da capa, ficando apenas de calça e camiseta.

                - Como chegou até aqui?

                - Depois eu explico - falou, a voz rouca me distraindo. Procuro mais alguma coisa, qualquer coisa para evitar que meus pensamentos flutuem de vez. Ele coloca as mãos nas minhas...

                - E Vic? Ted, vocês...?   

                - Terminamos - disse ele, simplesmente. Não havia remorso, raiva ou tristeza em sua voz. Na verdade, eu só escutava desejo. Ele roça o nariz em meu pescoço, o que me faz relembrar daquele sonho estranho. Porém, essa lembrança é completamente varrida quando, finalmente, sua boca se encontra com a minha. E, cara, pra alguém que acabou de chegar de uma longa viagem fria, ele estava quente...

                Não sei muito bem como aconteceu, só sei que não demorou até nossas roupas estarem jogadas numa pilha ao lado da minha cama.

                Ele suspira meu nome, e então...

                É... e lá vamos nós.

 

                POV Ted.

                Ela tinha uma pele lisa, firme.

                Um cheiro almiscarado, misturado com todo o tipo de coisas boas.

                E quando pude a ver nua pela primeira vez, constatei que nem nos meus mais ousados sonhos, conseguia imaginar sua beleza.

                Desde que comecei a ver minha melhor amiga com outros olhos, tentei imaginá-la como estava agora. Suas roupas disformes e quase sempre largas escondiam qualquer vestígio de suas curvas. E, cara, como eram fantásticas!

                Quando ela me envolveu em seus braços, pude sentir o calor que ela emanava. Aquele calor que senti quando segurei sua mão há algum tempo. Mas, desta vez, era mil vezes melhor. Nossos corpos logo estavam molhados de suor, o que deixava tudo muito mais sensual.

                E quando, finalmente, estava dentro dela, pude sentir o que era o paraíso. Ela se movia junto comigo, numa harmonia perfeita. Seus olhos, tão grandes e bonitos, não deixavam os meus nem por um instante. Eu caía sem parar naquele abismo dourado, e queria mais. Por várias vezes ela arfou meu nome, e não pude contar quantas vezes arfei o dela. Só sei que quando suas pernas envolveram meus quadris, eu me senti cair de vez no abismo daquele olhar. Acelero, e para minha surpresa, ela faz o mesmo. Sentada frente à mim, começa a comandar os movimentos. No meio do prazer, com uma mescla de sensações indescritíveis, encaro o seu rosto; a única coisa nítida dentre aquele borrão. Sua face, sempre entediada, dera lugar à uma expressão voraz, selvagem, que a deixava belíssima. Seus cabelos, assanhados - com algumas mechas coladas no suor da testa - e seus olhos famintos me fizeram lembrar de uma leoa. Era isso que ela era. Seus dedos também emaranhavam-se em meus cabelos, que agora estavam mudando de cor tão rápido que mal podia-se discernir. Meu coração batia tão forte e rápido que me perguntei por um instante se ela podia ouvir.

                Minhas mãos na pele morna de suas costas sentiram ela começar a desmanchar, a murmurar coisas indistintas, e eu soube que ela estava chegando lá. Ashley beija minha boca, meu pescoço, qualquer lugar que seus lábios úmidos e ávidos conseguem alcançar. Nossos olhos novamente se encontram, ao que ela diz, mais uma vez, num suspiro:

                - Ted...

                E é aí que me perco, que me deixo despencar enquanto sinto ela também se desmanchar em mim, entre gemidos e suspiros de ambos.

                Tudo vira um borrão indistinto de cores e sons; tudo gira, tudo brilha... inclusive aquelas íris da cor do mel.

                Ela se move, saindo de mim, e deita minha cabeça entre seus seios macios. Ouço o coração dela bater num ritmo parecido com o meu. Nenhum de nós fala mais nada. Não foi preciso.

                Me perder naquela garota fora a melhor coisa que já me aconteceu. Nunca me orgulhei tanto de uma decisão. Sim, era Ashley. Era nela que eu queria continuar me perdendo. Era naquela pele, naqueles seios, naqueles lábios, naqueles olhos grandes...

                Aquela era minha realidade, que agora voltara a dormir, serena. Acaricio seu rosto, esperando que tenha bons sonhos dessa vez. Me perguntei casualmente o que a teria feito gritar daquele jeito, a andar sozinha pelo castelo, e minha mente insistia em afirmar que era apenas sonambulismo.

                Porém, uma outra parte, a mesma que me fizera deixar tudo na Toca e partir para Hogwarts para encontrá-la me dizia que havia algo muito estranho por trás daquilo. Coloco-a sobre meu peito, e beijo seus cabelos emaranhados, quase como se pudesse protegê-la de qualquer coisa que a ameaçasse.

                Fechei os olhos também, e lembrei vagamente das palavras de meu padrinho, ditas há dois dias: "Nem sempre nosso primeiro amor será o único."

                Meu padrinho, ele sabe das coisas. 



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