História As Crônicas de Talkan (Interativa) - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Palavras 9.821
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lírica, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá meus queridos leitores!
Bom, antes de mais nada, obrigada pelas contribuições no capítulo anterior...

Aqui vai mais um capítulo das Crônicas de Talkan e espero que gostem xD
Sim, está grandinho, exagerei dessa vez rsrs...
Acontece que estava escrevendo e quando me dei conta já estava lá nas 15 mil palavras, então tive que cortar algumas partes e adaptar algumas coisas, mas mesmo assim não consegui reduzir mais.
Por isso se algo tiver incoerente, me falem.
Como quando eu escrevi estava sem internet, alguns personagens não apareceram tanto, porque eu precisava de algumas informações e não tinha como acessar os jornais de vocês, mas tentarei compensar no próximo.

Ahhh... Também queria esclarecer uma coisa... Bem, o tempo está meio desrespeitado, não é? Rsrs
É o seguinte, se fosse para fazer tudo nas devidas proporções temporais, a história iria demorar um século, pois o País é grandinho e eles se locomovem com automóvel movido a animais, o que deixa tudo mais lento, então o tempo passa um pouco mais rápido rsrs...
Gostaria de lembra-los também que seu comentário é importantíssimo pro seu personagem, então caso desapareça do nada, terei de usá-los para um certo drama, se é que me entendem. Então notarem que vão ficar um tempo fora ou algo assim, não esqueçam de me avisar, continuarei dando andamento aos personagens, só por favor não mande ficha e suma de Talkan.
Qualquer crítica ou algo assim, não deixem de falar, aproveitem a história eeee... Outro avizinho... Hahaha ainda não parei para montar os Cliffhangers desse capítulo... Mas caso queiram opinar em algo, sintam-se livres, suas ideias também fazem parte da história!

Aquiii está o capítulo e já estou indo lá atualizar o tumblr
XoXo

Capítulo 5 - Construindo Alianças


A Armada Branca

Os membros da Armada Branca estavam reunidos, exceto pelo Grão-Mestre Erick Verlack. A discussão eram sonhos de Eleanor e o destino de Talkan, um dos juramentos do Clã era de não intervir nos assuntos do reino, no entanto, caso não o fizessem, o país inteiro poderia sofrer consequências irremediáveis.

- Então... Eleanor, você pode explicar direitinho pra gente o futuro? – Foi Soren quem perguntou, um belo rapaz de cabelos acastanhados, conhecido como Bruxo do Mar.

- O futuro não é uma linha reta, Soren. – Eleanor explanou pacientemente – Eu vejo tudo o que pode acontecer, mas a concretização de um futuro só ocorre quando as ações que o provocam estão muito próximas... Caso contrário, tudo pode mudar. Por exemplo, hoje eu previ que daqui dois meses eu jogaria uma folha no chão – A mulher apanhou uma folha e a segurou graciosamente – No entanto, um dia antes desse futuro ocorrer nós nos encontramos e você me diz para não jogar a folha no chão e sim te dar essa folha. – Ela olhou para Soren – Entendeu onde quero chegar? Tenho uma opção a mais agora, posso jogar essa folha no chão ou posso lhe entregar, isso depende do que eu quero fazer. Assim é o futuro, ele é inconstante, eu só sei o que realmente vai acontecer quando está bem próximo.

- Então o sonho que teve, pode vir a não acontecer? – Dessa vez foi Thorin quem perguntou.

- Thorin... Eu queria lhe dizer que não... Mas assim como cada um de vocês possui sua “especialidade” eu possuo a minha... Ser Oráculo não é como ser um desses Videntes... Aos Videntes são permitidas visões de profecias, algumas bem enigmáticas, a mim é permitido ver todos os futuros possíveis, porém dessa vez foi diferente... Meu sonho não foi como os outros... Não foi uma “visão”, ele foi enigmático, precisou de certo tempo para eu conseguir interpretar devidamente e no fim tudo quer dizer uma só coisa.

- E o que seria? – Soren perguntou.

- Talkan está caminhando para a destruição. Nós devemos protege-lo. – Eleanor disse um tanto pesarosa, lembrando-se das visões que tivera.

- Mas... Erick disse que ele cuidaria disso. – Gregor, conhecido como Feiticeiro dos Dragões disse. – Ele falou para não nos envolvermos, que ele daria conta.

- Erick sozinho não irá conseguir. – Magnus se pronunciou.

- Mas ele é o Grão-Mestre. – Gregor justificou – Nós devemos o obedecer.

- Acima de tudo devemos proteger o país. – Viola, uma mulher já aparentando acima dos cinquenta anos, contra-argumentou com certo tom de afronta.

- Sabemos que você é o mais próximo de Erick, Gregor. Por isso que não o excluímos dessa reunião, nós precisamos que nos ajude a convencê-lo de que precisa de nossa ajuda. – Eleanor o encarou.

- Traindo sua confiança e desobedecendo suas ordens, não é a melhor forma de conseguir algum tipo de reconhecimento do Erick. – O rapaz disse um tanto revoltado.

- Erick está sozinho na Cidade da Coroa, ele consegue se virar bem lá, mas nunca vai conseguir ajudar nas devidas proporções apenas sussurrando nos ouvidos do rei. – Magnus disse.

- Ele precisará expandir seu horizonte e não poderá fazer isso fixo em um lugar. – Enfim, Eragon que se mantinha calado até então se pronunciou. – Acredito que isso é um dever de todos nós. Proponho deixar que nosso Grão-Mestre concretize sua intenção de se fixar na Cidade da Coroa sem nossa intervenção ou mesmo encontro. Deixemos ele sozinho, como quer. Assim que as festividades se encerrarem cada um de nós irá para uma região política do território.

- São apenas quatro regiões. – Ivar, o Mestre dos Truques disse. – Iremos em duplas? Se posso adiantar... Prefiro o Sul ou o Centro, não gosto de frio e os vinhos dessas regiões são melhores. – O rapaz sorriu e logo percebeu que ninguém mais o fizera.

- Sim, iremos em duplas, no entanto não permaneceremos juntos. – Eragon olhou para os companheiros. – Na verdade, estou propondo uma ideia, fiquem livres para refutá-la. – Esperou alguns segundos para alguém se pronunciar e então continuou sua explanação – Eleanor se concentrará para nos indicar as “pessoas-chave” para tentarmos impedir que esse trágico destino ocorra, então iremos agir da melhor forma para que essas pessoas atuem para um futuro benéfico.

- Sem mata-las, sem usar magia ou as aprisionando. – Magnus concluiu – Agiremos trazendo-lhes compreensão, conselhos e qualquer coisa que possa a proteger.

- Ou deixa-la morrer, se necessário. – Eleanor disse séria.

***

O Sul

Os nobres já haviam chegado, em sua maior parte, o casal Real ainda recebiam alguns no Grande Salão, mas a maioria já estava instalada em suas respectivas torres e, enquanto o Rei e a Rainha faziam seus deveres, os nobres aproveitavam para se reencontrar sem as formalidades impostas durante as festividades.

A família Hawthorne já se fixara na Torre Sul, no entanto fazia uma estratégica ronda pelas outras Torres. Jon seguiu rumo a Torre Norte, Melina permaneceu na Torre Sul, Lancelot seguiu a Torre Oeste (já que o Castelo Central era o castelo do Rei) e Anna teve como destino a Torre Leste. Os irmãos Hawthorne haviam traçado o plano de conquistar o maior número de aliados possível caso Gustav negasse Jon como protetor do Sul, mesquinharia? Talvez. Mas não quando se tratava de algo feito apenas para prejudicar a família e, de fato, o plano de Lucélia Overheidt incluía a extinção da Casa Hawthorne.

Melina Haggalin e seu pai, Rufus Hawthorne, caminhavam pelo jardim da Torre Sul, o velho não desconfiava de nada que seus filhos planejavam, os via como verdadeiros “anjos” e os mesmos se aproveitavam.

- Minha querida... Como é bom ter você por perto. – Rufus sorria para a caçula. – Arthur deveria nos visitar mais vezes, ou você deveria ir mais, junto com o pequeno Robert.

- Concordo, meu pai. – Melina sorriu vendo o filho correndo mais a frente e sorrindo para os dois. – Planejo fazer mais disso... Principalmente... – Melina olhou para o pai. – Acredito que Gustav não aceitará Jon como Lorde Protetor do Sul.

- E por que acha isso? – Rufus sorriu sem graça.

- Arthur é irmão da Lucélia, pai. – Melina decidiu contar-lhe alguns de seus pensamentos, mas sem revelar a trama que tecia com seus irmãos. – Ele pode não ser lá dos melhores administradores, mas ele é irmão dela. A Casa Haggalin está quase extinta, apenas os dois possuem esse nome... Quer dizer, eu e Robert o partilhamos agora... Mas o fato é que, Lucélia o colocará por status e também porque ela controla o irmão... Então é mais poder na mão dela, ela está quieta por muito tempo, eu acho que em breve, fará algo que pegará todos de surpresa, inclusive Gustav.

- Lucélia não é tão detestável assim. Vocês eram amigas quando crianças, esqueceu? – Rufus era cego para as ações de Lucélia, muitos no reino eram, afinal, a falsidade lhe corria solta.

- Jamais esquecerei, pai. Por isso eu a conheço tão bem. Lucélia sabia que eu era apaixonada por Gustav, mesmo antes do pai dele se tornar rei. Ela sabia que eu não tinha o mesmo problema da Anna e sabia que Gustav jamais se casaria comigo sabendo que eu não poderia lhe gerar um herdeiro. Mais do que tudo, ela sabia que usando o nome da Anna, eu jamais perdoaria Gustav. Sabia que apesar de nós duas sermos “amigas”, eu não gostava de Arthur e convenceu o senhor a nos casar, apenas para me ver infeliz. Lucélia sempre foi falsa e ardilosa, antes eu era cega, agora vejo com mais clareza. Ela não pode mais me prejudicar, sabe que a única forma de me atingir também fará o irmão sofrer e por incrível que pareça, até mesmo as piores cobras possuem coração, então ela jamais faria algo com Robert, para não machucar Arthur... Mas ela fará com nossa família, pois sabe que só assim vai conseguir me ferir de alguma forma.

- Melina... Às vezes você se preocupa desnecessariamente.

- Bem que eu queria, pai. Bem que eu queria.

*

Dentro do Castelo do Rei, uma figura já conhecida perambulava pelos corredores como se fosse dona do Castelo. Trajava um belo vestido laranja com detalhes pretos, deixara seus cabelos levemente cacheados e soltos por todo o ombro, seu decote não era depravado, mas exaltava muito bem os belos seios e seu espartilho delineava sua cintura provocativamente.

Dandara Tolkien adentrou o quarto que antes fora seu, agora a Rainha abrigava um desconhecido, um bastardo da Região Central o qual a jovem sulina estava decidida a conhecer. Deitou-se em um divã e apanhou um cacho de uvas verdes que estava em uma fruteira próxima, observou bem o local, sem muitos adornos, sem nada que pudesse revelar o novo dono. A porta se abriu e a moça nem ao menos se surpreendeu.

- Olá. – Dandara disse sem entusiasmo.

- Olá. – Niel Ashes respondeu confuso. – Acho que errou de quarto, Minha Senhora.

- Lady. – Dandara o corrigiu. – Não sou casada, ainda. Então ainda sou uma Lady. Lady Dandara Tolkien. – Ainda deitada no divã, estendeu a mão para que o rapaz a beijasse, Dandara o encarou maliciosamente até que o mesmo fizesse o que lhe foi indicado.

- Me desculpe. – Niel aproximou-se e a cumprimentou com as devidas cortesias. – Niel Ashes. – Respondeu beijando-lhe a mão.

- Um bastardo. – Dandara o olhou fingindo desdém. – Me pergunto porque a Rainha Lucélia fez questão de colocar um bastardo dentro do castelo, dizem as más línguas que ela tem aversão por bastardos.

- Minha mãe era costureira da Rainha, após sua morte, Nossa Majestade com toda sua bondade achou que eu me encaixaria em um cargo no Conselho Real. – Niel respondeu com sinceridade.

- HAHAHHAHAAHAHA – Dandara riu alto – Bondade e Lucélia na mesma frase sem uma negativa entre elas hahahahaha nunca pensei que iria escutar isso.

- Você pode não achar, mas a Rainha é uma mulher extremamente bondosa. – Niel defendeu a mulher que o ajudara em boa parte de sua vida.

- Meu querido, se Lucélia te colocou onde você está, é porque ela tem seus próprios planos e você não passa de uma simples peça no tabuleiro dela... – Dandara se aproximou do rapaz e lhe sussurrou aos ouvidos.

Niel a encarou enquanto Dandara deixava seus aposentos, o dia da Tolkien mal começara e descobrir que o bastardo estava ali devido a uma “amizade” da costureira e da rainha lhe foi de extrema utilidade.

Dandara adentrou um pequeno cômodo no castelo do Rei e lá encontrou-se com uma serva, mantinha a mulher sob sua proteção e seus agrados afim de receber informações em troca.

- Zélia, o que sabe sobre esse bastardo? – Perguntou aos cochichos.

- Nada, Milady. Ele é calado, não fala muito a não ser com outros lordes e ladys. A única coisa que sei é que ele possui nome do Centro, mas cresceu aqui na Cidade da Coroa.

- Ele e Lucélia tem um caso?

- Não! Pelos Deuses, Milady! Permaneço o mais próximo possível da rainha e ela nunca se encontrou com esse rapaz, não dessa forma.

- Continue assim e me informe qualquer novidade, Ok?! – Dandara colocou uma moeda de ouro na mão da mulher e a dispensou. Pelo visto sua vingança por Lucélia a expulsar de seu quarto seria feita de outra forma.

*

O Rei e a Rainha já terminavam de recepcionar os últimos Lordes, Lucélia já não aguentava mais, Gustav mal prestava a atenção em quem entrava ou saía. Apenas queria deixar o local e procurar por Dandara, ainda não se encontrara com sua amante depois de Lucélia a expulsar dos aposentos que sempre fora da jovem. Gostava de Dandara, mas não o suficiente para bater de frente com Lucélia, sabia que a esposa era ardilosa o bastante para apontar o romance extraconjugal como alta traição. Apesar de ser Rei, manter a filha de um Lorde como amante, uma que já até possuía um filho bastardo, poderia prejudicar sua imagem, sem contar que a casa Haggalin ainda mantinha fortes laços com casas poderosas, o apoio dessas pessoas valiam muito para seu reinado.

- Gustav. – Lucélia o olhou cansada – Sei que é muito te pedir isso, mas você poderia não levar sua concubina para nossa mesa essa noite? – O olhar frio de Lucélia tentava esconder certa dor, algo que Gustav conseguiu perceber, mas o abismo entre os dois tornara impossível a ver com o mesmo carinho de quando se casaram.

- Você colocou Niel no quarto dela... Acho que ela não se sentará conosco, mesmo se pedisse. – Gustav tentou disfarçar.

- Não estou me referindo àquela. – Lucélia respondeu cortante.

- Ah... – Gustav deixou escapar um leve suspiro. – Lucélia... Eu ando pensando... – Seria prudente falar em “Anulação” ?! Lucélia ficaria tão ofendida quanto ele defender suas amantes?

- Em não leva-la? – Lucélia completou quase lendo a mente do marido e impedindo que o mesmo terminasse sua frase.

- Acho melhor não leva-la. – Gustav respondeu. – Mas... Creio que se chamarmos cada herdeiro dos Lordes Protetores iríamos aproximar mais nossos futuros companheiros... – Gustav disse animado, divertir-se com os Kolthammer o fazia esquecer de seus problemas rapidamente e ainda teria alguma bela moça dos Burnworth para apreciar enquanto faz sua refeição.

- Sobre isso... Seu novo Conselheiro, Neil Ashes, tem alguns assuntos a tratar. – Lucélia sorriu.

- Erick Verlack é meu Conselheiro Pessoal. Gostei do jeito do rapaz, cheio de vida... – Gustav sorriu, enfim sentia uma conversa “agradável” com a esposa.

- Erick pode lhe dizer quem é a melhor concubina ou como a esconder devidamente. Quando se trata de assuntos do Reino, Niel deve estar presente, esse foi o acordo. – Lucélia pôs fim a conversa.

*

- Ouvi dizer que seu falecido marido era tão belo quanto Frey. – Melissa Burnworth estava dentre as jovens que veneravam Lady Freya e suas histórias e belíssimos trajes.

- Ele não era tão bonito assim, com certeza o deus era bem mais belo. – Lady Freya confessou. – Nem tão bom. Mas foi essencial para mim. – Sorriu lembrando-se do falecido marido, um tanto machista, mas que foi peça chave para a mulher tornar-se quem é atualmente.

- Então porque se casou com ele? – Melissa tornou a perguntar.

- Porque foi arranjado. – Lady Freya respondeu um tanto assustada, por ser a coisa mais óbvia, o que lhe fez notar a imaturidade da moça a sua frente. – Meninas, eu e Lady Burnworth temos que conversar a sós. Podem nos dar licença? – A mulher sugeriu às demais que lhe fizeram reverência como se a mesma fosse a Rainha de Talkan e logo partiram.

- Eu? O que tem para tratar comigo? – Melissa arregalou os olhos e enrubesceu.

- Quantos anos tem, Lady Melissa?

- Vinte e quatro. – Melissa respondeu.

- E até hoje nunca se casou. Nem mesmo recebeu algum pretendente ou algo assim... Por quê?

- Minha mãe recusa todos os pretendentes. Todos estão interessados em ser o Lorde de Beauheart, somos apenas filhas, o nome Burnworth praticamente irá se extinguir. Acho que... Acho que minha mãe quer nos manter Burnworth pra sempre...

- Humm... Se fosse homem também iria querer ser Lorde de Beauheart está situado na região mais bonita de Talkan, fora os mitos ligados a família de sua mãe... Tudo deixa mais místico, mais interessante... No entanto você deve ter sua vontade própria... Como já deve saber, eu não sou natural de Talkan e na minha terra tinha uma expressão que usávamos para isso, chamava-se “liberum arbitrium”, traduzindo para essa língua, “Livre Arbítrio”.

- Livre Arbítrio... – Melissa sussurrou.

- Se resume a sua vontade própria, o que você faz e não o que te obrigam a fazer. Entendo completamente os motivos da Senhora Fantine, convivo com isso a cada a cada manhã que acordo, mas eu já me casei, já experimentei os prazeres da carne, já sei o que é ser mulher e agora é minha opção viver como vivo. Não deixe que lhe tomem isso, não deixe que lhe obriguem a viver de uma forma, quando seu coração quer outra, se permitir isso, jamais será feliz. – Lady Freya olhou para a jovem a sua frente com certa pena, via na garota o que seria se tivesse se sujeitado aos caprichos de terceiros, não queria uma vida assim para a menina.

- Obrigada, Lady Freya. – Melissa sentiu-se inspirada pelas palavras da Lady do Sul. – Farei o que disse! Não vou mais deixar que mandem em mim.

- Faça isso e lhe desejo toda a felicidade desse mundo! – Lady Freya disse sincera segurando a mão da jovem. As duas se despediram e tomaram seu rumo, uma grata por ter recebido excelentes conselhos, a outra satisfeita por ter mudado a vida de alguém.

***

Região Central

A Torre Oeste abrigava os lordes da Região Central, durante o período noturno era a mais barulhenta, muito se devia ao fato das irmãs Burnworth serem um tanto escandalosas, no entanto, no momento, o local permanecia em um certo silêncio, pois durante o dia muitos dos lordes e ladys saíam para passeios e outras diversões.

Lancelot Hawthorne encontrava-se com Charles Baelor, o motivo que levara o caçula da família do sul até ali era se encontrar com o Lorde Protetor do Centro, porém a ausência do mesmo o fez estender suas motivações a família Baelor.

- Então, deixa eu ver se entendi. – Charles Baelor olhava o jovem rapaz com desdém. A princípio o ouviu educadamente, mas a presença de Anastácia tirou completamente a atenção do Hawthorne, o que deixou o irmão mais velho da garota um tanto incomodado. – Você está me dizendo que a casa Hawthorne deseja ampliar seus laços de amizade?

- Exato. – Lancelot sorriu, mais como charme para Anastácia que como simpatia com Charles.

- E por que não é seu pai quem veio fazer essa proposta? – Anastácia perguntou ignorando qualquer forma de encanto que lhe fora lançado. – Por acaso é você quem assumirá o título de Lorde Rufus?

- Oh, não, Minha Lady. – Lancelot ainda mantinha-se firme em seu charme natural – Estou aqui apenas por questões de proximidade. A família Hawthorne governa em conjunto, não somos guiados pelo poder. Meu pai não veio pois a idade limita sua disposição. Somos conhecidos pela grande influência sulina, mas também pelos estreitos laços amistosos com nossos aliados, estender isso para Talkan inteiro é um desejo antigo.

- Pensaremos em sua proposta. – Charles respondeu. – Não vejo o porquê de não sermos aliados, mas também não vejo o porquê de sermos. Venha com bons argumentos ou mande alguém que saiba o que está fazendo vir conversar comigo. – O Lorde de Starlink respondeu firme em sua posição.

- Desculpe eu não... – Lancelot sentiu-se desconfortável.

- Não há com que se desculpar. – Charles sinalizou a porta para que o visitante se retirasse.

- Com sua licença. – Lancelot ajeitou-se e deixou o local.

- Você foi um pouco grosseiro. – Anastácia estendeu uma taça de vinho ao irmão e tomou uma para si.

- Ele a olhava com desejo. – Charles tomou um trago do vinho e encarou a irmã – Você gostou?

- Com certeza ele é um homem de aparência e com um nome forte, um excelente casamento para uma dama que se contenta em ser irmã de um lorde sem castelo. – Anastácia tomou um gole do vinho e observou a expressão do irmão.

- Nunca pensei que se interessasse em títulos e castelos. – Charles virou-se para a janela, observando o rapaz que ao invés de deixar o local, distraiu-se com uma jovem loira que seguia em direção oposta.

- Não era, até você me deixar participar das suas decisões e aconselha-lo. Descobri que não sou apenas uma senhora parideira. Quero me casar com alguém que me dê tudo o que você me proporcionou. – Anastácia respondeu sincera em suas ambições, seu dom para a política não deveria ser ignorado, todos em sua família sabiam disso, inclusive Charles.

- Fico contente que pense assim. Me entristeceria saber que minha irmã se tornaria apenas uma senhora de castelo... – Charles sorriu – Me diga então suas impressões desse encontro e como deveria reagir.

- Acho que deve se manter afastado. Estender as alianças a todo o país me cheira a golpe. Os Hawthorne podem estar planejando construir aliados para destronar o rei. – Anastácia respondeu.

- Mas se Rufus Hawthorne está tão indisposto a ponto de não se dar o trabalho de vir formar novos aliados, porque iria planejar um golpe contra o rei? – Charles perguntou e pegou a irmã de surpresa. Anna não havia pensado nisso.

- Simples, meus amores. – A Senhora Hedda adentrou o cômodo – Porque Rufus já tem seus aliados no Sul. Ele poderia muito bem montar uma estratégia militar e encurralar a Coroa NO SUL. Mas ele manda seus filhos para outros lugares, novos rostos, homens bonitos e fortes que ostentam as glórias do pai. Assim eles levam aliados que conhecem o Patriarca Hawthorne, eles veem que a própria Coroa está encurralada e aqueles rostinhos bonitos e novos são os herdeiros fortes que governarão Talkan. – A Senhora Baelor encarou seus dois filhos e sorriu. – E agora, me respondam com sinceridade, Charles, você construiria uma aliança com essa suposição? E Anastácia, você se casaria com Lancelot Hawthorne, diante dessa hipótese que levantei?

Os dois ficaram sem palavras, se tinha alguém que os conhecia muito bem era sua mãe, ela mesma já sabia as respostas que dariam, mas ambos queriam se mostrar mais espertos, afinal, sentiam o dever de honrar aquele ventre que os pariu.

- Não firmo compromissos diante de suposições. – Charles respondeu.

- E eu só me caso diante de certezas e não de hipóteses. – Anastácia respondeu entregando uma taça de vinho para a mãe.

- Então brindamos... Brindamos por eu não ter criado filhos tapados. – Hedda sorriu e acalmou-se percebendo que seus filhos não fariam algo tão imprudente.

*

Lancelot deixou a Torre Oeste e estava seguindo em direção a área da cidade quando uma jovem loira cruzou seu caminho. Ela seguia em direção a torre que acabara de deixar e não parecia muito contente, mas seu fraco por mulheres, inclusive aquelas com cabelos dourados, lhe fez dar meia volta e esbanjar seu charme na desconhecida.

- Olá, “My Lady”. – Sorriu galanteador.

- Oi. – Ela respondeu ajeitando o vestido, parecendo desconfortável.

- Seria demais perguntar seu nome? – Insistiu diante do “Oi” seco que recebeu.

- Khaterine, huh. – A moça suspirou cansada.

- É um belo nome, faz jus a tamanha beleza. – Lancelot pegou a mão da jovem e a beijou, notou uma certa cara de nojo, mas fingiu não perceber. – Meu nome é Lancelot Hawthorne, a seu dispor.

- Hawthorne?! Então você é filho do Protetor do Sul? – Khaterine perguntou um tanto decepcionada.

- Exatamente. Que belo dia para um passeio, não?! Me daria essa honra? – Perguntou estendendo o braço.

- Claro. – A moça lhe ofereceu a mão ainda com certa decepção em sua voz.

- Notei certo descontentamento em sua expressão. Por acaso estou sendo muito inconveniente? – Lancelot perguntou mais por curiosidade que por incômodo, era a primeira vez que uma jovem não caía facilmente em seus encantos e se demonstrava decepcionada em estar ao seu lado.

- Ah... Sem querer ofender... Mas me disseram que o filho de Rufus Hawthorne era um homem muito mais forte, alto e com músculos que salientam em suas vestes. Sem contar que me foi dito que ele tem mais barba... Você me parece sem muita... O que me faz pensar que ou não é ele ou então as pessoas tendem a aumentar... – Khaterine disse sem muitas delongas ou preocupação com os sentimentos do rapaz.

- Aaaaah... Hahaha... Esse é o Jon... Meu irmão mais velho. – Lancelot disse sem graça. – Você não deve ser do sul, não é?

- Khaterine Burnworth. – A jovem sorriu sem graça. – Me desculpe... Não conheço muito fora de casa.

- Então somos dois filhos de Lordes Protetores. – Lancelot sorriu malicioso. – Isso daria uma bela canção, não acha?

- Te apresento uma das minhas irmãs. Com certeza suas “canções” vão encantá-la. Quanto a mim, não me impressiono facilmente. – Khaterine respondeu evasiva.

- Ficou tão decepcionada com minha aparência assim? – O rapaz provocou.

- Não. Se um homem conseguir me impressionar, as canções a nosso respeito poderiam ser parecidas com as de Njörn e Skaddi.

- A deusa bonita e o deus feio? – Lancelot sorriu curioso.

- Sim. As aparências são meros detalhes perante um homem forte. – Khaterine sorriu e se afastou do rapaz deixando-o um tanto impressionado em não ser desejado como antes.

*

Do outro lado da Torre Oeste, uma bela mulher visitava o local, os cabelos louros e olhos claros facilmente a confundiam com uma Burnworth, no entanto suas origens eram desconhecidas. Callisto Hartog procurava por sua Senhora a quem mantinha-se fiel, Lady Fantine. Fora ela quem permitira que fosse criada por um casal da Região Central, fora ela quem a colocou no treinamento para se tornar uma Valquíria, o exército secreto da Senhora de Beauheart, e também fora ela quem a mandara para a Cidade da Coroa afim de se tornar concubina do Rei.

Tudo havia saído como o esperado, exceto que o Rei não era o monstro que sua Senhora acreditava ser, mas sim a Rainha carregava esse manto. Callisto procurava pela mãe Burnworth, mas apenas encontrara uma das filhas, a quem nunca lhe foi permitido manter contato.

Sophie Burnworth acompanhava um casal e uma garota, pareciam conversar sobre assuntos banais. Sentiu uma ponta de inveja da garota, ser filha de alguém que a protege com unhas e dentes. Decidida a conhece-la, aproximou-se.

- Bom dia. My Lorde. My Lady. – Cumprimentou a todos presente.

- Bom dia. – O homem respondeu.

- Bom dia. – As mulheres responderam.

- Meu nome é Callisto Hartog, moro aqui no castelo, vocês parecem estar bem interessados na construção. Se desejarem posso instruí-los sobre o...

- Acho que não haverá necessidade. – A mulher respondeu e o olhar confuso de Callisto lhe fez notar que não havia se apresentado. – Perdão, sou Lady Alexia Parthenai, esse é meu marido, Lorde Viktor Parthenai e sua irmã adotiva, Eveline Parthenai. Nós já viemos algumas vezes ao castelo, não precisa se preocupar.

- Ah... – Callisto a olhou com certo rubor, sabia o motivo que a mulher a cortara, ser a Concubina do Rei e ter isso divulgado aos ventos tinha seu preço. – Me desculpe, como nunca havia os notado por aqui, achei que eram novatos.

- Na verdade, eu sou novata. É a primeira vez que venho ao Nobre Festival. – Sophie se aproximou. – Meu nome é Sophie Burnworth, muito prazer. E dispenso o “Lady”. – Sorriu.

- O prazer é meu. – Callisto sorriu em retribuição. – Por que não mostro as diversões do castelo para as garotas, assim o casal tem um momento a sós?!

- Seria ótimo. – Eveline respondeu de ímpeto.

- Na verdade, estamos bem. – Alexia tomou frente, mas foi interposta pelo marido.

- Alexia, deixe as meninas se conhecerem. Aposto que elas tem muito em comum. – Viktor, apesar de não estar em seu primeiro Nobre Festival era um tanto desligado e não sabia que deixava sua irmã, por quem tinha uma certa obsessão, sair com a concubina, pessoa que todos viam com maus olhos.

- Eu acho que seria melhor. – Sophie respondeu. – Afinal vocês devem estar querendo mesmo um momento a sós hahahaha – Olhou para Eveline e Callisto – Vamos?

*

O Leste

O jardim da Torre Leste recebia um inusitado encontro de damas, Lady Fantine Burnworth juntamente de sua filha Amélia Burnworth visitavam Lady Mariah Towsend, sem que a jovem Lady soubesse, havia um acordo entre sua mãe e a casa Towsend para casá-la com Ron, o herdeiro do Castelo Fortemberry. Os planos haviam sido feitos com Cesar, porém Mariah fez questão de conhecer a pretendente de seu filho, a mesma que o recusara dias antes. A recusa havia sido feita por Augustus, que não aceitava o casamento arranjado entre sua filha e os “Black Nobles”. Porém Lady Fantine passou por cima de suas ordens e mais uma vez insistiu na união.

- Towsend. – Amélia repetiu. – A Senhora quer que eu me case com um Towsend? – A garota estava incrédula.

- Sim. – A Senhora Burnworth disse em um tom natural enquanto Mariah Towsend já era avistada se aproximando. – E se por algum acaso você fizer algo que me desagrade durante esse encontro apenas para não se casar com ele, vou me garantir que você jamais se case com alguém.

- Nunca pensei que você me odiasse tanto assim. – A jovem disse quase chorando.

- Nunca pensei que você fosse tão preconceituosa. – Lady Fantine rebateu e recebeu Mariah com um sorriso. – Lady Towsend, é um prazer conhece-la.

- O prazer é meu, Lady Burnworth. – Mariah olhou para a filha da Senhora de Beauheart e ficou confusa por Augustus não estar presente. – Essa deve ser Lady Amélia. – Sorriu para a garota.

- Muito prazer, Mariah. – Amélia respondeu educadamente, mas se negou a chama-la de Lady ou Senhora.

- Lady Mariah. – A Senhora Fantine corrigiu com um sorriso – É assim o tratamento que se dá a uma mulher nobre, Lady ou Senhora. – Virou-se para a Senhora de Towsend – Me desculpe, é minha culpa. Deixei minhas meninas presas por muito tempo.

- Não se preocupe. – Mariah sorriu falsamente.

- Amélia, porque você não vai passear por aí? Fique por perto para que me ouça chamar quando sua presença for necessária. – Fantine disse com certa decepção com a filha que lhe deu as costas sem uma única palavra.

- Acho que ela não está contente com o que seu marido quer arranjar pra ela. – Mariah observou a menina partir e virou-se para Fantine. – E você? Porque Augustus não está aqui, mas você sim? Porque voltou atrás?

- Uma mulher direta. Acho que temos isso em comum. – Fantine sorriu e acenou para que Mariah a acompanhasse em uma caminhada. – Amélia não ficou contente, mas conheço minha filha, um pouco de contato e logo ela abandonará seus pré-conceitos.

- Você acha que isso será possível? – Mariah não acreditou.

- Possível, sim. Fácil, não. Mas minha intuição me diz que é o único jeito dela ser feliz. – Fantine olhou para o céu claro e então voltou a olhar para a frente. – Meu marido não aceita o casamento, pelo mesmo motivo da minha filha.

- Então porque ele propôs? – Mariah perguntou confusa.

- Por um simples motivo. – Uma voz surgiu detrás das duas damas fazendo-as virar-se.

Os trajes azul claro com detalhes brancos e os longos cabelos negros deixavam aquela mulher da idade das duas outras, mais jovial, mas o colar de dragão feito em diamante com olhos de safira preso em seu pescoço denunciaram-na como uma Hawthorne. Melina geralmente usavas as cores da casa do esposo, então aquela só poderia ser Anna Hawthorne.

- Foi ela quem fez a proposta. – Anna aproximou-se – Bom dia, senhoras. Apesar de sabermos exatamente quem somos, nunca fomos devidamente apresentadas. Anna Hawthorne. – A mulher estendeu a mão e cumprimentou as outras duas.

- Como pode dizer que foi ela quem fez a proposta? – Mariah perguntou após cumprimentar a mulher e Fantine manteve-se calada, apenas observando.

- Sempre ajudei meu pai com seus deveres e, agora, ajudo bem mais por causa de meu irmão. A Senhora Burnworth é uma mulher de extremo zelo, todas as cartas enviadas são escritas por seu Meistre, dá pra perceber pois a assinatura do Lorde Augustus é diferente da caligrafia utilizada na carta. No entanto quando há assuntos mais sérios, como quando foi educadamente recusado o casamento de meu irmão com uma de suas filhas, a caligrafia muda drasticamente, uma caligrafia feminina, muito bem feita por sinal, mas a assinatura de Lorde Augustus mantêm-se igual. O que me faz pensar que na verdade, Augustus apenas assina as cartas, mas quem governa é sua esposa. Estou errada? – Anna encarou Fantine e Mariah passou a fazer o mesmo.

- Você está absolutamente certa. – Fantine confessou – Porque mentiria para vocês? Olhem só para nós. Mulheres. Você é negra e mulher, você é mulher e infértil e eu apenas sou mulher. Mas só isso já basta para não ser nada. Por isso que estou aqui. Augustus nunca gostou de governar, temos nossos acordos e eu mantenho Beauheart como maior potência central desde quando coloquei meus pés naquele castelo. Minha intenção em casar Amélia com Ron é de estreitarmos nossos laços, eu apenas tenho filhas e você tem apenas um filho, dessa forma seria quase impossível para Ron governar dois castelos tão distantes, bem como duas regiões. Manteria assim um casamento desprovido de interesses.

- Então sua intenção em casar sua filha com o meu filho é a de tornarmos mais próximos? – Mariah ficou mais confusa ainda, não esperava que alguém branco fosse capaz de querer algo assim com eles.

- Exatamente. Somos duas Casas próximas de extinção, Mariah. Quase ninguém quer negros como nobres, hora ou outra alguém vai passar a perna em vocês, eu só tenho filhas, hora ou outra alguém irá querer um casamento oportuno e Beauheart irá sair do poder da minha família...

- Possivelmente Lucélia irá negar o título de Protetor do Sul a meu irmão, esse foi o motivo que me trouxe aqui, buscar aliados. Esperava encontrar Cesar, mas acredito ter encontrado uma aliança melhor. – Anna olhou para as duas mulheres. – Minha Casa também corre o risco de desaparecer ou ser condenada a decadência e eu sou capaz de qualquer coisa para impedir que isso aconteça.

As três mulheres pareceram encontrar-se umas nas outras, cada uma com seu motivo, cada uma com seus temores e cada uma com seus planos, descobriram que juntas poderiam manterem-se erguidas, mais ainda, descobriram que juntas teriam maior possibilidade de derrubar quem quer que lhes ameaçassem.

*

Na Torre Leste, Ágda estava agitada no cômodo destinado aos Ravenclaw. Seu tio havia saído junto de Brando e apenas ela e Lysandra encontravam-se no local. A jovem não conseguia se conter, já tinha todos os seus planos feitos, não tinha nada como dar errado, a vitória estava tão próxima que conseguia sentir seu cheiro.

- Lysandra. Preciso contar uma coisa, mas não conte a Sangriör, por favor. – Ágda não se continha de tanta euforia e a, até então quieta, prima a olhou com curiosidade, já que a jovem nunca ficara antes daquela forma.

- O que foi? – Perguntou com falsa despretensão.

- Eu sei como me livrar de Sangriör e, quando conseguir, juro que levo você comigo. – Sorriu.

- Oh! Me diga! – Lysandra fingiu animação apenas para saber os planos da prima.

- Durante a viagem descobri que Sangriör está confabulando com um outro homem para trair os Towsend. Meu plano é dedurar Sangriör e o homem e esperar que nossos suseranos os punam. Vou pedir como punição pela traição de Sangriör que ele seja deposto de seu título e passa-lo a Brando, também vou pedir que eles me deem uma anulação de casamento, já que sei que Brando nunca iria deixar o pai ao alento. Como o casamento nunca foi consumado, isso será fácil... Vou poder ser livre para me casar com quem quiser, para poder fazer o que quiser... E Sangriör vai pagar por tudo o que fez. – Ágda sorriu e mordeu os lábios inferiores esperando uma resposta da prima.

- Ágda! Como você é inteligente. – Lysandra disse em uma felicidade tão falsa que o sorriso de Ágda esvaiu de sua face rapidamente.

- O que...

- É mesmo?! Você vai ser muito feliz... Bom, coitado é do Brando, não é? Imagina como vai ser pra ele... Todo esse tempo casados e nunca foi consumado, quem irá querer se casar com ele sabendo disso? Sem contar que você está planejando contra um homem que matou a própria esposa por ciúmes, o que ele fará com o filho quando souber que o mesmo nunca cumpriu seu dever de marido? Vai achar que ele é desses que se deita com homens... Ah... Sem contar que o quanto ele é maquiavélico e dissimulado, não é? Hahaha vai em frente, eu quero só ver em como tudo isso vai acabar. – Lysandra voltou a sua cara fechada e misteriosa de sempre e ignorou Ágda.

A jovem Ravenclaw deixou a Torre Oeste se martirizando por ter sido tão infantil, deveria ter pensado naquilo. Sangriör é tão detestável que torna-se imprevisível, nunca se sabe do que o desgraçado é capaz.

- Ágda... – Brando se aproximou. – Tudo bem?

- Sim. – Disse seca.

- Você parece triste. Aconteceu algo? – Brando perguntou com certa preocupação.

- Não, Brando... Quase aconteceu, mas está tudo bem. – Sorriu amarelo para o marido e seguiu seu caminho.

*

Longe dali, no Castelo Real, o som de carne batendo contra outra percorria o quarto de Lucélia Overheidt. O colchão realizava os mesmos movimentos de vai e vêm que os corpos suados mantinham sob ele. Os cabelos antes bem penteados da mulher agora grudavam em sua pele e o arrepio que o membro de seu parceiro dentro de si lhe proporcionava fazia com que leves suspiros e gemidos lhe escapassem da boca.

- Mais fundo, Sangriör. – A mulher dizia entre os gemidos.

- Cala a boca, vagabunda. – Sangriör forçava a cabeça de Lucélia contra o travesseiro, já estava quase terminando enquanto a mulher mal começara, mas para ele, o importante era seu prazer.

O homem continuou, rápido, depois devagar e por fim quando já estava prestes a ejacular, forçou sua pelve contra a intimidade da mulher três vezes, forte e lentamente, então retirou seu membro e despejou sua semente no dorso da Rainha. Ao terminar, ambos se limparam e começaram a se vestir.

- Estou cansado de viver com aqueles pretos na Torre Leste, faça um convite formal para que minha família venha para cá. – Sangriör disse em tom de ordem, o que fez com que a Rainha se descontentasse ainda mais com o homem.

- Não. Não tenho prazer em tê-lo no Castelo. – Lucélia respondeu ácida, mau humorada por não ter atingido seu ápice, não como quando acontecia na época em que ela e Gustav eram um casal, de fato.

- Você é muito abusada para ser Rainha. Sabe que posso contar sobre nosso caso?

- Sei que se fizer isso, o acusarei por falso testemunho e alta traição, Gustav me apoiará para manter sua integridade e ordenará sua execução. – Lucélia terminou de se vestir e olhou para o homem com desdém.

- Estou programando um golpe contra os Towsend. – Sangriör disse encarando a mulher.

- Isso eu terei prazer em ver. Faça-o e o nomearei Lorde Protetor do Leste. – Lucélia sorriu e indicou o caminho ao homem.

- Logo estará feito. – Sangriör sorriu maquiavélico e deixou o quarto. Seu plano estava em andamento, logo se tornaria Protetor do Leste.

***

O Norte

A Torre Norte estava mais quieta que o de costume, geralmente os jovens Kolthammer saíam para embriagarem-se e mal voltavam para as instalações. Quem dava vida ao local era a família Heimdallr, porém este ano a presença dos três convidados Lovløs tornavam as coisas mais tensas.

- Então vocês vivem com isso? – Shiera tentava se sentir confortável com um vestido que lhe fora emprestado afim de camufla-la.

- No início é um tanto desconfortável, mas a gente se acostuma. – Astrid respondeu com delicadeza.

- Eu não quero me acostumar. Quando vamos falar com o Rei? – Shiera revoltou-se com seu traje e perguntou mau humorada.

- Em breve. Preste a atenção... Não podemos ser imprudentes e sair falando as coisas assim, sem nos preocuparmos com as consequências. Se não formos sutis, podem debochar do que dizem e acabar os prendendo por desrespeitar os limites de nossas terras. – Astrid tentou explicar tudo a Sem Lei, no entanto parecia ser muito difícil para a mulher aceitar que deveria se portar como essas “damas” para os outros.

- Não sou idiota, menina. Mas não quero ter de ficar com essas roupas ridículas o tempo todo. Só quero falar com esse maldito logo. – Shiera disse com veemência.

- Vamos procurar a melhor ocasião... – Astrid não sabia o que dizer para deixar a mulher melhor, então de súbito teve uma ideia. – Acho que sei como melhorar as coisas para você.

- Como? – Shiera perguntou com uma curiosidade não muito empolgante.

- Vem comigo! – Astrid pegou a Sem Lei pela mão o que a fez recuar tornando uma situação constrangedora entre as duas.

Shiera percebeu que a jovem ficou sem graça com a reação e tomou frente.

- Anda. Pra onde vamos? – Perguntou forçando Astrid a leva-la ao programado.

Dessa vez Astrid não pegou a moça pela mão, mas o sorriso animador que a jovem sempre estampava tomou conta de sua face. Em alguns instantes estavam nos estábulos, lá Astrid e Shiera selaram um cavalo para cada. A Sem Lei surpreendeu-se pela Heindallr saber selar um cavalo.

- Não sabia que as “damas” aqui faziam isso. – Shiera disse em tom de deboche.

- Nem todas... Quer dizer... Poucas sabem. – Astrid sorriu e montou em seu cavalo andando graciosamente.

- Então vocês os usam para isso? – Shiera sorriu e correu a frente da garota.

O vento batia no rosto da Sem Lei, fazendo-a fechar os olhos e aproveitar um pouco do calor misturado a brisa que vinha ao seu encontro. No Norte não havia sensações como aquela, ficou assustada ao notar que estava gostando, mais assustada ainda ficou quando abriu os olhos e percebeu que Astrid a acompanhava.

- É uma bela manhã. – Astrid sorriu desafiadora.

- Não sabia que você conseguia correr e domar um cavalo.

- Tem muitas coisas sobre mim que não sabe, Shiera. – Astrid sorriu. – Uma corrida?

- CLARO! – Shiera tocou o cavalo depontando a frente, mas logo foi acompanhada pela jovem nortenha. As duas mantiveram-se em uma amistosa corrida até uma das áreas mais externas do Castelo.

*

A parte da manhã era um tanto sem graça para os irmãos Kolthammer, mas algo diferente ocorria nesse dia. Jon Hawthorne os convidou para uma amistosa conversa de cavalheiros. Cerveja não faltava, os três irmãos fartavam-se da bebida enquanto o sulino apenas apreciava alguns goles de sua caneca.

- Então... Acho que vocês, mais do que ninguém vão me entender. – Jon sorriu aos rapazes. – Procuro aliados como a mim. Fortes, destemidos, corajosos. Dispostos a fazer o necessário...

- Para que mesmo? – Christopher perguntou entre uma golada de cerveja e outra.

- Como você ainda não se preocupou com isso? Meu pai está velho, vai passar o título de Lorde de Stormblade para mim, caso o Rei se recuse a me reconhecer como Lorde Protetor, quero mostrar-lhe que tenho apoio, não só no sul, mas no Norte também. E ter os mais bravos guerreiros como aliados, mostra o quanto sou capaz de manter meus deveres como Protetor. – Jon respondeu e deu um gole raso em sua bebida.

- E o que ganharíamos com isso? – Lyon perguntou.

- Não é óbvio, pirralho? – Christopher deu um tapa na cabeça do irmão mais novo. – Ele seria nosso aliado, então quando o Pai passar o título para mim, ele faria o mesmo, como já estaria concretizado como Protetor do Sul, contaria ainda mais a meu favor.

- E quem disse que ele passará a você? – Lyon o olhou um tanto revoltado.

- O direito de nascença. – Robert respondeu. – Mas... Como pode ter tanta certeza que Gustav irá negar seu título? E como poderá negar a nós?

- Estou apenas me preparando. Não é isso que devemos fazer nas batalhas? – Jon perguntou aos irmãos.

- Por mim, somos aliados. – Christopher sorriu e ergueu a caneca para brindar com Jon, mas foi interrompido por Jon.

- Espera... Caso demonstramos apoio... Como isso vai refletir para nós caso o Rei queira negar apenas o seu título e não o do meu irmão? Se nosso apoio a você significar a perca de nossa moral com o Rei e mais ainda, o título de nosso pai como Protetor do Norte antes mesmo que ele possa passa-lo a nós? – Robert o questionou e com os olhos apontou para a própria caneca, não bebia com a mesma intensidade que os irmãos.

Jon foi pego de surpresa, contava com o apoio dos irmãos enquanto estivessem bêbados, nessas horas que os questionamentos desaparecem e as pessoas são mais “amigáveis”. O sorriso sem graça estampou sua face, mas a surpresa foram dos quatro quando a moça que escutava a conversa silenciosamente resolveu se pronunciar.

- O que o rapaz aqui está tentando fazer é prevenir CASO o Rei lhe negue o título de Protetor do Sul. Pelo que notei tudo está sendo programado por baixo dos panos, ou ele teria mandado cartas pedindo apoio, pois uma decisão como essa não deve ser tomada em pouco tempo. Então o Rei apenas saberá caso o título seja negado. Muito esperto de sua parte preocupar-se caso o Rei possa retirar o poder de seu pai, no entanto colocar-se contra ou a favor de um Lorde Protetor que será retirado ou integrado é dever dos já apossados ou de seus herdeiros, então sua opinião é de extrema importância ao Rei, pois ele o verá não só como um herdeiro, mas sim como um verdadeiro homem que possui opinião e a honra.

- Exatamente. – Jon enfim deu uma grande golada em sua bebida.

- Pode nos dar a honra de saber como chama-la? – Lyon pegou na mão da jovem e a beijou com os lábios molhados de cerveja, o que fez a moça recuar com nojo.

- Emma Burnworth.

- Lyon Kolthammer. – O caçula sorriu na vã tentativa de galanteá-la embriagado.

- Vocês são Kolthammer... Devia ter notado... Bem que dizem que mal esperam a festa começar para começarem a beber. – Emma disse afastando-se de Lyon.

- E você uma Burnworth... A beleza é real, como dizem, mas nada falaram sobre a língua afiada. – Christopher sorriu.

- Jon Hawthorne. – Jon abaixou-se e beijou o dorso da mão de Emma suavemente, encarando-a durante o processo. – Muitos se atentam a beleza da carne, mas poucos percebem a beleza interna... Com algumas palavras pude notar que a Burnworth aqui é muito mais que um rosto bonito.

Os irmãos Kolthammer sorriram, sabiam que o rapaz resolvera investir na jovem herdeira de Beauheart, afinal, muitos desejam ser lordes do castelo.

- Infelizmente... Nada me disseram dos Hawthorne. – Emma disse sem graça.

- Será um prazer deixa-la descobrir. – Jon estendeu a mão para a moça que o respondeu envolta por sua educação e boa aparência. – Caros amigos, conversaremos em outro momento. – Jon disse aos irmãos.

- De qualquer forma, Hawthorne. – Christopher ergueu a caneca. – Somos aliados.

- Aliados. – Robert levantou a caneca e sorriu.

- Aliados. – Lyon fez o mesmo que os irmãos.

*

Os convites para as jovens foram enviados sem a supervisão de Gustav, não era para aquilo ser feito dessa vez, mas um erro de comunicação fizera com que seu recado não fosse dado, sendo assim, o Salão de Midgard, um enorme cômodo no Castelo Real estava com algumas jovens que eram inocentemente convidadas para que o Rei avaliasse suas possíveis amantes.

Dentre as jovens convidadas estava Blair Shrakov, a bela morena que despertou interesse do Rei há alguns dias, quando chegou ao castelo. A jovem não se misturava com as demais, permanecia distante, não se misturava. Olhava todas as outras com superioridade, era muita futilidade para um único lugar, já estava farta daquela situação.

Amplo cômodo, comida a vontade e algumas jovens que conversavam animadamente, Blair por sua vez, não estava nenhum pouco animada com a situação, muito pelo contrário, estava entediada.

- Bom dia, moças. – O Rei adentrou o cômodo e todas as jovens o responderam educadamente.

Gustav estava diferente do outro dia, da cerimônia de recepção. Estava com uma aparência mais íntegra, os cabelos um pouco despenteados, mas lhe conferia certo aspecto de jovialidade. Sua barba por fazer lhe deixava entre maduro e sexy, mas nada daquilo importava a Blair, ele era casado e ela jamais se sujeitaria a ser sua concubina e se aquilo tudo fosse para o cretino escolher uma, se sentia ofendida de fazer parte.

- Hoje vocês estão aqui... De certa forma por... – Gustav raspou a garganta. Estavam porque alguém extraviou suas ordens e um mal entendido reuniu aquelas jovens ali, agora precisava de uma desculpa. – Por pertencerem a poderosas famílias, sou um homem de profundo respeito as mulheres, então pedi que reunisse algumas para que pudessem expor algum pedido em especial.

- Eu tenho um. – Uma garota qualquer disse saliente e Blair sentiu um pouco de nojo – Acho que seria interessante se pudéssemos ter um espaço íntimo para recreações.

- Anotado. – O Rei respondeu indiferente.

- Aaai eu também tenho... – Outra jovem tentou se insinuar ao Rei. – Eu acho que poderíamos ter uma tarde com Vossa Majestade, para conhecermos o ofício do Rei.

- “Que nojo” – Blair pensou e isso foi estampado em sua face.

- Eu tenho uma ideia também, Vossa Majestade. – Uma jovem disse com mais educação que as outras, o que chamou a atenção tanto de Blair quanto do Rei.

- Diga, Lady...? – Gustav esquecera-se do nome da jovem que vira há poucos dias.

- Melissa Burnworth. – Ela completou. – Vossa Majestade, minha sugestão é que, pelo menos nas refeições não oficiais, nós tanto mulheres quanto homens, não tenhamos a necessidade de nos sentar com nossos pais, assim ficamos mais à vontade para nos conhecermos, o que, para quem não é um Lorde, é o verdadeiro intuito do Nobre Festival.

- Acho uma excelente ideia, Lady Burnworth. – Gustav sorriu surpreso e não tirou mais o olho da jovem que ficou um tanto incomodada.

Blair se aproximou de Melissa, as duas pareciam ser as únicas de grandes casas ali.

- Parece que o Rei se interessou pela sua opinião. – Blair disse provocativa.

- Impressão sua. – Melissa respondeu sem graça.

- Parece que você conquistou a vaga de concubina, ou será que vai ser só a da noite?!

- Ele é casado. Não serei concubina de ninguém. – Melissa disse envergonhada. – Meus planos estão no Norte... Ou talvez no próprio Centro. – Sorriu ainda sem graça.

- Isso você diz agora, mas depois estará deitada na cama dele.

- E qual a sua preocupação nisso? – Melissa perguntou cansada da afronta.

- Nenhuma. Na verdade não entendo a sua preocupação. – Blair afastou-se da primogênita Burnworth e levantou sua mão, como quem não estava interessada em nada. Quando o Rei finalmente a notou, a jovem levou as duas mãos a cintura e levantou uma sobrancelha, encarando-o. – Eu também tenho uma sugestão, Vossa Majestade. – Disse um tanto forçada a reverência.

- Diga. – Gustav já não tinha tanto interesse em todas as jovens.

- Porque não deixa essa reunião ser apenas as interessadas em DAR sugestões? – Blair fingiu despretensão na frase e o olhou com um falso sorriso.

- Cof cof – O Rei tossiu sem graça, fora pego de surpresa, mas nada o prendia mais o interesse. – Tudo bem, acho que podemos encerrar por aqui, aquelas interessadas em mais sugestões podem permanecer, quem achar que não pode contribuir, fique à vontade para sair. – O Rei disse as jovens e Blair liderou a saída.

Algumas permaneceram no local, nenhuma interessante. Melissa estava de saída quando o rei decidiu a interromper.

- Lady Burnworth, foi um excelente comentário o seu. – Sorriu e sentiu-se enfeitiçado pelos belos olhos azuis da loira.

- Obrigada, Vossa Majestade. – Melissa sentiu-se envergonhada.

- Não acha que pode contribuir em mais nada? – Gustav aproximou mais, ainda sutil a olhos alheios.

- Não, Vossa Majestade. – Melissa corou e afastou-se, agora com medo. Sempre foi a mais atiçada entre as irmãs, mas na hora que estava de frente com o homem mais poderoso do país, sentiu-se a mais recatada das mulheres.

- Quero me encontrar ainda hoje com você, gosto de mulheres com boas ideias. – O Rei sorriu para a jovem.

- Acredito em Vossa Majestade. – Melissa sorriu sem graça – A Rainha Lucélia aparenta ser dona de excelentes ideias. Com sua licença, Vossa Majestade. – Melissa deixou o local o mais rápido que pode, ser cortejada pelo Rei foi algo fora de seus planos, seus pais a matariam se algum dia ela se tornasse uma concubina.

Gustav a fitou se afastando e por fim deixou o cômodo onde as jovens esperavam por sua atenção. Não perderia tempo com mulheres atiradas.

- Vossa Majestade. – Erick Verlack parou ao seu lado.

- Quero que arranje um encontro meu com Melissa Burnworth, Erick. – Gustav ordenou.

- Com todo respeito, Vossa Majestade. Sua vida pessoal não me interessa, no entanto como seu Conselheiro, devo alertá-lo que engraçar-se com a filha de um dos Lordes Protetores pode trazer um certo... Caos. – Erick disse com frieza.

- Eu sou o Rei, Erick. Tenho pena de quem se opor a mim. – Gustav respondeu prepotente.

- Eu sei. Estou apenas o aconselhando a deixar Melissa Burnworth fora de seus planos adúlteros. – Erick respondeu sem se importar com as palavras. – Ela é apenas uma garota, ainda sem malícias.

- Ela não é apenas “uma garota”, Erick. Agora eu vejo com clareza. – Gustav disse ainda olhando para a direção que a jovem seguira.

- O que quer dizer com isso? – Erick perguntou confuso com as palavras do Rei.

- Quando me casei e meus filhos não nasciam, ou morriam, procurei um Vidente. Estava desesperado, queria saber se teria herdeiros, se Lucélia algum dia carregaria um filho meu... Jamais me esquecerei da profecia que me foi dita... “Vejo que um dia será pai, mas não será o ventre de Lucélia que carregará seu bebê. Apenas pessoas dignas podem carregar sua semente, saberá quem é a escolhida quando a mulher com olhos de safira lhe negar o desejo”. – Gustav encarou Erick. – Os olhos de Melissa são azuis, como uma safira e ela negou meu desejo, desejo em tê-la...

- Você acredita nessas profecias? – Erick sentira um calafrio quando o Rei lhe contou sobre a profecia, sabia que ela era real.

- Sim. Muito.

- E o que te faz pensar que Melissa Burnworth é “digna” de carregar seu filho? – Erick perguntou sem muito entusiasmo.

- Conhece a língua antiga de Talkan? “Worth” ou “Worthy”, quer dizer digno. – Gustav sorriu vitorioso.

- Sim. E “Burn” quer dizer queimar. – Erick lembrou-se do sonho de Eleanor e estremeceu-se, estava começando.

*

O dia passou rapidamente para Isabel, boa parte dele foi dentro da biblioteca da Cidade da Coroa, ficou perplexa ao notar o quanto as pessoas menosprezavam aquele local.

Após uma longa leitura, aventurou-se pela cidade em si, não queria ficar presa ao Castelo, afinal, passaria muitos dias dentro dele. No entanto andar por um local desconhecido sem alguém para instruí-la a fez se perder rapidamente. Quando se deu conta estava na periferia da cidade, quase na saída.

- Pelos deuses... Era só o que me faltava... – A jovem Burnworth dos olhos esmeralda praguejava enquanto tentava encontrar seu rumo, sempre olhando para a edificação do castelo, mas as ruas tortuosas e desordenadas a mandava para outro local.

Parou por alguns instantes e respirou fundo. Não sabia como voltar para o Castelo, já que todas as ruas aparentavam levá-la para o mais longe possível dali. Já estava quase chorando em uma mistura de raiva e medo quando ouviu algumas vozes. Pessoas, ao menos poderia pedir informação.

- Devemos ir agora! – Um homem um tanto exaltado disse. – Que esperar festival merda nenhuma, vamos lá e os fazer nos escutar.

- Eles podem nos matar! Estamos em menor número.

- Eu tenho um plano. – Um rapaz loiro de cabelos raspados nas laterais disse um tanto convencido.

Basicamente, o plano se consistia em pegá-los desprevenidos, durante o jantar, deveriam se infiltrar por alguma das Torres, pois elas receberiam menor guarnição, quando todos os nobres estivessem reunidos com o Rei, iriam adentrar o local, enquanto outros ficariam à espreita e fazendo alguns dos nobres de reféns. Era um plano ousado e complicado, poderiam morrer ao final, mas seriam ouvidos. Eram Lovløs, o Povo Sem Lei. Isabel tentou se afastar, mas fora tarde demais, um deles estava atrás da moça.

- Olá, mocinha. – Os olhos azuis do homem eram tão penetrantes que Isabel sentiu-se quase que paralisada ao encará-lo, sentiu-se como uma presa enfeitiçada por uma cobra. – Pelo visto você se perdeu. – Ele retirou um punhal. Eles não te ensinam a não escutar conversa alheia?

- E-eu... Não... O-ouv-ouvi nada... – A moça gaguejou amedrontada.

- Hummm... – O homem rapidamente cravou o punhal na árvore atrás da garota e manteve seu corpo contra o dela, impedindo-a de fugir. – Se for assim.... – Ele sorriu e a encarou, seus olhos eram misteriosos e expressivos ao mesmo tempo, seu sorriso tornava-se malicioso, enigmático, sedutor e sarcástico abaixo daqueles olhos. – Hey... Alexander... – O homem deu uma piscadela para a garota e continuou sorrindo. – Temos uma convidada para a reunião. – Disse quando o rapaz se aproximou.

- O que?! – Alexander o olhou confuso então entendeu quando viu a moça amedrontada encostada na árvore. – Afaste-se, Djorn. – Alexander puxou o braço do companheiro e o afastou de cima da garota. – Eu disse que só viríamos se vocês...

- Relaxa, meu irmão. – Djorn sorriu – Eu não machucaria essa daí. Alguma coisa me diz para poupá-la e você sabe como eu acredito em minha intuição. – Aproximou-se de Isabel e sorriu – Eu ainda quero saber o que o futuro reserva para nós.

- Eu não ouvi nada... Juro... Me deixem ir. – Isabel quase suplicou.

- Mate ela. – Um dos Sem Lei disse – Se ela ouviu o que conversávamos, vai alertar seu povo. Será nossa ruína.

-Como podemos confiar em você? – Alexander forçou o pulso da garota forçando-a a encará-lo.  

- Eu... – Os olhos verdes da garota encontraram-se com os azuis de Alexander. – Eu prometo que não contarei nada, apenas não me machuquem, ou machuquem alguém... Me desculpe, de fato eu ouvi... Se o seu desejo é ser escutado, posso tentar ajuda-los... Mas por favor, não façam nada hostil... Seria, me perdoe a palavra, burrice, fazer alguém de refém quando todos os nobres estão reunidos em um só lugar com boa parte de seu exército... Então... Por favor... Eu ajudo, se não derramarem sangue.

- E como acha que pode nos ajudar? – Alexander perguntou algo nos olhos da garota o fez recuar, havia uma chama, um desejo de viver e ao mesmo tempo de ajudar, havia algo que Alexander desejou há muito tempo possuir, algo que nunca encontrou em Heisengard, algo que pensou ter encontrado em todos os Lovlos, mas apenas Djorn lhe retribuía o mesmo.

- Me digam o que querem e eu sei como coloca-los no castelo. – O medo deixara os olhos da Burnworth, a vontade de viver falara mais alto, agora a determinação em manter-se viva era sua principal força de vontade.

***

Longe dali, Eleanor subitamente parou o que fazia no momento, uma última porção de ar foi sugada e com muito esforço a próxima viera. A íris dos olhos da mulher, antes acastanhados, agora tornara-se como cristal, Eragon era o mais próximo e foi rapidamente ao encontro da colega, o mesmo fez Viola, aproximando-se e segurando-a pelo braço, ambos conduzindo-a ao assento mais próximo.

A Suprema Negra pode de relance ver nos olhos da companheira da Armada centenas de imagens, uma enorme praça repleta de pessoas em profundo silêncio em seguida uma espada, sangue, gritos, lágrimas.

- Eleanor, o que foi? – Viola perguntou um tanto assustada.

- Está começando.

~Continua~


Notas Finais


Para mais informações acesse: http://www.ascronicasdetalkan.tumblr.com


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