História As crônicas de um Psicopata - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Psicopatia, Transtorno Psicológico
Exibições 59
Palavras 2.429
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


CHEGAY!
E olha, não demorei três meses, viram? É uma evolução!
O melhor de tudo é que ainda tô viva, ninguém me matou pela bomba que eu joguei no capítulo passado, DEUS EXISTE!

Esse capítulo é narrado em terceira pessoa, vez ou outra eu trarei mais capítulos assim por que assim eu posso mostrar um pouco o que se passa na cabeça de outros personagens, embora parte desses capítulos tenham foco maior na Becca, como é o caso desse. Aqui vocês vão entender um pouco como a Becca e a Alicia se conheceram, espero que gostem <3

Obs: Pode ter uma certa frase-chave em itálico no meio do capítulo, essa mesma pode significar muito mais tarde e vocês vão se tocar disso quando descobrirem mais sobre o íntimo da Rebecca nos próximos capítulos.

Leiam as notas finais, quero conversar com vocês ♥
Boa leitura!

Capítulo 5 - Laços


Fanfic / Fanfiction As crônicas de um Psicopata - Capítulo 5 - Laços

 

A garota seguia a passos rápidos pisando no chão com certa violência deixando a amiga — que ainda se perguntava o motivo de haver uma marca roxa pré-fabricada no pescoço da mesma —, mais preocupada. 

Rebecca sentia o sangue ferver ferozmente em suas veias, tanto que pensava que a qualquer momento iria explodir. O sorriso de vitória do garoto insuportável e problemático que aos poucos se acostumava a odiar — mesmo não gostando de tal sentimento —, havia sido o gatilho que faltava para dar lugar á sua raiva.  

Poucos minutos antes de sua amiga Alicia chegar acompanhada de Beto, poderia dizer até que estava com medo da atitude instintiva de Connor quase estrangulando-a no corredor em frente á biblioteca, mas agora só o que ela sentia era uma vontade fervorosa de atirar o idiota da janela da sala dos professores, no terceiro andar da escola. Sentia vontade de esfregar em sua cara tudo o que havia ouvido na direção no dia em que haviam conversado pela primeira vez, mas ela nunca seria tão cruel com uma pessoa doente, mesmo que essa pessoa merecesse. Além do mais, ela não tinha detalhes sórdidos, só sabia que o garoto sofria de algum transtorno psicológico que aparentemente dificultou muito sua entrada em outras escolas, não achava que valia a pena fazer tanto barulho com tão poucas informações. Ela admitia, fora demasiada falta de educação ouvir a conversa entre o idiota, os pais e o diretor atrás da porta, mas o ato não fora exatamente sua intenção. Rebecca estava aguardando a saída do rapaz na porta da diretoria para que pudessem finalmente conversar sobre o trabalho que tinham pendente, mas os gritos vindos da sala chamaram a sua atenção e se tinha um defeito que a mesma admitia ter, mesmo sem gostar, era a curiosidade. Maldita fosse a sua curiosidade. Quando se dera conta já estava ouvindo os gritos com mais atenção e por um momento sentiu pena do menino. Na realidade ela se compadecia de qualquer pessoa que tivesse qualquer doença psicológica, por esse motivo sonhava tanto em cursar psicologia futuramente. A mente humana a fascinava de uma maneira surpreendente e ela sentia uma vontade incontrolável de ajudar e conversar com pessoas que precisavam organizar de alguma forma os pensamentos nas paredes internas da mente. Doenças mentais, eram na humilde opinião de Rebecca, as mais tristes. Não que fossem mais graves que doenças físicas, muito pelo contrário, ela acreditava que nenhuma, absolutamente nenhuma doença merecia mais ou menos atenção que outra, isso valia até mesmo para um simples resfriado, mas as doenças mentais eram tão assustadoras... Talvez fosse esse o motivo de tanto pesquisar sobre, já que o assustador sempre lhe chamava atenção. Não ter controle sobre sua personalidade, sobre suas emoções, sobre sua mente era e sempre seria assustador para ela e como uma boa curiosa, Rebecca insistia não importando o quão assustador fosse. Sentiu vontade de ajuda-lo, de conversar com o mesmo, mas claro, isso naquele dia. Hoje ela queria que ele morresse e parasse de tentar assusta-la, pois ela sabia que isso continuaria despertando sua curiosidade e vontade de conversar com o mesmo, seja lá qual problema mental ele tivesse. Rebecca era assim. Sua vontade de ajudar falava mais alto que sua raiva, então provavelmente depois que seu ódio mortal por Connor passasse, ela voltaria a viver normalmente, esquecendo que um dia ouviu a conversa e se ele tornasse a falar com a mesma, não o negaria umas palavras. Claro que seria grossa, era uma menina extremamente orgulhosa, mas não conseguia ignorar as pessoas que falavam com ela, ainda mais se tinham problemas sérios. Rebecca não costumava odiar ninguém. Exceto claro, uma pessoa em especial. 

Alicia seguia a castanha sem saber que rumo a mesma queria tomar, aos poucos esquecendo a discussão ridícula — porém cruel o bastante para deixa-la desanimada — com Roberto. A loira conhecia a amiga, ela não costumava exalar tamanho ódio com facilidade. Raiva talvez, ódio não. Talvez por esse motivo ficasse tão óbvio quando algo a incomodava. Sabia que provavelmente isso tinha relação com o tal Connor que parecia ser tão — ou quem sabe mais — idiota que Beto. Alicia não sentia uma vibração boa partir daquele menino. Ele era estranho. Não que isso fosse um problema, mas não era um estranho bom. 

Quando se dera conta, ambas já estavam no banheiro feminino, onde Rebecca se debruçara sobre a pia encarando enraivecida a área avermelhada em seu pescoço. Alicia copiou a ação da garota e a observou pelo reflexo do espelho. 

— Foi ele, não foi? — Disse com a voz firme. Não sabia por que aquele imbecil havia ousado encostar na amiga, mas isso a deixava extremamente enraivecida. Ninguém mexia com sua melhor amiga, ninguém. 

— Ele é um idiota. — Rebecca afirma revirando os olhos e voltando sua atenção para Alicia. Ela estava preocupada com a loira, o bastante para deixar de lado seu ódio por Connor. — Mas esqueça isso, me conte o que aconteceu com o outro imbecil. 

Alicia assente sabendo que a amiga não iria se abrir até saber o que havia acontecido. 

— Opiniões divergentes, apenas. — um suspiro — Acontece que Roberto não consegue lidar com o fato de que ele é mais burro que uma porta. 

— Você não menosprezou o menino, não foi? — Pergunta Rebecca sabendo que a amiga havia o feito, mesmo sem intenção. Ela conhecia Alicia o suficiente para saber que como uma espécie de proteção, a garota acabava usando sua inteligência para se sentir superior já que por boa parte da infância passou por episódios frustrantes onde era zoada pela própria aparência. A loira costumava ser mais gordinha e como em toda boa escola da vida real, sempre haviam crianças malvadas que caçoavam e tiravam sarro de algo que para Becca nunca fora grande coisa. Foi nessa época que a amizade das duas se fortaleceu. Elas se conheceram na quarta série, lá pelos seus dez anos de idade, quando um idiota qualquer pisou nos cadernos de Alicia em frente á quase todos os alunos da sala. A menina chorou como a criança que era, enquanto metade da turma ria da provocação do garoto que a atacava com apelidos pejorativos que até hoje a menina não esquecera. Naquela época ela descobriu o quanto crianças podiam ser maldosas quando queriam e se perguntava desesperadamente porquê ninguém naquela sala fazia algo para ajuda-la. As poucas crianças que não riam da sua situação permaneciam caladas, provavelmente com medo do que poderia acontecer se intervissem, mas não era o caso de Rebecca. A menina que havia acabado de ser transferida, ficou horrorizada com o tratamento direcionado á colega e prontamente se disponibilizou a ajuda-la insultando o garoto enquanto se agachava para apanhar os materiais de Alicia do chão. O menino, obviamente se sentiu ofendido com o ato e não satisfeito disparou xingamentos também a Rebecca, que não se importou. Ela até conseguia rir ao lembrar da professora separando a briga quando o garoto esfregou os próprios materiais didáticos no rosto de ambas. Era um idiota completo, mas se não fosse pela situação em que havia encontrado Alicia, talvez as duas não fossem tão unidas quanto eram. 

— Ele é tão imbecil quanto aquele garoto da quarta série. — Alicia disse olhando para o chão amuada. Não esperava que aquilo justificasse menosprezar alguém, mas Beto lembrava irritantemente aquele menino que odiava até hoje, mesmo que não soubesse mais do seu paradeiro.  

Rebecca revirou os olhos, sabia que a amiga mesmo sendo uma pessoa incrível, era bastante rancorosa. Ela não a culpava por isso, sabia que antes das duas se tornarem amigas de fato, Alicia havia passado por situações bem piores e humilhantes. Ser rancorosa havia sido uma sequela de todos os episódios sofridos, sem contar que aquilo servia como uma espécie de escudo contra qualquer pessoa que tentasse coloca-la para baixo, escudo esse que nem sempre tinha efeito e uma prova disso havia sido a cena de minutos atrás. Quando olhou nos olhos da amiga enquanto a mesma brigava com Beto como duas crianças, seu coração pesou por um instante ao vê-los marejados. Alicia era uma menina perigosamente sensível, mesmo que tentasse mostrar o contrário usando a única coisa da qual se orgulhava em sua personalidade — a inteligência — como argumento para criticar ou xingar alguém. Se sentia inferior a qualquer pessoa em todos os sentidos possíveis, principalmente se tratando do físico. Alicia odiava olhar-se no espelho por muito tempo, se achava pouco atraente mesmo tendo emagrecido bastante desde os seus dez anos (Não que ser magra fosse sinônimo de ser bonita, mas desde muito nova ela achava que se sentiria melhor se a balança se tornasse sua amiga, o que hoje via como um ledo engano). 

— O que ele disse que te deixou tão mal? — Becca perguntou chamando a atenção de Alicia. A loira ponderou durante um tempo se deveria dizer, afinal, era algo demasiado bobo e faria qualquer pessoa rir da sua cara, mas não estava falando de qualquer pessoa e sim de Rebecca, sua melhor amiga que parecia sempre ter a solução de qualquer problema no universo. Com toda certeza a morena saberia consola-la como nem mesmo seus pais conseguiam. Na verdade, eles nem mesmo tentavam. 

"Se acha superior só por que perdeu uns quilinhos?" — Ela começou após soltar a respiração imitando Roberto com gestos exagerados — "Eu lembro de você na oitava série, continua a mesma porcaria, se quer saber." — A loira bufou soltando uma risada forçada que aos poucos foi dando lugar a uma expressão séria. Rebecca sabia o que vinha depois e rezava interiormente para que não acontecesse. — Nada que eu já não saiba. 

Olhou na direção oposta aos olhos da morena e sentiu a vista embaçar iniciando um choro silencioso. Se sentia ridícula por ter mudado de humor tão rápido e como sempre, se sentia fraca por não saber lidar com os comentários alheios. Ela gostaria de ser segura, mas era o completo oposto. Às vezes sua tática de fingir ser superior pela sua inteligência, não dava muito certo, como naquele caso. Ela só queria sair daquela escola, mudar de bairro, de cidade, de país e quem sabe trocar de familiares já que os seus eram por vezes tão opressores quanto as crianças da quarta série. 

Becca sentiu seu peito contrair com a cena, ver a amiga tão frágil do nada a deixava extremamente mal. Não a culpava por essas mudanças repentinas de humor, ao seu ver, Alicia sofria com um grave complexo de inferioridade, mas lidar com isso era algo potencialmente impossível quando nem mesmo os pais da loira se davam conta do problema. Rebecca então a acolheu em uma abraço apertado, daqueles que sempre davam quando estavam felizes por algo. Ela acreditava que nesses casos, um simples abraço não bastava, tinha que ser um abraço de verdade, um abraço feliz mesmo que a felicidade só brotasse de um dos lados — no caso, o seu —, dessa forma a felicidade do abraço acaba contagiando o outro e era isso que ela pretendia. 

— Não fique assim sua boba! — ela dizia quase esmagando a amiga — Aquele punheteiro de uma figa não sabe nada sobre você e eu tenho certeza que as coisas que ele disse foram apenas consequência das terríveis verdades que você disse quanto ao seu cérebro pequeno. Não que isso justifique, claro, mas você sabe magoar quando quer, convenhamos! — Alicia solta uma risada abafada no meio do abraço. O aperto da amiga era reconfortante e automaticamente a fazia sorrir no meio do abraço, mesmo sabendo que ela não estava a defendendo de um todo. Essa era a marca registrada de Rebecca, ela não dizia o que as pessoas queriam ouvir, ela dava sua opinião sincera avaliando os dois lados da moeda e era tão eficiente — se não mais — quanto dizer aquilo que queriam ouvir. Alicia sabia que tinha errado jogando aquelas coisas na cara de Beto mesmo que tenha sido um mero mecanismo de defesa e as palavras da amiga haviam a deixado ainda mais ciente disso.  

— Ele me provocou! — disse ainda entre risos e Becca finalmente a solta feliz por ter alcançado seu objetivo: Fazer a amiga sorrir, mesmo que apenas momentaneamente.  

— Quantos anos vocês tem, huh? — Ela lança um olhar questionador a amiga. — Não me responda, eu sei que são bem grandinhos e suas atitudes são ridículas se compararmos com suas idades, mas também sei o quanto você é insegura e sensível, por isso vamos tomar um sorvete na saída da escola, tudo bem?  

Alicia solta uma gargalhada alta antes de assentir logo se voltando para o pescoço avermelhado da amiga. 

— Mas não vai nem me dizer o que aconteceu? — Fez um biquinho exagerado fazendo Rebecca revirar os olhos. 

— Basta saber que Connor é tão idiota quanto o Beto. Digamos que também não estávamos nos dando muito bem. — explica brevemente sabendo que Alicia ia a bombardear de perguntas não satisfeita com sua explicação rasa, o que entendia perfeitamente já que sendo curiosa como era, faria exatamente o mesmo. 

— Isso não justifica ele te machucar, e pelo que eu estou vendo foi isso que aconteceu. — a loira semicerra os olhos não entendendo o que teria deixado o mesmo tão bravo a ponto de fazer aquilo com a amiga, mas fosse o que fosse, não justificaria um ato tão covarde. 

— Ele me provocou, eu o provoquei, ele não aguentou e acabou se descontrolando, mas podemos resolver tanto o meu problema com o Connor quanto o seu com o Beto de uma forma muito simples! — ela explica já se dirigindo para a saída do banheiro. 

— Como? — questiona Alicia imaginando que ideia Rebecca havia tido daquela vez. 

— Vamos pedir á professora para trocar os nossos pares no trabalho de Biologia, assim ambas não teremos que aguentar esses dois e ainda iremos tirar notas ótimas, por que convenhamos, nós somos incríveis! 

A loira solta uma risada seguindo a amiga para fora do banheiro feminino se sentindo levemente melhor emocionalmente. As duas caminharam para a próxima aula saltitantes e determinadas a resolver o assunto quando avistassem a professora de Biologia no dia seguinte. Se sentaram em suas devidas mesas e posicionaram seus matérias na mesma se preparando para a chegada do professor de Filosofia. 

— Ei, ainda vai me pagar aquele sorvete na saída, não é? — Alicia se pronuncia de repente e Rebecca ergue uma das sobrancelhas em direção á menina. 

— Eu disse que íamos tomar um sorvete, não que eu ia pagar queridinha. — a loira solta um murmúrio de indignação enquanto Becca deixa escapar uma risada alta. 

— Filha da mãe! — diz antes do professor adentrar a sala com o seu habitual rosto inexpressivo, agradecendo interiormente por ter a melhor amiga do mundo. 


Notas Finais


AGORA VAMO BATER UM PAPO!
O que acharam? Ainda temos pessoas especulando como a Rebecca vai morrer?
Sim, eu sou cruel em ter revelado em um capítulo que a menina em breve vai habitar o paraíso (ou inferno, nunca se sabe), e em outro focar no quanto a amizade dela com a Alicia é um amorzinho. Me desculpem, mas eu achei que seria melhor do que dar um final triste á vocês e depois sofrer com os atentados terroristas em minha humilde residência :')
Estou tentando tornar o sofrimento menor, me amem <3

QUANTO ÁS TEORIAS, já tem muita gente achando que quem mata Rebecca no final dessa historinha é o Connor, vocês realmente acham que é isso que acontece?
Sabemos que o Connor não bate bem da cabeça, mas acham que ele seria mesmo capaz?
VOU DEIXAR NO AR E SAIR CORRENDO, PQ EU SOU DESSAS!

Espero que vocês tenham gostado, muito obrigada pelos comentários anteriores! Vou guardar vocês em um potinho e protege-los do mundo, pq mesmo com as bombas que eu solto e a minha demora estressante vocês continuam lendo ♥
A propósito, eu pretendo enviar o próximo capítulo ainda nesse mês (provavelmente no final), já é uma grande evolução não é meixmo?
Um beijão, até o próximo ♥


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