História As Diferenças Enganam - Capítulo 40


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bullying, Comedia, Drama, Lesbicas, Romance
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Palavras 1.629
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Harem, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 40 - O Mundo Parou


A semana correu exatamente como o previsto, produtiva e extremamente cansativa. Não deixei de trocar mensagens com Vitória, afinal todos os dias ela perguntava se eu tinha comido. Pelo que me disse, estava fora da cidade participando de um workshop e voltaria apenas na sexta-feira.

Era quinta e enquanto estava no trabalho recebi uma ligação da funcionária de Lara, pedindo que eu fosse ao hospital pois ela não estava conseguíndo contatar Christopher e nem meus pais. Preocupada, deixei tudo aos cuidados de Vanessa e corri ao encontro de minha cunhada.

Quando cheguei ao hospital fiquei sabendo que ela teve um pequeno sangramento mas estava tudo bem, e que precisaria de total descanso. Apenas depois de saber seu estado com a médica, fui de fato vê-la.

- Kris, onde está seu irmão? - Choramingou assim que entrei pela porta do quarto.

- Provavelmente no trabalho, o Telefone esta desligado.

- Ela estava tentando carregar um vaso maior que a barriga. - Disse Hanna e não pude deixar de rir.

- Lara! Por que diabos você não ficou na sua cadeira fazendo o crochê? Passou meses assim e agora que esta perto do bebê nascer apronta.

- Era um jarro pequeno, não tem nada a ver. - Ela acariciava a barriga enquanto seus olhos não escondiam o quanto ficou assustada e ainda parecia estar.

- Mas esta tudo bem, amanhã você vai para casa.

- Eu posso ficar sozinha na floricultura, ela não precisa ir.

- Eu não quero ficar sozinha em casa.

- Você precisa de descanso, não seja mais cabeça dura que eu!

- Tudo bem, mas só porque combinei com a Vitória de fazermos um book, então vou ficar quietinha até lá.

- Boa menina. - Sorri colocando a mão em sua barriga. - Quando vai escolher o nome dela afinal?

- Não contei? Vai ser Alice. - Fiz um bico e ela bateu em meu braço. - Vai ser Alice e não se fala mais nisso! Você e Christopher tem muito mal gosto.

- Vou procurar seu marido para te fazer companhia, ok? Se cuida. - Mandei um beijinho e sai do quarto.

No dia seguinte o clima esfriou e junto ao calor minha saúde foi embora. Estava resfrida e fiquei trabalhando no escritório, evitando o mundo lá fora pois minha cabeça estava a ponto de explodir.

Durante a tarde fui supreendida com a visita de Vitória que me arrastou para uma lanchonete ali perto, onde pudemos ir caminhando enquanto ela contava sobre o workshop. A única coisa que não gostei de ouvir foi o fato dela ter ido com Ricky, mas tentei disfarçar meu descontentamento.

Sentamos em uma mesa na calçada e pedimos apenas suco. Eu não conseguia largar o celular respondendo Vanessa a todo momento, já que ela estava sozinha no local que aconteceria o evento do dia seguinte.

- Estou preocupada com a Lara.

- Por que? Ela esta bem, ou pelo menos estava. Não falei com ela hoje. - Eu digitava uma mensagem e ela retirou o celular de minha mão rapidamente. - Ei!

- Estive pensando e caso ela esteja melhor vamos fazer o book no domingo, na casa dos seus pais, aproveitando aquele Jardim lindo. - seus olhos brilhavam enquanto falava, como se pudesse visualizar a imagem, mas logo ficou séria. - Isso, fica comigo! - Colocou o celular no bolço do casaco e dei de ombros. - Que carinha é essa?

- É o cansaço, apenas isso.

- Kris, vamos ser sinceras... - Ela inclinou-se sobre a mesa e colocou a mão em minha testa. - Esta febril.

- É apenas um resfriado, já tomei remédio.

- Você vai para casa mais cedo.

- Vitória, já chega de bancar minha mãe.

- Estou sendo apenas eu mesma preocupada com você!

- Quer saber o que realmente me incomoda? Aquele Ricky que aparece todas as vezes com sua simpática e sorriso encantador.

- Está com ciumes. - ela riu alto inclinando-se novamente sobre a mesa buscando minhas mãos. - O seu ciúme é sempre bonitinho. - Me inclinei um pouco aproximando o rosto ao dela.

- Se eu for para casa cedo, você vai cuidar de mim?

- Se você insiste. - Sorriu apoiando o queixo com a mão fazendo uma carinha fofa e quase não resisti a vontade de beijá-la. - Você quer me beijar. - Afirmou como se lesse meus pensamentos.

- Não seja convencida.

- Eu quero te beijar. - Fechei os olhos por um momento não contendo o sorriso largo em meu rosto. - Pensei que quando nos encontrassemos novamente seriamos frias uma com a outra, ou agiriamos como duas completas desconhecidas.

- E por que você não foi fria ou fingiu não me conhecer?

- Porque eu não consegui resistir a ciriosidade de saber como você estava, se ainda era a mesma.

- Confesse que você apenas não resistiu a mim.

- E você? - Aproximou um pouco mais o rosto. - Resiste a mim? - Ela mordeu os lábios me provocando.

- Vou ter que resistir, não quero que fique resfriada. - Afastei e ela fez um biquinho fofo. - Na verdade, se eu quiser sair cedo tenho que voltar logo ao trabalho. - Peguei o copo de suco e bebi tudo de uma vez.

- Só vou permitir porque também tenho umas coisas para fazer. - Ambas levantamos e seguimos nosso caminho de volta pela calçada. - Vou te visitar a noite.

- Será muito bem vinda. - Paramos no sinal e ela ficou para trás enquanto eu atravessava. Já do outro lado da pista ouvi me chamar e quando virei ela balançava meu celular no ar. O sinal estava aberto para os carros e sorri colocando as mãos nos bolsos do sobretudo enquanto esperava observando ela do outro lado.

- Vitória! - Gritei e mesmo que não tivesse escutado, podia ver que chamei seu nome. - Quer namorar comigo? - Ela levou a mão ao ouvido inclinando-se um pouco para frente como se tentasse ouvir melhor. - Você quer namorar comigo? - Gritei novamente ignorando as pessoas ao redor e no mesmo momento o sinal fechou. Vitória praticamente correu até mim e fui pega de surpesa quando chocou-se contra mim, abraçando tão forte que mal pude raciocinar direito por um momento, mas logo abracei seu corpo fechando os olhos.

- Eu aceitaria até mesmo daqui a dez ou trinta anos. Esperaria até lá, porque eu sempre soube que você iria me esperar. - Afastei para olhar em seus olhos mas ela segurou meu rosto e sem aviso prévio beijou meus lábios.

O mundo com certeza parou naquele momento e poderia até mesmo acabar. O que mais eu poderia desejar? Vitória era minha total e completa felicidade. Nada nem ninguém me tiraria ela novamente. Eu iria segura-la com todas as minhas forças e daria o meu melhor para fazê-la feliz e compensar os anos que perdemos por tê-la deixado.

Cessando ao beijo, notei que uma lágrima descia em seu rosto e passei as costas da mão.

- Não vamos bancar as choronas agora. - Ela sorriu segurando minhas mãos. - Preciso ir.

- Vai lá, conversamos melhor a noite. - Dei mais um selinho demorando e quando afastei ela me entregou o celular. - Se cuida. - Confirmei e logo atravessei novamente a pista.

No dim do dia meu nariz estava vermelho e ardendo se tanto espirrar. Os remédios não faziam efeito e tudo que precisava era de minha cama. Mesmo se quisesse trabalhar por mais tempo seria muito difícil.

Eu já dirigia para casa quando recebi uma ligação de Christopher que pediu para me encontrar. Acabei desviando o caminho e indo até ele que estava no trabalho.

- Que cara horrível. - Disse me vendo entrar na sala.

- Obrigada por notar. - Joguei-me no sofá o observando sair de trás da mesa e vir sentar ao meu lado. - Por que pediu para me ver? - Espirrei de repente, ele pegou uma caixa de lenços e me entregou. - Você nunca me chama. Deixe-me ver quando foi a ultima vez que nos vimos... Faz quase um mês.

- Tem algo que preciso te contar. - Estava sério e até mesmo me ajeitei no sofá ficando preocupada. - Faz tempo que procuro coragem para dizer isso...

- O quê? Esta me assustando.

- Por minha culpa Lara não esta bem. - ele parecia a ponto de chorar e eu já estava com o coração na mão.

- Pelo amor de Deus, explica. O que esta acontecendo?

- Faz um ano que venho lutando contra a depressão. Comecei o tratamento a seis meses, mas... Meu casamento está um caos. Lara acha que estou traindo ela, que não a amo, ela imagina mil e uma coisas, grita, me questiona e tudo que faço é me trancar no escritório e chorar todas as noites. Não tenho coragem de dizer a ela, nem a ninguém. Todos pensariam que sou um fracassado inventando desculpas.

- Você sabe que te amo, que compreenderia e tenho certeza que sua mulher também.

- O problema agora não é esse... Lara ainda não sabe, mas o parto vai ser antecipado... Ela e o bebê correm risco de vida. É por minha culpa. - Meu coração ficou menor que um caroço de feijão vendo meu irmão chorar enquanto se culpava.

- Não é sua culpa. - Me aproximei um pouco mais e abracei seu corpo enquanto ele mantinha o rosto escondido nas mãos. Quem poderia imaginar que um homem daquele tamanho, que vivia fazendo brincadeiras idiotas comigo, tinha uma esposa linda e filho a caminho, com um trabalho estável e boa condição finaceira, agora estava passando por aquilo? Naquele momento até eu mesma me culpava por não ter visitado ele mais vezes, por não ser a mesma irmã presente como antes. - Lara e o bebê vão ficar bem, você também meu irmão eu estou aqui e vou permanecer ao seu lado. Você não é um fracassado, Alice terá orgulho do pai, assim como eu tenho orgulho de ser sua irmã.



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