História As Fadas de 2013 - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, JR, Mark, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Got7, Yaoi, Youngjae Vs Jaebum
Exibições 422
Palavras 5.217
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Mayday Parade - Happy Endings Are Stories That Haven't Ended Yet

Lembrando que se forem surtar no twitter, usem a tag #AsFadas2jae pra eu acompanhar os surtos <3

Capítulo 11 - 011


“O que você está olhando??” Yugyeom seguiu a linha de visão de seu irmão, tentando descobrir o que tinha roubado sua atenção.

“Eu acho que já vi aquele garoto antes.” Mark apontou com o dedo.

“Acho que ele faz música.” Yugyeom respondeu um pouco incerto. “Já viu ele onde?”

“Não sei. Devo estar confundindo ele com outra pessoa.”  Mark sabia que seu irmão era naturalmente curioso e se ele mencionasse que havia visto o garoto na casa de Jaebum, Yugyeom com certeza iria investigar a respeito.

Os dois passaram atrás das costas de Youngjae, e o garoto parecia estar ouvindo alguém dizer algo atrás da parede, Mark e Yugyeom não tinha uma visão clara de quem era, mas pela sua expressão, não parecia uma conversa amigável.

“Eu tinha altas expectativas com você Youngjae.” Mark ouviu o homem falando, assim que passou atrás das suas costas, embora o garoto não tivesse o visto.

Mark fez Yugyeom parar atrás do corredor que ficava na direção da saída, e tentou continuar ouvindo o que o homem falava para Youngjae.

“Eu realmente pensei que você seria o melhor da turma. Por que você não praticou mais? Eu te emprestei diversas peças para você estudar. Cometer um erro daqueles…” O homem balançou a cabeça em negação, indicando o quão frustrado ele estava.

“Por que nós estamos bisbilhotando?” Yugyeom perguntou, ficando atrás do corpo de Mark mas ainda se escondendo atrás da esquina do corredor, olhando em direção onde o homem e o outro garoto estava.

“Shiu.” Se Yugyeom não parasse de falar, Mark não conseguiria ouvir.

“Por que você não praticou?” O homem perguntou irritado.

Youngjae permaneceu em silêncio, seus olhos encarando o chão.

Os dois ficaram observando enquanto Youngjae era repreendido, Yugyeom confuso do por que eles estavam fazendo aquilo, mas decidiu ignorar a atitude estranha do seu irmão.

Mark deixou Yugyeom na casa dos seus pais e seguiu em direção ao hospital onde ele trabalhava.

“Jackson, aconteceu algo estranho hoje.” Mark comentou assim que Jackson atendeu a ligação.

“Onde você tá? O que aconteceu?”

“Eu estou no estacionamento do Hospital. Não que isso importe pra você.” Mark respondeu friamente, embora sorrindo.

“Sabe aquele rapaz? Aquele que nós vimos no jardim do Jaebum?”

“Hum” Jackson concordou, achando estranho Mark estar falando sobre Youngjae de repente.

“Eu vi ele hoje.”

“E…?” Jackson perguntou ansioso com a demora para Mark se explicar.

“E...ele estava sendo repreendido.”

“Você está me confundindo. Explica direito.”

“Eu fui buscar o Yug no campus e eu reconheci o garoto quando estava passando por um dos corredores. Nós ficamos ouvindo o que o homem estava falando para ele, porque pela expressão do menino não era algo bom. O homem perguntou para ele algo sobre ele não ter praticado piano e que ele tinha altas expectativas, algo assim. Ele estava sendo bem rude.”

“E você está me contando isso para eu contar pro Jaebum?” Jackson foi direto ao ponto, ele sabia que Mark estava fazendo aquilo de propósito.

“Você conte se quiser, eu estou comentando porque parecia que você conhecia o garoto e se ele estiver com problemas, você devia ajudar.”

“Eu vou descobrir o que realmente aconteceu. Obrigado por me ligar.” Agora era a vez de Jackson responder friamente.

“É ele o garoto que o Jaebum gosta?”

Jackson demorou alguns segundos para responder e mesmo que ele negasse, o seu silêncio o entregava.

“Aham. Mas eles tiveram um desentendimento…” Jackson lembrou do estado em que ele havia encontrado Jaebum naquela manhã após o acontecimento entre os dois rapazes.

“Desentendimento? Outro?” Mark perguntou, pegando sua maleta no banco do passageiro e se preparando para sair do carro.

“É complicado.”

“Jackson, eu vou ter que desligar. Jinyoung está vindo na direção do carro.” Mark comentou ansioso.

“Você ainda não contou pra ele que você foi ver o Jaebum?”

“Não.” Mark sorriu pelo vidro enquanto Jinyoung dava a volta para abrir a porta do motorista.

“Eu não vou pra casa nesse fim de semana Mãe. Jinyoung quer comprar algumas coisas pra nova casa.” Mark fingiu.

“Sério Mark? Mãe? E que nova casa?” Jackson perguntou confuso.

“Sim Mãe, nós vamos mandar convites para todo mundo. Sim, eles estão na lista. Agora eu preciso ir Mãe, até depois.” Mark não deu tempo para Jackson responder e simplesmente desligou.

Jinyoung parece não ter percebido nada.

 

++

 

[flashback]

 

Jackson não precisava de alguém abrir o portão principal da mansão, pois Jaebum havia lhe dado o controle automático e se não fosse por isso, ele teria que acordar o motorista e isso só iria gerar mais fofocas. Não que ele já não tivesse visitado a mansão em horários estranhos.

Jackson passou pela sala de estudos em busca de Jaebum, mas ele não estava no cômodo, o que indicaria que ele só podia estar no seu quarto.

Quando Jackson entrou no quarto, Jaebum estava deitado no chão encarando o teto, por um segundo ele pensou que Jaebum tinha desmaiado, mas então após se aproximar, percebeu que o rapaz estava com os olhos abertos e realmente encarava o teto. Jackson seguiu a linha de visão do rapaz no chão, olhando o que tinha no teto que chamava sua atenção, mas o teto estava vazio.

“O que houve?”

Jaebum demorou vários segundos até responder, seus olhos não deixando a visão do teto.

“Eu beijei ele.”

“Essa parte você disse no telefone. O que houve depois? Como isso aconteceu? Da última vez que eu sai daqui você estava na cama tentando se recuperar por ter surtado com ele.” Jackson sentou ao lado do rapaz deitado, cruzando as pernas e olhando a expressão vazia que o outro tinha.

“Ele veio aqui se desculpar.” Alguns segundos se passaram até ele continuar explicando o que havia acontecido.

“Ele viu meu rosto e--”

“ELE O QUE? ELE VIU SEU ROSTO?” Jackson aumentou seu tom de voz, fazendo com que Jaebum tirasse sua atenção do teto e o olhasse surpreso e irritado.

“Desculpa, continue…”

“Ele viu meu rosto e ele estava tão perto.” Jaebum parecia repassar as imagens na sua mente.

“Ele estava tão perto e eu agi por impulso e o beijei. Quando ele se deu conta do que eu havia feito, ele correu para fora do quarto e provavelmente está me odiando agora.”

“Eu não o conheço o bastante pra dizer se ele está ou não te odiando. Mas se fosse eu…”Jackson deu uma pausa antes de continuar, “Se fosse eu...eu estaria te odiando muito.”

Jaebum tirou a sua atenção do teto novamente e olhou assustado para Jackson, se dando conta de que ele havia realmente estragado tudo.

“O que eu faço agora?” Jaebum parecia sem esperanças, sem expressão, sem coragem para enfrentar qualquer que fosse o que estava por vir após o que ele havia feito.

“Fale que você estava bêbado e peça desculpas.”

“Ele não é estúpido e eu estou doente, claro que eu não bebi.”

“Eu estou só dando opções.”

Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos, Jaebum pensando na bagunça que ele havia criado e Jackson pensando em alguma forma de ajudar.

“Você pode ser sincero e dizer que gosta dele.”

“Eu prefiro dizer que estava bêbado.”

“Mark disse que acha que ele gosta de você, talvez ele não fique bravo ou algo assim.” Jaebum pareceu sentir esperanças ao ouvir aquilo e Jackson pensou que talvez tivesse sido melhor ficar quieto, afinal ele poderia estar errado e Jaebum se machucaria no final.

“Você acha?” A voz de Jaebum mostrava insegurança e sua expressão, esperança.

Jackson balançou a cabeça afirmando e se repreendendo por dentro por estar aconselhando o amigo sobre algo tão incerto.

[final flashback]

++

 

Nos próximos dias após o beijo roubado, Jaebum decidiu não observar Youngjae pela janela, com medo de que talvez o garoto o ignorasse e sua insegurança somente aumentasse.

Seus dias passavam sendo ocupado pelos pensamentos sobre os negócios do hospital e vez ou outra, Youngjae interrompia sua rotina, entrando na sua mente e de repente Jaebum se via sorrindo.

“Você está rindo do que? Tem algo no meu rosto?” Jackson perguntou tocando suas bochechas em busca do que estava fazendo Jaebum sorrir. Os dois estavam sentados na mesa da sala de estudo, discutindo sobre como conseguir o apoio da mesa de diretores do hospital sem que Jaebum precisasse ir pessoalmente até eles, afinal Jaebum não saia da mansão desde o acidente dos seus pais.

“Nada.” Jaebum respondeu, voltando sua atenção para os documentos em cima da mesa.

“Hey, você já viu Youngjae? Desde o corrido…” A pergunta pegou Jaebum de surpresa, ele e Jackson não havia conversado sobre Youngjae desde a manhã seguinte em que Jaebum havia o beijado.

“Não.” Jaebum abaixou a cabeça e Jackson percebeu a sua insegurança ao fingir ler os documentos.

“Mark me contou algo estranho sobre ele esses dias. Eu esqueci de comentar com você.” Jackson mentiu, ele sabia que se mencionasse Youngjae para Jaebum, o rapaz iria agir por impulso como sempre e talvez aquilo só afastasse o garoto mais. Aquela era uma das vantagens de ser advogado, ele sabia como mentir e persuadir como ninguém, além do bom salário claro.

A atenção de Jaebum voltou para Jackson e então ele continuou.

“Mark disse que viu ele no colégio do Yug, quando ele foi buscá-lo, sabe? Você lembra do Yugyeom né? O irmão do Mark?”

“Jackson, direto ao ponto.” Jaebum pediu irritado.

“Então, ele disse que viu o Youngjae sendo repreendido. Parece que ele não havia praticado algo sobre piano. Ele falou que o Youngjae parecia desolado e que o homem estava sendo bem rude.” Jackson deu uma pequena exagerada sobre o que Mark tinha contado.

‘Ele estava praticando para o colégio aquele dia…’ Jaebum pensou, sentindo uma leve culpa preencher sua mente ao lembrar da forma como ele havia tratado o garoto naquele dia.

“Eu não tenho nada a ver com ele. Não sei por que o Mark se importa também.” Jaebum tentou soar desinteressado, mas Jackson sabia que por dentro ele estava cheio de inseguranças e culpa.

“Você vai evitar esse sentimento ai dentro até quando? Está na hora de crescer Jaebum.” Jackson disse sem pensar, irritado com a covardia do rapaz.

Jaebum não sabia o que responder, ele também não sabia até quando ele conseguiria mentir pra si mesmo de que o que ele estava sentindo era apenas uma confusão.

‘Mas eu beijei ele...Meu primeiro beijo foi com um garoto.’ A mente de Jaebum trabalhava das formas mais contrárias possíveis, ao invés dele se preocupar em correr atrás do garoto que ele gostava, ele estava pensando que ele gostava de um garoto e isso era errado.

“Como foi seu primeiro beijo?” Jaebum perguntou sério e Jackson foi pego de surpresa, aquela era a última pergunta que ele esperava receber.

“Você está falando sério?” Jackson passou a mão no cabelo ansioso e Jaebum embora inocente, percebeu que aquele assunto fazia o outro desconfortável.

“Aham.”

“Não vai me dizer que…” Jackson encostou as costas na cadeira, observando as reações de Jaebum antes de continuar.

“Não vai me dizer que o beijo que você deu no Youngjae foi seu primeiro beijo.” Era uma pergunta com tom de afirmação.

“E se for?” Jaebum levantou da cadeira, evitando olhar para Jackson diretamente e começou a andar pela sala de estudos.

“Wow!” Jackson riu surpreso.

“Meu primeiro beijo foi com uma prima. Eu tinha 14 anos, acho.” Jackson contou ainda rindo.

Jaebum se deu conta de que ele estava velho para ter seu primeiro beijo, comparado com Jackson. Mas considerando seu histórico, não era de se esperar que ele tivesse estado com outras pessoas, já que seu único propósito na vida era se formar e dar orgulho para seus pais. Algo que ele falhou miseravelmente.

Um silêncio desconfortável preencheu a sala e Jackson sentiu a necessidade de expulsá-lo.

“Você devia falar com ele. Pedir desculpas novamente.”

“E se ele não quiser falar comigo?” A insegurança de Jaebum falou antes dele pensar.

“Então você vai saber que ele não quer falar contigo. Não dá pra viver na incerteza.”

Jackson tinha razão e Jaebum sabia disso.

 

++

 

Dez dias. Dez dias sem Jaebum ter sinal de Youngjae. Ele sabia a quantidade exata de dias porque ele estava contando cada minuto em que ele olhava pela janela e não enxergava o garoto no jardim. Cada dia sem ver Youngjae estava se tornando uma tortura.

“Senhor! Senhor!” Jaebum se virou para o homem parado na frente de sua mesa, esperando para ser dispensado. O homem parecia estar o chamando a alguns segundos, mas Jaebum estava tão preso nos seus próprios pensamentos que não ouviu os seus chamados.

“Senhor Choi, eu tenho notado que seu filho não tem trabalhado no jardim.” Jaebum alcançou a caneca de café que o homem havia trazido.

O homem olhou com uma expressão suspeita para Jaebum, mas decidiu não questionar o patrão e responder com a melhor -- e verdadeira -- resposta que ele poderia ter.

“Ele não se saiu bem em um dos testes da escola de música e tem ficado até mais tarde praticando. Mas eu tenho feito a parte dele, assim como fazia antes dele vir pra cá.” O homem tentou defender o filho, com medo de que talvez a pergunta do patrão fosse com o intuito de lhe dar uma bronca.

Jaebum não sabia exatamente de onde havia surgido a coragem para perguntar sobre Youngjae, mas desde que o garoto tinha aparecido na mansão ele não tinha agido de forma normal.

“Pode ir Senhor Choi.” Jaebum pediu, tentando evitar que o homem fizesse perguntas sobre o interesse repentino por Youngjae.

Jaebum rodou sua cadeira giratória, se virando para a janela e esperou pelo barulho da porta indicando que o homem tinha saído.

Culpa era a melhor definição para o que Jaebum estava sentindo naquele momento. Culpa por ter surtado naquele dia e por ter feito Youngjae ser prejudicado na escola de música, mas tê-lo beijado naquela noite era uma das coisas que ele não se arrependia.

O resto do dia se passou com Jaebum tentando encontrar uma forma de consertar o estrago que ele havia feito, talvez se ele ligasse na escola e pedisse uma nova chance para Youngjae fazer o tal teste no qual ele tinha ido mal, compensaria e ele não se sentiria tão culpado.

‘Se ele descobrisse, ele só iria me odiar mais.’ Jaebum refletiu.

Talvez ele poderia chamar o garoto para conversar e pedir desculpas coerentemente, sem surpresas dessa vez.

‘Ele não viria.’ A insegurança de Jaebum falou na sua mente.

Jaebum estava começando a se assustar com o poder que Youngjae tinha sobre ele sem nem saber. O garoto passava uma grande parte do dia ocupando seus pensamentos e suas ações pareciam girar em torno do que ele provavelmente pensaria se soubesse o que Jaebum estava fazendo.

Quando Jaebum comia, ele se perguntava se Youngjae já tinha comido. Quando ele via algo bonito, ele se perguntava se talvez Youngjae fosse achar aquilo tão bonito quanto ele achou. Não era algo obsessivo, mas Jaebum queria que Youngjae participasse da sua vida, mesmo que ele mesmo não soubesse disso.

A pilha de documentos estava começando a crescer em cima da mesa de Jaebum, o hospital lhe mandava os documentos que precisavam serem verificados e assinados, afinal ele ainda era o acionista majoritário e presidente por direito, nada funcionava no hospital sem que os documentos tivessem sua assinatura final.

Após uma tarde e começo da noite ocupado com leituras de documentos, contas e ligações sendo feitas, Jaebum percebeu que a sala de estudos estava escura, somente a iluminação do seu abajur liberava luz no cômodo e que por sinal ele não se lembrava de ter ligado, quando ele se virou para a janela, era possível ver o céu escuro e a sombra cinza da lua.

O relógio marcava 9:46 e Jaebum percebeu que ele não só tinha se alimentado, como nenhum dos seus empregados haviam lhe interrompido, mas assim que seus olhos passou pelo cômodo, uma bandeja com seu jantar o esperava em cima da mesa de centro no meio da sala.

‘Eu não vi ninguém entrando.’ Jaebum pensou e se levantou, esticando seu corpo e tentando espantar a dor na sua coluna por ter passado tanto tempo sentado.

Talvez fosse melhor não pular aquela refeição, já que sua alimentação nos últimos dias estavam desreguladas e quando ele decidia comer, era sempre um terço do que os empregados o servia.

Após o jantar, Jaebum desceu até a cozinha para levar a bandeja com o resto de comida, era melhor levar antes que o cheiro ruim começasse a ocupar todo o ar da sala de estudos.

Antes de sair do cômodo e voltar para a sala de estudos, Jaebum ouviu vozes vindo de trás da porta da cozinha que dava para os fundos da mansão. Ou melhor, Jaebum ouviu uma voz específica.

Antes que Jaebum se desse conta, ele já estava andando para fora da mansão. Sentindo a brisa da noite tocando seu rosto e o cheiro de chuva penetrando suas narinas. Aquela era a primeira vez que ele sentia a noite tocando seu corpo desde o acidente dos seus pais.

Desde que ele havia voltado do hospital, após o acidente, Jaebum nunca havia deixado a mansão, nem mesmo visitar a sacada que havia na maioria dos quartos, inclusive o seu e a sala de estudos.

Jaebum sentia que se ele deixasse a mansão, mesmo que fosse para andar pelo jardim, algo ruim aconteceria. Não que o pior que pudesse acontecer já não tivesse acontecido, afinal seus pais haviam morrido e não podia existir nada pior do que aquilo, mas Jaebum sentia que se ele saísse da mansão, as lembranças dos seus pais iriam fugir pela porta ou janelas, e ele jamais lembraria das duas pessoas que ele mais amou.

Em uma noite, Jaebum tentou sair na sacada, tentou ver a lua e sentir a brisa da madrugada tocar o seu rosto, mas ao pisar o pé no concreto gelado da sacada, ele sentiu seus pulmões fechando, suas mãos formigando e seus lábios adormecendo. Aquela foi a única vez que ele tentou vencer seu medo do mundo e falhou miseravelmente.

Agora ele estava ali, andando em direção onde aquele som estava vindo e sentindo a brisa da noite que ele tanto sentia falta. A única reação que seu corpo estava tendo era a ansiedade de encontrar a origem da melodia que chamou sua atenção.

Jaebum acreditava que mesmo que ele perdesse a visão, ele ainda encontraria o dono daquela voz, pois ele conseguiria distinguir qualquer outro do som da voz de Youngjae e se o garoto apenas continuasse cantando, ele encontraria seu caminho de volta.

Youngjae estava sentado no chão dentro de um coreto que ficava no meio de um dos jardins. Jaebum se aproximou em silêncio, não querendo que ele parasse de cantar ou que fugisse como da outra vez que os dois se encontraram.

Jaebum percebeu que assim que Youngjae terminava de cantar um verso, ele anotava algo em uma caderneta, algumas vezes ele não aprovava o que havia cantado ou escrito, e exasperava em frustração.

Talvez uma hora tivesse se passado, ou talvez 5 minutos, mas Jaebum começou sentir seu braço adormecer por ficar encostado na porta do coreto e quando a dormência tinha ficado insuportável, ele perdeu o equilíbrio e se apoiou na madeira antiga de uma das colunas do coreto, porém a madeira estava velha e com mofos, provavelmente oca por dentro devido aos cupins, e assim que Jaebum se apoiou, a madeira se partiu e Jaebum caiu de bunda no chão.

Youngjae se assustou com o barulho, pensando que fosse um animal que havia pulado dentro do coreto e iria atacá-lo, um cão ou algo assim. Sua surpresa foi ainda maior quando ele se levantou e ouviu alguém xingar alto em direção ao chão, como se o chão tivesse alguma culpa. Quando seus olhos caíram sobre quem estava no chão, Youngjae não pode evitar de rir.

A risada de Youngjae podia ser ouvida de dentro da mansão, Jaebum tinha certeza sobre isso, mas ele não se importava de alguém ouvir aquele som. Ele estava vendo Youngjae sorrir e aquilo era o suficiente para ele se sentir feliz mesmo que alguém tentasse impedi-lo. Se ele pudesse, ele gravaria o som daquela risada e todas as vezes que ele se sentisse triste, ele a ouviria e lembraria da imagem de Youngjae sorrindo.

Jaebum ficou olhando Youngjae rir enquanto tentava se levantar do chão, mas após ver o garoto segurando a barriga de tanto rir, Jaebum começou sorrir na sua direção, se dando conta da cena em que os dois se encontravam. Os dois pareciam patéticos.

Youngjae tentou controlar sua risada quando seus olhos encontraram os de Jaebum, e o sorriso do rapaz preenchendo seu rosto, fez as borboletas do seu corpo se agitarem.

“O barulho te atrapalhou?” A voz de Youngjae ainda continha vestígios de risadas e seu tom era calmo. Jaebum sentiu seu corpo esfriar de repente.

Jaebum decidiu sentar em um dos degraus do coreto, esperando que Youngjae fizesse o mesmo.

Alguns segundos se passaram e quando Youngjae não sentou ao seu lado, Jaebum se virou para ver o que o garoto estava esperando, mas Youngjae tinha voltado para o lugar onde ele estava sentado anteriormente para recolher a caderneta e o celular que estava sendo usado como lanterna.

Os olhos de Jaebum seguiam cada movimento do garoto, com medo de que ele pudesse fugir e os dois não tivessem chance de conversar.

Youngjae sentou ao lado de Jaebum, tentando ficar o mais longe possível, embora o degrau onde os dois estivessem usando como banco fosse pequeno, se tornando impossível não ficar com os corpos tão próximo um do outro.

Longos segundos se passaram, Jaebum procurando por algo para dizer, até se lembrar do que o garoto havia lhe perguntado.

“Não. Eu estava na cozinha e ouvi a música, então segui o som e vi você aqui.”

Youngjae balançou a cabeça, seus olhos encarando a capa da caderneta que estava no seu colo.

“Você estava escrevendo aquela música?” Jaebum apontou para a caderneta no colo de Youngjae, os dois compartilharam contato visual por menos de um segundo, mas foi tempo o bastante para ambos os corações acelerarem, embora nenhum dos dois demonstrasse o nervosismo que o outro causava neles mesmo.

“É um trabalho.” Youngjae deu uma pausa e Jaebum esperou ele elaborar melhor.

“É um trabalho pra escola de música. Eu não queria fazer barulho dentro de casa, por isso vim pra cá.” Jaebum sentiu que Youngjae estava tentando se explicar por usar uma região da mansão que não fazia parte da casa onde ele morava.

Jaebum sorriu encarando o jardim na sua frente e Youngjae olhou para o perfil do rapaz na sua frente, embora estivesse escuro pela noite, a lua iluminava o rosto de Jaebum e Youngjae pode ver as duas pequenas pintas logo acima do seu olho que ele havia visto na noite em que eles se beijaram, além das cicatrizes.

Antes que Youngjae pudesse pensar no que ele estava fazendo, sua mão foi até as pintinhas de Jaebum, acariciando não só o lugar onde elas ficavam como também toda a região dos olhos do rapaz.

Jaebum foi pego de surpresa pela ação do garoto tocando seu rosto, mesmo que ele já tivesse visto suas cicatrizes, a insegurança que ele tinha sobre elas era ainda maior que qualquer coisa, até mesmo maior de como ele se sentia em relação a Youngjae.

Quando Youngjae se deu conta de que ele estava acariciando o rosto de Jaebum, ele tentou tirar a mão rapidamente do rosto de Jaebum mas o rapaz a segurou, colocando de volta onde seus  dedos estavam acariciando segundos antes.

Youngjae estava confuso e sabia que ele não devia se deixar influenciar por Jaebum e suas ações que mexiam com seu coração, mas ao mesmo tempo ele queria continuar acariciando o rosto do rapaz.

“Desculpa por ter feito você levar uma bronca.” Jaebum ainda segurava a mão de Youngjae próximo do seu rosto, sabendo que quando ele mencionasse aquilo, Youngjae iria tentar se esquivar novamente. Mas para sua surpresa, Youngjae continuou com o carinho, passando seus dedos delicadamente sobre cada uma das cicatrizes que marcavam seu rosto.

“Que bronca?” Youngjae sabia do que Jaebum estava falando, mas ele queria que Jaebum assumisse como soube dos acontecimentos na escola.

“Mark te viu na escola e contou para Jackson que contou para mim. Desculpa por ter te prejudicado, é só que…” Jaebum abaixou a cabeça, e Youngjae perdeu o contato com sua pele, sua mão ficando no ar, enquanto Jaebum deixava seu rosto encostar nos próprios joelhos. Youngjae só tinha a visão do cabelo e do pescoço de Jaebum e assim como suas ações anteriores o tinha surpreendido, sua mão agora estava passando entre os fios dos cabelos de Jaebum, acariciando sua cabeça como se ele fosse um animal que precisasse de carinho para se acalmar.

“Não precisa se desculpar. Nós já se desculpamos aquele dia. Não pensa mais nisso.” Youngjae não queria continuar pensando no que ele ou Jaebum havia feito de errado, ele não gostava de ficar remoendo coisas que já foram feitas e que não tem como ser refeitas.

“Sobre aquele dia…” Jaebum levantou o rosto, encontrando os olhos de Youngjae.

O garoto tirou a mão dos cabelos de Jaebum, mas seus olhos ainda encaravam os do rapaz.

“Foi um momento. Não precisa se desculpar também.” Youngjae sorriu, tentando soar casual, mas por dentro seu corpo estava quente e sua boca seca. Jaebum o fazia nervoso e ansioso, ele sabia no que aquela sensação poderia o levar a sentir e aquela era a última coisa que poderia acontecer com ele naquele momento, ele não queria mais confusão na sua mente. Ele já tinha passado por algo parecido, já havia sentido algo parecido com o jeito que Jaebum o fazia se sentir e ele não queria reviver aquele período da sua vida.

“Eu não quero me desculpar sobre aquele dia. Eu não me arrependo por ter feito o que eu fiz.” Jaebum respondeu sério e ele se surpreendeu com sua habilidade de falar aquilo de forma tão clara, embora seu coração acelerado estivesse ecoando nos seus ouvidos e ele pensasse que fosse gaguejar a qualquer momento.

Youngjae não sabia o que responder, ele não esperava que Jaebum assumisse que o que ele havia feito era algo que ele realmente queria fazer.

“Você me confunde.” Jaebum assumiu, os dois encaravam o jardim logo a frente, sem coragem para encarar os olhos um do outro.

“Eu acho que é melhor eu entrar. Está ficando tarde e gelado.” Youngjae mudou de assunto, levantando para ir embora.

Antes que Youngjae pudesse se afastar, Jaebum segurou a mão do garoto, o fazendo congelar surpreso. O rapaz ainda estava sentado, sua mão segurando a de Youngjae e seus olhos fixados no jardim e não no garoto na sua frente.

“Não vai.” Jaebum pediu em um sussurro e Youngjae sentiu que talvez seu coração pudesse sair pela boca. Os poros do seu corpo estavam agitados e a brisa gelada da noite lhe deixando frio, mas foi sua espinha que estava sentindo os arrepios assim que as palavras de Jaebum fizeram sentido nos seus ouvidos.

“Por que?”

Jaebum olhou para cima, encontrando os olhos de Youngjae fixos nos seus e ao invés de respondê-lo, o rapaz encostou sua cabeça no quadril de Youngjae.

Os dois ficaram naquela posição por alguns minutos, Jaebum segurando a mão de Youngjae e sua cabeça repousando no corpo do garoto.

“Você não vai me perguntar por que eu surtei aquele dia no salão?” Jaebum quebrou o silêncio.

“Eu não preciso perguntar nada que você não queira me contar por vontade própria.” Youngjae respondeu, sua mão livre segurava sua caderneta, então ele soltou da mão de Jaebum e trouxe até os cabelos do rapaz, voltando acariciá-los como havia feito minutos atrás.

“Ninguém além da…” Jaebum tentou contar, mas as palavras pareciam não sair conforme ele queria.

“Ninguém além da minha mãe tocou aquele piano. Nem mesmo eu.”

Youngjae ficou em silêncio, esperando Jaebum terminar de contar.

“Você sabe o que houve com eles, não sabe?” Jaebum riu ironicamente e Youngjae esperou pois o tom de Jaebum indicava que aquela era uma pergunta retórica.

“Claro que você sabe. Todos sabem.” Ele mesmo respondeu e Youngjae apenas ouvia.

“O piano é a única coisa que me faz ainda sentir que ela está aqui. Que ela está viva. Quando eu vi você tocando, eu senti como se a imagem dela tivesse sido destruída.”

“Desculpa.” Youngjae pediu quando percebeu que Jaebum tinha acabado de explicar.

Jaebum mantinha seu rosto escondido no quadril de Youngjae, enquanto o garoto acariciava sua cabeça.

Youngjae percebeu que Jaebum se expressava melhor quando não havia alguém lhe olhando no rosto.

“Ela não existe em forma de um objeto. Ela existe dentro do seu coração e isso significa que você pode levá-la para onde você quiser. Por que ela está com você.”

Jaebum sabia que Youngjae estava certo, mas às vezes colocar em prática conselhos é mais difícil do que ser capaz de dá-los.

“Eu sei.” Jaebum sussurrou, levantando sua cabeça e encarando o rosto de Youngjae.

Os dois ficaram se olhando por alguns segundos até Jaebum quebrar o silêncio entre eles.

Eu acho que gosto de você.” Jaebum assumiu sem medo, sabendo que esconder seus próprios sentimentos só o faria um covarde, e ele já havia sido covarde nos últimos anos.

Youngjae se afastou de Jaebum, como se ele tivesse lhe dado um choque.

A expressão do garoto não era de surpresa, era de pena. Jaebum conhecia aquela expressão melhor do que ninguém, pois era a mesma expressão que todos lhe deram quando foram visitá-lo no hospital após o acidente.

Jaebum sentiu a ansiedade tomar conta do seu corpo. Os olhos de Youngjae o encarando profundamente pareciam fazer um buraco no seu coração. Ele sentia seus pulmões fechando, seus lábios adormecerem e suas mãos formigarem. A sensação era como se os momentos anteriores fizessem parte de um conto de fadas, algum tipo de feitiço mágico que só permitisse ficar fora da mansão enquanto ele não dissesse aquelas palavras.

O feitiço terminava quando ‘Eu gosto de você’ saísse da sua boca.

Dessa vez não foi Youngjae quem correu para longe. Dessa vez foi Jaebum que fugiu dos seus próprios sentimentos, com medo de que talvez ele fosse morrer se continuasse ali, parado, encarando a expressão de pena que Youngjae lhe dava.

Jaebum correu pra dentro da mansão, seus pulmões o impedindo de respirar e suas mãos tremendo como se ele tivesse alguma doença motora. O ar voltou a aparecer quando Jaebum entrou na casa e se deixou cair no chão atrás da porta da cozinha na qual ele tinha saído horas antes.

O choque impediu Jaebum de chorar e ele não chorava desde o primeiro ano após o acidente. Ele havia chorado por um ano inteiro ao ponto de chegar um momento onde ele percebeu que não havia mais lágrimas. Mas naquele  momento Jaebum queria ter aquela habilidade de volta, pois ele queria chorar, ele queria gritar e expulsar aquela dor que ele sentia. Youngjae o olhou com pena. Youngjae lhe olhou com a expressão que ele mais detestava no mundo. Jaebum se viu de volta na cama de hospital ouvindo os médicos lhe contar que seus pais haviam morrido.

 


Notas Finais


ALOOOO MINHAS CRIANÇAS!!! Atualizei um super enorme big grande capitulo pra vocês, são 5k de sofrimento <3
Eu to tendo mtos feels 2jae, eu to toda acabada por causa deles HAHA
Espero que gostem da atualização, reparem que existem dois assuntos subentendidos nesse capítulo, um relacionado com a relação do Jaebum com o Jinyoung e outro do Jaebum e o Hospital.

Comentem o que acharam e o que esperam dos próximos capítulos :3 se quiserem perguntar algo, meu twitter é @hayoungwife é só irem lá e perguntar <3 Obrigado a todo mundo que panfleta a fic <33333


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