História As Palavras Não Ditas - Capítulo 1


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 1 - A Carta


Amo você e não é clichê.

Sei que não se começa uma carta assim, mas essa é a minha ultima tentativa de talvez alcançar seu coração. Não estou de posse da minha sobriedade. Já lancei algumas garrafas do seu vinho preferido na área de serviço.

As musicas da madrugada são tão depressivas. Enquanto tento escrever sem errar ouço Flávio José cantando É Sempre Assim. Não é uma boa ideia, eu sei. Amanhã quando acordar vou me arrepender, mas ao anoitecer o ciclo viciosamente mortal irá se repetir.

Reafirmo a frase acima. Amo você e não é conversa fiada. É fato e só o descobri da pior forma, perdendo. Mas não é aquela paixão avassaladora que facilmente confundimos com amor. É exatamente o contrario. Tranquilidade.

Não é aquela coisa quente cujas pessoas não podem se olhar que a vontade é arrancar as roupas no dente. Não, isso não. Eu me refiro aquele sentimento de cuidar um do outro, zelar pelo bem estar, dar bronca quando necessário, trazer a pessoa para a realidade quando a mesma estiver a beira de um colapso.

É carinho, é olhar o outro e mesmo com chateações por motivos variados não conseguir brigar e ser desarmado com um sorriso ou palavra. Passar horas conversando descontraidamente sobre assuntos sérios ou triviais.

É sentir-se bem só de pensar na pessoa. Sorrir ao lembrar algum momento. O coração disparar ao ouvir aquela voz tão esperada. São tantos os sintomas que são difíceis de identificar pelos quais passei.

O que sei é que os sentir, os experimentei sem ilusões, mentiras, falsas promessas ou enganos unicamente ao seu lado. E agora que você se foi, o que faço? Chorar? Quase toda noite choro olhando no visor do celular nossas fotos. Sorrir? Quase sempre quando me lembro de alguma mania nossa ou quando você resolvia brincar comigo já sabendo que eram quase cem por cento de certeza que eu cairia.

A propósito, a trilha do desespero mudou para uma musica que talvez você conheça já que seu gosto musical sempre foi melhor que o meu. I Remember You da Skid Row. Não me pergunte como cheguei a ela, mas esta na playlist da depressão.

Sabe aquele piloto automático que os pilotos de aeronaves acionam? Pois é. Acionei o da minha vida. As rádios parecem saber o que vai em meu intimo e cada vez que as ouço dói mais um pouco.

No peito, aguda, ritmada e com intervalos. Dói tanto e nem sei mais o que fazer. Sabe o que eu queria? Ti ver uma ultima vez. Tocar-te uma ultima vez. Abraçar-te e beijar-te só mais essa vez. E se depois disso você se mantivesse nessa decisão olhando em meus olhos eu deixar-te-ia em paz. Seguiria meu caminho com tristeza nos olhos, mas a certeza de quem tentou.

Agora chove enquanto escrevo as palavras finais dessa carta em um papel já manchado de lagrimas ao som do bolero de Luis Miguel e sua voz inconfundível a cantarolar os versos de La Barca, minha vida. As letras tortas por causa da vista embaçada pelo álcool e sono. Já se pode ouvir sair da minha garganta os soluços de quem chora um amor partido.

Se a colocarei no correio ainda não sei. Talvez já esteja feliz ou melhor do que eu. Não quero estragar sua vida nem alimentar meu tão frágil coração com falsas esperanças, sem dramas. Então talvez deixe tudo como esta. É. Talvez seja melhor assim. Desejo sua felicidade mesmo que me soe tão cara. Mesmo que não seja ao meu lado.

De alguém que ama.


Notas Finais


Segue o link da musica para quem desejar ouvi-la e gracias.

La Barca – Luis Miguel https://www.youtube.com/watch?v=ByLXmPxF4ks


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