História As Primaveras Me Trazem Você - Capítulo 34


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren
Visualizações 586
Palavras 9.254
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Orange, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hey nenéns... Como estão??

Bora pra mais um capitulo?

Capítulo 34 - Noticias


 

“Vou fazer de tudo para final de semana estar nos seus braços.”

Camila bufou novamente ao relembrar da promessa de Lauren. Dinah estava sentada ao seu lado, observava a cara fechada da amiga.

Havia se passado quase três semanas desde que saíram de Nova York e Lauren ainda não tinha retornado. Camila passou o final de semana ansiosa, esperando a qualquer momento a morena aparecer pela lanchonete ou mesmo na casa de Dinah. Foram dois finais de semana esperando e Lauren ainda não retornara.

O que deixava a latina mais intrigada, era que Lauren não atendia suas ligações e apenas mandava mensagem respondendo que estava cansada ou ocupada demais, prometendo ligar assim que puder. Porem, até então não ligou. Camila ficou preocupada quando Lauren mandou uma mensagem na quinta-feira, pedindo para Camila ir jantar em sua casa com sua mãe e irmã, pois elas estariam sozinhas, já que Michael havia desembarcado em Nova York, para tratar de negócios. Lauren também disse na mensagem, que precisaria conversar com Camila sobre um assunto importante quando retornasse.

Era sábado a tarde e como sempre, folga das duas garotas. Normani tinha uma reunião no estúdio de dança de Miami durante todo o período, deixando Dinah livre durante o sábado. Nisso, Dinah deu a ideia de levar os irmãos menores e buscar Sofia para passarem o dia no parque. Uma desculpa também para tirar Camila de dentro de casa, onde evitava sair a não ser se fosse para o restaurante enquanto Lauren não voltava, na tentativa de tirar a cara amarrada da garota. Camila aproveitou que estava com o carro de Lauren a sua disposição desde que voltou, já que a morena havia deixado o carro guardado na casa dos Hansens e a chave com a latina, para levar os pequenos para passear.

- Eu odeio essas viagens para NY... – Camila reclamou. Dinah rolou os olhos.

- Relaxa, okay?! Não é como se não soubéssemos o que ela está fazendo lá. Alem disso, seu sogrinho está lá para cuidar dela.

- Ela nem me ligou desde...

- Olha, eu entendo que está frustrada, mas espere ela volta e tire tudo a limpo. Eu apoio se quiser dar uns bons tapas nela. – Dinah cutucou as costelas de Camila, fazendo a garota se contorcer e rir. – Já temos um risinho... Estamos evoluindo.

- Kaki... Pode comprar algodão doce? Por favor... – Camila olhou para a carinha de suplica de Sofia, com seu adorável em seu casaco pink e as bochechas rosadas de correr contra o vento frio do parque, junto a Gina e Seth.

Camila olhou para Dinah que deu os ombros e tirou uma nota de cinco dólares do bolso traseiro de sua calça.

- Compre um pra você e pra Gina e Seth também. – Sofia assentiu, pegando a nota e deixando um grande sorriso, se aproximando da latina e plantando um beijo em sua bochecha.

- Obrigada Kaki, você é a melhor! – Saiu cantarolando, enquanto chamava os dois amigos para irem ao encontro do homem que tinha uma pequena torre de algodões coloridos. Camila sorriu com a felicidade dos pequenos.

- É impressão minha ou essa garota tá cada vez puxando mais os traços do seu pai? – Camila analisou um pouco mais sua irmã, que estava a três metros de distancia, ajudando Seth a escolher uma cor de algodão doce.

- Você também notou isso? Achei que era apenas coisa minha. – Camila comentou em um suspiro. – Ela nunca pareceu muito com minha mãe, ela parecia um pouco comigo em algumas coisas, mas não tinha muito dos traços dos meus pais. Agora ela esta crescendo e herdando mais os traços do papa.

- E você com sua mãe?

- Você sabe... – Camila deu um sorriso fraco para a amiga. – Ela novamente veio me dizer que eu posso voltar pra casa. Que não acha certo eu ficar por ai sendo que eu tenho uma casa. – Dinah cerrou os olhos e Camila prosseguiu. – Mas ela quer que eu volte para casa com a condição de abrir mão de Lauren e de qualquer coisa que temos ou tivemos.

- Ou seja...

- Ela vem sendo mais atenciosa comigo, perguntando como eu estou, sendo gentil, mas... É a Lauren o problema dela. Ela não tenta sequer aceitar o fato de que Lauren não é uma ameaça a mim ou a nossa família. Ela não tenta ver o bem que me faz ter Lauren por perto. Se ela desse pelo menos uma, Dinah, uma única chance para conhecer o quão maravilhosa a Laur é.

- Achei que depois da internação da Sofia, ela ia amenizar as coisas.

- Eu também... – Camila voltou a atenção a Sofia, que estava sentada em um dos balanços, dividindo seu algodão doce com um menino de cabelos loiros e cacheados.

- A noite Mani vai em casa. – Dinah disse mudando de assunto, vendo que aquilo ainda chateava a latina. – O que você prefere, ficarmos em casa assistindo algo, ir ao cinema ou...

- Vocês podem sair, Cheechee. Só me deixem na lanchonete antes.

Dinah abriu a boca chocada, encarando a latina, acreditando ser algum tipo de piada.

- Hoje é sábado, querida... depois do almoço não trabalhamos mais.

- Mas prefiro ficar lá ajudando do que de vela ou encarando o celular, esperando alguma noticia de você sabe quem. – A latina deu os ombros, ignorando a careta de Dinah.

Dinah acabou aceitando a ideia de Camila e assim, no fim do dia após deixar Sofia na floricultura com Sinu e voltar pra casa com os dois pequenos, Camila tomou um banho e esperou Dinah se arrumar. Logo Normani chegou e fez companhia para a latina até que Dinah finalmente voltasse do quarto.

A negra deu uma carona para Camila até o restaurante, ainda insistindo que a garota devia vir com elas ao invés de ir trabalhar em sua folga, mas a latina parecia fixa em sua ideia.

Gordon ficou surpreso quando Camila adentrou a cozinha, mas logo adorou a disposição da garota, ainda mais pelo movimento que havia naquela noite na lanchonete. Camila ficou encarregada de tirar os pedidos prontos da cozinha e entregar para Fisi’iHoi levar até as mesas.

Enquanto Camila se empenhava em sua atividade no restaurante, Dinah e Normani dirigiam até o cinema no centro de Miami. Normani avisou que precisava passar no posto e abastecer, antes de seguirem para o cinema, e assim fizeram.

Dinah estava tão interessada de saber sobre a reunião no estúdio de dança que Normani havia passado a tarde, que acompanhou a negra até para pagar o combustível.

- Então quer dizer que você além de dar aulas, também será responsável pelo estúdio? – Dinah questionou.

- Não exatamente. – Normani comentou animada. – Eu tenho grandes chances de ficar como diretora geral, mas antes tenho que esperar para ver se vão abrir outro estúdio em Tampa. A negociação sai até o inicio das aulas e caso eles aceitem, em seis meses a diretora daqui vai pra lá cuidar do estúdio e eu assumo a diretoria.

- Isso vai ser incrível... – Dinah comentou animada. – Nem acredito que além de me gabar por minha namorada ser estilista, ainda vou poder jogar na cara de todos que você é a diretora do maior estúdio de dança de Miami. – Normani rolou os olhos de brincadeira e deu um empurrãozinho na namorada.

- Então você me usa como meio de bajulação para sua alto-estima com alguém?

- Também uso que a minha melhor amiga é nora do mais poderoso empresário do ramo imobiliário de Miami. - Dinah deu os ombros e Normani a olhou incrédula.

- Falando nisso, aquele não é o Michael? – Normani comentou assim que se aproximou de seu carro.

Dinah estreitou os olhos para tentar enxergar onde Normani havia apontado, avistando uma Dodge Ram 2500 laramie 4x4 preta com detalhes em prata. O homem acabara de estacionar para abastecer. Só que além do simpático senhor que as meninas conheciam, Dinah também avistou uma figura muito familiar no banco do carona.

- E não é só ele, mas a filha também. - Normani estreitou os olhos para ver como Dinah conseguia enxergar alguém. – Vem, vamos lá...

- Não sabia que estavam de volta. – Normani comentou em pensamentos altos. Dinah assentiu e segurou a mão da namorada, arrastando-a até lá.

Enquanto o casal caminhava em direção a Ram, Lauren despreocupadamente saía, indo em direção ao seu pai, reclamando do vento que fazia aquela noite.

Dinah sentiu uma certa irritação ao ver a jovem de olhos verdes totalmente despreocupada enquanto ria de algo que seu pai falava. A primeira coisa que Dinah se perguntava era se ela havia informado Camila sobre sua volta.

- Hey Laur! – Lauren se virou assim que ouviu a voz de Normani lhe chamar. A morena sorriu para amiga e olhou um tanto confusa com o olhar estranho de Dinah para ela. – Como está?

- Hey Girls! – Lauren abriu os braços em recepção as meninas. – Não esperava encontra-las por aqui.

- Imagino. – Dinah disse com um leve sarcasmo. Normani percebeu, mas acabou deixando pra lá.

- Como está Mike? – Normani cumprimentou o homem que usava a bomba para encher o tanque.

- Otimo! Cansado ainda da viagem, mas logo vou pra casa descansar. – Ele disse sorrindo. – Como as adoráveis amigas da minha filha estão? – Questionou em simpatia.

- Estamos bem! – Dinah disse, esquivando-se de Lauren rapidamente, para dar atenção ao homem. – Chegaram agora?

- Não, tem um pouco mais de três horas aproximadamente. – Ele disse com tom aliviado. – Havia me esquecido como é cansativo esses tipos de negociação pra fora de Miami. Acho que já estou fora de forma para isso.

E as suspeitas de Dinah estavam respondidas. Não tinha nem uma hora que haviam deixado Camila na lanchonete e tinha mais três horas que a morena tinha voltado. E até então, Camila ainda acreditava que ela estava em Nova York.

- O que fazem aqui? – A atenção de Dinah foi tomada pela pergunta de Lauren.

- Comprando sapatos. – Respondeu com ironia. – Que diabos alguém faz num posto de combustível pra você fazer uma pergunta idiota dessas?

- Dinah! – Normani repreendeu a rispidez da namorada. – Apenas a ignore. – Lauren assentiu, sem entender a forma de recepção da loira. – Estamos indo ao cinema e meio que precisava completar o tanque.

- Camz está com vocês? – Perguntou olhando em direção do carro da negra.

- Ela ficou ajudando na lanchonete. Eu bem que insisti para vir com a gente, mas ela não parecia muito no clima pra sair.

- Na lanchonete? – Lauren franziu o cenho, encarando Dinah. – Por quê? Não é a folga dela?

- Ela meio que está um pouquinho chateada por você não ter dado atenção pra ela e resolveu descontar as frustrações trabalhando em pleno dia de descanso. – Normani comentou sorrindo, afim de não deixar aquilo como algo ruim.

- Ela deve estar querendo arrancar meus cabelos com a mão. – Lauren comentou tentando disfarçar sua preocupação. – Eu lembro da ultima vez que voltei de NY.

- Duplique suas preocupações então... – Dinah comentou dando os ombros.

- Você não está ajudando... – Normani disfarçadamente comentou para a namora.

- Ela vai me matar... – Lauren murmurou com um sorriso forçado.

- Quem vai te matar? – Michael se aproximou das garotas, curioso pelo assunto.

- Sua futura norinha. – Normani deu um tapa no braço de Dinah, por ser tão intrometida.

- Camila? O que você aprontou Lauren? – Lauren olhou incrédula para o pai, que tinha uma expressão séria pra ela.

- Eu não fiz nada... Eu estive o tempo todo em Nova York trabalhando. O senhor esteve nesses últimos dia lá e viu o monte de coisa que eu tinha que fazer. Ela ficou brava porque não atendi as ligações porque estava em reunião e não tive tempo de responde-la o tempo todo por mensagem e...

- Okay, eu entendi. – O homem estendeu a mão a frente a filha para que a mesma não prosseguisse mais. – Isso não é desculpa, Lauren. Você ficou quase três semanas fora, trabalhando, mas isso não é desculpa para não dar pelo menos dez minutos de atenção pra sua namorada. Eu estou desde quarta-feira na mesma correria que você em Nova York e nem por isso deixei de ligar pelo menos na hora do almoço e a noite todos os dias pra sua mãe, pra saber como ela e seus irmãos estavam, além de lhe desejar boa noite como é de nosso costume.

- Eu sinto muito...

- Tem que sentir mesmo e tem que dizer isso a ela. – O homem falou sério.

- Por mais Mikes no mundo. – Dinah levantou a mão fechada em punho pra cima.

- Bom, a gente vai ir... Queremos pegar a sessão das nove e meia. – Normani disse, já se despedindo.

Dinah se despediu também, indo em direção ao carro da negra. Lauren voltou para o lugar que ocupava na Ram, enquanto seu pai foi pagar pelo combustível.

Imaginando a melhor forma de abordar uma latina furiosa, Lauren optou em mandar uma mensagem, apenas para certificar-se do grau de chateação que a latina estava.

“Hey babe... Acabei de chegar e estou morrendo de saudades de você. Queria te ver!”

Lauren mordeu o lábio inferior, pensando um pouco antes de enviar a mensagem, suspirando assim que o fez.

- Pra onde quer ir agora? – Lauren deu um pulo, jogando o celular pra cima assim que seu pai abriu a porta do carro, lhe assustando.

- Preciso pegar meu carro com a Camz e conversar sobre aquele assunto... – Lauren olhou um pouco preocupada para seu pai, que colocou a mão em seu ombro e apertou levemente.

- Se ela realmente te ama, vai entender, querida. – Ele disse num tom confortante. – O pouco que eu a conheço, sei que ela é capaz de compreender que isso é o melhor para você. Alem do mais, você já aceitou... Não tem mais volta.

- E se ela não aceitar e quiser terminar porque acha que isso é demais pra gente? Eu aceitei pela euforia do momento, mas meu coração gritava por querer conversar com ela primeiro.

- Camila é boa e quer o seu melhor, disso eu tenho certeza. É uma decisão já tomada, Lauren. Não tem o que se fazer mais, além de aceitar. E se ela terminar com você por conta disso, bom, ambas são jovens, duas garotas boas e especiais... Talvez seja um amor de verão e...

- Pelo amor de Deus, pai! – Lauren correu a mão pelos cabelos, o jogando para o lado. – Camila está longe de ser uma aventura de estação. Ela está longe de ser comparada com qualquer outra pessoa que eu me envolvi.

- Deixe-a saber disso então. – Mike sorriu pelo olhar preocupado da filha. – Converse com ela. Talvez ela precise de um tempo para processar a noticia, mas não desista dela e não deixe que ela desista de vocês.

Lauren sorriu agradecida pelos conselhos do pai. Antes de dar a direção de onde pretendia ir, o celular notificou uma mensagem. Seu coração acelerou em ansiedade quando viu a notificação de me “My Girl” brilhar na tela.

“Que bom. Não posso falar agora, estou ocupada no momento. te ligo quando tiver um tempo. :)”

Lauren fez uma careta, sentindo uma pontada de remorso quando percebeu que Camila usou as mesmas palavras que ela enviou numa mensagem dias atrás.

- Leve-me até o restaurante dos Hansens, por favor.

Mike deu um leve sorriso e deu partida, seguindo o caminho indicado pela filha.

Em alguns minutos depois estavam estacionados na rua da lanchonete. Michael acenou quando Lauren atravessou a rua e parou em frente as portas de vidro da comercio.

O movimento era grande lá dentro. Sequer conseguiu uma mesa vazia, optando por se sentar próximo ao balcão ao lado de um senhor de terno. Os olhos verdes vagavam em busca da figura feminina que ela tanto adorava, porem foi em vão, percebendo que apenas os dois irmãos de Dinah transitavam entre os clientes.

Lauren percebeu o olhar aguçado do homem ao seu lado, que lhe media dos pés a cabeça. Tentando não parecer grosseira, Lauren afastou seu banco com naturalidade, tento uma distancia confortável do homem.

- Hey, você é a amiga da minha irmã, certo? – Kauvaka se aproximou estendendo um cardápio. – Desculpa a demora pra atender, é que hoje o movimento está grande por aqui.

- Não se preocupe, podia ter tomado o tempo que precisasse... Eu não tenho pressa. – Lauren deu os ombros. - O que me sugere pra hoje? – A morena entregou o cardápio sem nem ao menos olhar.

- Chocolate quente e Muffins de chocolate com nozes? – Questionou em duvidas. – Minha mãe já está testando as receitas de inverno. – Explicou.

- Boa pedida. Vou querer isso ai. – A morena garantiu.

- Okay... Talvez demore um pouco, mas acho que logo uma fornada quentinha de muffins sai. – Lauren sorriu e o garoto saiu.

- Desculpe-me, mas nos conhecemos de algum lugar? – Lauren revirou os olhos ouvindo aquela forma escrota de puxar assunto que homem estava usando.

Dando o melhor sorriso cínico, Lauren se virou e encarou a figura a frente, analisando melhor seus traços.

Era um cara que aparentava ter seus trinta anos. Tinha uma barba desleixada no rosto, deixando claro que no mínimo havia quatro dias que o barbeador não era usado. O cabelo era jogado para o lado, com uma grossa camada de gel que segurava os fios. Sua gravata em tom azul estava afrouxada e a camisa branca com os dois primeiros botões aberto. Lauren fez uma careta mentalmente, mas ainda manteve um sorriso amigavelmente falso no rosto.

- Aposto que não. – Ela respondeu. O cara sorriu achando que seus flertes essa noite seriam certeiros.

- Bom, então acho que nada pode nos impedir que nos conheçamos agora, então. – Ele lançou um sorriso de lado, um tanto charmoso.

Talvez em outros tempos Lauren poderia dar pontos ao rapaz, mas hoje que finalmente conseguiu sua alta-confiança, não daria bola a ninguém para alimentar sua extrema carência. Sem contar que ela não tinha mais espaço em sua vida para ninguém que não fosse Camila.

Lauren estava preste a dar uma devida resposta ao cara, quando sua atenção foi chamada pelo som de algo sendo posto ao balcão. Ela se virou e viu no final do balcão, Camila depositando uma bandeja e explicando algo para um dos irmão de Dinah. O menino assentiu e Camila sorriu pra ele, tirando uma xícara e um prato da bandeja, antes do jovem levar.

Camila caminhou tão concentrada para não derrubar nada, que não foi ao menos capaz de notar quem estava ao lado do rapaz que ela havia atendido anteriormente.

Lauren mordeu o lábio inferior por ansiedade, querendo ver a reação da namorada ao vê-la ali.

- Até que enfim. – A morena desviou a atenção, levantando um olhar interrogativo para a mudança súbita do homem. – Já estava indo embora e desistindo pela demora.

- Desculpe-me. – Camila abaixou a cabeça de forma envergonhada, fazendo Lauren engolir seco. – O movimento hoje está...

- Não precisa me explicar... Está aqui apenas pra servir, não é? – Camila apenas assentiu com a cabeça em silencio, sem ter coragem de olhar para frente. – Pelo menos a demora me rendeu uma boa companhia. – Ele olhou para Lauren, que apenas assistia tudo sentindo o sangue ferver em sua veia.

Camila apenas pediu licença e rapidamente sumiu pelas portas da cozinha sem dar ao menos tempo de Lauren falar algo. A morena respirou fundo, buscando paciência pra não jogar aquela xícara de café expresso quente na cara do cara novamente tinha aquele sorriso que agora parecia idiota ao ver de Lauren.

- Por que a tratou assim? – Questionou tentando ser pacifica. Queria manter a calma e não perder a cabeça para que suas atitudes não afetasse Camila de modo indireto.

- Como? – Ele perguntou bebericando a bebida escura e quente.

- Por que foi grosso com ela? – Lauren foi mais clara, se irritando pelo fato do cara ao menos parecer se importar.

- Não fui grosso. – Ela deu mais um gole de sua bebida e encarou Lauren. – Eu a tratei como se deve tratar funcionários ineficazes. Tem que ser duro com eles... – O homem fechou a mão em punho, apertando firme para Lauren ver. – É assim que eu lido com os funcionários na empresa onde trabalho.

- Desculpe-me, mas afinal qual o seu nome e onde trabalha? – A morena se fez interessar pelo assunto, apenas para conseguir mais informações.

- Scott Hilton. – Ele estendeu a mão para Lauren, que apenas acenou com a cabeça para ele continuar. Ele sem graça, disfarçou e levou a mão até o prato, pegando um dos biscoitos. – Sou responsável pelo setor de vendas Max Porcelain. – Ele disse convencido.

Lauren deu um riso nasal, o que fez o homem estreitar os olhos em desentendimento.

- Max Porcelain? Agora entendo porque uma empresa de porcelanas daquele porte está falindo. Não precisa nem de auditoria pra ver o problema. – Lauren sorriu malignamente. – É só eles repensarem melhor sobre quem está responsável pelas vendas.

- Você acha que é quem por acaso para falar assim de mim? – O cara fechou a cara, elevando a voz. Lauren apenas rolou os olhos e sorriu cinicamente.

- Lauren Jauregui. – Ela estendeu a mão para o cara que lhe olhava surpreso. – Filha de Michael Jauregui. Dono e presidente da Jauregui Real Estate Development. – Lauren sorriu vitoriosa. – Aproposito, eu sou diretora geral e responsável pela filial 1 da empresa do meu pai.

- Oh, você... – Ele abria e fechava a boca sem nenhum som sair. – Eu... Eu não.. – Ele tentou organizar as palavras, se sentindo um pouco nervoso. – Seu pai é um dos maiores empresários que eu pude ouvir falar. Eu realmente espero um dia ser como ele e...

- Se pretende algum dia ser pelo menos a metade do homem que meu pai é, aprenda a ser compassivo e humilde perante todos. Você acha que um bom líder age como você fez com a garota?  A primeira coisa que ela fez foi se desculpar pela demora e você a tratou como um nada. E se ela fosse alguém importante, você a trataria assim? – Ele negou com a cabeça, se sentindo minúsculo diante do discurso de Lauren. – Você pode estar queimando seu filme sozinho com isso. Se tem uma coisa que meu pai faz com muito empenho, é tratar bem todos. Não importa se seja um representante importante ou mesmo a senhora que lava os banheiros da empresa. Não importa qual a profissão ou mesmo classe... Acima de tudo, somos todos humanos e devemos respeito uns aos outros.

O cara ficou tão sem graça, que naquele momento ele quis evaporar junto a fumaça que saía de sua xícara. Antes que Lauren prosseguisse, sua atenção novamente foi tirada quando a latina apareceu colocando uma bandeja no balcão, rapidamente buscando mais duas e colocando ao lado.

Lauren admirava o perfil de Camila. Cada traço perfeitamente desenhado. A pele corada, provavelmente pelo calor da cozinha e toda correria. A latina franziu o cenho, lendo a pequena nota, conferindo os pedidos.

Logo um dos irmãos de Dinah apareceu, para levar as bandejas as devidas mesas. Camila separou uma bandeja pequena contendo um prato com muffins e uma caneca grande de chocolate quente. Kauvaka, apontou para o lado assim que viu a bandeja e Camila franziu o cenho, logo se deparando com os cabelos escuros e rebeldemente bagunçados que ela tão bem conhecia.

Camila arrastou a bandeja para direção de Lauren que sorria nervosamente, tentando decifrar a feição da latina.

Lauren puxou mais a bandeja, retirando por si mesma a caneca de chocolate quente e os muffins. Camila estreitou os olhos pra ela.

- Obrigada. – Lauren disse pegando um dos muffins. – Isso realmente parece muito bom. – A morena cuidadosamente levou o bolinho a boca e mordeu, percebendo que o mesmo era recheado. – Humm... Isso realmente é muito bom. Já provou? – Ofereceu o muffim mordido.

- Nem venha me agradar. – Camila disse cruzando os braços. – Temos que ter uma conversa muito séria, Jauregui. – Scott pigarreou quando estranho o grau de tratamento entre elas. Lauren apenas ignorou e voltou a atenção a garota.

- Eu sei...

- Eu estou trabalhando agora. Tenho que voltar pra lá... – Camila disse quase saindo.

- Hoje é sua folga que eu sei. Também sei que está aqui porque decidiu isso. Encontrei com Dinah e Normani e elas me avisaram que estava aqui. E também vou precisar do meu carro pra voltar pra casa.

Scott terminava seu pedido ainda confuso com tudo aquilo. De minutos atrás queria evaporar no ar, agora queria entender o que havia ali.

- Quero acertar a conta. – Ele falou colocando a xícara no pires. Camila assentiu e pegou a comanda que estava ali. – Pegue a maquina, vou passar o cartão. – Ele informou antes que Camila dissesse o valor.

Camila virou-se e caminhou até próximo a registradora, pedindo para Gordon a maquina de passar cartão. Logo ela retornou, ajustando o valor a ser descontado. Lauren olhava a forma que Scott não encarava a latina. A garota entregou a maquina onde o rapaz prontamente passou o cartão e digitou a senha.

- Acho que você ainda deve algo. – Lauren comentou encarando-o seriamente. – Não se esqueceu de nada? – Ele olhou confuso e Lauren revirou os olhos. – Não vai se desculpar por ter sido um babaca com ela anteriormente? – Scott travou a mandíbula e manteve a pose determinada a não fazer o que Lauren pedia.

- Por que se importa? Você nem tem nada a ver com isso. Você deveria ter chamado o responsável daqui para entregar a forma hostil que ela te tratou. Ela tem que se colocar no lugar de funcionaria e não achar que tem o direito de...

- Ela é minha namorada, ela pode falar comigo da forma que ela achar mais conveniente, ela tem motivos para falar assim comigo. E de maneira alguma, me ouviu? De maneira alguma vou deixar que desmereçam ela. Você é tão babaca que sequer disse um obrigado. Vamos lá... É tão bom com palavras que não consegue efetivar a venda de um prato da empresa onde trabalha. Meu pai é amigo do Emilius Max, dono da empresa. Eu posso muito bem pedir o numero dele e ferrar com sua vida. Então, você não vai sair daqui enquanto não se desculpar com ela!

- Lauren! – Camila tentou repreender, assustada pela revolta súbita da morena.

Scott arregalou os olhos e engoliu seco enquanto tentava processar a informação. A garçonete era namorada da filha de um dos mais consumados empresários de Miami. Ele estava investindo em sua “bola de ouro” se pensasse no fato que namorar alguém como Lauren era sua porta garantida para o sucesso. Mas o que mais o intrigou... Ela namorava a garçonete?

- Você é lésbica? – Ele perguntou sem ao menos perceber. – Eu não acredito que estava pra flertar com uma lésbica. Por que não avisou antes?

Camila arregalou os olhos e encarou Lauren.

- Primeiro isso não é da sua conta. E outra... As investidas eram suas e não minha. – Lauren deu os ombros. – Para finalizar, eu exijo que se desculpe com a minha namorada se não quiser que eu leve isso pro lado pessoal e resolva fazer um pequeno inferno na sua vida medíocre.

- Me desculpe. – Scott murmurou.

- O que? – Lauren perguntou outra vez.

- Me desculpe! – Ele disse em tom mais audível.

- Diga pelo que está se desculpando e olhe diretamente pra ela e não para suas calças. Você não foi machão na hora de ser grosseiro? Seja homem pelo menos para se desculpar corretamente com uma mulher.

- Desculpa por ser grosso com você. – Ele desse olhando a frente, não diretamente para Camila. – Isso não vai se repetir.

- É o que eu espero. Agora pode se retirar devidamente desse estabelecimento.

- Lauren, você é louca? – Camila deu um tapa no braço da morena assim que o rapaz foi embora. – Se o Gordon visse, era capaz de nunca mais me deixar trabalhar aqui.

- Ele foi um babaca e eu apenas o coloquei em seu lugar. – Lauren deu os ombros e olhou seu chocolate quente. Agora não tão quente assim.

- O que faz aqui a essa hora?

- Vim atrás da minha namorada que está chateada comigo. – Camila rolou os olhos e cruzou os braços. – É sério Camz, eu estou morrendo de saudades e precisava te ver. Tenho que te contar porque eu fiquei por tanto tempo e também tem algo muito sério e delicado que você precisa saber. Além de que, meu carro continua contigo. Será que podemos ter um tempo pra gente?

- Vai comer e beber isso enquanto eu converso com o Gordon? - Camila pegou um dos muffins e mordeu. Lauren assentiu, tomando um gole de seu chocolate.

- Vai lá... Te espero aqui.

Enquanto Camila explicava a Gordon que Lauren precisava do carro que estava em sua casa e teria que ir lá com ela buscar e provavelmente não voltava, Lauren se lambuzava com o recheio de creme de nozes de seus muffins.

- Pronto!! – Camila apareceu sem seu avental, mais ainda do outro lado do balcão. Lauren levantou a cabeça e a olhou. Camila se segurou para não rir da morena que tinha os cantos dos lábios todo sujo. Se ela não estivesse ainda querendo bater na morena, acharia aquela cena adorável. – Limpe o canto da boca e vamos... Eu já paguei pelo seu pedido. – Disse simplesmente e saiu.

Lauren pegou o ultimo bolinho e virou o copo de chocolate, afim de não deixar nada pra trás. Camila se aproximou e bufou ao ver que Lauren ainda estava sentada.

- Vamos logo. – Camila seu um tapa no ombro de Lauren e saiu andando.

Quando finalmente Lauren alcançou a latina, a mesma já estava lá fora esperando no meio fio da calçada.

- A noite está fria hoje. – Lauren comentou, fechando sua jaqueta logo que sentiu uma rajada de ar tocar-lhe. – Será que não vou ganhar nem um beijinho de boas vindas? – Camila levantou uma sobrancelha e se afastou quando Lauren abriu os braços pra ela.

- Nem comece... Ainda temos o que conversar e estou adiando os surtos para quando estivermos sozinhas. – Lauren levantou as mãos em redenção, resolvendo escanear com os olhos a rua.

- Onde está meu carro?

- Na casa da Hansens. Eu não vim com ele. – Disse simplesmente.

- Como que você acha que vamos?

- Uber. – Camila se virou e encarou Lauren. – Gordon pediu um pra mim. Acho que já deve estar chegando. – Lauren assentiu com a cabeça e olhou pra baixo, vendo uma pedrinha e a chutou. – Estou feliz que finalmente tenha voltado.

A cabeça da morena se virou rapidamente, encarando Camila de forma receosa. A latina parecia mais mansa ao dizer isso, o que deixou Lauren feliz.

- Eu também estou feliz por estar de volta... Pra você. – Lauren tentou se aproximar, mas Camila estendeu a mão em frente ao peito da morena, a impedindo de ir em diante.

- Mas ainda estou brava com você!

- Me desculpa, amor. – Lauren lamentou. – Não é como se eu fizesse de proposito. As coisas tomaram outro rumo e até meu pai teve que ir pra lá tomar novas decisões, você sabe disso. – Sorrateiramente, Lauren conseguiu segurar a mão de Camila. Vendo que a latina não hesitou ao toque, Lauren começou a brincar com os dedos da garota. – E eu sei que você está chateada na verdade, por eu não ter sido atenciosa contigo. E eu tenho que me desculpar por isso. Não pense que eu me esqueci de você ou estava te evitando. É que aconteceu uma coisa e... – Lauren mordeu o lábio inferior, deixando um suspiro cansado sair, desviando o olhar de Camila. – É que aconteceu uma coisa e eu precisava de tempo pra processar a decisão precipitada que havia tomado e é sobre isso que temos que conversar.

Camila sentiu uma rajada fria tomar seu corpo, onde um frio na espinha lhe cortou o corpo. Ela a principio achou que era pelo clima, mas na verdade, ela sabia que havia sido pelas palavras de Lauren.

- Por que sinto que não vou gostar do que eu vou ouvir? – Lauren se sentiu mal quando viu o olhar preocupado de Camila.

A morena ia começar a tranquiliza-la quando o carro que Gordon havia solicitado pelo aplicativo Uber estacionou a frente delas. Em um silencio quase torturante, ambas entraram e apenas indicaram o caminho.

Quinze minutos foram o suficiente para que as duas garotas descessem do carro. Lauren pagou o rapaz e logo foi até Camila, que lhe esperava no portão.

- Eu vou pegar as chaves e a gente vai pra algum lugar. – Lauren concordou, dando espaço para que Camila pudesse ir para dentro da propriedade.

A morena não teve que esperar mais do que três minutos, para logo ver portão principal sendo aberto automaticamente e o carro negro tão conhecido sair por ele. Lauren esperou Camila sair para tomar o banco do motorista, mas aparentemente a latina não tinha intensão de lagar o volante. Lauren teve certeza quando a garota sinalizou para que ela entrasse logo.

- Parece que alguém se apossou de vez do meu carro... – Lauren comentou em tom de brincadeira, mas Camila não parecia interessada a nenhuma piadinha no momento.

- Aonde quer ir? – Camila olhou para Lauren que colocava o cinto.

- Vamos até minha sala na empresa. – Lauren respondeu após pensar um pouco. Camila olhou confusa e Lauren explicou. – Lá é o melhor lugar para termos privacidade, já que não tem ninguém além do segurança na entrada do prédio.

O silencio se fez durante o percurso no carro. Lauren pensou em ligar o radio, mas acabou optando por se sufocar a falta de assunto que estava ali. O silencio não muito confortante, mudou quando o barulho de gotas pesadas tornaram audíveis. Só então ambas perceberam o céu fechado sobre a cidade.

Logo que o carro parou no portão da empresa, o segurança se aproximou, achando um pouco estranho, mas quando Lauren baixou rapidamente o vidro e o cumprimentou, ele liberou a entrada. Lauren pediu para Camila deixar o carro em frente a entrada do Hall, já que logo voltariam. E assim ela fez.

Desativar o alarme. Destrancar a porta. Pegar o elevador... E assim elas chegaram até o ultimo andar do prédio em completo silencio. Logo que as portas metálicas se abriram, os olhos castanhos e curiosos vagavam pelo corredor onde havia apenas uma longa mesa clara próxima a uma porta escura e larga de madeira. Do outro lado havia apenas duas portas mais simples e no final, a entrada que indicava ser o banheiro.

- Acho que só assim pra você conhecer meu esconderijo. – Lauren quebrou o silencio, num tom tranquilo. – Mesmo eu dando passe livre, você nunca veio até aqui. – Camila a olhou sorrindo timidamente. – Bom, aqui é o meu andar.  Aquela mesa ali é onde Lucy fica. – Apontou o local. – Aquelas duas portas do outro lado, uma é minha sala de reunião e a outra também é uma sala para reuniões, só que menor, para tratar assuntos individuais. Lá dentro tem uma porta que leva a uma pequena cozinha também. – Lauren gesticulou com as mãos, de forma descontraída. – No final é meio obvio que é banheiro e aquela porta perto da mesa da Lucy, é minha toca e da Vero.

- Parece calmo aqui. – Camila andou um pouco a frente, até parar em frente a porta mais alta e larga, escura e com vários detalhes que Camila pode admirar ao se aproximar. Tinha uma placa dourada com as iniciais LMJ gravados e logo a baixo em fonte bem menor estava gravado “diretoria Geral” com letra cursiva.

- Aposto que essa porta intimidadora seja a entrada da sua sala. – Camila se virou, vendo que Lauren continuava parada no mesmo lugar, apenas a olhando.

- Como adivinhou? – Zombou, caminhando até o lado da latina. Lauren tirou uma chave do bolso, uma única chave dourada com um chaveiro com a letra “L” e entregou para Camila. – Vá, pode abrir.

Camila pegou a chave e colocou na fechadura, rodando duas vezes e ouvindo ela se destrancar. Ela colocou a mão sobre a maçaneta fria e a rodou, logo revelando uma sala escura. Lauren colocou a mão na base das costas da latina e a empurrou gentilmente para que entrasse, indo logo atrás. Assim que alcançou o interruptor, a morena acendeu as luzes clareando toda a sala.

Uma grande sala, com paredes claras, cortinas escuras ao fundo logo atrás da mesa maior que ficava centralizada no espaço de trás. Era uma grande mesa de madeira escura. Do lado direito mais próximo a porta, outra mesa escura, porem menor. Tinha um notebook aberto, um monte de papeis formando uma pequena pilha, canetas e marca textos espalhados. Havia um porta retrato, alguns enfeites e uma caneca. Pela desordem, era a mesa de Vero.

A latina também não deixou de observar um armário na parede esquerda, a única peça clara ali. Discretamente quase se fundia com a parede que estava encostada. Camila caminhou mais ao centro para ter uma visão melhor. Lauren se acomodava numa poltrona preta, digna de um chefe, e atrativamente confortável. Próximo a porta, no lado esquerdo, tinha um sofá em tom café  abaixo das persianas ao lado da porta, tinha um balcão escuro, duas garrafas térmicas em uma bandeja prata.

- Quer ver a melhor parte dessa sala? – Camila se assustou quando ouviu a voz de Lauren soar próximo a ela. A latina apenas assentiu. – Vem cá. – Lauren a guiou até as grandes cortinas escuras. A morena caminhou até a lateral e puxou a cordinha, abrindo a cortina como se estivesse revelando uma grande palco para dar inicio a uma peça teatral.

O queixo de Camila caiu, ao ver todas as luzes brilhosas de Miami perante a escuridão da cidade. Nem o céu cinza estragava a imagem a frente.

- Parece estrelas no céu. – Camila comentou ainda contemplando a vista. Gotinhas de chuva batiam contra o enorme vidro que lhe servia de tela para assistir toda a cidade.

- Legal, né?! – Lauren se aproximou, cuidadosamente pousando uma mão na cintura de Camila que não recuou. – A única vantagem de ficar aqui até tarde é ter essa vista. Você precisa ver quando a Lua cheia aparece...

- Deve ser lindo...

- Camz... – Lauren tocou o ombro da garota, afim de ter sua atenção. – Me desculpa.

- Não precisa se desculpar... Eu também não fui muito compreensiva. – Camila se virou e segurou a mão de Lauren. – Eu tenho que ser mais flexível quando se trata de você. As vezes esqueço que por trás da mulher doce e carinhosa, da garota manhosa e carente que eu amo tanto, existe uma profissional séria e respeitada. Uma empresaria que tem tudo para ser a melhor. – A garota sorriu envergonhada e levou a mão de Lauren até seu rosto, sentindo o calor da palma tocar sua bochecha. – Talvez eu seja um pouco egoísta quando se trata de você, mas não me veja como uma pessoa possessiva... É que eu não consigo te ter longe por muito tempo.

Lauren engoliu seco, sentindo seu coração retrair em seu peito. Sua cabeça foi tomada pelo assunto que lhes trouxeram ali. Depois das palavras de Camila, parecia mais difícil conversar. Os olhos castanhos estudavam o olhar perdido de Lauren, sentindo uma ruga de preocupação se formar na testa da jovem.

- Temos que conversar.

- Está tudo bem? – Camila se aproximou, soltando a mão de Lauren que ainda matinha contra o próprio rosto. Camila gentilmente acariciou o rosto de Lauren desde a têmpora até o maxilar.

- Acho que sim. – Camila franziu o cenho, sentindo algo ruim corroer seu peito. – Vem, vamos nos sentar ali no sofá.

Camila se apressou e logo se acomodou no estofado frio de couro. Lauren se sentou ao seu lado, virando-se levemente para ficar de frente para a namorada.

- Pelo amor de Deus, Lauren... Você está começando a me preocupar. – Camila já estava desinquieta com a cara nada boa de Lauren. – Você está doente?

- Não... Eu estou bem de saúde. – Ela sorriu fraco. – Eu tenho que contar algo que ocorreu em Nova York e que foi decisivo pra mim.

- Você... – Camila apertou os olhos, tentando se livrar do primeiro pensamento que veio em sua mente. – Você, esteve com outra pessoa? Você está apaixonada por outra pessoa? – A voz fraca quase falha de Camila fez Lauren arregalar os olhos. – É isso não é? Você está terminando comigo porque sabe que eu não sou...

- O QUÊ? – Lauren praticamente saltou do sofá, parando em pé em frente a garota. – Está louca? – Perguntou indignada. - Não tem ninguém na minha vida além de você. E nem vai ter! – Lauren se abaixou ainda alarmada com a intuição errônea de Camila. – Eu não seria capaz de te trair e muito menos te trocar por qualquer outro ser humano nessa vida. – Lauren respirou fundo e segurou a mão da figura acuada a frente. – Entenda uma coisa... Eu não tenho olhos pra mais ninguém que não seja você. Meus sentimentos são seus, meus sorrisos são por você, e meu coração deixou de ser meu a um bom tempo... Desde que uma latina abusada me deu um vasinho de flor pra me zombar por estar encalhada. Uma troca injusta talvez... Ela me deu a flor em troca do meu coração.

Camila sorriu, sentindo seu corpo relaxar. Os olhos que ardiam anteriormente, agora lacrimejavam de felicidade, enquanto um calor acolhedor lhe envolvia de dentro para fora. A latina não se segurou e avançou a frente, capturando os lábios rosados de Lauren em um beijo. Um beijo que ela desejava desde a quase três semanas, quando deixou a jovem pra trás no aeroporto.

Lauren suspirou em surpresa, porem não perdeu tempo em forçar mais os lábios contra o da namorada, sentindo aquela sensação de borboletas no estomago que ela nunca iria se acostumar. Com a mão direita, ela segurou a nuca da latina, para não separarem o beijo enquanto se movia novamente para se sentar no sofá. Aquele beijo apenas em um gostoso massagear de lábios, se aprofundou quando Camila correu a língua pelo lábio inferior de Lauren, num pedido mudo poder explorar a boca da mesma. A administradora não tardou em entreabrir os lábios e receber a língua quente de Camila. O silencio da noite com o som de fundo de gotículas de chuva contra a janela do pequeno prédio, deixava apenas audível a respiração que se descompassava conforme o beijo se prolongava. O som do encontro de bocas era a única melodia que Lauren desejava ouvir durantes os últimos dias e por fim, estava desfrutando disso. As duas se separavam logo que o ar faltou, mas Lauren manteve a testa encostada na de Camila.

- Eu desejava tanto isso. – A morena sussurrou quase em ar. – Seus beijos são como uma droga pra mim e essa abstinência estava me matando.

- Eu nem sei como aguentei ficar tanto tempo perto de você sem fazer isso antes. – Confessou a latina, com um sorriso bobo. – É tão difícil ficar tanto tempo longe de você... Esses dias parecerem semanas e as semanas meses...

Não suportando ouvir, Lauren sentiu que não conseguiria mais adiar a noticia que lhe preocupava por esses dias... Ela tinha que ser direta com Camila.

- Eu vou embora pra Nova York.

Lauren se afastou logo que sentiu o corpo de Camila se intensificar. Seus olhos vagaram diretamente pelo rosto da latina que parecia em choque. Lauren abriu a boca e fechou algumas vezes, procurando palavras, mas sua preocupação foi maior quando viu Camila começar a tomar uma palidez em seu rosto. A garota encarava o nada, sem reação... Logo ela piscou três vezes e chacoalhou a cabeça, como se tentasse se livrar de pensamentos ruins.

- Acho que não entendi o que você disse. – Sua voz era receosa, assustada...

- Eu... – Lauren limpou a garganta, tentando soar firme. – Eu vou embora pra Nova York. Eu irei morar lá. A demora para eu voltar foi exatamente por isso.

- Por quê? – Os olhos castanhos tinham um brilho magoado, que fez Lauren se sentir uma completa inútil. – Por quê vai embora?

- A obra foi um sucesso e em tempo recorde. A inauguração do novo hotel era pra ser no ano novo, mas pelo prazo de finalização, vai ser inaugurado antes do natal. A repercussão foi grande e mais empresas em NY nos procurou. Você sabe... É uma empresa no ramo imobiliário e arquitetura. Meu antigo chefe marcou uma reunião comigo, a respeito de estar orgulhoso de quem eu me tornei e sugeriu de trazer uma filial pra lá. Eu pensei em algo futuro e disse que seria um bom investimento. Porem ele levou a sério e conseguiu mais clientes pra gente. Meu pai participou de três reuniões via Skype com alguns investidores. Nisso ele me disse que teria que ficar mais uma semana conversando com alguns empresários, sobre as novas propostas. Eu nem sabia que nesse tempo meu pai já estava vendo meios pra levar a filial 1 pra lá e tornar uma sede. Bom, o susto veio quando meu pai confirmou a um dos investidores que eu iria assumir a sede de NY, já que tinha um apartamento ali e poderia morar lá.

Camila engoliu o nó que se formava em sua garganta. A latina estava se controlando para compreender tudo que Lauren tem a dizer. O coração dominava a emoção, fazendo Camila querer gritar para que Lauren não vá. Já seu cérebro tentava lutar de todas as formas para tentar ser compreensiva e pensar em meios para ficarem juntas, mesmo a distancia.

- Quando você vai? – Sua intensão de manter a voz firme, falhou miseravelmente, fazendo seu tom sair em lamentação.

- Eu não sei. – Lauren deu os ombros, deixando um longo suspiro. – Eu realmente não sei e não quero saber... – Lauren baixou o olhar e puxou a mão de Camila para seu colo. Um sorriso surgiu em seu rosto quando viu o anel prateado com a pedra solitária. – Olha, Camz... Eu confesso que a primeira coisa que eu pensei quando imaginei a hipótese de ficar longe de você foi um tanto desesperador. Nesses dias pensando sobre como contar, como você reagiria... Meu maior medo era de você querer terminar comigo por conta da distancia. – Lauren levantou a cabeça e olhou para Camila novamente. – Eu só quero que saiba que, não importa quantos quilômetros ou milhas tente nos separar, eu nunca, nunca vou te deixar. Eu te amo, Camila. É simples assim. Eu te amo e não preciso de explicação pra isso. Não importa se eu more na sua esquina ou em uma ilha perdida do outro lado do mundo. Se você estiver dispostas a continuar sendo minha, eu vou fazer de tudo para sempre estar por perto. Sempre ser presente de uma forma ou outra.

- Eu nunca iria terminar com você por isso. – Lauren sorriu, mas logo vacilou quando viu uma lagrima solitária fugir dos olhos de Camila. – Você tem outras prioridades. Eu jamais iria fazer você escolher entre eu e a empresa da sua família. Eu não poderia. É egoísmo demais. Lauren, eu te amo demais pra exigir algo do tipo. – Lauren se sentiu a pessoa mais sortuda do mundo por ter uma namorada tão compreensiva igual Camila. Era uma pedra rara e preciosa que a vida lhe presenteou. – Eu só vou sentir muito a sua falta. Eu meio que me acostumei a ter acessível pra mim sempre que eu queira ouvir sua voz, ver seus olhos, te beijar... Só o fato de três semanas longe me deixou com tanta saudade que... – Camila engoliu o choro que se iniciava, respirando fundo, para continuar. – Vai ser difícil no começo, mas vamos superar.

- Então quer dizer que, se eu tiver que ir, você ainda vai querer ser minha namorada? Mesmo sabendo que não nos veremos com tanta frequência como de costume?

- Você acha que três horas de avião vai ser o suficiente pra te fazer se livrar de mim, Jauregui? – Camila brincou, limpando as lagrimas e abrindo um sorriso. – Vai ter que precisar ir pra mais longe pra conseguir... Tipo pra Marte, ou melhor... Plutão.

- Obrigada por me compreender. – Lauren puxou Camila para um abraço. – Obrigada ser minha garota.

- É tão estranho... – Lauren se afastou um pouco apenas para ver o rosto de Camila. A morena levantou uma sobrancelha em questionamento. – Você nem sabe quando vai e eu já estou com aquela sensação de saudades... Aquele apertinho dolorido no peito...

- Não pense nisso... Temos muito tempo pra pensar. Pensa só, até conseguirem um prédio pra sede, organizar toda a documentação, contratar funcionários... Até lá talvez você tenha até se enjoado de mim.

- Talvez eu tenha... – Lauren deu um tapa no ombro da latina, fazendo a mesma rir.

- Você é uma idiota. – Lauren provocou, roubando um beijo. – Como o tempo passa... Daqui alguns dias já é natal.

- E depois ano novo. – Camila concluiu.

- Ano novo... Um ano desde que a vida fez você cruzar  meu caminho pela primeira vez. – Um sorriso nostálgico brotou nos lábios de Lauren.

- Você nem sequer me notou aquele dia. – Camila fez cara de ofendida e Lauren caiu na risada.

- Em compensação eu fui a primeira a se apaixonar... – Lauren empurrou Camila que fosse para o canto do sofá, aproveitando o espaço para se deitar com a cabeça no colo da latina.

- E quem afirma isso? Eu que te beijei primeiro.

- Mas foi eu que pedi um beijo antes. – Lauren rebateu. – Fora que você me deu só um selinho... Os primeiros beijos de verdade fui eu que iniciei.

- Isso não quer dizer nada. Eu podia ter me apaixonado primeiro bem antes... só não demonstrei.

- Eu já estava perdida em seus encantos desde o dia do seu aniversario. E olha que você precisou apenas aparecer no meu foco de visão pra isso ficar nítido.

- Okay... você ganhou. Aquele tempo eu achava você apenas legal. – Provocou.

- Pra você ver como as coisas mudam... Eu que fui trouxa primeiro, mas quem chorou com a ideia de eu ir embora foi você. – Camila fechou a cara logo que Lauren terminou de falar, virando a cabeça pra baixo para encarar intensamente a íris verde.

- Isso não teve graça.

- Eu sei... – Lauren correu a mão pelo braço de Camila, até encontrar a mão e entrelaçar os dedos. – Se serve de consolo, eu também chorei quando pensei em morar lá e ficar longe de você.

Camila acariciou o rosto de Lauren com a mão livre, fazendo a morena suspirar em agrado. As duas permaneceram em um silencio confortável entre elas. O que Lauren gostava era que, muitas vezes elas não precisavam de palavras para dizer algo uma com a outra. Os olhares trocados falavam muito sobre elas.

Um clarão invadiu a janela, logo seguido de um estrondo, que fez as duas garotas pularem em susto. Camila percebeu que a chuva aumentou e fez bico em contragosto.

- Acho melhor irmos, antes que a chuva engrosse e não conseguimos sair daqui.

Camila concordou com a cabeça, ajudando Lauren a fechar as cortinas, apagar as luzes e fechar a porta da sala.

- Melhor pegarmos as escadas... Acho que não seria muito emocionante acabar a energia com a gente no elevador. – Camila ponderou por alguns segundos, dando meia volta e parando do lado de Lauren, que a guiou de mãos dadas pelas escadas até chegarem por onde entraram.

Lauren ativou novamente os alarme, logo destravando o carro, rindo ao ver Camila correr na chuva para entrar logo no carro. Seguindo o exemplo, Lauren não esperou muito para fazer o mesmo.

Se despediram do guarda que as esperava com o portão aberto e logo seguiram a caminho da casa dos Hansens. A chuva aumentava a cada quilometro percorrido, fazendo Lauren reduzir a velocidade e dar mais atenção as ruas.

Cerca de vinte e cinco minutos depois, Lauren finalmente estaciona o carro no portão da família de Dinah.

- Você quer entrar? – Lauren olhou para Camila e negou com a cabeça.

- Eu ainda tenho tomar banho. Eu cheguei e fui resolver uns assuntos com meu pai, dai encontramos Mani e DJ no posto e logo eu fui até você.

- Você deve estar cansada... – Camila acariciou o rosto da morena, que fechou os olhos para apreciar o carinho. – É tão bom te ver de volta... Acho que essa sensação de ter recuperado algo valioso que havia perdido vai ser comum quando você estiver morando em Nova York.

- Não pense nisso, Camz. Não contei para você ficar remoendo isso.

- Desculpa... Mas não consigo pensar em você tão longe de mim.

- Então não pense. – Lauren abriu os olhos e sorriu ao ver os castanhos lhe estudando de perto. – O que acha de me beijar??

- Uma boa sugestão. – Camila encarou os olhos de Lauren e sorriu. – Antes, deixe-me mandar uma mensagem.

A latina se afastou e pegou o celular do bolso do casaco abrindo o aplicativo de mensagem. Lauren olhava na direção da casa, quando viu a luz do quarto de Camila acender.

- Pronto! – A latina disse sorrindo. – O que você tinha dito anteriormente mesmo... Não me lembro... – Lauren riu do cinismo da namorada e se aproximou.

- Era algo tipo, sua boca encaixada na minha, enquanto nossas línguas se encontram.

- Não era bem isso, mas vamos lá... – Camila umedeceu os lábios enquanto se inclinava de encontro a Lauren.

O barulho da chuva no teto do carro, o silencio da rua, a pouca claridade pelo poste de luz e apenas duas pessoas que se amam dentro de um carro, trocando um beijo cheio de paixão, carinho e saudade. Elas poderiam se perder no tempo ali, contemplando a companhia uma da outra. Mas como nem tudo é para sempre, as duas se separaram assustada quando ouviram batidas do lado da porta de Camila. Lauren encarou o vidro embaçado e seu susto só aumentou quando uma face apareceu.

- É a Dinah! – Camila avisou assim que viu os olhos arregalados de Lauren.

- Claro que é ela... – A morena disse se recompondo. – Quem mais chegaria quando a gente está no meio de um beijo?

- Eu pedi pra ela vir me buscar com o guarda chuva! – Explicou a latina.

- Abre logo essa porta e parem de dar amassos ou eu vou te deixar ai, Mila. – Dinah deu três batidas na janela.

- Acho que devo ir... E você também. Já é meia noite e você tem que desencasar. – Só então Lauren se deu conta que o tempo havia passado. – Te ligo amanhã. – A latina roubou um beijo e logo abriu a porta, acenando enquanto se encaixava do lado de Dinah sob o guarda-chuva.

- Eu esperava que estivessem caindo no tapa e não nos beijos. – Lauren ouviu Dinah comentar com Camila e revirou os olhos.

Lauren esperou até que Camila e Dinah adentrassem a casa para poder dar a ré e voltar para seu percurso para casa.

A casa estava um silencio quando chegou, apontando que todos aproveitaram a noite chuvosa para dormir. Lauren foi direto para seu quarto, tirando a roupa assim que fechou a porta. Entrou no banheiro para um banho rápido e morno, logo correndo pelo quarto até chegar ao closet, pegando uma calça de moletom preta e uma blusa com capuz azul. A saudade do conforto da sua velha cama, fez com que a jovem não demorasse a cair no sono... Feliz por estar de volta.

 


Notas Finais


Capitulo tranquilinho, uh?
O que acharam do close da Lauren nesse Capitulo??


Só pra saber, qnts aqui tem conta no wattpad?


Até mais, galerinha...
\o/


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Capitulo atualizado no Wattpad.
https://www.wattpad.com/452058234-as-primaveras-me-trazem-voc%C3%AA-noticias


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