História As Sete Cordas - Capítulo 3


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Palavras 2.071
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction As Sete Cordas - Capítulo 3 - Capítulo 3

 Os dias se seguiram com Maya tendo os ataques de sonambulismo cada vez mais violentos. Um dia, curioso para saber onde ela iria se a deixasse solta, Yong, ainda amarrado com ela pelo braço, a seguiu. A menina abriu todas as portas com facilidade e saiu. Do lado de fora, Maya ajoelhou-se diante de casa e pôs as duas mãos no coração, como se estivesse fazendo uma prece, murmurando palavras estranhas. Yong não entendeu o porquê daquele gesto, foi quando lembrou do que a velha bruxa falou: Chegam daqui a três dias. Olhou para o céu e viu uma grande lua vermelha. As nuvens dançavam ao redor dela. Desesperado, pegou Maya pelos braços e a pôs de volta em casa. Ao invés de levá-la ao quarto, trancou-se com ela no porão. Lá a sacudiu e tentou acordá-la.

Aos poucos, a menina foi recobrando os sentidos, arregalou os olhos ao se ver no porão. 
- Pai, eu vim parar aqui? - perguntou, segurando-o pelas mãos.
- Eu trouxe você para cá. - Wang Yong estava com medo, sentia que perderia sua vida em breve, mas não poderia deixar que ela se fosse tão facilmente. 
- O que está acontecendo? - Maya não sabia da existência dos Ceifadores. Yong resolveu não contar, para não piorar a situação dela. E não queria acreditar que os surtos de sonambulismo dela estariam ligados aos Bruxos. 
- Fique acordada hoje. - ele pediu nervoso, olhando para a porta, como se a qualquer momento alguém pudesse entrar ali e pegá-la. 
- Eu fico, pai. Olha para mim. 

Yong a observou. Ela puxara sua amada esposa em todos os aspectos, dele só tinha a coragem, engenhosidade e esperteza. Abraçou fortemente a filha, beijando seus cabelos pretos. 
- Vai ficar tudo bem, papai. - murmurou baixo, ouvindo os batimentos acelerados dele. 
- Eu vou proteger você, nem que custe a minha vida. 
- Eu vou proteger o senhor, nem que custe a minha vida. - repetiu o encarando, sorrindo. 

Eles ficaram ali sentados abraçados, um protegendo o outro, mas acabaram dormindo. Xiaoli bateu diversas vezes na porta quando o dia amanheceu, mas ninguém atendeu. Estranho, pois seu filho costumava acordar bem cedo, ou melhor, nem dormir ele dormia. Os quartos estavam vazios, limpos e arrumados, assim como toda a casa. Abriu a porta do porão, já que tinha a chave mestra, e os viu lá. Maya encostada no ombro do pai e o Yong segurando sua mão. Ela não fugiu dessa segunda vez. 
- Wang Yong... - sorrindo, ela pôs a mão no ombro do filho. - Wang...

Ele abriu os olhos e logo pensou que Maya se fora, mas acalmou-se ao vê-la do seu lado dormindo. 
- Tão bonito ver vocês juntos. - comentou, a velha senhora com as mãos juntas no rosto. 
- Ela andou hoje. - comentou, erguendo-se lentamente. - Amor... Filha... Está na hora. 

 Cansada e com sono, Maya espreguiçou-se. Ao ver sua vó, abriu um sorriso radiante.
- Vovó! - tentou abraçá-la, mas ainda estava presa pela corda. 
- Ah, deixa eu tirar isso. - ele comentou desatando o nó. 

 Riu. Ao se ver solta pode abraçá-la com todas as suas forças. Maya sempre estava de bom humor, nada a abatia, era como uma muralha, uma muralha gigante e resistente. 
- Vá se arrumar, hoje temos que ir ao campo. - Yong avisou. 

A menina assentiu. Ao ficarem a sós, Xiaoli ficou sabendo da aventura estranha de Maya. Isso a fez ligar os Ceifadores a sua neta. Talvez eles quisessem se comunicar, ou talvez já tivessem escolhido sua peça principal. 
- Por que ela?! Como?! - Wang Yong estava incompreensível.
- Isso é apenas uma hipótese, meu filho, acalme-se. Não vamos deixar ninguém pegar nossa menina! 
- Eu só quero saber o por quê! Eu não entendo. 
- Maya é pura. Uma alma e coração puro é tudo que eles precisam. 
- Eu não vou deixar. Eles não vão conseguir tirá-la de mim. 
- Pai! - a voz dela soou lá em cima. - Estou pronta.
- Estamos indo. - ele passou as mãos nos olhos e tocou no ombro de sua mãe. - Fique com a Maya hoje, eu vou resolver com o Quon o vigia para o portão. 
- Pode deixar. Quando terminar vá até o campo, vamos ficar lá, junto com o pessoal.

Elas foram. Mais um dia de trabalho. Falando com todos educadamente e estalando os dedos, ela começou a plantar rapidamente, como se já nascesse fazendo isso. Umas meninas de sua idade, da vila, começara a chamá-la, acenando com as mãos.
- Ajuda aqui, por favor!
- Vá, Maya. - sua vó assentiu, voltando a cavar o solo. 

As meninas estavam enroladas e pareciam não saber mexer na terra da forma correta.
- Ah! Olha o que você está fazendo, sua idiota. Não é assim. - uma repreendeu. 
- Fica quieta, Chum! Eu sei fazer. - a outra, falou passando a mão no rosto, sujando a testa de terra.
- Está se sujando! Cuidado. - Maya, as ensinou o melhor jeito de plantar, agachada ao lado delas. - Está vendo? Puxe todo para cima, não os envergue. 
- Ah! Está vendo, Na? Você não sabe explicar!
- Chum! Você vai ver... - a menina que segurava a cesta, lançou um olhar divertido e mortal a outra. - Ah, irmãzinha... 
- Está vendo como é fácil? E você cheia de dificuldades! - Chum reclamava, pilhando sua irmã.

 Maya estava perdida, não sabia se elas estavam de fato brigando ou apenas brincando. Bateu as mãos nas pernas, começando a se erguer. 
- Então eu já vou. - ela disse, limpando as mãos. 
- Maya, para onde vai? Fica aqui com a gente. - Na disse, puxando-a pelo braço. 
- Estamos brincando. - Chum falou rindo, percebendo a expressão de incompreensão da colega. 

Maya riu para se livrar da tensão. Passou o tempo ali, ajudando as irmãs a plantar e tirar a água do solo. Até que mais meninas se aproximaram e começaram a puxar conversa com entre elas. 
- Ficaram sabendo? - Li, a mais velha, falou olhando para cada uma das parceiras. 
- Sabendo de que? - Chum e Na perguntaram juntas. 
- Dos Ceifadores. 

Um ar de mistério surgiu entre as garotas. Maya tentava plantar sem prestar atenção no que diziam, mas era curiosa demais para ignorar. 
- Ah! - Akiko, a japonesa, soltou um suspiro sorrindo de orelha a orelha. - Eu queria vê-los. 
- Está maluca? - Na retrucou, dando um empurrão de leve na outra. 
- Se você os ver não voltará para casa. Eles matam você! - Chum argumentou, com os olhos arregalados. 

As meninas olharam para Maya, quem parecia perdida naquele assunto. Foi a primeira vez que ela ficou sabendo da existência daqueles seres. 
- Maya! - Li estalou os dedos. - Fala alguma coisa!
- Quem são eles? - perguntou então. 

O grupo se sobressaltou. Afastaram-se, mas logo voltaram a se aproximar, formando um círculo mais compacto. 
- Você não sabe sobre eles? - Akiko perguntou com a mão na boca. 
- Não. - contou ainda não entendendo. Mas por alguma coisa, sentiu um calafrio subir em sua coluna, mesmo embaixo do sol de matar e no calor que fazia. 
- Maya! Em que mundo vive? - Li revirou os olhos. - Eles são os seres mais perfeitos da face da Terra. 
- Você é completamente insana, Xue Li! - Chum comentou, abraçando-se com sua irmã. 
- Ah! Eu concordo com a Li! Eles são tão perfeitos. Eu deixo que eles me corrompam! - Akiko jogou os cabelos para trás e pôs as mãos no coração. 
- Akiko! Pare com isso! - Uma das irmãs falou. 
- Maya. Eles seduzem as meninas e as levam para as montanhas. Lá eles mexem em seus corpos das formas mais prazerosas que existem! - Li parecia delirar apenas contando. 
- E depois mata você! Se não for a escolhida, se você não prestar. Arrancam seu coração e jogam seu corpo na porta de casa, encharcada. - Chum começou a furar a terra fofa embaixo de si depressa, nervosa com o assunto. - Calem a boca! Vão trabalhar. 
- Isso é apenas lenda, sua medrosa. - Li e Akiko riam.- Eles não existem. 

Maya ainda ponderava. Observou as montanha tão, tão distante. Elas eram perfeitas e se fundiam com a vegetação brilhantemente. Os moradores continuavam seus trabalhos. Enquanto elas estavam rindo e brincando. O céu estava azul, sem nenhuma nuvem. O sol tinia em suas peles. Ela olhou para cima, protegendo a visão, mas não aguentou. Ao abaixar, ainda cega pela luz, pensou ter visto alguém com um terno azul aberto no peito a olhando de uma forma tão lasciva que só faltava Maya babar. Estava distante, ao lado de uma árvore, no caminho de volta para a vila. 
- Maya! - Li a empurrou. A fazendo piscar, e ao piscar ele sumiu. 

A menina se virou para olha-la. 
- Ouviu o que eu disse?
- Deixa ela, Li! - Na falou irritada. 
- Não ouvi nada. 
- Eu perguntei se você acredita? 

Todas elas pararam o que estavam fazendo para ouvir a resposta de Maya. Ela ponderou. Diga sim! Diga sim, Maya, as irmãs pensavam juntas. Akiko sorria. Era apenas uma lenda em sua visão. Era uma lenda que as mães contavam para as meninas que gostavam de sair de noite e se aventurar com os colegas. Isso dava certo nos tempos antigos, os pais conseguiam prender as filhas em casa, uma grande maioria. 
- Então? - Li ergueu as sobrancelhas.

Mesmo querendo não acreditar... 
- Eu acredito. - finalizou. 
- Viu? Pode parar! - Chum falou, mexendo os braços, como se estivesse encerrando o assunto. 
- Vocês se impressionam fácil demais! - Akiko resmungou. 
- Vocês já os viram? - Maya perguntou. 
- Maya! Quem os ver morre. - Na respondeu. 
- Que mentira. Vocês acreditam em tudo. Não passam de lendas, escrita nos livros.

 Logo voltaram a trabalhar, sem mais conversas. Maya despediu-se delas e voltou a ajudar sua vó. Ao terminarem, voltaram andando cansadas para casa. O rapaz que vira não saia de sua mente. A forma como ele a olhava, o jeito como seus lábios estavam abertos, o modo como os cabelos curtos voavam com o vento... Muitas características vista para alguém que estava cega pela luz do sol e a distância em que se encontravam. Maya começou a se sentir estranha. 
- Filha? - sua vó chamou sua atenção. - Está tudo bem?
- Acho que sim. - ela suspirou.
- Sobre o que as meninas estavam conversando hoje? Elas pareiam muito eufóricas.
- Conversavam algo sobre Ceifadores... - lançou um olhar para sua vó. A mais velha ficou rígida e arregalou os olhos. 
- Elas falaram sobre eles? - seu coração batia mais rápido que o normal.
- Sim. Quem são eles? Elas disseram que eles corrompem as meninas e que são perfeitos... Vó, a senhora está bem? 

Qi Xiaoli colocou as mãos no coração. Sua visão começou a ficar turva. A menina a segurou, para que não caísse para trás. 
- Vó! Socorro! - Maya gritava.

A menina sentara sua vó no chão. Ela não estava falando e parecia estar se sufocando. Os homens e rapazes que subiam logo atrás correram para ajudá-la. Atuaram rápido. Subiram até a casa do curandeiro da vila, quem ajudava Xiaoli com os doentes. Maya ficara nervosa, mas manteve a postura. Iria seguir os rapazes, mas olhou para o chão e viu pingos vermelhos mancharem a terra. Passou a mão no rosto e percebeu que seu nariz a traíra mais uma vez. Uma dor de cabeça a tomara desprevenida, mas ainda sim ela manteve-se de pé, segurando o sangue e procurando não mostrar desconforto. Olhou para trás e viu uma mulher de preto. Uma senhora sorrindo e mexendo a cabeça de um lado para o outro. 

Com essa última visão, a menina correu até em casa, a fim de se cuidar sozinha, para ir ver sua vó. Esperava que estivesse tudo bem. Ao passar pela porta, a dor de cabeça aumentou e a abateu violentamente, tudo que conseguiu fazer foi chegar ao seu quarto e olhar com horror para o lado de fora. Sua visão escureceu e ela perdeu o chão. 

Do outro lado da janela estava ela. A Bruxa que atacou Yong. Gargalhando alto, falou:
- É você mesmo, minha querida... É você mesmo...



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