História Asas Metalicas - Capítulo 1


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Categorias Originais
Tags Espaço, Nave
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Palavras 1.534
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção Científica, Romance e Novela, Sci-Fi, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - 1


 O Almirante Laz olhava pela janela do alojamento particular da corveta com os braços cruzados. A maré parecia calma e a lua marrom se erguia não tão distante. Os anéis de Alpha Fornacis II se estendiam no horizonte, nos quais centenas de mineiros intrépidos trabalhavam se esgueirando pelo fogo cruzado entre os piratas e as forças da lei. Micropropulsores espalhados pelo traje casual e uma solução magnética que corria pelas suas veias compensavam a ausência de gravidade e o mantinham de pé, de peito erguido. Os seus longos dreadlocks marrom fechado, no entanto, já eram mais sintéticos que naturais para que permanecessem presos homogeneamente e assim não bloqueassem o seu capacete retrátil em caso de despressurização.

 Um tom familiar soou ao lado de sua cama. Não se moveu muito, apenas tateou o indicador no braço anterior. Logo a imagem espectral e falhada de uma entidade amigável deslizou pelo ar e pelo chão através do aposento. Disse algumas palavras descartáveis que a polidez requeria, mas estacou ao ver que o homem esguio e negro não as retribuía.

- O que o incomoda agora, Granada?

- Uma supernova - não hesitou o intruso.- Uma supernova em Andrômeda. Os simuladores mostram que ela possui 85% de chance de causar uma reação em cadeia que pode mudar drasticamente a configuração das galáxias vizinhas, incluindo a nossa... descobriu-se que um evento parecido causou o fluxo escuro. E desta vez podemos não escapar tão ilesos como da ultima.

 Laz sorriu abertamente. Seus dentes alvos contrastaram a pele marrom.

- Daqui a quantos bilhões de anos isso irá acontecer, Granada?

- Cerca de 74 bilhões de anos. Eu entendo que isso não preocupe você, Almirante, mas você sabe... eu sou imortal, pelo menos enquanto o Mainframe estiver intacto. Como se a morte térmica do universo já não me preocupasse o bastante...

- Não se preocupe com isso - Laz enfim olhou por cima do ombro esquerdo. Até lá você já vai ter se cansado de viver.

 Outro tom amigável atraiu a sua atenção. Granada notou a intromissão e desapareceu. Era um chamado da ponte. O Almirante andou pelos corredores da nau. Um branco brilhante e esterilizado o cercava com os seus detalhes luminosos azulados.  Passou pelos dormitórios e se perguntou a origem dos gemidos abafados com um sorriso. Pela cozinha, todos lhe ofereceram continência. passou por mais alguns recintos até se chegar ao centro de operações, o habitáculo, ou cockpit, segundo a velha língua franca a qual eu traduzo, mostly.

 Laz não respondeu à lisura dos seus primeiros oficiais. Deslizou como um fantasma até um canto do canopy, sem dar atenção a ninguém.

 - Os emissários desembarcaram na Coriolis e a shutter já se encontra na oficina - Informou Sandy, a Engenheira de bordo - Todos os sistemas funcionando com  99% de eficiência. O trem de pouso ainda faz aquele barulho desgraçado, no entanto.

 O trio de oficiais não recebeu nenhuma resposta.

- Almirante? Já estamos prontos para retornar ao dreadnought - Afirmou Carlos, o manobrista

Laz permanecia a observar vagamente a escuridão eterna.

- Laz? Está tudo bem? - Questionou finalmente o artilheiro Mauro, o mais velho do trio.

 O almirante continuou ignorando-os até que Sandy, a mais próxima, puxou a ponta da manga direita do homem esguio.

- Hã? - Gemeu Laz, finalmente saindo de seu transe - Okay. Preparar o Alcubierre.

 No entanto, foi a sua tripulação quem o ignorou agora.

- O senhor não parece bem - começou o artilheiro.

- Quando foi a ultima vez que tirou férias, viu verde? - Insistiu Sandy.

- Verde? - Comentou Laz, como sem entender.

- É, natureza. 

- Conversamos sobre isso na nave mãe. Ativar alcunbierre.

- Roger! - a voz de Sandy soou militar.

 Então a nau acelerou ludicruosamente. Os seus corpos aguentaram níveis de força G outrora insuportáveis. Quando o a velocidade se aproximou de 1c uma aura translúcida que distorcia a escuridão adjacente envolveu o lado esterior da carcaça. E de repente toda a G desapareceu e sentiram-se como parados no espaço. A essa altura a embarcação espacial foi bombardeada por níveis de radiação que atomizariam qualquer corpo humano não aumentado. E foi mais ou menos assim que essa espécie que nós aqui conhecemos como neohumanidade colonizou 37% da galaxia até o presente momento. Espalhou comércio, diplomacia, ciências, artes, lei e crueldade para incontáveis sistemas solares, sendo um deles Sol. Sol possuia uma rocha morta em sua orbita que por algum acaso era dotada de escassa água e alguma atmosfera. Facilmente terraformavel. Sem demora a configuração continental e astronômica daquele planeta serviu de template para um experimento de zoologia e sociologia em realidade virtual para catalogar os rastejos iniciais do homo cogitare sapiens na história universal, já que os primeiros registros foram destruídos por algum maluco com bombas amarradas no peito e um punhado de softwares assassinos.

Os pais do armeiro Mauro, incidentalmente, la haviam sido designados (ou melhor, transhumanizados) como mediadores alguns anos down the drain, na verdade, sua designação foi voluntária. É o que gente muito rica e muito entediada faz nas horas vagas. Em suma, Mauro foi gerado como uma Unit: uma inteligencia artificial natural de Terra.  Pense nele como um npc bebê gerado dentro do game The Sims por um par de personagens controlados por dois jogadores que se amam no "mundo real". Uma vez apegados à criança artificial (já adolescente), se recusaram a abandoná-la ao fim da missão. E graças às maravilhas do 3D printing, um fresco e pré-aumentado organismo pulsante exteriormente idêntico ao virtual recebeu a Unit 24608471, "Mauro", descarregada em seus neurônios. Deste mister, Mauro, depois de intensa burocracia e debates filosoficos, passou de uma inteligencia artificial à um neohumano, gozando de todos os seus direitos e privilégios especistas integrados no pacote. Hoje, duzentos anos depois, a neohumanização de IAs ainda é uma crescente tendência, sendo Mauro apenas mais um dos Filhos da Máquina, de apenas uma das centenas de milhares de simulações anexas ao Mainframe, cada uma com a sua finalidade. Mentes geniais são as favoritas.

 De resto, nenhuma outra forma de vida muiticelular fora encontrada com vida e talvez jamais será. Nada mais que ruínas eram encontradas apinhadas pela galáxia algumas vezes por ano, corriqueiramente.  Essas civilizações sempre terminavam por se destruir, arrastando toda a vida nativa de suas colônias consigo. Tudo isso antes de alcançar o marco da viajem interestelar, sem exceção. A destruição se dava irrevogavelmente depois que algum mecanismo de liberação de energia era descoberto. Algumas se matavam ainda com paus e pedras, equanto plantavam a semente da destruição em seu ecosistema sempre frágil através da caça predatoria. Às vezes acontecia na era da pólvora ou da combustao ja mais avançada. Outros se eletrocutavam à extinção, mais alguns pulverizavam-se ao dividir o átomo, dai por diante. Os fantasmas mais avançados ja haviam colonizado outros corpos celestes próximos ao seu local de origem em seus respectivos sistemas solares. Até mesmo elemento zero era às vezes a causa de catástrofe, sem ter o tino do uso como meio de combustível para viagem extrasolar. O misterio da soberania humana ainda faz os mais frios cientistas arrancaram os cabelos em agonia. Alguns pensam que isso se deve à diversidade biológica de Gaia, o planeta natal, outros, à inteligência humana, enquanto mais alguns acham que os homens são  simplesmente avarentos demais para se deixarem morrer. Os mais pessimistas argumentam que a viagem extrasolar não significa nada, que a qualquer momento a nossa espécie descobrirá uma nova fonte de energia que nos apagará da face da galáxia. Onde a humanidade toca o desenvolvimento espontâneo de outra espécies é interrompido, as vezes propositalmente, pois ela não deseja competição. Portanto, o first contact é uma possibilidade cada vez mais remota. Como consolo, foram escacas as vezes em que as espécies encontradas se destruiram por acidente enquanto tentavam fazer alguma coisa benigna. Mais raro ainda, ou difícil de mensurar, eram aquelas vitimadas por algo independente delas, como desastres geológicos ou astronômicos. 

 Não é de nenhum consolo, no entanto, aquele momento em que saldações em sinais de rádio ou sondas à deriva são encontrados por especialistas, sabendo-se que aquele grito de solidão é advindo de uma espécie já morta há milênios, de um povo que justamente sonhava em fazer amigos longe de casa. É de partir qualquer coração frágil o bastante.

Fim de exposição.

 O tunel de espaço distorcido se erguia diante do canopy da Epifania mk1. Suas duas asas, enclinadas para trás, cortavam o hiperespaço.

 Os serenos detalhes azuis luminosos foram substituídos por alarmantes pulsações vermelhas. O vessel passou a chacoalhar violentamente, fazendo o possível para se manter em um pedaço.

- Interdição! - gritava o manobrista Carlos.

- Submeter! - Ordernou Laz.

 Com o pressionar de um botão a nau foi jogada de volta ao subespaço, terra de ninguem. Quando a Epifania parou de rodopiar 

a tripulação se deu conta de que estava cercada por três corvetas e dois caças de ataque. A um canto, os anéis de um metal obscuro rodopiavam em volta da estrela púrpura, um objeto artificial capaz de produzir níveis de radiação a qual o mais aumentado corpo humano não conseguiria resistir em caso de tentativa de dobra nas imediações. Combate direto era a única coisa que restava.



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