História Ascéncion - Capítulo 38


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, Katy Perry, Rihanna
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Katy Perry, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais, Rihanna
Tags Camren, Rihkaty
Exibições 1.054
Palavras 10.489
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, demorei? Acho que talvez tenha sido o período de maior recesso na história até agora. Mas ele veio por uma boa causa, talvez alguns leitores tenham optado por outros títulos antes do meu, o que eu claramente não culpo se não estivesse aqui, rindo pela combinação proposital, lol.
Quero, primeiro, dedicar esse capitulo à duas pessoas de mesmo nome. Amanda’s. A primeira Amanda, é a @clara_decidida que andou conspirando nas entrelinhas comigo por um tempo e se mostrou o próprio demônio, cuidado com ela viu galera? Mas ela é inteligente, um amor de pessoa, genial, escreve Time After Time, e escreve como ninguém.
A outra Amanda, é a @AllLernJergi, bom, nesse ponto eu tenho que dar uma pausa. Desde que escrevia Live Forever eu venho recebendo apoio de um monte de pessoas, mesmo, de variados tipos, jeitos e abordagens. E como esse capitulo é quase como um passo para o fim de Ascéncion, de sua história e de sua sequência, eu queria começar com esse capitulo, mais do que especial, a agradecer alguns nomes que veem tornando a minha história aquilo que ela é, sei que tem gente demais que vem me ajudando e incentivando há muito tempo, mas há alguns nomes, próximos, que me dão essa dose extra, Amanda foi uma destas. Lembro de ti desde Live Forever, Amanda. Espero que goste do capitulo, assim como todos vocês, galera.
E para finalizar, quero dedicar este capitulo a todas as autoras que aceitaram a proposta da postagem em massa, juntas, simbolizando com muito mais firmeza que não há rivalidade alguma que possa superar a vontade louca de tombar vocês. Haha, são todas diabólicas. Se optou por ler a minha história primeiro, um beijo, mas se optou por ler outra e agora que está aqui, não há problema, um beijo também, o importante é enaltecer todo mundo, ler todo mundo e morrer com esse tanto de história atualizando no mesmo momento.
Um beijo, boa leitura!

Capítulo 38 - Everybody Wants Lauren


Só podia ouvir o ecoar dos meus saltos no piso de casa, eu desci os degraus com cuidado, olhando o corpo esguio caminhar em minha direção, ao longe, casualmente, colocou a mão dentro dos bolsos de uma espécie casual de jardineira negra, e sorriu ao me ver aproximar. Estava linda, usava óculos de grau, os cabelos presos em um rabo de cavalo, os lábios em seu tom mais escuro, maquiagem leve, scarpin nos pés, e sorria torto.

- Eu pensei em algo, e aqui está. – Falou estendendo as chaves com simbologia automobilística. Eu aproximei, alisando minhas vestes, estavam menos casuais que a dela, o que é novidade, ela parecia muito despojada e casual, e eu estou pendendo mais ao elegante na blusa de seda leve com calça de cintura alta. Parece uma inversão agradável, apesar de visivelmente deixar claro que a graciosidade de sua elegância tornava o seu portar casual, coisa divina de se ver.

- E o que seria? – Perguntei tocando no material de couro da chave. Ela sorriu.

- Eu quero que dirija, nunca tive a oportunidade de ver isso de perto. Acha que consegue seguir o gps? – Perguntou colocando as mãos nos bolsos da jardineira. Eu dei de ombros, isso sim é novidade para os meus ouvidos. Não sou de dirigir, quanto mais com ela me olhando e analisando tudo.

- Ficará intimidada demais com a minha presença? – Provocou dando uma piscadela. Eu mordi meu lábio inferior, contendo minha boca de sair falando coisas incontroláveis.

- Eu acho que é melhor você parar de me provocar, e nós irmos, ou chegaremos atrasadas na clínica. – Avisei. Ela acenou para que eu fosse a frente, em um ato típico de sua educação polida. Agradeci, seguindo a sua frente, sentindo sua palma esquerda repousar na base das minhas costas enquanto me ajudava a descer os degraus da entrada de casa, olhando o audi negro reluzir para nós, parado.

- Achei que o motorista nos levaria. – Falei olhando relutante para o carro. Ela manteve a mão em mim, e reclinou o rosto, eu podia ver bem de pertinho o quanto sua áurea parecia leve. Os olhos castanhos estavam curiosos em mim, os lábios carnudos reclinados, a coloração sadia de sua pele, os cabelos brilhantes, a Finesé estava de volta, a animação, o sorriso espontâneo.

Ela ainda não ficou cara a cara com Lucy, nós estávamos naquele passo de pré-julgamento, seria levado a júri popular, algo que viria daqui alguns meses ainda, coisas da justiça. Mas ela sequer tocava nesse assunto, sequer tocava em uma abordagem próxima de vingança, talvez sua única mudança foi a rigidez com segurança, de resto... Parecia a mesma mulher de sempre, com um adicional, estava mais radiante do que nunca e cada dia se mostrava mais apaixonada... O que por um lado é completamente espetacular, mas por outro, me colocava temores, destes temores como morrer do coração por um romantismo fora do normal, ter um ataque pelas coisas lindas que anda me falando a todo momento ou talvez só não conseguir retribuir isso como merece ser retribuído.

Dentre estes pensamentos que tive uma doce e repentina ideia, se Karla Camila pensa que ela manda no tópico romantismo, então provaria a ela que eu também consigo fazer algo o suficiente.

- Ele está dispensado hoje, só eu e você, meu amor. – Sussurrou depositando um beijinho doce em minha bochecha. Eu me sentia queimar. É tudo tão estupidamente bonito e intenso. Nós estamos indo a uma clínica particular especializada em inseminações artificiais e estes tópicos, era a primeira consulta médica para lidar com essa minha vontade real de ser mãe.

Eu, Lauren, mãe. É como se fosse uma canção doce de ninar para os meus ouvidos.

Não que não estivesse ansiosa, eu estou, é uma experiência completamente nova, eu vou ter que aceitar ser o pedacinho frágil da relação, mesmo que apenas por nove meses, eu tenho que me deixar levar, deixar que Camila tome as rédeas e cuide de mim, cuide de um futuro nós.

Se por opção pudesse escolher, então seria um menino, com a maior parte de traços de minha latina, já ela, prefere dizer que quer uma sucessora tão firme e tão adorável quando a si mesma, deixou um pouco do narcisismo dominar quando disse isso, confessou, e por fim, apenas disse que queria mais detalhes meus do que seus, porque se há uma coisa pela qual ela delira, é uma menininha que levasse o melhor de nós.

E eu não poderia concordar mais, não posso dizer que meu coração suportaria a adorabilidade de uma criança, como Sofi, aliada a toda a essência física de Camila. Será, com toda a certeza desse mundo, a criança mais mimada que Nova York já viu, e não um mimar no sentido cruel e deselegante da palavra, uma mimar de amor. Porque se há amor mais forte que este entre eu e Karla Camila, deveriam então me apresentar.

- Vamos lá... – Despertei de meu transe adorável e me movi, ela abriu a porta do passageiro enquanto eu contornei o carro, abrindo a porta me colocando no banco atrás do volante, enfiando a chave na ignição enquanto puxava o cinto, eu olhava um pouco hipnotizada ela fazer o mesmo, o olhar chocolate parecia atento e divertido quando focou em mim, parecia mesmo estar completamente entretida com isso.

- Mostre-me mais destes teus dons escondidos. – Pediu me olhando girar a chave na ignição e me ajeitar no banco de couro. Ela ergueu o indicador da mão esquerda, como se fosse fazer um apontamento, mas eu me perdi nos detalhes dos anéis dourados que adornavam seus dedos, e das pequenas veias dilatadas em sua mão. Eu adoro estes detalhes, ninguém pode me culpar.

- Não pise muito pesado, o arranque desse carro é muito bom, não pode se assustar sendo uma iniciante que é limitada a não velocidade. Este, é um carro de luxo, mas camufla bem o sentido esportivo que ele tem, debaixo desse capô tem coisas demais a serem reveladas. Mas nós podemos revelar outras sobre o capô, isso é coisa pessoal, vai de você, ele também gosta de certo espetáculo e eu ando adorando dar espetáculos. – Falou casualmente, eu a fuzilei com o olhar, quanto cinismo camuflado com segundas intenções...

Ignorei seu apontamento e puxei o câmbio do carro com a mão direita, desengatando e pisando no acelerador enquanto olhava para frente, ele deu um arranque repentino na primeira pisada. Não contive em pisar até aproximarmos do portão de casa esperando que ele abrisse, inclinei o rosto para o lado, olhando para ela que mantinha a expressão lívida, os braços cruzados frente ao corpo, as pernas cruzadas enquanto o corpo estava inclinado para o meu lado e não o da porta.

- Não sabia que tinha uma direção tão agressiva, lembro até de quase me matar quando eu corria muito com o carro... – Falou desconfiada. Eu dei um sorriso debochado.

- Meu amor, não me leve a mal, mas eu gosto de ser agressiva quando posso controlar, e nada como o contrário, porque veja bem, eu sei o meu limite, e tenho controle sobre isso, quando você dirige, você que fode os limites, me deixa a sua mercê. Gosto desse tipo de controle, gosto de saber que eu posso ir rápido, você não. – Dei uma piscadela. Ela cerrou o olhar, como se estivesse mesmo pensando em revidar aquela provocação.

Mas pareceu rápido demais, o portão se abriu completamente e eu voltei a pisar até o final no acelerador do carro, sentindo o vibrar em minha pele, tendo firmeza e controle sobre o volante.

- Sabe, é excitante te ver dirigir dessa maneira, talvez eu queira que me leve ao trabalho todos os dias, dirija assim e nós vamos chegar lá sem que sequer me toque. – Eu neguei, desviando o olhar para focar nela. Era uma provocadora dos infernos. Não dava para negar.

- Mantenha essas mãos para si, nós vamos ao médico. – Reprendi diminuindo a velocidade do carro em um semáforo. Ela ergueu as mãos como se estivesse se rendendo e recostou no banco de couro, focando o olhar chocolate à frente.

- Só não negue que está sexy dirigindo esse carro, eu poderia te ver dirigir para o resto da minha vida, mas eu prefiro ter você sentadinha sobre meu colo enquanto estou dentro de você. – Deu uma piscadela e desviou o olhar com um sorrisinho calmo nos lábios. Eu engoli em seco, desgraçada.

- Conhece a médica? – Perguntei desviando de assunto repentina. Ela sorriu, focando o olhar castanho nas ruas.

- Por nome, apenas, nada como se a tivesse visto ou me recordasse da aparência, mas ela é a melhor daqui, não se preocupe, estamos em boas mãos. – Falou reconfortante. Estamos... Eu e ela. Sua delicadeza em deixar isso sempre implícito me aquecia.

Senti seu olhar em mim enquanto dirigia, não era um olhar que me colocaria envergonhada, nós havíamos passado dessa fase, mas eu queimava quando sentia aqueles olhos em mim. Sempre seria assim.

Tamborilei os polegares no volante, olhando atenta para as vias movimentadas de York.

- Ansiosa?

Era uma pergunta quase retórica, eu estou, muito ansiosa, é um passo, uma ação imediata que mudaria todo o contexto da minha vida, eu lembro de definições que propagam sobre o que é ter um filho, mas nada se compara a realidade. Eu sentia borboletas no estomago.

- Sim, é algo novo demais para mim.

Ela sorriu focada no transito, a pose intimidante ali, determinada.

- Sabe... Eu ainda acho surreal que realmente vamos tentar, não pensei que teríamos isso para nós tão cedo... Pensei que não seria suscetível para um agora... Faz-me feliz, como nenhuma outra coisa poderia, talvez se eu sorrir mais nos próximos dias, meses e anos, os motivos sejam vocês, você, e o futuro fruto desse nosso amor insano.– Confessou me fazendo a olhar de canto de olho. Eu amo e odeio a maneira que ela consegue se declarar tão facilmente, com tamanha intensidade como se fosse uma coisa banal e fácil de ser dita.

- Mantenha esses lábios fechados até a clínica. – Pedi gentilmente. Ela me olhou, confusa, arqueando a sobrancelha, os dentes perfeitos mordiscando o lábio inferior em um ato ansioso.

- O que? Por que?

Eu neguei com o rosto.

- Eu estou dirigindo e não posso te beijar. – Falei focando no transito. Sabia que ela tinha um sorrisinho convencido nos lábios, mas ignorei olha-lo e foquei em dirigir como ela apreciava que eu dirigisse.

A velocidade constante e o transito ocasionalmente leve permitiu que chegássemos alguns minutos prévios da consulta. Camila me esperou sair do carro segurando minha bolsa e eu senti seu braço esquerdo envolver minha cintura, a região da clínica é tranquila, pouco movimentada, sofisticada. Sua palma veio a base das minhas costas enquanto acionava o alarme do carro.

Auxiliou que eu subisse os degraus graciosamente, o carinho que andava me tratando pareceu se expandir milhares de vez, não que evitasse fazer, não era esse o ponto, ela sempre o fez, mas parecia demais agora. E eu amo isso. Olhei de canto de olho para seu rosto, ela parecia focada em me ajudar. Eu não consegui conter meu corpo e me aproximei beijando o canto de sua boca com carinho.

- Oh, wow... – Falou, surpresa, me olhando confusa. Eu sorri exasperada.

- Por deus, você é linda demais, e agindo dessa maneira, eu não estou conseguindo lidar com isso, Camila... – Confessei tocando na alça de sua jardineira, ela adotou a postura prepotente.

- Interessante. – Deu uma piscadela convencida e acenou para a porta de vidro da clínica. Eu engoli em seco focando na presente situação. Ela me seguiu de perto enquanto invadíamos o ambiente juntas. Previamente avistamos duas secretárias que se ergueram no mesmo momento que avistaram nós duas entrando juntas no ambiente, era até engraçado a maneira que as pessoas portavam quando o assunto era Camila.

Foram tão atenciosas e rápidas em nos repassar para a sala da doutora que eu realmente assustei, antigamente não era assim tão simples, mas era o fato que não dava para correr, poder ditava regras.

A primeira coisa que vi quando a porta do consultório fora aberta, foi a loira, em seu jaleco branco bem abotoado se erguer de sua cadeira e contornar a mesa, se aproximando com um olhar e sorriso simpático nos lábios, foi polida, cumprimentou Camila e logo eu.

- É bom ter vocês aqui, adorei o voto de confiança, por favor, sentem-se. – Pediu educada.

Camila me ajudou a sentar e eu sorri olhando agradecida para seu rosto compenetrado. Ela puxou a cadeira para mais perto de mim, e se recostou, cruzando as pernas e pousando ambas as mãos sobre o joelho. Classe é para poucas, difícil.

- Vamos começar isso de maneira padrão, falem sobre suas vontades e pretensões, e logo em seguida, vamos falar sobre o histórico de saúde de ambas, para depois seguirmos a exames imediatos. Ficaremos no máximo duas horas aqui dentro, fechado? – Perguntou olhando de Camila para mim. Assenti.

- Eu e Lauren queremos um filho, mas por opção queremos nossos ambos genes nisso e... – Foi Camila que começou, sua explicação foi calma, bem detalhada, falando e retrucando as perguntas ocasionais da doutora que assentia a todo momento. Bons minutos de questionário para que ela desse seguimento á alguns exames momentâneos.

- E quem pretende receber o procedimento? – Ela perguntou entreolhando-nos.

- Eu... – Antecipei em responder. Ela assentiu. Começou os exames por Camila, logo eu, e eu tive exames um pouco mais evasivos, o que não era novidade, afinal eu era a mulher que queria ficar grávida.

Foram alguns minutos além, se não contasse horas para que enfim estivéssemos sentadas em frente a doutora, olhando apreensivas.

- Bom, o que eu tenho a dizer é algo bem inicial, não se impactem e por favor desanimem... – Aquela sua fala já me fez mover o corpo ansiosa.

- O que eu quero dizer, é que Lauren não está apta a ter um filho, não agora, seu tecido endométrio tem alguns rompimentos leves que dificultam muito a inseminação, se um procedimento que utiliza três genes já é algo complicado, com essa delicadeza de detalhe se torna um pouco mais complicado. Mas não quero que pensem que isso é um não, vocês estão aptas, a situação aqui só é uma, Lauren precisa cuidar disso antes de começar a tentar, e exige paciência, tempo, dedicação. Não se limitem pelas dificuldades.

Ouvir aquilo era um pouquinho demais para mim, mas não cedi ao momento, mantive aquela sensação de esperança dentro de mim. Eu queria agora, eu queria um filho nesse momento da minha vida, não queria esperar um acaso, o que pode me frustrar em alguns pontos, e aliviar em outros por entender que eu podia caminhar para isso.

Camila mantinha o olhar compenetrado em mim, eu via sua preocupação ao me olhar, como se esperasse que eu fizesse alguma ação desesperada de frustração. Eu engoli em seco, negando.

- Nós vamos tentar, eu quero ir até o final. – Falei rouca. É um pouco difícil ser toda otimista percebendo minhas limitações. Mas eu quero tanto isso, não posso deixar que obstáculos atrapalhem minha, nossa felicidade.

- Quanto tempo prevê de tratamento? – Perguntei baixinho, meus olhos indo na doutora. Ela folheou bem os papeis em mãos.

- Em pouco mais de dois anos os resultados começam a sair mais limpos em inseminações normais, podemos adicionar mais tempo ao caso de vocês, já que não estamos tratando de uma inseminação normal. – A médica disse honestamente.

- Lauren... – Era o tom rouco e preocupado de Camila. Eu neguei com o rosto, estou frustrada pelo destino, mas não vou desanimar do meu plano, dos nossos planos e nossas perspectivas. Faríamos aquilo juntas, até o final.

- Nós vamos tentar. – Falei em definitivo, olhando a médica acenar. Ela pareceu animada em ouvir que não cairia nas minhas próprias armadilhas. Senti os dedos delicados de Camila pousando sobre os meus, buscando com uma suavidade única os meus, tentando aliviar a minha própria tensão.

- Poderia me citar como esse meu caso chegou a um ponto assim? – Perguntei curiosa. A doutora assentiu, analisando mais dos papéis.

- Como mesma me disse, sofreu um acidente aéreo, não querendo remeter a uma consequência do acidente, mas ele pode ter sido sim causa dessa sua limitação, sua queda foi algo impressionante para rés mortais. – Afirmou com convicção. Eu engoli em seco, sentindo como se muitas das consequências da minha vida tivessem sidas ligadas ao avião, ao meu antigo trabalho, minha antiga vida. Camila continuava a acariciar meus dedos.

- Não é querendo colocar esperanças demais, mas focaremos muito bem em seu caso, tudo tem indícios fortes de dar certo. Seu sonho se realizará Senhorita Estrabao Jauregui. – Afirmou dando um sorriso simpático que ia até os olhos. Eu assenti, desviando o olhar para a minha esposa, eu não queria desapontar Camila...

- Saiba que, meu sonho são os seus, me fará feliz quando estiver bem, então por favor, não me olhe assim, eu estou bem, muito bem com isso, ficarei melhor quando começarmos a nos cuidar. – Falou erguendo a mão para meu queixo. A doutora se moveu, deixando-nos a sós em sua sala, pareceu entender que era um momento intimo entre nós e nossas inseguranças.

- Eu quero isso, e eu vou tentar até o fim por isso Camila, eu vou tentar até o meu último suspiro para que possamos construir a nossa família. – Falei engasgando um pouco com minha saliva, era a ansiedade. Ela assentiu, sorrindo gentilmente.

- Eu sei que sim, nunca entenda isso como pressão ou como algo que me decepcionaria, estar ao seu lado, já é o mínimo que me transborda, um filho para nós é só um simbolismo real de tudo aquilo que o nosso amor pode criar. O tempo vai trazer para nós... – Sussurrou beijando com delicadeza a minha bochecha. Eu a deixei me envolver em um abraço, aliviava por poder ouvir aquilo.

Apertei meus braços a sua volta, e contrariando até os meus próprios sentimentos eu entrei em minha zona de esperança, essa é a nossa luta agora.

-

Karla Camila POV

Estava perdida em pensamentos em meu escritório pessoal em casa, meu olhar indo e vindo pelo padrão delicado de iluminação artificial próximo do vidro da parede externa. Já era começo de noite, eu decidi não ir hoje para o trabalho, Lauren não queria dar ênfase no assunto, ela pareceu adotar isso como algo defensivo, e se resguardou. Quero entrar nisso lentamente, sem afobação que a limite.

Toc Toc

Movi o olhar rápida, olhando para a porta com calmaria.

- Entre? – Era uma espécie de fala imperativa com interrogativa. A porta foi entreaberta, o pequeno corpo de fios castanhos se inclinou, era Sofi. Movi ansiosa, a olhando fechar a porta atrás de si enquanto caminhou sobre suas sapatilhas coloridas, o olhar em mim.

- Oi, você está triste? – Foi como se estivesse acabado de entrar e perguntasse se eu queria agua, saiu com uma naturalidade e inocência tão grande que eu fiquei sem reação por início.

- Oh, Sofi, não, só estava trabalhando nisso aqui, não estou triste. – Falei a olhando. Ela se aproximou de minha mesa, estendeu os dedinhos segurando dois papéis nas mãos. Eu olhei melhor, compreendendo que eram duas fotos Polaroid.

- Onde está Lauren? – Perguntei curiosa, pegando as fotos nos dedos. Ela desviou o olhar, alheia a situação.

- Ela estava no estúdio, eu estava com ela, agora está no banho. – Respondeu movendo uma das poltronas para sentar, a pequena estatura de pernas no ar. Abaixei o olhar encarando as fotos nos dedos. Uma era de Sofi sorrindo gentilmente, tinha legenda traçado em letra graciosa em baixo.

“Sua menina adorável.”

Puxei a foto, olhando para a de baixo, eram as duas, juntas, olhando graciosas para a câmera. E vinha com outra legenda também.

“Suas.”

- Foi ela que mandou isso? – Perguntei olhando das fotos a expressão curiosa de Sofi. Ela assentiu, corando.

- É tão adorável. Obrigada, querida. – Agradeci sorrindo e estendendo minha mão a ela, sentindo seus dedinhos apertarem os meus. Era um outro nível de cumplicidade, ela parecia cada vez mais ligada e próxima à mim, e é tão natural.

Toc Toc

Parecia que aquele barulhinho estava cada segundo mais recorrente, ergui meu olhar se Sofi para a porta. Minha mãe olhava entre a fresta, relutante.

- Chegou um envelope em seu nome e de Lauren, é importante, visivelmente importante. – Falou com calmaria. Eu franzi o cenho, acenando para que entrasse. Algo chegando pelas mãos de minha mãe? Importante é subestimar. Ela entrou, se aconchegando adorável em seu sobretudo creme, me estendeu o envelope grosso e eu pousei as polaroid sobre a mesa, soltando a mão de Sofi e já batendo o olhar no símbolo real do governo americano.

- Oh... – Foi a única reação extasiante que consegui proferir. Abri o envelope com um movimento sutil, mesmo Sofi, parecia em expectativa.

Virei a folha em mãos e limpei a garganta para ler em voz alta:

“É com honra que Mr & Mrs Obama convidam Lauren Estrabao Jauregui & Karla Camila Estrabao para um evento de honraria na casa branca com intuito de homenagear as contribuições nacionais que ambas andaram executando nos últimos anos. Não poderíamos deixar de fora, Senhorita Allyson Brooke Hernandez, por ser parte e metade de um legado privado, mas tão nacional como KCE Enterprises. As datas e horários estarão fixas no canto inferior esquerdo deste convite.

É um título honroso, que adoraríamos entregar, por ambas as mãos para cada uma de vocês.

Atenciosamente, Michelle & Barack.”

Ao terminar de ler eu elevei meu olhar à minha mãe que sorriu abertamente.

- Oh meu deus, Karla Camila, hija de la madre! – Pronunciou. Eu sorri, contendo a sensação animadora que me invadiu. Lauren, querem Lauren.

E não a querem por minha causa, querem por ela mesma, por ser ela mesma.

Eu esqueci completamente tudo de frustrante que havia acontecido em meu dia até agora.

Ergui-me da cadeira.

- Onde vai? Hey, eu preciso conversar contigo antes de voltar a Dallas, querida! – Essa foi minha mãe. Eu estava tão sorridente e animada que neguei com o rosto levemente. Contornei a mesa beijando o topo da cabeça de Sofi, peguei as fotos e o envelope nas mãos.

- Relaxe mãe, teremos muito tempo ainda. – Falei a olhando. Ela deu de ombros, o olhar castanho descendo a Sofi.

- É, tem razão, resolva essa sua ida a Washington, importante, aliás, o presidente? Seu pai ficaria orgulhoso. – Eu engoli em seco, deixando meu sorriso desmanchar por segundos que me disse aquilo.

- Eu vou contar a novidade à Lauren. – Avisei, beijando seu rosto, sentindo seu meio abraço em mim. Ela logo me soltou enquanto eu saí do meu escritório subindo rapidamente pelos degraus de casa, aquele martelar estrondoso no peito. Eu já havia adiantado isso anteriormente, mas agora há data, horário, local, motivos.

Entrei em nosso quarto olhando à direita, o barulho baixinho de agua batendo ao chão. Banho, como Sofi havia falado. Aproximei relutante da porta entreaberta e dei algumas batidas leves.

- Camila? – Perguntou relutante dentro do ambiente que fez sua voz ressonar.

- Sou eu, quero te contar uma novidade. – Adiantei próxima a fresta. Eu escutei o barulho do chuveiro mudar, se tornando menos vigoroso e mais silencioso.

- Quer esperar eu terminar? – Perguntou relutante. Eu sorri, tipicamente não responderia sim para esse tipo de pergunta.

- Eu quero é te ver nua. -  Respondi honestamente, tocando na maçaneta. Contendo meu riso.

- Então entre. – Não era nada mais do que um convite casual que eu, como boa mulher inteligente não recusaria. Dei de ombros entrando no ambiente abafado em meus saltos e braços cruzados. Eu pude a ver entre o vidro do box do banheiro e o ambiente da jacuzzi lateral, estava de costas, os cabelos presos.

- Diga... O que quer? – Perguntou se curvando lateralmente. Eu me recostei na parede, é bom poder olhar casualmente para essa nudez delicada e impressionante. Deixei meus olhos se perderem em suas curvas enquanto tentava focar.

- É uma pergunta subjetiva demais, não acha? O que eu quero? Eu quero tantas coisas, ainda mais agora, ainda mais com essa visão... – Falei dando uma piscadela sugestiva. Ela revirou os olhos deslizando as mãos em seu corpo, só tornava tudo melhor.

- Digo sobre algo que tem a falar... – Arrastou o tom. Eu ergui as fotos nas mãos.

- Primeiro isso, é lindo, mesmo, pare de ser assim, ou vou ter que lhe trancar em nosso quarto e não te deixar sair mais, tamanha adorabilidade. Segundo... – Nisso eu pausei, colocando as fotos sobre a pia, em uma parte seca, ficando apenas com o envelope em mãos.

- Nós temos que ir a Washington, o Presidente e a Primeira Dama marcaram conosco, parece que lhe querem, e isso é meio desconfiável de minha parte... – Dei uma outra piscadela enquanto olhava sua expressão surpresa.

- Oh meu deus, Camila! – E foi o que falou, me olhando como se eu estivesse mentindo. Curvei colocando o envelope de lado, sobre a foto, seca. Voltei meu olhar atrás, empurrando a porta do banheiro com força.

- Gostou? – Perguntei baixinho, me aproximando da divisória que nos separava, minha estatura é superior à dela, estava nos saltos.

- Sua roupa, saia daqui. – Sibilou entendendo o braço. Eu sorri, aproximando mais até sentir o torrencial da ducha me molhar da cabeça aos pés, sem me importar para nada que estava molhando.

- Oh meu deus, que tragédia, roupas molhadas! – Ironizei. Ela cerrou o olhar enquanto eu me aproximei a envolvendo pela cintura para perto, meu olhar no seu. Sentia que todas as coisas que haviam acontecido no dia, até agora, haviam voltado com força total, mas eu sei que juntas nós podemos levar isso. Juntas nós podemos tudo.

- Eu te amo. – Foi o meu sussurro honesto antes de me curvar e beijar seus lábios delicadamente.

Eu a amo.

Nós estamos juntas nisso.

-

Washington – DC

Estar na capital, e ao lado de Lauren é novidade para mim, e quando eu digo novidade, é destas boas. Precisávamos mesmo disso, desse momento nosso. Ally avisou que viria mais perto do horário, ela e Troy. Nossos amigos mais próximos garantiram com veemência que marcariam presença, enquanto minha mãe em meio a lamentações disse não poder nos acompanhar, sequer Sofi, ficaram em York.

Ainda lembro, aliás, de Sinuhe Estrabao querendo conversar, ela citou que não era momento, que me esperaria voltar de viagem, que iria me esperar em Dallas, a sós, por isso. Quando deu ênfase no a sós eu relutei sobre a possibilidade dela estar tirando Lauren disso. E foi exatamente o que era.

Mas eu ainda, relutante, entendo que há assuntos que ela só pode resolver comigo e mais ninguém, era nisso que me focava.

- Senhorita Estrabao, trouxemos suas bagagens para a suíte presidencial, mais alguma exigência? – Era o líder da equipe de segurança que andava nos escoltando por todos os momentos. Eu neguei com o rosto, levando o celular ao ouvido enquanto olhava para a extensão da sala, Lauren se inclinou para a sacada de vidro, encarando a vista lá fora.

- Rachel, é Karla Camila, eu cheguei em Washington, queria avisar uma coisa, eu deixei alguns documentos importantes sobre minha mesa na empresa, minha cabeça falhou em guardá-los, poderia, por favor, coloca-los em seu cofre pessoal para mim? É realmente importante. – Foi uma fala rápida em menos de segundos.

­- Oh Senhorita Estrabao, mas é claro! Eu vou fazer isso agora! Mais alguma coisa? – Perguntou rápida e prática. Eu neguei olhando para ambas as proteções de seda nos vestidos postos em cabines nada tradicionais no centro da sala. Era uma preparação e antecipação desta noite.

Nós e o Presidente.

- Não, Rachel, é só isso mesmo, obrigada. – Respondi. Ela apenas concordou com educação e eu desliguei, colocando o celular de lado.

- Sabe que temos alguns horários marcados para tratamentos estéticos, não é? – Perguntei caminhando lentamente até a varanda. Lauren não se virou, apoiava os braços no parapeito.

- Não se preocupe, meu amor, eu sei das nossas obrigações do dia. – Sussurrou perdida em pensamentos lá em baixo. Desde o dia que tivemos aquela consulta ela parecia mais calada, por vezes eu até pensei que era uma defesa, mas ela visivelmente estava tentando soar mais leve em alguns momentos, mais explosiva em outros, era um adotar equilibrado para diferentes situações, e isso era impressionante. Lauren estava tentando se equilibrar em meio a uma loucura.

Não creio que ela tenha esquecido de Lucy, de Gilliardi ou de quaisquer outros que queiram nosso mal como ninguém. Mas ela parecia sequer dar importância para esse assunto, não tocávamos no nome de Lucy, ela parecia querer evitar pensar e tocar naquele nome, e eu aprecio isso, de verdade, não quero falar sobre Lucy com Lauren.

É impuro só de imaginar, não vou sujar meus lindos lábios com uma megera mal-amada como aquela. Eu só quero seu fim como qualquer outro iria querer se tivesse em meu lugar, ninguém pode me julgar por isso. Ninguém.

- Tudo bem... – Foi a minha única resposta enquanto me reclinei ao seu lado deixando meu olhar se perder em seu rosto, ela se inclinou para mim, o olhar esmeralda pousando sobre os meus olhos. Deu uma piscadela leve e sorriu, os fios se rebelando pelo ventinho fresco que adentrava a varanda. É até pecado pensar na possibilidade que alguém teria de tirar um sorriso tão lindo deste rosto.

...

Ergui a taça de champanhe para ela, oferecendo polidamente, ela entreolhou do espelho para mim, envolta no robe de seda, os cabelos presos em um coque bem feito, a pele completamente limpa, havia passado por alguns tratamentos estéticos mais cedo, não era novidade, eu também estava da mesma maneira. De cara de limpa.

- Tome uma taça comigo. – Pedi, oferecendo a bebida. Ela aceitou, pegando o material de cristal, as unhas coloridas de vermelho destacavam segurando o copo. Esperou que eu erguesse minha própria traça para erguer a sua e tocar com leveza na minha, uma espécie de brinde.

- Pronta para o mundo? – Perguntei, casualmente, bebericando do champanhe. Ela desviou o olhar, dando um sorriso de canto.

- Estou. Só não espero o contrário. – Falou dando uma piscadela. Eu não sorri, contive meu sorriso observando sua provocação.

- Me excita te ver falando com tamanha firmeza sobre si mesma. Fico completamente molhada. – Lambi meu lábio inferior. Ela engoliu o champanhe com dificuldades, colocando a mão sobre a boca desviando o olhar, quase engasgou. Sorri cinicamente.

- Cale a boca, Camila.

Aquilo só me fez sorrir mais amplamente.

- Venha calar, mas venha nua.

Ela evitou beber mais da taça. Fuzilando-me.

- Por que anda tão abusada? – Sibilou entredentes. Eu não contive o riso anasalado.

- Sempre fui assim. – Dei de ombros, como se não fosse grande coisa. Ela se aproximou, colocando a taça de lado sobre a mesinha, a mão pousou em minha cintura enquanto me olhava de perto. A pele impecável, sem imperfeição alguma... Os olhos esmeraldas, os lábios rosados. Perdição.

- Anda demais, excessivamente. – Sibilou, em repreensão. Eu sorri, envolvendo ela com a mão em suas costas, a minha taça de champanhe pousando contra seu robe.

- É? E o que vai fazer? – Perguntei olhando para o inclinar da seda em sua pele, expondo suas clavículas. E tocou com o indicador e dedo médio nas bordas do robe os deslizando para baixo enquanto me apertava pela cintura, investindo o rosto contra o meu.

- Calar a sua boca, nua.

Music on* Flawless – The Neighbourhood

Eu fechei meus olhos, prazerosamente sentindo que nós teríamos uma vez antes do evento de homenagem. Eu posso fazer minha própria homenagem a ela, duvida?

Bochecha contra bochecha, as mãos espalmadas em minhas costas, os dedos apertando em meu robe de seda. Eu não contive de colocar a taça de lado e subir minhas mãos para sua pele desnuda acariciando com o polegar sua clavícula, a textura suave... Tão suave...

Inclinei o rosto, beijando sua bochecha lentas e repetidas vezes, a cada vez que seu peito subia eu depositava um beijo, era o movimento que me fazia intercalar.

- Beije-me... – Sussurrou, desejosa, virando o rosto, o olhar no meu. Resistir à um pedido como esse era pecado para mim. Ergui meu indicador para desenhar uma caricia em seu maxilar, carinhosamente. Ela parecia satisfeita, a selvageria de seu olhar denunciava isso.

E pairou, nós paralisamos perdendo no olhar uma da outra por segundos, congeladas por alguma força externa que segurava nossas bordas e apitava dando largada a nossa preliminar.

E com um sibilo desejoso eu avancei sobre ela repentina, tomando seus lábios selvagemente nos meus, devorava e não era com polidez, era com vontade, com desejo, com gana, apertando meus dedos em seus braços, a puxando para mais perto, sugando seus lábios, sentindo sua língua corresponder minha intensidade com o mesmo tom de desejo implícito.

É o que acontece sem escapatória quando duas almas se desejam tanto.

Deslizei minhas mãos pelo seu robe desatando os nós e puxando a seda entre meus dedos, já estava nua em um só movimento que minhas mãos fizeram.

- Você é tão minha que por vezes duvido se consegue se recordar pertencer a si mesma... – Sua voz era ofegante e rouca contra meu maxilar, as mãos quentes de dedos inquietos puxando meu robe de seda para fora de meu corpo, nua, tão nua quanto ela.

Sim, eu sou dela, tão dela...

Tão dela que minha língua desliza em seu pescoço, até o vão de seus seios e eu tremo por sentir que devora-la soa como um ato tão certeiro. Meus braços a envolvem pela cintura, a apertando contra mim, senti-la nua contra mim, me fez ofegar, desejosa por querer beijar cada pedaço daquele corpo antes que a oportunidade me escapasse as mãos, meus dedos apertaram sua pele da cintura, com força, a empurrando para atrás, sabia o que estava fazendo, ela sentiu a cama atrás das pernas quando a empurrei e me curvei, abaixando meu olhar por cada pedaço descoberto de pele.

- Deite-se. – Não foi um tom de imperatividade. Não estava lhe obrigando ou mandando deitar, estava sugerindo, com ofegante fala. Ela sorriu, contida, e com graciosa naturalidade ela se deitou no colchão, erguendo os braços sobre a cabeça e se expondo para mim, ela não sabe o quanto isso me deixa louca de poder.

Ter bilhões em conta, milhares de vidas em mãos, empresários chorando a todo momento por ter minha atenção, fama, carros, casas luxuosas para controlar, linhas e mais linhas de alimentos, comerciais nacionais, polos e eventos políticos que levavam meu apoio moral, causas sociais que me colocavam em patamares acima.

Nada me deixava com tamanha percepção de poder como isso, enquanto exercer minha profissão de bilhões era algo natural e que sequer me deixava ansiosa. Aqui, agora, ter minha esposa nua, exposta, à mercê e entregue a mim é o momento que eu assumo me deixar mais ansiosa, compenetrada e poderosa.

Apoiei meus joelhos contra o colchão e me curvei sobre ela, a olhando superior, meus olhos cerrando para cada mínimo pedaço, o olhar esmeralda divertido, brilhante, adorava estes momentos e pouco se continha. Senti a mão direita envolver minha nuca me abaixando para perto de seu rosto, os dedos delicados organizaram meus cabelos em um coque e ela prendeu com facilidade dando uma piscadela logo em seguida. Era um faça.

Sorri pelo o seu cinismo camuflado em ações.

- Diga... Onde precisa que meus lábios toquem... – Perguntei abaixando meus olhar pelo o seu corpo abaixo do meu, pescoço, clavículas, seios, a barriga...

Sua mão direita deslizou pelo próprio corpo, foi uma ação tão repentina, mas trouxe minha atenção imediata, hipnótico... A cada centímetro que seus dedos percorriam a própria pele e se abaixavam eu segurava mais a respiração, hoje seria um grande dia. Em todos os sentidos.

- Aqui. Acha que consegue suportar sem tremer? – A voz rouca me tirou dos meus devaneios hipnóticos, eu estou tão fodidamente compenetrada. Era uma provocação sobre meu autocontrole, ela sabe que eu o tenho aos montes. Sou mulher que resiste, que caí em tentações quando cede a si mesma cair em tentações, não me deixo ir sem pensar, a não ser que a minha resposta não esteja dentro dos meus próprios domínios, não vou simplesmente por ir, vou porque quero, e vou quando tenho totais intenções de ficar.

Em minha vida, só Lauren me deu essa certeza, eu fui para ela, fui para ficar, entreguei-me em todos os amplos sentidos, em corpo, em alma, em coração.

Fora a única mulher que me fez ceder à tentação e deixar de ser uma controladora do meu próprio destino. Encontre esse tipo de mulher para você.   

Seus dedos tocaram na curva de seu abdômen, próximo de seu sexo, como se fosse para me fazer resistir a não invadi-la, tomar e fazer gemer meu nome até nosso tempo limitado acabar.

- Acha que eu não posso fazê-la implorar? -  Perguntei mordendo meu lábio inferior. Ela sorriu, convencida, tocando novamente no abdômen. Eu rastejei, tocando minha mão aberta contra sua barriga, me curvando para beija-la, sua pele se arrepiou no mesmo momento que meus lábios tocaram contra ela.

- Por que se arrepia? Não tenho tamanhos efeitos... Por que treme? – Perguntei provocativa.

Ela gemeu, entrelaçando as mãos em meus cabelos, puxando-me contra a sua pele. Lambi, distribuindo alguns beijos cálidos em sua barriga. Meus olhos focando em seu rosto de expressão prepotente. Ela adora sentir o poder que tem em mãos quando eu cedo aos seus desejos.

- Vá. – Não tão fácil...

Contrariando seu desejo, subi os beijos pela sua barriga, envolvendo minhas mãos em seus seios, acariciando com o polegar em uma massagem lenta e provocante, ela gemeu, o toque frustrado queria que eu me abaixasse entre suas pernas, não faria isso com facilidade, estava me desafiando a tentar resistir, mostraria que sou resistente como o inferno. Adoro quando me desafia e erra.

- Vá se foder, Camila... – Sibilou entredentes ao sentir meus lábios sugarem seu seio esquerdo, com lenta vontade, massageando, sugando, lambendo. Os dedos cravados em minha nuca, a respiração e peito subindo e descendo contra minha boca... Minha língua rompendo em movimentos circulares contra seu mamilo.

- Prefiro que você faça isso, mas não agora, agora é meu momento. – Ela exasperou ao ouvir minha fala, eu contive o riso de que sabia bem que a deixava louca apenas com sutis toques. A reciproca era verdadeira, ou acha que não estou tremendo e me arrepiando até o último fio de cabelo ao sentir o toque de seu corpo contra a minha pele? Insanidade se acha que não o faço.

Só não dou meu braço a torcer tão fácil.

Sexo é uma comunicação muito paralela a tudo aquilo que habita nosso interior. Há quem goste de o fazer louco, sem controle, sem limitações, sem parar. Outros, como eu, gostam de misturar ambos os lados, ir lento, ir rápido, absorver cada momento, ou se afogar em cada momento. Por definição, citam que é instinto, que se faz por instinto, por busca de prazer, ou por busca de conexão, amor, concordo com o ponto de conexão.

Sinto que quando estou fazendo sexo com Lauren ela me invade, não apenas fisicamente, mais em outros sentidos que não buscam por definições, é como se o momento invadisse meu corpo e se infiltrasse em cada poro, como se o mover de nossos corpos fossem paralelos e interligados em busca de um objetivo em especial: ter à nós duas encaixadas uma em cada vão do corpo da outra.

Prazer e amor, por vezes não estão entrelaçados, há sexo por sexo, e estes são buscas nulas por satisfação, seja pessoal, ou física. Mas não há nada melhor que aliar ambos, prazer por amor, e amor por prazer. Bom é destas coisas, amar tanto que bagunçar seus lençóis e seus cabelos seja eufemismo perto da magnitude de força que pretende beijar o corpo de seu amor. Ou sentir que respirar é tão difícil quando seus lábios estão livres, e não por querer que estejam livres, mas por ter os lábios de seu amor sugando seu desejo através de sua pele.

Quando somos jovens, toda essa onda insana de libertinagem percorre nossas veias, hormônios gritam a todos os cômodos, queremos tanto e desejamos tudo, sexo é coisa de se querer fazer, independente de com quem seja, sexo por sexo, por instinto mais carnal.  E é bom, mas apenas suficientemente bom.

Maravilhoso é quando se tem alguém e um só alguém que não te remeta a querer sexo, ou só sexo. Não mais. As coisas se alteram tanto à ponto de entender que um “eu quero sexo”, se torna um “eu quero você”.

Ah, um “eu quero você” soa milhões de vezes mais gostoso aos meus ouvidos.

Fechei meus olhos subindo minhas mãos espalmadas por sua pele, acariciando com intensidade e posse cada pedacinho de pele que podia tocar, de seus seios fartos até os ombros onde apertei com as pontas dos dedos, acariciando em uma massagem leve, a querendo tão perto...

- O que está esperando? – Perguntou contra meu pescoço, os dentes mordiscando provocadores, a respiração quente e os lábios famintos me beijando a pele.

- Implore... – Revidei, movendo o rosto para alinhar ao seu, focando em sua boca avermelhada, entreaberta e ofegante. Ela cerrou o olhar, descendo as mãos pelas minhas costas desnudas, os dedos apertando, me querendo colada nela. Eu me contive, queria olhar em seu rosto, ela ergueu o queixo, prepotência pronunciada.

- A noite é minha essa noite, é o mínimo que deve me fazer, ceder aos meus desejos e ordens. Fazer-me sua como só você pode fazer antes que seja tarde demais e eu passe a noite toda querendo você, alivie isso em mim, Camila... Só você pode fazer isso. – Falou com tanta naturalidade que eu esperei por alguns segundos, engolindo em seco pela maneira que havia pronunciado aquilo, a magnitude do desejo em que proferiu, a língua tocando nos lábios.

Eu movi sorrateira, pegando sua mão esquerda, tocando meu polegar na aliança e levando a palma ao meu ombro, me abaixando nela, minha mão direita afastando suas coxas.

- I just wanna be yours... – Cantarolou baixinho, a voz rouca falhando, sexy... Toquei em sua coxa com força me abaixando e pressionando meu corpo ao seu, ela envolveu as pernas em mim, aproximando mais nossos corpos, sexo contra sexo, era assim que eu gostava de fazer quando queria ouvir ela gemer em meu ouvido. Minha boca procurou seu pescoço, sentindo o retesar de meus músculos das costas ao sentir seus dedos fincando em minha pele pedindo incessante por contato, por colisões.

Em meu primeiro mover eu já estava sem noção de controle, apertei as mãos nos lençóis e apertei com força, ouvindo seu gemido em meu ouvido me excitando a mover novamente, tocava em um ponto que me fez amolecida, era aquele ponto que me fazia perder a noção e aumentar o ritmo para buscar o que eu queria.

Senti sua boca próxima ao meu ouvido, os lábios aproximando do meu lóbulo, passeou a língua que me trouxe um sibilo incontido a boca, desgraçada. Movi novamente contra ela, cedendo ao seu jogo de golpes baixos. Minha mão direita se moveu entre nós e eu toquei com o polegar em seu clitóris, indo contra ao ritmo que eu me movia contra ela, meu polegar era lento, ela gemeu em protesto...

­- Droga, mais... – Sibilou entredentes, mordiscando meu maxilar, me atacando em revide, eu me apertava para a provocar, o polegar lento, o mover cadenciado, ela respirava tão alto contra meu pescoço. Virei o rosto em sua direção, e bastou isso para ela erguer o rosto, buscando insana a minha boca, a língua vindo de encontro a minha, invadia e queria se apropriar de cada pedaço. Os dedos me apertando pelas costas, arranhando para vir com mais vigor contra seu sexo, estava tão molhada que me tentou a abaixar e sorver dela.

O gostinho de champanhe em sua língua, os lábios deliciosos e delicados que empurravam nos meus de maneira indecente, amo beija-la, sentir sua língua frenética na minha, esse gosto de sua boca, essa sua falta de controle, a intensidade que vinha, as mordidinhas que dava para mostrar a necessidade que tinha de mim a ponto de querer morder minha boca.

- Deixe-se gemer do jeito que quer e eu faço mais... – Sibilei contra a sua boca, sem folego, sentindo meu coração martelar no peito em adrenalina pura. Ela assentiu descontrolada, voltando a morder minha boca, era uma leve dorzinha que enviava ao meu sexo ondas de prazer. Quente, como estava quente, minha pele estava em brasas.

Movi contra ela, e como teste eu aumentei o ritmo em que meu polegar acariciava seu clitóris. Ela gemeu, totalmente perdida, a voz rouca e manhosa, pedia em agonia, os olhos fechados, o tom mais alto e solto.

- Camila... – Sussurrou contra minha pele, perdidinha. Abaixei o rosto beijando seu ombro, ela se moveu contra mim, apertando mais das pernas envolvida em meu corpo. O ponto em que nos colidíamos aumentou, mais fricção, mais contato, mais perto, totalmente nela com nossos corpos encaixados.

- Oh...Porra – Sibilei entredentes, apertando em sua pele para mais. Movi o rosto abaixando para abocanhar seus seios novamente. Ela gemeu mais alto, apertando os dedos em meus cabelos presos, puxando para mais, queria-me em todos os lugares.

- Venha querida... Se deixe vir para que eu possa ter mais oportunidades de foder contigo... – Sussurrei contra sua pele. Ela puxou uma longa lufada de ar, soltando um silvo baixo.

Adicionei o indicador ao polegar e a envolvi pela cintura com a mão esquerda a abraçando para que ficássemos mais perto, minha língua percorreu seu queixo, e eu senti nossos seios se tocando ao nosso aperto e meu mover contra ela. Foi a minha vez de gemer sem controlar, ela abriu a boca e fechou rapidamente, dando gemidos entre seu apertar de maxilar, parecia se repreender, eu continuei a me mover contra ela, sentindo seu apertar mais duro em meu braço, os dedos fincando e ela gemendo em sequência pela onda de prazer que havia alcançado.

A maneira rude que me apertava que me excitou a ir mais, eu estava perto.

- Ca mi la... – Era baixo... porra, tão baixo quando fazia isso, quando gemia meu nome dessa maneira, tão manhosa e necessitada... Oh sim.

Apertei meus olhos engolindo em seco ao sentir que sua mão tocou na minha entre nós e ela reverteu a situação, tremula, empurrando a minha mão e tocando seu polegar contra o meu sexo. Eu já estava tão perto, e dolorida, e esse tocar foi como uma dose de doloroso prazer instantâneo, eu não contive meu corpo, meu rosto pairando no vão de seu pescoço enquanto gemia sem me conter.

Oh droga, sim...

Apertei minhas coxas contra as suas, me curvando ofegante e tremula, meus dedos indo ao lençol, apertando come força enquanto gemia por aquela onda. Droga, eu amo tanto essa mulher.

- Acabe com o seu serviço. – Ela falou ainda débil, a voz falha, a mão pousando seu próprio sexo. Fechei meus olhos, sentindo meu sexo latejar, eu só conseguia xingar pela intensidade. Rastejei tremula sobre ela, minhas pernas estavam amolecidas pelo momento.

Abaixei meu rosto à altura de seu sexo e me curvei lambendo de baixo a cima, contrariando sua ação de voltar a me erguer após lamber todo os resquícios de seu próprio prazer eu suguei, e invadindo com a língua. Não estava finalizando nada, estava recomeçando.

-

“Karla Camila & Lauren Estrabao chegaram às dependências da casa branca em torno do finalzinho de tarde, foram recebidas por Obama e Michelle com calorosos cumprimentos. Estão nesse momento na festividade fechada à alguns importantes convidados.”

Era como se o tempo e o espaço tivessem parado para mim, ou para nós, não entendia bem ainda para definir. Eu só ouvi seu nome sendo chamado e me movi de minha cadeira, erguendo ao seu lado, tocando minha palma contra a sua, os dedos macios, os adereços de joias tilintando contra a minha pele. Ajudei ela a se erguer e ela me olhou, as esmeraldas agradecidas, mas havia algo mais ali, e era como sempre, sempre havia algo mais quando nossos olhares se projetavam de uma a outra.

Ela tocou no pano do seu longo vestido e eu soltei sua mão, apenas a olhando se afastar entre o corredor dentre as mesas, e ela foi, sozinha, caminhando firmemente sobre seus saltos, sua própria elegância e vivacidade. E eu fiquei olhando para ela entre as personalidades poderosas que começaram a se erguer de suas cadeiras para ficarem de pé ao momento de honra. Dei dois passos ao lado, querendo projetar melhor meus olhos para conseguir enxergar aquilo tudo com mais detalhes.

Entrelacei meus dedos uns nos outros e me contive para olhar completamente admirada à minha esposa sobre aqueles degraus, palco, ao lado do presidente de nosso país e sua mulher. Eu não posso dizer que meu peito não explode nesse exato momento, porque é o que ele mais faz.

Ter noção absoluta de que ela não estava recebendo aquilo por mim, e sim por ela, era o melhor, me deixava completamente orgulhosa, eu queria tornar essa noite única, quero que comemore, que sorria o tempo todo, que veja o quanto ela é forte, o quanto me completa, o quanto me preocupa que seja tão poderosa, mas que me alivia a esse extremo por entender que não há mulher melhor no mundo que possa ocupar esse espaço em minha vida a não ser ela.

Lauren nunca precisou de mim para alcançar méritos, e eu nunca enxerguei nela isso, tudo o que ela tem é por esforço próprio. Poderia muito bem ter cedido e aproveitado todos os confortos que eu sempre ofereci a ela desde o começo, mas ela nunca quis tornar isso algo sobre dinheiro, sobre conforto, sobre troca de egos. Ela só queria ser minha, e sabe o quanto isso vale para mim? Vale tudo.

Ela queria exatamente o que eu queria dela.

Ela queria ser minha, eu queria ser dela.

E hoje em dia nós somos.

Somos irrevogavelmente uma da outra.

Adoto a posição de figurante esta noite, ela é a protagonista dessa história.

O presidente moveu a medalha dourada para fixar, educado, sobre o tecido de seu vestido, posicionando a medalha próxima à manga de seu pescoço. Ela sorriu educada e contida para ele, eu sabia que era um ato de ansiedade mesclado com vergonha. Adorável. Não contive o sorriso bobo que veio aos meus lábios, sou puro orgulho.

E não seguindo um protocolo pelo qual eu imaginaria, meu nome fora clamado para o microfone. Eu não entendi, não entendi porque me chamava nesse momento, mas os olhares tornaram a virar em minha direção enquanto as palmas e barulhos efusivos eram emitidos em uma explosão que me faria tremer se não fosse o transe por ver que as esmeraldas brilhantes estavam sobre mim, e sorria, adorável e orgulhosamente.

Ergui-me da cadeira, entreolhando de Ally para Troy e depois pousando em Katy e Rihanna. Todos sorriam com o mais exposto e transparente dos sorrisos. Foquei em pisar sobre meus saltos com perícia e caminhei dentro as mesas, subindo os degraus com o auxílio surpreendente do presidente.

- É bom te ver, Karla Camila. – Ele falou com aquela tonalidade que me coloca quase intimida. Lembro de vê-lo e falarmos algumas vezes.

- Digo o mesmo, Mr. Presidente. – Apertei sua mão dando-lhe um abraço casual. A primeira dama se aproximou, sorrindo daquela maneira que faria qualquer um sorrir de volta. Abraçou-me.

- Está lindíssima. – Elogiou. Eu acenei dando uma piscadela, aproximando de Lauren com cautela. Mr. Obama se aproximou fixando a medalha dourado sobre o tecido do meu vestido, sobre meu coração, eu sentia-me tremer, não estava prevendo isso.

- As menções honrosas seriam tão extensas se eu colocasse isso como um texto justificável. Lauren está aqui pela sua honra, força, pela coragem, pela honestidade, por executar aquilo que tinha que ser executado em sua vida. Sobreviveu e é como uma heroína para nós, pela superação, pela coragem. Já, Karla Camila é uma antiga parceira, a conheço, sei que tipo de caráter porta, que simples, se faz presente em nosso país em cada canto por aquilo que produz, honra nossa economia, tanto aqui dentro, quanto fora, é motivo de orgulho à nós, e sua força é determinante nesse momento. Queríamos honra-la juntamente com Senhorita Brooke, mas acharam que seria um momento especial manter vocês duas juntas aqui em cima. Disseram-me que são lindas juntas. Não é mesmo, querida?

Obama anunciou no palanque olhando para sua esposa, que acenou, sorrindo. Ele se moveu. Envolvendo Lauren pela cintura com educação, pedindo para que nós quatro tirássemos uma foto em conjunto. Michelle Obama me envolveu pela cintura, enquanto me aproximei de Lauren envolvendo sua cintura com naturalidade e posse.

Eu sou sua, e você é minha.

E se há fatos irremediáveis nesse mundo... então, destes fatos irremediáveis este se destaca: Nós viveremos para sempre.

Lauren não precisa de mim para ser sexy, para ter personalidade, para agir com o que ela tem de melhor, ela conseguiu me provar, agindo, que pode ser um pesadelo delirante por si só. E ela quer ser um pesadelo, e sabe bem o que isso é para mim?

Eu vou adorar ter insônia todas as noites se ela for o motivo.

Inclinei meu rosto para a esquerda olhando em sua trajetória, a postura completamente ereta, o olhar altivo à frente, seu rosto se virou, no mesmo segundo, para olhar o que eu estava fazendo.

“Transbordo de orgulho de você, meu anjo.” Sussurrei próxima ao seu rosto. Ela não respondeu, seu olhar esmeralda bem demarcado focou em mim e pude ver a maneira que engoliu lentamente até pousar ambas as mãos frente ao corpo me deixando envolve-la de lado focando o olhar a frente, a medalha dourada reluzindo em seu peito, enquanto o presidente dos Estados Unidos a envolvia pela cintura e sua mulher me envolvia.

Não é como se não tivesse enxergado aquela mulher que havia dentro dela desde o primeiro dia, mas aqui estava, de garras para fora, o olhar altivo, o porte gracioso de que cedia ao meu toque e não que buscava por ele, como se controlasse cada átomo a sua volta.

Nós quatro, encarando o torrencial delirante de flashes que se focaram em nós.

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Narrador POV

A empresária de expressão fechada encarou as câmeras e pessoas a frente, o tecido fino adornando seu corpo com perfeição, eram peças feitas exclusivamente com suas medidas por grandes estilistas que faziam questão de assinar linhas que apenas Karla Camila iria utilizar.

Essa peça, por exemplo, era totalmente preta, com uma abertura mediana, que deixava seu decote socialmente exposto, sem exageros que a tornasse vulgar. Renda especial, com abotoaduras de brilhantes nas costas que ajustava o apertar do tecido em sua pele, no estilo pessoal de moda da empresária.

Ela beirava entre o social, imponente, refinado e sexy.

Era mulher de boas roupas, bom perfume, sapatos estilizados, cabelos sempre brilhosos, caindo sobre os ombros como se estivesse acabando de sair de um comercial de shampoo, unhas perfeitas e devidamente pintadas por especialistas que iam toda a semana a sua casa, torna-la impecável, uma mulher impecável, que sustentava e comandava uma empresa impecável.

Para todos, a vida de Karla Camila era o que invejavam ser, ou ter.

Mas ela passava ultimamente por conflitos internos que a fazia apenas mais irritadiça e séria com seus negócios. A mulher havia deixado sua vida pessoal afetar na profissional, o que por revés foi um bônus. Sua firmeza aplicada nos negócios elevou 30% as ações da empresa, beirando a lucros que fazia a concorrência chorar de joelhos.

Quanto mais investiam em diminuir ou derrubar, mais Karla Camila renascia das cinzas e demonstrava a personalidade de aço imutável.

Ela pisou sobre os saltos com maestria envolvendo Lauren Estrabao Jauregui pela cintura.

Era nestes momentos que a mulher se tornava mil vezes pior.

-

Dinah Jane levou os longos dedos aos cachos dourados olhando para o palanque onde Karla Camila se moveu graciosamente em torno de Lauren. Sentia a proximidade de Normani ao seu lado, reclinou o rosto dando um sorrisinho.

- Olhe a tensão sexual delas... – Sibilou baixinho, dando um risinho.

Normani seguiu sua indicação e deixou seus olhos se perderem na maneira em que Karla só olhava para Lauren o tempo todo, parecia preocupada com só aquela mulher e mais ninguém. Era bonito de ver.

- Eu acho que ela perderia a cabeça para sempre se em algum momento de sua vida Lauren cogitasse se afastar dela por seja qualquer coisa, olhe bem o jeito que elas se olham. – Normani apontou aproximando mais de Dinah, sua namorada.

A loira negou com o rosto.

- Vire essa boca para lá, eu torço por elas, não creio aliás, que há alguma alma nesse ambiente que não esteja vendo isso, olhe bem como elas se amam com os olhos. – Dinah falou, apoiando a mão na base das costas de Normani, casual, ambas as mulheres olharam Karla Camila se mover para perto de Lauren a envolvendo pela cintura, Lauren deixou as mãos livres frente ao corpo se deixando envolver o olhar a frente enquanto Karla Camila ainda estava perdida nela, fora uma das cenas mais bonitas que Dinah poderia presenciar.

- Ela é completamente abobalhada por Lauren. – Normani falou baixinho sorrindo. Se lembrava da amiga desde a época do colegial, nunca viu em seu rosto aquele tipo de olhar. Era uma devoção sem igual. E era uma situação tão reciproca, porque ao virar o olhar a frente, Lauren inclinou o rosto para olhar a esposa e o mesmo olhar de adoração estava ali, os flashes piscando insanos só provava que no dia seguinte aquelas imagens de um amor de adoração estariam por todas as partes.

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Music on* Twenty One Pilots - Heatheans

Há quilômetros de distância

Veronica Iglesias caminhava pelos corredores de seu prédio, segurava a bolsa de couro nas mãos. Havia acabado de chegar de outra rotina cansativa em sua empresa de aparelhos de filmagens, o olhar opaco demonstrava todo seu cansaço. Pairou frente à porta de seu apartamento, deslizando o cartão platinado no sensor lateral da porta.

O barulho de destrancamento a fez se mover repentina para entrar, moveu a perna direita, mas a mão firme a envolvendo por trás com posse a fez se reclinar assustada, tentando olhar quem era. O corpo a impediu, a mão a envolvendo pela cintura.

- Oi, Veronica. – Sussurro em seu ouvido. Ela já reconhecia aquela voz, sabia quem era, a ouviu demais em seu ouvido por meses para evitar compreender o que aquilo significava.

- O que faz aqui? – Perguntou surpresa, engolindo em seco tentando se virar para olhar, estava travada, o corpo a impedia firmemente.

Sentia os dedos delicados deslizarem por seus cabelos, a caricia a fez arrepiar engolindo em seco, sentindo o roçar da boca feminina em sua nuca.

- Senti sua falta... – A resposta foi lenta, estendida.

Veronica fechou os olhos perdida na caricia suave que recebia. O corpo a empurrou para dentro de seu apartamento de maneira territorial.

- Sabe que eu não pergunto sobre isso, o que faz aqui de fora, não estava presa? – Perguntou entre suspiros e exasperos.

A mão direita empurrou a porta com força a fechando com um só movimento enquanto Veronica sentiu seu corpo ser virado com rudeza nos braços da outra mulher, os olhos castanhos adornados por sobrancelhas marcadas e a expressão prepotente denunciava a mulher.

- E para a justiça, eu ainda estou, só queria poder olhar o rosto daquela delegada idiota e de toda aquela turma de panacas que envolvem Karla Camila quando perceberem que não há mais um eu para chamarem de ré, mas eu tenho pretensões melhores para essa noite. – Sussurrou umedecendo os lábios enquanto focava em Veronica.

- Você fugiu da cadeia? Está louca? – Veronica perguntou arregalando os olhos. A outra mulher riu sem humor.

- Sabe desde o dia um que sou louca, não deveria nem se assustar. E aproveite, eu estou de saída do país com meu pai, nós temos dois dias. – Veronica ficou em silencio, soltando a bolsa de lado. As mãos se perderam na roupa da outra mulher, enquanto seu rosto se inclinou em um impulso, pressionando os lábios no da outra mulher, o corresponder fora sedento.

- Lucy... – Pediu sem folego contra o pescoço da outra mulher. Sua resposta não veio em palavras, apenas sentiu o agarro firme em suas coxas a empurrando para trás contra a parede. Era coisa de desejo.

Os lábios de Lucy pressionaram em seu pescoço, e ela se perdeu na caricia molhada e penetrante, as mãos se perdendo nos cabelos uma da outra.

Haviam tantas coisas que aquela parede poderia dizer, presenciou momentos insanamente calorosos entre Veronica e Karla Camila, e agora... podia listar toda uma história entre Veronica e Lucy.

O barulho de vestes sendo rasgadas e os gemidos trocados ditavam o ritmo selvagem entre as mulheres.

Já se conheciam completamente, cada polegada uma da outra, seus lábios percorriam a pele uma da outra sem bussola, não precisava de direção, era automática, as línguas duelavam com voracidade que crescia a cada vez, como se fosse uma novidade.

São tempos sombrios, não há como negar.

You'll never know the psychopath sitting next to you
You'll never know the murderer sitting next to you

Você nunca saberá se há um psicopata sentado ao seu lado
Você nunca saberá se há um assassino sentado ao seu lado

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O mais velho moveu pelo ambiente sugando o charuto, o olhar no mais jovem que organizava pastas de couro com variados documentos que eram de interesse de ambos.

- Não é momento para nós, precisamos sair daqui. – Foi o mais jovem que falou, empurrando todos os documentos de qualquer maneira dentro da pasta, seu olhar indo lento no homem que insistia em seu charuto em um método quase terapêutico.

- É só isso que tem a dizer? Que precisamos?

O mais jovem engoliu em seco.

- Mais de 50 Seguranças, ligações rastreadas, esquema de segurança mais forte que o do presidente, carros blindados. Acha mesmo que há chance de o raio cair no mesmo lugar? – Perguntou.

- Eu não sei, se acovardar não é atitude que eu lhe ensinei. – Reprendeu.

- Não entenda como prepotência, pai, mas não há maneira de sairmos bem disso se seguirmos por essa linha, precisamos sair daqui. – E foi como o veredito final. O homem colocou o resquício do charuto de lado e irritado puxou a mala negra, olhando a sua volta com raiva descomunal por entender que fugia de um suicídio moral.

O que importava agora era ter sua garotinha de volta, livre.

Fim do Ato Final.

“O corpo de Lucy Vives fora encontrado completamente incinerado em Nova York.”

2 anos se passarão.


Notas Finais


Bom, estes tempos atrás li no twitter sobre essa tamanha necessidade de distinção de vilões para heróis em histórias, maniqueísmo está em todos os lugares, essa distinção de bem e mal. Mas na realidade, do nosso mundinho real aqui, todos nascemos sendo de bem, sendo do mal, sendo um pouco de cada, não é um fato único e linha que irá determinar exatamente aquilo que somos.
Em Live Forever e Ascención não há isso, não estou aqui para colocar heróis e vilões de uma vida real. Coloquei o máximo de realidade nisso, e quando colocamos realidade em jogo, bem e mal vêm entrelaçados como um casalzinho de apaixonados.
Não há mocinhos nas minhas histórias, porque ninguém que habita essa terra é um. Isso é um aviso, né? :)
Façam suas suposições.
Tudo anda na mais pura paz aqui no vale, rs.
Bom, né?
Vejo vocês. E serão daqui dois anos... haha.
Twitter: @kcestrabao


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