História Ascéncion - Capítulo 39


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony, Katy Perry, Rihanna
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Katy Perry, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais, Rihanna
Tags Camren, Rihkaty
Exibições 819
Palavras 5.496
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oie! Estão bem? Como estão com estes resquícios que explodiram do último capítulo? Bom, como sabem, há uma passagem de tempo determinante, e vão sentir isso nessa pegada que a história está engrenando agora. Aliás, antes que termine, vamos ao ponto das dedicatórias da vez, esse capitulo é da Bia, onde me indicou músicas maravilhosas e me viciou em uma que eu não tirei da cabeça até hoje. Apesar de Swiftie (vamos relevar, ela também é gente) brincadeira, rs, adoro os swifties, meu @ aqui no social e wattpad prova isso, sou badblood mesmo. Enfim, é uma forma de agradecer cada pessoa que influenciou nessa história de maneira positiva para mim. Esse capitulo será bem de deixar finais de pessoas explícitos, e mostrar um pouco da rotina de Lauren e Camila nesse novo futuro. Então, enjoy, Bia, não me mate, aproveitem galera, e boa leitura! ♥

As músicas do capitulo virão, quando aparecerem, executem, surpreendam-se. :p

Capítulo 39 - Influence


Music on* Pour It Up - Rihanna

New York – Véspera de Ano Novo, 2016.

Flashdancers NYC Club, Broadway.

O espaço parecia pequeno demais para ter tantas respirações se misturando a todo momento. Os olhos felinos esverdeados se voltaram em trajetória para o palco de altura mediana, as tonalidades rosas de fundo, o corpo seminu de uma loira artificial que pressionava a barriga contra o ferro de pole dance, as vestes tinham adornos metálicos e brilhantes, não eram unhas postiças exageradas que levava nos dedos, mas o seu envolver no cano e o esfregar das coxas desnudas e suadas faziam os rapazes do ambiente delirar e suspirar com cada abaixar repentino.

Dólares e mais dólares depositados no beirar do palco, enquanto a trajetória felina mudou para os fios descoloridos em um tom quase branco de cabelos. Estava sentado em uma das poltronas, de jeito largado, os braços tatuados apoiando nos braços da poltrona, o olhar na loira seminua que fazia seus movimentos sedutores para conseguir sua renda da noite.

Parecia excitado, por vezes jogava seus dólares.

Ela umedeceu os lábios virando o olhar ao extremo oposto, precisava de algo para molhar seus lábios.

Sobre os saltos, apertada em um sobretudo Gucci bem enlaçado em sua cintura, ela se aproximou casual do bar, onde, com curiosidade, o barman a olhou com minúcia. Talvez se perguntava o que fazia ali. O ambiente era em sua maioria repleto por homens, sejam destes endinheirados em busca de prazer banal, ou alguns homens de poder aquisitivo mediano que sentava nos sofás de couro para olharem os corpos brilhantes se remexerem sexualmente.

- Whisky. – Foi rápida, sequer deixou que o homem fizesse seus gracejos. Olhando para o balcão, critica sobre o ambiente que a cercava, apoiou o braço ali, esperando sua bebida que daria uma dose quente à sua garganta e às suas motivações.

- Aqui, madame. Tome como cortesia da casa. – O homem colocou o copo de vidro envolto em um pequeno guardanapo. A mulher entreabriu os dedos, e envolveu o copo o levando os lábios. A brilhante e chamativa maori nas mãos chamava a atenção. Olhou para o barman por segundos e ele ficou silencioso, esperando que ela fizesse algo. Ela apenas deu uma piscadela.

Desviou o olhar, voltando a caminhar por onde havia vindo. A bebida desceu deliciosa por sua garganta, segundos lentos que pôde apreciar o sabor tocando sua língua.

O homem que observava, continuava na mesma posição. Voltou a focar no palco, eram três mulheres agora em sua seminudez, sobre saltos, cabelos soltos, e muitos adornos brilhantes e vulgares. Seguiam aquilo, por serem objetos de fetiche alheio, estavam executando sua função. A mulher não agradou de nenhuma das visões, não quando em seu recordar tinha visões melhores, mais agradáveis, mais requintadas de olhos oceânicos.

Lambeu o lábio inferior e olhou a sua volta. Encontrou um homem, em seu terno, o olhar no palco, parecia hipnotizado demais para até mesmo jogar seus dólares. Ela se aproximou de sua mesa, pousando o copo vazio, o ato chamou a atenção do homem engravatado.

- Oh... Uma de luxo... – Sugeriu apontando para a mulher em seu sobretudo. Ela não lhe deu respostas imediatas e sequer reações. Estava sugerindo que era uma stripper de luxo. Queria rir, mas se conteve, focou no copo.

- Eu queria lhe pedir um favor. – Ela falou casualmente, tocando na beirada de seu copo vazio. O homem não focava mais em palco algum, estava olhando apenas para a requintada mulher como se fosse mais hipnótica e sedutoras do que as que estavam em volta. E era.

Mas não havia em si a vontade de chamar a atenção.

- Quero que conte para mim, até dez. Pode fazer isso por mim? – Ela perguntou deixando um sorriso torto sedutor preencher seus lábios. O homem se moveu de imediato, queria saber o que estava por vir, achava mesmo que esta seria uma das mulheres que trabalhava no club.

- Mas é claro! – Respondeu. Ela assentiu.

- Então quando eu me afastar, você irá contar para mim. Quando chegar no dez, você se levantará, correrá até o barman e falará que há um louco querendo atacar as strippers... – Ele franziu o cenho. Não estava entendendo.

Ela ergueu o indicador.

- Depois, você me segue. – Ela completou. Aquela frase tornava tudo o que ela havia dito anteriormente algo banal e atraente. O homem sorriu, se inclinando. Ela se ergueu, ajeitando a postura.

- Combinado? – Perguntou. Ele assentiu rápido e ela assentiu.

- Estou indo, faça... – Piscou charmosa ao se virar. As mãos adentrando os bolsos do sobretudo, puxou o lenço de seda o levou ao rosto, o prendendo sobre a boca e nariz. Suficiente enquanto as contagens mentais que fazia lhe deixava animada ao caminhar em direção à poltrona em que o homem de cabelos platinados estava deitado de pernas estendidas.

Sentiu todo o calor que por anos recebeu em formas de tapas, chutes, agressões, xingamentos, puxões de cabelos, cuspires, vestes rasgadas, bebida jogada em seu rosto, as dores que por vezes fazia seus joelhos latejarem, o sangue que sempre perdia. O cheiro de droga, o suor e por fim, todo o calor de todas as suas lágrimas derrubadas.

Limpou a garganta contornando o sofá e dando três passos, definitivos. Se virou, sentindo o material frio contra sua palma. Ergueu o olhar ficando diretamente ao homem, os picares por vezes escuros, por vezes rosas, a música envolvente de fundo. Um.

O homem se levantou da mesa no mesmo momento em que ela puxou a pistola do bolsa e ergueu.

Um.

Dois.

Três.

Ouviu os gritos, e casual com havia caminhado para estar ali, naquele momento, ela enfiou a arma no bolso, puxando a seda do rosto enquanto corria ao lado oposto da entrada, a saída de trás, em meio a alguns esbarrões. Os saltos batiam frenéticos no chão enquanto desativou o alarme do carro e entrou em um só movimento, e assim como havia chego naquele mesmo ambiente, ela saiu, finalizando seu ciclo infernal.

Feliz Ano Novo.

-

Véspera de Ano Novo, 2015.

Em algum lugar, nos céus da França.

“A American Airlines agradece a preferência.”

A mulher se moveu pela aeronave, portava o terninho azul marinho com os detalhes em dourado. Estava atenta aos pedidos dos passageiros. Caminhou elegante no corredor, analisando se cada passageiro estava em seus devidos lugares, se estavam satisfeitos com o começo de voô, e se não precisavam de algo imediato.

- Hey... – Foi um tom masculino que a chamou. Ela se aproximou educada, olhando para o passageiro com atenção.

- Posso ajuda? – Ela perguntou simpática. O homem parecia jovial, tocou na pasta de couro e afrouxou um pouco da gravata.

- Eu queria fazer uma pergunta, em minha passagem consta que a chegada aos Estados Unidos será às 17pm, mas, acabaram de anunciar que serás às 18pm, em que devo confiar? – Perguntou dando um sorriso logo em seguida olhando para a aeromoça que sorriu contida de volta, confusão interna.

- Pode ter sido queda de sistema na hora de impressão de sua passagem. O voo terminará às 18pm, com informado pelo comandante de voo. – Ela respondeu educada. O homem assentiu, focando no papel em seus dedos.

- É a primeira vez que estou em um American Airlines para fora do país, tenho certo receio. – Ele falou inseguro. Ela franziu o cenho.

- Por que? Não sinta receio, Senhor, estamos sempre nos atualizando para trazer o melhor aos nossos usuários. – Ela falou tentando o acalmar.

- É que, minha irmã já sofreu acidente em um destes. – Ele falou sem deixar a ansiedade escondida. A aeromoça franziu mais o cenho.

- Sua irmã? Foi algo recente? – Ela perguntou.

O homem, assentiu.

- Sim, foi um acidente feio, muitas mortes... Mas ela ficou bem. – Falou arrastado. A aeromoça o olhou atenta.

- Qual o nome dela, de sua irmã? – Perguntou. Ele a olhou com atenção, não se deixando perder em devaneios.

- Bom, é Lauren, Lauren Jauregui. – Ao falar aquilo a aeromoça piscou repetidas vezes tentando entender o que estava acontecendo.

- Você é o Chris? Chris Jauregui? – Ela perguntou cética, ainda sem entender a coincidência, pouco lembrava de ver a fisionomia do rosto do irmão de Lauren nas fotos de família que a sua amiga tinha em casa.

- Oh! Eu sou Zara, eu a conheço! – Saudou o rapaz, animada. Ele sorriu, estendendo a mão para um aperto amigável.

- Que legal saber disso, parece que me senti milhões de vezes mais seguro agora! – Ele confessou, brincando com o material de couro de sua pasta.

Os dois se entreolharam, os sorrisos cedidos de um ao outro fizeram um leve corar nas bochechas da aeromoça, que alisou o terninho o olhando.

- Não se preocupe com isso, mesmo, a American Airlines está aqui para ceder os melhores serviços. – Ele assentiu, ainda a olhando com o sorriso simpático. Foram algumas palavras trocadas enquanto um certo tipo de admirar mútuo pareceu surgir no ar, a aeromoça não parecia ter deixado despercebido, era observadora demais para isso.

Perto de seu banco retrátil ela sentiu o olhar dele nela, e nessa nova repetição sorriram um ao outro.

Aconteceu.

-

Atualmente – 2018

Nova York parecia intocada, continuava a mesma resplandecente cidade grande que dividia todos os holofotes com a requintada ilha de Manhattan.

Lauren Estrabao Jauregui caminhava sobre seus altos de selo de alta costura, o padrão ondulado que os fios negros longos faziam sobre seus ombros era delirante, de hipnotizar, estava de expressão fechada, caminhando dentro da galeria requintada. O olhar esmeralda ia rígido nas obras expostas, os estéreos ao fundo tocavam um pop nacional de momento, enquanto a badalação e algumas conversas a sua volta denunciava o tom empresarial que homens de elegância, trajando seus ternos de corte fino com cabelos lambidos, adotavam.

No extremo lateral da galeria, Karla Camila se reclinou sobre o banco de couro, olhando para o motorista pelo retrovisor.

- Como conheceu esta entrada da galeria? – Perguntou cética, olhando para o Rolex de diamantes que adornava com delicadeza seu pulso direito. Estava um pouquinho atrasada para o evento da esposa.

- Algumas pesquisas práticas, Senhorita Estrabao. – O motorista respondeu polido, limitado à algumas palavras apenas. Aquilo agradou a bilionária que sorriu, sem se conter com o orgulho do ato competente do rapaz. O jovem contornou o carro e abriu a porta traseira esquerda, olhando atento a empresária sair do carro segurando apenas uma bolsa de couro pequena nos dedos.

Ele a guiou até a porta dos fundos e empurrou o material com força, pausando ao sentir o comentário da mulher.

- Eu estou bem, sigo só de agora em diante. – Anunciou, caminhando sobre os saltos pelo corredor largo e dos fundos. A primeira visão foi um dos seguranças, parado atrás de duas portas dobradiças, os pequenos vidros arredondados deixando à vista para o interior da galeria.

O homem estava de cabeça baixa, compenetrado no chão. O que não o impediu de olhar a mulher dos pés à cabeça e os lábios entreabrirem chocados, tendo noção imediata de quem se tratava, sua exaltação fez Karla arquear a sobrancelha.

- Diga para Lauren que há uma encomenda para ela nos depósitos dos fundos, ou fale que há alguém dizendo com veemência que quer entrar, mas não tem convite, fale isso, sem revelar que eu estou aqui. Vá. – Falou acenando para as portas dobradiças. O homem engoliu em seco, ajeitando a gravata.

- Mas senhorita Estrabao, ela deixou claro a todos nós que não iria analisar convites em portas, que não era para entrar ninguém que não o tivesse para justamente não ter que sair da galeria ou se preocupar com bastidores. Ficará extremamente irritada comigo se eu mentir que há um penetra querendo entrar em sua festividade... – Seu tom era completamente amedrontado. Karla cerrou o olhar.

- Apenas faça isso, me asseguro de Lauren, porque dela cuido eu, faça sua parte e estará tudo bem. – Falou casual, não importando para as relutâncias do homem, que engoliu em seco, mas assentiu, empurrando as portas. Karla Camila se recostou na parede, olhando através do vidro para a badalação ali dentro.

Havia acabado de chegar de outra viagem importante, tinha prometido a Lauren comparecer, mesmo deixando claro que era uma possibilidade e não certeza, em seu interior, estava tranquila, faria uma surpresa a esposa. De relance avisou à sombra feminina há distância, sua expressão era fechada, o vinco irritado na testa.

Karla sorriu cinicamente, escutando as portas serem empurradas e ela saiu à fora jogando seu olhar irritado diretamente em Camila. Sua expressão congelou.

- Irritadinha você. – Karla provocou se afastando da parede. O segurança não ousou passar as portas, ficou na parte interna da galeria, deixando ambas as mulheres à sós no corredor.

- Não acredito que mentiu só para que eu viesse aqui, Camila. – A pronuncia da Artista plástica ao nome de sua esposa foi sibilante.

- Sim, menti, o que vai fazer? – Desafiou apertando os dedos na bolsa de couro que levava em mãos. Lauren abaixou o olhar, focando na bolsa e logo ergueu, focalizando em desafio na empresária.

- Idiota impertinente, quando chegou em York? – Lauren perguntou levando as mãos aos cabelos, ajeitando com elegância, a expressão fechada. Era uma evolução de postura, adotava sempre expressões sérias e fechada quando estava na galeria cedendo exposições e conversando com novas parcerias, o tempo, e a experiência havia proporcionado aquilo à mulher.

- Há pouco, vim direto, o motorista achou uma entrada por trás, aqui estou. Dê-me um beijo de boas-vindas, senti saudades. – Karla falou tocando a ponta do indicador nos próprios lábios.

Music On* Sucker Of Pain – Imagine Dragons/ Lil Wayne

Lauren a olhou e deu um riso nasal.

- Não sei o que está fazendo, mas os seguranças estão começando a ter mais medo de você, do que de mim, o que é um ponto considerável a ser notado. – Karla adicionou a informação aleatória, cerrando o olhar para a esposa de postura altiva e fechada à sua frente. O ar estava pesado.

- Eles trabalham para mim, não você, têm que seguir as minhas regras, não as suas. – Lauren sibilou. Karla arqueou a sobrancelha para a visível posição defensiva da mulher.

- Desconte esse estresse comigo na cama. – Falou sorrindo, achava graça da postura de Lauren, conhecia tão bem da mulher para saber todos os efeitos que tinha sobre ela. Lauren se aproximou, tocando no queixo da esposa com o indicador, o erguer com leveza e aproximou seu rosto do dela, o olhar esmeralda analisando cada pedaço no rosto prepotente a sua frente. O maxilar demarcado, os lábios carnudos, o nariz arrebitado.

Entreabriu a boca e aproximou mais, mas, como se não tivesse o feito. Deu um passo atrás e se aproximou das portas jogando um olhar sobre o ombro.

- Castigo pela brincadeira de mal gosto. – Falou naturalmente, dando um sorriso malicioso. Karla levou à atitude com leveza, mesmo infernalmente irritada pelo rechaçar. Apertou os dedos na bolsa de couro.

- Venha. – Lauren estendeu a mão. A empresária, abaixou o olhar para a mão com delicadas joias e a brilhante aliança de casamento que mostrava a todos o quanto se pertenciam. Pensou em ignorar a mão e apenas entrar, por vingança boba. Mas sabia que era melhor ao lado de sua esposa, milhões de vezes melhor.

Pousou a mão sobre a de Lauren aceitando o toque e a mulher empurrou a porta, entrando na galeria, deu uma longa olhadela ao segurança, como se fosse um aviso para que não fizesse novamente e seu olhar desviou à Karla Camila que tinha um olhar sugestivo.

- Você vai se arrepender do que está fazendo... – Karla sussurrou, com um sorriso nos lábios, fingindo, para que os convidados que as viram entrando não percebesse. Lauren sorriu, verdadeiramente pela primeira veza na noite.

- É? Vou adorar vê-la tentar.

Karla a fuzilou enquanto a esposa sorria provocante. Aquele aspecto nunca mudaria entre elas. Mas ele sofria recorrentes upgrades através do tempo. Dois anos não fora pouco.

Tudo mudou.

-

Karla Camila POV

Dois anos.

Sabe bem o que são dois anos? São tudo. Tantas coisas estavam mudadas nesse meio tempo. Eu olhava para através da janela de trás do Audi. Chovia, forte em Nova York, os pingos agressivos de chuva batendo contra o vidro do carro denunciava isso. O motorista estava pacifico em seu terno no banco da frente, ao seu lado, meu segurança pessoal.

Desde o ano de todos os acontecimentos, eu e Lauren sempre andávamos com seguranças para todos os lugares que íamos, eram raras as exceções. Por vezes, íamos a sós em alguns lugares, mas era depois de muita pesquisa, sem alardes, para não sermos pegas de surpresa, e funciona assim, desde 2016. O trágico, mas finalizado e feliz 2016.

Tantas coisas estranhas aconteceram naquele ano, que trouxeram consequências ao agora. Consequências boas...

Falar de Lauren é como entender que não era a mesma. Ela encontrou seu lugar onde ficar, e parecia cada dia mais cômoda nele.

Sua galeria tinha gerenciamento contábil pela minha equipe da KCE. Havia feitos trabalhos expansivos exorbitantes, tanto que, conseguiu, por conta própria seus dois primeiros milhões nos primeiros seis meses de novo adotar. Impôs que as rendas da galeria iriam ser separadas para ter noção do que estava fazendo, e eu tinha orgulho que ela fazia aquilo, se a deixava orgulhosa de si, então era bom para mim.

Estava na metade na faculdade, tanto que podia dividir bem suas aulas, indo ocasionalmente à faculdade.

Nossa vida havia mudado, ela havia adotado sua posição como minha esposa, como me prometeu. Se portava graciosa em todos os eventos da empresa que ia me acompanhar, não deixava de comparecer a nenhum para que ficássemos juntas. Eu amava aquele detalhe.

O único detalhe em andamento, era sua gravidez.

O tratamento mensal havia terminado há dois meses, tempo esse em que ela começou as sessões de inseminações. Já foram duas tentativas falhas. O impressionante era a maneira que ela lidava com toda a situação, não se mostrava desanimada, pelo contrário, em uma situação em que qualquer pessoa teria perdido todas as esperanças, ela ainda se mantinha firme à própria fé. Eu a admiro, sua força nisso me surpreende a cada segundo.

- Senhorita Estrabao. Chegamos. – A voz masculina me fez mover o olhar e perceber que estava dentro da garagem de casa. Peguei minha maleta de couro e saí do carro com auxílio do segurança, respirando aliviada por enfim estar em casa depois de um dia cansativo na KCE.

Bom, essas novidades eu ainda não contei.

Eu estava prestes a fazer uma parceria bilionária com a Coca Cola.

Queriam uma empresa competitiva para tomarem como parceria, assim como eu almejava o mesmo. Ainda estávamos traçando e escondendo à sete chaves os cinco produtos de novo fornecimento e algumas aberturas de negócios mistos em certos países. Mas isso é coisa para o futuro.

Entrei pela cozinha, acenando ao avistar Jennifer e Danny. Sorriram simpáticas quando avistaram a bola de pêlos ambulante correr em minha direção ao escutar meus saltos batendo nos pisos de casa.

Esse é Reggz. Nome esse que Lauren induziu Sofi a nomeá-lo. Por vezes, aliás, acho que minha esposa volta muito ao seu passado de adolescência não vivida. Principalmente quando Sofi vinha ficar aqui em casa conosco.

Reggz é nosso, um presente que Sofi deu a si mesma e à nós. Sempre o deixou aqui, eu achei a ideia ótima, era uma companhia a mais, um animal para cuidar, Lauren o adorava, assim como cada membro que entrava nessa casa, muito pela adorabilidade dessa pequena criatura gordinha e minúscula.

Sua raça é Pomeranian, o pelo tosado o deixava ainda mais minúsculo.

- Hey, Reggz... – O saudei, curvando para tocando em sua fronte fofa. Ele se aproximou se esfregando em mim com a língua para fora. Eu não sei, animais e crianças me deixam mole.

- Onde está Lauren? – Perguntei a Danny me erguendo. O filhote continuou a me circundar animado. Fazia isso sempre para me saudar quando chegava do trabalho.

- Academia, Senhorita Estrabao. – Falou educada. Eu assenti.

Aqui estamos em outra novidade.

- Venha Reggz... – O chamei enquanto saí da cozinha caminhando pela casa, deixei a maleta na sala e desci os degraus para o andar de baixo. Os barulhos altos de ferros era a perspectiva do momento. Lauren não brincou quando disse que faria de tudo para melhorar à saúde e ter um filho.

Ela faz exercícios físicos agora, e pega pesado.

Nesse momento fazia exercícios de barra em escalada, e por deus... As barras não eram fixas, ela fazia aquilo para aumentar a resistência dos braços e ombros. Eu senti o lamber de Reggz na minha perna. Eu abaixei o olhar para ele por segundos, mas voltei meu olhar hipnótico a minha esposa através do vidro. Ela não havia percebido minha presença, não ainda.

- Olhe bem essa sua mãe... – Falei para o filhote que continuou a passar o dócil corpo peludo contra minha perna.

Lauren soltou a barra no último nível, aterrissou no chão, firme, as coxas contraindo nos shorts curtos que usava. Eu tremi com o movimento.

Caminhei até tocar na maçaneta da porta e empurrar.

- Olá.

Ela moveu o rosto para mim. O suor escorria pelo seu pescoço.

- Camila... – A voz foi tão gutural e rouca que eu me sobressaltei.

- Bom ver esse seu empenho. – Elogiei olhando para seu peito subindo e descendo com rapidez pelo esforço. Linda demais.

- Vem aqui. – Falou, foi quase como uma ordem. Eu cerrei o olhar. Não vou negar. Não sou idiota.

Ela ergueu a garrafa de agua virando o conteúdo na boca com sede, engolindo com vontade. Aproximei dela a tempo de colocar a garrafa de lado e me envolver pela cintura, me puxando contra seu corpo. Eu sorri.

Ela me envolveu com mais força, seus movimentos não contidos e firmes. Havia adquirido mais brutalidade com esses seus exercícios fortes. E eu? Bom... Eu adoro que me pegue com força assim.

Reclinou meu corpo de maneira repentina, me deitando sobre o tatame onde eu praticava boxe, minhas costas desnudas pela abertura do vestido tocando contra o tatame, ela sorriu se abaixando sobre mim me beijando no pescoço.

- Toda suada... – Sibilei. Ela riu.

- Desde quando se importa com isso? – Perguntou depositando beijos molhados em meu pescoço. Eu a envolvi, sentindo ela mais perto. O corpo esguio sobre mim. Suas mãos envolveram meus cabelos, puxando com delicadeza, me fazendo mover para tocar meus lábios nos seus.

Isso se o lamber molhado não tivesse tocado minha bochecha e Lauren se moveu, olhando a esquerda. Reggz me lambia o rosto e empurrava as patinhas no braço de Lauren.

Eu não consegui conter meu riso e a olhei, ela sorriu da mesma maneira, tocando sua mão na cabeça do pequeno.

- Ele consegue ser mais ciumento que você. – Falei o olhando voltar a me lamber o rosto. Lauren sentou sobre meu corpo, o pegando entre suas mãos, as patinhas se moveram no ar, animadas. Ela o pousou sobre minha barriga e ele caminhou em direção ao meu rosto. Eu aceitei as caricias.

- Ele sou eu, é por isso que é ciumentinho... – Ela falou em tom mais agradável. Eu o envolvi nas mãos enquanto sentia seus pêlos em minha palma. Ela se reclinou repentina, abraçando nós dois enquanto empurrava a boca contra a minha.

- Te amo... – Sussurrou contra minha boca, aprofundando o beijo. Me beijando com Reggz entre nós duas... Talvez as definições de paraíso foram atualizadas.

-

Dinah Jane esperava pacientemente enquanto olhava para as próprias unhas bem-feitas. Estava na antessala do evento de gala entre empresário de respeito no ramo nacional. Dinah era uma destas inclusões de novas promessas. Estava investindo em uma linha de roupas novas, e podia dizer que estava animada com aquilo.

- Pronto, Vamos. – Aquela foi Normani Kordei, que ao sair da antessala, aproximou de Dinah a segurando pela mão. Estas, continuavam assim, namorando, já viviam juntas. Compraram um bom apartamento no mesmo prédio em que Camila já morou certa vez, indicação da mesma. Estava vivendo juntas e estavam felizes, era o que importava no final das contas.

Normani estava executando funções de Estado agora, não diria que foi algo do nada, boas indicações haviam colocada a mulher onde estava. Mas tudo ainda era ligado a atitudes de Karla Camila que proporcionaram a Dinah a oportunidade de ficar mais perto da amada e além disso conseguir seguir um sonho pessoal de uma linha de roupas e cosméticos, era um passo inicial, estavam eufóricos para aqueles lançamentos e a sua inserção no mundo empresarial.

Lauren Estrabao Jauregui envolvia o copo de champanhe entre os dedos de unhas bem-feitas e adereços de diamante adornando a milionária aliança de casamento. O vestido negro executivo estava bem moldado às suas novas curvas, resultado de um estilo de vida aprimorado durante esse intervalo de tempo.

Sentia alguns olhares furtivos ao seu corpo, mas com classe pouco importou para as olhadelas importunas, estava à espreita, olhando à distância Karla Camila dialogar com um grupo de empresários, parecia séria, discutindo assuntos que Lauren não estava com paciência para participar no momento. Administrar era apenas com Camila, ela só sabia de fotografias, arte, projetos de arte, isso e nada mais do que isso.

- Já viu o quanto essa mulher é gostosa? Porra! Eu fazia era virar mulher em dois tempos! – Ao ouvir tais falas seu cenho franziu e seu olhar esmeralda projetou pela direção daquelas vozes.

Dois homens engravatados, há meia distância, tinham em suas mãos, taças de champanhe, repletas da bebida. Lauren ficou curiosa ao perceber a direção em que ambos os rapazes olhavam.

Sua mulher.

Music on* Gangsta – Kehlani

Pressionou os lábios tentando conter a irritação por ter percebido aquilo.

- Eu já conversei com ela uma vez, que delicia de mulher... Além de gostosa, é muito inteligente, os projetos que cedi para parceria não chegaram perto do que ela queria de nós, e ela explicou de maneira arrasadora, mas valeu a pena, só de ter conversado com ela... Que mulher, David! Ela é fodida demais... – O outro homem falou bebendo da taça que segurava.

Lauren sentiu a pele queimar.

-  Imagine os gemidos dela quando... – Lauren não esperou que ele finalizasse. Apertou o maxilar colocando a taça sobre a mesa. Afastou-se a pisadas firmes ou faria uma loucura. Uma coisa era saber que sua mulher era desejada, outra completamente diferente era ouvir aquilo, em alto e bom tom.

Camila a percebeu por canto de olho se aproximando. A mulher de olhos verdes colocou a melhor expressão lívida no rosto ao se aproximar, mas não suficiente. Aproximou do círculo de conversas, fazendo com que a esposa parasse o que estava falando e a olhasse em dúvida.

- Hey, algo? – Perguntou baixo, atenciosa, sem querer ceder muitas intimidades em frente aos empresários. Lauren sequer olhou para o rosto de um deles. Iria soar prepotente e arrogante de sua parte, mas pouco ligou para os homens engravatados. Que eles a achassem uma antipática, não ligaria.

- Venha comigo um minuto. – Falou a mais controlada que pôde. Karla assentiu, colocou a taça de lado e olhou para os empresários, despedindo com polidez enquanto Lauren a esperou tempo suficiente para se afastarem e entrarem no corredor do salão de festas, estava vazio. Queria um lugar mais reservado.

Empurrou a primeira porta de madeira que avistou e avistou o escritório de luzes desligadas.

Empurrou o interruptor de luz e puxou Camila para dentro.

- Wow, certo, o que está acontecendo aqui? – A empresária perguntou confusa. Lauren ignorou a pergunta, a puxando para sentar em um poltrona. Ao sentar a esposa, ela engoliu a saliva com força e respirou fundo.

-

Karla POV

Senti seus dedos acariciando meus ombros, eram indevidos e rebeldes passeando com lentidão exagerada em minha pele desnuda enlaçando nas alças delicadas do meu vestido executivo.

- Essa tensão aqui...é nova... – Fechei meus olhos no mesmo segundo que sua voz rouca ressonou próxima ao meu ouvido, os dedos apertando com mais vigor os músculos dos meus ombros, era uma pressão gostosa e inegável.

- Excesso de trabalho... – Respondi arrastada de olhos fechados. As mãos arrastaram mais, ultrapassando o limite e tocando em frente aos meus ombros, abri os olhos curiosa ao sentir o ar se movimentar e ela parar exatamente a minha frente, o olhar desafiador, a expressão prepotente. Podia ver a libido explodindo em seus olhos.

- Não estava assim há pouco... – Comentei cerrando o olhar para seu repentino comportamento mudado. Ela deu de ombros fazendo pouco caso sobre o assunto, parecia pouco se importar para as minhas constatações.

- Não havia ouvido um fodido desgraçado falar sobre você. – Sibilou fazendo uma careta, os lábios se curvando. Eu franzi o cenho.

- O que? – Falando de mim? Ela deu um riso sem humor, aproximando mais de mim, a mão esquerda pousando em meu braço, o polegar acariciando minha pele. Sua fala havia me colocado no modo de alerta, antes eu estava conversando casualmente com empresários aqui, por vezes, algumas mulheres do ramo, nada demais, coisas de empresas, nada sobre ciúmes, relacionamentos e intenções. Era novidade.

- Eu ouvi um de seus empresários aqui, falando o quanto você é gostosa, o quanto faria você virar mulher em dois segundos para um homem de verdade.Ela sibilou debochada, os olhos cerrados, o maxilar apertando. Era uma atitude justificável, eu ficaria possessa se a situação fosse invertida.

- Quem é o louco? – Perguntei curiosa, ela negou com o rosto, se aproximando mais, a mão em meu ombro. O rosto aproximando do meu.

- Eu não quero lembrar desse estúpido. Não mesmo. – Rebateu, o indicador tocando em meu queixo, empurrou para o lado, me provocando a cabeça. Eu sentia a tensão sexual, a áurea pesada, ela estava irritada, mas estava com um nível de prepotência no teto. E eu gosto, excita-me.

- E o que quer fazer para romper essa irritação permanente? – Perguntei fingindo inocência. É claro tenho tão boas intenções quanto ela. Ela abaixou o olhar entre nós, eu pensei que olhava ao chão, mas era uma ilusão de perspectiva, olhava descarada para os meus seios em meu decote.

Senti a palma esquerda me envolver pela cintura e pausar sobre minha bunda, apertando com força para ela. Eu não contive o gemido surpreso. Oh sim... Me tinha perto, peito contra peito, respiração em meu rosto.

- Eu queria lhe ter sobre a mesa de escritório dele, isso, para mostrar apenas quem pode lhe fazer mulher de verdade. Mas como isso é romper regras de pudor público eu me contento em ter você, apenas para mim. Em sua, em nossa mesa. – Sibilou olhando determinada para meus lábios.

- Quer ir a KCE para ter-me sobre a mesa? Te faz sentir poderosa? – Perguntei sem conter que queria a provocar. Ela grunhiu, me apertando mais nela. Por um lado, eu não estava sequer começando a ficar irritada com o cara, seja quem for.

Eu gosto quando ela fica assim, irritada.

Quem ganha sou eu.

-

Lauren POV

- Eu não quero isso ali. – Falei apontando para um dos refletores posicionados no canto extremo da parede, estava torto, horrível de visual. O homem responsável me olhou cético, como se eu estivesse brincando, eu não estou.

- Não o quero ali. – Voltei a repetir, tocando a caneta prateada em mãos. Meu olhar rígido na estética da galeria prepara para outra exposição importante. Sou muito exigente com esses eventos, precisava ficar impecável, não sobrava muito espaço para incompetências.

- Não acha que está o suficiente? – Ele perguntou, como se eu estivesse mentindo, ou fazendo graça.

- Se estivesse da maneira que eu queria, não teria pedido para tirar. – Retruquei abrindo as mãos no ar impaciente.

Ele engoliu em seco e assentiu, voltando a puxar as escadas para retirar o refletor e reposicionar.

- Senhorita Estrabao Jauregui, uma ligação lhe aguarda. – Eu virei meu corpo para olhar. Nicole. Minha secretária pessoal. Baixa, de cabelos mel e olhos claros, parecia mais jovem do que realmente era.

- Quem? – Perguntei. Ela abaixou o olhar para encarar um pequeno bloco de notas.

- Karla Camila. – Ao ouvir aquilo algo em mim se pôs mais leve. Eu assenti, já me movendo para a ultrapassar e subir as escadas. Foram segundos. Pousei a caneta sobre a mesa e peguei o telefone em mãos.

- Diga... – Foi a primeira fala.

- Rude. Sabia que eu gosto disso? – Provocou me fazendo revirar os olhos e não conter o sorriso que me vinha ao canto dos lábios.

- Vá direto ao ponto, Karla Camila. ­– Falei me sentando a beirada de minha mesa.

- Não fale assim, é golpe baixo... – Ela calmou. Eu não conseguia parar de sorrir para seus gracejos bestas.

- Bom, eu quero te dizer que vamos ter que executar uns planos. – Eu franzi o cenho, confusa.

- Como o que? – Perguntei intrigada, cruzando os braços rente ao corpo.

- Dinah vai pedir Normani em casamento, em grande estilo. – Eu me levantei imediatamente da mesa, chocada. Oh meu deus.


Notas Finais


Como estão a perceber, eu vou dar finais específicos em cada capítulo final que vier. Por isso da leveza... Já conhecem meu esquema, sabem bem. Esse capitulo foi uma básica intro ao futuro. Estou em busca do meu ápice, espero poder o encontrar antes do capitulo 46. Será ótimo para ambos os lados, o de vocês e o meu.
Twitter: @kcestrabao


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