História Assassin's Creed: Aftermath - Capítulo 1


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Categorias Assassin's Creed
Personagens Edward James Kenway, Haytham Kenway, Ratonhnhaké:ton "Connor", Shay Patrick Cormac
Tags Ac3, Achilles Davenport, Apple, Connor, Connor Kenway, Drama, Edward Kenway, Haytham Kenway, Romance, Shay Cormac, Ziio
Exibições 9
Palavras 2.406
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Suspense, Violência
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Assassin's Creed: Aftermath - Capítulo 1 - Prólogo

“Breve é a loucura, longo o arrependimento.”

Friedrich Schiller

 

Do Diário de Connor Kenway



 

Em algum lugar da Jamaica. 12 de Fevereiro de 1783.



 

Sinto-me um tanto envergonhado de, apenas agora, ter assumido uma caneta e papéis. Fora a minha amada mãe que me ensinara, ainda que em suas maneiras e quase em improviso, a escrita, bem como a ser fluente no Inglês, que tanto me foi importante no início de minha jornada. Mais tarde, o meu mentor e grande amigo Achilles ensinou com mais afinco. Entretanto, minha caligrafia sempre esteve muito longe de ser tão floreada quanto a dele. Eu sempre estive ocupado demais, aprendendo a lutar e a me defender, a ser ágil e resistente, para me preocupar com tais coisas. Diante da ameaça dos Templários ao meu povo naqueles dias, nada me parecia mais importante que acabar com todos eles.

E, aparentemente, eu consegui. Custou-me anos, mas consegui.

Entretanto, eu percebi que minha missão estava longe de estar terminada, e mais uma vez, eu me vi perdendo tudo que construí. Agora, sinto-me um homem desnorteado, andando por escombros. Cumpri minha missão naquela época. Todos os meus alvos foram derrubados – mesmo aquele que cheguei a pensar em abrir uma exceção – mas o que restou após minha jornada foi nada além de uma sensação de vazio. Meu povo está completamente fragmentado, escondido, numa ânsia de sobreviver e nada mais, tal como um animal ferido e acuado, escondido esperando a sua derradeira extinção chegar. Os homens por quem lutei tinham mais semelhanças que diferenças com os quais confrontei nos últimos anos. Pois afinal, que importa se escravizam negros ao invés de índios? A escravidão é algo repugnante, e se há algum ponto que pelo menos eu sei que concordo com meu pai, é este.

Eu presumi que o conhecia. Julguei-o com as informações que tinha na mão. Mas depois que li seu diário, propositalmente deixado em suas coisas, percebi que não. Talvez, talvez tudo fosse diferente, se eu tivesse conhecido sua real essência, seu passado repleto de contradições e enganos, eu poderia reavaliar minhas opiniões. Pena que não tive tempo para isto.

Sinto-me mais sentimental que gostaria, mais reflexivo. E cada vez mais, sinto o peso do fracasso sob minhas costas, apesar de todas as vitórias que já conquistei. Se algum dia, pude erradicar os Templários dos Estados Unidos da América, ainda que este feito tenha me custado muitas derrotas pessoais, hoje vejo que meus esforços estão à beira de ruir. Em todos os sentidos.

Eu queria que minha última vez no St. Peter Cemitery, em Nova York, tivesse sido a última, mas não foi. Tinha esperanças de que mais alguém restasse além de mim, alguém que pelo menos não me fizesse sentir mais culpado do que sinto, por ver tudo desmoronar e pouco conseguir fazer para impedir. Minhas palavras, ditas há 2 anos, no exato dia de 12 de Dezembro de 1781, trazem apenas dor. Ou melhor, a sensação de que fracassei.

“Nós iremos derrota-los. Eu prometo. E o faremos juntos.”

Juntos?

Fazia uma chuva forte durante o enterro de Deborah “Dobby” Carter. Ela foi a última a morrer. Em menos de dois anos, um a um, todos os meus recrutados, já adentrados a Ordem, morreram, misteriosamente.

Clipper Wilkinson foi envenenado com um dardo furioso. Atacou uma tropa de casacas vermelhas com seu mosquete, matando inclusive a alguns civis, e acabou morto pela polícia. Quando encontraram seu corpo, notaram um dardo preso ao seu pescoço. Não tive dúvidas de que ele tinha sido dopado.

Duncan Little foi morto covardemente, com um tiro nas costas, quando voltava do pub. Estava escuro e ninguém viu quem atirou. Como se o tiro tivesse partido de um fantasma.

Jamie Colley estava prestando socorro a dois soldados quando uma granada os atingiu, matando todos os três instantaneamente. Entenderam apenas como um atentado.

O corpo de Stephane Chapheau foi encontrado pendurado a uma corda, no ramo de uma árvore, no norte de Boston. Havia um bilhete, que notei como falso, em que eu lhe pedira para me encontrar com ele naquele local.

Depois, foi a vez de Jacob Zenger. Um ferimento no coração, certeiro, provocado por uma faca curta. Como sua carteira foi levada, sua morte foi tratada como um assalto, seguido de morte, algo cada vez mais comum em Nova York.

E, para minha tristeza, foi a vez de Deborah Carter. Morta quando tentava achar pistas de quem estava provocando os ataques. Sabíamos que os Templários estavam por trás das mortes, mas um fator me assustava: as mortes eram todas bem disfarçadas. Dobby acreditava veementemente que todas as mortes foram provocadas pela mesma pessoa. Tenho certeza de que ela estava na região portuária investigando melhor sobre suas suspeitas. Até um barril de pólvora explodir misteriosamente perto dela, e assim levar o último membro da Ordem que tanto demorei a construir.

Era triste admitir, mas depois de todos os anos que levei para derrubá-los, eles voltaram. Parecia que eu conseguia ouvir as palavras de meu pai. “Mesmo quando o seu Credo parecer triunfar, nós ainda iremos nos reerguer outra vez. E você sabe por quê? É porque a Ordem dos Templários nasce de uma realização. Nós não exigimos nenhum credo. Não há doutrinação feita por velhos desesperados. Tudo o que precisamos é que o mundo seja como ele é.”

Eles sempre voltariam. Vieram da Inglaterra, não muito tempo após a queda de Charles Lee. Howard Davidson, o novo líder deles, era muito mais cruel que todos os Templários que eliminei juntos. Um facínora, mercador de escravos e assediador de mulheres. Vilanias estas que, ao menos, meu pai jamais fizera no exercício de seu cargo.

Eles tinham recursos, desta vez. Para meu desgosto, o irmão de George Washington estava entre eles, e o Comandante foi claramente envolvido em suas teias de mentiras, tornando-se uma marionete. Poderia até mesmo ser capaz de ouvir a voz do meu pai a dizer “o que foi que eu disse?” De fato, Washington mostrava-se, cada vez mais, como um líder fraco.

Era nestas horas que eu me lembrava dele.

Meu pai.

Matá-lo foi a coisa mais dolorosa que fiz. “Cometi um erro”, escrevi em Mohawk abaixo de seu retrato, o único que não retirei, não sei se porque sinto que ele não deveria ter sido o meu alvo, ou se porque eu tenho medo de esquecê-lo. Querendo ou não, aquela era a única imagem que possuía dele, e eu não queria que acontecesse o mesmo que minha mãe, cujo rosto eu já não me lembrava dos detalhes. Mas apesar de nossas diferenças e conflitos, tento imaginar o que ele pensaria de tudo isto, se ainda estivesse vivo para ver os Templários Britânicos tomarem a América. Uma das coisas que Achilles tinha comentado comigo foi seu gradual distanciamento da Ordem Britânica após a morte de seu tutor, fato este que só pude entender com maior clareza ao ler seu diário e saber que ele tinha sido o responsável por sua morte. Certamente, ele não confiava neles. Tê-lo deixado vivo, ainda a governar o Rito Colonial, teria sido a melhor escolha? Talvez. O que sei é que ao menos eu não veria a situação de devassidão e miséria a rodear-me, pois se há algo que jamais pude me queixar do Grão-Mestre Haytham Kenway, foi de sua moralidade. Abusar de jovens e escravizar nativos e negros não estava, definitivamente, em seu repertório, e duvido muito que ele tolerasse essa situação – ainda que isso custasse a morte de um dos seus.

Eu estava ferido e incapacitado de voltar ao combate por meses, pelo menos. Meu ombro ainda estava dolorido pela bala que lhe acertara, e para meu profundo desgosto, sem dúvida me deixaria alguma sequela física. Se isto acontecesse, eu jamais voltaria a ser o mesmo de antes, portanto, as chances de uma vitória tornavam-se cada vez mais críticas.

Mas algo ainda me enchia de esperanças.

A Maçã.

Há um ano, quando estava ocupado demais com os Templários, recebi informações por intermédio de correspondências de Assassinos de outros países a respeito da localização de um artefato da Primeira Civilização (ou Aqueles Que Vieram Antes, como chamava meu pai) na América Central. A notícia pouco me interessou, mas agora, deparo-me em uma situação tão desesperada a ponto de recorrer à lendas e poderes, caso eu deseje ainda reverter esta Guerra.

Tanto que decidi pegar meu navio, o Áquila, e navegar em direção à provável localização apontada pelos Assassinos. Curiosamente, estou a navegar agora pelas mesmas águas que o meu recém-descoberto avô, Edward Kenway, navegara em sua juventude e em seus anos dedicados a si mesmo, e mais tarde a Ordem dos Assassinos. Gostaria de tê-lo conhecido melhor. Se mesmo com suas convicções conflituosas, o meu pai sentia admiração por ele, procuro imaginar que homem fantástico ele era. Espero que minha estadia no Caribe traga, além do artefato que pode mudar o rumo dessa Guerra aparentemente perdida, também reflexão, equilíbrio e clareza. Pois estou precisando.

Soube por Mr. Falkner, mais acostumado a estas águas, que amanhã estaremos chegando nas Bahamas. Aproveitaremos para descansar, pois ainda temos algumas semanas de vela até Kingston. Creio que esta será uma viagem agradável, e um bom momento para espairecer, apesar de todo o dever por trás dela.



 

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Sinto-me estranhamente hesitante em escrever hoje.

Minha estadia em Kingston esteve longe de ser tranquila. A cidade, não tardou para que eu percebesse, está empesteada de Templários. O local também parece degradado, bem diferente das histórias que ouvi a seu respeito de marinheiros mais experientes. Há mais escravos em Kingston do que em Nova York ou qualquer lugar da América que eu tenha estado, e isso é uma proeza...

Tive de segurar minha mão cerca de três vezes para não criar um imenso tumulto e libertar alguns pobres escravos de seus cativeiros, mas fui detido por Mr. Falkner. Gerar tal confusão poderia criar uma problemática muito grande, e afetar os meus tripulantes, podendo todos nós acabarmos como prisioneiros nesta terra estranha, e não era isso o que eu queria. Eu precisava me focar e encontrar a Maçã o quanto antes.

Ouvi algumas boas histórias de meu avô, e minhas perguntas a respeito dele acabaram despertando alguma curiosidade em Mr. Falkner. Decidi, então, confidenciá-lo sobre minhas origens. Foi bom assim fazê-lo, pois ele mesmo tinha um bom repertório de histórias sobre o Capitão Edward Kenway e seu poderoso navio, o Gralha. Ele prometeu-me contar mais algumas, mas duvido que o faça tão cedo, diante dos últimos acontecimentos.

No momento, estou ancorado em Kingston. Ainda há sangue de Templários manchando as minhas mãos, sendo isto um vestígio de minhas recentes ações. Creio que borrará um pouco este papel, mas pouco me importa, diante do impacto de minha boa ação.

Tal como ouvi, após algumas investigações em um bar de Kingston, descobri que, assim como eu, os Templários não estão aqui a mero passeio. Estavam procurando alguma coisa. Dois capangas deles, mais faladores depois de algumas canecas de rum, resmungavam sobre escavações na mata. Quando ouvi a palavra “Maçã” sair com um ignorante desprezo da boca de um deles, percebi que era hora de investigar. Consegui segui-los com sucesso por metade da cidade, algo que posso repartir entre meus talentos e experiência como Assassino, e também a embriaguez daqueles dois sujeitos. Logo cheguei ao acampamento.

O trepidar de picaretas nas pedras fez-me ficar alerta. Subir em uma das árvores daquele pântano pôde me ajudar a ter uma clara dimensão da situação. Não havia muitos, creio que por causa de uma eventual – e como sempre, demorada – troca de turnos. Todos estavam exaustos de tanto cavar. Em dez minutos, não mais que isso, eu seria capaz de mata-los. Só precisava esperar a hora certa para saber o que eles pretendiam.

Ouvi uma explosão, e isso deixou-me alerta. Um burburinho finalmente foi escutado da caverna. Tinham encontrado alguma coisa, até um deles dizer outra vez a palavra “Maçã”.

Em minha formação com Assassino, ouvi muitas histórias a respeito dos poderes da Maçã, e do perigo que este artefato poderia levar à mãos erradas. E aquelas mãos, definitivamente, estavam longe de serem as mais corretas. As dos Templários, certamente, seriam a ruína não só da Ordem dos Assassinos, mas também da Humanidade. E a Ordem dos Assassinos, a Ordem que ajudei a construir, contava com aquele artefato como última esperança. Se Ezio Auditore pôde destruir todo o exército de Cesare Borgia em segundos, eu imaginava o que a Maçã poderia fazer com os soldados e mercenários regidos por Davidson.

Hora de agir.

Lancei-me do galho para ter meus punhos amortecidos por dois pescoços. Claro, todos se assustaram, mas voltaram a si e sacaram suas armas. Não sei quanto tempo levei, mas percebi que não demorei muito para abatê-los. Estavam todos cansados, tal como eu previ, e saí daquela batalha vitorioso e sem nenhum arranhão para chamar de meu, apesar das dores persistentes em meu ombro ferido.

Adentrei a caverna, agora vazia, e me deparei com o objeto que tanto chamara a atenção de todos aqueles homens.

Em um canto, em meio a algumas pedras, lá estava o Piece of Eden, tal como o dia em que me encontrei com a Deusa e recebi meu chamado. Brilhante, vivo, convidativo com suas loucuras e possibilidades de poderes. Mas eu tinha consciência o suficiente de sua seduções e riscos.

Tinha?

É o que me pergunto agora, em minha cabine de capitão, na minha clausura. Decidi deixar Mr. Falkner com o leme esta noite e, infelizmente, deixar de ouvir mais histórias a respeito de meu avô, para contemplar este objeto. Ele está me chamando, sinto que sim. Não ousei pegá-lo com meus dedos, levando-o até o navio envolvido em um pano. Temo que possa ativá-lo erradamente. Temor. Algo que pensei jamais ter sentido. Mentira. Minhas mãos estão claramente hesitantes, atraídas por ele. Eu desejo ativá-lo. Desejo saber o que ele quer de mim. Será a Deusa, desejando fazer-me mais uma revelação? Ou ela já deseja me ajudar a reverter o quadro da Guerra? Poderia este objeto transformar-me em um monstro, ou mesmo um Tirano? São tantas as possibilidades, que agora encontro-me hesitante.

Acaba de ser meia-noite. Em breve, às cinco, terei de tomar o leme outra vez, e ainda não terei tirado o necessário descanso. Se realmente irei fazer algo, preciso fazê-lo agora. Largarei a hesitação, e verei o que esta Maçã tanto tem a me oferecer, e o que quer que seja, aceitarei, ciente de minhas responsabilidades e consequências.



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