História Assassin's Creed: Aftermath - Capítulo 2


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Categorias Assassin's Creed
Personagens Edward James Kenway, Haytham Kenway, Ratonhnhaké:ton "Connor", Shay Patrick Cormac
Tags Ac3, Achilles Davenport, Apple, Connor, Connor Kenway, Drama, Edward Kenway, Haytham Kenway, Romance, Shay Cormac, Ziio
Exibições 4
Palavras 2.187
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Suspense, Violência
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Ratonhnhaké:ton


Fanfic / Fanfiction Assassin's Creed: Aftermath - Capítulo 2 - Ratonhnhaké:ton

Uma náusea muito estranha preenchia o meu estômago. Posso dizer, com o orgulho de um homem tímido, que só fiquei bêbado uma mísera vez, no começo de minhas viagens à bordo do Áquila, para nunca mais. Um dos motivos, além do meu comportamento momentaneamente ridículo que só soube por terceiros no dia seguinte, era a sensação de náusea, a intensa vontade de vomitar. Pois eu me sentia exatamente assim.

O curioso é que não vomitei. Fechei meus olhos e fiquei parado. Senti que havia alguma coisa errada. O cheiro... Uma das coisas que aprendi no mar é que todos os navios tem um cheiro parecido: urina, peixe e rum. Até mesmo o meu, mesmo sendo bem limpo e cuidado, não foge à regra. Mas aquele cheiro... Lembrava-me Kanataséhton, a minha aldeia, local de minha infância.

A familiaridade da floresta não era uma ilusão, mas uma estranha realidade que invadira meus olhos, assim que eu os abri. Isso era impossível, eu sabia. Impossível.

Levantei-me, e percebi que o ambiente era muito maior do que lembrava. A casa tinha crescido, ou eu tinha reduzido? Olhei para minhas mãos, para constatar que eu, na verdade, é que estava muito menor que minha estatura normal.

Toquei meu cabelo, senti a pequena trança que pendia perto de minha orelha. Olhei para os meus pés. Miúdos, pés de criança. Estava usando a minha roupa de menino nativo, e pelo que pude notar, em minha casa, na aldeia. A casa que dividi com minha mãe nos primeiros anos de minha vida.

O que, afinal, tinha acontecido? Por acaso a Apple tinha me levado de volta ao passado? O que ela pretendia com isso, de todo modo? Confesso que minhas pretensões de uso com a Apple eram bem diferentes. Esperava usá-la em batalha, despedaçar exércitos em segundos, e não voltar aos meus tempos de criança, décadas antes do começo da pior batalha de minha vida. O que me seria útil recordar este tempo?

–Ratonhnhaké:ton, o que houve?

A aparição de minha mãe, repentinamente, arrancou-me lágrimas e um desespero impressionante. Só o que fiz foi correr para abraça-la, matar saudades, senti-la outra vez perto de mim. Claro, ela estranhou essa súbita demonstração de afeto.

–O que foi, encontrou alguma cobra? – ela perguntou, em seu idioma nativo, maneira que sempre conversávamos.

–Não... – disse, escutando pela primeira vez a minha voz de criança, esganiçada. – Só... Bem...

Ela riu com minha hesitação. Se ela soubesse o quanto era bom vê-la sorrir...

–Sei, sei... Se temestes alguma coisa, certamente não contaria que sentiu medo. Pois bem. Se for uma cobra, ou qualquer animal perigoso...

–Não Ista. Não foi. Eu só tomei um susto. – fiz uma falsa confissão. Ela deu-me um afago.

–Tudo bem. É normal nos assustarmos. Não precisa se envergonhar com isto. E lembre-se: você é o meu guerreiro.

Acenei, rapidamente, deixando escapar um sorriso e abraçando-a mais uma vez.

–Mas você está tão atencioso hoje... – ela disse, claramente estranhando minha reação. Precisava disfarçar, e rápido.

–Er... Vou brincar.

–Tudo bem. E lembre-se de não sair do Vale.

Assenti, logo me reunindo às outra crianças, inclusive meu amigo Kanen'tó:kon. Aquela seria, como nos dias de minha infância, mais um dia de brincadeiras intermináveis no Vale, indo até o pôr do sol.

Enquanto eu saía de Kanataséhton, correndo com as outra crianças, um pensamento triste veio a minha mente.

Por quanto tempo?





 

§§§§§§§§§§§§§





 

Era a quinta, ou sexta talvez, que brincávamos de esconde-esconde na mata.

De tão rápido que achei as outras crianças, graças às minhas habilidades de detecção cada vez mais apuradas, a brincadeira cessava logo. Todas me achavam sem graça e já corriam para seus esconderijos sem nenhuma motivação.

Finalmente, era a minha vez de me esconder. Pensei em escalar uma árvore bem alta, mas fiquei temeroso. Lembrei-me que nesta época eu ainda não sabia escalá-las tão bem assim, fora que uma queda poderia fazer um bom estrago. Então, contentei-me com os arbustos.

Não tive sorte, eu acho. Logo que entrei em um deles, acabei prendendo minha mão em uma armadilha, para pegar coelhos. Uma armadilha do povo branco. Logo, senti a carne próxima ao meu dedo polegar esquerdo sendo dilacerada, cada vez que eu puxava, e veio à minha garganta um grito de dor, que creio ter despertado a floresta inteira.

Isso me fez acordar imediatamente, me despertando da Maçã.

Foi estranha a sensação de estar de volta ao meu corpo adulto. Logo senti meu ombro ferido latejando. Mais estranho ainda era tentar processar o que tinha acontecido. O que, afinal, a Mação desejava com isso? Era alguma brincadeira dos deuses?

Quando estava próximo de pegar a Maçã mais uma vez, um fato prendeu minha atenção.

A marca da armadilha.

Lá estava, entre meu dedo polegar e indicador, uma distinta marca de serrilha. Uma cicatriz feia e antiga, eu notei.

E eu jamais tive aquela marca antes. Não até....

Meus olhos se arregalaram com minhas conclusões. Era isto, então? A Maçã tinha o poder de mudar o futuro? Se assim o fosse, seria fantástico, mas também imprevisível. Eu tinha lido muito pouco sobre os artefatos, mas escutara de alguns que poderiam transportar as pessoas para outras realidades, mas jamais ouvira falar de um que pudesse mudar alguma coisa.

Saí de minha cabine para encontrar Mr. Falkner, no leme.

–Capitão Connor? Não deveria estar dormindo, rapaz?

Ele, como sempre, gentil. – Estou com insônia.

–São os últimos acontecimentos, não são? Deveras estarrecedores, senhor. – ele disse, compartilhando e minha dor, mas claramente evitando tocá-la.

–Er... Mr. Falkner?

–Sim?

–Acaso eu já lhe contei alguma vez sobre... Como eu consegui esta cicatriz?

Eu esperava encontrar assombro em suas feições, mas só pude notar naturalidade. Por fim, veio a resposta, num tom de brincadeira

–Acho que o senhor mencionou algo como uma armadilha para guaxinins, senhor. Um acidente ocorrido entre uma de suas traquinagens de criança. Eu mesmo tive as minhas. Capitão?

Meu semblante deveria estar muito pálido e assustado, a ponto de causar estranheza nele, mesmo na escuridão do mar. Sem duvida, aquela era a confirmação de que a Maçã realmente estava mudando minha própria história.

–Er... Acho que vou me retirar. Fazer mais uma tentativa para dormir.

–Tudo bem, Capitão. Tenha uma boa noite.

Uma sensação de excitação e alegria permeou-me, assim que adentrei à minha cabine. Eu não parava de fitar aquela cicatriz nova, enquanto milhares de possibilidades passavam por minha cabeça. Sim, dessa vez eu poderia fazer tudo diferente. Poderia focar imediatamente em Davidson, minar seus poderes antes que ele fosse designado para a América. Eu sabia o que estava para acontecer desta vez, e dificilmente poderia falhar. Sabia como eles atuavam, sabia de tudo. E desta vez, eu sabia como vencê-los, antes que isso se tornasse tarde demais.

Sem hesitar, voltei a pegar na Maçã, que imediatamente se acionou.



§§§§§§§§§§§§§


 

Eu não me senti nauseante desta vez. Acordei em minha cama, no que seria o início de uma outra manhã. Minha mão estava enfaixada, e pude ouvir a voz de Ista cantando docemente uma de nossas canções, enquanto preparava meu mingau.

–Ista! – chamei-a, e ela me recebeu com um sorriso.

–Que bom que acordastes, Ratonhnhaké:ton! Destes um susto em todos nós, meu filho.

–Desculpe, Ista... – disse, abraçando-a.

–Como se sente?

–Melhor. – eu disse.

Passei o resto do dia ao lado dela, aproveitando sua presença, sentindo seu aroma e trocando palavras, conversando sobre coias que eu já sabia, ou de que não me lembrava. Ainda assim, cada segundo com ela, ainda eu fosse algo repetido em minha memória, era algo precioso. E eu fiz questão de aproveitar cada segundo ao seu lado.
 

§§§§§§§§§§§§
 

 

Havia se passado cerca de dois dias desde que acordei “de volta”, por assim dizer. Por mais que eu ainda não entendesse como eu poderia mudar qualquer coisa estando no corpo de um menino de cinco anos, eu pouco me importava. Uma doce sensação de nostalgia me invadia, cada vez que eu olhava para as copas de árvore que apareciam além dos muros de madeira da aldeia, ou mesmo das águias que sobrevoavam. Minhas memórias de adolescente sempre me remetiam às horas que eu passava, andando livremente pelos troncos de árvores, atrás de penas. Estar ali trazia-me só bem, ou melhor dizendo, uma paz de espírito que há muito estava distante de mim.

Minhas brincadeiras pelas florestas não tardaram a voltar. Como sempre, o esconde-esconde continuava sendo a preferida entre todos nós. Acho que nunca venci tantas, a ponto de todos acharem sem graça a minha participação. E neste dia, sinto que haveria ainda mais, se não fosse um curioso acontecimento.

Eu estava na metade de mais uma de minhas contagens quando escutei um som curioso.

Alguém estava, claramente, correndo pela mata.

Seria este o dia em que aconteceria o desagradável encontro com Charles Lee e os demais Templários? Eu não saberia precisar, mas lembrava-me de não ter escutado sons de correria na mata. Pensei que seria das demais crianças, mas seria impossível. Era claramente um adulto correndo.

–Maldição...

Escutei um resmungo, do meio do mato. Em Inglês.

Não era ninguém do meu povo, mas certamente um homem branco, escondido próximo ao vale. Notei, em meio a um arbusto, sua presença ressaltada por uma luz amarela – dom que recebi de meu pai e de meu avô – e isso me fez ficar alerta. Ele estava distante o bastante para que eu não pudesse vê-lo com clareza, mas notei que ele estava sozinho. Nenhum dos Templários caminhava sozinho pela mata. Certamente era algum Casaca-Vermelha perdido, e assustado por estar perto de uma Aldeia Mohawk, completamente sozinho.

Logo se aproximou de mim Minowhaa, que era um dos guerreiros da Aldeia. Fiquei pasmo em vê-lo outra vez, depois de tanto tempo. Soube que, alguns anos depois de ser acolhido por meu Mentor, Minowhaa foi morto por alguns Casacas-Vermelhas. Eu pouco me lembrava de seu rosto agora, e era estranho ver o homem que me ensinou a usar o Tomahawk vivo outra vez, no auge de sua juventude.

–Ratonhnhaké:ton? O que está fazendo aqui?

Ele tinha um semblante um tanto furioso, e notei que sua inseparável Tomahawk estava em sua mão desembainhada. Será que ele estava atrás do forasteiro?

–Você viu alguma coisa?

Um estalo veio á minha mente. Sim, eu vivi este momento antes. Foi alguns dias antes da Aldeia ser incendiada. E eu me lembrei do que fiz. Eu apontei para onde eu claramente estava a ver o forasteiro – o ponto brilhante, em meu dom misterioso. Depois, voltei para Aldeia, seguindo suas ordens. Mas uma sensação estranha acossou-me. Era para isso que eu acordei naquela época? Porque eu não deveria ter feito isso? E se simplesmente eu me omitisse de revelar sobre o estranho? Alguma coisa me dizia que eu deveria fazer diferente, desta vez. Será que alguma coisa mudaria?

–Não. Na verdade, eu estava só brincando...

–A brincadeira acabou. – ele ordenou. – Agora, vá voltar para casa.

–Mas por quê?

Ele bufou. – A floresta anda muito perigosa e...

Minowhaa foi interrompido pela chegada de minha mãe, Kaniehtí:io – cujo apelido eu soubera, pelo diário de meu pai, ser Ziio. Não me lembro disso ter acontecido. Estranho...

–O que está havendo, Minowhaa?

–Não há com o que se preocupar, Kaniehtí:io. Não há mais ninguém por perto.

Eu percebi certo ressentimento no tom de voz de Minowhaa, que contrastava com certa curiosidade na voz de minha mãe. Pareciam tratar de um assunto complexo – ou melhor, uma conversa que claramente não desejavam que eu participasse.

–O que ainda está fazendo aqui, Ratonhnhaké:ton? Vá para casa!

Eu a obedeci, relutante. Queria fazer as coisas diferentes – e voltar para casa seria repetir minhas ações. E queria saber também, pelo clima um tanto hostil entre minha mãe e Minowhaa, o que estava causando tanta animosidade. Seria algo haver com o homem branco?

Percebi que tentar me esconder seria em vão, pois ela estava vigiando, mesmo que de longe, todos os meus passos até a aldeia. Decidi ser mais esperto, e ir correndo para casa e tentar apanhar um pouco da conversa, saindo pela saída lateral. Esperava que minha mãe estivesse entretida demais nesta conversa para não notar minha estratégia.

E foi o que aconteceu.

Notei, em meio aos arbustos, os dois discutindo. A princípio, Minowhaa queria leva-la, mas minha mãe, de personalidade forte, acabou prevalecendo e conseguiu a proeza de dispensá-lo. Minowhaa voltou bufando tal como um furacão, resmungando e soltando algumas palavras desagradáveis.

Quando Minowhaa já estava fora de vista, minha mãe se movimentou, caminhando rapidamente para a mata. Decidi aproveitar a minha pequena estatura, associada aos meus conhecimentos de Asssassino, e me aproximar furtivamente pelo mato alto.

Parei em um ponto que fosse seguro o bastante para não ser detectado, e esperei. Ela estava parada, notei que não muito longe de onde avistei o estranho escondido, e a idéia me aterrorizou. Casacas-vermelhas não costumavam ser agradáveis com as mulheres de meu povo. O semblante de minha mãe não era dos melhores, entretanto, e algo me dizia que ela sabia muito bem que não estava em perigo, ao contrário do que eu poderia imaginar.

De repente, eu ouvi uma palavra familiar. Na verdade, a última palavra que imaginaria escutar naquela situação.

–Pode sair, Haytham.



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