História Assassin's Creed: Aftermath - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Assassin's Creed
Personagens Edward James Kenway, Haytham Kenway, Ratonhnhaké:ton "Connor", Shay Patrick Cormac
Tags Ac3, Achilles Davenport, Apple, Connor, Connor Kenway, Drama, Edward Kenway, Haytham Kenway, Romance, Shay Cormac, Ziio
Exibições 3
Palavras 1.658
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Suspense, Violência
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Father


Fanfic / Fanfiction Assassin's Creed: Aftermath - Capítulo 3 - Father

Então, era isto? Ela estava chamando por meu pai? Mas o que diabos estava acontecendo? O tal estranho escondido no meio do mato era mesmo o meu pai, e não um Casaca-Vermelha? Estranhamente, eu não sabia o que sentir a respeito disto, mas decidi permanecer escondido e escutar o resto.

Não tardou para que meu pai, em carne e osso, finalmente abandonasse seu esconderijo e se revelasse. Notei que ele usava a mesma roupa dos tempos que o conheci, com seu chapéu de três pontas aristocrático e capa. Entretanto, ele era naturalmente mais jovem, com o cabelo negro e o semblante menos maltratado e cansado de quando nos conhecemos, e algo me dizia que trazia ferimentos recentes, a julgar pela forma como estava se locomovendo.

–Ziio... Quanto tempo...

Uma sensação de ciúmes me atacou quando pensei que ele iria abraça-la, mas minha mãe vingou-me um pouco neste sentido, se esquivando e deixando-o dar um singelo abraço na brisa.

–Não me toque. – ela disse, com seu jeito ameaçador. Meu pai, para meu pasmo, se encolheu por completo, não sei se por respeito ou temor. Creio que um pouco dos dois.

–Pensei que...

–Pensastes errado! – ela gritou. – O que está fazendo aqui, rodeando a minha aldeia?

–Eu só queria uma oportunidade de vê-la. Escute Ziio, eu só quero conversar...

Minha mãe cruzou os braços, tentando se esquivar.

–Pois fale logo, Haytham. E seja breve, pois está perto de anoitecer.

–O que eu tenho a conversar é algo muito longo, na verdade. – começou meu pai. – Poderia fazer o favor de se sentar? – ele estendeu sua mão a um tronco próximo dos dóis. Minha mãe pareceu hesitante, mas acabou cedendo, sentando-se a uma considerável distância dele. Sorri com orgulho.

Meu pai tirou seu chapéu, algo que jamais o vi fazer.

–Ziio... Algumas coisas aconteceram nos últimos anos e... Bom, elas me refizeram pensar muitas coisas... Muitas coisas a respeito de mim mesmo e de meus últimos atos.

Notei minha mãe esconder, com demasiado esforço, uma certa curiosidade. Mas acabou prevalecendo seu natural semblante frio e neutro. Isso não intimidou meu pai nem um pouco. Talvez já estivesse acostumado a ele.

–Ziio... Eu estive na Europa estes últimos anos, atrás dos assassinos de meu pai e dos sequestradores de minha irmã.

Minha mãe parecia saber do que ele estava dizendo. Jamais imaginei que ele tivesse confidenciado seus segredos mais profundos a ela, e isso me deixou surpreso. Talvez tenha contado a história vagamente, e não com tantos detalhes tal como no Diário.

–E conseguiu encontra-los? – perguntou minha mãe.

–Sim. E encontrei toda uma trama sórdida atada a ela. Percebi que fui enganado a minha vida inteira... – meu pai, entretanto, se conteve. – O que você faria se... Se eu dissesse que não serei mais um Templário?

Eu escutei bem? Haytham Kenway, Grão-Mestre Templário das Colônias Norte-Americanas, não deseja mais ser um templário? Não fui o único a ficar surpreso com esta afirmação de meu pai. Minha mãe estava claramente assombrada.

–Como assim, Haytham? Os Templários sempre foram a sua vida...

–Talvez. Mas agora, eu...

Como eu desejava ter escutado as palavras de meu pai. Infelizmente, aquela interessante conversa foi interrompida, é claro, pela reaparição de Minowhaa, aparentando estar muito insatisfeito em ver os meus pais ali, sentados lado a lado.

–Achou mesmo que eu iria ficar de braços cruzados e deixar você se encontrar com este branco? – ele esbravejou, em Mohawk. Minha mãe retrucou.

–Minowhaa, isso não é de seu interesse. Vá embora! – ela disse, furiosa e em Mohawk também. Percebi que meu pai estava confuso, sem compreender o que estava acontecendo com aqueles dois nativos falando em uma língua completamente estranha.

–Depois de todas as desgraças deixadas por este homem branco, você ainda tem coragem de... Eu não posso acreditar, Kaniehtí:io! Será que em nenhum momento você pensa em seu povo?

–O que está acontecendo, Ziio? – finalmente meu pai perguntou.

Mas minha mãe parecia ignorar a presença de meu pai, e continuou a discutir com Minowhaa. Em certos momentos, os dois estavam falando ao mesmo tempo, em uma discussão calorosa, enquanto meu pai se encontrava completamente ignorante do que estava sendo tratado naquela língua estranha. Obviamente, ele sabia: ele era o assunto daquela conversa.

–Eu vou leva-lo como prisioneiro! Está decidido!

Subitamente, Minowhaa desembainhou sua Tomahawk, provocando reação semelhante em meu pai, que acionou suas Hidden Blades. Os dois se colocaram em uma situação defensiva.

–Haytham, não faça isso. – ela disse ao meu pai, finalmente em Inglês para que ele a entendesse. – Só dará uma justificativa a ele...

–Diga a seu amigo que não desejo ferir ninguém.

–Minowhaa, por favor, guarde esta arma... – pediu minha mãe, calmamente.

–Você está enfeitiçada por este homem branco, Kaniehtí:io. – disse Minowhaa, interrompendo a petição de minha mãe. – Portanto, alguém precisa pensar claramente por você.

Eu sabia. A julgar por seu movimento (afinal, foi Minowhaa quem me ensinou, desde os oito anos, a usar uma Tomahawk), eu sabia que ele iria atacar. Mas meu pai não era um homem branco qualquer a ser subestimado. Além disso, ele possuía uma versátil Hidden Blade, que muitas vezes parecia uma extensão das mãos, de tão pronta para entrar em ação. Quando lutamos no Fort George, naquela fatídica e lamentosa luta, lembro-me de como ele aparara meus golpes. Mas depois, eis que me veio um fato: ele não era um homem experiente em seus 55 anos, mas um jovem no meado de seus 30 anos. Seria ele capaz de deter Minowhaa?

Ele me provou que sim. E também porque Achilles insistia em me alertar, em minha adolescência, que um confronto com meu pai naquela época levaria a minha morte quase instantânea. Eu o vi se esquivar em sua maneira elegante e ágil, e percebi que ele poderia ter finalizado aquele confronto não menos que três vezes, mas que simplesmente não desejava isto, creio que em respeito a minha mãe e ao seu povo. Aquele era, claramente, para ser um encontro pacífico, um ajuste de contas. Não um banho de sangue injustificado.

–Ziio, peça ao seu amigo para parar! – ordenava meu pai, enquanto aparava os golpes da Tomahawk de Minowhaa, fazendo sair algumas faíscas do encontro de rocha e metal.

Minha mãe não viu outra solução, senão apartar Minowhaa fisicamente. E para meu estarrecimento – e também de meu pai – Minowhaa acabou por dar um empurrão em minha mãe, fazendo-a cair no chão.

Eu senti raiva, sim. Naquele momento, desejei ter meu corpo de adulto de volta. O empurrão que minha mãe levou não foi nada amigável, mas no fundo eu sabia que fora dado no calor do momento, e não com intenção de machuca-la. Mas esse raciocínio não chegou á mente do meu pai, que enfurecido, passou a atacar Minowhaa. Como eu esperava, não tardou para que a luta se invertesse, e meu pai passasse da situação de defensiva à ataque, e em poucos minutos para vencedor, dominando Minowhaa com uma Hidden Blade perigosamente encostada em seu pomo de Adão.

–Haytham, pare! – pedia minha mãe, tentando deter meu pai.

Arfando de raiva e cansaço, e com os dentes cerrados tal como um predador, percebi que meu pai estava prestes a preparar mais um de seus pomposos discursos a respeito de sua vitória para Minowhaa, se não fosse por um detalhe.

–Haytham... Você está sangrando...

Meu pai cedeu, observando a região de seu estômago. De fato, sua casaca azul trazia uma mancha escura, que pelo relato de minha mãe, mais próxima a ele, se tratava de sangue. Aproveitando-se do elemento surpresa, Minowhaa chutou meu pai e se levantou, observando com asco a interação de minha mãe com meu pai.

–Antes que este homem branco faça sua cabeça, saiba que eu não o feri.

–Eu sei disto, Minowhaa. Eu vi que vocês não trocaram nenhum golpe tão significativo. – ela admitiu, e virou-se para o meu pai, agora conversando em Inglês. – Onde conseguiu isto?

Meu pai soltou um resmungo de dor, após levar a mão à região manchada.

–Uma ferida recente.

Ao perceber que minha mãe estava desabotoando sua casaca e colete, Minowhaa virou-se de costas, enojado e incomodado.

–Isso é ridículo. – observou o guerreiro.

–Haytham, há quanto tempo está aqui? – ela perguntou, ao desenfaixar seu curativo, já ensanguentado, e perceber que todos os pontos estavam rompidos, e que havia inclusive sangue já seco.

–Cinco dias, creio eu. Dois, apenas montando à cavalo daqui até Boston.

É um tanto estranho admitir, mas certa satisfação enchia o meu ser quando eu via a minha mãe agredir meu pai. E aquele momento, em que ela deu-lhe fortes tapas em seu ombro, era um desses. Segurei meu riso, temendo denunciar a mim mesmo. Notei que até mesmo no semblante sério de Minowhaa tinha se desenhado um sorriso, diante do ridículo da situação.

–Como pôde, se sujeitar a tal percurso com um ferimento tão sério? Está sangrando muito... Muito mesmo... – observava minha mãe, com os dedos molhados de sangue.

–Ótimo. Agora, esse branco tem um motivo para ir embora. Pois que vá! – resmungou Minowhaa, ainda enfurecido e acenando para além das colinas. Claramente meu pai entendeu seu recado.

–Nada disto, Minowhaa. – ela disse, e depois deu seu decreto final, falandoa mesma coisa nos dois idiomas. - Ele fica.

Os dois homens se viraram para minha mãe, simultaneamente.

–O quê? – cada um perguntou em seu idioma.

–Ele não irá aguentar mais dois dias montado em um cavalo. Ele precisa de cuidados urgentes.

–Ziio, você não está sugerindo que eu...?

Até mesmo o meu pai estava hesitante. A idéia de ficar na aldeia deveria ser aterrorizante. Todos sabiam que minha mãe tinha se envolvido com um homem branco, e era óbvio que isso não foi considerado algo natural, embora meu povo tivesse me acolhido muito bem. Mas uma coisa era acolher a criança, que nada tinha haver com os erros de seus pais. Outra coisa era acolher o homem que, aparentemente, levou a desgraça à uma das filhas de nossa tribo.

Realmente, eu também não desejaria estar na pele de meu pai.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...