História Assopre As Velas • Yoonmin - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys (bts), Bts, Fem!bts, Hoseok Girl, Namjin, Sugamin, Taekook, Vkook, Yoonmin
Visualizações 215
Palavras 5.614
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Lemon, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Ufa! FOI .
Demorou, mas saiu. Ainda não acredito que só falta dois caps para a fic terminar.

Chegamos aos 200 favoritos!!!! O agradecimento só veio agora, mas é com muito amor.

Bem, eu estava planejando um especial(extra) NamJin para comemorar - Meio comédia -, mas a vida não é tão fácil kkkk
Então, esse cap é quase um especial. Mostra o ponto do vista do Yoongi, e é praticamente um extra, já que no plot original eu pularia para a treta.

Ps: Como um agradecimento mais firme, aí vai o Spoiler: Próximo capitulo... Vai ter limão, se é que me entendem... Lemon mesmo. Vou me esforçar! E novamente <3 Obrigado por todos que leem e que não desistiram.
ps 2: Só agora eu vi que tava escrevendo Woo Bin, com “m”. Dsclp

Capítulo 15 - Barra de chocolate e gatinho fofo


Fanfic / Fanfiction Assopre As Velas • Yoonmin - Capítulo 15 - Barra de chocolate e gatinho fofo

Min Yoongi P.O.V

— Horas… — Falei olhando no relógio, eu estava no chão. Literalmente, estirado lá com as costas doendo. Depois da conversa que tive com Jimin, nós sentamos no sofá e começamos a conversar sobre infância. Fazia um bom tempo que eu não falava disso, na última vez ele tinha apenas 17 anos. Hoje em dia é um homem crescido, só não chega a ser maior que eu.

Eu deitei no chão durante a conversa porque ele queria deitar no sofá, mesmo que não tenha dito, era mais que óbvio. Ele estava casado que nem eu, havia acabado de chegar e ainda passamos parte da noite acordados, sem falar que ele acordou cedo demais. Então depois que fechou os olhos, segundo ele, só por “um segundo”, desmaiou de sono. Dormia feito uma pedra, tão quieto que às vezes ficava assustado me perguntando se ele havia morrido. Depois eu só decidi dormir também, não tinha muito o que fazer mesmo, e a data de entrega da próxima tradução de livro é estendida. Não preciso fazer nada com muita pressa.

— Meia noite. — Disse cerrando os olhos, às vezes me confundia com a quantidade de dias que Jimin passa aqui, aquilo seria o início do segundo? Certo?

Sentei na poltrona ao lado do sofá fazendo todo o silêncio do mundo para não acordar o outro. Ele estava realmente apagado, pelo celular mesmo comecei a procurar por meu irmão, mas não achei nada. Nenhuma rede social, igual a mim. Suspirei indo direto para mesa e ligando o notebook. Sabia que ele estava em Daejeon, só não fazia ideia de onde morava exatamente.

Soube que ele se mudou há pouco tempo, não sei o porque e talvez não quisesse saber. Sentia um frio no pé na barriga só de imaginar, ver Woo Bin depois de tanto tempo poderia ser algo bom. Em minhas histórias, os personagens sempre tem um irmão distante, mas ao contrário do esperado, eu não gosto disso. Só não consigo evitar, queria ser próximo do meu irmão.

Pensei em comprar uma passagem de metrô, mas de carro é mais rápido. Não é tão longe, apenas 3 horas de viagem, salvei o mapa e aluguei o quarto de uma pousada no centro de Daejeon. Desliguei o notebook sem pensar muito e guardei tudo.

Entrei no quarto e peguei uma bolsa qualquer. Não perdendo muito tempo para colocar algumas poucas roupas, e outras extras que emprestasse a Jimin. Às vezes não entendo porque depois de todos esses anos, ele ainda não aprendeu que deve trazer roupas junto consigo. Ri soprado negando com a cabeça, não sabia definir se aquilo era irritante, ou apenas peculiar.

Escutei um tipo de barulho sofrido vindo da sala. Franzi o cenho indo quase que imediatamente, olhei ao redor e era apenas Jimin. Ele parecia desconfortável no estofado, me perguntava se ele ficava dolorido por ficar ali.

Olhando para ele lembrei de Namjoon, nada muito especial só o quanto era novamente peculiar a implicância que Namjoon pegou com o mais novo deitado. Não sabia exatamente a razão, mas provavelmente seria algo bobo, provavelmente Namjoon perdoará em um futuro. Isso se… Jimin continuar vindo para Busan. O que eu acho difícil já que ele não parece gostar desse lugar. E aí mais uma peculiaridade, porque ele insiste em aparecer aqui? Nunca me falara algo que me desse dica.

Voltei para o quarto e fitei o celular, aquilo era quase inútil. Enfiei no guarda roupa aproveitando para pegar mais algumas meias. Namjoon nunca manda mensagem, acho que ninguém seria capaz de entender nossa amizade. Mas anda melhorando ultimamente, assim como minha vida, estou me tornando uma pessoa melhor.

Vida financeira. - Ok

Moradia adequada - Ok

Nenhum problema sério - Ok

Fiz essa pequena lista na minha cabeça sentindo um pouco de alívio. Não me perdoaria se continuasse o mesmo saco de merda depois do que Jimin fez por mim. Eu realmente não consigo imaginar uma razão para ele vim aqui.

Suspirei vendo tudo arrumado e preparado para a viagem. O único problema é que isso foi arrumado rápido demais; é tão fácil assim visitar a outra parte da minha família? Senti até mesmo um pouco de culpa surgir, sem perceber já pensava em coisas tristes, mas tudo foi espantado rapidamente com outro murmurar. Talvez Jimin estivesse mesmo desconfortável ali. Fui para a sala de novo, antes guardando a mochila no canto do quarto.

— Jimin… — Disse baixo tentando acordá-lo sem ser muito irritante, odeio ser acordado, principalmente de forma exagerada. Ele se virou para o outro lado cobrindo o rosto. Respirei pesado com preguiça de insistir, mas era preciso. Devia minha vida a ele. Assim como devia a Namjoon, mas o loiro é diferente, sempre resolve seus problemas sozinho, e se eu me metesse acabaria piorando as coisas.

Eu sempre pioro as coisas.

— Jimin, pode ficar na minha cama, eu durmo no sofá. — disse mexendo no braço do mais novo, ele continuou com os olhos fechados.

Se sentou no sofá, disse um monte de coisas desconexas e depois afundou no travesseiro de novo. Eu quase tive um treco de tanto rir do sonambulismo alheio, mas me segurei porque o pessoal diz que não pode acordar sonâmbulo.

Me recuperando e limpando a baba do meu queixo, peguei no braço de Jimin mais uma vez e o puxei. Ele me acompanhou todo molinho de sono. Era tão adorável que doía, mais adorável ainda porque a parte esquerda do seu rosto estava avermelhada, e amassada assim como seus cabelos pretos.

O guiei até a cama, e lá ele se jogou afundando na maciez. Quase senti inveja do seu conforto, e isso é algo bom, pois eu quero o deixar confortável depois de tudo o que eu fiz. Eu dizia que ele era uma criança, mas eu é que merecia esse título. Falava demais e dizia coisas que magoam as pessoas, Hôse desistiu de puxar papo comigo, porque eu realmente não pensava como alguém normal. Porque eu fazia isso? Minha cabeça parecia um redemoinho, e recentemente não passa de um borrão. Mas estou tentando melhorá, porque ninguém merece me aguentar.

Jimin merece o melhor, ele é um perfeito adulto, muito bonito por sinal. Sempre foi, pelo menos desde o dia que eu conheci. Ele já era um adulto, sempre agiu da forma certa, é até engraçado lembrar da primeira vez em que ele veio na minha casa. Ele parecia tão quebradiço, mas seu rosto não era triste, suas expressões eram no máximo, discretas. Ele também havia perdido a mãe.

Exemplo disso é sua esperança. Às vezes parece que nunca tem fim, mesmo quando lembro de sua expressão triste me odiando. Ao contrário dele eu não seria capaz de me virar, não passando por tudo isso. Sua mãe ainda está em coma, é a única coisa que eu sei sobre Jimin, e se fosse eu no lugar sumiria do mapa e deixaria tudo nas mãos do meu pai, ao contrário de Jimin eu prefiro fugir dos meus problemas, e não adotar eles. No fim, nós dois estamos errados, mas ele está mais certo.

Termino de fechar a janela do quarto e vou até a cama puxando o cobertor para cobrir o seu corpo, ele voltou a falar coisas aleatórias assim que eu fiz tal ação, e sorri por reflexo vendo o cenho do mais novo franzir por um segundo e depois relaxar com o quentinho do tecido.

Pentei seus cabelos com minha mão, ele estava dormindo. Não me mataria por isso, né? Sempre tive uma vontade secreta de tocar nos fios pretos, às vezes eles parecem irreais por serem tão certinhos e brilhosos.

— Hyung… — Falou meio grogue, novamente em reflexo deixei um “hm?” escapar por meus lábios. Ele apertou os olhos erguendo sua mão e puxando a minha para si. Fiquei estático. Ele estava consciente enquanto fazia isso? Parecia que sim.

Senti a carne macia preencher a minha mão, meu coração aqueceu me fazendo engolir a seco. Vergonha, vergonha é o que eu senti ao saber que minha mão fria e sem graça estava tocando a sua bochecha. — Você precisa de algo? — Falei qualquer não querendo mover a minha palma de lá.

Ele não respondeu, sua mão afrouxou a minha, e as suas caíram ao lado do rosto. Apagou de novo…

Minha respiração não chegava a ser ofegante, mas ainda sim pesava me fazendo pousar a mesma mão que agora estava quente sobre o peito. O que é isso? É somente a gratidão que eu sinto por Jimin, correto? Seria o certo pelo menos.

Ou não.

Nada do que eu falo é certo, nem o que os meus personagens de livro falam, as vezes me preocupo com os jovens que leem meu livro. Para um escritor, é um absurdo dizer que todo esse vontade de proteger surgiu com apenas um toque simples, um pensamento rápido. Mas é mentira, porque na realidade é assim.

Me dói os ossos imaginar o quanto ele trabalha, e me quebra a cabeça tentar entender como consegue ser gentil. Acho que isso faz parte da sua voz, é muito doce.

 

(...)

 

Acordei novamente depois de cochilar um pouco no sofá. Me sentei ainda meio sonolento, não era tarde. Inclusive chegava a ser cedo demais para mim. 08h00m, Jimin já estava de pé, de longe podia ver as costas magras se esticarem para pegar um copo e assim encher de água.

Levou o copo até os lábios e fechou os olhos, erguendo até beber a última gota. Sua cara era de quem morreu e ressuscitou, e quase foi isso mesmo. Ele dormiu por muito tempo. Ri soprado automático quando dos dedinhos batucaram o copo, depois de abaixar a cabeça como se estivesse pensando em qualquer coisa.

Meu sorriso sumiu e a minha expressão séria voltou meio afoita quando ele se virou em um quase susto por perceber que eu havia acordado. — Ah... Você acordou. — Ele colocou o copo na pia e continuou na cozinha, mas agora juntando os dedos indicadores e apertando um ao outro.

— Bom dia Yoongi. — Falou meio vago tomando a mesma expressão avoada de antes. Tão adorável que arde. Não havia percebido as pintinhas nesse até então, mas realmente parecia uma obra de arte sobre a pele alva e limpa.

— Bom dia. — Disse me levantando do sofá e esfregando o rosto com a mão esquerda, é errado dizer que queria escutar o “hyung” de novo? Jimin não sorria muito, já faz praticamente 4 anos que não vejo um sorriso vindo dele. Algo que não dei muita atenção, até porque eu também não sou sorridente, mas ainda sim... Me fazia voltar a pensar que isso é peculiar.

— Jimin. — Falei entrando na cozinha, indo direto para a geladeira tirar de lá alguns ovos, presunto, queijo e aveia. Para fazer uma omelete qualquer.

— Sim? — Ele disse suspirando se pondo ao meu lado, parecia querer me ajudar.

— Você vai ficar comigo, certo? — Perguntei vendo ele mostrar uma feição interrogativa. — Digo, lá em Daejeon. Visitar meu irmão e meu pai. — Concertei o erro sentindo mais uma vez meu coração bater estranho.

— Claro. — Ele sorriu mínimo escondendo o rosto, quase esqueci o que ia falar, era lindo vê-lo sorrir. Não sei quando comecei a pensar assim, mas depois que larguei todos aqueles pensamentos estúpidos, tudo parece mais leve. Não digo que gosto de Jimin, mas devo dizer. Esse garoto é bonito.

Bonito, nada mais que isso.

Errado, mais que isso. É meigo, doce, me salvou de viver terrivelmente, e consegue guardar um rancor realmente poderoso. Minha mente bugou com tudo isso. Me pergunto se exatamente agora, alguém está passando pelo mesmo que eu. É tão estranho vê-lo ao meu lado, às vezes parece um boneco, espírito, ilusão. Qualquer coisa, menos algo real. Ele é perfeito, mas é defeituoso. Eu nunca consegui concertar nenhum brinquedo, quem dirá consertar ou apagar as minhas merdas.

Fizemos nossa comida e terminamos de arrumar as coisas, me despedi das minhas plantas colocando tudo em um cantinho especial, onde elas conseguissem sombra e pegassem chuva. Jimin já esperava na porta segurando a única mochila que eu tinha feito.

Entramos no carro e ali mesmo Jimin fazia pergunta atrás de pergunta. Sobre como era meu irmão, se ele era uma pessoa boa, se meu pai é amigável. Respondia tudo com um lado positivo. A animação dele estava me deixando mais ansioso ainda para ver o outro lado da minha família.

Quando vejo meu reflexo, fico questionando o porquê de eu ter agido daquele jeito. Sei que tem muitas pessoas sem noção, pessoas que não levam em conta o que as outras dizem. Mas logo eu tinha que juntar uma bola de idiotice em cima de tudo? Questionei.

— Onde ele mora? — Jimin perguntou olhando pela janela, tinha colinas atrás de colinas, ao contrário dos típicos prédios de Busan.

— Eu não faço ideia. — Já estávamos chegando na cidade, ele se virou para mim com uma expressão de quem não sabia se valia a pena perguntar ou não. — Assim que chegar na cidade, eu vou falar com uma amiga de longa data. Ela era bem apegada a WooBin. Então talvez ela saiba.

— Hm… Okay. — Ele disse voltando a olhar o lugar. Era a primeira vez que passava tanto tempo no carro com Jimin. Ele abriu a janela do carro colocando a ponta da cabeça para fora, fechou os olhos sentindo o vento bater em seus cabelos, pareciam novamente macios e tentadores. Sorri contido lembrando como foi tocar.

Voltei minha total atenção pra frente, era uma linha reta, não tinha muitos carros era fácil de dirigir ali, logo avistei a entrada da cidade. Os comércios(casas) eram pequenas comparadas aos arranhas céu de Oryukdo.

Entrei no início da cidade, tinha lojas do lado de lojas. Parecia uma grande feira, no entanto não tinha muito barulho, só bagunça. Não me pergunte como é possível que em uma feira não tenha barulho.

Jimin estava quieto do meu lado, ainda não havia saído do carro, estava contando o dinheiro enquanto o mais novo olhava para frente com uma cara de cu murcho. Deve estar com fome.

— Jimin, quer comer algo? Tem um mercado ali do lado. — Apontei. Ele pareceu acordar com a minha fala e concordou sem expressão. Senti um aperto no meu bombeador de sangue, talvez eu devesse ter feito mais omelete.

—  Certo… — Liguei o carro mas uma vez procurando um lugar vazio, e tinha que voltar quase um quarteirão. Naquele feira não tinha estacionamento e tinha muitos guardas. Não podia colocar o carro em qualquer lugar.

Desci do carro pondo todo o necessário no bolso, abri a porta pra Jimin. Esse nem percebeu até eu tocar o seu ombro, ele erguer o olhar meio perdido.

— Você está bem? — Perguntei realmente preocupado quando ele saiu do carro e se desequilibrou. Ele respondeu afirmativo com um sorrisinho triste. Aflição poluiu a minha cabeça.

— Tem certeza? — Mais uma vez pergunto me pondo na sua frente erguendo uma das mãos para que ele não andasse, não ia perambular com ele por aí, desse jeito.

— Eu só fico enjoado em viagens. — Respirei aliviado negando com a cabeça, que susto…

— Só isso? — Perguntei mais uma vez só pra ver se ele estava mentindo, costumo a ser bom em perceber coisas do tipo. Ele negou com a cabeça voltando a se sentar no banco e erguendo a barra da calça para me mostrar o seu tornozelo. Estava vermelho, mas não chegava a ser roxo ou inchado.

— Arranhei o meu tornozelo na porta do seu banheiro, agora minha pele está um pouco ardida. — Mordi a parte interna da bochecha, isso significa que ele não estava sentindo dor no músculo ou no ossos, apenas na pele e assim vai… Falei para ele ficar no carro que eu iria na drogaria rapidamente para comprar as coisas. Ele podia ficar no carro mesmo, seria até mais seguro do que deixar aqui jogado no meio do mato ralo.

— Não, eu quero ir com você. Não quer ficar sozinho… — Falou olhando ao redor do campo, aparentemente Jimin consegue ser bem diferente de mim. Ficar sozinho em um lugar assim, me parece tão bom. Mas confesso, por alguma razão me sinto inquieto quando fico sozinho nessa época do ano tão fria. Olhei para os lados vendo que o sol brilhava apesar do ar gelado. Respirei fundo e olhei as vestimentas de Jimin. Acho que, em parte, o casaco que ele usava era o bastante para aquecê-lo, mas me deixou preocupado saber que ele não estaria seguro e sentado no banco do passageiro com o aquecedor ligado.

— É melhor você ficar, tem o aquecedor e eu volto rápido. Basta você me dizer o que quer. — Sorri pequeno achando que receberia compreensão do mais novo, ele estava com os lábios secos, já planejava comprar o máximo de remédios para enjoo possível. Era realmente surpreendente ele ficar tão enjoado com uma viagem tão curta.

— Por que você acha que eu não posso ir? Eu vou e pronto. — Falou com uma carranca brava e um tom grosso. Ele realmente se chateou por causa disso? Por quê? Não foi a minha intenção ofendê-lo.

Apenas concordei não questionando, era o querer dele e eu não estava apto a aguentar o mau humor do enjoo de Jimin. Dei espaço para ele e começamos a andar para a loja que vimos antes, como eu disse, estacionei praticamente um quarteirão atrás fora da cidade, bem do lado da placa de Daejeon. Entramos na cidade, despercebido pela multidão lotada principalmente por pessoas de primeira e terceira idade. Todos ocupados e apressados, enquanto eu e Jimin éramos quase uma tartaruga. Ele estava calado olhando para frente, Todos os sinais dizem que ele está com raiva de mim. Teria que tomar cuidado com minhas ações, não queria o chatear depois de tudo o que fiz.

Suspirei, por sorte não recebendo atenção nenhuma. Não consigo passar a minha gentileza para alguém, dizem que a primeira impressão é o que marca, e impressão que Jimin tem de mim não é boa, inclusive é péssima. Tenho que parar com todo esse mau humor natural.

Chegamos na loja e logo peguei duas cartelas para enjoo, Jimin estava perdido na loja. Eu peguei alguns pacotes de lámen, duas latinhas de refrigerante, e o suco amargo que eu me obrigo a tomar. Estava tentando parar com o hábito de ficar bêbado com duas latinhas de cerveja. Sempre fui fraco para bebida, mas depois do que aconteceu com minha mãe, fiquei pior.

Na pousada nós recebemos comida, poderíamos pedir serviço de quarto. Mas tanto eu quanto Jimin somos de cidades grandes, nenhum dos dois gosta de especiarias. Eu tenho uma neura muito grande, com gente estranha fazendo minha comida e entregando em um quarto. Preferia mil vezes só vir e voltar para casa sem que ter que dormir em um lugar. Mas com Jimin aqui as coisas muda, e ele não ligou quando eu falei sobre ter repulsa de comida de pousada.

— Jimin? — Perguntei procurando o mais novo, eu estava na fila e não conseguia achar ele. Saí da fila relutante indo procurar aquele na loja. Afinal eu teria que saber se ele ia pedir por algo também. O garoto estava na frente de uma prateleira de doces. Não eram tantos doces, a maioria ali não passava de barras de cereal com chocolate ou etcetera. Mas ainda sim o garoto parecia fascinado pegando uma ou duas barras. Fechei minha boca meio distraído com os olhos rasgadinhos tão abertos e antentos daquele jeito lendo os rótulos das barras como se fosse o melhor dos livros já escrito. Quem dera que eu alguém lesse meus poemas assim.

Ele colou a mão no bolso fazendo uma careta e tirando de lá algumas notas amassadas, parecia ter mais que o suficiente, mas se mostrou receoso querendo saber se ia comprar o não. Não veria problema nenhum em comprar aquilo eu mesmo, não é possível que eu seja tão mesquinho tendo dois empregos.

Ele colocou o dinheiro no bolso e pôs as das barras de chocolate no mesmo canto, franzi o cenho confuso. Talvez ele estivesse guardando dinheiro para alguma emergência, mas uma vez senti o meu peito doer vendo que ele imaginava que eu faria mais alguma merda. E não posso julgar, apesar de estar tentando mostrar a minha gratidão e a minha mudança depois de um ano, em seu lugar eu também ficaria desconfiado e inseguro.

Meus pés se moveram sozinho andando em direção ao garoto que ouviu meus passos e se assustou colocando a mão no peito, fechou os olhos como se juntasse calma pra não me xingar. Ele não faria isso, nunca o ouvi falando uma palavra suja. Suas bochechas estavam um poucos coradas vendo minhas ações, olhava todas as suas expressões de canto pegando eu mesmo as barras que antes ele segurava.

— Você quer que eu leve isso? — perguntei jogando as barras na cestinha pequena. Ele franziu o cenho mais uma vez, dessa vez eu não entendi o porque.

— Não, não precisa. — Fiquei interrogativo, ele parecia querer.

— Não é questão de precisar. Se quer, apenas diga e eu pago, não tem problema. — Falei isso e ele fez uma expressão furiosa. Colocou a mão na cestinha, tirou as barras e jogou na prateleira de novo andando em minha frente em caminho a fila. Peguei as barras de novo completamente frustrado. Por que ele não aceitava?

— Tudo bem, então eu levo isso. Como eu mesmo, sozinho! — Disse alcançando sua velocidade, conclui que ele tava perdido no mercado, e eu como um mau hyung de primeira, deixei assim porque queria receber uma resposta.

— Não precisa! Ouviu? — Ele esbravejou dando a volta e pegando outro caminho, ele estava mesmo perdido. Seria cômico se não fosse nesse momento. — Eu tenho dinheiro! Não preciso que você pague nada. Estou de regime! — Foi a desculpa mais fajuta do mundo, é claro que ele não estava de dieta. Tem um corpo perfeito.

— Eu sei que você tem dinheiro, e não se preocupe! Eu vou comer sozinho. — Não falava com tanta seriedade, tinha até mesmo um pouco de animação na minha voz, é fofo o ver tão birrento por razão nenhuma.

Parou suas ações e me olhou diretamente, o sorriso até sumiu do meu rosto. Esperei um tapa um grito, qualquer coisa, mas ao invés disso ele fez uma cara triste, decepcionada. O meu rosto ficou completamente sério, o aperto no coração voltou e a preocupação veio junto. — Por que você continua me tratando como uma criança? — Engoli a seco vendo seus olhos marejaram, ele abraçou os próprios braços. Foi o meu fim, estava pronto para tacar fogo naquelas barras de chocolate, mas era um pecado ver o rosto do Jimin daquele jeito. Uma das minhas mãos se ergueu parando no ar. Eu queria tocar a sua bochecha, eu queria o impedir de chorar.

— Eu não quis… — Tentei proferir qualquer coisa, eu não queira que ele pensasse isso. Só queria comprar as barras para ele. Só para ele, nada mais que isso.

Ele olhou minha mão próxima do seu rosto e afastou dois passos para trás. Andando com passos rápidos, tão rápidos que quando chegou na porta da loja correu pela mesma me deixando destruído.

Segui o mesmo caminho indo direto para porta, mas fui barrado por uma mulher baixinha e gorda dizendo que eu deveria pagar pelo que comprei. Olhei para mulher e para a silhueta de Jimin indo para longe. Bati o pé impaciente praticamente jogando a cesta nos braços da mulher, que viu o desespero em meu rosto e passou tudo rápido. Saí da loja correndo com a sacola em meus braços.

Rodei aquela rua todinha, da última vez que Jimin fugiu chateado eu não fui atrás, mas isso não aconteceria novamente, ter visto ele no hospital foi uma das piores coisas. Ter ficado sem o que falar e sem saber como me desculpar foi pior ainda. Eu estava tentando algo com Hôse no tempo, e ela mesmo dissera para mim no tempo que se sentiu culpada, me disse que achou que ele tinha algo comigo. Mas ao contrário de mim, ela se desculpou com Jimin, ao contrário de mim mesmo que eu falasse desculpas ele não iria aceitar.

— Onde você está… — Minha mente já voava longe imaginando as piores coisas possíveis, não me perdoaria de perder ele de vista novamente. Eles não iriam me perdoar, eu não iria me perdoar por ser tão inútil.

Dei mais uma volta, dessa vez com mais calma olhando com atenção para não deixar muita coisa passar, já estava ofegante e cansado. Havia se passado algumas horas e começou a escurecer.

Achei! — Ele estava de costas com o casaco sentando perto de uma árvore em um banco de madeira. As pessoas desviavam de mim, estava andando meio que em zigue e zague de cansaço. Me olhavam com desgosto e apavorados, talvez estivesse mesmo parecendo um louco. Segui até Jimin apoiando o minha mão nas costas do assento. Cansado demais para dar a volta no banco e me sentar do seu lado.

Ele nao falava nada, mas eu tenho certeza que ele notou minha presença. Recuperei o fôlego olhando para os cabelos jogados na frente do rosto. O moletom estava mais frouxo nele(?), estava tudo meio embaçado. Realmente não sirvo para exercício físico, chega a ser preocupante o meu nível de sedentarismo.

— Jimin, você, Delz, menino… Digo homem… — Falei pausado e ainda um pouco ofegante, meu peito estava ardendo. Eu vou acabar morrendo se não começar a praticar algum esporte, sério mesmo.

— Ele se encolheu mais olhando para baixo como se escondesse algo, e então passei a olhar para frente já que ele estava bravo demais até para me olhar no rosto.

— Desculpa. — Comecei, mas não parecia suficiente. — Eu não quis te tratar como criança, eu não quis. Eu só fiz isso antes porque EU era a criança, não era adulto o bastante para admitir que você era bem mais maduro do que eu. Eu achei que poderia te tratar de qualquer jeito, agir impulsivo como se te rebaixar naquele dia fosse melhorar a minha vida. Eu não sei porque pensei daquele jeito… Eu só fui um idiota, mas faz tanto tempo.

Ele não falou nenhuma palavra, inclusive se levantou como se fosse fugir novamente. Apenas segurei a manga de seu casaco. — Quando eu vi você quase chorando hoje, eu não sei o que senti. Mas isso quase me partiu no meio, eu não quero te deixar assim Jimin. Você é importante para mim. — Ele puxou o próprio braço e então eu vi uma pequena tatuagem no seu pulso esquerdo. Fiz uma careta me afastando dois passos, vendo melhor o cabelo era mais comprido e a calça era diferente. Não era Jimin, o cara virou de costas me fitando meio estranho.

— Porra cara, vai atrás dele então. — Meus olhos dobraram de tamanho, e então eu dei mais passos para trás. Que vergonha, que vergonha, ele era realmente muito parecido com Jimin.

— M-me desculpe senhor, e-eu… — Ele negou com a cabeça, também estava fazendo uma careta inconformada meio abismado com as coisas que eu estava falando, comecei a me sentir assim também. Eu iria mesmo falar isso para Jimin, e se ele pensasse que eu estou apaixonado por ele? E estou? Eu só quero agradecê-lo.

Sai apressado o homem foi para o lado oposto com a mesma velocidade, minha garganta estava seca e eu tenho certeza que estava tão branco quanto um fantasma. Corri indo para trás de uma coluna como se isso me tornasse invisível. Era isso ou enfiar a cabeça no chão, respirei fundo, muito fundo, talvez por mil anos.

— Okay, concentra. — Falei fechando os olhos e agarrando a sacola em minhas mãos, apesar de tudo eu ainda tenho que encontrar Jimin, antes que ele suma de verdade. Eu já me sentia cansado da viagem curta e de toda essa correria, inclusive tava cansado de tanto pensar.

Calei os meus pensamentos e bati no meu próprio rosto, um tapa forte mesmo. Idiota escroto, como não pensou em ir de volta para o carro? Fui direto para lá, burro, burro. pensava sem parar.

Cheguei perto do veículo olhando de longe o sol no fim da linha, se escondendo no horizonte e em baixo da lua que começava a deixar o céu mais roxo e escuro. Jimin estava sentado, não no carro, ele esfregava a cabeça em um gatinho branco. Ofeguei de alívio, preocupação, felicidade, tristeza. Tudo ao mesmo tempo, apertei mais os meus passos vendo ele pôr o gatinho dentro do casaco aquecendo o pobre animal do frio.Esse idiota negligente queria mesmo ficar doente de vez? Por que não entrava no carro?

Cheguei próximo e ele não ergueu a cabeça. Peguei o seu braço o puxando bruscamente para o pôr de pé. Eu achei que não tinha coragem de agir tão impulsivamente depois da vergonha que eu passei, mas quando eu vi Jimin completamente a salvo e tão bonito mexendo no animal não pude aguentar uma explosão na minha cabeça, como se o mundo tivesse acabado de ser recriado. Eu estava sentimental demais, e já não aguentava ficar tão meloso. Algum Deus me diz como tirar isso de mim, porque não é normal.

Ele tentou se afastar do abraço, mas isso só me fez segurar mais forte colocando minha mão sobre a sua cabeça e a outra nas costas, sentido uma de suas mãos empurraram meu peito fraco e a outra segurar a barra do casaco para manter o gato ali.

— Se você fizer isso de novo eu te mato! — Praticamente lati de tão bravo que estava. Ele parou de me empurrar e de resmungar para que eu o soltasse, apenas deixou que eu o abraçasse como se soubesse o que estou sentido. Ou talvez notando que não ia soltar ele e ponto final.

— Yoongi… — Jimin falou meio baixo mexendo a cabeça tentando se desgrudar um pouco de mim. Eu afrouxei o abraço abaixando a cabeça, ele se afastou um passo soltando o gato que fugiu imediatamente.

— Você quase matou o gato. — Ele falou colocando as mãos no bolso e chutando chão falando em um tom que não consegui definir muito bem, mas me fez rir e abaixar mais ainda a cabeça.

— Estava te procurando. Eu achei que você ia sumir. — Falei escondendo o sorriso por ainda rir um pouco.

— Eu ia. — Falou me fazendo erguer a cabeça. Tá querendo apanhar, só pode. — Mas pensei que teria sido melhor eu nem ter saído do carro, como você disse. — Não. Isso não Jimin.

— Não… Não pense assim. — Pensei em me desculpar, mas ele já parecia entender que foi bobo em se ofender sem razão. Além disso minha respiração pesava só de imaginar quais besteiras eu poderia falar caso tentasse me desculpar de novo. Principalmente na frente do Jimin verdadeiro.

— Está ficando escuro, vamos para a pousada. Sim? — falei sorrindo pequeno, ele bocejou concordando, destravei o carro de longe andei com ele até a porta. Abri a porta do passageiro, ele me olhou estranho. Pareceu que ia falar algo, mas desistiu e apenas se sentou. Quando ele deixou os pés para fora lembrei o porquê de ter aberto a porta. — O seu tornozelo. Eu estou com o remédio. — Ele olhou confuso e depois confirmou deixando a perna direita para fora.

Me abaixei e catei o creme, passei ali mesmo sem muito cuidado. Ele gargalhou olhando para mim e depois desviando o olhar. — Do que está rindo? — Perguntei confuso.

— Você jamais seria enfermeiro.  — Sorri pequeno, mas foi por ver a risada do mais novo. Finalmente a sua risada estava de volta.

— Ainda bem que sou escritor. — E assim eu guardei mais uma cena em minha memória, pronta para ser usada de bom grado algum dia.

— Coloquei a sacola nas suas pernas, e Jimin se ajeitou no banco colocando o cinto. Fechei a porta e fui para o meu canto não perdendo tempo em ligar o carro seguindo rumo a pousada.

Apertei os olhos, talvez minha visão estivesse mesmo ficando pior, em algum tempo eu não poderia mais usar o relógio só durante a leitura. Bocejei olhando de canto, Jimin estava com os olhos fechados e a cabeça encostada no travesseiro do banco. Voltei a olhar a estrada não tão cheia de carros, a cidade era pequena, mas lotada de pessoas. A maioria andava a pé, talvez fossem habituadas a ficar nas ruas ao invés de presas em cubículos. Jimin mexeu na sacola e isso despertou meus ouvidos.

— Yoongi… — Ele me chamou e eu respondi com um murmuro. — Você comprou mesmo aquelas barras? — Sorri incrivelmente largo ainda olhando para frente e confirmei ouvindo o saco mexer de novo, em seguida o som do pacotinho sendo rasgado. Fechei a minha boca da melhor forma possível, escondendo um pouco o rosto sem tirar a atenção da estrada.

— Obrigado, Hyung — O sorriso se desfez no mesmo segundo, mas não por uma razão triste, e sim surpresa. Achei que ele nunca me respeitaria de novo, porque eu sei que é preciso respeito para tal nome. Respondi um “disponha” neutro e o resto da noite seguiu com o sono bem pesado dos dois lados.


 



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