História Atlal - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anime, Árido, Deserto, Gotico, Magia, Mangá, Mistério, Rpg, Sobrenatural, Violencia
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Palavras 2.530
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Saga, Seinen, Shounen, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - O miserável Nada


 

 

A cortina de areia levantada pela estranha ventania agora estava na altura da cintura - pelo menos da de Isis, Tahir era uma montanha. Estavam se aproximando do castelo, ele erguia-se por cima das casas, seus muros pareciam a base de um monte. Suas elegantes abobadas e a enorme torre principal estavam enfeitadas por pontos luminosos. As tochas estavam acesas e a estagnação prevalecia - um bom sinal, talvez.

Isis agora trajava seu hijab para se proteger da areia. A intensidade do vento a fazia ficar curvada e deixava um lado das roupas colada na superfície de seu corpo. Mas ao invés de uma delicada silhueta feminina, notava-se as rígidas formas de uma armadura - ela camuflava sua proteção por baixo de todo aquele pano, levando seus inimigos a acreditarem que apenas o seu peitoral e braços estavam protegidos.

Nos arredores do castelo, as ruas eram mais bem organizadas, criando espécies de largos "corredores" de casas. Era mais difícil encontrar becos ou locais reservados, mas ainda assim havia alguns.

- Para onde você está indo? - Questionou Isis ao perceber Tahir se desviar do caminho, ela estava quase berrando devido ao barulho do vento.

Sem paciência para berrar, Tahir fez um aceno de mão para que ela o seguisse.

Ela olhou para o castelo, olhou para Tahir, suspirou profundamente e então o acompanhou.

 

...

 

O local era uma estreita viela. Tahir, com sua armadura, não coube nela. Ele ficou de lado na entrada, sem seu elmo.

- Levar uma dama para um local reservado é o certo, mas este aqui é tão deselegante... - Brincou Isis.

- Quando você apareceu, você disse que sentiu alguma coisa. É um tipo de magia? - Questionou Tahir, ele olhava para frente, sem fazer contato visual com Isis, isso a irritou um pouco.

- Não e sim: não é uma magia para "sentir" algo, tudo na natureza possui uma "vibração", desde os menores grãos de areia até os mais tolo dos humanos. - Ela direcionou um olhar fulminante a Tahir - Todos os seres vivos tem a capacidade de sentir essas vibrações, no caso, a magia. No entanto, nós, magos, ao entrar em um contato muito mais profundo com a magia, podemos senti-la com mais facilidade, desde emoções, intenções e em alguns casos, a presença de algo ou alguém. - Isis parecia estar ditando um texto decorado.

Tahir deu uma leve risada por baixo do elmo. Era irônico: ele trajava uma armadura mágica e até hoje nunca foi capaz de sentir estas "vibrações".

- Você quer saber se eu consigo sentir algo em específico, não é? - Indagou Isis.

- Sim... O castelo, quero saber se você sente algo nele, alguma ameaça, morte, qualquer coisa.

- Bem, até agora eu não senti nada, mas vou tentar.

"Como se fosse possível sentir "morte". Ha! Pelos deuses!!". Queixou-se da ignorância de Tahir em sua mente.

A maga deixou de lado seu lampião e lança. Sentou-se com as pernas cruzadas, apoiou as mãos sobre as suas coxas e ficou com a coluna reta. Fechou os olhos e permaneceu estática.

Segundos se passaram, o silêncio permaneceu. Tahir fitou-a durante um tempo.

- Silêncio! - Exigiu Isis, antes de Tahir sequer começar a falar a primeira vogal.

"Caramba! Como ela sabia que eu ia falar?" Indagou Tahir em sua mente, um tanto surpreso e sem graça.

- Eu não sabia, mas sempre fazem isso. - Disse Isis, prevendo as ponderações do velho.

Para Tahir, só lhe restou arregalar os olhos e desviar o olhar.

Tempo se passou. O velho já estava ficando impaciente. Ele observava os arredores, tentando não quebrar a concentração da guardiã.

- Eu nunca fui boa em sentir intenções ou presenças. Você atingiu meu ponto fraco. - Isis confessou, desapontada, Tahir levou um susto com sua voz.

- Mas você conseguiu achar, pelo menos, alguma coisa?

- Bem, tem uma magia poderosa na torre, mas é "só" a Aliança. - Disse Isis em um tom zombeteiro, mas percebeu a inutilidade da informação - Minha percepção é falha. Me desculpe.

Isis parecia mais decepcionada do que ele. Tahir vestiu seu elmo.

- Vamos então. Se você não percebeu nada, então não há nada para ser percebido. - Concluiu Tahir, em um tom sério, Isis não conseguiu segurar um risinho. 

"Você banca o carrancudo, mas na verdade é um cara bem legal, não é?" Pensou Isis, ainda com um sorriso travesso.

Tahir continuava sua caminhada-quase-corrida, mas diferente de uma hora atrás, ele parecia aliviado.

"Se ela não notou nenhuma alteração na Aliança, então isso quer dizer que ainda não aconteceu nada... Eu espero que não aconteça." Ponderou Tahir, olhando para a imponente torre do castelo.

Por um momento, o velho guardião vacilou em seu caminhar. Ele ainda não tinha analisado a situação de Hamzah: O que o líder da polícia da cidade-estado Musawa estava fazendo em um beco? Por que o grupo enviado para analisar a cena do crime foi abatido? Hamzah era o alvo, então por que eliminar eles?

Seria um golpe de estado?

Neste momento Tahir parou de repente. Isis ficou desconfiada. Tahir voltou a andar.

- Qual foi o problema? - Isis perguntou, abafada pelo hijab.

- Nada.

 

...

 

Tahir e Isis pararam em frente ao portão principal do castelo. Estaria silencioso se não fosse pela maldita ventania. Os estandartes ao redor do muro balançavam grosseiramente. A silhueta de alguns vigias se mexeram por cima da muralha, lá estava luminoso, mas distante. Havia tochas onde os guardiões estavam, mas estavam apagadas. Se não fosse pelo lampião de Isis, não os deixariam entrar até o amanhecer - isso, porque nem os enxergariam. 

- Você não acha esquisito não ter guardas aqui fora? - Perguntou Isis, quase berrando.

- Sim... - O barulho abafou sua resposta.

Isis deu um olhar desconfiado ao velho, desde que ele havia parado de forma repentina, suas respostas passaram a ser vagas. Como ele estava de armadura completa, não havia como ler suas expressões corporais direito, ele "só" estava com os punhos cerrados. Ela não se deu ao trabalho de perguntar, ela sabia que ele continuaria a responder: "não é nada".

Tahir estava suando frio. Aqueles poucos segundos poderiam ser seu fim - ou o fim de Isis. Estaria Isis do lado deles? Quem seriam "eles"? Ele teria que lutar contra o mesmo reino que ajudou a construir? 

O pesado portão levadiço se abriu pouco a pouco.

Poderiam ter reunido todos os arqueiros, magos e guardiões a disposição para matar os dois ali. Mas nada, não havia nada. Com exceção de um soldado sentado em uma carroça largada, perto do segundo portão.

Só então Isis viu uma expressão corporal: os ombros de Tahir desabaram. Ele olhou para um lado, para o outro, e então caminhou até o soldado desleixado. 

- Soldado, onde estão os outros guardas? - Vociferou Tahir.

O soldado estava olhando para o nada, como se os dois guardiões não existissem. Tahir, desconcertado, continuou a fitar o soldado.

- Soldado! Você está surdo?! - Dessa vez Tahir puxou o guarda pelo gibão, deixando seus pés suspensos no ar.

Só então o soldado pareceu acordar.

- S-S-S-Senhor?! - Gaguejou o guarda, amedrontado.

- Você é idiota? Fale como um homem! - Bravejou Tahir, largando o soldado.

- Senhor! Sim Senhor! - Bradou o soldado, batendo continência.

- Onde estão os guardiões? Por que raios, ao voltar de uma investigação, encontro somente uma pilha de esterco desperdiçando tempo na frente do portão secundário? - Pingos de saliva voavam no rosto do pobre guarda.

"Não é atoa que ele treina os soldados..." Pensou Isis, sem controle de sua risada ao presenciar a cena, por sorte, seu riso era abafado pelo hijab - se Tahir percebesse, é bem provável que ele estaria muito mais furioso.

- Senhor, até onde eu sei, alguns guardiões se encontram dentro do castelo, vigiando os sumo sacerdotes. - O soldado respondia rápido e alto, ele suava frio.

- E a guarda? - Disse Tahir entre dentes.

- Eu não sei senhor, eu estava fazendo minha ronda. E-E quando voltei, todos haviam sumido! - O tom do soldado ia abaixando ao decorrer da frase.

- Então você abandona seu posto e fica sentado nesta porra de carroça, de barriga pra cima, esperando o dia amanhecer? - Berrava Tahir, curvando-se, o soldado estava de ombros encolhidos e olhos escancarados.

- S-Senhor, vou voltar para o meu posto agora mesmo! - Guinchou o soldado, correndo logo em seguida.

Pelo bem da vida daquele guarda, o portão secundário estava aberto. Tahir o atravessou em uma enfurecida marcha titânica.

- Tahir, por que o segundo portão está aber... Tahir? - Isis perguntou em voz alta, mas foi ignorada.

Irritada, adiantou o passo.

Finalmente tinham um descanso em relação a anormal ventania. Passou-se de um assobio até sua inexistência a medida que adentravam no castelo. Enfim Isis pôde tirar seu Hijab.

- Sinto-me lisonjeada por ser ignorada, oh nobre Tahir. - Ironizou Isis, brincando e resmungando ao mesmo tempo, Tahir continuou a ignorá-la.

A medida que entravam, notava-se a quietude. Não havia ninguém. Se os guardiões estavam protegendo os sumo sacerdotes, então deveria haver guardas patrulhando. E a ausência de patrulha significava a existência de algum conflito. Mas não havia nada.

Tahir já estava farto de encontrar nada aonde quer que fosse.

De porta em porta, Tahir procurava, desde o salão, até a cozinha. E quanto mais ele tinha certeza de que não havia ninguém, mais agitado ficava. Diferente de Tahir, Isis ficava calada, queimando as costas do homem com um furioso olhar.

- Mas que porra! - Berrou Tahir, sua voz ecoava pelo castelo.

Isis se virou e começou a andar.

- Pra onde você-

- Torre! Vamos! - Vociferou Isis, Tahir assentiu calado.

Para se chegar a gigantesca torre, é necessário atravessar um longo corredor. O corredor possuía dezenas de cômodos, em geral, eles serviam como armazéns, eles eram recurso de defesa: em casos extremos, o que quer que estivesse guardado, serviria como barricada. No entanto, ao chegar no tal corredor, todas as tochas estavam apagadas. Isis e Tahir se entreolharam, desconfiados. A guardiã voltou e pegou uma tocha.

Ambos adentraram na escuridão.

Isis caminhava com cautela, segurando sua lança em guarda e erguendo a tocha. Infelizmente, o andar de Tahir era puramente o barulho de metal cintilante - quanto a isso, nada podiam fazer -, quem quer que fosse, sabia que eles estavam ali.

Um pouco além da claridade da tocha, uma silhueta humana era distinguível. Tahir pegou a tocha da mão de Isis com gentileza. Ele se aproximou mais da pessoa.

Um homem estava sentado em cima de uma caixa de madeira encostada na parede. Ele trajava um longo e surrado manto sem mangas, além de um chapéu tão empoeirado quanto - Tahir teve certeza de que era um estrangeiro. Ele estava encolhido e recostado na parede de forma desleixada, ele parecia estar dormindo, mas seus olhos estavam bem abertos.

- Identifique-se! - Exclamou Tahir.

Tahir viu os olhos do homem se mexerem, mas nem se quer se direcionaram ao guardião. 

- Rapaz! Você é surdo? - Tahir perguntou, intensificando o tom.

O rapaz continuou inerte.

Sem tirar os olhos dele, Tahir acendeu uma tocha próxima a eles, um pouco mais a frente do rapaz. No mesmo instante, Isis se aproximou do homem também.

- Quem é você? - Tahir falou em um tom tão calmo que mais parecia uma pergunta retórica.

Ignorando o rapaz, Tahir andou um pouco além da tocha do corredor. Encarou o breu a sua frente.

Todos os fios no corpo de Tahir se arrepiaram. Não havia motivo aparente.

Era medo. Um medo quase primitivo começava a tomar conta de Tahir. Seu peito começou a formigar, em seguida, toda sua pele. Era uma espécie de instinto. Ele olhou para a escuridão a frente dele, com temor do que poderia sair de lá. 

Isis apenas fitava o rapaz, sem perceber situação de Tahir.

- Tristeza... - Murmurou Isis, sem ter controle das palavras que saiam de sua boca, foi como um instinto.

Quando ela disse isso, a atenção do homem foi desviada. Ele a encarou. Ela não pôde sentir nenhuma ameaça quando havia meditado, mas por alguma razão, conseguia sentir a profunda tristeza do rapaz.

Tahir, controlado pelo medo, não avançou mais. Ele pensou em jogar a tocha para iluminar o corredor a frente, mas ele nem precisou se dar ao esforço.

A sua frente, um símbolo complexo desenhado no chão brilhou em um vermelho intenso. Havia uma pessoa sentada no centro do círculo. Ela estava de costas, uma mulher caucasiana, de longos cabelos negros. Ela meditava de uma maneira semelhante a de Isis.

Quem dera fosse apenas a luz que o perturbara. Naquele momento, uma fluorescência rubra rastejava-se pelo chão, como um nefasto ser vivo. Até então Isis, que apresentava uma resistência em relação a essas sensações, foi capaz de sentir o misto de medo e angústia irracional. Antes dos guardiões sequer tentarem reagir, a luminescência se espalhou pelo teto, chão e percorreu o resto do castelo em uma velocidade absurda, se moldando e atravessando a silhueta de qualquer objeto inerte no caminho.

As emoções que advinham da magia se intensificaram assim que o pulso os atravessou. O pulsar deixou como rastro algumas marcas em cinzas incandescentes nas paredes, seus formatos pareciam inscrições. No entanto, após alguns segundos, o incômodo desapareceu subitamente. Isis e Tahir perceberam que haviam segurado a respiração, além de estarem suando frio.

Silêncio prevaleceu.

Tahir deu o primeiro passo. Mesmo ao custo de sua vida, ele mataria aquela mulher. Pela segurança do reino pelo qual tanto lutou, ele destruiria aquele monstro. Ele destruiria qualquer coisa no seu caminho.

No seu segundo passo, ele já estava ensandecido pela fúria.

- Tahir! Cuida-

Tahir mal raciocinou. Tudo que pôde sentir foi uma pancada. O ar saiu de seus pulmões. Soltou um chiado involuntário no processo. Por instinto, tentou se segurar em algo. A única coisa que conseguia pensar era o fato de que ele estava se movendo para trás, e precisava parar. Conseguiu. Deteve-se segurando a lateral de uma porta. Usou a magia de suas inscrições arcanas de forma inconsciente. Ele rachou a parede no processo.

Antes de ser tomado pelo desespero e culpa, percebeu que Isis estava bem. Ele poderia ter matado ela com o próprio peso. Ela havia se agachado.

- E esse sangue? - Perguntou Isis, preocupada.

Tahir olhou para o seu peitoral e viu a mancha de sangue, em seguida, seus olhos se encontraram com os de Isis, e então focaram no homem no meio do corredor.

- O sangue não é meu! - Afirmou Tahir.

O homem de chapéu estava com seu braço esquerdo estendido para frente com o punho serrado. A pele e carne de seus dedos foram dilacerados. Os ossos estavam expostos. Eles possuíam uma estranha fluorescência roxa. Na verdade, por causa daquela magia brilhante, era possível ver os ossos através da carne, por todo o seu corpo. Aquilo foi um soco? O sorriso do homem era um misto de rancor, asco e deleite.

A ferida na mão do rapaz começou a regenerar.

- Daqui você não passa, meu amigo. - Disse o homem, rindo.

 

 

Capítulo 4 LANÇADO!!

 


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