História Através dos Tempos - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Ficção Cientifica, Romance, Tempo, Yaoi
Visualizações 34
Palavras 2.210
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção Científica, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá, estrelinha. Essa é minha primeira fanfic, espero que gostem. Dependendo do número de visualizações, posso postar duas vezes por semana. Sexta ou Sábado tem capítulo novo. Escrevo isso em homenagem a todos os meus amigos, que me incientivaram a escrever e a todos que concordaram em participar. Obrigado a todos e ótima leitura.

Capítulo 1 - Kill All Your Friends


 

A notícia da morte dos avós atingiu Lucas como um tiro. Seu peito doía, sua mente se recusava a processar um simples pensamento. Ele sentia algo, apesar de não saber o que. Não era como no dia da morte do seu cachorro, causada por um bêbado de merda. Muito menos parecia a sua primeira paixão não correspondida.  Aquilo era bem pior. Lucas estava confuso. Seus olhos doíam de tanto chorar. Mas por quê? Por que tinham que partir tão cedo? Mal tivera tempo de lhes conhecer direito. Recordava-se, porém, das suas incríveis histórias, as aventuras com a avó e os jogos tão apreciados pelo avô. Uma enorme tristeza invadiu seu peito ao perceber como os havia ignorado nos últimos anos. Ao menos haviam morrido dormindo, sentados em suas poltronas, de mãos dadas pela ultima vez.

– Filho, estamos saindo – disse sua mãe, olhando lhe triste pela porta – Não precisa vim se não quiser...

–Eu quero – disse Lucas rapidamente – Eu... Já estou indo.

Após apanhar seu terno, desceu lentamente as escadas. Cada detalhe daquela casa lhe causava nostalgia. Tudo lhe lembrava de sua infância. Seus avós. Sua vida inteira.

–Ei, seu bosta! – disse seu tio, que estava sentado na sala bebendo uma cerveja – Você sabia que seus avós não curtiam nem um pouco esse seu brinquinho? Te deixa parecendo uma bicha. – gargalhou.

–Um homem de 40 e poucos anos, bêbado em pleno velório dos pais e ainda por cima desempregado... Parece que não sou eu o tal merda

Seu tio lançou sobre ele um olhar de fúria. Nunca gostaram tanto um do outro. Desde pequeno ele zoava a enorme careca do tio. Sempre odiara aquele vagabundo, que estava morando com eles desde que havia sido demitido.

–Vamos meninos – disse sua mãe – precisamos chegar logo. Começará em meia hora.

A voz triste da sua mãe fazia Lucas ter pena dela.

No carro, as lindas melodias do rádio lhe transmitiram uma raiva pessoal. Talvez inveja da alegria naquela voz. Quem sabe sua linda letra que dizia que tudo era eterno.

Não demorou muito para que chegasse a seu destino, o cemitério local, visivelmente lotado. Os dois caixões onde estavam seus avós se encontravam agora a alguns passos. Lucas não sabia se poderia encarar novamente seu passado.  Tomando coragem, se aproximou. Primeiro de sua avó, a quem sempre fora muito ligado. Seus lindos e longos cabelos brancos estavam muito bem arrumados. Ela não estava de preto, como todos na sala, mas sim vestindo seu lindo vestido branco, o qual ela havia ganhado da mãe. Ele imaginara como devia ser uma bela moça.  Passou os dedos por seus fios de cabelo, escorregando devagar para seu delicado rosto, que mesmo sem vida, ainda esboçava um pequeno sorriso. Lagrimas caíram do seu rosto. Seu avô estava logo ali do lado, usando um terno preto. Aquilo o revoltou.  O avô jamais gostara de ternos. Preferia se vestir do seu modo, despejado e tradicional. Segurando suas velhas e pálidas mãos, o menino pós o brinco (que colocou inicialmente só para irritar o pai) na mão da avó, que ao contrário do dito pelo tio, sempre gostou. Deu um leve beijo de despedida em suas testas.

–Adeus... Meus doces anjos... – Lucas caiu em prantos. Eles costumavam o chamar assim. Doce anjo...

–Venha querido – disse sua mãe, lhe puxando para um forte abraço – Eu também os amava.

Lucas passara o resto do velório observando as pessoas ao seu redor. Sua tia chorava junto da sua mãe. Elas sempre haviam sido amigas. Seu tio parecia impaciente em sua cadeira. Era a primeira vez em muito tempo que não o via com algo alcoólico em mãos. Vários parentes que ele não via ou não conhecia estavam lá. Nunca os vira em festas, natais ou nada do tipo.

–Olá, primo! – disse sua prima, com um largo sorriso no rosto – Há quanto tempo, não?

–Que susto, Isabelle. 

–O que foi? Achou que eram os mortos? – comentou segundo uma pequena risada.

– Você está falando dos nossos avós. Isso não tem graça.

Lucas realmente queria ficar com raiva da prima naquele momento. Ele sentia, entretanto, certa melancolia em sua voz. Ela estava tentando animá-lo.

–De qualquer modo, só ia te chamar para o enterro. Sei que você gostava deles. Imagino como deve estar triste. Em março, o gato da minha mãe morreu, e ela ficou mal. Então, para deixar ela mais contente, dei um gato de pelúcia pra ela.  Sei que não posso te dar avós de pelúcia, mas posso te oferecer isso. - disse a garota estendendo uma enorme barra de chocolate. 

–Obrigado-disse o garoto, pegando um pedaço.

Sua prima era apenas alguns meses mais novos, mas era bem legal. Os dois foram juntos para o cemitério, de onde viram de longe os caixões sumirem na terra.

–Sabe, nunca pensei que viriam eles assim. Para mim, meus avós seriam eternos. Sempre teria seu amor e sua proteção.  

–Sebe primo, na vida, coisas assim acontecem. Pessoas morrem, sentimentos se perdem... E a única coisa que é eterna é minha vontade de dormir. – comentou de um modo sério, fazendo com que os dois dessem baixas risadas. Por alguns momentos até esquecera as coisas ruins que estavam acontecendo.

–Garoto... Você que é o Lucas? – perguntou uma voz rouca vinda de trás dos garotos.

Os dois se viraram, dando de cara com um velho homem, vestido com um elegante terno negro e um chapéu, como os utilizados antigamente. Em contraste com sua pele clara, se notava um icónico bigode, que lhe dava um ar de experiência.  

–Sim, sou eu. Mas quem é você?

–Digamos que eu sou apenas... Um entregador. Era muito amigo da sua avó. Vim lhe entregar algo. – falando isso, ele retirou do bolso de sua calça um relógio dourado. –Acho que isso agora pertence a você.

O garoto tomou em mão o relógio, observando cautelosamente cada detalhe. Eram um antigo relógio de bolso, como os utilizados há cinquenta anos. Na parte de trás, estavam delicadamente esculpida a imagem de um guarda chuva. Um botão no topo do relógio o permitiu abrir o mesmo, podendo se deparar com ponteiros, números e uma peculiar frase escrita cautelosamente, que dizia: “O tempo deixa perguntas, mostra respostas, esclarece dúvidas... Mas, acima de tudo, o tempo traz verdades.”

–Obrigado senhor. Não sei como te agradecer.

–E para a garota, – disse em um tom meigo – esse lindo cordão. Ele tem a foto de vocês dois. Olhando direito, acho que o tempo lhes fez bem.

O cordão abria em duas partes, que continham a sua foto e a da prima quando tinham apenas oito anos. Haviam tirado as fotos em uma viajem para o Canadá com os avós.

–Obrigada...

O homem já ia se despedir deles quando se lembrou de algo, tirando do bolso um cubo, que radiava uma luz azul brilhante.

–Quase havia me esquecido – comentou entregando o cubo a eles – Vocês devem utiliza-lo somente em momentos de perigo. Ele só irá funcionar uma única vez. Preciso que tenham me entendido.

Os dois primos balançaram a cabeça, indicando que haviam entendido.

–Perfeito. Bem, meus pêsames por sua perda. Luisa era uma grande mulher. José era um homem brilhante. Aposto que tinham orgulho de vocês.

Dizendo isso, ele se distanciou dos garotos, que agora analisavam os presentes cuidadosamente. Seus avós os tinham dado aquilo. O que ele quis dizer realmente com “momentos de perigo”?  Independente do que fosse eles decidiram seguir a orientação.

–Como ninguém percebeu esse cara? – perguntou Isabelle.

–Eles estão muito ocupados se preocupando com os mortos. Ocupados demais para notar os vivos.

Mesmo vendo aquela cena de longe, ambos notaram que a mãe de Lucas, a mãe de Isabelle e sue tio Marcos estavam sendo conduzidos por um advogado para dentro do casarão onde os caixões estavam expostos. Sua mãe estava muito séria. Seu tio parecia zangado, enquanto sua tia continuava chorando.

–Isa, o que você acha que tá acontecendo?

–Eu não sei, mas eu quero muito descobrir.

Os dois correram na direção do casarão, tomando cuidado para não serem notados pelos demais convidados. Analisaram várias portas, até que Lucas encontrou seus tios e sua mãe, em uma sala no fundo do corredor. A porta estava entreaberta, possibilitando sua visão. Eles não pareciam lhe notar. No momento em que ia atrás da prima para que ouvissem juntos a conversa, o advogado disse algo que lhe chamou a atenção.

–A herança será dividida como diz o testamento. Sendo assim...

–Não! Isso não é justo!- disse seu tio, aparentemente muito irritado – O garoto é novo demais para tanto dinheiro. Eu sou o filho deles, não ele!

– Marcos, acalme-se. -disse sua mãe, em sua forma séria e serena, sem levantar sua voz – Está no testamento, não há nada que possamos fazer...

–Você só fala isso por que foi o seu filho que ficou com todo o dinheiro – interrompeu grosseiramente o tio.

–Laura, Marcos, acalmem-se... – choramingou sua tia – Não há motivos para brigar...

–Eu já estou de saco cheio disso – murmurou seu tio – É tudo sua culpa, sua vagabunda!

Ele se levantou, erguendo o punho para sua mãe. Ele iria bater nela. Em um surto, Lucas saiu de trás da porta, socando com toda sua força o estômago do tio. Ele caiu com um baque no chão, provocando gritos de desespero da tia e do advogado, que até então ficara só observando a cena. Com os gritos, todas as pessoas que antes estavam na festa, inclusive sua prima, olhavam para ele com medo da porta. Seu punho cerrado com força doía muito. Seu tio levantou devagar do chão, murmurando com dificuldade palavras de ódio.

–Filho... Da... Puta... – seu tio se punha de quatro, tentando se levantar com dificuldade.

Ele sabia o que o tio faria se levantasse. Apesar de ser gordo como um porco, ele também era mais forte do que um garoto de 16 anos. Aquele impulso impedira que sua mãe se machucasse, mas Lucas não sabia se aconteceria novamente. Não costumava ser tão impulsivo. Muito menos violento. Em um pulo, seu tio agarrou seu pescoço, forçando seu corpo contra o chão. Ele estava ficando sem ar. Todos ao seu redor gritavam, mas ninguém fazia nada. Naquele momento, o garoto pensou que estaria em breve com os avós. Sua salvação, porém, veio de quem ele menos esperava. Sua mãe, a qual ele nunca havia visto agredir alguém, deu um forte chute na barriga do seu tio, que o soltou imediatamente. Livre, o garoto se pós de pé, vendo o tio contorcer de dor no chão.

–Eu não conseguira ter feito melhor – comentou com um pequeno sorriso para a mãe, que o retribui o sorriso.

Após a chegada da polícia no local, todos estavam indos embora, inclusive Lucas e sua mãe.

–Você está bem, querido? – perguntou sua mãe, passando a mão por entre seus cabelos.

–Estou sim – respondeu o menino, que estava sentado na grama, observando os túmulos. Ao seu lado, estava sua prima, que decidira passar alguns dias em sua casa.

–Eu liguei para o Igor, ele vai vim me buscar.

 –Ok. Estou indo para casa... Estou mesmo precisando descansar. Qualquer problema é só me ligar, sim?

–Claro mãe. – disse Lucas, observando a mãe indo na direção do carro e pensando em como ela devia estar exausta.  Em como ela havia sido corajosa, salvando ele do irmão mais velho.

–Cara... Sua mãe não é mesmo de chutar o balde, né?-disse Isabelle, que ainda não acreditara como perdera toda a briga. - Então... Você está rico, não é mesmo?

–Eu acho que sim... Ainda não consegui analisar isso completamente. Mesmo assim, só poderei retirar esse dinheiro quando tiver dezoito anos, ou na presença de um adulto.

–O que vamos fazer agora?

–Por hora, vamos esperar o Igor. Ele é o meu melhor amigo, você vai gostar dele. Enquanto ele não chega, vamos apenas apreciar o por do sol.

–Que bonitinho, hein mano- disse uma sarcástica voz atrás deles, que Lucas conhecia muito bem - Tem espaço pra mim?

–Sempre.

–Então quer dizer que vocês ganharam presentinhos dos avós? Que demais!- comentou Igor após saber de toda a história- Quando meu avô morreu, ele me deixou apenas desgosto, além de muitas dívidas de pôquer.

Com isso, os três ficaram admirandos o sol se escondendo por estre as árvores, em silêncio, apreciando a paz, que infelizmente, não durou muito.

–Olá, crianças- disse alegre uma voz conhecida- Bom vê-los novamente.

O velho homem que lhes deram as coisas, com seu elegante terno e charmoso chapéu, reapareceu, e novamente atrás deles, sendo entregue por sua sombra. 

–Espero não estar atrapalhando-comentou com um pequeno sorriso.

–Não está- disse Isabelle, que começara a agir estranho desde a chegada do seu amigo.

–Poxa, garoto-comentou em tom notavelmente sarcástico- Não posso dar as costas a você por alguns minutos que já me arranja esse olho roxo?

–O que você veio fazer aqui?- perguntou sério Lucas.

O sorriso singelo do homem tomou a forma de um rosto igualmente sério. Um silêncio tomou conta do ambiente.

–Quero falar muito sério...

–Ok. Está na minha hora de ir...

–Quero conversar com vocês três.

Igor se pôs sentado novamente. Todos estavam nervosos, a atmosfera pesada.

–Era esse o “momento de perigo”? O meu tio?

–Não. Esse imbecil é só o começo. O que eu vim falar com vocês é sobre suas vidas... Sobre seus destinos, sobre seus avós...

 

 


Notas Finais


Continua nos próximos capítulos...


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