História Au Pair - Capítulo 36


Escrita por: ~

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Categorias Justin Bieber
Personagens Justin Bieber
Tags Fama
Visualizações 1.606
Palavras 8.061
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Do you feel it?: você sente isso?

As coisas começam a ser despertadas de agora em diante, Justin descobre seus sentimentos aos poucos sem ao menos notar...

Boa leitura e desculpem qualquer erro bichinhos.

Capítulo 36 - Do you feel it?


Passei os dedos pelo convite áspero tentando digerir mais uma vez o que lia. Uma hora ele diz que nos afastarmos será o melhor para nós dois e em outro momento me envia um convite para um coquetel?

“É com prazer que lhe convido para o tradicional coquetel de pré-lançamento de meu novo álbum titulado Purpose. Coquetel realizado para apresentação do conteúdo para familiares, amigos e equipe. Conto com você.

Atenciosamente, Justin Bieber.”

Ele não me ajudava, me deixava cada vez mais confusa, a verdade é que eu o queria aqui e queria muito.

Me ajeitei na ponta da cama onde estava sentada, virei o convite e atrás do mesmo constava o local e a data, era hoje. Havia recebido o convite a cerca de uma semana e todos os dias o lia tentando absorver algo. Logicamente Kim e Kanye estavam convidados.

Esfreguei a ponta dos dedos nos olhos e em seguida larguei o convite ao meu lado. Levantei encarando minha roupa no espelho, estava vestida com uma calça preta com poucos rasgos, meu tradicional vans preto, uma blusinha preta com um tecido flexível que deixava meus ombros a mostra e minha jaqueta jeans curta.

Eu daria minha primeira entrevista hoje e meu primeiro ensaio fotográfico ao lado dos meninos da banda. Estampariamos a Teen Vogue de dezembro.

Não existia alguém mais nervosa que eu naquele momento. Eu daria um passo inimaginável hoje e tudo o que eu pensava era o que as pessoas achariam de mim.

Passei os dedos entre os cabelos a fim de que ficassem mais lisos e menos bagunçados. Ouvi duas batidas em minha porta, onde a mesma em seguida foi aberta.

— Greg está a sua espera! — disse Anabel fechando a porta em seguida.

Respirei fundo jogando minha pequena  mochila preta nos ombros e segui rumo ao estúdio da Vogue.

"Não comece essa sessão sem mim! Nik."

Já no carro, li a mensagem de Nik e ri nasalado, não seria capaz de fazer isso com ele.

No dia em que saí pela primeira vez com Day e Adam conheci Nikolas e lembro com carinho do momento.

— Adam veio para cá em busca de uma vida melhor e está trabalhando para trazer sua noiva para cá também. — ela respondeu pelo amigo.

— Você é noivo? Que legal! E faz tempo que você está aqui? — perguntei curiosa por sua história.

— Vim sem rumo e por sorte consegui emprego na universidade que Day estuda, não dominava a língua, mas com o tempo me aperfeiçoei. — Adam bebericou sua bebida pelo bico da garrafa e continuou. — O dinheiro pago pela universidade não era o bastante para me sustentar, quem dirá trazer a mulher que amo para cá, então, conheci Dayane e ela me ofereceu esse emprego.

Então por isso que ela o ajudava tanto quanto ao que fazer e onde filmar.

— Adam é muito importante para mim e ele merece ser feliz, faço o que posso. — ela disse largando a garrafa de vidro no chão e chamando com a mão um garoto para trazer outra.

Eu os entendia. Eles lutavam por um ideal, a melhoria de vida e era por isso que eu havia começado um intercâmbio. Assim como Letícia e Bianca, eles eram o mais próximo da realidade, da minha realidade e isso me confortava.

— Toda essa história é verdade? — Day perguntou sem me encarar, ela olhava o horizonte como se estivesse hipnotizada em algo.

— Sobre você ser fã do carinha lá. — completou Adam.

Respirei fundo.

— Sim, mas acho que alguma coisa mudou desde então. Eu vejo só Justin hoje em dia, não vejo Justin Bieber, é como se… — pensei mordendo o lábio inferior. — Como se ele nunca tivesse existido para mim como ídolo, porque para falar a verdade antes eu não o conhecia, eu o conheço agora. E eu fiz uma tempestade em copo d’água achando que ele fosse me afastar por isso e tudo mais… — era o que eu achava.

— E você é apaixonada pelo Justin pessoa e não artista. — ela disse rindo enquanto me cutucava com o ombro.

— N-Não. — gaguejei.

— Ah, isso não foi uma pergunta, eu afirmei. — disse. — Posso não conhecê-la o suficiente e nem conhecê-lo como você diz conhecer, mas as pessoas notam.

— O que as pessoas notam? — ri fraco dando um gole em minha bebida já quente.

— Os olhares dizem muito, Alice. Eu trabalho com a expressão das pessoas, certos olhares dizem mais que muitas palavras por aí. — completou.

— Se precisar de ajuda, estaremos aqui, mas sinceramente, não acho que seja bom para você. — Adam disse.

Adam, você não é o único a pensar dessa forma.

— Ei, eu conheço você?!

Levantamos o olhar para um garoto que aparentava estar na casa dos 20 anos para cima. Ele era despojado e um pouco gordinho, seus cabelos eram totalmente tonalizados em laranja.

— Aline? Que gravou o clipe da minha música favorita? Da minha banda favorita? — encarei Dayane e Adam que apenas sorriam dando de ombros. — Posso tirar uma foto com você?

— Uh, claro. — respondi desajeitada. Seria ele meu primeiro fã? E ele me chamou de Aline...

— Garota, amei sua atuação! Segui você em todas suas redes sociais, você está um arraso naquele clipe. — soltou tudo aquilo me deixando um pouco perdida.

— Obrigada. — agradeci sem jeito.

— Eu me chamo Nikolas, mas pode me chamar de Nik! — pediu e assenti em seguida. Nikolas retirou sua câmera e para minha surpresa era daquelas profissionais. — Adam, meu amor, tire a foto para nós. — entregou o aparelho para Adam que se levantou. Nikolas sentou ao meu lado no tronco empurrando Day que retribuiu a gentileza.

A foto foi tirada. Minha primeira foto.

Nikolas ficou um bom tempo me contando o quanto era fã dos garotos da banda e o quanto sonhava em conhecê-los. Ele estudava fotografia na mesma universidade que Day estuda e Adam trabalhava, foi onde se conheceram. Nasceu no Canadá, mas com um pai empresário não demorou muito para que se mudassem para os Estados Unidos.

Desde então ele está sempre com a gente em nossas saídas, nessas duas semanas tenho andado muito com os três, o que me causava um alívio imenso em me encontrar, saber de onde eu fazia parte. Leticia e Bianca nos acompanhavam sempre, elas também se sentiam parte de algo.

Nik captava todas as noites fotos minhas e eu me sentia bonita na maioria delas, o que era difícil. Não demorou muito para que eu o convidasse para se juntar a mim em meus trabalhos, ele seria pago por isso. Eu já possuia uma conta pessoal, onde era depositado meu salário como Au pair, os cachês seriam enviados para lá também e até agora eu não havia mexido em nada. Jonathan apoiou minha decisão, pois segundo ele o mais importante era que eu formasse uma equipe onde em sentisse confortável.

Então, esse foi nosso combinado, ele teria uma porcentagem em meus trabalhos. O mesmo bateu pé até que eu concordasse que as fotos que ele batia de mim fora do trabalho seriam sempre presentes e que me fotografar era uma honra para ele. Nik era sensacional, essa era a verdade. Nik era reservado, reservado e muito discreto o que me fez pensar muito quando o mesmo disse que era gay. Diferente de Loreto, ele não parecia nada que gostava de homens, e inclusive era muito bonito o que chamava a atenção de muitas mulheres.

"Não faria isso com você. Ally."

Respondi sorrindo.

Após todo o trajeto o nervosismo não me abandonava, assim que Greg abriu a porta para que eu descesse, avistei Nikolas sorridente na porta do estúdio.

— Por que não entrou? — perguntei em um sorriso enquanto o mesmo me abraçava lateralmente.

— Eu fiquei nervoso. — cochichou. — Ah você me desculpe, mas Greg é um filé!

— Você me diz isso toda vez que o vê. — sorri parando em frente a porta.

Era um pequeno prédio de dois andares, as portas de vidros escancaram acima de si uma placa em metal com os dizeres “Vogue”. Foi o suficiente para me deixar ainda mais nervosa.

Tudo bem, Alice… Você consegue!

— Tudo bem, amor. — Nik disse afagando minhas costas com o polegar direito. — Você consegue!

Sorri e agradeci a Deus pelos incríveis amigos que me rodeavam.

Após nos levarem até a recepção, aguardamos cerca de 10 minutos até nos chamarem.

— Alice Fachinne? — uma mulher alta me chamou com alguns papéis nas mãos.

— Isso! — respondi me levantando em um sobressalto.

— Boa tarde! Me chamo Havena e sou a jornalista que irá entrevistar vocês. — ela disse me dando um beijo no rosto, retribui.

Acompanhamos Havena até um dos inúmeros estúdios daquele imenso corredor. Nik encarava tudo maravilhado, assim como eu.

— Fiquem à vontade, esse será o estúdio em que faremos a sessão de fotos, os garotos da banda já estão aqui, volto em um minuto. — dito isso e Havena fechou a porta atrás de nós.

— É agora que conheço o Luke? — Nik disse nervoso enquanto apertava sua câmera, sorri.

Depois de todos os cumprimentos e apresentações necessárias, era hora da sessão de fotos, a entrevista seria após isso.

— Alice, você poderá se trocar no camarim à esquerda. — disse Pablo, o fotógrafo.

Nik trocava experiências com Pablo e eu o admirava porque sabia que isso contaria muito em seu currículo.

— Tudo bem. — digo para mim mesma já dentro do ambiente.

No camarim estavam três mulheres, assim que me virem vieram me cumprimentar, uma era cabeleireira, a outra maquiadora e a última figurinista.

— Começaremos pelo cabelo, maquiagem e por último o figurino. — uma delas disse.

Assenti. Eu estava tão nervosa, por mais que estivesse segura em relação a entrevista — pois sei que fora combinado não tocar em assuntos que não fosse eu como atriz ou amiga da família — algo sempre insistia em dizer que eu não era capaz para aquelas fotos.

Relaxei na cadeira onde lavaram meus cabelos, eles estavam limpos, pois os lavei não faz duas horas, mas tudo bem, tudo por uma boa causa. Alisaram meu cabelo ainda mais e em seguida a moça puxou os fios da frente e os prendeu com um top preto na parte de trás. A maquiagem era leve e agradeci por isso.

— Vamos seguir o tema do clipe que é o colegial, costurei dois figurinos para você, o primeiro será para as fotos com os meninos, as fotos em grupo. — ela disse puxando de uma das araras um cabide com os dizeres “look 1”.

O “look 1” era composto por uma blusa amarela curta, saia colegial vermelha de cintura alta, meia arrastão e um All Star preto de cano longo. Não fugiria nada com o tema do videoclipe e isso era incrível.

Me vesti ali mesmo onde a figurinista ajeitada as últimas medidas em meu corpo, eu me sentia bonita e isso me causava sensações diferentes.

Existe uma grande diferença em você ser bonita e as pessoas também acharem isso e em você ser bonita, as pessoas também acharem isso, mas você não se sentir assim.

— Pronto, querida. — ela disse alisando a saia em meu corpo.

Voltamos ao estúdio onde os meninos já estavam caracterizados de acordo, era engraçado estarmos naquela situação novamente, foi como se eu estivesse revivendo as gravações.

— Pronta? — Calum disse afagando meus ombros ao se aproximar. Assenti.

Nos guiou até um canto onde uma mini sala de aula estava montada, com direito até a quadro negro. Não sei porque ainda me assustava com isso, esse estúdio é enorme e não deve ser o maior desse prédio.

— Respire! — Ashton disse seguido de um sorriso reconfortante. — As primeiras vezes são assim mesmo, é só o começo. — afirmou piscando.

— Deus te ouça! — ri nasalado.

— Certo! — Pablo falou em um tom calmo. — Alice, você pode sentar em uma das mesas da ponta. — ele disse e então concordei. — Luke, você se senta na mesa ao lado e a mensagem que quero passar nessas fotos é de que você tenta tocá-la, mas seus amigos… — apontou para os garotos. — estarão do outro lado da mesa, em pé, o segurando pelo braço, camisa e até gravata, queremos passar algo cômico para o público-alvo da revista, assim como foi com o clipe.

Olhei nervosa para Nik que ouvia as explicações do fotógrafo como se fosse um mantra. Fechei os olhos respirando fundo, o mundo me veria, mais uma vez. Eu não sei se estava preparada para o mundo, suava frio na hipótese de outra imagem negativa. O mundo concordaria em me receber tão bem?

Concordância.

A palavra me levou imediatamente há alguns dias atrás quando finalmente Thereza conseguiu contato comigo e automaticamente minha mãe também.

— Não concordo com nada disso, Alice! Você não saiu debaixo das minhas asas para virar destaque de notícia mundial! — exasperou visivelmente alterada. — Ou você volta, ou darei carta branca para te deportar!

Gelei. Ela não poderia fazer isso comigo!

— Mãe, a senhora não pode fazer isso comigo! — falei em um sussurro quase inaudível. Anabel estava comigo no quarto e fazia cara feia para cada palavra em português que eu pronunciava. Senão fosse trágico, seria cômico. — Eu sei que no momento as coisas não estão saindo como o planejado, mas eu aprendi tanto aqui… As pessoas me ensinaram tanto, mãe. Eu sou uma pessoa melhor, sei que cometi alguns erros e que esses mesmos erros me levaram a essa imagem negativa, eu me sinto muito mal com isso tudo, foi a minha vida contada em revistas virtuais, físicas e sites de fofoca…

— Não me matei sozinha para criar você e ter que lidar com comentários maldosos. Quem sabe que você é minha filha não sabe falar de outra coisa comigo, Tereza me liga todos os dias, não tolera nem meus plantões no hospital para me cobrar sua volta. — ela disse tentando se acalmar. — E é o que eu quero, Alice. Você vai voltar, essa família não foi uma boa escolha.

— Mãe… — embarguei sentindo as lágrimas grossas tomarem meu rosto. — Kim irá pagar a multa da rescisão contratual, ela está me dando um apoio enorme, assim como suas irmãs, mãe, amigos.. Anabel.

— Você fala muito dessa Anabel. — ela disse chorosa.

O sentimentalismo eu havia herdado de minha mãe e sabia que se ela pudesse entender, se eu tivesse a chance de lhe contar tudo e provar que por mais que as coisas estivessem assim, era aqui que eu queria ficar, ela poderia me deixar, poderia me dar autorização para a entrada de um visto permanente.

— Ela me lembra muito você…. — disse sincera. — Queria que pudesse conhecê-la e veria que estou em boas mãos, ótimas mãos, mãe…

— Alice. — ela disse firme.

— Por favor… — supliquei.

— Você volta! — endureceu a voz onde perdi totalmente minhas esperanças.

— Não tire isso de mim, não tire minha felicidade…

— Felicidade? Você está feliz sendo falada desse jeito por aí? Está feliz em saber que sua mãe está sendo até mesmo maltratada, ou que querem se aproximar de mim por conta do que minha filha se tornou?

— Não precisamos deles! — afirmei. — A senhora sabe, sempre fomos nós duas para tudo. — a ligação silenciou em um breve momento onde podíamos ouvir apenas nossas respirações — Se você me deixar provar de que aqui é o meu lugar e compreender isso… Você me deixa ficar?

— Não é o certo para a Cultural Care. — ela disse.

— Mas é o certo para mim, mãe. A agência será ressarcida, Kim me garantiu. — pausei. — Meu aniversário está chegando e nunca passei um longe da senhora… Minha primeira premiação será logo após… Consegue imaginar como me sinto?

— Alice? — respirei fundo enquanto fungava, ela não voltaria atrás com a sua palavra. Deixei o choro tomar conta de mim, um choro barulhento, doloroso. — Não concordo com nada disso, mas se é o que quer para a sua vida… Avise Anabel que quero conhecê-la. — ela disse me paralisando. — Chego em duas semanas.

Então era isso, minha mãe daria a chance de mostrar a ela que aqui era o meu lugar, caso o contrário eu voltaria com ela sem remediar, esse era o acordo. Eu agradecia a Deus todos os dias pelas pequenas provações que eu estava passando, ali eu conseguia enxergar quem realmente me queria bem e depositava sua confiança em mim.

— Alice? — Luke estalou os dedos próximo ao meu rosto. — Vamos?

Minha primeira sessão de fotos estava oficialmente acontecendo. Tiramos as fotos com as poses devidas e em minha cabeça só se passava o resultado das mesmas. Nik prestava muita atenção nos cliques e ora ou outra recebia dicas de Pablo.

— Pausa para o lanche e após isso teremos as fotos individuais! — disse Pablo.

Segui em direção a mesa recheada de coisas boas onde me servi de suco.

— Continua nervosa? — Nik questionou parando ao meu lado com sua câmera pendurada no pescoço.

— Pouco. — ri fraco.

Voltei para o camarim vestindo o “look 2” e ele era um charme. Composto por um top azul escuro amarrado em um laço médio, saia preta em tecido pregado até metade das coxas, meia preta até os joelhos e outro All Star cano longo. Os últimos ajustes foram feitos, me senti envergonhada com o top, pois o mesmo deixaram meus seios volumosos, eu não tinha pouco, mas também não tinha o tanto que estava aparentando. Minha maquiagem e cabelo foram retocados para a segunda sessão. Ela seria individual e ao ar livre, na parte de trás do prédio.

Como os meninos tinham agenda para cumprir, iriam fotografar primeiro, nós daríamos a entrevista e eu seria fotografada por último. O céu já estava escuro denunciando o começo da noite, Michael era o último dos garotos a ser fotografado.

— Ótimo! — Pablo anunciou. — Façam a entrevista e Alice retoma comigo.

Seis cadeiras estavam na grama onde Havena nos esperava com um sorriso convidativo. Para meu alívio e alegria a matéria toda foi em cima do novo álbum dos meninos, da carreira e do clipe. Eles me elogiaram muito e falaram que comigo atuando se sentiram mais à vontade. Contamos como o clipe foi produzido e se estávamos ansiosos para o VMA.

— Muito! — respondeu Luke. — Será mais um marco em nossa carreira, tenho certeza!

Havena assentiu com seu gravador em mãos.

— Vocês são uma rara exceção em que um clipe recém lançado entra para a premiação no mesmo ano. Estão concorrendo como Melhor Direção, Melhor Video Pop até porque a música e o clipe possuem essa pegada, —  Havena ressaltou. — Melhor Direção Artística e na rara exceção que eu falei a pouco como Vídeo Do Ano! Ao meu ver só essa última indicação desbanca todas as outras!

— É uma benção, realmente. — respondeu Calum. — Devemos isso imensamente a Deus, a nossa equipe maravilhosa e a todos que confiam em nosso trabalho.

— Esqueci de ressaltar aqui que além de todas as indicações que receberam com Little Bad Girl, She’s Kinda Hot concorre como Canção do Verão. — acrescentou Havena.

— Só bençãos. — disse Michael onde concordamos.

Ela era bem dinâmica o que me deixou mais confortável para as perguntas.

— E você, Alice? Sua atuação foi considerada brilhante para uma primeira vez. Você acha que se esforçou para mostrar ao mundo seu potencial?

Respirei fundo mordendo meu lábio inferior e pensando em uma resposta plausível àquela pergunta.

— Acho que meu foco principal foi mostrar para as pessoas que depositaram em minha sua total confiança de que eu era capaz de fazer aquilo e espero ter conseguido. — sorri tímida.

— Tenho certeza que sim! — Ashton disse nos fazendo rir.

— Fora a profissão de atriz, você pensa em algo diferente? Modelo, talvez? — perguntou.

— Eu nunca digo nunca, mas está fora de cogitação. — ri. — Não possuo espírito e estrutura para isso.

— Mas você se saiu muito bem nas fotos! — um dos garotos disse.

— Eu tento. — rimos e depois de algumas perguntas encerramos a entrevista.

Havena agradeceu imensamente e em seguida me despedi dos meninos. Nik abraçou Luke tempo demais deixando o mesmo constrangido, ri pelo nariz.

Minhas fotos foram tiradas em um balanço de madeira. eu já estava um pouco mais relaxada. Pablo disse que cinco fotos eram suficientes. Apenas uma seria escolhida, a revista teria uma foto individual de cada um, eu por exemplo teria uma página apenas com a minha foto, foto essa que seria escolhida por Pablo.

Minha maquiagem foi removida, me vesti com a roupa que vim e pedi para a cabeleireira fazer um coque em meu cabelo.

— Nossa, estou exausta! —  afirmei jogando minha mochila no ombro direito.

— Day e Adam já devem estar chegando. —  Nik disse me abraçando lateralmente enquanto seguíamos para a saída. — Você foi muito bem, bichinho. — elogiou beijando o topo de minha cabeça.

O carro de Dayane estacionou em seguida, Adam dirigia e ela desceu do carona para que Nik tomasse o lugar, assim a mesma sentaria comigo nos bancos traseiros.

Contei com animação como foi o dia, Nik me ajudava a contar os detalhes que eu esquecia de vez em quando. Ontem combinamos de que passaríamos a noite na casa de Day, assistiriamos filme, comeríamos até explodir e dançariamos uns com os outros até cansarmos. Era desse aconchego que eu gostava. Leticia e Bianca também iriam.

Em falar em Bianca, a mesma estava empenhada no teatro e em nossos encontros gostava de repassar a fala comigo. Bom, depois de minha suspensão, eu fui retirada definitivamente do teatro. Eu sobreviveria.

— Seu aniversário é dia 17, terça-feira que vem. — Day disse mexendo em seu celular. — O que vamos fazer para comemorar?

O debate havia começado e não entramos em comum acordo com nenhuma das opções que eram expostas, então o assunto seria retomado mais tarde ou próximo ao aniversário. Eu faria dezessete anos e já me sentia adulta, não era maior de idade nem aqui e nem no Brasil, era criança aos olhos de muitos e eu os entendia, eu era completamente precoce.

— Ah, comprei isso para você. Meus parabéns pelo primeiro ensaio. — dito isso e Nik me entregou um pequeno estojo de óculos.

— Não acredito! — ri retirando o pequeno óculos do estojo, o óculos era semelhante a um de grau, sua armação era preta e sua lente incolor.

— Obviamente não é de grau, mas desde que conheci você a imaginei com algo do tipo, ainda mais com esse coque que você está usando. — respondeu.

— Como estou? — perguntei a eles assim que coloquei o adereço.

— Mais bonita que seu normal. — Day disse. — Faça uma pose. — pediu mirando seu celular em mim, mostrei língua para a mesma e fiz um sinal de V com os dedos.

Estávamos cantando Ed Sheeran até onde nossas cordas vocais aguentavam, senti algo vibrar em minha bolsa acima de minhas coxas, procurei pelo objeto constatando o óbvio, era meu celular.

Onde você está? Estão procurando por você! Kendall.

Senti meu sangue gelar. Haviam algumas ligações perdidas também, não só de Kendall.

Queridinha, não se atrase!! Hailey

Você não virá? É uma pena, ele estava ansioso pela presença de todos… Hailey

— O coquetel. —  disse em um sussurro inaudível encarando o banco a frente.

— O que disse? —  Day perguntou ao meu lado.

— O COQUETEL! — gritei. —  Eu me esqueci completamente do coquetel, meu Deus!

— Ele entenderá. — Adam disse desligando o som.

— Não! Eu preciso ir! —  falei mexendo em minha bolsa a procura do convite. — Cadê o convite? —  exasperei nervosa. Retirei o pouco que havia dentro da mochila, cartão, chaves de casa e carregador do celular.

— Onde será mesmo? —  perguntou Adam enquanto parava em um sinal vermelho.

— Hammer. —  respondi forçando a memória. — Hammer Museum!

Adam digitou o nome no GPS e disse em seguida:

— Então é para lá que vamos.

O carro estacionou meia hora depois e saltei assim que vi a entrada. O museu era gigante, não haviam fotógrafos na rua já que era um evento secreto, mas sim uma pequena aglomeração de mulheres muito bem vestidas que atacavam um homem de terno na entrada do museu. Esse homem segurava uma lista e ao seu lado diversos seguranças o protegiam.

— Não, seu nome não está na lista. — ele disse desdenhando a mulher que lhe implorava passagem.

A multidão estava impiedosa, Day segurava meu pulso, Adam segurava o dela e Nik o dele fazendo assim nossa corrente humana. Avancei de encontro ao responsável pela lista.

— Alice Fachinne! — gritei tentando me aproximar mais, mas ora ou outra era empurrada pelas diversas mulheres que além de mal educadas pisavam em meus pés.

Ele encarou a lista, me olhou dos pés a cabeça e disse:

— Seu convite? — disse acenando com os dedos para que eu entregasse.

— Eu não trouxe! — respondi. — Eu esqueci, mas meu nome está aí, posso entrar! — supliquei.

— Sem nome na lista e convite em mãos não entra. — falou me empurrando para o lado para que uma próxima pessoa chegasse até ele.

— Eu vou entrar sim! — afirmei o empurrando, porém senti meus braços serem agarrados, era um dos seguranças.

— Sem nome na lista e convite não entra! — disse grosseiro me fazendo fuzilá-lo.

Eu era uma mosca perto dele.

— Essa aí deve ser alguma fã que ele prometeu entrada, mas esqueceu de enviar o convite. — o magrelo da lista disse rindo.

Bufei pronta para chutá-lo, mas para minha sorte cruzei o olhar com um homem conhecido que saia para a rua com um copo de bebida nas mãos.

— MAEJOR! — gritei e o mesmo procurou a dona da voz na multidão.

— Oi gracinha! — disse risonho ao se aproximar.

Maejor estava por detrás da horda de seguranças que impediam a entrada, ele me encarava por cima dos ombros dos brutamontes.

— Preciso de ajuda. — supliquei tentando soltar meu braço das mãos do segurança.

— Ei, solte-a! — mandou — O que aconteceu?

— Estava em uma sessão de fotos, esqueci o convite em cima da cama, me ajude! — supliquei sendo empurrada incansavelmente pelas mulheres famintas por atenção.

Maejor bateu no ombro do segurança que me segurava e o apertou em seguida pedindo minha passagem, mas  o mesmo negou em um aceno.

— Tudo certo, irmão, ela está comigo. — disse me puxando ao seu encontro.

— Ordens são ordens, senhor. — o homem disse me puxando de volta.

Eu já estava esgotando minha paciência, não era um brinquedo.

— Você está trancando a passagem da garota do chefe, esqueça suas ordens. — Maejor disse firme e segurei minha respiração ao ouvir aquilo.

O homem me analisou de cima a baixo, sei que não estava  apresentável, mas não precisava me encarar assim! Ele cedeu passagem e assim que cruzei seu corpo, meu pulso foi projetado para atrás, era Day que estava trancada  dessa vez..

— Eles estão comigo. — sussurrei para Maejor.

— Libera. — mandou dando um longo gole em sua bebida.

O homem não gostou nenhum pouco de ser contrariado na frente dos demais. Estalei a língua no céu da boca vitoriosa.

Maejor passou o braço esquerdo ao redor do meu corpo enquanto nos conduzia para a entrada do museu.

— Achei que não fosse vir. — ele disse ao notar Day. — Quem é a gatinha?

— A gatinha está ouvindo isso. — ela disse irritada.

— É dessas que eu gosto. — riu chegando perto de Day.

A garota ficou na rua conversando com Maejor, no fundo ela estava se divertindo com a situação, tanto que me mandou uma piscada de olho quando olhei para atrás.

Nik e Adam estavam ao meu lado, entramos no museu e tudo o que eu via era lindo. Fotos de Justin estavam expostas nas paredes de gesso. Em cada parede uma tv de tela plana estava fixada e junto com ela um fone de ouvidos grande. Acima da televisão o nome da respectiva música que tocava nos fones era anunciada. A primeira que vi se chama “What Do You Mean”, essa música já estava lançada a algum tempo, mesmo assim algumas pessoas faziam fila para escutá-la novamente. A letra da música era reproduzida na tela da tv.

Garçons passavam frenéticos por nós, alguns com taças de champagne, outros com petiscos. Me senti um patinho feio assim que bati os olhos nos convidados, todos devidamente trajados, mulheres com vestidos longos com fenda nas pernas, homens engravatados, e eu? Calça escura rasgada, tênis e casaco jeans, fora meu coque que no tumulto desajeitou. As mangas do casaco estavam caídas em meus cotovelos, deixando meus ombros a mostra.

Eu estava do jeito que o diabo gosta.

— Gente, que babado! — Nik disse ao meu lado. — Estou me mijando! Volto já! — ele disse seguindo um garçom que passou na hora.

Caminhei devagar até o centro do museu onde procurava Justin, Hailey, Kendall e Kylie com o olhar, não os encontrei.

No Sense.

The Feeling.

Love Yourself.

Life Is Worth Living.

Eram alguns dos títulos de música que lia acima dos televisores. Ansiava por ouvir todas elas. Caminhei lentamente até o espaço onde um dos títulos me prendeu.

Company.

Respirei fundo massageando minhas têmporas, o nervosismo era evidente em mim, minhas mãos suavam.

— Se tiver com medo de comprometer sua audição eu posso ouvir primeiro! — disse Adam risonho me fazendo dar um leve soco em seu ombro. — Você que sabe, eu tentei! — disse convencido.

Me aproximei da tela onde uma mulher já ouvia, assim que terminou se encaminhou ao televisor ao lado, agradeci. Coloquei o grande fone nos ouvidos e apertei o play no touch da tela média. Os primeiros acordes começaram e me vi tremendo dos pés a cabeça. A letra foi projetada a minha frente e eu acompanhava tudo com maestria, mas a verdade é que tudo remetia ao dia em que ele cantou um pequeno trecho para mim.

"O que nos tornamos?

Nós podemos continuar sendo a companhia um do outro

Talvez nós, podemos, ser a companhia um do outro."

Engoli a seco voltando a massagear minhas têmporas, espiei Adam por cima dos ombros e o mesmo coçava a cabeça falando ao telefone.

"Nós podemos continuar subindo

Oh, não perca isso em nós

Apenas quero ter uma conversa

Esqueça sobre as obrigações

Talvez nós podemos continuar mantendo contato

Oh isso não é fazer muita coisa."

Retirei em um sobressalto o fone e dei dois passos para trás me batendo com Adam que me encarou carrancudo. Respirei fundo guardando as mãos nos bolsos traseiros da calça, eu estava hiperventilando.

Em que momento da minha vida imaginaria ter uma música para mim? Nem em meus melhores sonhos, ainda mais vindo de Justin.

Dei alguns passos em direção a um garçom, mas fui pega de surpresa por alguém que me chamava a alguns metros a frente.

— Alice? — ouvi-lo pronunciar meu nome me causava sensações tão profundas.

Justin estava a alguns metros segurando um copo de uísque, sua mão direita estava no bolso da frente de sua calça social, ele vestia uma camisa social cinza com alguns botões abertos em seu peito. Justin se aproximou calmamente com um semblante aliviado. Largou seu copo na primeira bandeja que cruzou seu caminho e parou a alguns passos.

— Achei que não fosse vir. — ele disse analisando meu rosto.

Eu estava em transe enquanto o encarava, ao ouvir sua voz,senti que meus olhos marejaram, então os cocei rapidamente.

— Desculpe o atraso, não consegui nem me arrumar de acordo. — falei parando a centímetros dele. — Eu estou muito orgulhosa, Justin.

Justin não sorriu, apenas me puxou pelos cotovelos onde me abraçou fortemente. Me deixei levar pelo momento o abraçando em comum acordo. Passei meus braços ao redor do seu pescoço onde escondi meu rosto em seu peito. Justin me pressionava contra si enterrando seu rosto em meu pescoço, seu lábios tocaram o lugar sensível de meu corpo me arrepiando totalmente.

Ele parecia não ligar com quem nos via, ele simplesmente parecia não ligar para nada.

Nosso abraço era caloroso, porém silencioso, regado de saudade excessiva e mágoas causadas por terceiros. Afaguei sua nuca com a ponta dos dedos, seu cheiro era inebriante, ele estava tão lindo. Justin me empurrou levemente desfazendo o abraço, suas mãos permaneciam em contato com minha cintura me deixando constrangida.

— Ainda assim você consegue ser a mais bonita desse lugar. — declarou em um tom firme.

— Até parece. — ri nasalado passando a mão pelos cabelos desgrenhados.

— Você chegou a ouvir alguma das músicas? — perguntou me puxando para uma das paredes, nos tirando do meio do caminho.

— Sim. — mordi meu lábio inferior praguejando por ter ouvido logo Company.

Justin encarava meus lábios fixamente e quando se deu por conta que eu havia notado, suspirou passando os dedos entre os cabelos.

— Qual? — sorriu.

— Company. — falei sentindo minhas bochechas ruborizarem.

— Você é mesmo encantadora, baby — disse alisando minha bochecha com o polegar.

Respirei fundo, como sempre Justin conseguia me desconcertar e ele ao menos se esforçava para isso.

— Ficou muito boa mesmo, não vejo a hora de ouvir as outras. — disse em um sorriso, encarei Justin que estava focado em algo atrás de minhas costas. — Justin? — perguntei seguindo seu olhar.

— O que aquele homem faz aqui dentro? Não lembro de tê-lo convidado. — ele disse em um tom firme e notei que se tratava de Adam.

Adam estava encostado na parede parando todos os garçons que passavam com petiscos, alguns até desviavam dele.

Ri.

— Ah, tudo bem. — relaxei. — Ele está comigo! — afirmei segura.

— Esse é o problema. — Justin respondeu seco cruzando o caminho até Adam.

— O-O que? — perguntei assustada o puxando pelo braço. — Ele está comigo, está tudo bem, Justin. — falei novamente no intuito que ele entendesse.

— É o garoto da festa? O cameraman? — perguntou se aproximando. Acho que nunca fiquei tão tensa em toda minha vida. Me senti um ratinho sendo xingada pelo gato, literalmente. — O que ele faz aqui, Alice? O convite era para você! — exasperou. — Convido pessoas selecionadas para estarem aqui dentro! Você acha que é qualquer um que merece?

Encolhi meus ombros o encarando. Ele estava sendo duro demais com Adam. Por que?

— Por que está fazendo isso? — perguntei cautelosa. Se ele já estava assim por conta de um amigo, imagina quando souber que Nik e Day também entraram? — Justin? — o chamei. — Confie em mim!

— Eu confio em você até demais, não confio é nele. — ergueu o queixo em direção a Adam que nem se dava conta do que se passava à sua volta.

— Certo, mas você não o conhece, ele é de minha confiança.

— Foda-se! — disse me encarando de cima. Nossa. Semicerrei os olhos para ele em busca de respostas para aquilo. — Mande-o embora, senão os seguranças mandarão! — ele disse encarando o segurança mais próximo.

— V-Você não faria isso… — respondi segura do que dizia, mas acontece que o Justin a minha frente estava transformado.

— Você quer pagar pra ver? — perguntou tocando meu queixo, onde o ergueu em direção ao seu rosto.

— Você não é assim. — sussurrei devidamente assustada.

Ele estava ciente que estava fora de seu normal, ele estava transformado.

— O que ele é seu? — perguntou prendendo meu queixo com os dedos, analisando minuciosamente meu rosto..

— Um amigo. — respondi cautelosa.

Justin riu nasalado, como se eu estivesse blefando. Largou meu queixo, pôs suas mãos no bolso da frente de sua calça social e encarou Adam.

— Eu também era. O que ele é seu? — voltou a perguntar, ainda mais firme que da primeira vez.

— Justin, você é bipolar? — perguntei irritada. — Você me puxa para perto para depois me empurrar? — completei nervosa. — Eu não estou entendendo o que está acontecendo aqui!

— Você está acontecendo aqui! — ele respondeu visivelmente nervoso, porém controlou sua voz ao se deparar com minha confusão. — Como ele conseguiu entrar?

É agora que eu conto que não só ele conseguiu, como mais duas pessoas também?

— Você viu como estou vestida? Acabei de sair da minha primeira entrevista e ainda para a Teen Vogue. — falei abraçando meu corpo com calma. — Eles me buscaram porque sabiam que era importante pra mim e… — fui interrompida.

— Eles? — perguntou  tensionando sua testa.

— E graças a isso que estou aqui e agora, não iria dar tempo e ainda por cima esqueci o convite em cima da cama! — ri fraco lembrando de minha entrada quase frustrada.

— Quem mais veio? — repetiu como se não tivesse absorvido nada do que eu estava falando.

— Isso é importante? — perguntei dando de ombros rodando o olhar a procura de alguém que me salvasse daquele pequeno transtorno de Justin.

— Claro, eles estão em um lugar onde não deveriam estar. — respondeu com um sorriso amargo nos lábios e aquilo me entristeceu muito.

— Eles são meus amigos, são pessoas como eu… — sibilei massageando as têmporas. — Sinto muito, não achei que isso fosse te ofender tanto.

— Mas ofende.

Justin estava sendo terrível! Nunca presenciei nada parecido com aquilo, como se seus olhos faiscassem de ódio… Mas, por que?

Engoli a seco o que ele acabara de falar. Se meus amigos que eram pessoas como eu incomodavam tanto Justin ali, minha presença não deveria ser grandes coisas também, não iria se importar.

— Sabe, você tem razão. — respondi encarando Adam que ria para Nik conversando com o garçom mais a frente.

Justin concordou veemente como se estivesse aliviado com minha dedução.

— Até que enfim você entendeu. — riu fraco. — Vamos, quero te mostrar o restante. — falou tocando meu ombro direito e descendo sua mão até minha cintura, me afastei.

— Não queremos estragar sua noite. — falei me distanciando do mesmo que agora me olhava com um semblante confuso. — Se a presença deles o ofende tanto, a minha deve causar o mesmo.

Dei dois passos para trás erguendo as mãos na altura dos ombros como se fizesse pouco caso, Justin tocou meu cotovelo e me puxou fortemente contra seu corpo, sua boca encostou levemente em meu ouvido me arrepiando dos pés a cabeça.

Eu me sentia cada vez mais atraída pelo garoto descontrolado em minha frente. Por mais que eu estivesse confusa quanto a tudo,  seu olhar era desafiador e excitante, não poderia negar.

— Preste bem atenção. — sussurrou ao mesmo tempo em que me pressionava mais em seu corpo, meu cotovelo devidamente amparado por sua mão firme. — Você…

— Tudo bem, acho que podemos parar por aqui. — Kendall disse me puxando o suficiente para Justin me soltar. — Estão procurando você. — ela disse séria apontando para um grupo de homens que nos encarava chamando por ele.

Justin não disse nada, apenas se retirou.

— O que aconteceu aqui? — perguntamos em uníssono.

— Eu que pergunto! — disse rindo. — Sorte que não foi muito notável.

— Kendall, ele está irredutível! — sibilei caminhando ao seu lado em meio ao corredor largo. — Ele era um Justin quando me viu e outro quando viu Adam! — sussurrei desviando de algumas pessoas que faziam fila para ouvir certas músicas.

— Sério? — perguntou como se absorvesse a informação. — Me conte mais. — disse parando em frente ao grupo formado de Kylie, Hailey, Matt, Tyga, Madison,  Za e Twist.

Os cumprimentei um por um, parando novamente em Kendall.

— Ele disse algo como se estivesse incomodado com as pessoas que vieram comigo. — sussurrei para ela, agora prendendo a atenção das garotas da roda.

Hailey me encarou com reprovação.

— Que roupa é essa? — perguntou me estudando dos pés à cabeça. — Foi isso que te ensinei?

— Hailey? — era a vez de Kendall questionar. — Parece que Justin está furioso com a Ally.

— É mesmo? E por que? — riu fraco apertando minhas bochechas.

— Eu não sei exatamente. — respondi sincera desvencilhando suas mãos de meu rosto, onde a mesma me mostrou a língua.

— Não seja boba, ele deve estar nervoso com o lançamento amanhã! — Hailey exasperou me abraçando lateralmente.

— Kendall?! — a chamei nervosa.

— Talvez ele esteja apenas nervoso com o coquetel. — cochichou.

— Ele me disse que tiveram que alterar o CD na última hora porque ele incluiu novas músicas. — Hailey completou.

Justin incluiu músicas novas em cima da hora?

— Ele descartou alguma? — perguntei procurando o mesmo entre as pessoas.

— O que Justin mais sabe fazer é descartar músicas, — disse risonha. — mas, parece que as retiradas foram incluídas na versão deluxe. — a loira respondeu.

Assenti massageando a lateral de meus olhos.

— Você veio sozinha? — questionou Kylie abraçada em Tyga.

— Não, Dayane, Adam e Nikolas vieram comigo. — respondi nervosa com a resposta.

— Adam, o moreno lindo da festa? — Hailey me cutucou e me puxou para fora da rodinha.

— Ele tem noiva! — ri fraco fazendo a mesma revirar os olhos. — Hailey, você não pensa em ir e ficar lá, não é?

— O que tem demais? Já que ele está aqui, me apresente! — respondeu maliciosa encarando-nos.

— Se Justin ver vocês ao redor de meus amigos, acho que ele surta! — falei nervosa. — Ele ficou nervoso só de ver Adam.

— Adam com você? Foi tão estranho assim? — Kendall disse e me pareceu pensativa. Seus olhares ora ou outra encontravam os de Hailey e Kylie e sentia que elas conversavam entre elas apenas com o olhar.

— Você conheceu Justin ontem, Kendall? — perguntou Hailey a fitando, elas se olharam como se estivessem conversando por códigos.

— O que vocês estão escondendo? — perguntei aflita encarando as pessoas.

— Nada. — responderam em uníssono me deixando mais desconfiada.

As duas se encararam por uma última vez até chegarmos onde Adam estava.

— Adam! — exaltei onde o mesmo sorriu em resposta — Essas são Hailey, Kendall e Kylie.

Adam se ajeitou rapidamente quando as anunciei, o mesmo cumprimentou as garotos completamente sem jeito.

— Onde está Nik e Day? — perguntei procurando por eles em um breve olhar.

— Dayane ainda não veio e Nikolas corre atrás de todo garçom que passa. — respondeu em um sorriso.

— Já pode me explicar o porquê dessa roupa. — Hailey perguntou me fuzilando, seus olhos se pudessem lançar laser sobre mim, lançariam.

— Tive um imprevisto…

E assim contei tudo, desde a hora que acordei, até o momento de estar falando com elas. Adam foi ao banheiro e nesse meio tempo contei o que havia acontecido com Justin. Elas não falavam nada, apenas estudavam o que era dito. Ou elas estavam tentando absorver tudo e ligar a algo ou simplesmente não entendiam mesmo.

— Que estranho… — disse Kylie se pronunciando pela primeira vez. — Talvez ele esteja com ciú…

— Cansado, ele deve estar cansado. — Kendall disse cortando a frase de Kylie, mas eu havia entendido.

Ciúmes de mim? Com quem?

— Nossa, o banheiro estava um pouco cheio! — Adam riu coçando a nuca ao se aproximar.

O encarei. Adam era bonito? Sem dúvida alguma. Inclusive Hailey o notou na festa, seria um mentirosa enorme dizer que ele não era atraente — claro que depois que disse que tinha uma noiva tudo se foi por água abaixo, mas eu ainda era ciente de seus dons. — Olhei mais uma vez para ele, até o mesmo me olhar também. Não existia malícia ali e isso era o que mais me encantava em meu amigo.

Justin estava com ciúmes de Adam mesmo? Não conseguia acreditar em Justin sentindo ciúme por causa de mim, era quase que surreal, não sei se eu estava a altura de tal gesto, talvez eu esteja sonhando demais.

— Alice? — ouvi alguém me chamar.

Eu estava tão estagnada em Adam que não olhei para o lado para ver quem me chamava, apenas pensava se Justin realmente gostava de mim ao ponto de sentir ciúme ou era apenas um de seus caprichos.

— Porra, você pode parar de encarar esse garoto e prestar atenção em mim? — aquela voz.

Procurei rapidamente e Justin estava à nossa frente, seu rosto estava vermelho devido a sua voz exaltada a pouco tempo. As garotas encaravam tudo apavoradas, eu tive vontade de me enterrar.

— Desculpe! O que estava dizendo? — respondi na maior cara de pau.

— Me dêem licença. — respondeu. — Você pode vir comigo? Se não estiver muito ocupada. — disse encarando Adam dos pés a cabeça.

O que estava acontecendo aqui? Eu suava frio e por mais que parecesse nítido demais, meu subconsciente não me deixava pensar em tal ilusão desse tamanho e nessa gravidade.

Dei um breve aceno para o pequeno grupo que eu fazia parte, mas não antes de encarar as meninas e deixar claro em meu semblante que eu estava completamente confusa com o que estava acontecendo naquele coquetel.

Parei ao seu lado, onde o mesmo depositou a palma da mão direita em minhas costas. Paramos em frente a o televisor da música “Mark My Words”. Não ouvimos a música, apenas encaramos as pessoas que ali ouviam.

— Por que você me deixa tão nervoso? — sussurrou para si mesmo, mas foi o bastante para que eu ouvisse.

— Você está nervoso? É o coquetel? O lançamento? — perguntei apreensiva.

Justin retirou a mão de minhas costas e a pousou em minha cintura, onde apertou e em um puxão me colou lateralmente em seu corpo. Levou seu rosto ao meus cabelos, onde o cheirou e outro aperto foi sentido em minha cintura.

Ele estava mexendo comigo mais que o normal e parecia que estava piorando agora, logo após lhe contar que eu era apaixonada por ele. Fazia por querer? Fazia porque sabia do que era capaz?

— O que está acontecendo? — ri nervosa. — Você está… Uh.. — ponderei. — super protetor comigo.

Ele riu nasalado e descansou sua bochecha  em meus cabelos.

— Senti saudades, apenas isso. — respondeu simplesmente.

Eu sentia tudo, sentia a famosa tensão que Bianca me disse um dia, eu sentia tudo isso, mas e ele?

— Eu precisava tirá-la de lá e também sair daquela imensidão de tensão instalada. — confessou — Você não consegue sentir? Vocês dois no mesmo ambiente é sufocante!

Suspirei pesadamente enquanto o silêncio estava instalado ali, mesmo que as letras de Mark My Words preenchesse a tela do televisor eu não conseguia me concentrar.

— Boa, Justin! — disse um homem que se aproximava, ele estava acompanhado de Scooter e mais três.

Justin se virou, onde nos deixou de frente para o pequeno grupo masculino. Me senti desconfortável devido a situação que me encontrava com Justin ali. Toquei sua mão em minha cintura no intuito de me soltar e o deixar conversando com os homens, mas Justin assim que sentiu meu toque apertou ainda mais o local sensível de meu corpo me imobilizando.

Ele conversava normalmente com os homens ali, eles riam, Scooter explicava o quão trabalhoso foi a produção e assim por diante.

— Todos os CD’s são únicos para mim, você sabe. — Justin disse a um dos homens que assentiu. — Mas, esse álbum de longe é um dos mais importantes e puros para mim. — o fitei maravilhada e orgulhosa com o garoto ao meu lado. — Eu me agarrei muito à Deus e em suas palavras de conforto, superação e amor.

Quem diria… O Justin do começo da noite havia se tornado um anjo agora. Será que era bipolar ou minhas teses de ciúmes estavam se confirmando? No entanto, era prazeroso ouvi-lo falar de Deus com tanta convicção. Eu era preenchida por orgulho atrás de orgulho, estava quase transbordando por amor a ele.

Então, eu ainda me sentia envergonhada ali, os homens muito bem vestidos e eu parecendo que estava na escola. Puff.

— … eu me encontrei tanto! Nós não somos nosso passado! — ele disse continuando seu pequeno discurso particular. — E eu quero muito construir um futuro fazendo as coisas certas, eu sei que as pessoas nos julgam por qualquer passo que damos, mas eu não quero mais lidar com a negatividade de ninguém, eu quero ser positivo e eu quero as pessoas certas ao meu lado, você consegue entender?

— Justin, meu garoto. — um dos homens sorriu apertando seu ombro desocupado. — Você dá orgulho a todos que te amam, você é uma ótima pessoa, está se encontrando.

— Esse ano têm sido um dos mais fortes para mim como artista, mas como pessoa é algo indescritível, quero dar orgulho não só as pessoas que me amam, mas às que eu amo também.

Dito isso o garoto me apertou mais contra si, como se dissesse: “Você faz parte”.

Gelei.

A pergunta que não saia de minha cabeça era a seguinte:

Eu faço parte de algo em sua vida? E se faço, onde Justin havia me incluído? De qual tipo de amor ele se referia?

— O amor muda às pessoas. — um dos homens disse. — Não reprima seu amor à elas.

— Eu não vou, a pouco tempo tomei conhecimento disso. — ele respondeu.

Scooter parou seu olhar em mim, e mesmo que minha consciência me dissesse que não passava de uma ilusão, eu sentia no fundo que os amigos mais próximos de Justin sabiam o que se passava em sua mente.

Se ele me considerava tão especial assim, por que sou a única que não entendia o que estava acontecendo?

Kendall, Kylie e Hailey trocando olhares. Scooter me ruborizando ao me estudar…

A mente afirmava de que eu não devia me iludir assim, mas meu coração? Em meu coração tudo o que podia se ouvir era de que eu finalmente estava causando certo impacto em sua vida.

— Acha que eu devo tentar? — perguntei em um sorriso cauteloso.

— Acho que deve deixar fluir, percebemos que ele não consegue ficar longe por muito tempo, é como se lutasse contra algo dentro dele, mas por favor, não se iluda tanto, não quero que sofra.

— Eu estou tão feliz, com tudo o que está acontecendo. Agora as coisas estão mais surreais que antes.

— Ele está tentando se afastar, isso se chama cérebro — Bia disse — Mas, algo o chama de volta, isso se chama coração.


Notas Finais


Look 1 e 2 para TeenVogue: https://www.polyvore.com/teen_vogue/set?id=226512971
Roupa da Alice: https://www.polyvore.com/cgi/set?id=226679127

Próximo capítulo teremos diversas coisas, mãe da Alice em LA, aniversário de 17 anos, a premiação... Segurem seus forninhos.

Links que podem me achar:
tt: @bieberosses
cc: https://curiouscat.me/bieberosses

até a próxima meus bichos!!

O que acharam?? me contem tudinho.


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