História Awaked - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Romance
Exibições 8
Palavras 2.388
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - O Encontro


Fanfic / Fanfiction Awaked - Capítulo 1 - O Encontro

Eu realmente estava cansado, também pudera, já havia dado plantão a noite passada, mais o dia inteiro de hoje e agora já estava perto das 23:00 horas. Mas o que eu poderia fazer? Eu preferia trabalhar incansavelmente a ter que voltar para casa e suportar aquele silêncio infernal, que mais parecia querer rasgar os meus tímpanos de tanto que gritava. E o pior de tudo é que eu tinha que suportar tudo sozinho, pois não queria demonstrar o quanto eu já estava esgotando a minha paciência comigo mesmo, pois a maioria do tempo eu me sentia um idiota por não conseguir manter um relacionamento amoroso por mais de duas semanas. Meus olhos davam claros sinais de cansaço, isso sem falar na aparente dor de cabeça que eu estava sentindo. “Mas tudo bem, eu estou legal”. Era o que eu tentava dizer para mim mesmo, mas parece que apesar de eu já estar me convencendo disso, tinha alguém me observando há um bom tempo, alguém a quem eu realmente não conseguia enganar.
— Não acha que já deu por hoje? — Realmente não consigo enganar a Amy, pensei.
— Só vou dar uma olhada em alguns pacientes e vou tentar descansar por uma meia hora no meu consultório. 
— Nada disso, Matt. Você está aqui há mais de 24 horas. Já se esqueceu de que ainda é um ser humano? — Ela disse “ainda” com um ar de deboche. Mas como assim “ainda”? Sinceramente não entendi muito bem, mas nem ousei questioná-la por medo da resposta.
— Eu estou bem. 
— Estou vendo. — Amy falou num tom de deboche.
— Eu estou bem, Amy, de verdade.
Já estava começando a pensar no que fazer para convencer a Amy de que eu estava bem, mas então fui salvo por um cara com o nariz quebrado, o qual deveria estar muito bêbado, pois nem se quer conseguia falar. Provavelmente tinha sido alguma briga. Me perguntei se poderia ter sido alguém que se engraçou com a mulher dele. Mas, por outro lado, qual mulher namoraria aquele cara? 
— Olha só, por agora você escapa, mas espero não te encontrar mais por aqui quando eu consertar o nariz daquele tio. — Nem preciso dizer que a Amy disse isso na maior gargalhada. Às vezes imaginava a Amy rindo no próprio velório, porque ela realmente achava graça em tudo.
— Só vou olhar os pacientes, certo? Depois disso prometo que vou tirar um cochilo em meu consultório.
— Nada disso. Você vai para casa. — Ela disse isso e deu de ombros, finalmente foi atender ao bêbado brigão que não tinha mulher. 
— Tente se preocupar apenas com o nariz do tio. Ele já é feio demais, não merece um nariz tortinho. — Amy já estava de costas, mas sei que continuava a sorrir.

Como eu tinha dito a Amy, fui ver como estava alguns pacientes. A noite passada até que foi calma, a coisa pega mesmo nos fins de semana. A prova disso é aquele bêbado lá e é claro que aquilo era só o começo, afinal hoje já era sexta-feira. Caramba, é mesmo. Hoje já é sexta-feira e eu nem tinha me dado conta disso. A verdade é que tinha dias em que eu acabava me perdendo em tudo. Perdendo a noção dos dias, dos horários. Na verdade, isso acontecia o tempo todo. Quando eu não estava no hospital, estava na minha casa. As únicas horas em que eu estava sóbrio eram quando eu estava no hospital, mas em casa eu mandava para dentro duas garrafas de Jack Daniel's em menos de uma hora. Como médico, eu sei que o meu fígado iria pirar logo, logo. Mas dane-se. O fato é que eu estava começando a me questionar que merda de vida era aquela. Eu era bem sucedido na minha carreira de médico e tinha amor pelo meu trabalho. Mas e a minha vida pessoal? Com os meus 35 anos, solteiro, sem filhos (que eu saiba), sem família alguma por perto e com meus amigos resumidos em apenas dois: A Amy e o Ben. Se bem que o Ben não conta muito, porque ele consegue beber mais do que eu e geralmente não consegue atender às minhas ligações por não conseguir enxergar a tela do celular de tão tonto. Ele nunca disse isso pra mim, mas eu sei que ele ficou meio depressivo depois que foi afastado da polícia. Eu não o critico, pois eu também me sentiria culpado o tempo todo, caso tivesse matado alguém, mesmo que tenha sido sem querer e em legítima defesa. De qualquer forma, eu era apenas um cara só. Meu último encontro com uma mulher foi há algumas semanas atrás. Eu fui um perfeito cavalheiro e se quer saber, estava indo tudo bem, até que ela começou a chorar feito uma louca e disse que só aceitou sair com o cara que ela tinha acabado de conhecer na fila do caixa do McDonald’s (no caso, esse cara era eu) porque queria se vingar do namorado que estava a traindo com a irmã dela. Até aí tudo bem, eu sinceramente não estava me importando com nada disso. Mas ela não parava de chorar e acabou indo embora dizendo que não conseguiria ficar comigo pensando no namorado, mesmo ele sendo um perfeito idiota. Além de ficar com cara de boboca, ainda tive que pagar a minha conta e a dela. Enquanto eu olhava para aquelas pessoas ali deitadas naquelas camas frias, eu pensava e repensava em minha vida. Eu estava quase descobrindo o que eu realmente era: Um absolutamente nada. Aparentemente estavam todos bem, então voltei para o meu consultório pensando em como aquela cadeira de couro agora me parecia tão confortável. Dormir sob uma mesa não podia ser tão mal assim, ou podia? Mas para minha não muita surpresa, Amy estava lá. 
— Eu só vim me certificar de que você não iria mesmo dar o seu cochilo de meia hora. — Amy me disse isso dando voltas na cadeira, o que parecia estar me deixando tonto.
— Você não deveria estar tentando salvar o nariz daquele cara? Olha, eu te disse que ele já é feio demais. 
— Não foi nada de mais. Apenas um pequeno corte causado por uma garrafa de rum importado. Reconheci pelo cheiro. Deixei com os enfermeiros.
— Hm, pelo menos ele tem bom gosto. Um gosto barato, mas não deixa de ser até bom. Olha só, já não me parece mais tão bobão como antes. — Dessa vez eu que fui sarcástico. Mas, espere. Eu era mesmo bom nisso. Usava de sarcasmo quase o tempo todo. É claro que quando eu ia dar a horrível notícia de que um parente havia morrido pelas minhas mãos, não tinha como usar de sarcasmo, até porque, é claro que alguém iria acabar me processando. Mas eu sempre achava um jeito de dar esse tipo de notícia da melhor forma possível. Se é que existe como.
— Matt, você deveria descansar um pouco. Olha, por que não tira o fim de semana para descansar? Sei lá, dormir um pouco, sair com alguém, assistir futebol. Sabe, se divertir. — Por incrível que pareça, Amy parecia séria quando disse isso.
— Você tem razão. Eu deveria contratar algumas daquelas coelhinhas da Playboy. — falei frangindo as sobrancelhas. 
— Eu estou falando sério. Caramba, Matt, você é um cara tão bonito, tão legal, tão interessante. Se você fizesse a minha praia, eu já teria te dado uns pegas por esses corredores. — É claro que eu sabia que ela só estava dizendo isso porque eu realmente não fazia a praia dela. A praia dela é, digamos, as coelhinhas da Playboy, se é que me entendem.
— Amy, você sabe. Eu vivo para o meu trabalho e eu amo o que faço. A minha vida se resume em salvar vidas. Isso é coisa mais legal que eu posso fazer. 
— Isso é apenas o seu trabalho. Eu também gosto do que faço, mas a gente não pode se deixar obcecar por algo. Você ainda pode fazer o seu trabalho e ter uma vida, sabia?
— Eu tenho uma vida e a estou vivendo nesse exato momento. — Eu só conseguia me perguntar o porquê da Amy ainda estar sentada na minha cadeira. Caramba, eu preciso me escorar em algum lugar, se não vou desabar aqui mesmo.
— Ah, é mesmo? Então me conte mais sobre como a vida de alguém que apenas trabalha, trabalha e trabalha pode ser empolgante. 
— Amy... — Antes mesmo que eu tentasse dizer mais alguma coisa, Amy me interrompeu e se levantou da cadeira, se debruçando sobre a mesa.
— Olha, vá para casa e tire o resto da semana para descansar. Não estou mais falando como amiga, pois você não vai me escutar mesmo. Estou falando como a diretora desse hospital. Vá para casa e só volte na segunda-feira. Ok?
— Mas... — Já estava ficando irritando com o fato da Amy estar me interrompendo o tempo todo.
— Sem mais, você me ouviu. Vá para sua casa agora. — Disse silabando a palavra “agora”.
— Está bem, eu estou indo. — Transmiti minha indignação com um suspiro.
Amy veio até mim e me deu aquele abraço acolhedor que só ela tinha. Tive que ser forte para não acabar dormindo no ombro dela ali mesmo.
— Vou seguir o seu conselho, estou indo para casa agora mesmo. — Falei ainda abraçado a ela.
— Muito bem. — Amy olhou em meu rosto e me deu um beijo na testa. — Se cuida, tá? — Terminou.
— Tudo bem. — Dei mais um abraço apertado nela e segui até a porta, quando me virei e dei uma olhada na minha sala, como quem não queria mesmo ir embora. Mas aí a Amy começou a me dar tchauzinho e eu sei que se eu ficasse ali por mais um segundo, ela ia ficar brava comigo. Sabe, às vezes a Amy cuida de mim como se eu fosse o seu irmão mais novo. Na verdade, isso é bom. Quer dizer, às vezes nem tanto. Mas na maioria das vezes é mesmo muito bom. 

Quando cheguei ao estacionamento já estava tudo escuro, o que dificultou que eu achasse o meu carro de primeira. Ao sentar no banco me sentia tão cansado e a sensação de conforto foi tão grande que por um momento pensei em dormir ali mesmo, mas mudei de ideia logo quando pensei na hipótese de eu dormir de mais e acabar sendo acordado por um grito histérico da Amy pela manhã, quando me encontrasse dormindo ali, no banco do carro. O melhor que eu tinha que fazer era conseguir acertar o buraco da chave e tentar manter os olhos abertos. Isso pode parecer fácil para você, mas acredite, não foi nada fácil para mim. Os meus olhos pareciam estar mais pesados que todo o resto do meu corpo. Finalmente ouvi o som do motor ligado. Eu estava indo para minha casa e a única coisa que me confortava era o fato de saber que eu estava cansado demais para pensar em alguma coisa e assim que eu chegasse lá, iria tomar um bom banho quente, comer alguma coisa, escovar os dentes e cair em sono profundo, como se estivesse em coma. Naquele momento estar em coma não me parecia ser algo tão ruim assim. Que bobagem, talvez fosse apenas o sono me afetando. As luzes da cidade e dos faróis do carro pareciam grandes vaga-lumes que iam me seguindo. Só faltavam mais dez minutos e eu estaria em minha casa. Mas agora eu estava passando por debaixo dele, aquele viaduto. É engraçado porque sempre que eu passava por ele, eu imaginava como poderia ser alguém se suicidando lá de cima. A pessoa por algum motivo iria se jogar lá de cima e iria começar a agonizar com a sensação de o ar gelado estar perfurando as suas narinas, mas a dor mesmo seria quando ela chegasse ao chão e sentisse o peso de alguma roda de algum carro passando por cima do seu estômago, expondo as suas vísceras. Talvez fosse morte instantânea, mas talvez a pessoa ainda sobrevivesse por algumas horas e iria parar em minhas mãos, onde eu faria de tudo para salvá-la, mas sem sucesso, mais uma vez iria sair por a porta da sala de cirurgia e iria direto para a recepção, onde iria encontrar uma senhora chorando abraçada a um senhor e quando eles me vissem iriam correndo me perguntar sobre a filha deles — aquela que se jogou do viaduto. A cena daqueles senhores chorando, sem conformação, ficou na minha cabeça por alguns instantes, até que eu percebi que os meus olhos não conseguiam mais ficarem abertos. “Só mais cinco minutos”, pensei. Liguei o som do carro baixinho na tentativa de não cochilar mais. Começou a tocar a música Found Out About You do Gin Blossoms. A tentativa de me manter acordado com a música parecia não estar dando muito certo. Mal chegou ao refrão e eu já não conseguia ouvir mais nada, nem mesmo via os grandes vagalumes — digo, as luzes da cidade — tudo havia escurecido. De repente, toda a escuridão é despertada por um ruído infernal e eu quase que instantaneamente percebo que há algo de errado e freio o carro o mais rápido que consigo. Mas sei que já é tarde. Algo aconteceu. Saí do carro mais do que de pressa e por um momento pensei que poderia ter sido apenas um buraco na pista, na pior das hipóteses um cachorro, ou gato. Mas não, não podia ser. Eu a vi, ali, caída, os cabelos misturados ao sangue, imóvel, machucada, quebrada. Não pode ser. É uma garota. Eu não acredito nisso. Fui eu. Fui eu. A culpa é minha. O que eu faço agora? Que merda de pergunta é essa? Corri até ela e levantei lentamente a sua cabeça, não deu para ver seu rosto muito bem, mas se deu para perceber que era uma jovem. Ainda está com pulso. Ela ainda está viva. Peguei-a em meus braços com muito cuidado e a coloquei no banco de trás do carro. Dei um jeito meio sem jeito nos cintos de segurança, de modo que eles não a deixassem cair. E acelerei com tudo, estava voltando para o hospital. Estava correndo contra o tempo. Eu preciso salvá-la. Enquanto tentava fazer o meu carro ultrapassar a velocidade da luz, algo em minha cabeça me dizia que aquela garota estava se entrelaçando a mim de alguma forma. Mas não há tempo para pensar em nada agora. Eu apenas preciso salvá-la.



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