História Azami - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Hansol, Yuta
Tags Romance, Yusol
Exibições 227
Palavras 4.531
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Só queria ter certeza que eu ainda sei escrever em terceira pessoa! ♡
Aí pensei: Vou testar com Yusol.
E se vocês quiserem que eu teste mais vezes...
Boa leitura! ❥

Capítulo 1 - Pulo de passos.


Pulo de passos. 

O primeiro descontrole foi quando, mãos femininas desconhecidas estavam em volta do seu corpo no objetivo de lhe ensinar a dançar para a formatura. Acabando com seu medo de escorregar em braços errados e cair sorrindo na lábia do belo rapaz cujo gritou “Garotos! Eu amo garotos”, ao lado da única máquina fotográfica capaz de registrar o momento de confusão entre todos que estavam no baile de formatura.

Enquanto Johnny ainda tentava recuperar sua reputação após ser visto se masturbando no banheiro masculino pela primeira vez, ao lado de Hansol que chorava ao beber vodca para esquecer a certeza de que o garoto na qual ele gostou por anos havia acabado de se assumir gay ao público, ao ser forçado a aceitar o título de “rei do baile” ao lado de uma garota sem sal que o forçava a subir no palco para receber a coroa.

-Vocês viram? – Doyoung, o antigo representante de sala, quase gritou ao entrar no banheiro vendo Johnny bebericando do uísque escondido em seu segundo ou terceiro baile de formatura, após finalmente conseguir atingir a média para se formar. – Nakamoto Yuta, acabou de se assumir gay! – ele disse meio eufórico se contorcendo, como se estivesse com a bomba do ano em mãos.

Johnny oscila, e fecha o punho com a sua mão livre e encara Doyoung ao mesmo tempo que Hansol abre a porta da cabine do banheiro e leva seu próprio corpo para fora em meio de uma visão embaçada e tropeços por causa da vodca pura.

-Será que você não percebe que somos os perdedores? – Johnny pergunta apontando para Hansol que pisca duas vezes e leva mais tempo para assimilar as coisas enquanto está embriagado. -Sem chances de sairmos daqui com o par ideal. – até porque Johnny tinha certos interesses em garotos com rostos bonitos.

-E outra não é como se fosse grande coisa, Yuta sempre fez parte da minoria pelo fato de ser japonês nesse colégio dos infernos. – seu braço rodeia a nuca de Hansol e o ajuda a sair de dentro do banheiro. – Sei lá, só deixa o garoto começar a vida do jeito que ele quer, não existe nada de errado em ser gay, o único problema é quando esses tipos de revelações caem nos ouvidos de gente como você. – Johnny nunca teve medo de dizer o que realmente pensava ou muito menos media as suas palavras para confrontar aqueles que eram os ricos e mais influentes dentro do colégio.

Doyoung pela primeira vez sentiu a arma de Johnny carregada de palavras, não ditas, pelo fato de estarem em hierarquias diferentes, e fazia muito tempo que não sentia raiva por ser bravamente contrariado por alguém que estava abaixo de si. Ele se sentiu friamente como aquela bala que perfura o coração e as vezes sangra.

-Ei! E essas bebidas que vocês deixaram aqui? – Doyoung gritou nervoso pela falta de atenção de seus companheiros de classe e pela arrogância de Johnny. – Eu vou denunciar vocês para o corpo estudantil! – ele grita entre dentes observando os dois embriagados irem embora.

-Que merda cara! – Johnny se irrita com a sua postura. – Acabou agora é oficial! Todos nós somos praticamente “adultos”, menos você que continua sendo o mesmo cara irritante que se acha melhor que os outros pelo fato de não beber e por ser rico! – Johnny cospe as palavras e sorri sarcástico após fechar a porta do banheiro pois, com certeza alguém ou melhor dizendo Doyoung vai tomar seu primeiro porre acabando com toda a sua reputação de perfeccionista.

E com muita autoconfiança, Johnny enfrenta o rico e famoso Doyoung por distorcer histórias pela última vez, enquanto Nakamoto Yuta, dizia a verdade a todos quando tocou no microfone bem no centro do palco do ginásio, e Hansol imagina se é com essa mesma coragem que ele anda em sua direção para entrar no elevador segurando com as duas mãos uma caixa média de tampa verde como se estivesse se mudando para aquele prédio, vivendo como se nada tivesse acontecido a dois anos atrás quando se formaram do colegial e deram um grande salto para aquele fardo que era lidar com as responsabilidades de adulto.

O mesmo verde da caixa média que Yuta estava carregando nos braços, se assemelhava ao verde claro do gramado do campo de futebol do colégio quando Ten Chittaphon, cruzou em sua direção, e os dedos de Johnny pressionaram um de seus ombros.

-É sério pode ir. – Hansol disse tirando a mão de Johnny de seu ombro olhando para as costas de Ten que se distanciavam. – Eu não estou bêbado de verdade, só fingi estar mais do que eu estou para Doyoung não falar tanta merda para mim! – ele disse sorrindo. – É a sua chance de ter o tailandês, não vai desperdiçar por minha causa.

-Você não vai ficar triste se eu for agora? Nós combinamos que você iria dormir na minha casa. E ir agora, é praticamente acabar com todos os nossos planos.

-Não, é sério, pode ir! – Tudo bem, Hansol estava mentindo um pouco, na verdade ele iria ficar triste porque seu único e melhor amigo iria tentar a sorte com o cara que ele gostava e sua última vontade era ficar sozinho naquela festa de formatura onde todos tinham companhia, e ele não podia demonstrar, exatamente como não demonstrava metade dos seus sentimentos.

 -Eu só vou porque você está dizendo que não vai ficar ressentido depois e nem com raiva, eu te ligo mais tarde ok? Me manda uma mensagem quando chegar em casa, só pra saber que você chegou bem, e tenta não beber muito. – Johnny disse desarrumando o cabelo de Hansol de proposito como de costume após começar a correr na direção de Chittaphon que já havia sido tragado pela escuridão.

-Você pode apertar no 3? – a voz doce lhe pergunta o acordando de todas as memórias de anos atrás e gradualmente Hansol abre os olhos descobrindo que está dividindo o elevador com Yuta, não era exatamente como um simples frio na barriga, a sensação de estar no mesmo metro quadrado que Yuta, era muito mais que isso, era estranho porque Hansol não conseguia simplesmente reescrever nas memórias.

-Tudo bem. – ele aperta e só depois se dá conta que é o seu próprio andar.

3, 2, 1 era como se as vozes ainda estivessem vivas em sua pele arrepiada naquele dia no gramado, onde revelações foram feitas em jogos de verdade ou consequência e beijos foram trocados quando as luzes foram apagadas e a contagem regressiva sucumbiu com o coração de todos, menos com o de Hansol, que no último dia em que pisou naquele gramado verdinho foi sem seus melhores amigos do colegial.

Pois Johnny já beijava Ten cujo ansiava em perder sua virgindade antes de ir para faculdade, mostrando que todo ato preciso pode ser precioso rendendo bons beijos de língua, e Hansol era o cara que sobrava entre os amigos, porque... ele gostava do japonês que estava soltando fogos de artificio preso em seu próprio mundo e, com toda certeza, Hansol nunca foi capaz de interromper aquele momento para confessar seus sentimentos já que antes de tentar algo Sicheng o atingiu com sua flecha envenenada.

Diretamente no coração, envenenando-o com suas mãos na cintura sugando o lábio inferior do garoto que ele gostava enquanto o mesmo ficava nas pontas dos pés sorrindo em meio do beijo, no gramado do campo de futebol, em meio das coisas que ele mais gostava em toda sua vida, seus amigos e futebol. E, droga não era ele, não era Hansol por mais que ele fechasse os olhos e tentasse imaginar, não era ele que estava com Yuta em sua última chance de confessar tudo que havia guardado por todos aqueles anos.

-Quente... – Yuta diz sussurrando.

O clima parece ter mudado drasticamente dentro do elevador, onde as botas que estavam com as solas sujas de neve, e a etiqueta ainda presa ao novo casaco que tinha ganhado de sua mãe no mês passado para enfrentar o frio rigoroso de fim de ano pareciam ser vestimentas banais perto do calor que Hansol sentia em sua nuca com aquela pitada de nervosismo o agredindo pelo maxilar que estava tão travado ao ponto de ficar dolorido. Ele imagina que tudo para Yuta tenha sido quente após o beijo, provavelmente ele transou com o chinês, e se sentiu completo, e essas conclusões precipitadas que Hansol tirava sobre tudo o deixavam extremamente deprimido.

Quando as portas do elevador abriram, ele finalmente respirou, e respirou profundamente como não foi capaz de fazer ao ver as gotas de chuva caírem e molharem sua camiseta branca enquanto ele assistia os dedos de Nakamoto se entrelaçarem com os de Sicheng, eles pareciam estar felizes, naquele encontro que não era romântico, mas dolorosamente avassalador para Hansol, e era uma droga assistir novamente as costas de Yuta, preso aos velhos sentimentos, só que dessa vez, está um pouco mais difícil de respirar após se render ao mesmo garoto, e a mesma vontade de ser o cara que entrelaça sua mão entre seus dedos, e finge não entender o que acontece depois de tudo aquilo.

 -Nós somos vizinhos. – o garoto de estatura média disse sorrindo colocando a caixa de tampa verde no chão, tirando as chaves de seu bolso. – Meu nome é Nakamoto Yuta, mas você pode me chamar de Yuta. – ele sorriu, e por alguns minutos Hansol não conseguiu responder aos seus próprios comandos; deveria ser pecado uma pessoa ter um sorriso desses e mostrar em público ou melhor para o cara que gostou dele por muito tempo, porque agora ele estava em uma nova fase, a fase do “tentar esquecer”.

Hansol sorri ao mesmo tempo que tira as chaves do seu bolso. E ele está triste porque já pensou nele “naquela forma explicita” completamente nu em sua cama, e do nada, ele fica com medo de cumprimenta-lo pois era como se estivesse dando espaço para Yuta descobrir todos seus segredos, cujo ele prometeu levar ao tumulo, pois eram segredos comprometedores.

-Meu nome é Hansol. – ele o cumprimenta curvando a cabeça, e Yuta sorri empurrando a caixa com o pé para dentro do apartamento. – Pensei que uma senhora estivesse morando aí ainda. – Hansol comenta antes de entrar.

-Era minha tia, ela estava morando aqui por um tempo, até a reforma de sua casa ficar pronta. Agora o apartamento é meu. – seu semblante é pensativo antes de arquear as sobrancelhas. – Você por algum acaso... ah, esquece. – Yuta desiste e Hansol não quer que ele persista no pensamento.

-A gente se vê. – Hansol responde nervoso finalmente entrando dentro do apartamento.

Reciprocidade. Ato de retribuir o que lhe é oferecido. Parece ser mais difícil do que Hansol imaginava, e quando se trata de amor, é tudo mais complicado e sem medidas, é como se você sempre estivesse disposto a se entregar mais, e receber menos, reciproco, talvez seja uma grande mentira em um jogo de palavras, uma palavra a mais para soar bonita no dicionário de quem é assíduo em literatura, mas para quem realmente ama, é apenas mais uma lacuna a estar vazia.

-Droga! – ele pragueja chutando a cadeira da mesa da sala de estar.

Quando a noite chega, Hansol se sente como o humano monótono, respondendo a mesma pergunta escutando os zumbidos do mundo que existe fora do seu quarto em uma daquelas noites onde não se consegue dormir por estar internamente sendo consumido por algo indispensável a se pensar.  Então ele suspira e desce uma das mãos até seu intimo sem sentir nada além do desprezo de ter nascido naquele corpo, esguio e fraco, impossível de ser o desejo de alguém, é o que ele imagina.

Logo não existe espaço para imaginações onde ele consegue dançar com o garoto desejado por todos na boate e quando menos se espera os segundos são convertidos para minutos e boom dez minutos entre os braços até os lábios do mesmo garoto que afirma ser um dos melhores beijos de toda sua vida.

É preciso o anseio ao impossível para não se tornar vulnerável a realidade.

Por outro lado, Yuta se encarrega de ser o novo vizinho, do apartamento ao lado, esbanjando sorrisos, com conhecimento em frases bonitas além das que os romancistas podem oferecer de modo apelativo em que o personagem principal das histórias é sempre um amante incondicional da bebida. Com autoconfiança, ele desfruta de toda nova tecnologia que faz os especialistas pensarem que há sim, uma nova forma de redenção.

E pensando em redenção, na manhã do último dia de inverno, quando eles se trombaram pela segunda vez no elevador, depois que Hansol conseguiu pagar suas contas de fim de mês, ele imagina o que Yuta poderia estar escutando nos fones de ouvido, pois em toda sua vida, ele nunca tinha visto uma pessoa tão imersa a uma música como Yuta demonstrava estar. De olhos fechados e com a cabeça encostada no espelho do elevador, ele nem se quer percebe a presença de Hansol, e querendo ou não, aquele momento virou um de seus favoritos, pois ele conseguiu extrair todos os detalhes do rosto bonito de Nakamoto sem nervosismo algum, apenas com o medo de básico de ser pego ali o encarando feito um idiota. Ele era tão lindo, e ficaria ainda mais lindo, em meio dos seus lençóis brancos.

E no final das contas, não disseram nada, Hansol não se atreveu a tentar, apenas inalou o silêncio como uma grave ironia do destino.

Hansol gostaria que, Deus ou Johnny, ou Ten falassem o que havia de errado com ele, pois desde que ele havia visto Yuta no elevador todo autocontrole de si mesmo foi perdido aos poucos. Ele não se lembrava do sanduiche que comeu no almoço e nem mesmo o motivo para estar deitado no chão da sala enquanto o vento batia em suas cortinas brancas. Lá fora está tudo tranquilo, no entanto seu apartamento parece estar desorganizado mesmo que suas discografias favoritas estejam arrumadas em ordem alfabética, e seus planos para o dia seguinte já estejam em ordem, tudo está miseravelmente organizado, menos seu coração que continua batendo forte sem a sua permissão, e o que bate machuca, e seu peito dói.

Eram quatro horas da tarde, e Hansol tentou aliviar o tédio em comédias românticas do Netflix. E vendo as coisas se moverem do lado de fora de sua janela. As sacolas de plástico, o choro do bebê e o barulho de salto, tudo conta e muda em tempo por tempo e não para. Ele se pergunta, se é estranho amar por anos e sentir um frio na barriga por causa de uma foto de perfil em uma rede social, se é normal sentir inveja das pessoas que podem vê-lo todos os dias na rua ou que trabalham com ele, e acreditar que da mesma forma que ele é bonito para ele, consegue ser para outras pessoas. E é indispensável o desconforto por pensar em tudo aquilo e saber que não existe chance, apenas aquela bendita estaca zero em todas as vezes que eles se encontram.

Ninguém o telefonou naquele dia, nem mesmo seus amigos. Até porque chega um momento em sua vida que os telefonemas de amigos acabam, e quando passam a utilizar as mensagens elas são curtas e breves até desaparecerem. Hansol não pensou em nada enquanto o sentimento ruim prevalecia, não terminou o filme e não escutou música. Fechou os olhos e permaneceu assim por horas, até que alguém tocou a sua companhia.

Hansol esperava por Johnny, já que era típico do amigo aparecer sem avisar procurando pelo bom e do melhor, e aquilo as vezes o irritava. Pois não era o momento certo, então meio que Hansol já estava emburrado ao ir abrir a porta.

-Sinceramente eu acho melhor você ir se... – Hansol disse abrindo a porta com certa brutalidade.

Em meio de um susto Yuta deixa seus ombros rígidos e se afasta da soleira da porta, ele sobe seu olhar diretamente aos olhos de Hansol que tremem ao vê-lo se arrependendo pela grosseira exagerada.

-Ah! Oi! – Yuta diz sem graça massageando o próprio ombro. – Hm, eu gostaria de saber se você está com água no seu apartamento.

-É bem... eu não sei! – Hansol diz meio confuso e hipnotizado ao mesmo tempo. – Eu vou ver! – ele diz caminhando rapidamente até a pia da cozinha abrindo a torneira e um grande jato de água saí dali de dentro.

-Tem sim. Aqui está tudo normal. – ele diz encostando seu ombro na porta.

-Quê estranho, lá em casa não cai um pingo d’água se quer. – ele cruza os braços.

Seria estranho dizer que ele poderia usar a água do seu apartamento? Hansol pensa por um minuto, talvez não, porque era apenas um ato de gentileza, e se realmente fosse precipitado e estranho, pela primeira vez ele sente que nunca foi estranho o suficiente em sua vida, então ele não se importa de tentar.

-Você pode usar a água daqui se você quiser. – ele respira fundo apertando os dedos.

-Sério? – Yuta parecia estar feliz. – Eu preciso lavar a minha roupa.

-Tudo bem, você pode usar a máquina de lavar.

Aquele momento foi importante para Hansol entender que não era um bicho de sete cabeças falar com Yuta, ele até sorriu quando saiu para buscar suas roupas e Hansol se segurou para não ficar histérico, aquela sensação era muito boa, de conversar com a pessoa que você tem uma queda. Quando Yuta voltou ele estava segurando uma cesta vermelha cheia de roupas e Hansol desejou que tivesse muitas roupas ali dentro e que demorassem para lavar.

-Bom, você me guia porque eu só me dou bem com a minha máquina. – ele falou sincero entrando no apartamento.

Hansol não se sentiu envergonhado pois tudo era muito organizado em sua casa, sua mãe sempre foi uma mulher viciada em deixar as coisas limpas e arrumadas e Hansol meio que puxou esse seu lado, e aprendeu a viver com organização quando passou a morar sozinho, Yuta parecia estar um pouco impressionado e quando Hansol olhava para trás o mesmo sorria e fazia alguns elogios sobre o apartamento.

-Não tem segredo. – Hansol disse segurando o amaciante e o sabão em pó. – É só colocar cada um dentro dessa gavetinha correspondente a imagem, e depois a roupa, escolhendo a opção de lavagem. – ele explicou assim que entraram na lavanderia. -Você pode selecionar a roupa... enquanto isso eu vou pegar um suco.

-Ei, não precisa se incomodar, eu só vou lavar a roupa e ir embora.

-Vai demorar para terminar de lavar... é melhor esperar com suco.

-Tá, se você insiste! – ele deu de ombros sorrindo.

As mãos de Hansol estavam estabanadas dentro da cozinha, era um nervosismo bom, ele pegou o suco e despejou dentro do copo de vidro e fez uma contagem mental para voltar a lavanderia. Yuta estava de pé segurando a cesta de roupa observando a mesma girar dentro da máquina de lavar, Hansol não teve dúvidas que Yuta era muito bonito naquele momento, um jeito único dele, olhando o nada, mas era tão ele, que seu corpo não rejeitou a sensação de estar se derretendo inteiramente pelo seu jeito simples, só de olhar.

-Seu suco. – Hansol fala baixinho oferecendo.

-Obrigado. – Yuta sorri pegando o copo experimentando o suco logo em seguida. – Eu estava pensando... talvez eu já tenha te visto em algum lugar, sabe aquela sensação da pessoa não ser completamente estranha?

-Eu sei, vai ver nos esbarramos em algum lugar, mas não lembramos. – Hansol omite a verdade de já terem estudado na mesma escola só que em salas diferentes, pelo simples fato de querer algo totalmente novo, sem passado.

-Você é muito gentil sábia? – ele disse meio que querendo rir. – Sei lá, eu esperava um Hansol completamente diferente, um cara fechado, já que você tem um olhar meio misterioso.

-Então você veio até aqui, só para me investigar?

-Não! – ele nega imediatamente com a cabeça. – Eu estou realmente sem água em casa.

-Se você diz... eu acredito. – Hansol suspira. – Bom, eu sou um cara sem graça, não tenho nada muito interessante para contar, então vou te deixar lavando a roupa... – ele se afasta devagar e antes de realmente acreditar no que estava dizendo, Yuta deixa o copo de suco dentro do tanque, e o segura pelo pulso.

-Qualquer coisa pode ser interessante vindo de uma pessoa que eu não conheço. – então Yuta mostra aquele sorriso capaz de desmontar Hansol por completo quando estiver sozinho se lembrando dele.

-É sério não tenho nada para contar.

-Quando você era pequeno costumava obedecer sua mãe? – ele o ignora.

-Sim. – Hansol responde engolindo em seco.

-Eu sempre obedeci minha mãe com ódio, porque eu queria cair no mundo. – ele riu como se estivesse se lembrado de algo doloroso. – E então quando você vê o mundo como nunca tinha visto antes, você tem vontade de voltar para os braços da sua mãe, deixando a nostalgia levar um pouco de você. Aposto que já se sentiu assim, certo? Quando você começou a morar sozinho.

-Não sei... eu não era muito próximo dos meus pais.

-Por que?

-Várias coisas, meu modo de ser e de nunca revelar nada.

-O que você quer dizer com revelar? – ele perguntou sorrindo, e o sorriso o deixou vulnerável.

-Namoradas que nunca existiram, eles pensavam que existiam, mas na cabeça deles eu não queria apresentar. -falou rindo sem graça.

-Entendo. No meu caso é mais complicado, já que eu gosto de garotos.

-Garotos. – Hansol sorriu mordendo os lábios.

E Yuta confirmou mais uma vez ou melhor, milhares de vezes para Hansol.

-Johnny me ajudou a chegar até aqui. O seu amigo. – ele disse meio baixo se encostando na máquina de lavar.

-A água só foi uma desculpa esfarrapada? – Hansol perguntou olhando fixamente para os lábios de Yuta mas não ousou fitar seus olhos.

-Sim. – ele confirmou fitando a cesta de roupas vazia.

-Infelizmente isso estava bem próximo de algo que o Johnny provavelmente criaria. – Hansol falou baixinho se encolhendo ainda mais dentro lavandeira.

-E você tem curiosidade... – Yuta suspirou caminhando vagarosamente na direção de Hansol. – de saber qual cenário eu criaria? – a palma da mão de Yuta encostou na parede branca enquanto sua respiração próxima batia certeiramente no queixo de Hansol.

-Não sei. – ele engoliu em seco.

-Johnny deixou claro, que você anda guardando muitas coisas no coração. Principalmente palavras. As palavras do seu coração. – a mão esquerda de Yuta pousou na nuca de Hansol e levemente desceu até seu ombro.

-Já guardei tanto que talvez nem exista mais.

-Então deixe-me lembra-lo. – Yuta sorriu se aproximando ainda mais fazendo Hansol se apegar fielmente a parede atrás do seu corpo. – Parece ser loucura, mas tem pessoas que fazem pior, bem pior, por aí. – seus dedos agora tocaram na pele macia do rosto de Hansol cujo estremeceu com o toque como se estivesse recebendo uma anestesia, que o levaria para a eternidade do impasse. – Seria óbvio demais se eu te beijasse agora certo? Porque você sabe que isso está bem perto de acontecer. – ele disse em meio de um sussurro bem na ponta da orelha de Hansol. – E eu não quero ser óbvio.

Não demorou nem três segundos para Nakamoto se distanciar e sair de dentro da lavandeira, passando pela sala com a televisão desligada, indo em direção do quarto que estava com a porta encostada. Hansol o seguiu com passos urgentes, sem vontade de perde-lo de vista como sempre acontecia.

-Já que você sempre teve vontade, agora não precisa ter medo de invadir a minha vida. – Yuta puxou Hansol para dentro do seu próprio quarto com um sorriso caloroso quando teve ele em seus braços. – Não é reciproco, eu tenho que admitir, estou com vontade de te beijar por causa de uns vinte minutos atrás quando eu vi seu rosto em um ângulo bonitinho. Mas esse pode ser o beijo que vai mudar a sua vida, ou a nossa, pode ser o motivo para tudo de estabilizar ou desmoronar, em algo que não sabemos no que vai dar. – ele disse tocando nos cabelos de Hansol mais próximo do que ele nunca imaginou que estaria de Yuta.

-Existem muitos passos.

-Sim. Infinitos deles. – Yuta concordou. – Mas vamos pular todos eles, porque é bem provável que você já tenha vivido todos eles na sua cabeça, já que Johnny deixou bem claro que você sempre falou muito bem de mim, sem ao menos me conhecer direito. – ele riu baixinho.

Pularam a parte do conhecer, para desdobrar todas as palavras que sempre se diziam em comédias românticas, em único ato de compreensão e vontade, os dedos de Yuta se embrenharam nos cabelos de Hansol, o puxando para um único beijo entre as cortinas levemente fechadas e o sol da tarde, entrelaçaram mais de mil razões para não fazer com que Hansol esperasse mais do que um ensaio sobre o amor, a espera de algo que as vezes pode ser nítido por não ser real. Era ainda melhor porque nem tudo partia apenas da iniciativa de Hansol, por causa de sua vontade que agora parecia estar viva, a vontade de experimentar tudo aquilo que ele guardou durante um bom tempo nos anos de colegial.

Era real palpável e amável, era os dois, somando-se em uma pequena rebelião de corpos, uma intimidade sendo traçada em questão de minutos com carinhos sendo dissipados em leves beijos no pescoço. Ambos redesenharam o início a favor do final, pularam para parte em que iriam se conhecer de corpo e alma para depois procurarem pelas características mais marcantes, pelos olhos calmos que não estavam ansiando por sexo, pela respiração controlada por estarem compartilhando da mesma cama, pelo nervosismo de estarem entrelaçando as mãos e reconhecendo que elas realmente ficavam bonitas ao ficarem juntas, pelo corpo arrepiado ao sentir dedos finos traçando uma nova rota até chegar ao seu ponto de amor.

Os primeiros minutos de tudo, era sempre os mais marcantes, onde é impossível reconhecer que o que eles estavam fazendo no colchão não era apenas mais uma demonstração de amor por estranhos corpos que ali se apaixonavam pela primeira vez, era quase metafórico pensar que aquilo realmente era considerado como uma transa ao invés de uma das milhares, formas de demonstrar um amor preso em palavras esquecidas pelo tempo, que agora se construía no mais belo formato do corpo. E até mesmo no mais belo som de gemidos, cujo Hansol e Yuta não podiam negar.

-Não sei como vim parar aqui tão rápido. – Nakamoto resmungou no colo de Hansol enquanto o mesmo dedilhava seus dedos sobre a pele alva.

-Nós fizemos amor?

-Não. – Yuta confirmou virando a cabeça para o lado.

-Então... – ele suspirou procurando por outra explicação.

-Sente tesão por isso aqui? – afastou o corpo para trás e deu uma visão privilegiada de seu falo duro para Hansol.

Hansol teve vontade de devora-lo por inteiro.

-Então foi apenas sexo por preliminares.

-E o que eu faço para sermos mais do que simples preliminares?

-Garoto, você precisa me dar um pouco mais do seu mistério. Porque toda vez que eu te encontrava, era como se você implorasse para estar na minha cama. – Nakamoto sussurrou no ouvido de Hansol. – E é claro, que eu sempre quis estar na tua.  

Hansol sorriu sem jeito. E Yuta o beijou obviamente.  


Notas Finais


Obrigada para quem leu e chegou até o final! ❥
Como foi só uma sprite, eu estava pensando em um limonada, Yuwin, procede? ♡
Ah, eu realmente quero testar mais vezes!


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