História Azul - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags A Bad Again, Azul, Cigarros, Heterossexual, Nancy, O Caralho A Quatro, Originais, Suícidio, Tristeza, Veins
Exibições 27
Palavras 625
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Heterossexualidade, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 1 - I - único: música indie e um coração em tons azulados



    I - único.

   E lá estavam pela enésima vez, deitados na pequena cama de um quarto morno e azul. Lugar de onde os sentimentos mais simples iam e vinham; onde os momentos mais marcantes da vida de Nancy nasciam. Lembranças das quais ela nunca deixaria para trás. Lembraria das vezes em que parava para observar o belo rosto à tua frente; gravava em seus pensamentos as curvas simples que o mesmo possuía; os cílios longos e negros que tocavam seus olhos fechados quando estavam muito próximos um do outro. O sorriso ostentando dentes bem alinhados, porém levemente escurecidos pela grande quantidade de café que o garoto tomava.

Ela o observava uma última vez. Via o contorno dos seus lábios como uma das maravilhas do universo. As pequenas galáxias no pescoço dele que ela mesma havia deixado brilhavam na pouca claridade do cômodo. Nancy gostava do modo que as veias do braço dele se estufavam, desenhando trilhas e caminhos esverdeados pelo corpo moreno. Adorava traçar beijos por aquele corpo magro demais para um garoto de dezoito anos. Mas, aos seus olhos, ele era perfeito para ela. E Nancy se afogava nele quando o via rir de bobagens que a mesma dizia. Ela se perdia naquele som que, apesar de não contagiá-la, a fazia querer escutar mais vezes.

E sua música favorita tocava baixo. Era algo indie que falava sobre se afogar em pessoas e casas tristes. Algo que se encaixava à Nancy. Na verdade, tudo o que era infeliz se encaixava à garota de olhos castanhos. Porém, ele gostava daquela música por fazer se lembrar dela, apesar de não ter a mínima ideia do que significava tal canção. Para ele, aquilo era um sinal de que ela ainda estava ali; de que era real e não um sonho. A garota amava músicas assim e ele gostava por causa dela.

E então, a música chegou ao fim e ela sorriu, mal sabendo que, por trás daquele sorriso, a palavra de despedida se escondia, como uma fugitiva na chuva.

"Preciso ir", ela simplesmente disse, como em todas as vezes que ficara ali.

"Você volta amanhã?", o garoto perguntou com a mesmíssima esperança. Os olhos grandes brilhando, esperando que ela voltasse e fizesse seus dias cinzas ganharem tons coloridos e alegres.

Nancy demorou à responder. Seria mais difícil do que sua mente bagunçada havia imaginado; mais dolorido que seu coração azulado teria sentido. E as lâminas afiadas atingiam seu corpo, como um alerta para que não fizesse aquilo. Todavia, ela faria.

"Sim, meu amor", finalmente disse com o rotineiro sorriso de canto.

O sorriso dele se abriu e foi como se o seu coração estivesse sendo retirado por si mesma.

A garota pegou seu casaco velho e o vestiu. Selou os lábios uma última vez podendo sentir o calor do corpo dele que tinha a capacidade de esquentá-la temporariamente. Apenas temporariamente. Se ela não fosse um poço de água congelada, talvez nada daquilo precisasse acontecer. Não era bem assim, Nancy estava decidida.

Vislumbrou uma última vez aquele olhar esperançoso e apaixonado, e se virou.

Ele não a veria mais e não sentiria aqueles dedos gélidos tocarem seu rosto com delicadeza; os sorrisos de canto desapareceriam até haver dúvidas se haveria existido ou não. O coração azulado pararia de bater e seus lábios quentes não provariam mais daquele gosto amargo que a boca dela possuía. Apenas sobraria a dor que latejava em seu peito, uma ferida aberta para todo o sempre; seu maço de cigarros barato ainda estaria na mesinha de cabeceira, pois ela havia se esquecido de levá-lo; e a música indie e triste sempre estaria em sua playlist, pois era lá que ele sentia que Nancy ainda era real, mesmo que seu coração azulado tivesse parado de bater.




Notas Finais


Oi! :3
Espero que tenham gostado e compreendido. Essa foi uma das coisas que mais me emocionaram em escrever. Talvez pelo fato de que eu tivesse vivido algo assim. Não foi baseado totalmente no que passei, então.
Capa foi feita pelo Victor que sempre anda me ajudando mesmo que estejamos meio separados... Enfim! Tá aí!
Agradeço a atenção. Obrigado por lerem até aqui, monamus.
Um beijo e um abraço apertado da tia Açúcar ♥


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